quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Leite, Pão (Lei do Gradualismo) e a Fresta do Demônio


O Papa Paulo VI certa vez disse que "from some fissure the somke of Satan has entered the temple of God" (por alguma fresta, a espírito do demônio entrou na Igreja).

Eu lembrei desta frase várias vezes ao ler o documento do sínodo de ontem, o documento promete abrir várias frestas para satã. Hoje vou falar sobre a lei do gradualismo.

Será que a Igreja vai distorcer o que escreveu São Paulo e São João Paulo II?

O teólogo católico Jimmy Akin explica uma passagem do documento do sínodo que trata da "lei do gradualismo". Esta lei não significa se adaptar gradualmente ao mundo moderno!! É o que explica Akin.

Aqui vão as passagens sobre esta lei que está escrito no documento do sínodo. Explico a argumentação brilhante de Akin em seguida:


13. From the moment that the order of creation is determined by orientation towards Christ, it becomes necessary to distinguish without separating the various levels through which God communicates the grace of the covenant to humanity. Through the law of gradualness (cf. Familiaris Consortio, 34), typical of divine pedagogy, this means interpreting the nuptial covenant in terms of continuity and novelty, in the order of creation and in that of redemption.
14. Jesus Himself, referring to the primordial plan for the human couple, reaffirms the indissoluble union between man and woman, while understanding that “Moses permitted you to divorce your wives because your hearts were hard. But it was not this way from the beginning” (Mt 19,8). In this way, He shows how divine condescension always accompanies the path of humanity, directing it towards its new beginning, not without passing through the cross. . . .
17. In considering the principle of gradualness in the divine salvific plan, one asks what possibilities are given to married couples who experience the failure of their marriage, or rather how it is possible to offer them Christ’s help through the ministry of the Church. In this respect, a significant hermeneutic key comes from the teaching of Vatican Council II, which, while it affirms that “although many elements of sanctification and of truth are found outside of its visible structure … these elements, as gifts belonging to the Church of Christ, are forces impelling toward Catholic unity” (Lumen Gentium, 8).
47. As regards the possibility of partaking of the sacraments of Penance and the Eucharist, some argued in favor of the present regulations because of their theological foundation, others were in favor of a greater opening on very precise conditions when dealing with situations that cannot be resolved without creating new injustices and suffering. For some, partaking of the sacraments might occur were it preceded by a penitential path – under the responsibility of the diocesan bishop –, and with a clear undertaking in favor of the children. This would not be a general possibility, but the fruit of a discernment applied on a case-by-case basis, according to a law of gradualness, that takes into consideration the distinction between state of sin, state of grace and the attenuating circumstances.

Vemos que o sínodo parece indicar que a lei de gradualismo significa se adptar às novidades do mundo moderno, com relação ao casamento.

Jimmy Akin explica, no entanto.

Lei do gradualismo é um princípio usado na teologia moral e pastoral católica, segundo a qual as pessoas devem ser encorajadas a crescer mais perto de Deus e seu plano em suas vidas de uma maneira passo-a-passo em vez de esperar para saltar de uma conversão inicial para a perfeição em um único passo.

Esta lei é baseada em São Paulo, que fez uma analogia entre o beber leite e comida sólida. Vejam abaixo as passagens:

- Hebreus 5: 12-14

Depois de tanto tempo, já devíeis ser mestres; no entanto, ainda precisais de alguém que vos ensine as coisas mais elementares das palavras de Deus. Em vez de alimento sólido, ainda precisais de leite. Ora, quem precisa de leite ainda é criança e não tem experiência para distinguir o que é certo e o que é errado. E o alimento sólido é para os adultos que, pela prática, estão preparados para distinguir o que é bom e o que é mau.

- 1 Coríntios 3:1-3

Quanto a mim, irmãos, não pude falar-vos como a homens perfeitos na fé, mas apenas a uma gente fraca, como a crianças em Cristo. Dei-vos a beber leite, não alimento sólido, pois não o podíeis suportar. Nem mesmo agora podeis, pois ainda vos deixais levar por instintos egoístas. De facto, se entre vós há invejas e contendas, não será pelo facto de serdes guiados por instintos egoístas e por vos comportardes como qualquer um?

- 2 Coríntios 10:6

Estamos prontos também para castigar todos os desobedientes, assim que for perfeita a vossa obediência.

Em 1980, no sínodo da família, esta lei foi mencionada para tratar de métodos contraceptivos, quando foi declarado que os casais que usam estes métodos podem receber comunhão se prometerem eliminar gradualmente o uso destes medicamentos.

