sábado, 18 de julho de 2020

O "Novo Normal" e o Velho e Único Normal


Hoje a Catedral de Nantes iniciada em 1434 está em chamas, há investigação de fogo criminoso.  Nantes também é importante historicamente como defesa do cristianismo na França, por conta da Guerra de Vendée, em que cristãos se opunham a Revolução Francesa lutaram. Nantes fica muito próxima da região de Vendée e os cristãos de Vendee foram derrotados em Nantes em 1793.

Estamos vivenciando eventos terríveis, que não são relativos à pandemia, mas de perversão destrutiva contra o cristianismo:





4. Além das outras destruições de monumentos e estátuas que representam a Igreja, já mencionadas aqui no blog, como o monumento a São Junípero Serra e a São Luís.

5. Estado de Nova York se alinha àqueles que desprezam a polícia. Crimes com armas de fogo aumentam em 130%

Meu amigo Estanislau Bozi me enviou uma mensagem sugerindo a tradução de um artigo do padre Cameron, no site Melbourne Catholic Lawyers.  O artigo fala que muito se comenta sobre o "novo normal" em que a vida familiar, as crenças religiosas e os relacionamentos sociais são desintegrados. Como na dialética marxista, de tese, antítese e síntese, chegamos a isso. Padre Cameron só acredita no Velho e  Único Normal: Jesus Cristo. 

Esse negócio de "novo normal" que procuram nos impor,  me lembra também o lema diabólico: solve et coagula (destruir para formar nova fórmula)

O texto do padre Cameron traz uma oração a Deus. É uma linda oração, mas que tem certa rima em inglês, o que dificulta a tradução. Não tenho muito tempo para trabalhar em uma tradução de algo rimado. Mas vou traduzir aqui a oração sem preocupação com rimas.

 Permaneça comigo Senhor, rápido o mundo desanda.
 A escuridão, se aprofunda Senhor, permaneça comigo.
 Quando outros que deveriam ajudar falham e os confortos desaparecem.
 Ajude os desamparados, oh Senhor, fique comigo.

 Rápido nos chega o fim do nosso tempo de vida
 As alegrias da Terra escurecem, suas glórias passam
 Muda e decai em tudo que vejo
 Tu, que não mudas, permaneça comigo

 Segure a Tua cruz diante dos meus olhos que se fecham
 Brilhe através da escuridão e me aponte para os céus
 A manhã do céu se rompe e as vãs sombras da terra desaparecem
 Na vida, na morte, ó Senhor, permaneça comigo

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Rezemos. Rezemos muito. E peguemos a Cruz de Cristo para lutar por Ele.



quinta-feira, 16 de julho de 2020

Live com Prof. Ricardo Felício - Economistas Climatologistas (Pseudo-especialistas)


Ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central do Brasil publicaram uma carta conjunta ontem defendendo abordagens políticas, sociais e econômicas em defesa do clima. Essa carta foi publicada no site Convergência pelo Brasil. Daí, o professor Ricardo Felício me convidou para comentar o assunto em seu canal. Assistam ao vídeo.



terça-feira, 14 de julho de 2020

A Ciência Econômica do Papa Francisco



Hoje, o site Stilum Curiae me alerta para um evento que ocorrerá em Assis em novembro deste ano chamado "The Economy of Francesco" (a mistura de termos em inglês e italiano já de cara me soou estranho, mas entendi depois a ferramenta psicológica usada).

É um encontro entre professores de economia e personalidades sem qualquer formação em economia para "visualizar um mundo novo pois os jovens querem mudança". Assistam aos videos dos convidados e veja que usam termos genéricos com "cuidar de nossa casa comum", "justiça social", "fazer a paz", "economia comunitária", "mudanças para novo mundo", "economia de São Francisco" (eu li sobre a vida de São Francisco, ele não falou nada como economista, era um santo devotíssimo a Cristo e à Igreja, o santo deve estar remoendo no Paraíso).

