quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Ensaios sobre Concílio Vaticano II. Número 1: Anthony Esolen

A revista Insider Vatican está preparando uma série de ensaios sobre o Concílio Vaticano II. O primeiro ensaio é do grande escritor Anthony Esolen. Eu já li uns três de livros deste grande escritor e tradutor. 

O blog vai tentar acompanhar estes ensaios.

O texto de Esolen tem o título de "Destronando o Vaticano II: o Tempo do Concílio na História já Passou"

Não vou traduzir tudo para que as pessoas acessem o site da revista, mas aqui vai a tradução de algumas partes do argumento de Esolen:

"A doutrina da infalibilidade é, a meu ver, modesta e protetora: ela declara que a Igreja nunca pregará o que é falso em questões de fé e moral. Não declara que a Igreja estará livre de tolice ou iniqüidade.

    O cardeal Reginald Pole disse no Concílio de Trento que as divisões na Igreja eram o castigo de Deus pela corrupção de seus príncipes.

    Quais foram os pecados pelos quais as consequências do Vaticano II foram a punição, não sei dizer, a menos que tenham sido os atos latentes de traição e apostasia que caracterizaram alguns dos líderes  no Concílio e muitos padres, religiosos e leigos em todo o mundo nos anos que se seguiram.

Tomás de Aquino diz que os juízes e magistrados que executam a lei devem ser guiados pela mente do legislador, ao invés de interpretar a lei para negar o que o legislador pretendia fazer. Isso porque, em qualquer sistema político, cada oficial tem sua função própria que não deve ultrapassar. É também porque a lei é geral e universal, não específica e particular; nenhum legislador pode prever todas as eventualidades. Portanto, exigimos a obediência astuta do juiz ou magistrado, que não faz justiça com as próprias mãos, mas, em deferência à mente do legislador, aplica a lei com justiça ao assunto que lhe é submetido.

Em um sentido severamente limitado, podemos dizer algo semelhante sobre como os clérigos responsáveis ​​deveriam ter implementado certas diretivas estabelecidas nos documentos do Concílio: por exemplo, a diretiva em Sacrosanctum concilium para levar aos fiéis a imensa riqueza musical da Igreja e para confirmar o órgão de tubos como o instrumento mais adequado para a adoração a Deus. Essas diretrizes de conservação de identidade foram ignoradas. Em vez disso, as pessoas apelaram ao “espírito do Vaticano II” - o que chamei de “o fantasma do Vaticano passado” - para justificar inovações que muitas vezes estavam em desacordo com o que os próprios documentos dizem.

    Mas o espírito do Vaticano II é uma ficção. Nem mesmo na esfera política pode um juiz apelar para o espírito de um debate no Senado; ele tem a lei diante de si.

    Mas o legislador aqui é o Espírito Santo e não os homens, e isso faz toda a diferença no mundo.

    Não temos permissão para adivinhar a mente do Espírito Santo, como se Ele fosse o principal entre os atores políticos do Concílio.

    Quando interpretamos qualquer pronunciamento papal ou qualquer documento do Concílio proclamando uma questão de fé ou moral, devemos assumir que o Espírito Santo não pode mudar, não pode se contradizer.

    As palavras então são nossa preocupação. Ao contrário das palavras de um legislador humano, eles lidam com o eterno.

    O primeiro ponto crucial implica um segundo. Os grandes impulsionadores do Vaticano II consideraram o Concílio como um novo fundamento para a Igreja. Podemos chamar isso de "Gambito Modernista". Você zomba do passado como ignorante, desgastado, até mesmo estúpido e perverso, mas certamente determinado pelo tempo e lugar e, portanto, deve ser descartado agora que temos um novo tempo e lugar.

    Isso é um absurdo, mesmo nas artes e letras seculares; quem disse que Bach é ignorante ou que Shakespeare está esgotado?

    Aqui eu observo que quando você busca primeiro o céu, você ganha também a terra; isso é o que Jesus promete. Mas quando você busca a terra primeiro, você perde ambos.

