quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Aprendendo Islã na Bloomberg: Mercado Sukuk

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Descobri um mundo novo hoje. No sistema para informações do mercado financeiro da Bloomberg é possível aprender sobre Islamismo. Eu já descobri muita coisa interessante na Bloomberg, hoje me assuto mais com o que não tem do que com o que tem (por vezes tenho certeza que tem algo, mas não tem).

Na foto acima, vocês estão vendo uma tela da Bloomberg sobre o mercado sukuk. Preciso estudar mais isso. Mercado sukuk é o mercado financeiro islâmico, no qual supostamente o emissor do título não pode cobrar juros. O assunto me chamou atenção porque o banco Goldman Sachs anunciou que vai entrar no mercado sukuk Mas vejamos a definição da Bloomberg (traduzo em azul).


Sukuk - An Islamic financial certificate, similar to a bond in western finance, that complies with Shari'ah. Because the traditional western interest paying bond structure is not permissible, the issuer of a sukuk sells an investor group the certificate, who then rents it back to the issuer for a predetermined
rental fee.

Sukuk - um certificado financeiro islâmico, similar a um título no mercado financeiro ocidental, que se ajusta a lei Sharia. Uma vez que no ocidente se paga juros, a estrutura de título não é permitida no sukuk. O emissor (banco) do sukuk vende o certificado para o investidor, que então aluga de volta ao emissor por uma taxa de aluguel fixa. O emissor então faz um contrato de comprar o certificado de volta em uma data futura.

À primeira vista, o que o ocidente chama de pagamento de juros, o mercado sukuk chama de aluguel.

Um texto disponibilizado na Bloomberg diz:

Banks that comply with Islamic law are forbidden to charge interest or late payment fees, which is also considered a type of riba. To minimize risk, banks will often require a large down payment on goods and property, or insist upon large collateral. It is lawful for the Bank to charge a higher price for a good if payments are deferred or collected at a later date since it is considered a trade for goods rather than collecting interest.

Bancos que adotam a lei islâmica são proibidos de cobrar juros ou multas por atraso, pois isto é considerado um tipo de usura. Para minimizar o risco, os bancos por vezes requerem um grande pagamento de entrada sobre bens e propriedade ou insistem em um colateral (garantia). É legal na Sharia que o banco cobre um preço alto por bens se os pagamentos são diferidos ou pagos com atraso, uma vez que é um negócio entre bens e não juros.

No anúncio do Goldman Sachs, o banco anuncia que irá emitir títulos que serão pagos pelo "custo" e pelo "lucro". Bom, esta idéia de lucro pode também esconder o pagamento de juros.

Na tela do Bloomberg acima é possível ver que há um glossário (canto inferior esquerdo). Há definições interessantes e serve como ponto de partida para entender o assunto...quando eu tiver tempo. 

Em suma, terei de estudar mais. Mas é bem interessante, une dois assuntos que gosto: economia e teologia.

Certa vez, li um texto muito bom sobre a lei de usura no catolicismo. Até hoje, a Igreja condena a usura. E eu defendo a posição da Igreja, mas isto é assunto para outro post.

(Agradeço o tópico sobre o Goldman Sachs ao site Pew Sitter)

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