João Paulo II declarou, no entanto, no Familiaris Consortio, mencionado pelo documento do sínodo deste ano que:

[Married people] cannot however look on the law as merely an ideal to be achieved in the future: they must consider it as a command of Christ the Lord to overcome difficulties with constancy.And so what is known as ‘the law of gradualness’ or step-by-step advance cannot be identified with ‘gradualness of the law,’ as if there were different degrees or forms of precept in God’s law for different individuals and situations. In God’s plan, all husbands and wives are called in marriage to holiness...

Traduzo

Pessoas casadas não podem entretanto olhar para a lei como meramente um idela para ser alcançado no futuro: eles devem considerar a lei como uma ordem de Cristo, Nosso Senhor, para superar as dificuldades constantemente. E assim o que é conhecido como lei do gradualismo, um avanço passo a passo, não pode ser identificado com gradualismo da lei, como se houvesse diferentes graus de princípio na lei divina que são aplicados em diferentes indivíduos ou situações. No plano divino, todos maridos e esposas são chamados para a santidade no casamento...

Akin, então, responde, se a teologia da "lei do gradualismo" mencionada no documento do sínodo deste ano é a mesma usada tradicionalmente pela Igreja.

Ele responde que NÃO. Para Akin, o documento sínodo parece defender o que foi condenado por João Paulo II, que condenou o "gradualismo da lei".   Diz Akin.

"Pelo menos a partir do que foi dito até agora, parece mais para refletir a "gradualidade da lei" que foi advertido contra nesses documentos, de acordo com o qual uma ruptura decisiva com o pecado não é necessária antes de receber a absolvição e a Sagrada Comunhão, e em que um padrão diferente do que constitui pecado seria aplicada a alguns do que é aplicado a outros."

Mas Akin alerta que o documento do sínodo não altera a tradicional posição da lei do gradualismo porque não é um documento do Magistério da Igreja é apenas um texto para discussão. 

Ufa!

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Rezemos pela Igreja. 

Vamos pedir a intercessão de São João Paulo II para a Igreja. Aqui vai a oração (em inglês) que encontrei para a novena de João Paulo II.

PRAYER FOR INTERCESSION OF POPE ST JOHN PAUL II

O Blessed Trinity, we thank you
For having graced the Church with
Saint John Paul II and for allowing
The tenderness of your fatherly care,
The glory of the Cross of Christ
And the splendor of the Spirit of love
To shine through him.

Trusting fully in your infinite mercy
And in the maternal intercession of Mary,
He has given us a living image of
Jesus the Good Shepherd.

He has shown us that holiness
Is the necessary measure of ordinary
Christian life and is the way of
Achieving eternal communion with you.

Grant us, by his intercession,
And according to your will,
The graces we implore,
Through Christ our Lord. Amen.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Parece que Não Existe Pecado nem do lado de Baixo, nem do lado de Cima do Equador


Parece que Ney Matogrosso e Chico Buarque (autor da música) convenceram a Igreja Católica. A Igreja não quer falar mais de pecado.  Foi a sensação que tive ao ler o documento prévio do sínodo da família, divulgado ontem.

Até católicos que se autodenominam conservadores, como este aqui, acham que Ney Matogrosso tem razão.

Não estou brincando, durante o sínodo os membros do clero trataram de afastar qualquer menção que homossexualismo e adultério seria pecado. Diz o texto do site Life News (traduzo azul)

Falando na conferência de imprensa do Vaticano desta tarde no Sínodo o porta-voz, Dom Thomas Rosica, observou que tem havido muita discussão sobre a linguagem em deliberações do Sínodo. 

Padre Rosica explicou o que ele acredita ser "uma das intervenções mais marcantes" do dia, lembrando que de acordo com o apresentador linguagens, como" viver em pecado ","intrinsecamente desordenados ", ou "mentalidade contraceptiva " não são necessariamente as palavras que convidam as pessoas a se aproximar de Cristo e da Igreja. "

"Há um grande desejo de que a nossa língua tem de mudar, a fim de atender às situações concretas", acrescentou. 

A linguagem do Catecismo da Igreja Católica relativa à homossexualidade tem sido um ponto de críticas inflamadas por parte de certas facções na Igreja. 

O Catecismo afirma: "Apoiando-se na Sagrada Escritura, que apresenta os atos homossexuais como atos de depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados ". 

