segunda-feira, 14 de março de 2022

Por Que Putin Invadiu Ucrânia? 8 Teorias.


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, dias antes da Rússia invadir o país dele, fazia piadas disso, e desacreditava as informações ocidentais de que Putin iria tentar uma ação militar contra a Ucrânia.

Realmente foram falas estúpidas do presidente da Ucrânia, que não conseguia largar seu passado como comediante. Mas realmente apesar de obviamente armar completamente o ataque contra a Ucrânia diante das lentes dos satélites do mundo, fica difícil até hoje explicar por que Putin invadiu a Ucrânia.

O site Gatestone Institute mostrou as 8 teorias que são apresentadas hoje em dia.

Aqui vão as 8 teorias para explicar a invasão de Putin sobre a Ucrânia:

1) Construção do Império Russo; 

2)  Manter zona geopolítica de distância dos inimigos ocidentais; 

3) Evitar a independência da Ucrânia (a Ucrânia foi parte da Rússia tanto na época dos czars como na época da USSR);

4) Evitar que a Ucrânia entrasse na OTAN;

5) Evitar que a democracia na Ucrânia influenciasse o povo russo  e ameaçasse a ditadura de Putin;

6) Evitar que a Ucrânia concorresse com a Rússia na venda de gás para a Europa (a Ucrânia tem a segunda maior reserva de gás do mundo só perde para a Rússia);

7) Evitar que a Ucrânia controlasse o acesso a água da península da Crimeia dominada pela Rússia desde 2014 (85% da água da Crimeia vem da Ucrânia);

8) Fazer Putin se manter no poder. Uma guerra contra a Ucrânia ajudaria Putin politicamente dentro da Rússia e avisaria aos outros países vizinhos que não tentem se afastar do controle de Putin.

Na minha opinião, as falas de Putin vão muito na linha das teorias 3 e 4. Mesmo porque ele não abriria o jogo se seguisse as outras teorias. Mas creio que além das teorias 3 e 4, as mais fortes são a 1 (Putin não deve estar gostando de ver a China se levantar como o grande inimigo do Ocidente, substituindo a Rússia. E a vizinha China está ficando muito poderosa) e a 6. 

Eu ficaria na ordem de importância com a 1, 4, 6 e 3.

Finalmente cabe dizer que nenhuma dessas teorias traz justificativa justa para a invasão. 

O texto do Gatestone Institute é muito bom, pois mostra vários analistas defendendo uma teoria ou outra. Cliquem aqui e acessem todo o texto.


sexta-feira, 11 de março de 2022

Bitcoin Facilitando a Guerra



Temos uma guerra, terrível momento. Mas em termos de criptomoeda é uma excelente momento para avaliá-las.

Eu já tentei fazer um curso sobre crime cibernético com delegados civis do Brasil só para saber o comportamento do Bitcoin, que obviamente facilita fraudes pelo seu caráter anônimo. Mas o professor era muito ruim, e o curso foi tremenda perda de tempo.

Comecei então a estudar Bitcoin sozinho e no momento preparo um artigo que foi aceito para ser apresentado na Hungria em junho (se o Putin deixar).

Entre as minhas leituras técnicas, vi que Eric Sammons, um renomado católico escreveu um livro sobre Bitcoin, chamado Bitcoin Basics. Comprei o livro e a decepção foi gigante pela fragilidade de conhecimento em finanças e até por desconsiderar princípios católicos como subsidariedade (meu artigo da Hungria tratará sobre isso).

Lá pelo meio do livro, Sammons diz que Bitcoin é bom pois inibe que governos façam guerras pois eles não têm controle da moeda. 

Um tremendo erro provado em cores vivas pela Guerra da Ucrânia.

Uma das grandes razões de que sanções financeiras contra Rússia não dão certo é justamente porque existe o Bitcoin (além da China e Índia que não apoiam as sanções).


