segunda-feira, 7 de setembro de 2020

Se na Moeda Tivesse Imagem de Deus ( Cristo) ou Nossa Senhora?

Li hoje interessante artigo de Sean Macdowell, sobre aquela passagem em Mateus 22:16-22

"16.Enviaram seus discípulos com os herodianos, que lhe disseram: “Mestre, sabemos que és verdadeiro e ensinas o caminho de Deus em toda a verdade, sem te preocupares com ninguém, porque não olhas para a aparência dos homens. 17.Dize-nos, pois, o que te parece: É permitido ou não pagar o imposto a César?”. 18.Jesus, percebendo a sua malícia, respondeu: “Por que me tentais, hipócritas? 19.Mostrai-me a moeda com que se paga o imposto!”. Apresentaram-lhe um denário. 20.Perguntou Jesus: “De quem é esta imagem e esta inscrição?”. 21.“De César” – responderam-lhe. Disse-lhes então Jesus: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. 22.Esta resposta encheu-os de admiração e, deixando-o, retiraram-se."

Baseado em um livro chamado Politics for Christians, de Francis Beckwith (que parece muito bom), Macdowell pergunta caso a moeda tivesse a imagem de Deus. 

Humm...que interessante.  

Essa passagem da Bíblia é sempre lembrada para dizer que o cristianismo separa a religião da política, que não se deve inserir teologia no debate politico, para defender a posição ateia de Max Weber, para manter estado laico, e por aí vai.

Mas Cristo, antes de declarar  "Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”, Ele pediu para ver a moeda primeiro!

Fiquei pensando nisso também, porque além da política, muita gente quer afastar a economia ou finanças de aspectos religiosos, teológicos ou filosóficos. 

Escrevi um livro sobre ética para economia, tenho bastante experiência com "agentes de mercado. Em geral, qualquer debate ético sobre comportamento econômico/financeiro faz estes agentes silenciarem, saírem da mesa, e acharem que a pessoa que fala é um idiota inocente, que vai ficar pobre.

Chesterton disse que qualquer debate é um debate teológico. Ele tinha razão.

Onde vamos passar o asfalto? inclui um debate teológico.

Ao dizer isso, não estou dizendo que devemos ter líderes políticos religiosos, nem um estado teocrático, mas que devemos colocar Deus, em tudo, até no uso do dinheiro, público ou privado.


quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Cristo Morreu Por Todos ou Por Muitos?

Papa Francisco aprovou novo missal em italiano no qual se diz agora que "Jesus derramou seu sangue por todos". Anteriormente, se dizia: "Jesus derramou seu sangue por muitos".

Qual é o teologicamente mais correto?

Bom, na Bíblia, em latim, se diz em Mateus 26:28:  Hic est enim sanguis meus novi testamenti, qui pro multis effundetur in remissionem peccatorum"

 A Bíblia de Jerusalém (versão bíblica católica que tem bem mais cuidado com os termos usados) traduz essa passagem como:

"Pois isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado por muitos para remissão dos pecados. "

O evangelho de São Marcos 14:24 em latim diz: Et ait illis: Hic est sanguis meus novi testamenti, qui pro multis effundetur.

Traduzido na Bíblia de Jerusalém como: 

"E disse-lhes:"Isto é o meu sangue, o sangue da Aliança, que é derramado em favor de muitos.""

Em São Lucas, 22:19: Cristo diz: "Esse meu corpo...e meu sangue...que é dado por vós"

Assim, biblicamente, não parece haver nenhuma dúvida. Jesus derramou seu sangue por muitos ou por aqueles que O seguem.

Basicamente, a Bíblia afirma que Ele derramou seu sangue por muitos ou só de seus seguidores. Isso exclui alguns (ou mesmo outros muitos).

Mas como se dá essa exclusão?

Por que ocorre essa exclusão?

Boa parte dos seres humanos estariam condenados já ao nascerem ou só os que não conheceram Cristo ou que O rejeitaram? 

Se Ele excluir só aqueles do passado que não O conheceram já justificaria o "por muitos" sem problema. Estaria resolvido, imaginando que temporalmente todos depois Dele, foram ofertados com o corpo e o sangue de Cristo.

Pois deveríamos considerar os vivos e os mortos de hoje e de sempre. Muitos no passado e no presente não conheceram a Cristo, outros O rejeitaram. Ainda teremos a ressurreição do corpo no final dos tempos. 