O artigo exposto no Stilum Curiae fala de algumas personalidades do evento e descreve alguns dos problemas que elas têm, como banqueiro que foi expulso do próprio banco que criou (Mohammed Yunus), professor suíço que foi demitido por autoplágio, publicar a mesma ciosa diversas vezes sem reconhecer que já foi publicado (Bruno Frey), gente que funda uma ONG e sai pedindo emprego para qualquer político seja de direira ou de esquerda (Carlo Petrini) e economista famoso que prega aborto e controle de natalidade (Jeffrey Sachs).

Não é necessário entrar nestes deméritos pessoais dos palestrantes para ver que a coisa toda é uma grande farsa. Não é  nem ciência econômica (seja como a economia foi definida tradicionalmente (disciplina preocupada com a justiça distributiva e a justiça comutativa) seja como a economia é definida hoje com seus custos de oportunidade), nem muito menos é São Francisco. 

É uma "economia" do Papa Francisco com todo seus erros maniqueístas, anacrônicos e rasos.

Os termos usados para divulgar o evento são vagos propositalmente. Mas o texto central do evento declarado pelos palestrantes é a encíclica Laudato Sí do Papa Francisco. 

Eu falei sobre a Laudato Sí no meu livro de "Ética Católica para Economia"

Eu vou colocar aqui parte do escrevi sobre este texto de Francisco. Aqui vai:

A lógica maniqueísta é recorrente na encíclica Laudato Sí, que elevou em muito o caráter panfletário e confuso da Pacem in Terris do Papa João XXIII.

Na encíclica, o Papa Francisco condenou os “poderosos”, as “multinacionais”, os “latifundiários”, os “interesses econômicos”, as “privatizações” e os “países ricos”. Ora, quando ele escreveu essa encíclica, em 2015, eu diria que os poderosos estavam de acordo com ele.... Não sei a que poderosos ele se refere, nem ele nunca esclarece. Vejam algumas passagens de Laudato Sí, que mostram esse maniqueísmo do Papa Francisco.

1)      Poderosos se recusam a resolver o desafio ambiental: “Infelizmente, muitos esforços na busca de soluções concretas para a crise ambiental acabam, com frequência, frustrados não só pela recusa dos poderosos, mas também pelo desinteresse dos outros.”;

2)      Privatizações prejudicam o acesso a áreas de beleza natural e excluem os pobres: “Nalguns lugares, rurais e urbanos, a privatização dos espaços tornou difícil o acesso dos cidadãos a áreas de especial beleza; noutros, criaram-se áreas residenciais «ecológicas» postas à disposição só de poucos, procurando-se evitar que outros entrem a perturbar uma tranquilidade artificial.”

3)      Poderes econômicos ignoram a dignidade humana e o meio ambiente. Disse ele: “os poderes económicos continuam a justificar o sistema mundial atual, onde predomina uma especulação e uma busca de receitas financeiras que tendem a ignorar todo o contexto e os efeitos sobre a dignidade humana e sobre o meio ambiente.".

4)      O poder financeiro é o maior culpado pelos conflitos. Nas palavras dele: “Exige-se da política uma maior atenção para prevenir e resolver as causas que podem dar origem a novos conflitos. Entretanto o poder, ligado com a finança, é o que maior resistência põe a tal esforço”

5)      Multinacionais usam os países pobres para jogar entulho. Disse ele: “ A isto acrescentam-se os danos causados pela exportação de resíduos sólidos e líquidos tóxicos para os países em vias de desenvolvimento e pela atividade poluente de empresas que fazem nos países menos desenvolvidos aquilo que não podem fazer nos países que lhes dão o capital: Constatamos frequentemente que as empresas que assim procedem são multinacionais, que fazem aqui o que não lhes é permitido em países desenvolvidos ou do chamado primeiro mundo.”