O Catecismo também declara que contracepção artificial é "intrinsecamente mau" e critica fortemente a coabitação antes do casamento.

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O próprio Papa Francisco declarou que "toda lei que não leve a Cristo é obsoleta".

No passado, esse tipo de afirmação era entendida como uma crítica às leis seculares, mas com o Papa Francisco isto é entendido como uma crítica à lei canônica da Igreja. Tristemente.

E o que diz o documento, celebrado na imprensa brasileira como "uma aproximação da Igreja aos gays"?

Muita gente, graças a Deus, entendeu como eu que o documento é terrível, péssimo. Como:

1) Voice of the Family, defensores da família e vida, que chamaram o documento de uma traição. O diretor do Voice of Family disse (traduzo em azul):

"Aqueles que estão controlando o Sínodo traíram os pais católicos em todo o mundo. Acreditamos que o relatório "meio caminho" do Sínodo é um dos piores documentos oficiais elaborados na história da Igreja.

"Felizmente, o relatório é um relatório preliminar para discussão, em vez de uma proposta definitiva. É essencial que as vozes dos fiéis leigos que sinceramente viver os ensinamentos católicos também são levados em conta. Famílias católicas estão aderindo ao ensinamento de Cristo sobre o matrimônio e da castidade por suas pontas dos dedos ".

2) Como o presidente da Conferência dos Bispos da Polônia, que chamou o documento de inaceitável, que se distancia dos ensinamentos de João Paulo II.

3) Como tantos blogs católicos, como o Creative Minority Report, que disse que o documento lembra alguém segurando um para-raio em campo aberto pedindo para Deus jogar um raio.

4) Ou o site The American Catholic e muitos outros que dizem que a Igreja Católica agora virou a Igreja Episcopal, que aceita gays como padres, etc.

E o que diz o documento?

Muita gente fez análise dele e viu os deslizes teológicos e doutrinários.

Um site que analisou parágrafo a parágrafo foi o Blog dos Católicos de Dallas.

Ele mostra coisas como, com o documento em preto e a crítica em vermelho:

Homosexuals have gifts and qualities to offer to the Christian community: are we capable of welcoming these people, guaranteeing to them a fraternal space in our communities? Often they wish to encounter a Church that offers them a welcoming home. Are our communities capable of providing that, accepting and valuing their sexual orientation, without compromising Catholic doctrine on the family and matrimony?  [This is so utterly contrary to the Gospel and ALL the Fathers that it is simply staggering]

The question of homosexuality leads to a serious reflection on how to elaborate realistic paths of affective growth and human and evangelical maturity integrating the sexual dimension: it appears therefore as an important educative challenge.  [Yes, but the Church has utterly failed at catechesis at ALL levels going back decades.  Now it's suddenly going to get better?]  

In the same way the situation of the divorced who have remarried demands a careful discernment and an accompaniment full of respect, avoiding any language or behavior that might make them feel discriminated against.  [Many sinners feel discriminated against. It is a fundamental aspect of our fallen natures to seek justification for our sin, and it appears these men mean to provide adulterer's with manifold justifications]  
For the Christian community looking after them is not a weakening of its faith and its testimony to the indissolubility of marriage, but rather it expresses precisely its charity in its caring.  [Nothing but a naked assertion, completely unsupported by Scripture, Tradition, or even reason.  In other words, whoever wrote this is saying "it is so because I say it is so," and nothing else.]
As regards the possibility of partaking of the sacraments of Penance  [THIS IS BULL!  There is nothing, at all, that stops anyone at anytime from partaking of the Sacrament of Penance.  That doesn't mean absolution is guaranteed, you have to show contrition and amendment, but the Sacrament is always available to anyone at anytime - provided they can find a parish that offers it more than one half hour a week.] 

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Eu não preciso acrescentar nada ao que disse o autor do Blog de Dallas ou ao que disse o Voice of the Family ou ao que falou o presidente da conferência dos bispos da Polônia. Leiam todos. São excelentes.

Por fim, uma nota de otimismo que vem do especialista em lei canônica, Edward Peters, no texto Keep Calm and Canon On.

Confiemos na Lei Divina, apesar do Papa Francisco.



(Agradeço o texto da Life News ao site The American Catholic e o texto do Blog de Dallas, do Voice of the Family e do Presidente dos Bispos da Polônia ao site PewSitter)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bispos contra Papa Francisco. A Confusão do Sínodo.


