Parece que Ney Matogrosso e Chico Buarque (autor da música) convenceram a Igreja Católica. A Igreja não quer falar mais de pecado. Foi a sensação que tive ao ler o documento prévio do sínodo da família, divulgado ontem.
Até católicos que se autodenominam conservadores, como este aqui, acham que Ney Matogrosso tem razão.
Não estou brincando, durante o sínodo os membros do clero trataram de afastar qualquer menção que homossexualismo e adultério seria pecado. Diz o texto do site Life News (traduzo azul)
Falando na conferência de imprensa do Vaticano desta tarde no Sínodo o porta-voz, Dom Thomas Rosica, observou que tem havido muita discussão sobre a linguagem em deliberações do Sínodo.
Padre Rosica explicou o que ele acredita ser "uma das intervenções mais marcantes" do dia, lembrando que de acordo com o apresentador linguagens, como" viver em pecado ","intrinsecamente desordenados ", ou "mentalidade contraceptiva " não são necessariamente as palavras que convidam as pessoas a se aproximar de Cristo e da Igreja. "
"Há um grande desejo de que a nossa língua tem de mudar, a fim de atender às situações concretas", acrescentou.
A linguagem do Catecismo da Igreja Católica relativa à homossexualidade tem sido um ponto de críticas inflamadas por parte de certas facções na Igreja.
O Catecismo afirma: "Apoiando-se na Sagrada Escritura, que apresenta os atos homossexuais como atos de depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados ".
O Catecismo também declara que contracepção artificial é "intrinsecamente mau" e critica fortemente a coabitação antes do casamento.
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O próprio Papa Francisco declarou que "toda lei que não leve a Cristo é obsoleta".
No passado, esse tipo de afirmação era entendida como uma crítica às leis seculares, mas com o Papa Francisco isto é entendido como uma crítica à lei canônica da Igreja. Tristemente.
E o que diz o documento, celebrado na imprensa brasileira como "uma aproximação da Igreja aos gays"?
Muita gente, graças a Deus, entendeu como eu que o documento é terrível, péssimo. Como:
1) Voice of the Family, defensores da família e vida, que chamaram o documento de uma traição. O diretor do Voice of Family disse (traduzo em azul):
"Aqueles que estão controlando o Sínodo traíram os pais católicos em todo o mundo. Acreditamos que o relatório "meio caminho" do Sínodo é um dos piores documentos oficiais elaborados na história da Igreja.
"Felizmente, o relatório é um relatório preliminar para discussão, em vez de uma proposta definitiva. É essencial que as vozes dos fiéis leigos que sinceramente viver os ensinamentos católicos também são levados em conta. Famílias católicas estão aderindo ao ensinamento de Cristo sobre o matrimônio e da castidade por suas pontas dos dedos ".
3) Como tantos blogs católicos, como o Creative Minority Report, que disse que o documento lembra alguém segurando um para-raio em campo aberto pedindo para Deus jogar um raio.
4) Ou o site The American Catholic e muitos outros que dizem que a Igreja Católica agora virou a Igreja Episcopal, que aceita gays como padres, etc.
E o que diz o documento?
Muita gente fez análise dele e viu os deslizes teológicos e doutrinários.
Um site que analisou parágrafo a parágrafo foi o Blog dos Católicos de Dallas.
Ele mostra coisas como, com o documento em preto e a crítica em vermelho:
Homosexuals have gifts and qualities to offer to the Christian community: are we capable of welcoming these people, guaranteeing to them a fraternal space in our communities? Often they wish to encounter a Church that offers them a welcoming home. Are our communities capable of providing that, accepting and valuing their sexual orientation, without compromising Catholic doctrine on the family and matrimony? [This is so utterly contrary to the Gospel and ALL the Fathers that it is simply staggering]
The question of homosexuality leads to a serious reflection on how to elaborate realistic paths of affective growth and human and evangelical maturity integrating the sexual dimension: it appears therefore as an important educative challenge. [Yes, but the Church has utterly failed at catechesis at ALL levels going back decades. Now it's suddenly going to get better?]
In the same way the situation of the divorced who have remarried demands a careful discernment and an accompaniment full of respect, avoiding any language or behavior that might make them feel discriminated against. [Many sinners feel discriminated against. It is a fundamental aspect of our fallen natures to seek justification for our sin, and it appears these men mean to provide adulterer's with manifold justifications]
For the Christian community looking after them is not a weakening of its faith and its testimony to the indissolubility of marriage, but rather it expresses precisely its charity in its caring. [Nothing but a naked assertion, completely unsupported by Scripture, Tradition, or even reason. In other words, whoever wrote this is saying "it is so because I say it is so," and nothing else.]
As regards the possibility of partaking of the sacraments of Penance [THIS IS BULL! There is nothing, at all, that stops anyone at anytime from partaking of the Sacrament of Penance. That doesn't mean absolution is guaranteed, you have to show contrition and amendment, but the Sacrament is always available to anyone at anytime - provided they can find a parish that offers it more than one half hour a week.]
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Eu não preciso acrescentar nada ao que disse o autor do Blog de Dallas ou ao que disse o Voice of the Family ou ao que falou o presidente da conferência dos bispos da Polônia. Leiam todos. São excelentes.
Por fim, uma nota de otimismo que vem do especialista em lei canônica, Edward Peters, no texto Keep Calm and Canon On.
Confiemos na Lei Divina, apesar do Papa Francisco.
(Agradeço o texto da Life News ao site The American Catholic e o texto do Blog de Dallas, do Voice of the Family e do Presidente dos Bispos da Polônia ao site PewSitter)







