sábado, 8 de março de 2014

Pesquisa: "Efeito Francisco" Não Atrai Fiéis para a Igreja.


O instituto Pew Research divulgou ontem uma pesquisa feita entre os católicos dos Estados Unidos. A pesquisa procurou saber várias coisas, como:

1) Se os católicos gostam do novo papa;
2) Se gostam mais dele do que do papa Bento XVI ou do papa João Paulo II;
3) Se acham que ele mudará a Igreja para melhor;
4) Se o papa Francisco tem convertido mais gente, se os católicos estão sendo mais católicos (indo mais a missas, rezando mais) com a entrada de Francisco;
5) Se a Igreja irá permitir padres casados, mulheres padres, casamento gay e métodos contraceptivos.
6) Quais mudanças que os católicos querem na Igreja.

Este tipo de pesquisa tem sempre um problema sério na identificação de quem é católico. Por exemplo, se você não vai à missa, não conhece a doutrina da Igreja, defende o aborto e o casamento gay, mas se diz católico, você é católico? O Papa João Paulo II disse por exemplo que os brasileiros eram apenas "culturalmente católicos", não sabem o que sigbifica ser católico. Acho também que muitos protestantes brasileiros não sabem o que isto significa, no máximo dizem que "não adoram Nossa Senhora".

Sobre se gostam mais do papa Francisco do que os dois papas anteriores, a comparação fica um pouco prejudicada pelo uso de diferentes datas, não é respeitado nem o tempo de pontificado. Mas os papas em geral são populares. Entre os três, o Papa João Paulo II é que é mais apreciado, o Papa Francisco fica em segundo lugar.


Mais de 70% dos católicos acham que o papa Francisco representa um mudança na Igreja.


Apesar da popularidade e de ser visto como uma mudança, o papa Francisco não tem atraído mais gente para o catolicismo, nem católicos para a Igreja, para assistir missas, confissões ou para trabalhos voluntários na Igreja.

Diz o texto da pesquisa (traduzo em seguida, em azul):

But despite the pope’s popularity and the widespread perception that he is a change for the better, it is less clear whether there has been a so-called “Francis effect,” a discernible change in the way American Catholics approach their faith. There has been no measurable rise in the percentage of Americans who identify as Catholic. Nor has there been a statistically significant change in how often Catholics say they go to Mass. And the survey finds no evidence that large numbers of Catholics are going to confession or volunteering in their churches or communities more often.

(Apesar de sua popularidade e a percepção generalizada de que representa mudança para melhor, é menos claro se tem ocorrido o chamado "Efeito Francisco", uma mudança discernível na maneira que católicos americanos praticam a fé. Não foi observado um aumento na percentagem de americanos que se identificam como católicos. Nem tem se sido observado uma mudança significativa no número de católicos que vão para missas. E a pesquisa não encontrou evidências de que mais católicos se confessem ou façam trabalhos voluntários nas igrejas e comunidades.)




- Mais católicos acham que a Igreja permitirá que os padres se casem, que as mulheres sejam padres, que se permita métodos contraceptivos e que seja aprovado casamento gay. E maioria dos católicos americanos querem estas mudanças.



Leiam toda a pesquisa.
--

Concluo dizendo que, graças a Deus, a Igreja não é uma democracia, não decide seus dogmas pelo o que a maioria pensa, mas no que foi determinado por Cristo.

Sobre o "Efeito Francisco", pessoas são atraídas para a Igreja por diversos fatores. Um dos mais frágeis é o entusiasmo pela popularidade de um papa. É no entusiasmo ou no sofrimento que muitas pessoas procuram as religiões, mas geralmente ficam pouco tempo, pois não se aprofundam na fé.


(Agradeço a pesquisa ao site Pewsitter)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Vídeo: Igreja Católica e a Liberdade Religiosa.


O Catholic News Agency fez um vídeo sobre a questão da liberdade religiosa dentro da Igreja Católica. É um assunto complexo, envolve questões como:

1)  Se a Igreja é a Verdade (Cristo) e tem obrigação de conduzir as pessoas para a salvação eterna, então Por que a Igreja não pode usar a força para levar as pessoas para Cristo?