    Os inovadores do Concílio pensavam em termos políticos modernos e, portanto, a menos que fossem demônios com a intenção de destruir, eram ineptos até mesmo na tarefa que se propuseram.

Pastoralmente, o Concílio foi um fracasso calamitoso: as vocações ao sacerdócio e à vida religiosa secaram; escolas fechadas; faculdades fechadas ou apostatadas; As artes e letras católicas, que haviam dado ao mundo vários prêmios Nobel de literatura, ruíram; a boa música foi abandonada pelos estúpidos e traiçoeiros; e os católicos capitularam diante da Revolução Solitária ao seu redor, aquele abandono da ética sexual cristã que havia derramado sua doce luz sobre a vida dos cristãos comuns e os treinou na virtude e na santidade. O mundo moderno já era uma coisa morta, destruindo tudo o que tocava.

    O modernismo subtrai, minimiza, oblitera. A Igreja deve se ligar a um cadáver? Se alguma vez houve um tempo para ser enterrado no esquecimento, são os tempos modernos, tão rico em coisas e pobre de alma.

    Dizemos, com constrangimento, que a Inquisição Espanhola não foi tão má quanto se pensa e que deve ser entendida no contexto de sua época e cultura.

    Assim também o Vaticano II: deve ser entendido no contexto do tempo - e o tempo já passou.

    Não afirmou o erro. Seus implementadores fizeram pouco bem e muito mal. Já basta.

    Quanto mais cedo nos esquecermos, quanto mais cedo lhe pedirmos que deixe o trono que nunca mereceu, quanto mais cedo abandonarmos suas inovações litúrgicas datadas - tão datadas como Godspell e a Freira Cantora - melhor."



Você Acha Lindo ou Terror? Se Achar Normal, Você é o Pior Caso

 


Acima, vemos duas fotos. Na primeira, Joe Biden sendo juiz para casamento gay.  Na segunda foto, temos a sua candidata a vice sendo juiz de casamento entre lésbicas. 

Joe Biden se diz católico.  

Eu sempre achei que o mundo pode ser dividido entre quem apoia aborto e os que não apoiam.  Uma vez que matar uma criança para mim era a crueldade em estado puro.  

Mas acho que o mundo também pode ser dividido entre aqueles que acham essas fotos lindas, os que acham as fotos um terror e aqueles que acham normal.  O último caso é o pior pois o neutro é o que mais rapido vai para o inferno. Deus tem ojeriza. Os primeiros pelo menos lutam pelo demônio.   Os que acham as fotos um terror também devem lutar contra.

Santa Catarina de Siena em visão disse que até o demônio tem nojo de relacionamento sexual gay. 


terça-feira, 11 de agosto de 2020

Vaticano II, como a "Nova Coca-Cola"


A ideía de uma "nova Coca-Cola", lançada pela própria empresa, em 1985, é considerada a pior estratégia de marketing de todos os tempos. Tinha-se um produto de enorme sucesso e resolveu-se alterar a fórmula porque estava perdendo um pouco de mercado para a concorrente Pepsi. Esperava-se que fosse um sucesso devastador, mas foi um desastre monumental.

O site The American Catholic comparou o Concílio Vaticano II com a ideia de lançar a Nova Coca-Cola. Acho que tem muito a ver.

O site também trouxe a opinião do teólogo Peter Kwasniewski, que disse que o Concílio Vaticano II não deve ser esquecido, deve é ser lembrado com vergonha e arrependimento.

Aqui vai a tradução de parte do excelente artigo de Kwasniewski:

É certamente um “sinal dos tempos” ver tantas discussões hoje sobre o Concílio Vaticano II, muitas das quais são muito mais realistas em sua avaliação de seus possíveis defeitos do que nas décadas passadas, quando era obrigatório celebrar o Concílio como um verdadeiro novo Pentecostes, ou pelo menos como um momento de retificação dos problemas legados por quatro séculos de catolicismo tridentino. Devemos agradecer ao Arcebispo Viganò por reacender uma discussão que poderíamos caracterizar como “mais vale tarde do que nunca”.