6)      Latifundiários forçam os pequenos agricultores a vender suas terras ou abandonar as culturas tradicionais: “As economias de larga escala, especialmente no sector agrícola, acabam por forçar os pequenos agricultores a vender as suas terras ou a abandonar as suas culturas tradicionais.”

7)      Os países ricos devem pagar “dívida ecológica” aos países pobres: “Com efeito, há uma verdadeira «dívida ecológica», particularmente entre o Norte e o Sul, ligada a desequilíbrios comerciais com consequências no âmbito ecológico e com o uso desproporcionado dos recursos naturais efetuado historicamente por alguns países.”.

Além desse maniqueísmo, há duas outras importantes características da Laudato Sí: extensão e confusão. É uma encíclica muito extensa e cansativa de leitura, com muitas contradições entre os parágrafos e uso muito forçado das passagens bíblicas para falar sobre meio ambiente.

Uma parte sobre esse uso da Bíblia que me incomodou bastante em Laudato Sí foi a menção à passagem em Mateus 6:26, em que a encíclica elimina o final da passagem. De acordo com o Papa Francisco, a passagem relata: “Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as”. Acontece que a passagem termina com uma pergunta de Jesus: "Não valeis vós muito mais que elas?", que foi eliminada. Em Mateus 6:26, temos é uma exaltação do humano sobre a natureza, justamente o contrário do que o Papa faz passar.

Deve-se saber que, na enorme extensão da encíclica, o Papa pode se defender de todos os argumentos. Por exemplo, ele pode se defender das frases maniqueístas acima alegando os dizeres da encíclica: “O rico e o pobre têm igual dignidade”....

Por outro lado, em partes da encíclica o Papa parece querer se soltar além da Tradição da Igreja, ao apontar rumos teológicos estranhos à religião cristã:

“Estas situações provocam os gemidos da irmã terra, que se unem aos gemidos dos abandonados do mundo”

Ou:

“Se tivermos presente a complexidade da crise ecológica e as suas múltiplas causas, deveremos reconhecer que as soluções não podem vir duma única maneira de interpretar e transformar a realidade. É necessário recorrer também às diversas riquezas culturais dos povos, à arte e à poesia, à vida interior e à espiritualidade.”

Em termos de ciência econômica, a encíclica mostra um pensamento muito reducionista, com análise muito precária. Em relação às soluções apresentadas pelo Papa Francisco para o “desafio ambiental”, que por si só envolvem muitas decisões de política econômica...Vejam, por exemplo, essa passagem de Laudato Sí, na qual Francisco critica basicamente tudo, e deixa-nos sem nenhuma solução:

“Para que apareçam novos modelos de progresso, precisamos de «converter o modelo de desenvolvimento global», e isto implica refletir responsavelmente «sobre o sentido da economia e dos seus objetivos, para corrigir as suas disfunções e deturpações». Não é suficiente conciliar, a meio termo, o cuidado da natureza com o ganho financeiro, ou a preservação do meio ambiente com o progresso. Neste campo, os meios-termos são apenas um pequeno adiamento do colapso. Trata-se simplesmente de redefinir o progresso. Um desenvolvimento tecnológico e económico, que não deixa um mundo melhor e uma qualidade de vida integralmente superior, não se pode considerar progresso. Além disso, muitas vezes a qualidade real de vida das pessoas diminui – pela deterioração do ambiente, a baixa qualidade dos produtos alimentares ou o esgotamento de alguns recursos – no contexto dum crescimento da economia. Então, muitas vezes, o discurso do crescimento sustentável torna-se um diversivo e um meio de justificação que absorve valores do discurso ecologista dentro da lógica da finança e da tecnocracia, e a responsabilidade social e ambiental das empresas reduz-se, na maior parte dos casos, a uma série de ações de publicidade e imagem.”

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Terrorismo do Black Lives Matter em Avião


"Diga que Jesus era Negro, se não mato todos". Homem em avião da Alaska Airlines indo para Chicago ameaçou matar todo mundo caso os passageiros não admitissem que Cristo era negro. 