2) Por que um estado católico não pode defender a fé católica?

3) Por que um estado não pode declarar o catolicismo como religião de estado?

Uma passagem da Bíblia é muito usada para este debate é Lucas 14:15-23, no qual Cristo conta uma parábola em que o senhor pede ao servo que "obrigue" as pessoas a participarem do banquete.  Santo Agostinho usou esta passagem para defender o uso da força para a conversão de heréticos.

O vídeo tem a qualidade de mostrar diversos especialistas, mas é um vídeo realmente chato de assitir, porque nenhum especialista desenvolve completamente seu raciocínio.

Eu perdi minha noite ontem traduzindo o que estes (por vezes ótimos) especialistas diziam, na esperança de que houvesse uma conclusão interessante. Mas não mostra-se, são apenas pedaços do debate, soltos, sem conclusão. Mesmo quando os pensamentos dos especialistas são contraditórios, o vídeo deixa passar.

Eu só conhecia dois dos especialistas mostrados no vídeo: Thomas Storck (gosto muito do que ele escreve, já falei de textos dele no meu outro blog, como aqui) e George Weigel (renomado escritor católico, já falei dele aqui neste blog várias vezes, como aqui).

Na minha opinião, se o vídeo usasse só Thomas Storck, Thomas Pink  e o padre John O'Mailley e deixasse eles concluirem, seria um excelente vídeo, muito melhor do que o aperesentado.

No vídeo, os que menos gosto são o padre jesuíta David Hollenbach e Massimo Fragioli. Achei que falta profundidade aos dois.

O foco do vídeo é a encíclica Dignitatis Humanae do Vaticano II.  Os especialistas contrapõe esta encíclica que defende a liberdade religiosa com (supostamente) o pensamento da Igreja no século 19. Digo supostamente, porque o único argumento contra a liberdade religiosa dito pela Igreja no século 19 é uma frase do papa Gregório XVI que não acreditava em democracia. Eu fiquei louco que eles falassem mais sobre este tipo de argumento mas não veio.

Vou traduzir aqui em resumo o que dizem os especialistas:

Padre John O'Mailley: "Houve uma grande mudança na relação entre a Igreja e o estado a partir do imperador Constatino".

Daniel Philpott: "O papa Gelasius no século 5 trouxe a ideia de que há duas espadas: a espada temporal (do estado) e a espada espiritual (da Igreja). E desde este período mantém-se esta divisão na Igreja".

Massimo Fragioli: "Houve um progresso na Igreja, e viu-se que uso da violência não era evangélico".

Padre John O'Mailley:"Houve uma ruptura na época da reforma protestante, e decidiu-se que cada rei decidiria sua religião"

Robert Goerge: "A revolução francesa marcou a Igreja profundamente, a fez temer pela liberdade religiosa, pois percebeu que isto levava a indiferença para com a religião"

Padre David Hollenbach: "O papa Gregório XVI no século 19 disse que a liberdade de consciÊncia é uma insanidade, mas depois de 100 anos, no Vaticano II, defendia-se a liberdade religiosa no Diginitatis Humanae".

Thomas Storck: "É teologicamente complicado aceitar que a Igreja mudou de opinião com o tempo"

Padre David Hollenbach: "A Igreja disse que lê os sinais dos tempos sob a luz do evangelho. Então nunca se deve abandonar as escrituras. Mas o tempo mudou o pensamento da Igreja que jpa defendeu a escravidão e realizou torturas. As novas condições sociais iluminam o evangelho"

Thomas Pink: "Papas e bispos são pastores. Meu avô era pastor. Não se chega para um ovelha e pede-se para ela seguir um caminho, o que o pastor faz é usar a força para que a ovelha use o caminho adequado. Jesus aparece nas catacumbas levando uma ovelha nos ombros, usando a força. Por que a Igreja não pode usar a força para levar as pessoas para a salvação, se é formada por pastores?"