Russos saíram comprando muitos bitcoins com a guerra para evitar sanções. O preço do Bitcoin caiu hoje porque russos sem acesso ao mercado internacional de moeda normal agora querem desfazer dos seus bitcoins no mercado financeiro dos Emirados Árabes, em troca de moeda ou em troca de bens imóveis.

By the way, eu tentei entrar em contato com Eric Sammons para conversar sobre Bitcoin, mas ele não me respondeu. Em geral, professores brasileiros se acham demais e dificilmente respondem a emails ou contatos. Mas eu tenho um ótimo histórico com professores renomados no exterior, eles costumam me responder. Fiquei decepcionado com Sammons, por enquanto. Talvez, suponho, ele tenha feito o livro sob demanda e não queria se comprometer com o que escreveu lá. Não sei.



quinta-feira, 10 de março de 2022

Teoria da Guerra Justa e a Guerra da Ucrânia


Eu não estava com muito estímulo para discutir como a Guerra da Ucrânia se encaixa na teoria da guerra justa, assunto que tratei no meu livro mais conhecido, Teoria e Tradição da Guerra Justa (editora Vide Editorial) dado a estupidez generalizada que envolve o conflto. Mas hoje eu vi que o grande filósofo católico Edward Feser resolveu escrever justamente sobre a teoria diante da Guerra da Ucrânia no seu blog.

Fiquei estimulado porque infelizmente discordei muito dos argumentos de Feser.

Discordei de quase todos os argumentos, mas concordei com a conclusão, mesmo porque a conclusão não é assim tão difícil diante dos envolvidos no conflito.

O erro central de Feser foi usar as condições da Teoria da Guerra Justa usada pelo Catecismo da Igreja Católica.

Todos os católicos deveriam saber que o Catecismo deve ser lido e conhecido pelos católicos, mas o catecismo não traz nenhuma doutrina nova, nem eleva a dogma aquilo que não é dogma.  A Teoria da Guerra Justa não é dogma. As coisas que o Catecismo traz pode sim conter erros em relação ao magistério tradicional na Igreja e em relação aos maiores doutores da Igreja.

Esse último caso é o caso da Teoria da Guerra Justa no Catecismo: as condições para a guerra justa que traz o Catecismo não seriam aceitas na sua totalidade nem por Santo Agostinho, pai da teoria, nem por São Tomás de Aquino, especial a condição "elevada chance de sucesso na guerra".

Como Feser usa o Catecismo e aceita que a perspectiva de "elevada chance de sucesso na guerra" é uma condição para a teoria, ele comete erros e deixar de debater assuntos importantes.

Veja se os Cruzados levassem em conta "sérias chance de sucesso", nós não estaríamos, por exemplo, no Brasil, nem a Alemanha seria a Alemanha como ela é conhecida hoje (Portugal deve sua existência aos Cruzados e a Alemanha deve seu território aos Cruzados). Se os franceses e ingleses tivessem levado em consideração a chance de sucesso, a Alemanha teria vencido a Primeira Guerra. Se Cervantes tivesse levado a sério a chance de sucesso não teria ido participar da Batalha de Lepanto, guerra que os cristãos afastaram os muçulmanos mas que tinha muita pouca chance de sucesso.

Se vocês quiserem ler os argumentos de Feser, cliquem aqui. Agora, vou fazer a minha análise.

As condições para se realizar uma guerra, segundo a Teoria da Guerra Justa, aceitas por séculos e séculos e adotadas deste Santo Agostinho são:

1. Deve haver autoridade legítima para declarar guerra;

2. Deve haver uma justa causa;

3. Deve haver justa intenção na guerra;

4. Proporcionalidade, as autoridades deve equilibrar a justiça que pretendem realizar com a guerra com os prejuízos em vida e materiais que a guerra sempre traz.

Diante dessas 4 condições, como se pode analisar a Guerra da Ucrânia?

Primeiro, do lado da Rússia. Claramente a Rússia não faz guerra justa, cumpriu a primeira condição mesmo sendo Putin um ditador, mas não tem nenhuma das outras três condições. Rússia não está do lado ético do conflito.