A Rádio Renascença, que faz parte da Conferência de Bispos de Portugal, está afirmando que os bispos do sínodo elegeram conservadores para elaborar o relatório final do Sínodo da Família e que o Papa Francisco, em uma atitude ditatorial, nomeou a seu bel prazer seis membros esquerdistas do clero para contrabalançar.

Será que estamos vendo o Papa tentando impor uma ideologia sobre os bispos e eles estão resistindo? É o que parece.

Dentro os eleitos pelos bispos está o grande cardeal Burke. Nunca escondi que desejei que ele fosse eleito papa, é um homem preparadíssimo que ama muito a Doutrina da Igreja e sempre se levanta quando a Doutrina é atacada.

Vejamos o que diz a Rádio Renascença (em português de Portugal):

Sínodo entra em fase final com ambiente tenso em Roma
O Papa surpreendeu os participantes do sínodo ao nomear seis homens próximos de si e vistos como liberais para ajudar a escrever o relatório do sínodo. 

por Aura Miguel, em Roma

No final de uma semana de confrontos, onde ficou patente haver duas abordagens diferentes em relação aos temas mais polémicos, como o acolhimento a homossexuais ou pessoas em uniões irregulares, incluindo o acesso aos sacramentos por parte destes. 

O Papa, que nunca falou mas ouviu tudo o que se disse na aula sinodal, nomeou, sem que nada o fizesse prever, seis pessoas para reforçar a comissão que deve fazer o relatório do sínodo. O cardeal Erdö, de Budapeste, continua à frente da mesma. 

O facto está a preocupar aqueles que defendem manter a disciplina actual da Igreja em relação a estes temas, uma vez que todas as pessoas nomeadas pelo Papa são de tendência liberal, ao contrário de Erdö. 

Entretanto os padres sinodais elegeram, através de voto secreto, os nomes dos responsáveis pelos grupos de trabalho linguísticos que, ao longo da próxima semana, irão debater questões mais específicas. 

Aqui, porém, assistiu-se a um reforçar da posição conservadora, com figuras como o Cardeal Burke e o Cardeal Sarah, ambos tidos em alta conta pela ala conservadora, a serem eleitos, bem como o Cardeal Bagnasco. 

Sinais de que a discussão está para durar e que até se poderá intensificar ao longo da próxima semana. 

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Estas informações sobre um possível embate entre os bispos e o Papa, eu li no site Rorate Caeli.

Cardeal Burke deu uma entrevista recentemente sobre o sínodo para a rede católica EWTN. O grande especialista em direito canônico, Edward Peters, comentou a entrevista.

Rezemos pela Igreja, neste dia de Nossa Senhora Aparecida.

Eu nunca vi tamanha confusão e conflito aberto. O Papa Francisco não está liderando a Igreja na paz. Isto é fato.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Fofocas de Cardeiais na "Ditadura" do Papa Francisco


O que os cardeais falam do Papa? O que Papa faz por trás dos panos, escondido da mídia? Como o Papa usa a mídia para atacar membros do clero? O que eles fofocam entre si? Como eles agem uns contra os outros? É triste saber sobre tudo isso. É medonho ver "príncipes da Igreja" e o próprio Papa descendo vários níveis da desonestidade pelo poder.

Mas ontem eu li um texto que merece ser lido sobre o assunto. O texto é de Robert Royal que escreve sobre as fofocas no contexto do sínodo sobre família. Robert Royal é autor de muitos excelentes livros sobre a Igreja (eu li um sobre os mártires) e editor do The Catholic Thing,

Vou traduzir aqui parte do que disse Royal. Leiam principalmente os três primeiros parágrafos.

O clima em Roma é - vamos falar claramente - tenso. De acordo com uma fonte bastante confiável no local, não é apenas os "Ratzingerians" como o Cardeal Burke que vêm sofrendo um vento gelado. São também cardeias mais "moderados" cardeais e membros da Cúria que simplesmente não sabem o que fazer com o que está acontecendo. E temem o que pode acontecer se eles disserem a coisa "errada" - difícil de evitar, quando as coisas não são tão claras. 

Eu já relatei palavras duras do papa contra defensores da tradição,  em uma homilia estranha que pode ser entendida contra todos aqueles ao longo dos séculos que haviam defendido a indissolubilidade do casamento, como se eles fosse autoritários e legalistas de auto-promoção. 