É um assunto extremamente difícil, por conta das consequências das palavras de Cristo. Mas parece-me muito claro que não é "por todos".

É realmente um assombro a mudança aprovada por Francisco, no mínimo porque altera a própria Bíblia.

O texto do jornal inglês The Tablet diz que Bento XVI insistia que deve ser usado "por muitos".

Francisco querendo agradar (e salvar) o mundo, mas só Cristo salva.  Como Cristo salva, e quem Ele salva são um mistério intransponível para a mente humana.

Alguém, algum cardeal, vai reagir a esta mudança? Envolve diretamente a morte e ressurreição de Cristo, envolve a Eucaristia. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Charlie Hebdo Republica Charges de Maomé

 


Em janeiro de 2015, dois terroristas islâmicos, chamados Said e Cherif Kouachi, invadiram o escritório da revista satirira Charlie Hebdo em Paris e mataram 12 pessoas. incluindo cartoonistas. O ódio dos terroristas era porque a revista tinha publicado charges com a imagem de Maomé (as charges apareceram primeiro em um jornal dinamarquês chamado Jyllands-Posten)

No ataque a Charles Hebdo, os terroristas foram mortos, mas 14 cúmplices estão indo para julgamento agora em Paris (hummm....demorou muito heim? Lembra justiça brasileira).

Daí a revista resolveu republicar as charges. Com a frase: Tudo Isso, Por Isso

Diz a revista que sempre recebeu pedido para republicar as charges, mas que estaria esperando a hora certa. 

Hummm...acho que não é bem assim. Já teve gente que pediu demissão da revista dizendo que ela tinha se rebaixado ao jihadismo.

Mas vá lá. 

Geralmente se enquadra essa questão como defesa da liberdade de expressão.  Mas não existe liberdade nem de movimento no Islã.  Não existe livre arbitrio no Islã. E o Islã é politicamente totalitário.  Se não identificarem uma religião como inimiga estarão lutando contra um inimigo imaginário. 


segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Autor e Defensor da Guerra Justa e Devoto de Franz Jagerstatter. Pode Isso?


Os amigos do blog sabem que eu sou o autor do livro Teoria e Tradição da Guerra Justa: do Império Romano ao Estado Islâmico (editora Vide Editorial, 2016). No meu livro, eu explico, desde a Bíblia até os dias de hoje, como se pode defender a guerra sendo católico ou cristão, mostro quais são as condicionantes para se realizar um guerra justa, como foi elaborado desde Santo Agostinho.

No livro, em um rodapé, eu digo rapidamente quem foi Franz Jagerstatter, mártir que foi beatificado pela Igreja em 2007, na presença de sua esposa Franziska Jagerstatter, que morreu em 2013 aos 100 anos de idade.

Já falei aqui no blog sobre o filme "Uma Vida Oculta" que conta a história de Franz. Para se ter uma ideia, eu considero este filme o segundo melhor filme que vi em toda a minha vida. Só perde para Paixão de Cristo, de Mel Gibson. O filme é do diretor de cinema e filósofo Terence Malick. E é simplesmente espetacular. Vejam o trailer do filme clicando aqui, está atualmente disponível no NOW no Brasil.

Acabo de receber em casa o livro Franz Jagerstatter: Letters and Writings from Prison. (gostaria muito que o livro recebesse tradução para o português para que alcançasse os leitores brasileiros).

Em resumo, Jagerstatter foi uma austríaco, que morava em uma pequeníssima cidade na fronteira com a Alemanha, fazendeiro, casado e pai de três meninas, franciscano laico, que foi recrutado para o exército nazista, depois que a Alemanha de Hitler anexou a Áustria em 1938. Para participar do exército era preciso fazer juramento a Hitler. Jagerstatter alegou que isso era contra a fé dele, mesmo que o padre de sua paróquia e o bispo o aconselhasse a fazer o juramento. Ele foi até as últimas consequências negando fazer o juramento, mesmo que oferecessem a ele apenas o posto de enfermeiro no exército. Então, foi guilhotinado, aos 36 anos, em 9 de agosto de 1943, por conta disso.

Jagerstatter é assim um objetor de consciência da Segunda Guerra.

Não sei bem ao certo a profundidade da relação, mas me parece que movimentos pacifistas usam o nome de Jagerstatter. Não sei bem que tipo de movimentos pacifistas são esses.  Será que usam Jagerstatter como ambientalistas usam São Francisco de Assis ou como comunistas usam Chesterton? Ainda terei que pesquisar mais.