Do lado da Ucrânia, se fossemos usar a condição de "chance de sucesso" do Catecismo a guerra já tinha acabado, pois em termos estritamente militares, a Ucrânia não tem a menor chance de vitória.. A Ucrânia está do lado ético, tem autoridade legítima, tem causa justa, tem intenção justa e a quarta condição é sofrível para a Ucrânia pela fraqueza militar do país. Onde está o erro da Ucrânia? O presidente da Ucrânia errou muito antes do início do conflito, brincou com a situação e desprezou os alertas. Agora o mundo aplaude o presidente da Ucrânia, que tenta surfar na onda, pois Putin perdeu totalmente a guerra da propaganda.

Do lado da Otan, deve a Otan se meter no conflito?  Essa é a questão mais difícil. Bom, a Rússia é um país com armas nucleares. Para se enfrentar um país assim deve-se ter muito cuidado, pois todo o planeta está em risco. Feser se pergunta: e se a Rússia usar armas nucleares contra a Ucrânia? Seria um crime hediondo, mas a Otan teria que revidar? 

A resposta de Feser é dizer que se a Rússia usar armas nucleares sozinha ela certamente vai sair vitoriosa. Mas que se o Ocidente revidar, a guerra pode ser total no mundo e podemos ter uma situação que ninguém sai vitorioso.

Depois disso, Feser não soube mais o que dizer. E ficou tratando do aspecto político interno dentro dos EUA.

Eu continuo o debate.

Pois é, a posse de armas de nucleares é central para se analisar a Rússia e a reação contra este país. Quem tem armas nucleares sabe disso e não vai abandonar essas armas. O que fazer? Devemos deixar a Rússia sair vitoriosa em nome da sobrevivência do mundo e uma "paz injusta"? A resposta é não para Santo Agostinho. 

Claro, ele não conheceu as armas nucleares. Mas se você tentar reajustar a teoria da guerra justa para que ela dependa do tipo de arma, iremos abandonar o sustentáculo da teoria da guerra justa, qual seja, a justiça.

A Otan deve estabelecer uma zona "no fly" contra a Rússia? Não, um conflito restrito a Ucrânia não é razão suficiente para promover uma guerra nuclear.

O que o Ocidente pode fazer para a Ucrânia? Nós estamos nessa situação por causa de inúmeros erros da Ocidente na relação com a Rússia desde há muito tempo. E também erros da Rússia e da Ucrânia.

O que o Ocidente deve fazer agora? Sanções econômicas têm pouco efeito, não possuem aceitação de países importantes como a China e há maneiras de se escapar. Guerra de propaganda ajuda a guerra contra a Rússia, mas muitas vezes é fundamentada em mentiras. Fornecer armas para a Ucrânia? Isso é meio estupidez, pois além de incitar a guerra nuclear, deve encontrar uma situação desesperadora no exército ucraniano e terá pouco impacto.

Um coisa certamente o Ocidente deve aprender com a guerra. Deve se afastar e mesmo tentar eliminar os laços econômicos com todos os países antiocidentais, como a Rússia, a China e os países islâmicos. Esses laços econômicos podem derrotar o Ocidente antes da guerra. O fim desses laços terá consequências no bem-estar do Ocidente certamente, afinal vivemos cercados de produtos chineses.

Outra coisa, o Ocidente deve se preparar para qualquer guerra, mesmo nuclear e mostrar isso claramente a Rússia. 

Além disso é basicamente rezar para que o conflito logo se resolva, e que a Rússia não obrigue o Ocidente a usar armas nucleares em nome da justiça.

 

terça-feira, 8 de março de 2022

A Condenação do Amigo de Francisco, Bispo Zanchetta, Por Abuso Sexual

O bispo argentino Gustavo Zanchetta (foto acima com Francisco) foi condenado a quatro anos e seis meses de prisão na sexta-feira passada, depois de ter sido considerado culpado de abuso sexual contra dois ex-seminaristas adultos.  

