Qualquer morte em enfrentamento militar, seja causa justa ou não, é uma perda para a humanidade. Podemos, no entanto, ser mais calmos que as diplomacias do Irã e da Turquia e fazer uma pequena digressão sobre a morte de aproximadamente 9 pessoas que estavam em uma frota de oito barcos que continham 750 pessoas, levando 10 mil toneladas de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza.
A primeira coisa que me veio à mente é: 750 pessoas?!!! Como controlar 750 pessoas em navios diferentes? Todos pacifistas desarmados?
Outra pergunta é: esse comboio era desconhecido? Não, não era desconhecido. Melanie Phillips quarta-feira passada, em seu blog, já falava do comboio (http://www.spectator.co.uk/melaniephillips/6034520/the-worlds-first-gourmet-starvation-experience.thtml). E a própria organização que levava a ajuda anunciou a frota na terça-feira passada. Além disso, essa é a nona vez que o movimento tenta levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza. Em cinco dessas nove vezes, Israel permitiu o acesso, mas desde janeiro com o recrudescimento dos problemas com o Hamas, Israel não tem permitido.
O comboio partiu da Turquia. Israel mantém relações cada vez mais complicadas com esse país. A Turquia tradicionalmente tem sido um aliado do Ocidente, mas mais recentemente tem aprofundado relações com os países islâmicos e se aproximado do Irã. Israel acusa os tripulantes de manterem relação com uma ONG turca chamada IHH, que, segundo os israelitas, tem ligação com grupos terroristas.
Outra questão relevante é: que crise humanitária é essa da Faixa de Gaza? É maior ou comparável aos países da África ou se assemelha a problemas de pobreza do Brasil, Bolívia, Argentina, e bairros pobres de qualquer cidade grande no mundo?
Para essa última questão, eu tenho duas respostas.
1) Greta Berlin do movimento que levou a carga e as pessoas (Free Gaza Movement), disse terça-feira passada que eles iam tentar quebrar o bloqueio de Israel a Gaza para salvar da fome 1,5 milhão de Palestinos.( http://www.guardian.co.uk/world/2010/may/25/gaza-flotilla-aid-attempt)
2) Tom Cross ressaltou, no entanto, que há um grande exagero na crise humanitária da Faixa de Gaza. Há pobreza na região, mas os palestinos dessa região também convivem com shoppings lotados, restaurantes chiques, piscinas olímpicas e competição de barcos a vela. Uma descrição que lembra países nórdicos. (http://fullcomment.nationalpost.com/2010/05/25/fancy-restaurants-and-olympic-size-pools-what-the-media-won%E2%80%99t-report-about-gaza/)
Não gosto da análise que tenta ficar no meio, mas parece-me que a Palestina está longe de ser um país nórdico e também de ser uma Etiópia da década de 90. Além disso, há meios legais para enviar ajuda humanitária por meio da ONU. Então, por que o enfrentamento? Não me pareceu justificado, quando li Greta Berlin no jornal "The Guardian".
São Tomás de Aquino, o "Doutor Angélico", certa vez, diante de um crucifixo em Nápoles, ouviu estas palavras de Jesus: “Bem tem você escrito sobre Mim, Tomás, o que devo te dar em recompensa?" São Tomás respondeu: “Nada senão a Ti mesmo, meu Senhor". Em latim, São Tomás disse: Nil, Nisi Te, Domine. Em inglês: Naught save Thyself, O Lord.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
domingo, 30 de maio de 2010
O Superman e o Ridículo no Vazamento de Óleo
Os Estados Unidos, segundo o próprio governo, enfrentam o maior desastre ambiental da sua história: vazamento de óleo no Golfo do México.
Charles Krauthammer escreveu o melhor artigo que já li sobre assunto. O artigo está no jornal Washington Post de ontem. Ele detectou todos os culpados pelo vazamento e fez uma análise da ação do goveno federal e do que é ser presidente dos Estados Unidos.
O culpado mais direto, claro, é a British Petroleum (BP), por seus erros e pela falta de planos de contingência, mas existem outros.
