sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Santo dos Blogs, dos Jornais e dos Debates




Ele não merece apenas ser o Santo dos Blogueiros, como defende Francis Phillips, ele deveria ser o Santo dos Jornalistas, dos Escritores, dos Polemistas. Mas, em todo caso, Gilbert Keith Chesterton (1874-1936) merece ser denominado santo da Igreja Católica. Sei que para ser santo uma pessoa precisa realizar dois milagres reconhecidos pela Igreja, mas este Blog entra nesta Campanha: São Gilbert Chesterton. Vou colocar um destaque permenente no Blog.

Chesterton, apesar de ser muito lido hoje, merece ser muito mais conhecido e discutido nas escolas e nas faculdades. Pela grandeza de sua obra, ele pode ser considerado um escritor negligenciado, o que é um erro extremo para quem já leu algum livro dele.

Quem foi Chesterton?

Chesterton nasceu em Londres no dia 29 de maio de 1874. Chesterton tinha 1,93 metros e pesava 135 quilos e nunca fez faculdade. Ele escreveu mais de cem livros sobre os mais diversos assuntos, incluindo poemas, peças de teatro, romances e uma série de detetives (Padre Brown), que inclusive gerou um filme chamado The Detective.

A despeito de seu sucesso literário, ele se considerava apenas um jornalista. Ele escreveu mais de 4 mil ensaios para jornais, incluindo 30 anos de uma coluna semanal pata a Illustrated London News, e 13 anos de sua coluna semanal para o Daily News. Ele também editou seu próprio jornal, o G.K's Weekly.

Chesterton foi crítico literário e social, e escreveu praticamente sobre tudo: economia, história, filosofia e teologia. O estilo dele é sempre reconhecido pelo excepcionais paradoxos, pela sabedoria com muito humor, profundidade e consistência.

Eu lembro do primeiro livro que li de Chesterton, chamado Ortodoxia. Fiquei maravilhado logo nas primeira páginas. Chesterton deve sempre ser lido lentamente, cada parágrafo mostra muita profundidade. Depois li São Tomás de Aquino, livro que ele fez sobre a biografia de São Tomás. Depois de lê-lo, o maior especialista em São Tomás da época, Etienne Gilson, declarou:

I consider it as being without possible comparison the best book ever written on St. Thomas. Nothing short of genius can account for such an achievement. Everybody will no doubt admit that it is a ‘clever’ book, but the few readers who have spent twenty or thirty years in studying St. Thomas…cannot fail to perceive that the so-called ‘wit’ of Chesterton has put their scholarship to shame. "
(Eu considero este como, sem possível comparação, o melhor livro já escrito sobre São Tomás. Nada menos do que genial pode ser considerado este livro. Qualquer um não duvidará que este é um livro inteligente, mas poucos leitores que tenham dedicado trinta ou trinta e cinco anos de sua vida estudando São Tomás...não pode deixar de perceber que a sagacidade de Chesterton deixou os especialistas com vergonha)

O livro de Chesterton Everlasting Man (O Homem Eterno) sobre Jesus Cristo fez outro grande escritor C.S.Lewis (autor dos Contos de Nárnia, atualmente no cinema) deixar de ser pagão para ser um apologista do cristianismo. Um artigo de Chesterton na Illustrated London News estimulou Gandhi a iniciar campanha para acabar com o colonialismo na Índia.

Seus livros foram elogiados por  Ernest Hemingway, Graham Greene, Evelyn Waugh, Jorge Luis Borges, Gabriel Garcia Marquez, Karel Capek, Marshall McLuhan, Paul Claudel, Dorothy L. Sayers, Agatha Christie, Sigrid Undset, Ronald Knox, Kingsley Amis, W.H. Auden, Anthony Burgess, E.F. Schumacher, Neil Gaiman, e Orson Welles, para citar alguns escritores.

Como polemista, Chesterton debateu em público com os principais intelectuais da sua época, como: George Bernard Shaw, H.G. Wells, Bertrand Russell, Clarence Darrow. O público viu as vitórias de Chesterton nos debates.