Quem é o bispo Zanchetta? Em poucas palavras, um protegido do papa Francisco, considerado "filho espiritual" de Francisco pelos argentinos. 

Já falamos aqui no blog deste bispo algumas vezes. 

Nomear Gustavo Zuchetta como bispo foi uma das primeiras coisas que Francisco fez, logo em 2013, assim que virou papa. Francisco depois lhe deu emprego em Roma mesmo depois das acusações de abuso sexual e ainda lhe deu moradia no mesmo prédio que o papa mora.

O site católico The Pillar fez um bom histórico. Vejamos:

"Apenas dois anos antes de Francisco ser eleito papa, Francisco terminou um período de seis anos como presidente da Conferência dos Bispos da Argentina. 

Na Conferência, Francisco trabalhou muitas vezes com o executivo o Padre Gustavo Zanchetta. 

É óbvio que Francis e Zanchetta desenvolveram uma amizade. Os sacerdotes na Argentina dizem que Zanchetta se tornou um filho espiritual para o futuro papa. 

E Francisco nomeou Zanchetta como bispo apenas meses depois de ele ter sido eleito para o papado.

Quando o Papa Francisco se reuniu com o Bispo Gustavo Zanchetta em 2015, foi para discutir alegações de que o bispo tinha pornografia em seu telefone: imagens sexualmente explícitas de jovens, e de si mesmo.

 Zanchetta disse ao papa que as fotos eram falsas. Seu telefone havia sido hackeado, aparentemente por pessoas que queriam danificar a reputação do papa.

 Francisco acreditou nele e enviou Zanchetta de volta para casa, para Oran, sua diocese na Argentina. 

Em 2016, os funcionários da diocese de Oran relataram que Zanchetta geriu mal as finanças da diocese e abusou sexualmente de seminaristas  - aparentemente sentando nas camas de seminaristas enquanto dormiam, dando-lhes abraços persistentes e massagens indesejadas durante o dia, bebendo bebidas alcoólicas com eles, e exigindo que os alunos do primeiro ano se encontrem para classes introdutórias na casa dele. 

O bispo foi novamente convocado a Roma, e em 2017 renunciou a partir de sua posição diocesana, citando "razões de saúde". 

Alguns meses depois, tendo enviado para a Espanha para a avaliação psiquiátrica, o Papa Francisco deu a Zanchetta um cargo no Vaticano, uma posição no APSA que faz gerenciamento financeiro  do Vaticano.

 Zanchetta estava trabalhando lá quando os meios de comunicação na Argentina começaram a relatar alegações de agressão sexual contra ele. 

No início de 2019, o Vaticano disse que recebeu alegações de abuso contra Zanchetta alguns meses antes, e o CDF iniciou uma investigação canônica. 

Esse anúncio veio depois que os jornais argentinos relataram que Zanchetta assediava e abusava de seminaristas.

 Zanchetta, com faculdades sacerdotais completas, saiu de uma licença de seu trabalho, embora ele participasse de um refúgio de funcionários do Vaticano naquele ano. Ele retornou ao seu trabalho em questão de meses, apesar das acusações criminais na Argentina. 

Ele viveu no Domus Sanctae Marthae, o hotel onde o Papa Francis reside. 

Não houve clareza sobre a investigação canônica, ou um alegado processo penal canônico ao qual o Papa Francisco aludiu, mas nunca formalmente anunciado. 

E então na semana passada, Zanchetta foi condenado em um tribunal argentino por abuso sexual e condenado a mais de quatro anos de prisão. 

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Cabe dizer ainda que o Vaticano não colaborou com a justiça da Argentina . Não entregou nenhum dos seus arquivos ao promotor. 

O Vaticano também nunca laicizou Zanchetta. 



segunda-feira, 7 de março de 2022

Os Erros Militares Gigantescos dos EUA e a Invasão da Ucrânia

 


O renomado e respeitado católico Christopher Ferrara fez um texto extenso sobre a invasão da Ucrânia da Rússia a partir dos enormes erros históricos militares dos EUA nas guerras do Iraque, do Afeganistão, da Sérvia e da Líbia. 