Padre John O'Mailley: "A Igreja rem obrigação de proteger seus fiéis e fazer com que outros se tornem católicos. Santo Agostinho defendeu que o estado obrigassem os heréticos donatistas a se tornarem católicos"

Daniel Philpott: "O cristianismo é de suma importância para a lberdade,d esde o pensamento de São Paulo que defendia a liberdade do pecado e que as pessoas se tornem cristãs pela livre e espontânea vontade".

Padre David Hollenbach: "A Igreja nunca defendeu a corção para converter, mas defendeu que os heréticos não divulgassem publciamente suas ideias, insistindo que o catolicismo é o melhor parav a sociedade. o Vaticano II liberou a divulgação pública das heresias, pois acho que libertar a liberdade era contra produtivo"

Padre John O'Mailley: " A segunda guerra mundial trouxe repercussões sobre a ideia de liberdade religiosa"

Robert George: "No século 20 passou-se a ver que liberdade religiosa não necesseriamente ao resultado da Revolução Francesa, por isso a Igreja passou a apoiar"

Massimo Fragioli: "O Vaticano II  ficou mais próximo do evangelho na questão da liberdade religiosa, da comunidade de fiéis defendida por Cristo"

Thomas Pink: "Há uma difícil conciliação entre o que a Igreja pensava no século 19 e o Vaticano II, mas pode-se defender que o a Igreja nunca defendeuque o esatdo usasse a força para converter"

Padre John O'Mailley: "O discurso de Paulo VI na ONU em 1965 defendendo a liberdade ereligiosa seria inconcebível quatro anos antes"

Daniel Philpott:"Mesmo se o estado católico declarasse que o catolicismo é a religião do estado, deveria haver liberdade religiosa".

George Wegel: " A ideia de que o poder do estado deve defender a Igreja sugere que o evangelho não poder para converter".

David Schindler: "O estado não tem poder de tornar os cidadãos vurtuosos, por isso a Igreja e a família devem ser valorizadas pelo estado."


Thomas Storck: "Os americanos tendem a acreditar no livre mercado das religiões".


Padre David Hollenbach: " Se alguém quer voltar ao passado, ao século 19, eu respondo: olhem para o que acontece na África do Sul e na América Latina"




---
Não sei bem o que o padre David Hollenbach quer dizer com "olhem para a América Latina". Nossa região não é conhecida por seguir o evangelho, apesar de milhões se declararem católicos.

Espero que o vídeo seja interessante para vocês, como não foi para mim. Faltou muito, incluindo o contexto histórico (guerras durante o papado de Gregório XVI e o comunismo do século 20, por exemplo), mas salvam-se algumas declarações.


(Agradeço o vídeo ao site New Advent)

quinta-feira, 6 de março de 2014

Papa Francisco: mais uma entrevista. E mais um: "damage control".


Nos Estados Unidos, toda vez que um político diz ou faz alguma coisa que o prejudicará em eleições, entram em cena os assessores para fazer o que eles chamam de "damage control", para controlar os danos provocados pelo ato descuidado do político, como um bombeiro tentando estancar o volume de água em um cano furado.

Bom, vocês devem ter visto mais uma entrevista do Papa Francisco. Dessa vez, para o Corriere della Serra, dessa vez para o editor Ferruccio de Bortoli (você pode a entrevista em inglês, clicando aqui)

O Papa falou especificamente sobre questões relacionadas ao casamento, uma vez que há um consistório de cardeais para discutir as questões familiares e há até cardeais (como o alemão cardeal Kasper) sugerindo que aqueles que se casem novamente possam receber o sacramento da eucaristia.

O papa não se comprometeu com o que disse Kasper e defendeu a encíclica Humanae Vitae do papa Paulo VI, negou que vá ocorrer mudanças no que disse Paulo VI. Mas disse que Paulo VI também alertou que deve-se olhar com "misericórdia para os casos concretos". Bom, esta misericórdia pode de fato  abrir uma porta para mudar a doutrina. Então, fica difícil interpretar o papa Francisco.

