domingo, 19 de outubro de 2014

De GK Chesterton para Papa Francisco.


O Papa Francisco é fã de GK Chesterton, ele faz parte da Sociedade Chesterton da Argentina. Não sei em que circunstância ele faz parte dessa sociedade, mas pela presença do nome dele lá, pode-se dizer que ele seja fã de Chesterton.

Chesterton ao meu ver teria duas ótimas dicas para dar ao Papa Francisco no momento em que muitos observam que o Papa é aderente da ideia de que a Igreja deve dar "boas vindas" aos homossexuais, levando a Igreja a se aproximar da aprovação do casamento gay.

Chesterton disse certa vez a seguinte (brilhante) argumentação:

“We do not really want a religion that is right where we are right. What we want is a religion that is right where we are wrong.” 

(Nós realmente não queremos uma religião que diga que está certo quando nós estamos certos. O que nós queremos é uma religião que está certa quando nós estamos errados).

Em outras palavras: para que serve uma religião que pensa como eu penso?

Muitos gays juram que irão aderir ao catolicismo se a Igreja aprovar o casamento gay.

Será???

Vejamos o que acontece com a Igreja Episcopal nos Estados Unidos que faz tudo que o esquerdismo deseja: casamento gay, mulheres padres, divorciados padres, etc. Será que o número de fiéis aumenta por lá??

Eu mostrei aqui no blog, certa vez, que uma forma de perder fiéis é aderir ao casamento gay.

Outra coisa, Chesterton era um severo crítico da mídia. Ele disse:

Modern man is staggering and losing his balance because he is being pelted with little pieces of alleged fact which are native to the newspapers; and, if they turn out not to be facts, that is still more native to newspapers.” 

(Homem moderno está atordoado e perdendo equilíbrio porque ele está sendo apedrejado com pequenos pedaços de fatos o que é comum em jornais, e se estes pedaços não refletem os fatos, eles são ainda comuns nos jornais)

Quer dizer o homem moderno está confiando demais na mídia.

Vejamos por exemplo como a Veja tratou o discurso final do Papa Francisco sobre o sínodo.

Vejamos duas partes do que disse a Veja, faço críticas em vermelho:

O papa disse que nos debates foi possível observar 'tensões e tentações'. Mencionou a tentação da 'rigidez hostil', que resumiu como a atitude "querer se fechar no que está escrito e não se deixar surpreender por Deus, pelo Deus das surpresas". Francosco alertou para a 'tentação' imposta pelos que classificou como 'tradicionalistas' ou 'medrosos' e por aqueles que definiu como 'denominados progressistas e liberais'. 

Toda a documentação, tanto os rascunhos quanto as correções, foi divulgada pelo Vaticano. "O papa pediu que fosse publicado tudo, com total transparência, o que mostra um alto grau de maturidade", disse Manuel Dorantes, um dos porta-vozes.

Bom, o Papa realmente relacionou os conservadores a "rigidez hostil" pedindo um "Deus das surpresas" (não sei o que isso significa, e tenho medo de saber). Mas será que o Papa chamou os tradicionalistas de medrosos????

Não!!! A palavra medrosos está relacionada aos progressistas diz o texto original do Vaticano,em inglês:

The temptation to a destructive tendency to goodness [it. buonismo], that in the name of a deceptive mercy binds the wounds without first curing them and treating them; that treats the symptoms and not the causes and the roots. It is the temptation of the “do-gooders,” of the fearful, and also of the so-called “progressives and liberals.” 

(A tentação de uma tendência destrutiva de bondade [ele. buonismo], que, em nome de uma misericórdia enganosa liga as feridas sem primeiro curá-las e tratá-las; que trata os sintomas e não as causas e as raízes. É a tentação dos "benfeitores", do medo, e também dos chamados "progressistas e liberais.)

E sobre a transparência???

Aí, a Revista Veja deveria ter acompanhado um pouco mais o que ocorreu no sínodo e saberia que quase ocorreu uma rebelião de bispos para que o Vaticano liberasse todos os documentos.

Não foi iniciativa do Vaticano.

A Veja parece que só traduziu textos internacionais, e não traduziu correto, ao errar a definição de medrosos, e confiou exageradamente na mídia internacional. Nem a própria mídia deve fazer isso, confiar tanto nela mesma.

Leiam todo o (bom, mas inócuo, porque fica no meio) discurso do Papa Francisco clicando aqui. Não confiem na mídia.