Ele foi contido por três passageiros e o avião fez pouso de emergência em Seattle, quando o homem foi preso. 

Leiam sobre isso clicando aqui.






domingo, 12 de julho de 2020

Francisco: Estou Profundamente Magoado em Relação a Santa Sofia.


O Papa Francisco fez um pequeno pronunciamento sobre a mudança da Igreja Santa Sofia de museu para mesquita pelo governo turco do ditador Recep Erdogan.

Ele disse:

"E o mar me leva um pouco mais longe com meu pensamento: a Istambul. Estou pensando em Santa Sofia e estou profundamente magoado".

Isso.  Foi isso. Ocorreu depois da reação das igrejas ortodoxas. 

Bem, há destruições de igrejas cristãs por toda a Europa e muito na China. Alem disso, Santa Sofia era um museu e não uma igreja. Erdogan poderia responder isso e mandar o papa cuidar da vida dele, como faz a China.

Em todo caso, vá lá, ele falou alguma coisa, mesmo sendo uma fala segura e apoiada por outras igrejas cristãs.  Não é uma fala corajosa, mas é  na direção correta. Faz ele ficar do lado das críticas dos ortodoxos. 



sábado, 11 de julho de 2020

Hagia Sophia, criada pela Igreja Católica em 360, volta a ser Mesquita


Constantino II mandou construir uma igreja católica de madeira no local no ano 360, depois o imperador Theodósio II construiu uma igreja de mármore em 415. Foi o imperador justiniano que finalmente construiu a igreja católica que temos basicamente até hoje no ano 537. Foi a maior igreja cristã por quase 1.000 anos.

A conquista muçulmana da cidade de Constantinopla em 1453 transformou a igreja em mesquita, pela primeira vez, cobrindo as imagens católicas da igreja.

Em 1935 o presidente da Turquia, fundador do país, Atamal Ataturk, transformou a mesquita em museu.

Isso acabou ontem, Erdogan voltou a transformar o local em mesquita. Mesmo tendo uma mesquita enorme na cidade, a Mesquita Azul

Hagia Sophia foi por mais de mil anos um monumento gigantesco à fé cristã, e era até ontem, a principal atração turística de Istambul. Hagia Sophia é patrimônio da UNESCO.

Mas os muçulmanos nunca aceitam esses fatos e saúdam o novo califa Erdogan que está no poder desde 2003.


Será que Francisco fará o mesmo?

Parece-me  que isso que ocorreu ontem é fruto do "diálogo" com muçulmanos que o Vaticano tanto prega hoje em dia.

Então talvez seja melhor perguntar: Será que Francisco fará uma saudação especial a Erdogan?



sexta-feira, 10 de julho de 2020

Virologista Chinesa Acusa Governo Chinês e OMS de Esconderem Covid. Ela Fugiu do País


Reportagem exclusiva da Fox News mostra virologista chinesa chamada Li-Meng Yan dizendo que governo da China escondeu a pandemia do coronavirus. Há um vídeo com a entrevista dela no site da Fox News no qual ela mostra até conversas por telefone com cientistas sobre o caso covid-19.

Yan afirmou que ela foi uma das primeiras cientistas do mundo a estudar o novo coronavírus. Disse que foi  solicitada por seu supervisor no laboratório de referência de sua Universidade, Dr. Leo Poon, em 2019 para analisar o estranho agrupamento de SARS-  na China continental no final de dezembro de 2019.

Yan trabalhava em Hong Kong. Ela afirmou que o governo da China se recusou a permitir que especialistas estrangeiros, incluindo os de Hong Kong, pesquisassem na China. Então, ela teve que pedir informações aos colegas amigos.

Um amigo, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças da China, tinha conhecimento em primeira mão dos casos. Yan falou que ele disse a ela em 31 de dezembro de 2019 sobre a transmissão homem-a-homem muito antes de a China ou a OMS admitir que essa disseminação era possível. .