Mas o articulista lança também a seguinte questão: por que a BP está procurando óleo a 5.000 pés de profundidade? A pergunta serve para encontrar outro culpado: o exagero do ambientalismo. A produção no Golfo declina e as empresas vão cada vez mais fundo na busca do óleo, em parte, por causa do sucesso dos ambientalistas em deixar de fora da produção de petróleo áreas do Pacífico e do Atlântico e por banir a perfuração de petróleo no Ártico. Ele diz que sempre haverá grandes chances de vazamento de petróleo e pergunta: mas onde você prefere que ocorra? No Golfo do México onde moram milhares de pessoas ou no Ártico onde não há praticamente ninguém?
A partir daí, Krauthammer critica a atitude do governo Obama de sair atacando a BP e procurando culpados. Isso não ajuda, especialmente porque depois do vazamento a BP tem todo o incentivo do mundo para contê-lo, cada dia mais de vazamento implica altos custos e multas.
O Obama procurou os culpados de sempre: governo Bush. Mas não convenceu e teve de admitir que a sua administração relaxou no controle de medidas de segurança e foi lenta no combate ao problema.
Mas Krauthammer nos lembra uma característica interessante de qualquer presidente americano. Há um culto à personalidade do presidente, os americanos esperam que ele aja como Superman. O Obama é tão responsável pelo vazamento do óleo quanto o Bush foi pelo Katrina, mas, mesmo assim, está sendo penalizado politicamente, pois a BP não em tido sucesso em estancar o vazamento.
O problema, ressalta Krauthammer, é que o Obama nunca foi modesto sobre seus poderes. Ele já declarou que a sua chegada a presidência será lembrada pela história como o momento em que nosso planeta começou a se curar (the moment when "our planet began to heal"), como o momento em que as águas dos oceanos começaram a baixar ("the rise of the oceans began to slow.").
Eu acrescentaria ao texto de Krauthammer o ridículo que é às vezes ouvir o Obama nas Conferências de Imprensa. Ele tem uma mania de tentar ser um cara simpático, de ser legal (cool). Nessa tentativa, ele usa parte de suas argumentações para dizer, por exemplo, que a sua filha foi falar com ele quando ele estava no banheiro e perguntou se ele já tinha fechado o buraco do óleo (“did you plug the hole yet, Daddy?). Além disso, diante do maior desastre ambiental da história americana, o Obama ainda usa a Conferência para fazer política e atacar a Sarah Palin, quando disse: “eu pelo menos não digo perfure, meu bem, perfure” (“drill, baby, drill”). Frase usada por Sarah Palin em outro contexto: para defender a busca por petróleo no Pacífico e no Ártico.
Charles Krauthammer escreveu o melhor artigo que já li sobre assunto. O artigo está no jornal Washington Post de ontem. Ele detectou todos os culpados pelo vazamento e fez uma análise da ação do goveno federal e do que é ser presidente dos Estados Unidos.
O culpado mais direto, claro, é a British Petroleum (BP), por seus erros e pela falta de planos de contingência, mas existem outros.
Mas o articulista lança também a seguinte questão: por que a BP está procurando óleo a 5.000 pés de profundidade? A pergunta serve para encontrar outro culpado: o exagero do ambientalismo. A produção no Golfo declina e as empresas vão cada vez mais fundo na busca do óleo, em parte, por causa do sucesso dos ambientalistas em deixar de fora da produção de petróleo áreas do Pacífico e do Atlântico e por banir a perfuração de petróleo no Ártico. Ele diz que sempre haverá grandes chances de vazamento de petróleo e pergunta: mas onde você prefere que ocorra? No Golfo do México onde moram milhares de pessoas ou no Ártico onde não há praticamente ninguém?
A partir daí, Krauthammer critica a atitude do governo Obama de sair atacando a BP e procurando culpados. Isso não ajuda, especialmente porque depois do vazamento a BP tem todo o incentivo do mundo para contê-lo, cada dia mais de vazamento implica altos custos e multas.
O Obama procurou os culpados de sempre: governo Bush. Mas não convenceu e teve de admitir que a sua administração relaxou no controle de medidas de segurança e foi lenta no combate ao problema.
Mas Krauthammer nos lembra uma característica interessante de qualquer presidente americano. Há um culto à personalidade do presidente, os americanos esperam que ele aja como Superman. O Obama é tão responsável pelo vazamento do óleo quanto o Bush foi pelo Katrina, mas, mesmo assim, está sendo penalizado politicamente, pois a BP não em tido sucesso em estancar o vazamento.