Infelizmente, muitas das respostas publicadas desde o artigo de Viganò parecem motivadas pelo desejo de “salvar a face eclesial”. George Weigel se refugia em generalidades benignas e na adoração ao herói de Wojtyłan. Adam De Ville apela à Volcanologia para descartar as críticas ao Concílio como um "trauma escolhido" de colapso do tempo. Bishop Barron fornece respostas curtas para perguntas massivas. John Cavadini expressa simpatia por Viganò mas, depois de catalogar todas as coisas maravilhosas que encontra no Concílio, simplesmente se refugia na afirmação de Bento XVI de que não foi a culpa dos documentos conciliares, mas sua aplicação unilateral ou desenvolvimento por teólogos pós-conciliares - não reconhecendo que foram os mesmos teólogos que redigiram ou influenciaram os documentos conciliares e sabiam exatamente quais as novidades e ambigüidades neles alojadas. Na minha opinião, apenas Anthony Esolen e Hubert Windisch mostraram que compreenderam os pontos de Viganò: para Esolen, "o tempo do Concílio na história passou" e precisa ser "destronado", enquanto para Windisch, as raízes das crises manifestam-se claramente no “reposicionamento” da Igreja perante o mundo, que foi a preocupação central da estratégia pastoral do Concílio.

...
A maioria daqueles que “responderam” a Viganò, em vários graus, passaram direto pelas questões mais importantes. É como se eles tivessem chegado muito tarde a uma festa em que uma conversa profunda já se arrasta há muito tempo - neste caso, desde O Cavalo de Tróia na Cidade de Deus de Dietrich von Hildebrand e Iota Unum de Romano Amério, até Phoenix from the Ashes, de Henry Sire, e The Second Vatican Council: An Unwritten Story, de Roberto de Mattei - e eles irromperam com observações que foram retomadas e debatidas horas antes. Após uma pausa constrangedora, a conversa é retomada entre os participantes sérios, enquanto os interruptores se afastam para tomar um coquetel, sentindo-se satisfeitos por terem "feito seu ponto de vista". Infelizmente, isso não vinha ao caso; não avançou a discussão, mas apenas a interrompeu.

O que nenhuma avaliação objetiva pode negar é que, entre 1962 e 1965, ocorreu uma “mudança de paradigma” no que diz respeito à íntima relação de identidade, continuidade, tradição e cultura. Estes foram dissociados de uma forma que era radicalmente não católica - e radicalmente instável.

Assim que terminei este artigo, minha atenção foi atraída para o livro do padre Stefano Lanzetta "Vatican II and the Calvary of the Church" (Catholic Family News, 3 de agosto). Recomendo-o fortemente como uma das melhores intervenções neste debate ainda a ser publicado - um exemplo do tipo de intervenção, o manuseio matizado e profundidade de pensamento, exigidos pela gravidade do assunto.




Bíblia como Livro de História

 



A Bíblia, além de apresentar a revelação divina e de ser uma literatura realmente espetacular e avançadíssima sob diversos aspectos, é também um livro de história. Eu já tive a oportunidade de contar aqui como eu percorri o British Museum seguindo os artefatos históricos que sustentam o que diz a Bíblia. É um percurso especial do British Museum.

Apresento para vocês agora uma Bíblia Católica que procura especialmente mostrar a história da grande aventura feita pelos judeus e cristãos contada pela Bíblia.

A Bíblia se chama The Great Adventure Catholic Bible, feita pela Ascension Press. Para comprar esta Bíblia, eu tive que pedir a ajuda de uma grande amigo que é americano que viajou aos Estados Unidos e trouxe para mim. A Ascension Press não estava entregando no Brasil.

Essa edição da Bíblia traz um plano de leitura da história da Bíblia, selecionando os livros bíblicos que mostram o caminho histórico da salvação.