Mas o que eles pensam do papa por trás dos holofotes - mais uma vez, para além dos habituais suspeitos conservadores e em, figuras tradicionais mais neutras - também é igualmente azedo: "um ditador latino", "um Peron",  alguém que gosta de ser o centro do palco no centro das atenções . E talvez o comentário mais chocante de tudo a partir de mais de uma pessoa: "Sua saúde é ruim, então, pelo menos, isso não vai durar muito tempo." 

A palestra do Papa fala sobre um espírito de abertura. Mas há gente experiente em Roma que acredita que se isso ocorrer, cabeças vão rolar. Algumas já rolaram.

Quando eu cobri o Conclave que elegeu o Papa Francisco, em 2013, uma das coisas impressionantes para alguém como eu, que vive em Washington por 30 anos, foi a rapidez com que as conversas que deveriam estar fora do registro - mesmo as apresentações que precederam o Conclave que os cardeais juram manter em segredo - vazaram aos jornais italianos. Temos vazamentos em Washington, também, mas eles são, basicamente, algumas gotas, um aqui outro ali -. Em Roma, eles parecem usar uma mangueira de incêndio. 

Pouco depois do Conclave 2013, um cardeal me disse em particular que ele ficou surpreso de que a intervenção do Cardeal Raymundo Damasceno Assis de Brasília de alguma forma tinham sido transcritas e publicadas na imprensa no dia seguinte, apesar dos esforços de segurança do Vaticano para segurar a natureza privada da apresentações: "E o que é ainda mais surpreendente, ele falou sem um texto. Eu estava sentado ao lado dele, e ele estava apenas falando, sem nada preparado com antecedência. Alguém deve ter registrado desde que não havia nenhum texto a vazar. Suas observações aparecem, praticamente palavra por palavra, tanto quanto eu poderia dizer, no dia seguinte, na impressão. "

Não é nenhum segredo em Roma que cardeais e outros altos funcionários do Vaticano têm "seus" jornalistas especiais para quem vazar o material. 

Roma é um lugar de fofoca. Mas é tipicamente sobre o tipo de política de escritório a maioria das pessoas não se importam muito sobre. Normalmente, ele pode ser ignorada. Não desta vez. Cardeias xingando outros cardeais. Duras críticas sobre o Papa. Comentários maldosos sobre sua saúde frágil e, possivelmente curto reinado. 

Nos tempos modernos, nunca foi desta maneira.

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Há algo de muito podre no pontificado do Papa Francisco. Infelizmente.

Eu fiquei bastante triste ao ler este texto.

Rezemos mais pela Igreja, o que ocorre fora dos holofotes e até diante dos holofotes (com palavras ditas ao público direcionadas a atacar membros do clero) são de muito baixo nível. Todo mundo sabe que a Igreja é o principal objetivo de domínio do demônio. Vemos o demônio bem presente entre os membros do clero.

Que São Francisco Bórgia, santo do dia de hoje, que conheceu o poder e viu que não valia nada, proteja a Igreja e oriente os cardeais.

Leiam todo o texto de Royal. Há link para outro texto do autor que debate os argumentos do Papa Francisco.



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(Agradeço o texto de Royal ao site PewSitter)

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O ISIS é Super-Herói para muitos Muçulmanos.


Por obrigação profissional, eu tenho de acompanhar o site da Bloomberg, para seguir o mercado financeiro. Não sou lá muito fã da Bloomberg, pois em questões sociais, como aborto e casamento gay, ela segue o que pensa os "riquinhos, esquerda caviar", e defende tanto o aborto como o casamento gay. Aliás, toda vez que encontro um esquerdista caviar e eu tenho oportunidade de conversar, eu lembro à pessoa que Lenin, Trotsky e Pol Pot também eram esquerda caviar, filhos de aristocratas, deixaram um rastro ideológico de milhões de cadáveres.

Mas, voltando à Bloomberg, eu diria que uma vez a cada mês, aparece um bom texto que não é relacionado ao mercado financeiro.

Ontem, eu li um que lembra as dificuldades do clérigos muçulmanos em condenar as ações do ISIS. Eu já falei aqui no blog de uma Carta Aberta de um grupo muçulmano americano contra o ISIS, que deixa transparecer inúmeros problemas no Islã que dariam apoio ao ISIS. Em suma a Carta Aberta contra o ISIS pode ser usada em favor do ISIS.

Agora, é bom ver as dificuldades dos clérigos islâmicos para dizer que o ISIS não representa o Islã. Vejamos o texto da Bloomberg. de autoria de Mariam Fam, que se chama "In War on Ideas on Islamic State, Opponents Start with Handicap" (que poderia ser traduzido por "Na Guerra de Ideias sobre o Estado Islâmico, Oponentes Já Começam Perdendo).