Como ponto muito positivo, o papa Francisco defendeu a Igreja contra aqueles que a atacam por conta de casos de pedofilia e defendeu a atuação do papa Bento XVI.

Mas ele deixou arestas que exigiu que o porta-voz do Vaticano tivesse que reagir e negar algumas interpretações da imprensa.

A principal aresta é uma resposta do papa que parecia dar aval a casamentos civis, inclusive de gays.

O padre Thomas Rosica que cuida da tradução dos textos para o inglês no Vaticano, soltou o seguinte comunicado sobre a entrevista:
On behalf of the Vatican, Fr. Thomas Rosica released the following statement regarding certain interpretations of the interview:
“There have been numerous questions, calls and messages throughout the day today regarding Pope Francis’ recent interview in the Italian daily newspaper, Corriere della Sera, particularly referring to the section on marriage and civil unions.  Some journalists have interpreted the Pope’s words in the interview to reflect an openness on the part of the Church to civil unions. Others have interpreted his words to be addressing the question of same-sex marriage. I have consulted with Fr. Federico Lombardi, SJ, throughout the afternoon and have prepared the following notes on Pope Francis’ interview.
Asked specifically about “unioni civili,” (civil unions), Pope Francis responded:
“Il matrimonio e’ fra un uomo e una donna.  Gli Stati laici vogliono giustificare le unioni civili per regolare diverse situazioni di convivenza, spinti dall’esigenza di regolare aspetti economici fra le persone, come ad esempio assicurare l’assistenza sanitaria.  Si tratta di patti di convivenza di varia natura, di cui non saprei elencare le diverse forme.  Bisogna vedere i diversi casi e valutarli nella loro varieta’.”
My translation:
“Marriage (matrimony) is between a man and a woman. Civil states want to justify civil unions in order to regulate (normalize) different arrangements of cohabitation; – prompted by the necessity of regulating (normalizing) economic aspects among people, for example in providing health insurance or benefits. This consists of different kinds of living arrangements which I wouldn’t know how to enumerate with precision. We must consider different cases and evaluate each particular case.”
[It is important to understand here that “civil unions” in Italy refer to people who are married by the state, outside of a religious context.]
Journalists have asked if the Pope was referring specifically to gay civil unions in the above response. The Pope did not choose to enter into debates about the delicate matter of gay civil unions. In his response to the interviewer, he emphasized the natural characteristic of marriage between one man and one woman, and on the other hand, he also spoke about the obligation of the state to fulfill its responsibilities towards its citizens.
By responding in this way, Pope Francis spoke in very general terms, and did not specifically refer to same-sex marriage as a civil union. Pope Francis simply stated the issues and did not interfere with positions held by Episcopal Conferences in various countries dealing with the question of civil unions and same sex marriage.
We should not try to read more into the Pope’s words that what has been stated in very general terms.”
---
Em suma, o padre Rosica disse que o papa falou apenas em termos gerais sobre casamento, não entrou em detalhes como casamento gay ou casamento civil.

Como eu avalio esta entrevista?

Bom, eu acho que o papa Francisco foge de temas espinhosos (ao contrário do papa Bento XVI que achava importante atacar problemas centrais do mundo moderno). Esta fuga dele o faz falar apenas em termos gerais, como relata o padre Rosica. Acontece que o mundo não quer ouvir sobre a misericórdia de Deus, ele quer saber o que a Igreja sob Francisco pensa e vai agir sobre casamento gay, divórcio, métodos contraceptivos, perseguição cristã no mundo muçulmano, etc.

O papa Francisco tenta se esquivar, mas acaba tendo que ser retratado toda vez que dá uma entrevista.


(Agradeço a entrevista e a resposta do padre Rosica ao site The American Catholic)

quarta-feira, 5 de março de 2014

E se o Papa Francisco, bispos e cristãos seguissem Abraão, como enfrentariam o mundo?


Eu falei no post anterior que não gostei de como o Papa Francisco deseja que os bispos se comportem. Ele disse não querer apologistas nem cruzados, não deseja bispos que saiam defendendo a fé cristã. Ele quer bispos que sejam "humildes semeadores da verdade". Não me parece uma definição que São Paulo aprovaria, uma vez que este santo era bem afirmativo na defesa do cristianismo e de sua própria condição de apóstolo. Ele não era "humilde" na defesa da verdade.