O problema, ressalta Krauthammer, é que o Obama nunca foi modesto sobre seus poderes. Ele já declarou que a sua chegada a presidência será lembrada pela história como o momento em que nosso planeta começou a se curar (the moment when "our planet began to heal"), como o momento em que as águas dos oceanos começaram a baixar ("the rise of the oceans began to slow.").
Eu acrescentaria ao texto de Krauthammer o ridículo que é às vezes ouvir o Obama nas Conferências de Imprensa. Ele tem uma mania de tentar ser um cara simpático, de ser legal (cool). Nessa tentativa, ele usa parte de suas argumentações para dizer, por exemplo, que a sua filha foi falar com ele quando ele estava no banheiro e perguntou se ele já tinha fechado o buraco do óleo (“did you plug the hole yet, Daddy?). Além disso, diante do maior desastre ambiental da história americana, o Obama ainda usa a Conferência para fazer política e atacar a Sarah Palin, quando disse: “eu pelo menos não digo perfure, meu bem, perfure” (“drill, baby, drill”). Frase usada por Sarah Palin em outro contexto: para defender a busca por petróleo no Pacífico e no Ártico.
Jornais da Inglaterra, dos EUA e do Brasil
Outro dia, eu li em um blog muito conhecido na Inglaterra (Blog de Richard North) que nada no mundo se comparava a forma paroquial dos jornais ingleses. Ele argumentava que enquanto toda a Europa discutia e sofria com a crise econômica grega e a iminência de crise na Espanha, Portuga e Itália, os jornais ingleses discutiam miudezas da política doméstica.
O blogueiro está correto quando afirma que a mídia inglesa é paroquial, mas dizer que é mais paroquial do mundo não é verdade. Ele não conhece os jornais brasileiros. No Brasil, os grandes jornais até conseguem publicar alguma informação sobre política e economia internacional, mas o fazem copiando e recebendo material de outras fontes. Quando o assunto exige uma análise ou deve ser anunciado rapidamente, os jornais brasileiros são um desastre. Publicam informações e análises desencontradas.
Para mim, a grande justificativa para isso está na formação intelectual do povo brasileiro e também na formação profissional do jornalista. O povo brasileiro médio não lê jornal e quando o faz não passa das páginas sobre esporte e sobre temas policiais. Eu costumo pensar que se algum centro de pesquisa sair para as ruas e perguntar ao brasileiro para que lado fica a Argentina (norte, sul, leste ou oeste), o brasileiro não vai saber responder. Se perguntar quem é o presidente da Argentina, então...Talvez uma boa parte respondam Obama. E a formação do jornalista no Brasil também é péssima. Eu que já dei aulas para estudantes de jornalismo, sei que a grande parte não sabe escrever em português e não conseguem fazer um raciocínio lógico de uma informação. Não encontrei em nenhuma universidade privada do Brasil, um aluno que lesse e escrevesse em inglês e conhecesse com algum detalhe algum jornal estrangeiro.
Nos Estados Unidos, o povo também é paroquial, centrado em seus próprios problemas, mas em um debate presidencial, um tema internacional é capaz de levantar uma grande discussão na sociedade. Por exemplo, a primeira promessa do Obama foi fechar a prisão de Guatânamo e ele também prometeu sentar-se à mesa com o presidente do Irã. Foi bombardeado pelas duas promessas, e, no poder, não as cumpriu, sofrendo queda na avaliação popular de seu governo.
Na Inglaterra, não se tem tradição de debate para primeiro-ministro, mas esse ano houve um debate cujo tema foi internacional. Ok, a Inglaterra, diferentemente do Brasil, está em guerra no Afeganistão, mas além da guerra, foi discutido a participação do país na União Européia e Irã. Eu mesmo fui a um seminário cujo tema era a política internacional de cada candidato. No Brasil, um debate sobre questões internacionais seria inédito e, infelizmente, encontraria ouvidos surdos entre a população. O povo não entenderia o que está em jogo. E a imprensa teria dificuldade de explicar.
O blogueiro está correto quando afirma que a mídia inglesa é paroquial, mas dizer que é mais paroquial do mundo não é verdade. Ele não conhece os jornais brasileiros. No Brasil, os grandes jornais até conseguem publicar alguma informação sobre política e economia internacional, mas o fazem copiando e recebendo material de outras fontes. Quando o assunto exige uma análise ou deve ser anunciado rapidamente, os jornais brasileiros são um desastre. Publicam informações e análises desencontradas.