Traduzi parte do texto em azul:

Há três anos, pregador egípcio Abdelmoneim el-Shahat (foto acima) estava atacando as estátuas egípcias pré-islâmicas e seculares, estátuas das época dos faraós - o que, segundo ele, devem ser cobertas de cera. 

Agora, el-Shahat, da escola salafista ultraconservadora do islamismo, diz que está direcionando suas críticas no Estado Islâmico e sua ideologia em artigos e palestras - parte de um esforço regional para a minar mensagem religiosa do grupo que tem envolvido vários estudiosos . 

Os EUA e seus aliados árabes se comprometeram a lutar uma guerra de idéias ao lado de sua campanha militar contra o Estado Islâmico, que lançam vídeos com cenas de batalhas misturadas com passagens do livro sagrado dos muçulmanos. Os opositores que buscam se engajar na frente teológica, porém, começar com uma desvantagem: Eles são muitas vezes vistos com hostilidade por exatamente as pessoas - potenciais simpatizantes com os militantes - que eles estão tentando alcançar.

"É muito difícil para os governos fazer a guerra ideológica", disse Michael Wahid Hanna, pesquisador sênior na Fundação Century. "As populações que são mais vulneráveis ​​à radicalização essencialmente consideram as instituições religiosas usadas para impulsionar essas afirmações como ilegítimas em si mesmas." 

Os esforços dos clérigos na Arábia Saudita e Egito, dois dos estados árabes sunitas mais populosos e ambos aliados dos EUA de longa data, mostram os desafios. 

El-Shahat virou centro de críticas. "Por Deus, eu lamento o dia em que eu respeitava esse homem", uma pessoa escreveu sob um vídeo online em que el-Shahat critica o grupo jihadista. 

Um grupo de estudiosos da religião na Arábia Saudita têm se manifestado contra o Estado islâmico, dizendo que o Estado Islâmico distorce o Islã. 

Mas as classes clericais sauditas, porém, não são críticos eficazes de ideologia do Estado Islâmico, porque eles têm-se exposto idéias semelhantes, de acordo com o escritor e colunista saudita Turki al-Hamad. 

"Eles são incapazes de enfrentar os violentos, os grupos extremistas e aqueles que cortar pescoços não por causa de preguiça ou procrastinação, mas porque todos compartilham o mesmo pensamento e palavras", escreveu al-Hamad, em agosto. "Como eles podem enfrentar um pensamento cuja base eles mesmos têm dentro de si?" 

Ibrahim Negm, um assessor do grande mufti do Egito, identifica uma objeção diferente quando fala contra Estado islâmico. Ele diz que, por vezes, se perguntou por que ele está falando contra os  jihadistas, em vez da matança de iraquianos pelos EUA ou os palestinos por Israel. 

O clérigo influente Yusuf al-Qaradawi, que tem aparecido regularmente no canal pan-árabe Al Jazeera, escreveu no Twitter que ele  discorda completamente do Estado islâmico "no pensamento e no método", mas também condena a guerra dos EUA contra eles porque não é motivada está "pelos valores do Islã, mas por seus próprios interesses." 

El-Shahat é também um crítico da política norte-americana, e diz que a ação militar torna mais difícil para ele falar contra o Estado Islâmico. 


Alguns vão rejeitar os seus argumentos e defender o grupo, alegando que "agora é contra a América", disse ele em uma entrevista por telefone. Ataques aéreos podem "fazê-los parecer como heróis."

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Hummm...A conclusão é: o mundo ocidental deve deixar o Estado Islâmico matar, crucificar cristãos, curdos, yazidis, xiitas, etc., porque se atacá-los vai tornar os terroristas do Estado Islâmico em heróis.

Quem cai neste discurso de "opositores" muçulmanos do Estado Islâmico?



quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Vídeo: Quem é mais Perigoso EUA ou ISIS?, segundo estudantes de Harvard.


Um entrevistador foi ao campus da "melhor universidade do planeta", a Universidade de Harvard, e perguntou quem os estudantes achavam mais perigosos os Estados Unidos ou o Estado Islâmico (ISIS).

Segundo eles, é o Estados Unidos!!!!