O plano de leitura é basicamente ler 4 capítulos por dia desses livros. Ao fim de três meses, se você fizer isso todo dia, você terá lido a história bíblica inteira.

Claro que se perde muitos livros bíblicos no plano de leitura, mas, ao fim de três meses, você terá uma ótima visão da história contada pela Bíblia.

A Bíblia está em inglês, mas você pode usar a sua própria Bíblia.

Eu acabei de ler meu plano de leitura hoje. Aqui vai uma foto de meus rabiscos do plano de leitura. Ampliem a foto abaixo, peguem a Bíblia que vocês possuem façam o plano de leitura. A The Great Adventure traz muito mais informações mas o Plano de Leitura pode ser feito com a Bíblia de vocês.



  

O que mais me impressionou lendo a história dos judeus e cristãos? Bom, eu já tinha lido várias partes, mais fiquei muito impressionado pela história contada pelos Macabeus, pelos aspectos católicos, pela sua descrição do período histórico, por falar dos romanos, espartanos e árabes, por Deus se mostrar muito mais distante dos judeus do que se apresentava no tempo de Moisés e  Davi e por ter aspectos da Guerra Justa. Aliás, se um dia eu for reescrever meu livro de Guerra Justa, eu falarei bem mais dos Macabeus.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

A Igreja Católica no Brasil 🙈🙈🙈🙉🙉🙉🙊🙊🙊

Não costumo escrever muito sobre problemas brasileiros, nem sobre questões econômicas brasileiras, nem sobre questões religiosas. Meu blog começou quando eu morava no Reino Unido, a ideia era passar para leitores em português questões econômicas, internacionais ou teológicas que não chegam a eles pela mídia tradicional ou social. A ideia era adicionar informação, não repisar assuntos já extensamente debatidos no Brasil.

Também não gosto de falar sobre algo se alguém já disse o que precisa ser dito. Se eu não for acrescentar nada com meu ponto de vista, melhor eu silenciar.

Outra coisa é que em muitos aspectos o Brasil é sim desimportante. Tanto no aspecto comercial (Brasil representa por volta de 1% do comércio global), como no aspecto político (o que nossos governantes têm para ensinar ao mundo?), nem no aspecto juridico (o que nossos juristas contribuíram para a doutrina legal do planeta?), como no aspecto de questões internacionais (Brasil não tem muito a acrescentar ao debate internacional, só se destaca quando o assunto é ambiental), e Brasil é ainda mais desimportante no debate teológico do mundo (o que sai da Igreja Católica no Brasil que exalta Cristo?). Em termos religiosos, o Brasil se destaca por ser o país do espiritismo e da igreja pentecostal, mesmo tendo uma enorme população que se diz católica.

Ir a uma missa no Brasil, sendo um leigo que conhece minimamente os dogmas da Igreja, é muitas vezes uma tortura, ao se ouvir as homilias que são ditas pelos padres. Diz-se teologicamente que ir a missa é um sacrifício, mas não se pensava nas homilias brasileiras quando se definiu assim as missas dominicais.

Ontem, o site brasileiro Fratres in Unum, um dos melhores sites católicos do Brasil, foi destaque na Itália (no site do Marco Tossatti) e site americano Crux (com repercusão no site Canon 212), por conta de uma carta assinada por milhares de padres e centenas de bispos brasileiros contra Bolsonaro.

O que nós mostramos ao mundo foi novamente a desgraça da Igreja Católica no Brasil.

Essa dos padres com "abelhinhas" é de lascar. Padres cantores sexualizados que são detonados por leigos facilmente, leigos que nem católicos são, é só uma amostra de nossa enorme penúria.

E o povo brasileiro repete que Deus é brasileiro! Putz. 

Valei-nos Nossa Senhora.

Maranatá.



quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Tipos Incompreensíveis de Católicos. Exemplo: Cardeal Zen


Certa vez, eu vi um palestrante católico falar contra pessoas que buscam "igrejas perfeitas", pessoas que preferem ficar ateias por conta dos erros que elas veem nos clérigos, pastores, etc. O palestrante disse uma frase sensacional: se você encontrar uma igreja perfeita, entre nela e ela deixará de ser pefeita.