Ontem, eu tive conhecimento de um blog bem interessante que sugeriu não só como papas e bispos devem se comportar, mas como todos os cristãos devem se comportar em um mundo infiel. Quem me indicou este blog foi o site Agent Intelect.

Se trata do blog do PhD em teologia e professor de teologia, Dr. Robert Krupp.

Krupp escreveu sobre como os cristãos devem se comportar em um mundo em que a maioria é de infiéis. Para fazer isso, Krupp sugeriu que os cristãos se comportassem como Abraão.

Krupp disse que:

1) Abraão viveu uma vida solitária em um mundo estranho a ele. Ele foi chamado por Deus e recebeu grandes promessas. Deus prometeu uma pátria e um grande número de descendentes. Deus também prometeu  bênção sobre ele e os aliados com ele e maldição sobre os seus inimigos de Abraão. No entanto, Abraão viveu como um peregrino nesta terra que seus descendentes iriam possuir. 
Krupp citou os versos Gênesis 12:1-3 e Hebreus 11:8-16 para mostrar isso.

Gênesis (12:1-3):  Javé disse a Abrão: «Sai da tua terra, do meio dos teus parentes e da casa de teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar. Eu farei de ti um grande povo, e abençoar-te-ei; tornarei famoso o teu nome, de modo que se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. Em ti, todas as famílias da Terra serão abençoadas».

Hebreus (11:8-16): Pela fé, Abraão, chamado por Deus, obedeceu e partiu para um lugar que deveria receber como herança. E partiu sem saber para onde. Pela fé, foi residir como estrangeiro na Terra Prometida. Morou em tendas juntamente com Isaac e Jacob, que também eram herdeiros da mesma promessa. Abraão esperava a cidade bem alicerçada, cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus. Foi pela fé que também Sara, embora sendo velha, se tornou capaz de ter uma descendência, pois acreditou em Deus que lhe havia prometido isso. Assim, de um só homem, que estava praticamente morto, nasceu uma descendência tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia da praia do mar. Todos eles morreram na fé. Não conseguiram a realização das promessas, mas só as viram e saudaram de longe; e confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a Terra. Falando assim, demonstraram que estavam em busca de uma pátriaSe pensassem que essa pátria era aquela de onde tinham saído, teriam a possibilidade de voltar para lá. Mas não; eles aspiravam por uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isso, Deus não Se envergonha de ser chamado seu Deus; na verdade, Deus preparou-lhes uma cidade.

2) Abraão viveu em um mundo de incredulidade. Mas reconheceu a fé de Melquisedeque e deu-lhe uma oferta como um ato de adoração ao verdadeiro Deus. (Gênesis 14:17-20).

Gênesis (14:17-20): Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Codorlaomor e os reis aliados, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Save, que é o vale do rei.Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, levou pão e vi-nho, e abençoou Abrão, dizendo: «Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o Céu e a Terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos nas tuas mãos». E Abrão deu-lhe a décima parte de tudo.

3) Abraão não aceitou as benesses do mundo, quando o rei de Sodoma lhe ofertou. Ele sabia que havia um abismo intransponível entre eles. (Gênesis 14:21-24)

Gênesis (14:21-24): O rei de Sodoma disse a Abrão: «Dá-me as pessoas e fica com os bens». Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: «Juro por Javé, o Deus Altíssimo, que criou o Céu e a Terra: não aceitarei nem sequer um fio, ou correia de sandália, daquilo que te pertence, para que depois não digas que enriqueceste Abrão. Não quero nada para mim. Aceito apenas o que os meus servos comeram e a parte de Aner, Escol e Mambré, que me acompanharam; eles que levem a parte deles».

4) Abraão até fez alianças alianças com aqueles que não acreditam em seu Deus, mas não deixou seu filho se casar com uma de suas filhas. (Gênesis 14:24 ; 24:1-4).