Vale muito a pena ler o texto, que traz muita informação, muita fonte de debate e sempre traz o pano de fundo do desprezo ao cristianismo dentro do Ocidente.

Não concordo inteiramente com o artigo. O artigo tem um ponto de vista muito anti-americano olhando apenas para os EUA, desprezando os erros dos outros países, como se apenas as ações dos EUA interessasem. Acho que não é difícil para um historiador militar ver vários problemas específicos no artigo. Mas de toda forma é um texto sensacional em muitos aspectos cuja conclusões serão aceitas por ótimos analistas e historiadores militares.

Ferrara não defende a Rússia, nem Putin, mas diz em resumo:

1) a invasão da Ucrânia não é nada frente aos crimes militares cometidos pelos EUA e seus parceiros nas guerras do Iraque, do Afeganistão ou da Líbia.

2) Trump foi o único que desfez a relação corrupta entre políticos e guerra nos EUA. 

3) Políticos americanos de ambos os partidos alimentam guerras sem sentido e provocaram milhões de mortes e facilitaram o avanço de muçulmanos no Ocidente enquanto eliminam populações cristãs no Oriente;

4) A Ucrânia é um país corrupto, mais corrupto que a Rússia e cujo presidente Zekensky foi um comediante afeto a comédias apelativas de baixíssimo nivel e apelo sexual. Zekensky mandou fechar imprensa opositora e prendeu dissidentes.  Não é um Churchill. 

5) A Ucrânia tem apoiado a ideologia de gênero da ONU;

6) Desde Clinton, a Rússia só se tornou inimiga na midia dos EUA depois da eleição de Trump. Tanto os Clinton, como Bush e Obama se aproximaram de Putin e a mídia achou lindo. Obama e Hillary Clinton fizeram o tal "reset" com a Rússia, deram apoio a Putin e proibiram venda de armas para Ucrânia e a mídia achou lindo;

7) Trump foi acusado falsamente de ser amigo de Putin mesmo quando fez justamente o contrário: forneceu armas para Ucrânia;

8) Família Biden tem relações corruptas com a Ucrânia e também com a China;

9) Enquanto fala mal do Putin agora, Biden financia a a invasão pela Rússia comprando petróleo e gás russos, ao mesmo tempo inibe e mesmo proíbe os investimentos na área de energia do próprio país. Compra que os países europeus fazem há muito tempo e continuam fazendo durante a invasão da Rússia na Ucrânia, alimentando o inimigo (aliás hoje li que a Alemanha diz que vai continuar comprando gás russo, mesmo fazendo campanha diplomática contra a Rússia. Hipocrisia);

10) Ao fim, Ferrarra pede ajuda de Deus a Ucrânia e pede intervenção de Nossa Senhora de Fátima, que disse que a Rússia iria espalhar os erros dela pelo mundo.

O resumo não demonstra a profundidade e amplitude de análise do texto de Ferrara. Leiam todo clicando aqui.


sexta-feira, 4 de março de 2022

China é outro Brinquedo. PIB chinês é 10 vezes PIB Russo.

O que fez e faz basicamente o Ocidente para combater a Rússia, durante a invasão da Ucrânia?  Basicamente pratica sanções econômicas, persegue o esporte russo e mesmo personalidades russas, por vezes até condenando pessoas conhecidas pelo simples fato de serem russas.

A maior arma são as sanções econômicas. Mas isso funciona? A curtíssimo prazo pode ser, mas no mundo do Bitcoin até os efeitos de curtíssimo prazo podem ser insignificantes.  As empresas e pessoas russas podem recorrer ao Bitcoin e usar  os recursos da Internet (para se tornarem ainda mais anônimas) para realizar suas transações internacionais. 