O ser humano é imperfeito, por isso mesmo que ressaltei no meu livro de Guerra Justa, que é possível uma guerra justa, mas não é possível uma paz justa. Paz justa só em Cristo quando se está diante da luz divina (após a morte).

Chesterton dizia que nada mais factual e óbvio do que o pecado original. Pode-se ver o pecado original em todos.  Isso mesmo, nada mais óbvio que a imperfeição humana.

Mas apesar de todos os seres humanos serem imperfeitos, algumas imperfeições me assustam no católicos.

Casos como:

1) Católicos idolatrando políticos (no Brasil, alguns idolatram Lula, outros idolatram Bolsonaro);

2) Católicos que sabem imensamente sobre doutrina católica mas se fecham em suas salas, não falam ao próximo e ao mundo (até entendo, claro, os monges, mas não os leigos);

3) Católicos que defendem fortemente a fé  católica contra alguns inimigos da fé, mas defendem algo que apoia os inimigos.

Vou falar do caso 3 hoje, usando um cardeal que respeito muito: Cardeal Zen.

O Cardeal Zen luta praticamente sozinho na China pela defesa da fé católica, contra os comunistas e  até contra o que faz o Papa Francisco, que costuma apoiar com silêncio e ações o partido comunista chinês. 

Mas recentemente Zen exaltou o Vaticano II. Ele falou contra tanto os esquerdistas que usam o Vaticano II em favor de teses marxistas, como contra o que chama de tradicionalistas que querem abandonar o Vaticano II.

Pode alguém exaltar o Vaticano II e ser contra China ?

Até acho que se pode escolher um documento do Vaticano II para defender. Mas defender o Concílio em geral, acho que não pode.

O problema mais óbvio do Vaticano II foi justamente se calar frente ao comunismo. O uso que Paulo VI do Ostpolitik (silenciar em relação ao comunismo) levou inclusive a condenações de cardeais que lutavam contra o comunismo (ver cardeal Josef Mindszenty). Hoje o que Francisco faz nada mais é que Ostpolitk elevada ao terceiro grau.


Roberto de Mattei viu o que eu vi nas palavras do Cardeal Zen sobre Vaticano II e reagiu.

Aqui vai parte do disse de Mattei:

A Ostpolitik que o cardeal Zen critica é, de fato, fruto do Concílio Vaticano II. Esta é uma evidência histórica que não admite negações.
        
Nos anos do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965, o comunismo constituiu uma ameaça à Igreja e à humanidade nunca antes vistas na história. A assembléia dos Padres do Concílio, reunida para discutir as relações entre a Igreja e o mundo moderno, não disse uma palavra sobre o comunismo, apesar de centenas deles terem pedido uma condenação pública solene a esse flagelo. O cardeal Zen pediu que os textos do Concílio fossem redescobertos e os definisse como o verdadeiro fruto do Vaticano II. “Através desses documentos, você ouve a voz real do Espírito Santo".

O Espírito Santo, no entanto, não levantou sua voz contra o comunismo. Portanto, muitos historiadores e teólogos têm razão, de monsenhor Gherardini ao cardeal Brandmüller, quando afirmam que o valor magisterial e a autoridade vinculativa dos textos conciliares ainda precisam ser discutidos, sem excluir a idéia de que muitos desses documentos podem acabar um dia na lixeira. Mas o mais importante é que o Concílio Vaticano II é um evento histórico que não pode ser reduzido a textos confusos e ambíguos. 