Rezemos pela Igreja.

sábado, 18 de outubro de 2014

O Filósofo Católico que Desafiou Hitler e viu Padres Católicos se rebaixarem para Nazismo.


Bento XVI disse que quando a história intelectual do século XX for contada Dietrich von Hildebrand será destacado como um dos mais brilhantes intelectuais. São João Paulo II disse à esposa de Hildebrand que ele era uma dos mais importantes eticistas do século XX.  O Papa Pio XII disse que Hildebrand era o doutor da Igreja do século XX.

Na próxima semana será lançado um livro (que já pode ser comprado pelo Kindle) com coleção de textos de Hildebrand contra o nazismo.

Doino Jr disse que o livro sobre o nazismo cobre os acontecimentos políticos e culturais da década de 1920 e 30. Os escritos de von Hildebrand descrevem uma sociedade sendo transformada gradualmente a partir de ideais judaico-cristãos para o relativismo e o secularismo. Racismo e anti-semitismo estavam em alta. O que o horrorizou mais foi a aceitação desses males, entre tantos cristãos. Como ele descreve, leigos um após o outro foram capitulando ao Terceiro Reich, e até mesmo clérigos dobraram seus joelhos a Hitler e seus capangas. Nós sentimos sua angústia e indignação moral. A "correção fraterna", ele deixa claro, é uma parte vital do cristianismo, especialmente durante uma crise moral ou político. No coração dos ensaios de von Hildebrand estão três crenças: a necessidade dos cristãos se protegerem contra o mal; a disponibilidade dos crentes para resistir a ela; e a obrigação da Igreja em defender os ensinamentos de Cristo, independentemente da situação.

E não é só o livro. A rede de televisão católica americana EWTN está lançando uma série sobre Dietrich von Hildebrand, chamada He Dared to Speak the Truth. (Ele Desafiou em Falar a Verdade).



Mas quem foi Dietrich von Hildebrand?

Ele próprio respondeu. Nasceu em Florença na Itália em 1889, filho de pais alemães e ateus. Mas já aos cinco anos Hildebrand começou a amar Cristo, apesar de serem ateus, os pais dele permitiram que este amor se desenvolvesse. Aos 17 começou a cursar filosofia na Universidade de Munique. Lá se tornou presidente de associação filosófica. Converteu ao catolicismo sobre influência do filósofo Max Scheler. Scheler foi um importantíssimo filósofo, que foi tema de tese de doutorado do Papa João Paulo II. Hildebrand diz que apesar da influência de Scheler sua conversão ao catolicismo só ocorreu em 1914 quando assistiu a eucaristia dada a uma de suas irmãs nas catacumbas de São Calisto em Roma.

Na Primeira Guerra, Hildebrand trabalhou como ajudante de cirurgião, tratando de feridos, militares e civis, na guerra.

Conheceu Friedrich Foerster, e foi influenciado pela crítica de Foerster contra o nacionalismo alemão, que viria a ser a base do nazismo.

Hildebrand publicou então diversos livros entre 1923 e 1933, muitos condenando este nacionalismo. Com a ascensão de Hitler, os livros de Hildebrand foram proscritos. Passou a escrever sob o nome Peter Ott e publicar pela Suiça.

Hildebrand disse que um dos grandes privilégios da vida dele foi o contato próximo com o Núncio na Alemanha, o Cardeal Pacelli, o futuro papa Pio XII. Ele teve a oportunidade de discutir várias questões com ele, seja em seu palácio ou em fazer caminhadas. Hildebrand disse que Pacelli era uma dessas personalidades que na sua espiritualidade sublime parece estar livre do peso da matéria.

Hildebrand, de 1924 a 1930, fazia reuniões em casa em que se discutia temas religiosos, com a participação de teólogos, filósofos e até membros da família real. Em 1930, havia quase 200 pessoas reunidas

Em 1921, declarou que a invasão da Alemanha na Bélgica na Primeira Guerra foi um crime atroz. O Partido Nazista colocou Hildebrand na lista negra. Teve que abandonar Munique durante a tentativa de golpe de Hitler na cidade em 1923 (Hitler Putsch) . Com ascensão de Hitler fugiu da Alemanha para a Itália em 1933. Depois foi para Áustria.

Na Áustria, fundou um jornal católico para lutar contra o totalitarismo, chamado Der Christliche Staendestaat. 