Ontem, o mundo viu que a Rússia pode recorrer a China.  A Reuters relatou que as empresas russas estão abrindo contas em bancos chineses com agências na Rússia.  Os bancos chineses evitam responder as perguntas sobre como anda esse processo, mas se sabe que são centenas de empresas russas. A China não está cooperando com as sanções econômicas contra a Rússia, e assim apoia a Rússia economicamente.

Esse efeito das sanções ocidentais certamente vai fortalecer a China ainda mais. 

Não há comparação possível em termos econômicos entre Rússia e China. 

O PIB russo é semelhante ao do Brasil, costuma ser um pouco menor, por volta US$ 1,6 trilhão de dólares.  A China tem o segundo maior PIB do mundo (US$ 16 trilhões). 

O PIB da China vale 10 vezes o PIB russo. 

Inúmeros países do mundo, incluindo países ricos do Ocidente, dependem muito economicamente da China. 

O Brasil, por exemplo, depende da China para comprar e para vender. China é nosso maior parceiro, tanto em exportações, como em importações. Até países tradicionalmente inimigos da China, como o Japão, são dependentes das importações chinesas.

Que países estariam dispostos a praticar sanções econômicas contra a China?

Sem falar que obviamente a China assiste de camarote a guerra na Ucrânia e as reações ocidentais para se preparar ainda mais. E a China tem armas nucleares também, assim como a Rússia e os EUA. 

Mesmo com PIB crescendo menos, a China é a maior ameaça ao Ocidente de longe, por culpa justamente do Ocidente que financia a China há décadas. 

Inclusive Biden e sua família possuem negócios com a China.  Até deputados e senadores republicanos estão nas mãos chinesas. E os EUA sofrem espionagem chinesa desde as universidades até dentro da Casa Branca. 

Se a Rússia é uma ditadura, China é um ditadura muito mais abrangente e implacável contra a própria população chinesa.

O mundo ocidental fraco e estúpido há décadas financia há muito tempo seus piores inimigos.

O Ocidente vai espernear, mas não vai atacar militarmente a Rússia. Se a China quiser dominar Taiwan, Vietnã e mesmo invadir a Austrália, o que o Ocidente fará? 


quinta-feira, 3 de março de 2022

Sociedade de Católicos Cientistas

Descobri hoje um site fantástico. É o site da Society of Catholic Scientists (SCS). Há muita informação sobre cientistas católicos do presente e do passado. Há também muitos vídeos interessantíssimos das conferências que eles costumam fazer, como o vídeo acima do Dr. Christopher Baglow sobre a existência de ETs e a fé católica.

Acessem o site da Sociedade e aprendam muita coisa.

Submeti minha participação na Sociedade, é bem interessante.



quarta-feira, 2 de março de 2022

A Posição Isolada de Francisco na Guerra da Ucrânia


Li texto excelente do padre Raymond de Souza, publicado no National Catholic Register, sobre como Francisco tem se posicionado frente a invasão russa da Ucrânia. Em resumo, aqui vão os pontos do padre de Souza

1) Francisco quer se manter confiável para Putin e para a Igreja Ortodoxa Russa e seu patriarca Kirill, em nome de seu ecumenismo. Francisco nunca condenou a Rússia quando esta invadiu e dominou partes da Ucrânia desde 2014. Francisco já chegou a assinar acordo com Kirill que prejudicou até os católicos da Ucrânia. Assim, ucranianos, ortodoxos ou católicos, não confiam ou têm indiferença frente a Francisco;

2) Mas as patriarcas das igrejas ortodoxas da Ucrânia e Constantinopla já se apresentaram contra a invasão, condenando veemente a Rússia. A Igreja Ortodoxa da Ucrânia não se vê dependente de Moscou como quer Kirill e Putin;

3) Estranhamente, Francisco visitou a Embaixada da Rússia em Roma no começo do conflito. Muitos se perguntaram o porquê? O padre responde usando o especialista católico George Weigel que disse que Francisco foi na embaixada russa pois assim pôde se comunicar diretamente com Putin, que não atende telefone que ele não confie. A posição de Francisco para Putin foi de apaziguamento que ao final se submete a Putin;

4) Dado que as igrejas ortodoxas fora da Rússia se mostram contra a invasão russa, Francisco está ficando isolado, tanto politicamente como em termos religiosos, isso pode acabar detonando até sua agenda de ecumenismo;

5) Sentindo isso, padre Raymond diz que o Vaticano por meio do cardeal Parolin já começa a nomear a Rússia como "invasora" coisa não tinha feito até agora.