É o relativismo moral que tanto nos falava Bento XVI. Hoje, eu sofro bastante quando vou debater com alguém ao perceber que a pessoa tem um relativismo moral absurdo, não reconhece mais o que é certo ou errado, o que é uma ideologia certa, que leva ao bom caminho, ao desenvolvimento, ao crescimento pessoal, e um ideologia que leva à morte. Não é de se estranhar quando o aborto, a matança de uma criança, é tratada como direito da mulher.

Os caras desfrutam das benesses de um povo que foi fundado sob o cristianismo e no qual a Declaração de Independência disse que os direitos vinha de Deus e não dos homens. Sob esta ideologia cristã e libertária, os Estados Unidos criaram o país mais rico do mundo.

Mas, é muito comum o povo americano odiar o próprio país e compartilhar da ideologia que está presente em gente que odeia os Estados Unidos como o Fidel Castro, Hugo Chavez e os próprios grupos terroristas.

As desculpas para dzier que os Estados Unidos são mais perigosos é que o país só está interessando no petróleo do Oriente Médio, que o povo adere aos grupos terroristas porque passam dificuldades econômicas, e por aí vai.

A quem pertence o petróleo do Oriente Médio? Segundo eu sei, aos próprios países da região. No Iraque, continua assim após a invasão, com inclusive aumento da participação de capital chinês. Explicar grupos terroristas por que o povo passa fome, é a doutrina marxista que tudo determinado pelo materialismo, é esquecer toda a doutrina islâmica. Em suma, é estupidez.

Mas não pensem que esta estupidez não domina o pensamento mundial. Você pode encontrar este raciocínio dos estudantes de Harvard até no Papa Francisco.

Não estou dizendo que os Estados Unidos é perfeito, nem a Igreja Católica, formada por nós humanos, é perfeita. Mas deve-se reconhecer de que lado o país está, e em que base ideológica ele se apresenta no mundo e em que lado ele esteve na história (lutou contra o comunismo e o nazismo, por exemplo, entregando milhões de vida nestas lutas). Os Estados Unidos não adotam uma ideologia de dominação, como a do Estado Islâmico ou do Nazismo ou do Comunismo.

Vejam o vídeo abaixo:





Como vencer este relativismo moral? Lutando na guerra cultural: conversando com amigos (quando a oportunidade aparacer), participando de debates, de filmes, da mídia, etc, como lembrou Mark Tapson que coloquei aqui no blog.


(Agradeço o vídeo de Harvard ao site Weasel Zippers)

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Seminário no Vaticano Defende Guerra contra ISIS


Núncios apostólicos da Síria, do Iraque, da Jordânia, do Egito, da Palestina, do Irã e da Turquia, gente que conhece bem de perto os conflitos relacionados ao Islã, além de membros do Vaticano  e de representantes da Santa Sé na ONU, se reuniram entre os dias 2 e 4 de outubro.

Não consegui achar na internet toda a declaração que eles lançaram após o encontro, apenas partes, aqui vão as que encontrei:

"One cannot be silent, nor (can) the international community remain inactive, in the face of the massacre of persons," 

"The participants at the meeting reaffirmed that it is licit to stop the unjust aggressor, always in accordance with international law" .

"The activity of some extremist groups is a cause of grave concern, particularly the so-called 'Islamic State,' whose violence cannot be met with indifference."

In the face of "the massacre of persons merely because of their religion or ethnicity, in the face of decapitations and crucifixions of human beings in public squares, in the face of the exodus of thousands of persons and the destruction of places of worship," the world cannot remain indifferent and something must be done.

"The problem must be dealt with more radically by addressing the root causes which are exploited by fundamentalist ideology"

Christians who have been forced "in a brutal manner" to flee from their homes must be guaranteed "the right to return in conditions of adequate security" as well as be free to work and build a future in the land where they and their ancestors have lived for more than 2,000 years.

"One cannot resign oneself to conceiving of the Middle East without Christians,". Christians have been a critical part of society and "they play a fundamental role of peacemaking, reconciliation and development."

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Eu diria que os núncios erram em não argumentar que uma guerra não é justificada "por estar em acordo com o direito internacional". Eles deveriam olhar para dentro, para a Doutrina da Igreja com relação a guerra, a teoria da guerra justa. A teoria da guerra justa usa preceitos bem mais profundos que o direito internacional.

Em todo caso, é um pequeno passo na direção correta, mesmo sendo apenas um seminário.


(Agradeço o texto do seminário ao site PewSitter)

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Os Cristãos Revolucionários de Hong Kong


Leio que muitos revolucionários de Hong Kontg são cristãos! Uma descoberta feita pelo Wall Street  Journal que foi discutida no site do Foreign Policy. Este site pergunta:"Os cristãos são bons rebeldes?"