Mas seria Franz Jagerstatter uma opositor da Teoria da Guerra Justa de Santo Agostinho?

Eu diria que não há nenhum motivo para isso.

Vejamos. Quais são as condições para a guerra justa?

Primeiro, se há uma guerra justa, há um país que segue a guerra justa e outro que não. Dever-se-ia avaliar as condições. Claramente, o mundo fez guerra justa contra Hitler, mas Hitler não fez guerra justa contra o mundo. Assim, logo de cara, exigia-se que Jagerstatter estivesse do lado errado.

Condições da Guerra Justa:

1) É preciso a presença de autoridade reconhecida para se declarar guerra. 

Hitler foi eleito pelo povo da Alemanha (eu disse Alemanha e não Áustria), então ele tinha autoridade na Alemanha. A Áustria tinha eleito o grande líder católico Engelbert Dollfuss, que foi assassinado pelos nazistas (certamente, Jagerstatter foi influenciado por ele). Dollfuss era inimigo do nazismo com base na sua fé católica. É bom que se diga que a Alemanha, apesar de ser de maioria católica, é um país luterano na parte leste, e muito católica no sul do país, na fronteira com a Áustria. E a Áustria é um país católico. Na Alemanha da década de 30, como sempre ressalta o historiador Niall Ferguson, o maior opositor político de Hitler era o partido católico. Entre a população, Hitler tinha apoio maciço dos luteranos mas não dos católicos. Assim, a ação de Jagerstatter se insere neste contexto religioso. 

Hitler não tinha autoridade sobre Jagerstatter.

Não passou pelo primeiro crivo. Mas vamos para outras condições:

2) País foi ofendido (invadido ou roubado ou sofreu ataque). Não, a Alemanha não sofreu nenhum ataque que mereceu ela revidar. Pelo contrário, ela invadiu os países.

3) Motivo justo. Não, Hitler não tinha motivo justo para a guerra.

4) Proporcionalidade. Não, Hitler não tinha proporcionalidade em nada. Ele era pela guerra, guerra total. Guerra de aniquilação.

Assim, sou devoto de Jagestatter sem qualquer problema com a minha defesa da teoria da guerra justa.

Assistam ao belíssimo filme Uma Vida Oculta.

Beato Jagerstatter, rogai por nós. Estamos em guerra já, mundo se torna cada vez mais anticristão.

Desejo um dia visitar Sankt Radegund, a terra de Jagerstatter.


domingo, 30 de agosto de 2020

As Guilhotinas Estão Voltando! Reaviamos Vendée, Então.

 





Nas duas primeiras fotos, os manifestantes ensaiam a morte de Trump em uma guilhotina em frente à Casa Branca, na terceira foto, manifestantes em Portland ensaiam o uso da guilhotinha contra policiais em Portland, na última foto uma guilhotina é colocada na frente da casa de Jeff Bezos (presidente da Amazon).

Hummm... o demônio realmente não tem imaginação. Vimos o que foi que a Revolução Francesa nos deu, além da guilhotina: revolucionários desorientados, destruição cuitural, revolução política, ódio ao cristianismo autodestruição e, ao fim, um ditador que trouxe guerras.  Faz sentido, hoje, como na Revolução Francesa, pessoas desorientadas  buscam destruir "tudo que estar aí" e carregam ódio cristianismo como fundamento. 

Se é assim, se as guilhotinas estão voltando, como diz o site Creative Minority Report, então, nós cristãos devemos lembrar que a Revolução Francesa matou milhares de nós. 


E alguns cristãos também se levantaram contra a Revolução, em especial os cristãos de Vendée.

Devemos nos preparar para uma nova Guerra de Vendée.

Agora a guerra será bem pior e mais ampla contra os cristãos.  As armas são muito mais poderosas, os inimigos são bem piores (além dos falsos católicos e ateus, temos os muculmanos) e ainda temos um papa que fala em defender a "fraternidade humana", justamente a "religião" da Revolução Francesa. 

Por coincidência, ontem eu li que a proxima encíclica de Francisco será sobre fraternidade humana. Ele apoia inclusive a construção de um templo em nome disso, coisa que os revolucionários franceses também tentaram.