Vejam o texto completo abaixo:

Why Was Rome Finally Willing to Call Out Russia as an Aggressor?

COMMENTARY: The Vatican found itself in the position of being less vocal on Putin’s aggression than the relevant Orthodox patriarchs.

The Russian invasion of Ukraine has rapidly upended long-standing positions and relationships — and Vatican diplomacy is trying to keep up. 

On Monday, Secretary of State Cardinal Pietro Parolin spoke of “the war unleashed by Russia against Ukraine.” He pronounced the tyranny that heretofore had no name at the Vatican: “Russia.”

It was a stunning reversal for Vatican diplomacy, which had steadfastly refused to call Russia an aggressor since the 2014 Russian invasion, occupation and annexation of Crimea. Even as late as the Sunday Angelus the day before Cardinal Parolin’s statement, Pope Francis did not name Russia as an aggressor.

While no one thinks that Pope Francis approves of Vladimir Putin’s aggression, he has prioritized ecumenical relations with the Russian Orthodox Church and its leader, Patriarch Kirill of Moscow. Patriarch Kirill has such a close and subservient relationship to Putin that Archbishop Borys Gudziak, the senior Ukrainian Catholic metropolitan in the United States, has spoken of Kirill as Putin’s “altar boy.” Given that close alliance, Kirill is only free to associate with the Vatican to the extent that Putin permits. 

Indeed, this past Sunday, four days after the full-scale invasion, Kirill preached about Kyiv and Moscow “comprising the one space of the Russian Orthodox Church,” a direct echo of Putin’s justification for the invasion as defending a common “spiritual space.” Kirill sings, but Putin chooses the hymn.

 

The Price of a Meeting 

The reserve of the Vatican on the 2014 annexation of Crimea was rewarded by Putin permitting Kirill to meet Pope Francis in Cuba in 2016, the first ever meeting between a pope and the Russian Orthodox patriarch. It was trumpeted by the Vatican as an ecumenical triumph of the first order, but it had been bought at a great price. 

Indeed, Robert Mickens, an enthusiastic advocate of the most liberal interpretation of Pope Francis, excoriated the Holy Father’s Russia policy as a cynical abandonment: “Do the Pope and his Vatican aides really believe that appeasing Russian oligarchs and hierarchs is their best strategy in advancing the cause of Christian unity? And on which altar are they willing to sacrifice the Ukrainian people to do so?”

Another Meeting? Another Price?

Last December, the Russian Orthodox Church floated the possibility of a second Francis-Kirill meeting for 2022. Putin was dangling Kirill as the reward for Vatican silence on his planned invasion of Ukraine. That may have explained Vatican reticence to speak as frankly about Russian aggression as, for example, other priorities like climate change or immigration policy.

The dangled prize diminished rapidly in value over the last few days. Without a public renunciation of his support for Putin’s invasion, it is likely that Patriarch Kirill will become a diplomatic persona non grata for the rest of his life.

 

Rome Overtaken by Orthodoxy

What changed to prompt Cardinal Parolin’s Russia statement? Why the shift from what Mickens calls “appeasement”?

Simply put, the Vatican found itself being less vocal on Putin’s aggression than the relevant Orthodox patriarchs. Rome appeared to fear what Kirill thought more than his fellow Orthodox bishops did.

That embarrassment, if not quickly remedied, might have destroyed Vatican credibility in Europe for a generation. Hence Cardinal Parolin’s quick but modest declaration that Russia was responsible for unleashing war.