Para mim, a grande justificativa para isso está na formação intelectual do povo brasileiro e também na formação profissional do jornalista. O povo brasileiro médio não lê jornal e quando o faz não passa das páginas sobre esporte e sobre temas policiais. Eu costumo pensar que se algum centro de pesquisa sair para as ruas e perguntar ao brasileiro para que lado fica a Argentina (norte, sul, leste ou oeste), o brasileiro não vai saber responder. Se perguntar quem é o presidente da Argentina, então...Talvez uma boa parte respondam Obama. E a formação do jornalista no Brasil também é péssima. Eu que já dei aulas para estudantes de jornalismo, sei que a grande parte não sabe escrever em português e não conseguem fazer um raciocínio lógico de uma informação. Não encontrei em nenhuma universidade privada do Brasil, um aluno que lesse e escrevesse em inglês e conhecesse com algum detalhe algum jornal estrangeiro.
Nos Estados Unidos, o povo também é paroquial, centrado em seus próprios problemas, mas em um debate presidencial, um tema internacional é capaz de levantar uma grande discussão na sociedade. Por exemplo, a primeira promessa do Obama foi fechar a prisão de Guatânamo e ele também prometeu sentar-se à mesa com o presidente do Irã. Foi bombardeado pelas duas promessas, e, no poder, não as cumpriu, sofrendo queda na avaliação popular de seu governo.
Na Inglaterra, não se tem tradição de debate para primeiro-ministro, mas esse ano houve um debate cujo tema foi internacional. Ok, a Inglaterra, diferentemente do Brasil, está em guerra no Afeganistão, mas além da guerra, foi discutido a participação do país na União Européia e Irã. Eu mesmo fui a um seminário cujo tema era a política internacional de cada candidato. No Brasil, um debate sobre questões internacionais seria inédito e, infelizmente, encontraria ouvidos surdos entre a população. O povo não entenderia o que está em jogo. E a imprensa teria dificuldade de explicar.
sábado, 29 de maio de 2010
Royal Society e Mudança Climática
A Academia Real de Ciências inglesa, fundada em 1660, que já teve entre seus membros Isaac Newton, Roberto Boyle e Ernest Rutherford, resolveu alterar sua posição sobre mudança climática.
Antes, o ex-presidente da instituição, Lord May, tinha feito uma declaração pouca científica quando disse que o debate sobre mudança climática tinha acabado (“the debate on climate change is over.”), tomando uma posição que defende que o homem tem forte efeito sobre o clima (efeito antropogênico sobre o clima - AGW).
Apesar de negar que tenha fechado a questão para o AGW, a verdade é que a Royal Society sempre foi um forte bastião de apoio para as teses do AGW e sempre serviu de ataque aos céticos. Enquanto os céticos respondiam que desde a década de 90 a Academia havia se politizado. Argumenta-se que essa revisão é fruto da pressão de 43 membros que pediram em janeiro passado que um panfleto escrito em 2007, publicado no website da Academia, fosse reescrito.
Agora, a Royal Society decidiu rever suas posições, e afirma que seus comunicados anteriores não deixam muito claro entre o que é geralmente aceito e o que é entendido. A Academia estabeleceu um painel, que incluirá um grupo de membros que discordam dos riscos do aumento do nível do CO2.
Não se espera um resultado totalmente cético, mas o movimento da Royal Society é um grande indicativo das alterações no mundo científico. As teorias da mudança climática não terão mais o endosso cego da Academia.
Dois meses atrás o Museu de Ciência de Londres também teve uma pequena reação na mesma direção: alterou o nome de uma galeria de Climate Change Gallery para Climate Science Gallery. Além disso, o ceticismo já tomou conta da maioria do público tanto nos Estados Unidos, como na Inglaterra, especialmente. Na atual conjuntura de crise econômica, a população não quer ver recursos públicos alocados em investimentos de alto risco.
Para mais informação:
http://royalsociety.org/Royal-Society-to-publish-new-guide-to-the-science-of-climate-change/
Antes, o ex-presidente da instituição, Lord May, tinha feito uma declaração pouca científica quando disse que o debate sobre mudança climática tinha acabado (“the debate on climate change is over.”), tomando uma posição que defende que o homem tem forte efeito sobre o clima (efeito antropogênico sobre o clima - AGW).