Ela relatou algumas dessas descobertas iniciais de volta ao seu chefe. Mas ele apenas sim com a cabeça e disse-lhe para continuar trabalhando.

Em 14 de janeiro de 2020, a OMS divulgou uma declaração ainda dizendo que não havia evidências claras de que havia transmissão entre humanos.

Ela denunciou também a OMS e os cientistas que trabalham para a OMS por eles se sujeitarem ao governo chinês e silenciarem.

Yan fugiu da China, deixando todos os familiares para trás, porque sabe o que a China faz com quem denuncia.

Ela deixou até o marido dela. Disse que o marido apoiava as pesquisas que ela fazia, mas, com o risco de perseguição do governo chinês ele, ficou contra ela, dizendo que o governo da China iria matá-los. Então ela fugiu sozinha.

Disse que o governo chinês está fazendo ataques cibernéticos contra ela para desacreditá-la e para que ela se cale.

Yan alegou que fazia pesquisas com o vírus e que esta pesquisa podia ter salvado vidas.



quinta-feira, 9 de julho de 2020

Chesterton, Protestantismo e os Protestantes



Recentemente, eu li uma entrevista do padre Ian Boyd, publicada no site da Sociedade Chesterton Brasil. O padre Boyd é fundador e presidente do The G.K. Chesterton Institute for Faith & Culture.  Quando foi lhe perguntado sobre processo de canonização de Chesterton, o padre Boyd deu a seguinte resposta:

Estou realmente encantado pelo fato de a santidade de Chesterton estar sendo reconhecida de modo oficial. No entanto, tenho algumas restrições quanto ao esforço de reconhece-lo um santo. Ele sempre foi amado por Cristãos Protestantes, e certamente por pessoas que não possuem uma crença religiosa. Temo que dando a ele o título de “Santo Gilberto” podemos limitar este encanto.


Pareceu-me que Boyd não gostava muito da ideia de santificação de Chesterton, pois isso podia prejudicar e diminuir Chesterton para protestantes ou ateus.

Outro dia, eu fui convidado para uma entrevista pelo Dr. Ricardo Felício sobre geopolítica e teologia, que envolvia o Dr, Felício, eu, e o professor Syer Rodrigues. Na prévia da entrevista, Felício me disse que o professor Syer era presbiteriano e que queria ter o ponto de visão protestante sobre geopolítica. Eu respondi que isso era interessante. Expliquei que por vezes acho que o debate entre católicos pode envolver protestantes, quando se trata especialmente de questões mundanas, como era o caso. Mas que em alguns casos, quando o assunto era muito relacionado à doutrina católica, ficava complicado. 

O debate ocorreu muito bem. Até agora foi visto por mais de 18 mil pessoas (o debate pode ser assistido clicando aqui).

Quando eu estava preparando meu livro sobre Guerra Justa, o livro tinha inicialmente o título Teoria e Tradição da Guerra Justa Católica. Mas meu editor pediu para eu tirar o adjetivo "católica" para não inibir a audiência. Eu aceitei, apesar de o livro não tratar da visão protestante sobre guerra, pois nem mesmo sei se existe visão protestante sobre guerra que seja reconhecida por todo o bloco protestante. E entendi que era uma questão mundana e além disso todos os cientistas políticos que tratam de guerra reconhecem que a teoria da guerra justa tem raiz católica. O livro foi publicado então com o título Teoria e Tradição da Guerra Justa. 

Mas voltando para o caso Chesterton: devemos esconder o catolicismo dele de forma até a evitar a sua santificação com o intuito de não reduzir a audiência protestante ou ateia?

Eu acho que não, acho que não mesmo. Chesterton fez e faz um bem gigantesco à Igreja Católica e aos leigos católicos, os leva para o paraíso com humor e amor. Elevá-lo à santidade iria exaltar todo o amor que ele tinha pela Igreja, mesmo antes de se converter.

