Não, eu não vou falar do jogo de ontem. Muita gente já fala sobre isso, e outros já disseram o que eu diria sobre a Copa do Mundo (como Guilherme Fiuza). Eu, aliás, nunca escrevi sobre futebol aqui no blog, e tenho ojeriza do fato de que qualquer jornalista brasileiro, mesmo os especialistas em política ou história, escrevam sobre futebol. No dia de hoje praticamente todos os blogs brasileiros falam do jogo de ontem. Vocês já pararam para contar quantos "comentaristas" de futebol a TV brasileira tem?
Aliás também, eu detesto a literatura sobre futebol. Por que tantos jornalistas e escritores brasileiros têm de escrever um livro sobre futebol? O livro, no máximo, vai ser um bom texto falando da superação pessoal de um jogador ou de um time de futebol, em algum momento. Superação que acontece em qualquer atividade humana, qualquer.
Mas não se enganem. Eu gosto de futebol, acho muito melhor que esportes meio ridículos (como volei, perdão para quem gosta de volei, mas seis pessoas em uma metade de quadra é meio ridículo, para mim), tenho meus times de coração e os jogadores que admiro, só acho extremamente chato, anacrônico e estúpido a exaltação do esporte. Gosto também de tênis, não perco um grand slam. Aliás, como esporte, eu gosto mais de tênis do que de futebol. Acho inclusive que é mais bonito para uma retratação de superação humana.
Detesto também ver tantas escolas brasileiras muito dedicadas ao esporte e à música, desprezando matemática, português, inglês, química, literatura e religião. Coisas bem mais profundas do que futebol, que é apenas um esporte, um pouco melhor e um pocuo pior do que outros esportes.
Hoje, eu li um artigo no jornal The Catholic Herald. O arigo é de Jim Murphy, autor do livro acima The 10 Football Matches that Changed the World.
O autor fala daquele lugar comum, que algumas partidas de futebol ajudam a aproximar inimigos de conflitos militares. Ele usa o exemplo do presidente do Irã, que em uma partida de futebol, aparentava ser um simples torcedor em um jogo entre Irã e Nigéria.
E também fala que muitas crianças abandonam a violência da guerra e as drogas em escolas que ensinam o futebol.
Bom, claro que reconheço que centenas e talvez milhares de crianças abandonaram o caminho da morte ao se dedicarem ao futebol. Sensacional, que Deus esteja com elas. Mas quantas crianças e jovens se perderam do caminho da vida por causa da futebol, abandonaram os estudos, entraram no uso exagerado de prostituição e drogas que também está presente no futebol? Você acha que a vida dos jogadores famosos servem como exemplos para as crianças? Vocês leram sobre o filho do Pelé, por exemplo.
Difícil fazer a conta se vale ou não à pena usar o futebol para retirar as crianças da violência, mesmo porque a vida de um esportistas é curtíssima, mesmo se ele tem sucesso.
Quanto à diplomacia do futebol, algo também muito usado pelo Brasil, enviando jogadores para a Palestina ou para o Haiti, eu simplesmente acho BS (bullshit), uma bobagem.
Em suma, acho uma desgraça o exagero do futebol no Brasil. Um fator de nosso subdesenvolvimento que atrasa nosso povo. O hino do Brasil parece ser o hino da CBF, o povo só canta para a seleção brasileira.