O Cardeal Zen declara: “Creio que seria muito proveitoso ler o sermão de abertura do Vaticano II pelo Papa João XXIII, onde explicou o verdadeiro significado de 'aggiornamento': enfrentando todas as ameaças da civilização moderna, a Igreja não deve ter medo, mas encontre maneiras de mostrar ao mundo a verdadeira face de Jesus, o Redentor do homem. ”

Bem, naquele discurso, que abriu o Concílio Vaticano II em 11 de outubro de 1962, João XXIII explicou que “para o depósito da fé, as verdades contidas em nossa venerável doutrina são uma coisa; mas  a maneira pela qual eles são expressos, com o mesmo significado e o mesmo julgamento, é outra coisa ”. A invenção foi a passagem "do anátema para o diálogo". No caso do comunismo, décadas de condenação precisavam ser deixadas de lado para passar para a nova estratégia de 'mão estendida'. Havia a convicção de que a colaboração com o inimigo traria melhores resultados mais do que lutar contra ele. E o discurso de João XXIII, do qual o cardeal Zen gosta, era o magna charta da política de "détente" de que ele não gosta.

A primeira expressão de Ostpolitik, simbolizada pelo então [secretário de Estado] Monsenhor Casaroli, foi a “promessa” feita pela Santa Sé ao governo soviético de não condenar o comunismo de qualquer forma. Essa era a condição solicitada pelo Kremlin para permitir a participação de observadores do patriarcado de Moscou no Vaticano II.

Não há necessidade de muita sagacidade para entender que Ostpolitik em relação à Rússia foi fruto de uma escolha política precisa feita por João XXIII e Paulo VI, pois o Ospolitik em relação à China é fruto da estratégia política do Papa Francisco. 

Os secretários de Estado são executores das indicações dadas pelos pontífices e os pontífices assumem as responsabilidades das escolhas políticas feitas pela Santa Sé. A esse respeito, João XXIII e Paulo VI, como o Papa Francisco hoje, cometeram erros pastorais e políticos significativos.

Não é a primeira vez que isso acontece na história. O ralliement de Leão XIII com a terceira República Maçônica foi um erro devastador e os historiadores hoje enfatizam suas graves conseqüências. Criticar os erros estratégicos e pastorais de um papa é legítimo e o cardeal Zen faz isso ao criticar as políticas da Santa Sé de ontem e hoje em relação ao comunismo. Se alguém se opuser dizendo que os papas sempre são guiados pelo Espírito Santo, ele pode facilmente responder que um papa pode cair em erro, como aconteceu, e ainda pode acontecer na história. E também estamos convencidos de que o Espírito Santo não ajudou na Ostpolitik do papa Francisco, mas esclarece as críticas do cardeal Zen sobre a Ostpolitik. Se, no entanto, um Papa pode errar, ainda mais isso pode ser aplicado a um Concílio, que continua sendo um Concílio válido, Válido sim, mas catastrófico, como foi o vigésimo primeiro Concílio Ecumênico da Igreja.


domingo, 2 de agosto de 2020

A Praga Diabólica da Histeria de Transgênero entre Meninas Adolescentes



A jornalista do Wall Street Journal, Abigail Shrier (que possui diplomas de Oxford e Yale) escreveu um livro sobre a histeria do transgênero que avança nas escolas e universidades e pega especialmente as meninas (o livro em português poderia ser traduzido por "Dano Irreversível - A Loucura do Transgênero que Seduz nossas Filhas").

A autora não trata dos casos masculinos, porque a maioria dos transgêneros envolve meninas, e também não trata dos casos adultos.

Uma das conclusões é que há um contágio histérico de transgênero que virou quase um culto. O livro serve muito de alerta aos pais. Há escolas que apoiam e até incentivam  transgêneros.

O livro destrói duas ideias centrais dos defensores da ideologia de gênero: 1) de que os transgêneros são inatos; 2) Qualquer pessoa que pense que é transgênero o seja realmente. Duas mentiras muito disseminadas.

Pais, leiam os livro de Abigail, é urgente.

Atenção editoras no Brasil. Traduzam!