Chesterton foi "católico" mesmo quando era protestante. O primeiro livro que li de Chesterton foi o Ortodoxia e para mim era um livro católico, pois Chesterton exaltou por exemplo a idade Média, os mosteiros católicos e São Francisco de Assis no livro. Sem falar que Chesterton escreveu os livros do Padre Brwon antes de se converter. Eu não sabia que ele não era católico quando li o livro Ortodoxia de 1908. Ele só se converteu em 1922.


Golonka é polonês, doutor em filosofia pela Universidade de Cracóvia, trabalhou como vice-reitor do Instituto São Pio X de Paris até 2014. Sua tese de doutorado foi sobre a filosofia de Chesterton e foi publicada em francês em 2016 (iamgem abaixo)


O livro de Golonka sobre a visão do protestantismo de Chesterton foi estimulado pela decisão do papa Francisco de "celebrar" a Reforma Protestante em 2017, quando a reforma fez 500 anos.

Certa vez, eu assisti a um vídeo de Dale Alhquist, que é presidente da Sociedade Chesterton dos Estados Unidos, no qual ele estava falando sobre como Chesterton via a educação e a economia. Após relatar toda a desgraça de nosso momento educacional e econômico no mundo, que destrói a família e a religião, Alhquist disse que Chesterton achava que essa destruição teve origem seminal justamente na Reforma Protestante.

Então, mesmo depois de já ter lido a "autobiografia" de Chesterton (que não pode ser chamada de autobiografia da forma tradicional), eu me interessei muito pelo livro de Golonka.

E o livro cumpriu fielmente seu objetivo de mostrar o que Chesterton pensava sobre protestantismo.

Logo no início, Golonka descreve como a crença religiosa de Chesterton mudou durante a sua vida. 

Chesterton teve pais Anglicanos, foi batizado como Anglicano, depois ele se tornou Unitariano (crença que discorda da trindade cristã e vê Cristo não como Deus, mas apenas como inspirado por Deus), depois Chesterton, na juventude ainda, ficou meio ateu, modernista e agnóstico e até usou a tabuleiro Ouija (tabuleiro com nomes e números usado para sessões espirituais), em seguida, por influência de sua esposa, Chesterton se tornou Anglo-Católico (Anglicano da "alta Igreja" que procura se posicionar dentro da tradição católica). Chesterton se casou em 1901, só 21 anos depois ele se converteu ao catolicismo, sua esposa depois se converteu também.

Por que Chesterton demorou tanto para se converter ao catolicismo? O irmão dele que ele tanto amava se converteu 10 anos antes. Não tem como explicar isso, só Chesterton seria capaz, mas Golonka suspeita que o principal obstáculo foi o amor enorme que ele tinha pela esposa.

Mas como eu disse, tanto pelo seu viés "anglo-católico" como por seu pensamento ortodoxo, os escritos de Chesterton sempre me pareceram muito católicos, muito antes da conversão dele. Muitos que falam sobre isso lembram diversas passagens de Chesterton em seus livros e artigos anteriores a sua conversão.

Golonka descreve inúmeras passagens de livros de Chesterton no qual Chesterton fala sobre o protestantismo e sobre os protestantes, especialmente sobre Lutero, Calvino e John Knox, mas também representantes do puritanismo calvinista e um pouco sobre o metodista John Wesley. 

Em especial, Golonka destaca dois livros de Chesterton para ver a posição dele sobre o protestantismo: "The Thing: Why I am Catholic" (1929) e "The Well and the Shallows" (1935)

Chesterton considerava que uma heresia (erro teológico/filosófico) era pior que um crime físico, pelo caráter amplo e destruidor das almas que a heresia traz.

