Acima, estão o cardeal "Tucho" Fernández (Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé) do lado esquerdo, que é dito já ter escrito quatro livros pornográficos, e, do lado direito, o Superior Geral da Sociedade São Pio X (SSPX), padre Davide Pagliarani.
A SSPX alega que precisa ordenar bispos para a continuidade do seu apostolado. Mas, ontem, o cardeal Fernández ameaçou a SSPX dizendo:
"Com relação à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, reiteramos o que já foi comunicado. As ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal de São Pio X não possuem o mandato papal necessário. Este ato constituirá “um ato cismático” (João Paulo II, Ecclesia Dei, n. 3) e “a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa contra Deus e acarreta a excomunhão estabelecida pelo direito canônico” (ibid., 5c; cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota Explicativa, 24 de agosto de 1996)."
A ameaça, na verdade, não é do "Tucho", mas do Papa Leão XIV, pois tudo o que sai do Dicastério da Doutrina da Fé conta com o apoio do Papa.
Hoje, o padre Pagliarani respondeu à ameaça com uma belíssima Declaração de Fé. Traduzo abaixo:
Declaração de Fé Católica dirigida ao Papa Leão XIV
14 de maio de 2026
Declaração de Fé Católica dirigida a Sua Santidade o Papa Leão XIV pelo Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X
Santíssimo Padre,
Há mais de cinquenta anos, a Fraternidade São Pio X tem se esforçado para apresentar à Santa Sé uma questão de consciência diante dos erros que destroem a fé e a moral católica. Lamentavelmente, todas as discussões empreendidas permaneceram infrutíferas, e nenhuma das preocupações expressas recebeu uma resposta verdadeiramente satisfatória.
Há mais de cinquenta anos, a única solução verdadeiramente considerada pela Santa Sé parece ser a das sanções canônicas. Para nosso grande pesar, parece-nos que o direito canônico está sendo usado, assim, não para confirmar a fé, mas para afastá-la.
No texto que se segue, a Fraternidade São Pio X tem a alegria de expressar a Vossa Santidade, filial e sinceramente, sua devoção à fé católica, sem nada ocultar, nem de Vossa Santidade nem da Igreja Universal. A Sociedade coloca esta simples Declaração de Fé em Suas mãos. Parece-nos que corresponde ao mínimo indispensável para estarmos em comunhão com a Igreja e para nos chamarmos verdadeiramente católicos e, consequentemente, Seus filhos.
Não temos outro desejo senão o de viver e sermos confirmados na Fé Católica Romana.
“Assim, permanecendo firmemente enraizados e estabelecidos na verdadeira Fé Católica, esforcemo-nos sempre por ser dignos ministros do divino Sacrifício e da Igreja de Deus, que é o Corpo de Cristo.
Pois, como diz o Apóstolo: ‘tudo o que não provém da fé é pecado’,¹ cismático e fora da unidade da Igreja.”²
DECLARAÇÃO DE FÉ CATÓLICA
Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sabedoria divina, Verbo Encarnado, que quiseste uma só religião, que tornou definitivamente nula e sem efeito a Antiga Aliança, que fundou uma só Igreja, que triunfou sobre Satanás, que conquistou o mundo, que permanece conosco até o fim dos tempos e que há de vir para julgar os vivos e os mortos.
Ele, a imagem perfeita do Pai, o Filho de Deus feito homem, foi designado o único Redentor e Salvador do mundo pela Encarnação e pela oferta voluntária do Sacrifício da Cruz. Nosso Senhor satisfez a justiça divina derramando Seu Preciosíssimo Sangue, e é nesse Sangue que Ele estabeleceu a Nova e Eterna Aliança, abolindo a Antiga. Ele é, portanto, o único Mediador entre Deus e os homens e o único caminho para chegar ao Pai. Só quem O conhece conhece o Pai.
Por decreto divino, a Santíssima Virgem Maria esteve direta e intimamente associada a toda a obra da Redenção; negar essa associação — nos termos recebidos da Tradição — é, portanto, alterar a própria noção de Redenção, conforme a vontade da Divina Providência.
Há apenas uma Fé e uma Igreja pelas quais podemos ser salvos. Fora da Igreja Católica Romana, e sem a profissão de Fé que ela sempre ensinou, não há salvação nem remissão dos pecados.
Consequentemente, todo homem deve ser membro da Igreja Católica para salvar sua alma, e há apenas um batismo como meio de incorporação a ela. Essa necessidade diz respeito a toda a humanidade, sem exceção, e abrange, sem distinção, cristãos, judeus, muçulmanos, pagãos e ateus.
O mandato recebido pelos Apóstolos, de pregar o Evangelho a todos os homens e convertê-los à Fé Católica, permanece vinculante até o fim dos tempos e responde à necessidade mais absoluta e premente do mundo. “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.”³ Portanto, renunciar ao cumprimento desse mandato constitui o mais grave dos crimes contra a humanidade.