Em janeiro de 2019, ela fez uma reportagem a respeito do assunto para o Wall Street Journal e, com isso, passou a receber mensagens e mais mensagens de pais preocupados com a súbita mudança de comportamento de suas filhas adolescentes. Abigail resolveu, então, ir a fundo no assunto. Para o livro, ela conduziu quase 200 entrevistas. Conversou com endocrinologistas, psiquiatras, psicólogos, transgêneros, ex-transgêneros e familiares. A conclusão: existe algo de muito errado acontecendo com as adolescentes. E os números mostram isso.

Tradicionalmente, a disforia de gênero (que ocorre quando uma pessoa se identifica como parte do sexo oposto) costuma atingir 0,01% da população - quase que exclusivamente garotos que apresentam sinais visíveis da condição desde cedo (embora, em 70% dos casos, a situação se reverta naturalmente conforme os anos passam).

O que vem acontecendo recentemente, entretanto, é algo diferente: em 2016, 46% das cirurgias de mudança de sexo nos Estados Unidos eram de pessoas do sexo feminino. Um ano depois, o percentual saltou para 70%. Em pouco anos, o número de casos de disforia de gênero em adolescentes cresceu 1.000% nos Estados Unidos e inacreditáveis 4.000% na Inglaterra. Hoje, dois por cento dos estudantes de ensino médio americanos hoje se identificam como transgênero. Ou seja: em vez de um caso a cada mil pessoas, como era de se esperar, o índice nessa população é de um a cada cinquenta.

Em sua pesquisa, Abigail identificou um padrão: a garota com problemas relativamente normais para a idade (insegurança emocional, desconforto com o próprio corpo), passa a pesquisar sobre o assunto na internet - especialmente no YouTube - e esbarra com conteúdo que sugere que ela pode ser transgênero. Ela - que geralmente já tem alguém em uma situação parecida no seu círculo social - compra a ideia. O anúncio traz popularidade imediata entre outras adolescentes. Sem avisar os pais, a escola adere e passa a tratá-la como garoto. Quando procurados, os profissioanis de saúde nada fazem além de afirmar que, se ela pensa ser transgênero, ela já é transgênero.

Os pais são chantageados com a afirmação de que, se não apoiarem integralmente o processo de transição, podem estar induzindo sua filha ao suicídio. E os terapeutas que defendem um método mais cauteloso acabam escanteados, quando não punidos. É um ciclo completo construído com base em falácias e alimentado por uma espiral de silêncio. O resultado são garotas menores de idade tomando hormônios masculinos e sendo submetidas a cirurgias como a da retirada completa dos seios.

Um das pesquisadoras entrevistadas por Abigail Shrier foi vítima desse ciclo. Lisa Litmann, auto-proclamada de esquerda, conduziu uma pesquisa em que identificou um processo chamado por ela de “rapid-onset gender dysphoria”, que pode ser traduzido como “disforia de gênero de desenvolvimento rápido”.

A hipótese dela é que o problema é fruto de uma espécie de histeria contagiosa, que atinge sobretudo as garotas - que, na fase da adolescência, são mais suscetíveis às influências do meio. Seria algo similar à anorexia, com uma grande diferença: em vez de tratar as causas do problema, os profissionais de saúde estão incentivando as garotas a tomar um caminho sem volta. É como se eles dissessem a uma garota anoréxica que ela está, de fato, acima do peso.

Depois de conversar com 256 pais ou mães de adolescentes que se encaixam nos critérios de disforia rápida Lisa Litmann, notou eu quase 70% dos participantes tinham pelo menos um amigo ou amiga que havia se identificado como transgênero. A pesquisa de Litmannn acabou boicotada pela Universidade de Brown, onde ela leciona.

Não foi um caso isolado. Os médicos que questionam o método “afirmativo” são pressionados por entidades como a American Medical Association e a American College of Physicians. Dezenove estados americanos também proíbem qualquer tratamento que seja considerado “terapia de conversão”, o que significa que os profissionais são obrigados a tratar como transgênero qualquer paciente que acredite sê-lo, mesmo que não haja indícios suficientes.