Pesquisem sobre a Guerra de Vendée (ou Guerra de Vendeia) de 1793-1799. Muitos historiados apontam que ocorreu um genocídio contra cristãos em Vendée. 

Há um filme sobre o assunto também, Assistam ao filme The War of the Vendée.

Vejam o que diz o site In the Vendee, por exemplo. Vou traduzir partes (tradução rápida, talvez tenha alguns problemas, mas acho que é possível entender):

A história das Guerras de Vendéia não foi escrita pelos vencedores, ela foi completamente apagada  da história francesa e, até recentemente negada pelo governo francês. Ainda não faz parte do currículo de história da escola, mas está bem documentada. Quando Solzhenitsyn abriu o Memorial Vendée oficial em Les Lucs-sur-Boulogne em 1993, o evento foi ignorado pelo governo central, bem como pela maioria da grande mídia francesa.

A guerra foi a primeira "guerra total" da história moderna, na qual homens, mulheres e crianças estiveram envolvidos. Foi também a primeira guerra moderna em que as tropas regulares foram repetidamente derrotadas por camponeses desarmados (sem armas de fogo). Foi um caso selvagem em que cada lado foi culpado de atrocidades. O nome da região naquela época era Bas-Poitou, e era uma região rural pobre. Além de camponeses, era habitada por aristocratas empobrecidos, pequenas burguesias e padres pobres; portanto, as desigualdades sociais eram menos marcadas aqui do que em qualquer outro lugar da França.

A revolução de 1789 foi inicialmente cheia de esperança, com um desejo genuíno de reforma, mesmo os ingleses a saudaram como um triunfo da razão sobre a superstição e o privilégio. Naquele verão, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão foi adotada pela nova Assembleia Nacional.

Quanto mais os jacobinos assumiam o controle de Paris, mais os eventos aumentavam. Nenhuma organização política ou estatal pode controlar as crenças religiosas de seu povo e da população da Vendée Militaire (o nome dado à área de resistência armada, ao sul do rio Loire). No entanto, controlar a fé foi exatamente o que o governo republicano tentou fazer, o que gerou um profundo ressentimento que cresceu ao longo dos anos.

Em 1790, o governo local foi abolido, seguido pelo que foi um golpe considerável para os católicos pobres, a votação em 12 de julho da Constituição Civil do Clero. Este era o controle estatal de sua igreja, com o confisco de sua propriedade, seus padres tradicionais foram proibidos e todas as ordens religiosas suprimidas. Em 1791, o juramento eclesiástico obrigou os sacerdotes a ficarem sob controle do Estado, em vez de controle episcopal. Aqueles que recusaram (e na Vendéia a maioria recusou) foram proscritos e substituídos por “padres” do estado. 1792 viu um aumento nos impostos e em janeiro de 1793 a execução do rei; então, a introdução do recrutamento em fevereiro causou grande oposição.

Embora tenha havido distúrbios esporádicos e levantes facilmente reprimidos desde 1792, a faísca final que acendeu esse ressentimento latente em uma guerra bárbara foi a proibição do culto público e o fechamento de todas as igrejas católicas em 3 de março de 1793. Isso não causou nenhum inconveniente para os nobres, que tinham suas próprias capelas privadas em suas casas (como em La Chabotterie), bem como seus padres pessoais. No entanto, sem acesso às igrejas, o católico devoto comum não poderia cumprir suas obrigações religiosas. Em resposta, as pessoas comuns da Vendée Militaire desafiaram o recrutamento. Paris ordenou que as tropas republicanas e os guardas nacionais fizessem o alistamento militar obrigatório.

Em 11 de março, soldados republicanos alojados em Machecoul foram massacrados. Naquele mesmo dia, o povo de St-Florent-le-Vieil transformou suas lâminas de foice horizontais em armas verticais muito eficazes e derrotou as tropas do governo, que eram apoiadas por canhões. Apesar de sofrer pesadas baixas, os moradores continuaram avançando, até que os nervos dos soldados quebraram, assim como suas fileiras, e eles fugiram. As guerras Vendée começaram.

Houve revoltas em muitas partes da França, mas elas duraram apenas algumas semanas. Apenas na Vendéia e na Bretanha houve uma insurreição prolongada, com os Chouans travando uma guerra predominantemente de guerrilha. Os Vendéens convidaram nobres locais com experiência militar para liderá-los e, embora alguns recusassem, outros concordaram de boa vontade.