Apesar de negar que tenha fechado a questão para o AGW, a verdade é que a Royal Society sempre foi um forte bastião de apoio para as teses do AGW e sempre serviu de ataque aos céticos. Enquanto os céticos respondiam que desde a década de 90 a Academia havia se politizado. Argumenta-se que essa revisão é fruto da pressão de 43 membros que pediram em janeiro passado que um panfleto escrito em 2007, publicado no website da Academia, fosse reescrito.
Agora, a Royal Society decidiu rever suas posições, e afirma que seus comunicados anteriores não deixam muito claro entre o que é geralmente aceito e o que é entendido. A Academia estabeleceu um painel, que incluirá um grupo de membros que discordam dos riscos do aumento do nível do CO2.
Não se espera um resultado totalmente cético, mas o movimento da Royal Society é um grande indicativo das alterações no mundo científico. As teorias da mudança climática não terão mais o endosso cego da Academia.
Dois meses atrás o Museu de Ciência de Londres também teve uma pequena reação na mesma direção: alterou o nome de uma galeria de Climate Change Gallery para Climate Science Gallery. Além disso, o ceticismo já tomou conta da maioria do público tanto nos Estados Unidos, como na Inglaterra, especialmente. Na atual conjuntura de crise econômica, a população não quer ver recursos públicos alocados em investimentos de alto risco.
Para mais informação:
http://royalsociety.org/Royal-Society-to-publish-new-guide-to-the-science-of-climate-change/
Quanto depende da Moody's?
O euro caiu ainda mais e as bolsas ao redor do mundo sofreram perdas ontem, depois de mais um rebaixamento de rating de crédito para a Espanha. A agência de risco Fitch Ratings rebaixou o risco soberano da Espanha do top AAA para AA+. No mês passado a Standard and Poor’s já havia rebaixado pela segunda vez, para AA, apenas a Moody’s, entre as três grandes agências de risco, mantém a Espanha em AAA.
Um rebaixamento significa que os juros devem ser mais altos para refinanciar a dívida espanhola e isso reduz o crescimento econômico do país.
O impacto de uma crise na Espanha no mundo e especialmente na Europa é bem maior que a crise grega. O PIB da Espanha é mais de 4 vezes o PIB da Grécia, apesar de a dívida de Espanha ser bem menor em relação ao seu PIB. A dívida espanhola representou 53,2 por cento do PIB no ano passado, enquanto que a da Grécia foi de 115,1 por cento em 2009.
Se a Moody’s também rebaixar poderá ser a pá de cal na economia espanhola e o Euro não ficará apenas faiscado. Quanto depende da Moody's, não é? União Européia, Euro, políticos, investimentos chineses, dólar, dívida americana...Alô, Moody's, segura aí!!!!
Mas quais poderão ser os próximos: Portugal (dívida 76,8% do PIB), Inglaterra (62,1%)?
Um rebaixamento significa que os juros devem ser mais altos para refinanciar a dívida espanhola e isso reduz o crescimento econômico do país.
O impacto de uma crise na Espanha no mundo e especialmente na Europa é bem maior que a crise grega. O PIB da Espanha é mais de 4 vezes o PIB da Grécia, apesar de a dívida de Espanha ser bem menor em relação ao seu PIB. A dívida espanhola representou 53,2 por cento do PIB no ano passado, enquanto que a da Grécia foi de 115,1 por cento em 2009.
Se a Moody’s também rebaixar poderá ser a pá de cal na economia espanhola e o Euro não ficará apenas faiscado. Quanto depende da Moody's, não é? União Européia, Euro, políticos, investimentos chineses, dólar, dívida americana...Alô, Moody's, segura aí!!!!
Mas quais poderão ser os próximos: Portugal (dívida 76,8% do PIB), Inglaterra (62,1%)?
sexta-feira, 28 de maio de 2010
70 anos do Resgate de Dunkirk
No início da Segunda Guerra Mundial, os alemães tiveram rápido sucesso na invasão da França, que estava sendo protegida por tropas francesas, belgas e inglesas. Os alemães conseguiram alcançar os flancos dos seus inimigos e separá-los. Estava tudo pronto para um massacre total das tropas aliadas, mas Hitler, em uma das decisões mais controversas da guerra, parou o avanço alemão por três dias. Ninguém exatamente sabe o porquê. Mas foi isso que permitiu o resgate de mais 330 mil soldados aliados na cidade de Dunkirk (França), no período de 27 de maio a 4 de junho de 1940, para a Inglaterra.