Gênesis (24:1-4): Abraão estava velho, de idade avançada, e Javé tinha-o abençoado em tudo. Abraão disse ao servo mais velho da sua casa, que administrava todas as suas propriedades: «Põe a tua mão debaixo da minha coxa, e jura por Javé, Deus do Céu e da Terra, que quando buscares esposa para o meu filho, não a escolherás entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais moro. Mas irás à minha terra natal e nela escolherás uma esposa para o meu filho Isaac».

---
Então, assim como Abraão, os cristãos vivem em um mundo que não é o deles, a espera da "pátria celeste". Que todos os cristãos, incluindo os papas e bispos, não aceitem as benesses do mundo (elogios, poder, dinheiro) e não entreguem seus filhos aos infiés.

----
Ontem, o Papa Francisco falou sobre os mártires cristãos. Apesar de citar apenas os mortos do nazismo e do comunismo, não mencionando diretamente os mortos em países islâmicos da chamada Primavera Árabe, ele lembrou daqueles cristãos que não podem orar, usar crucifixo ou carregar uma bíblia, pois podem ser mortos. Creio que ele esteja se referindo aos cristãos dos países islâmicos.

Ao não citar estes cristãos explicitamente, o Papa deixou aberta a interpretação, e evitou ficar na linha de frente dos ataques de muçulmanos. Não sei se esta é a forma correta falar destes cristãos que morrem nas mãos muçulmanas, mas parece que foram lembrados, pelo menos.

Os cristãos em terras muçulmanas, além de viverem em uma terra estrangeira (como Abraão e todos nós) vivem sob ameaça da morte diariamente.

Vejam vídeo do Papa Francisco falando dos mártires cristãos, no site da Rome Reports tem mais um pedaço do discurso dele.





segunda-feira, 3 de março de 2014

Eu não gostei da definição de bispo do Papa Francisco.


Eu não gosto de gente que sempre tenta ficar no meio do debate, aqueles que sempre dizem "nem tanto ao mar, nem tanto a terra". É claro que os exageros são ruins, mas nem sempre são ruins. É claro também que as heresias, como dizia Chesterton, são exageros de um boa doutrina. Mas por vezes a tentativa de ficar no meio do debate vira um vício, e torna a pessoa sem opinião, nula. É uma maneira de ficar inerte pois não se deseja ser visto como "exagerado" ou "extremista".

Assim, eu não gostei nada da definição de bispo do Papa Francisco. Sinceramente, eu achei uma péssima definição:

Ele disse, segundo site do Vaticano,  (traduzo em seguida):

"Since faith comes from proclamation we need kerygmatic bishops. ... Men who are guardians of doctrine, not so as as to measure how far the world is from doctrinal truth, but in order to fascinate the world ... with the beauty of love, with the freedom offered by the Gospel. The Church does not need apologists for her causes or crusaders for her battles, but humble and trusting sowers of the truth, who know that it is always given to them anew and trust in its power. Men who are patient men as they know that the weeds will never fill the field".

Ainda vou colocar o original em italiano:

La Chiesa non ha bisogno di apologeti delle proprie cause né di crociati delle proprie battaglie, ma di seminatori umili e fiduciosi della verità, che sanno che essa è sempre loro di nuovo consegnata e si fidano della sua potenza.

Tradução:

"Uma vez que a fé vem com a proclamação, nós precisamos de bispos kerigmáticos (bispos que espalhem a mensagem)...Homens que sejam guardiães da doutrina,  não tanto como medida de quão longe o mundo estar da verdade doutrinal, mas para fascinar o mundo...com a beleza do amor, com a liberdade oferecida pelo Evangelho. A Igreja não precisa de apologistas para suas causas nem de cruzados paras suas batalhas, mas de humildes e confiantes semeadores da verdade, que sabem que sempre possuem o novo e a confiança no poder dela. Homens que são pacientes que sabem que as ervas daninhas nunca irão preencher totalmente o campo".