Quando solicitado por seus homens locais para liderá-los, La Rochejaquelein, de 20 anos, disse as palavras imortais: “Eu me mostrarei digno. Se eu avançar, siga-me; se eu vacilar, me corte: se eu cair, me vingue.” O levante foi tão espontâneo e popular que em poucas semanas os rebeldes tinham quatro grandes exércitos, que conquistaram uma vitória após a outra.

Sua primeira grande batalha foi em 19 de março, quando uma coluna republicana de mais de 2.000 infantaria, 100 cavalaria e alguns canhões, marchando para reforçar Nantes, foi emboscada e derrotada por parte do Exército do Centro, em Pont-Charrault. Com esta vitória vieram milhares de mosquetes extremamente necessários, bem como munições, cavalos e canhões.


Em 20 de março, os quatro exércitos se uniram e se autodenominaram "O Grande Exército Católico da Vendéia", a palavra "Real" foi adicionada mais tarde. Cidades começaram a cair, primeiro Bressuire em 2 de maio, Fontenay em 25 de maio, e os rebeldes chegaram a Niort. No norte, Angers caiu em 18 de junho, e houve pânico em Paris.

Sete dias antes, os rebeldes elegeram o humilde Jacques Cathelineau de Le Pin-en-Mauges como seu comandante-chefe. Eles atacaram Nantes sem sucesso, mas no segundo dia de batalha Cathelineau foi mortalmente ferido. e d'Elbée tornou-se seu novo comandante-chefe.

Os guerreiros de Vendée, também conhecidos como "brancos" ou "bandidos", tinham o hábito de voltar para casa após uma batalha para cuidar de suas terras.

Em Waterloo, Napoleão tinha um total de 60.000 homens para lutar contra os regulares de Wellington. Em outubro de 1793, o governo republicano de Paris enviou um exército de 115.000 para lutar contra os rebeldes da Vendée Militaire, que eram apenas 60.000 soldados mal equipados e sem treinamento. Os insurgentes foram apoiados por 2.000 cavalaria irregular e alguns canhões; e aqueles com mosquetes eram melhores atiradores do que qualquer soldado da infantaria francês ou britânico da época.

A batalha foi fora de Cholet no dia 17 de outubro e durou o dia todo, a princípio os Vendéens estavam vencendo, mas à tarde, devido a erros táticos, foram forçados a deixar o campo. Não foi uma derrota, eles o fizeram em boa ordem. Infelizmente para os rebeldes, três de seus generais, d'Elbée, Bonchamps e Lescure foram gravemente feridos na batalha, os dois últimos mortalmente feridos.

Os rebeldes decidiram cruzar o Loire e seguir para um porto para aguardar a ajuda da Inglaterra. Esta viagem foi chamada de "La Virée de Galerne". d'Elbée foi levado para Noirmoutier para se recuperar dos ferimentos, e Henri La Rochejaquelein tornou-se o novo comandante-chefe do exército rebelde.

Os Vendéens e Chouans não conseguiram capturar Granville,  no momento em que voltavam para casa, as velas da frota inglesa apareceram, tarde demais, no horizonte. Enfraquecidos pela fome e disenteria, os Vendéens tiveram que lutar cada quilômetro da jornada de volta, constantemente perseguidos pela cavalaria do governo e atiradores certeiros. Apesar da situação difícil, La Rochejaquelein venceu três batalhas em sua jornada de volta para casa, mas eles não conseguiram cruzar novamente o Loire por causa da falta de barcos.

As tropas republicanas forçaram os rebeldes a voltar para o norte, para Le Mans, onde, gravemente enfraquecidos, em 12 de dezembro foram derrotados. Em 23 de dezembro, os remanescentes do Grande Exército Católico e Real foram aniquilados nas florestas e pântanos de Savenay. Mais de 2.000 rebeldes conseguiram escapar e encontrar o caminho de volta para casa, apenas para olhar com horror os resultados das 'douze colonnes infernales' do General Turreau.

Durante nove meses, a partir de janeiro de 1794, aquelas 'doze colunas do inferno' cruzaram a Vendée Militaire, muitas vezes revisitando os mesmos lugares. Suas ordens eram bastante simples e muito explícitas; "Não deixe ninguém nem nada vivo." Culturas e casas foram queimadas, e o departamento foi renomeado como "Vendée".