Chesterton disse que o "protestantismo representa o naufrágio da cristandade". Ele relacionou o protestantismo com a morte da alegria, com o espírito destruidor tanto do capitalismo como do comunismo, com a morte da família (protestantismo era ávido para trazer rigidez á soberania de Deus na vida das pessoas, mas era louco pela aprovação do divórcio e da contracepção),  com o pacifismo hippie, com o prussianismo militarista alemão e sua má influência na Inglaterra, com o desequilíbrio da fé e da razão, com perda da noção mística de que as ideias místicas estão conectadas e não podem andar separadas na salvação humana, com a destruição da ideia da divindade da criação do ser humano, com o fim da liga de nações que o catolicismo trazia, com a contradição em si, dado a permanente mutabilidade do protestantismo entre suas várias seitas que faz com que aceitem agnósticos e ateus. 

Chesterton parece desprezar o pensamento e mesmo a vida de Lutero, pois não se aprofunda na análise de luteranismo. Lutero, para Chesterton, é um bárbaro que é exatamente o oposto do que deve ser defendido para o que o ser humano seja. Chesterton foca sua artilharia mais especialmente em Calvino e no puritanismo que provém do calvinismo. Calvino foi a consequência lógica do erro de Lutero e aprofundou o erro ao ponto de abandonar parte da humanidade, os não eleitos. Chesterton disse que o calvinismo "é o mais anti-cristão dos sistemas cristãos". Chesterton chega a colocar o calvinismo e o islamismo lado a lado em suas análises, apesar de suas diferenças que ele também nota. Calvinismo trouxe a onipotência de Deus junto com a impotência do homem. O puritanismo calvinista merece ainda mais críticas de Chesterton.  Ele também reconhece que seitas que surgiram do calvinismo, como o metodismo, aliviaram a questão da predestinação, mas também aumentaram o erro do puritanismo. Hoje boa parte do protestantismo, mesmo de fonte calvinista, ao invés de falar que há alguns eleitos fala que todo mundo vai ser salvo.

Chesterton disse que as seitas protestantes melhoram à medida que são mais católicas. Um verdadeira união só é possível dentro do catolicismo, quando os protestantes voltarem para casa e pararem de "protestar". Chesterton reafirma que as críticas saudáveis que se fazia aos clérigos da Igreja Católica já eram feitas pelos santos da Igreja, não precisava protestar do lado de fora. O protestantismo foi um erro, os protestantes fazem "virtues gone mad" (virtudes enlouquecidas)

Vamos exaltar Chesterton como ele foi, sem esconder nada. Nem seus defeitos, nem suas qualidades. Nenhum santo foi um ser humano perfeito, só foram bem melhor que a gente.

Finalmente, não faz nenhum sentido, nem teológico, nem histórico, nem pastoral, para um católico, leigo ou clérigo, celebrar a Reforma Protestante. Para os católicos, em poucas palavras, ela atraiu muita gente para o Inferno e além de ter tido um impacto seminal gigantesco perverso na história da humanidade, como disse Chesterton.

Mas faz todo o sentido um católico exaltar o catolicismo de Chesterton.

Uma passagem de Chesterton que é muito comum de ser mostrada é a que vai abaixo e foi escrita por Chesterton muito antes dele se converter:

"Estou firmemente convencido de que a Reforma Protestante do século XVI foi tão próxima quanto qualquer coisa mortal pode chegar ao mal puro.
Mesmo as partes da Reforma que podem parecer plausíveis e iluminadas do ponto de vista puramente secular se tornaram podres e reacionárias, também do ponto de vista puramente secular.
Ao substituir o sacramento pela Bíblia, a Reforma criou uma casta pedante daqueles que sabiam ler, identificados supersticiosamente com aqueles que pensavam.
Ao destruir os monges, a Reforma tomou o serviço social dos pobres filantropos que escolheram negar a si mesmos e o deu aos ricos filantropos que escolheram se afirmar.
Pregando o individualismo, preservando a desigualdade, a Reforma produziu o capitalismo moderno.
A Reforma destruiu a única liga de nações que já teve uma chance. Produziu as piores guerras de nações que já existiram. Produziu a forma mais eficiente de protestantismo, que era a Prússia. E está produzindo a pior parte do paganismo, que é a escravidão"