Apesar da combatividade dos debates, ele sempre mostrou respeito e mesmo carinho pelos adversários e recebeu admiração deles. A foto abaixo mostra um debate entre Bernard Shaw (extrema esquerda), Hilaire Belloc e Chesterton em Londres.

Chesterton defendeu a família, o pobre, a beleza, o cristianismo e a fé católica, contra o materialismo, o relativismo, o socialismo e o ceticismo. Por que hoje não se apresenta os argumentos de Chesterton contra essas mazelas que continuam a assolar o mundo? Dale Ahlquist da American Chesterton Society tem uma resposta:

Modern thinkers and commentators and critics have found it much more convenient to ignore Chesterton rather than to engage him in an argument, because to argue with Chesterton is to lose.
(Pensadores modernos e comentaristas e críticos têm achado conveniente ignorar Chesterton ao invés de polemizar com ele, porque discutir com Chesterton é perder).

O que Chesterton falou sobre a obra de São Tomás vale como conselho para qualquer blogueiro, qualquer jornalista ou qualquer religioso.

Chesterton disse que São Tomás não conseguiria ter escrito sua vasta obra...
If he had not been thinking even when he was not writing; but above all thinking combatively. This, in his case, certainly did not mean bitterly or spitefully or uncharitably, but it did mean combatively. As a matter of fact it is generally the man who is not ready to argue, who is ready to sneer. That is why in recent literature there has been so little argument and so much sneering.”

(...Se ele não tivesse pensando mesmo quando não estava escrevendo, especialmente pensando combativamente. Isto, neste caso, certamente não significa com armagura ou raiva ou sem caridade, mas siginifica combativamente. Por sinal, é geralmente quando um homen não quer discutir é que ele está pronto para ofender. Isto explica porque na literatura recente há tão pouco argumento e tantas ofensas).

Quantas vezes vejo inúmeras ofensas em blogs ou em jornais ou em revistas ou em debates religiosos e tão poucos bons argumentos. Que venha o Santo Chesterton para os sites, os blogs, os jornais, os livros e os debates, que eles usem argumentos combativos, com sabedoria, humor e amor, como sempre fez Chesterton. Chesterton tem uma bela frase para muitas coisas. Veja uma coleção delas no site da American Society.  Muitas frases são bem atuais. Por exemplo, na entrevista de Dale ahlquist, ele destaca uma: "Nature is not our mother. Nature is our sister because we both have the same father". (Natureza não é nossa mãe. Ela é nossa irmã, porque temos o mesmo pai). Hoje, com o lobby da mudança climática, o mundo tende a tratar a natureza como um deus, substituindo o verdadeiro Deus. Chesterton mostra que a natureza, como nossa irmã, não tem autoridade sobre o homem.


Que Chesterton abençoe este blog!

Já há um Oração pedindo a Intervenção de Chesterton. Rezemos:


God our Father,
You filled the life of your servant Gilbert Keith Chesterton with a sense of wonder and joy, and gave him a faith which was the foundation of his ceaseless work, a hope which sprang from his enduring gratitude for the gift of human life, and a charity towards all men, particularly his opponents.
May his innocence and his laughter, his constancy in fighting for the Christian faith in a world losing belief, his lifelong devotion to the Blessed Virgin Mary and his love for all men, especially for the poor, bring cheerfulness to those in despair, conviction and warmth to lukewarm believers and the knowledge of God to those without faith.
We beg you to grant the favours we ask through his intercession, [and especially for ……] so that his holiness may be recognized by all and the Church may proclaim him Blessed.
We ask this through Christ our Lord.
Amen.

Aqui vai a tradução:

Deus Nosso Pai


Senhor que preencheu a vida do Teu servo Gilbert Keith Chesterton com um senso de reverência e alegria, e deu a ele uma fé que foi o fundamento do seu trabalho incessante, uma caridade para com todos os homens, em especial para seus oponentes, e uma esperança que brotou de sua permanente gratidão em relação ao dom da vida humana. Que a sua inocência, seu sorriso, sua contínua luta pela fé cristã em um mundo que perde a crença, sua permanente devoção a Santíssima Virgem Maria e seu amor por todos os homens, especialmente pelos pobres, traga entusiasmo para aqueles em desespero, convicção e fervor para os fiéis trépidos e o conhecimento de Deus para aqueles sem fé. Nós pedimos ao Senhor que nos provenha os favores que pedimos pela intercessão dele, o fim do aborto neste país [e especialmente por...] para que a santidade dele possa ser reconhecida por todos e a Igreja possa proclamá-lo Beato. Nós pedimos isso em nome do Nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.