Em janeiro, um reinado de terror começou em Nantes e Angers, onde houve assassinato em massa por afogamento no Loire, por guilhotina e fuzilamento. O General Westermann (conhecido como 'O Açougueiro') se gabou na Convenção em Paris:

"... não há Vendéia. Ela pereceu, com suas mulheres e crianças, sob nossa espada da liberdade. Seguindo suas ordens, eu esmaguei as crianças sob os cascos de nossos cavalos e massacrei as mulheres - elas não suportarão mais filhos para aqueles bandidos. Não fiz um único prisioneiro. "
(o açougueiro, general Westermann)

Em 6 de janeiro de 1794, Maurice d'Elbee foi executado, e em 28 de janeiro La Rochejaquelein foi morto em combate, e Stofflet tornou-se seu último comandante-chefe.

Os Vendéens não foram dissuadidos e conduziram uma campanha de guerrilha tão eficaz que o regime de Paris finalmente pediu a paz.

Um tratado foi assinado em 17 de fevereiro de 1795, mas quebrado por François Charette (do lado de Vendéen) em 24 de junho. No dia seguinte a ajuda prometida da Inglaterra chegou a Quiberon e Pont-Aven, muito pouco e muito tarde, devido à prevaricação dos emigrantes aristocráticos franceses.

No ano seguinte, primeiro Stofflet, depois Charette foram executados, e a guerra acabou.

A liberdade religiosa ainda foi negada oficialmente, e então a guerra começou novamente em 15 de outubro de 1799. Aldeias e cidades republicanas foram tomadas, até mesmo Nantes caiu em 29 de outubro, mas os rebeldes eram muito fracos para mantê-la.

Em 9/10 de novembro, Napoleão Bonaparte tomou o poder em um golpe de estado. Ele tinha grande respeito pelo povo Vendée e chamava sua guerra de "le Combat des Géants" (combate dos gigantes). Ele entendeu perfeitamente que sua luta não era uma luta contra a revolução, mas uma luta pela preservação de sua liberdade e liberdade para sua religião.

Bonaparte imediatamente começou a conversar com o líder religioso de Vendéen, Abbé Bernier (futuro bispo de Orleans), e começou a restaurar as relações com a Igreja Católica. Em dezembro, todos os direitos de culto foram restaurados para a igreja, não apenas na Vendéia, mas em toda a França, e os sinos da igreja tocaram novamente.

A Concordata assinada em 15 de julho de 1801 entre Napoleão Bonaparte e o Papa oficializou esses direitos. Na Concordata, o governo francês reconheceu "o catolicismo como a religião da grande maioria dos franceses". No final, os Vendéens conquistaram o direito de praticar sua fé.

Bonaparte também os isentou do recrutamento, deu-lhes indenização total e ajudou na reconstrução do departamento. Para facilitar a supervisão desta região, a capital foi transferida de Fontenay para a então pequena vila de La Roch-sur-Yon.

Duas outras tentativas foram feitas para reacender as guerras, em 1815 e 1832. No entanto, nenhuma delas teve validade, foram mal concebidas e malsucedidas, com pouco apoio da Vendéia.

Hoje, tanto a direita quanto a esquerda da política francesa consideram as Guerras da Vendéia problemáticas. A ideia de que qualquer fé religiosa pode ser importante para a vida das pessoas é um anátema para os ateus e comunistas de esquerda, que consideram o alistamento obrigatório a causa e os chamam de guerras civis. A direita, por outro lado, vê a execução do rei, e um desejo pela restauração da monarquia, então se referem às guerras como guerras contra-revolucionárias. Nenhum deles reconhece o fato bem documentado de que as Guerras da Vendéia foram travadas por uma fé cristã pela liberdade religiosa.

No crepúsculo do Antigo Regime pré-revolucionário, questões sobre o que significava ser católico e por que a Igreja era importante, muitas vezes estiveram no centro da maioria dos debates políticos na França. No entanto, a combinação da Constituição Civil do Clero, a execução do rei e a introdução do recrutamento não teria sido suficiente para desencadear uma revolta popular.  Os efeitos da implementação do Juramento Eclesiástico, e a partir de 3 de março de 1793, o fechamento de igrejas, combinado com a proibição do culto público, foram as faíscas que iniciaram as Guerras Vendée.

Em 19 de julho de 1793, o conselho de governo dos rebeldes emitiu um decreto com a intenção de que: "Desejosos, tanto quanto podemos, de restabelecer a religião católica e permitir que ela volte a florescer."


sábado, 29 de agosto de 2020

Trump Termina com Ave Maria


Ave Maria cantada na Casa Branca para o presidente de um pais rico, evangélico, anglo-saxão e feito para fechar uma convenção  politica?