Somente a Igreja Romana possui simultaneamente as quatro marcas que caracterizam a Igreja fundada por Jesus Cristo: Unidade, Santidade, Catolicidade e Apostolicidade.
Sua unidade decorre essencialmente da adesão de todos os seus membros à única Fé verdadeira, fielmente preservada, ensinada e transmitida pela hierarquia católica ao longo dos séculos.
A negação de uma única verdade da Fé destrói a própria fé e torna radicalmente impossível toda comunhão com a Igreja Católica.
O único caminho possível para restaurar a unidade entre os cristãos de diferentes confissões consiste no apelo urgente e caridoso dirigido aos não católicos para que professem a única e verdadeira Fé dentro da única e verdadeira Igreja.
A Igreja Católica não pode, de modo algum, ser considerada ou tratada em pé de igualdade com uma forma falsa de culto ou uma igreja falsa.
O Romano Pontífice, Vigário de Cristo, é o único detentor da suprema autoridade sobre toda a Igreja. Somente Ele confere diretamente aos demais membros da hierarquia católica jurisdição sobre as almas.
“O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, por sua revelação, dessem a conhecer uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência, pudessem guardar inviolavelmente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o Depósito da Fé.”⁴
A uma Fé única corresponde uma forma única de culto, a suprema, autêntica e perfeita expressão dessa mesma Fé. A Santa Missa é a perpetuação no tempo do Sacrifício da Cruz, oferecido por muitos e renovado sobre o altar. Embora oferecida de maneira incruenta, a Santa Missa é essencialmente expiatória e propiciatória. Nenhuma outra forma de culto oferece adoração perfeita. Nenhuma outra forma de culto que não seja ordenada a ela é agradável a Deus. Nenhum outro meio é suficiente para a santificação das almas.
Consequentemente, a Santa Missa não pode, de modo algum, ser reduzida a uma mera comemoração, a uma refeição espiritual, a uma assembleia sagrada celebrada pelo povo, à celebração do mistério pascal sem sacrifício, sem satisfação da justiça divina, sem expiação dos pecados, sem propiciação e sem a Cruz.
O auxílio oferecido às almas pelos Sacramentos da Igreja Católica é suficiente em todas as circunstâncias e em todas as épocas para permitir que os fiéis vivam em estado de graça.
A lei moral contida no Decálogo e aperfeiçoada no Sermão da Montanha é a única praticável para alcançar a salvação das almas. Qualquer outro código moral — fundado, por exemplo, no respeito à criação ou nos direitos da pessoa humana — é radicalmente insuficiente para santificar e salvar as almas. De modo algum pode substituir a única e verdadeira lei moral.
Seguindo o exemplo de São João Batista, a verdadeira caridade nos obriga a advertir os pecadores e a jamais renunciar aos meios necessários para salvar suas almas.
Aquele que come o Corpo de Nosso Senhor e bebe o Seu Sangue em estado de pecado, come e bebe a sua própria condenação, e nenhuma autoridade pode alterar esta lei contida nos ensinamentos de São Paulo e na Tradição.
Os pecados de impureza que são contra a natureza são de tal gravidade que sempre e em todas as circunstâncias clamam a Deus por vingança, e são radicalmente incompatíveis com toda forma de autêntico amor cristão. Tal "estilo de vida" não pode, portanto, ser reconhecido como um dom de Deus. Um casal que pratica esse vício deve ser ajudado a libertar-se dele e não pode, de modo algum, ser abençoado — formal ou informalmente — por ministros da Igreja.
A submissão das instituições e das nações, como tais, à autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo decorre diretamente da Encarnação e da Redenção. Portanto, o secularismo das instituições e das nações constitui uma negação implícita da divindade e da realeza universal de Nosso Senhor.
A Cristandade não é um mero fenômeno histórico, mas a única ordem desejada por Deus entre os homens.
Não cabe à Igreja conformar-se ao mundo, mas sim ao mundo ser transformado pela Igreja.
É nesta Fé e nestes princípios que pedimos para sermos instruídos e confirmados por Aquele que recebeu o carisma para tal. Com a ajuda de Nosso Senhor, preferimos morrer a renunciá-los. É nesta Fé imutável que desejamos viver e morrer, na esperança de que ela nos conduza à visão direta da imutável Verdade eterna.
Menzingen, 14 de maio de 2026,
na Festa da Ascensão de Nosso Senhor
Davide Pagliarani
1Rom. 14:23
2 Pontifical Romano, Admoestação aos ordenandos ao subdiaconato
3Marcos 16:16
4 Pastor Aeternus, cap. 4
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Certa vez, li uma frase em inglês muito boa para ser colocada quando se abre para comentários. A frase diz: "Say What You Mean, Mean What Say, But Don’t Say it Mean." (Diga o que você realmente quer dizer, com sinceridade, mas não com maldade).