Bom, se eu fosse bispo, a Igreja não precisaria de mim, segundo o Papa Francisco. Eu sou um apologista e seria um cruzado nas guerras da Igreja. Além disso, eu não espero que o campo esteja completo de erva daninha, eu lutaria para que não tivesse nenhuma. A certeza que o campo não ficaria repleto de ervas daninhas não ajudaria em nada minha pregação, pelo contrário, faria eu ficar em casa.

O Papa Francisco também quer defensores da doutrina, mas nem tanto assim, lidem mais com amor. Parece-me aqueles padres que ficam sempre sorrindo para os pecadores, nulos na defesa da doutrina. Isto já tem de monte, é o que mais tem.

Para mim, o papa revela um medo de defender a Doutrina Católica, seria um medo de ser visto como o Papa Bento XVI que é odiado pelo mundo e amado por quem conhece a Doutrina? O Papa Francisco tem medo da avaliação do mundo? Parece que sim, e isto é terrível.

Finalmente, quero ver um "kerigmático" bispo em terras muçulmanas. Nestas terras sim, um simples kerigmático bispo seria revolucionário.

Perdão, papa Francisco, mas vossa santidade deu uma péssima definição para os bispos, ao meu ver.

Rezemos pelo Papa Francisco, pelos bispos e pela Igreja. 


domingo, 2 de março de 2014

Hoje é dia de Oscar, lembrem-se de não confiar em Hollywood (como em Philomena)


Por vezes, fico assustado quando vejo que pessoas até com doutorado discutindo questões sociais e políticas baseadas no que viram em um filme de Hollywood. Elas não se dão ao trabalho de ler sobre o assunto, nem mesmo a crítica do filme, nem conhecem a ideologia dos atores e diretores do filme.

Certa vez, eu debatia com um amigo sobre as diferenças entre Bush e Obama, até que este amigo começa a relatar coisas que eu nunca tinha ouvido falar e falava como se fossem fatos. Daí eu perguntei: "Onde você leu sobre isso?". E o amigo respondeu: "Eu vi no filme tal estrelado por Sean Penn". Daí, eu não me segurei e disse: "Sua base de raciocínio é um filme estrelado por Sean Penn, o mesmo que apóia Hugo Chavez?" Meu amigo viu que estava sem fonte de informação para sua tese.

Eu geralmente recomendo filmes aqui no blog, e quando o filme trata de fatos reais, se eu recomendo, eu já estudei o assunto e posso garantir com certa certeza que o filme retrata bem a história. Como filmes sobre a guerra civil espanhola ou sobre a Cristiada do México

Mas agora vou fazer o contrário, alertar contra um filme. É o filme chamado Philomena.

Quantos católicos vão assistir ao filme e vão começar a criticar a adoção de crianças por freiras?

O filme se diz baseado em história real em que um mulher chamada Philomena tinha 18 anos quando ficou grávida, e supostamente as freiras obrigaram a Philomena a ter o filho, tomaram a criança de Philomena  e depois "venderam" a criança para a adoção.

Apesar de que durante o próprio filme, segundo quem assistiu, a Philomena negue a coerção da freiras.

Li hoje um dossiê inteiro negando que a estória descrita no filme seja real, nem mesmo a visita que Philomena fez ao convento 50 anos depois aconteceu. Muito menos a coerção ou a venda da criança pelas freiras.

No dossiê, é mostrado que o próprio diretor do filme se contradiz sobre se a história é real ou não.

Na verdade, Philomena conseguiu dois ateus para vender suas história (o diretor e o autor do livro chamado Philomena)

Leiam o dossiê clicando aqui e uma crítica ao filme clicando aqui.

Eu não assistiria ao filme, mas se forem assistir, pelo menos saibam que se trata deum filme que tenta atacar o catolicismo e os republicanos.

Hoje é dia de Oscar, lembrem em não confiar em Hollywood.


(Agradeço o dossiê ao site Big Pulpit)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Só se salva quem é Católico? Bonifácio VIII vs Vaticano II


O escritor e blogueiro católico Mark Shea resolveu escrever sobre salvação eterna. Em especial, ele debateu se para ser salvo por Deus a pessoa precisa ser católica.