Pequenas grandes vitórias no mundo que devemos celebrar. 

Isso é demais. Não consigo imaginar nem em países católicos hoje em dia, como Itália. 

Brasil? Muito menos. Nosso catolicismo é raso demais, nos políticos é ausente.

Sensacional. 

Salve Maria!!!!

Orai por nós.


sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Dr. Miguel Nagib em Outra Luta


No vídeo acima, feito no dia 18 de junho deste ano, Dr. Miguel Nagib, criador e ex-líder do programa "Escola sem Partido" contesta de forma clara o ex-ministro Abraham Weintraub que dizia que não precisava mais do "Escola Sem Partido". Pois, se vocês não sabem (quase ninguém sabe, nem estudantes, professores e pais sabem), Weintraub lançou um programa chamado "Escola de Todos", no qual os alunos, supostamente cientes de seus direitos, conseguiriam evitar a doutrinação nas escolas.

Quando eu assisti a este vídeo de Nagib, eu o lembrei que ele poderia ter usado os 10 Mandamentos para contra-argumentar Weintraub. Pois os 10 mandamentos são basicamente mandamentos "negativos": não faça isso, não faça aquilo. Deus não disse que as pessoas têm direito às suas posses, Ele disse "Nao roubais". Ele não disse que as pessoas têm direito a ter um Deus, ele disse "Não terás outro deus senão a Mim". Nada mais claro que um mandamento negativo, nada mais nebuloso que um mandamento positivo, de direitos.

Recentemente, meu caríssimo amigo, Dr. Miguel Nagib, que me deu a honra de escrever o prefácio de meu livro "Contos sobre Escola Moderna e Alunos Cristãos", abandonou  a sua luta diária de anos do programa "Escola sem Partido". Ele vai se dedicar a escrever um livro sobre esses anos de luta pela verdadeira educação. É outra luta, escrever um livro, e expor tudo que enfrentou e conquistou.

Quando  o programa "Escola sem Partido" parecia ter mais chance de prosperar, pois o então candidato Bolsonaro o defendia a plenos pulmões, ele foi sumariamente abandonado por Bolsonaro quando este chegou a poder. Mesmo sabendo que a esquerda tinha identificado o "Escola sem Partido" como principal inimigo.

Dr. Miguel Nagib teve ainda que ver Weintraub ridicularmente dizer que já tinha resolvido o problema da doutrinação escolar com o tal "Escola de Todos", fora ter de ver o silêncio do governo a todos os ataques ao "Escola sem Partido"  vindos do STF.

No vídeo abaixo, Miguel explica para a Rádio Guaíba, por que deixou a liderança do "Escola S?sem Partido"



Como disse um amigo em comum que tenho com Dr. Nagib: "Não vejo a saída do Dr. Nagib como um recuo do program, mas sim um gesto de denúncia para que a luta continue".

Exato. 

O atual governo (e deputados ditos conservadores) silencia e mesmo age contra o "Escola sem Partido", enquanto os progressistas no STF e Congresso avançam.

Já passou da hora dos políticos conservadores mostrarem que realmente são conservadores.

Infelizmente, Bolsonaro tem sido o "coveiro" (termo usado também por este mesmo amigo) das pautas conservadores. Ele tem silenciado ou agido contra toda a pauta, seja pró-vida, contra ditadura chinesa, ou anti-corrupção (não acrescento as questões de liberalismo como privatizações e controle fiscal, pois tenho dificuldade de entender isso como pauta conservadora, mas ele também está abandonando também o liberalismo econômico)

(Só para lembrar: as opiniões aqui são minhas, não representam o que pensa Dr. Nagib, nem as de nosso amigo em comum que eu deixei anônimo).




Vídeo: Minha Apresentação sobre Fintechs para ABDE, BID e CVM


Caríssimos, esta manhã eu fui entrevistado sobre meu artigo "Sandboxes para Fintechs: Riscos Associados e Caminhos para Soluções" que vai ser publicado pela Revista da ABDE (Associação Brasileira de Desenvolvimento).

Minha entrevista começa por volta 1h e 4 minutos (perdeu um pouquinho de comunicação durante minha entrevista mas dá para entender).

Espero que gostem.