 

Moscow Isolates Itself

A little background in is order. The Patriarchate of Moscow views Ukraine as part of its “canonical territory,” meaning subject to its jurisdiction. Thus, Orthodox Patriarch Onuphrios of Kyiv is in communion with Kirill and subordinate to him.

In 2019, Ukrainian Orthodox who wanted an “autocephalous” Church, one independent of Moscow, erected their own patriarchate, headed by Patriarch Epiphanios. Ecumenical Patriarch Bartholomew of Constantinople recognized the new, autocephalous patriarchate. Kirill was furious and denounced the new patriarchate in Kyiv. So, too, did Putin. 

Kirill thus broke communion with Bartholomew and refused communion with Epiphanios.

 

The Sin of Cain

After the invasion, Bartholomew denounced it in the most explicit terms, expressing “full sympathy to our brother, the Primate of the Church of Ukraine, His Beatitude Metropolitan Epiphanios of Kyiv.” 

Ephiphanios also denounced the invasion.

Most remarkably, Onuphrius made the following statement on the day of the invasion, castigating Putin and breaking with Putin’s “altar boy,” even though Kirill is his superior:

“Defending the sovereignty and integrity of Ukraine, we appeal to the President of Russia and ask you to immediately stop the fratricidal war. The Ukrainian and Russian peoples came out of the Dnieper baptismal font, and the war between these peoples is a repetition of the sin of Cain, who killed his own brother out of envy. Such a war has no justification for either God or men.”

Pope Francis maintained his reserved approach from Thursday to Sunday, not speaking about Putin or Russia. But it was increasingly untenable to keep silent on the identities of Cain and Abel. How could Pope Francis be more reticent to speak forthrightly than Kirill’s own man in Kyiv or Bartholomew? How could the Vatican prioritize ecumenical relations with a collaborationist Kirill when the ecumenical patriarch himself was willing to speak plainly?

By Sunday, the utter impossibility of the Vatican’s position was clear. Cardinal Parolin abandoned it.

 

Embassy Visit and Mediation

It was not without a few fig leaves, though.

The strange visit of Pope Francis to the Russian Embassy to the Holy See was explained as a willingness to break protocol in pursuit of peace. Ambassadors are summoned to receive important messages, not the other way around.

George Weigel, whose contacts with the Ukrainian Greek Catholic Church are excellent, explained the real reason for the visit in an interview with Catholic World Report. Putin would not take a call from the Holy Father on a Vatican line due to paranoia about espionage. Thus, Francis had to go to the embassy to speak on a secure Russian line with Putin. The side effect of making the Pope appear the supplicant was seen as a bonus by Putin.

Cardinal Parolin implied that the Vatican’s reluctance to call out Putin’s aggression was in order to remain credible as a mediator. Vatican mediation, which reached a high point in 1978, with St. John Paul II’s mediation between Chile and Argentina over the Beagle Channel, has been rather ineffective lately, as it proved fruitless in Venezuela, undermining the local bishops and strengthening the Maduro regime. Nevertheless, Cardinal Parolin floated that implausibility. 

“The Holy See, which in recent years has followed the events in Ukraine constantly, discreetly, and with great attention, offering its willingness to facilitate dialogue with Russia, is always ready to help the parties to resume that path,” the Vatican’s secretary of state said.

While Cardinal Parolin’s diplomats might have some credibility with Russia, eight years of “discretion” has left it with precious little credibility on the Ukrainian side. Diplomatic discretion has been received in Ukraine as cold silence, even indifference. At the meeting with Kirill in Cuba, the Vatican signed a joint declaration that undermined the identity of Ukrainian Catholics. The Ukrainian Catholic Church had to protest, as Mickens writes, being “sacrificed on the altar” of accommodating Moscow.

Ukrainians — both Orthodox and Catholic — will not permit that to happen again. 

The invasion caused massive hemorrhaging in the Vatican’s Russia policy since 2014. Cardinal Parolin attempted to staunch the bleeding. He was wise to do so.