Que sensacional!,  enquanto o mundo ocidental fica desprezando o cristianismo, ele vai se fortalecendo na Ásia, até na China. Praticamente todo dia eu ouço um brasileiro xingando a herança cristã, e às vezes até cometendo pecado contra o Espírito Santo. E o Brasil tem o maior número de católicos do mundo.

O texto da Foreign Policy é excelente (traduzo parte em azul)

Uma das coisas mais interessantes que eu já li sobre os protestos pró-democracia em Hong Kong toca em um aspecto que tem recebido pouca atenção até agora. Um artigo no The Wall Street Journal analisa a formação religiosa de alguns dos principais organizadores do movimento. Acontece que muitas das pessoas-chave são cristãos. 

Joshua Wong,  líder do grupo de 17 anos que tem desempenhado um papel fundamental no lançamento e na organização das manifestações, é um protestante evangélico. Dois dos três líderes do Occupy Central, o principal grupo de protesto, são cristãos. Um ex-bispo católico de Hong Kong é outro grande defensor. "O cristianismo tem sido um elemento visível das manifestações, com grupos de oração, cruzes, e os manifestantes leitura Bíblias na rua", diz o artigo. 

Isso não deve ser totalmente inesperado. As igrejas estão profundamente enraizadas na estrutura da sociedade de Hong Kong, em contraste com a China continental, onde o Partido Comunista ainda vê os cristãos como rivais para a lealdade dos cidadãos chineses. 

No entanto, muitas outras organizações de mídia como o New York Times ou CNN se esquecem (sic) de mencionar este ponto. Isso me parece uma omissão significativa. 

Não devemos esperar entender por que os manifestantes insistem em desafiar a ditadura mais poderosa do mundo, sem compreender as crenças por trás de suas escolhas. 

Por que houve tão pouca atenção ao fator cristão? Eu acho que é uma combinação de ignorância e constrangimento. A maioria dos jornalistas nos países do Ocidente hoje são céticos ou secularistas. 

Eles tendem a considerar a crença religiosa como uma esquisitice singular, uma espécie exótica irrelevante. E uma vez que esses jornalistas que vêm de Europa ou os EUA vêm de ambientes formados historicamente pelo cristianismo, eles ficam preocupados em não parecer tendenciosos. 

Isto é uma miopia. 

O estudioso Fenggang Yang calcula que a China está a caminho de se tornar o maior país cristão do mundo em 2025. 

O partido chinês considera o cristianismo como seu maior rival. Existe uma longa tradição de grupos religiosos militantes na China pré-comunista, que colocaram desafios poderosos a ordem central: a Rebelião Taiping (1850-1864), liderado por um homem que se dizia ser o irmão mais novo de Jesus, acabou levando 20 milhões de vidas. Atualmente, o movimento Falun Gong (Falun Dafa), um híbrido idiossincrático do budismo e outras tradições religiosas chinesas, é uma das poucas organizações de massa que continua a oferecer uma visão alternativa para o regime comunista. 

Dada essa história, não é surpreendente que Pequim faça enorme esforço para manter os cristãos chineses sob controle estatal apertado. A República Popular só reconhece católicos que adoram em igrejas aprovadas pelo Estado, ignorando aqueles que mantêm a fidelidade ao Vaticano; há uma outra organização de Pequim-aprovado para os protestantes também. 

Em cima disso, o partido também é extremamente sensível a uma história aparentemente perdido em muitos dos jornalistas que cobrem atualmente os protestos em Hong Kong: o envolvimento cristão longa e ilustre em revoluções ao redor do mundo. A liderança chinesa é dolorosamente consciente do papel desempenhado pelo Papa João Paulo II e seus compatriotas católicos poloneses na queda do sistema comunista na Europa Oriental. 

De fato, os cristãos desempenharam papéis importantes notavelmente em movimentos de protesto populares que vão desde a luta anti-apartheid na África do Sul para as campanhas pelos direitos civis nos Estados Unidos. 

Em todo o caso, eu não acho que é exagero dizer que o que os manifestantes em Hong Kong estão vivendo agora é apenas o mais recente capítulo de uma história que vem acontecendo há décadas - ou, para essa matéria, milênios. Espero sinceramente que eles possam alcançar seus objetivos e viver para contar o conto.

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Agradeço o texto da Foreign Policy ao site Big Pulpit