No livro, Abigail Shrier não discute os casos de garotos que se identificam como garotas, nem a situação das mulheres que “transicionam” já na fase adulta. Ela argumenta que, mesmo que algumas pessoas de fato tenham uma condição inata que as leve a se identificar como membros do sexo oposto, é possível haver situações de falsa disforia de gênero - uma espécie de “histeria de gênero”. E há muitos sinais de que o problema existe, especialmente entre as adolescentes.

“É quase como um culto”, diz, no livro uma das entrevistadas, cuja filha fez transição contra a sua vontade, com apoio total da escola. Muitos transexuais também acreditam que há algo de errado com as adolescentes. “Elas veem algo que pode fazê-las se sentir melhor consigo mesmas, porque todas essas garotas trans têm canais no Youtube, redes sociais, e eu acredito que e isso está influenciando. Nos seríamos idiotas se disséssemos que não está influenciando”, afirma uma das primeiras pessoas mulheres a passar por uma mudança de sexo em Los Angeles, ainda no começo dos anos 90.

O livro de Abigail Shrier demole duas ideias centrais da ideologia de gênero. A primeira: a de que as pessoas transgênero são distribuídas aleatórias na população, e que essa condição se deve inteiramente a fatores inatos, o que significa que não há nada que se possa fazer a não ser apoiar a transição. A segunda: a de que qualquer pessoa que pense ser transgênero o é. Ao fim do da obra, ela apresenta uma lista de recomendações para pais preocupados com a histeria coletiva que se alastra entre as adolescentes. A número 1 da lista é “Não dê um smartphone à sua filha”.

Como que comprovando a tese de Abigail Shrier, a Amazon acabou proibindo que o livro dela fosse anunciado nas plataformas da empresa. A espiral do silêncio continua em vigor.

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sexta-feira, 31 de julho de 2020

Vídeo: Gerenciamento de Risco da Hidroxicloroquina (+ Zinco) com Scott Adams


Scott Adams não é médico, bom.que se diga logo inicialmente. Ele é o famoso cartunista do Dilbert (que faz chacota do ambiente de trabalho executivo).

Mas no vídeo ele faz uma interesssnte análise de gerenciamento de risco do uso da hidroxicloroquina. Cabe usar essa abordagem quando milhões e milhões morreram de covid-19? Bom, quando não se sabe qual é a cura é a única abordagem que sobra, basicamente, tanto para médicos como para políticos.

Mas a abordagem dele é interessante, porque, primeiro, ele não defende a hidroxicloroquina mas a possibilidade de hidroxicloroquina com zinco funcione apenas. Ele ressalta muito a importância do zinco. Aliás, em maio, o site UOL disse que essa combinação hidroxicloroquina mais zinco parece ajudar muito contra covid-19, segundo uma pesquisa.

Segundo, Adams não diz que essa combinação funciona, ele só diz que "pode funcionar". E diz que Trump nunca disse que funcionava, apenas que pode funcionar. Será? Não sei.

Terceiro, Adams não sabe se a combinação funciona como profilaxia ou durante o tratamento (ninguém sabe muito disso ainda).

Quarto, ele condena a mídia que diz de cara que não funciona, sem ter nenhuma formação técnica e quando inúmeros médicos têm recomendado.

Em suma, é um vídeo inteligente. Scott Adams é um gênio do cartoon. Ele é muito inteligente mesmo.

Finalmente, não cabe levantar a hidroxicloroquina como bezerro de ouro, como faz Bolsonaro. Claro.Isso não é gerenciamento de risco, é propagar uma semi-idolatria.

Aqui vai uma tirinha de Dilbert, hehehe.


Traduzindo a tirinha:

Quadro 1: (chefe diz) - Dilbert, você reconfigurou o servidor sem a minha permissão?

Quadro 2: (Dilbert responde) - Deixe eu consultar minha coleção de adesivos de lembrança.

Quadro 3: "É mais fácil pedir perdão do que pedir permissão".

Ok, isso parece certo, diz o chefe.

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Finalmente, sempre bom dizer: rezemos muito pelos mortos e seus familiares e pelos doentes.