Certamente, a Segunda Guerra teria sido outra e a moral de Churchill teria sido profundamente abalada se Hitler tivesse mantido o avanço. Churchill chamou o resgate de "miracle of deliverance" (podemos traduzir por milagre da redenção).
O resgate de Dunkirk (operação Dynamo) contou inclusive com 700 navios mercantes navios privados, barcos de pesca e barcos de passeio. A menor dessas embarcações, Tamzine, encontra-se no Museu de Guerra Imperial inglês. Vejam a foto do Tamzine abaixo:
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Por falar em Guatânamo
No dia 22 de janeiro passado, uma força tarefa do governo Obama concluiu uma análise sobre os presos de Guatânamo. A revista The Weekly Standard divulgou hoje o resultado em um artigo de Thomas Joscelyn.
O Obama prometeu que iria fechar a prisão de Guatânamo no primeiro ano de governo. Não conseguiu e o relatório da força tarefa do próprio governo mostra que isso será muito difícil. O relatório mostra que 95% dos presos tem laços claros com a al Qaeda.
Dos 240 detentos: 126 foram aprovados para ser transferidos para seus países ou para uma terceira parte, 36 poderão ser processados por uma corte federal ou por uma comissão militar, 48 serão mantidos por prazo indefinidos dado o alto grau de periculosidade e 30 estão em uma espécie de condicional, pois são cidadãos do Iêmen, esse país tem forte presença de membros da al Qaeda.
A força tarefa contradiz uma análise bastante comum, de que há presos passíveis de libertação. Nenhum preso foi dado como passível de ficar livre e a força tarefa deixou claro que não garante que eles não tragam riscos.
O Obama prometeu que iria fechar a prisão de Guatânamo no primeiro ano de governo. Não conseguiu e o relatório da força tarefa do próprio governo mostra que isso será muito difícil. O relatório mostra que 95% dos presos tem laços claros com a al Qaeda.
Dos 240 detentos: 126 foram aprovados para ser transferidos para seus países ou para uma terceira parte, 36 poderão ser processados por uma corte federal ou por uma comissão militar, 48 serão mantidos por prazo indefinidos dado o alto grau de periculosidade e 30 estão em uma espécie de condicional, pois são cidadãos do Iêmen, esse país tem forte presença de membros da al Qaeda.
A força tarefa contradiz uma análise bastante comum, de que há presos passíveis de libertação. Nenhum preso foi dado como passível de ficar livre e a força tarefa deixou claro que não garante que eles não tragam riscos.
Exageros de uma Sociedade Livre
Dois fatos recentes mostram que até ótimos valores não podem ser exacerbados, especialmente quando eles ofendem a proteção da vida, que considero o valor máximo.
O primeiro é a aprovação da construção de uma mesquita nas proximidades do Marco Zero, local do antigo World Trade Center. É fato que o ataque às torres gêmeas foi ato de extremistas islâmicos e que os ataques recentes também provém de membros da mesma religião. A construção da mesquita pode reafirmar que a religião islâmica pode ser da paz, mas ofende os mortos do ataque, além disso, já existem mesquitas em Nova York para quê fazer isso?
O segundo é a descoberta de que uma organização americana - John Adams Project - está auxiliando legalmente os presos de Guantânamo, mas parece que tem exagerado. Há uma denúncia que a arganização está exibindo fotos de agentes da CIA aos presos. Uma das fotos foi achada com um preso. O que traria riscos aos agentes da CIA e seus familiares.
A verdade é que muitos americanos, infelizmente, odeiam os EUA.
O primeiro é a aprovação da construção de uma mesquita nas proximidades do Marco Zero, local do antigo World Trade Center. É fato que o ataque às torres gêmeas foi ato de extremistas islâmicos e que os ataques recentes também provém de membros da mesma religião. A construção da mesquita pode reafirmar que a religião islâmica pode ser da paz, mas ofende os mortos do ataque, além disso, já existem mesquitas em Nova York para quê fazer isso?
O segundo é a descoberta de que uma organização americana - John Adams Project - está auxiliando legalmente os presos de Guantânamo, mas parece que tem exagerado. Há uma denúncia que a arganização está exibindo fotos de agentes da CIA aos presos. Uma das fotos foi achada com um preso. O que traria riscos aos agentes da CIA e seus familiares.
A verdade é que muitos americanos, infelizmente, odeiam os EUA.
Assinar:
Postagens (Atom)