Chesterton se converteu ao catolicismo em 1922, aso 48 naos. Após a conversão, ele escreveu um poema maravilhoso chamado The Converted (O Convertido).

Aqui vai o poema (em negrito vão as partes que mais gosto):

        The Converted

        After one moment when I bowed my head
        And the whole world turned over and came upright,
        And I came out where the old road shone white,
        I walked the ways and heard what all men said,
        Forests of tongues, like autumn leaves unshed,
        Being not unlovable but strange and light;
        Old riddles and new creeds, not in despite
        But softly, as men smile about the dead.

        The sages have a hundred maps to give
        That trace their crawling cosmos like a tree,
        They rattle reason out through many a sieve
        That stores the sand and lets the gold go free:
        And all these things are less than dust to me
        Because my name is Lazarus and I live


7 comentários:

Marcelo Ribas disse...

Pedro, será lançado o livro do Chesterton, Hereges, pela seguinte editora:

www.ecclesiae.com.br/vmchk.html


Abraço

Anônimo disse...

Oi interessante página , amei bastante, penso que poderiamos fcar blog palls :) lol!
Tirando as piadas chamo-me Joshua, e assim como tu publico na internet embora o foco do meu espaço é muito diferente deste....
Eu desenvolvo páginas de poker que falam de ofertas grátis sem ter de fazer depósito sem arriscares do teu bolso......
Gostei muito aquilo vi escrito mais uma vez
Virei aqui mais vezes
Ps:Peço desculpa pelo meu portugues ruim

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Joshua.

Não entendo bem como um site de poker se interessa pelo o que escrevo, mas não recuso leitores.

Se quiser pode escrever em inglês, mas use uma maneira diferente de comentar, seu comentário caiu como spam.

Obrigado por suas palavras.

Pedro Erik

CHESTERTONBRASIL.ORG disse...

Prezado Pedro,
que imensa alegria ver o seu blog!
Partilho do seu desejo de ver Chesterton proclamado santo. Seria, como você sugere, o padroeiro dos jornalistas e polemistas (e blogueiros, é claro). Não sei se você conhece o site Chesterton Brasil. Nosso intuíto é difundir a vida e obra de Chesterton. E claro, propagar o debate sobre sa santdade.

Bom, estamos à disposição para manter contato: chestertonnobrasi@gmail.com

www.chestertonbrasil.org

Atenciosamente,

Diego

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Diego.

Eu faço parte da American Chesterton Society (assinante da revista Gilbert Magazine).

Certa vez, acessei um site Chesterton Brasil que estava desativado, então achei que não existia uma sociedade Chesterton no Brasil. Fico muito feliz em saber que há, vou acessar.

Abraço,
Pedro Erik

Carlos Patricio disse...

Oi bom dia!
me chamo carlos patricio, já havia lido alguns artigos de chersterton, que mudaram minha forma de ver e interpretar, confesso que ela me abriu um novo horizonte; sempre quis saber mais sobre ele, fiquei feliz ao encontrar seu blog, virei fã, estarei sempre aqui. obrigado!!!
obs: onde posse encontrar os livros de chesterton, online?

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Carlos Patrício. Seja bem vindo. É sempre bom tem um admirador de Chesterton entre meus leitores.

Bom, sobre livros de Chesterton, se você tem um IPAD ou Kindle fica bem fácil ler basicamente todos os livros de Chesterton por um preço barato ou até de graça. Mas todos em Inglês.

Em Português, eu já vi os "Ortodoxia" e "Hereges" em muitas livrarias brasileiras. Mas on line em Português, eu nunca vi.

Além disso, eu também já vi (em inglês) muitos livros de Chesterton on line. Eu estava atrás de saber de onde veio uma frase dele e acabei encontrando o livro todo. Se você consegue ler em inglês, basta fazer o mesmo.

Grande abraço,
Pedro Erik