Ele apresenta o que diz a Bula Unam Sanctam de 1302 do papa Bonifácio VIII (imagem acima) e contrapõe o que diz a constituição dogmática Lumen  Gentium do Vaticano II (parágrafo 15).

A Unam Sanctam diz que "é absolutamente necessário para salvação que todas as criaturas humanas sejam sujeitas ao Sumo Pontífice de Roma".

A Lumen Gentium diz que "A Igreja vê-se ainda unida, por muitos títulos, com os baptizados que têm o nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro."

O texto é muito bom para reflexão do assunto, apesar de deixar muitas brechas teológicas e a conclusão ser frágil.

Mas é muito bom para se debater salvação, por isso recomendo a leitura.

Mark Shea é um blogueiro muito conhecido nos Estados Unidos. Em seu favor, ele é um grande admirador de Chesterton. No entanto, em geral eu não gosto muito de lê-lo, para mim ele deixa muitas brechas no que escreve e é muito agressivo condenando a agressividade dos outros. Ele próprio reconheceu isso certa vez e pediu desculpas, mas continuou no mesmo estilo.

Ele também costuma rotular as pessoas e faz isso ao escrever sobre salvação, separando os católicos entre católicos esquerdistas, católicos dissidentes, anti-católicos, católicos reacionários e católicos ortodoxos. Ele se considera um católico ortodoxo.

A conclusão geral de Shea é que se pode conciliar Bonifácio VIII com o Vaticano II, e que sabe-se onde a Igreja está, mas não se sabe quem está fora da Igreja, pois mesmo os não-cristãos que não conhecem Cristo podem ser salvos.

A parte mais forte do texto de Shea é quando ele cita o próprio Cristo em  São Marcos 9:38:40:


João disse a Jesus: «Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós proibimos-lho, porque ele não nos segue».
Jesus disse: «Não lho proibais, pois ninguém faz um milagre em meu nome e depois vai dizer mal de Mim.
Quem não está contra nós está a nosso favor.

Além disso, acho que ele consegue explicar muito bem por que os não-católicos podem ser salvos. Então, se você está interessado em saber se protestantes podem ser salvos, Shea consegue explicar muito bem que sim, que eles podem ser salvos, como a própria Igreja determina.

As partes mais fracas no texto para mim são:

1) Faltou ressaltar a importância da Reforma Proetstante, que o próprio Chesterton considerava a pior coisa que aconteceu com a humanidade;

2) Acho que ele não conseguiu convencer totalmente que o Vaticano II é reconciliável com Bonifácio VIII, apesar de apontar com louvor que as pessoas devem lealdade e amor a Cristo e não a papas. Acho que o Vaticano II tem uma certa discrepância com a tradição ao imaginar a porta da salvação mais larga.

3) Faltou falar dos que não serão salvos. Por isso, o texto peca muito em ser muito otimista em relação a salvação, quando a "porta é estreita" para entrar no Reino do Céu. Assim, quem ler este texto pode se acomodar em seu parco cristianismo.

Eu não vou traduzir aqui o texto de Shea, porque o texto é um pouco longo e estou sem tempo, mas recomendo a leitura e o debate que ele proporciona.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Milagres, um conto.


Hoje vai apenas um pequeno conto, que gostei bastante. Eu definitivamente estou sem muito tempo para um blog mais completo hoje.

Eu vi o conto no blog do Monsenhor Charles Pope. Vamos a ele:

Dois católicos se encontraram. Um deles disse: "Na minha Igreja, ocorrem muitos milagres".
O segundo perguntou: "Lá na sua Igreja, eles consideram milagre quando Deus faz as vontades de alguém?"
"Sim", respondeu o primeiro.
O segunto retrucou: "Na minha Igreja, é considerado milagre quando alguém faz as vontades de Deus".

Muito bom. Mostra a necessidade de que junto com os pedidos a Deus a gente siga os preceitos divinos.

Muitas vezes apenas imploramos por Deus e deixamos para lá o que Ele nos pede.