Em 1935, se tornou professor da Universidade de Viena. Ameaçado de morte pelo nazismo teve fugir novamente para Tchecoslováquia. Ele teve "a honra" de ser o primeiro da lista dos nazistas para serem presos em Vienna. Da Tchecoslováquia, foi para a Suiça, ensinou um pouco por lá até ser convidado para ser professor da Universidade de Toulouse.

Depois veio o colapso da França. Ele disse que nunca esqueceu a nossa situação desesperada: "Estávamos em uma rua em Bayonne, na chuva, na fronteira espanhola hermeticamente fechada, o exército alemão deveria chegar a qualquer momento, sem trens funcionando, e todas as estradas foram barrada por cordões de Gendarmerie. De repente, um oficial francês abordou o meu filho. Eu o reconheci como um dominicano que serviu como tenente no exército. Uma hora antes, ele havia retornado de avião da Noruega. Ele conseguiu nos colocar no carro da Cruz Vermelha da sua empresa, que estava se mudando para a zona desocupada de Pau." Depois foi salvo pelo futuro ministro francês da Justiça de Charles De Gaulle, Edmond Michelet.

Daí passou por Lisboa e pelo Brasil, até chegar aos Estados Unidos, onde foi lecionar na Fordham University.

No final de sua descrição de sua vida, Hildebrand diz:

"Ao olhar para trás na minha vida, eu encontro muitas razões para gratidão a Deus, não só por ter a oportunidade de ser associado com tantas personalidades profundamente espirituais e por ter tido tantos deles como amigos; eles foram e ainda são um modelo e incentivo para mim. Eu também tenho sido concedida a graça de testemunhar muitas conversões, minhas cinco irmãs, dois irmãos-de-lei, e  inúmeros amigos e parentes, num total de cerca de cem pessoas. Misericordias Domini in aeternum cantabo. (camtarei sempre as misericórdias de Deus)"

Hildebrand faleceu em 1977, depois de publicar 30 livros e centenas de artigos.

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Finalmente cabe dizer que existe o Hildebrand Project, que tenta manter viva a memória de Dietrich.

Eu vou comprar tanto o livro, como o DVD.

Hildebrand é extremamente importante para a guerra cultural (espiritual e doutrinária) e também para a guerra física contra cristãos no mundo.

Além de comprar os produtos, sigam o site do Hildebrand Project.



sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Pegaram Cardeal Kasper Mentindo!



Cardeal Kasper é a grande força (junto do Papa Francisco, como negar? uma vez que ele é o líder) por trás da confusão doutrinária do sínodo da família.

Acontece que o cardeal Kasper deu uma entrevista atacando os membros do clero da África, da Ásia e dos países muçulmanos, dizendo que eles não entendiam a importância de se ajudar os gays.

A entrevista pegou muito mal. Mas ao invés de pedir desculpas, ele negou a entrevista, e disse:

Rome (kath.net, October 16, 2014).  The retired Curial prelate Cardinal Walter Kasper, in speaking with kath.net on Thursday afternoon, denied alleged statements of his about African bishops.  His exact words were:  “I am shocked.  I never said such a thing about Africans and would never say such a thing either.  I declare: no one from Zenit contacted me in recent days and weeks and no one asked me for an interview.  No one from Zenit got an interview from me.”  Kasper also announced that he would take the Zenit news agency to task.  In its summary of the Zenit interview, kath.net pointed out from the beginning that it was unclear whether the interview had been authorized in the first place by the Curial cardinal. [translated for CWR by Michael J. Miller]

Só que o jornalista britânico Edward Pentin, com mais de dez anos de experiência no Vaticano, gravou a entrevista e colocou em sua página.

Cliquem lá na página de Pentin, tem o aúdio e a descrição da entrevista.

Em suma, um jornalista pegou um cardeal mentindo feio, muito feio.

É uma situação muito triste, mas poderosamente importante, como eu disse no blog Creative Minority Report que me indicou a informação.

Nós deveríamos premiar o jornalista!

Viva Pentin!

Deus lhe abençoe.


quinta-feira, 16 de outubro de 2014

"Alguém Está Querendo o Caos na Igreja"


Estão até dizendo que o Papa Francisco é maquiavélico.

Será que o Vaticano não sabia como a Imprensa iria tratar o documento do sínodo da família divulgado na segunda?

O documento é dito apenas para incentivar o trabalho do sínodo e que pode não refletir o que vai ser definido no final. Mas e daí? Todos sabem que o o que a Imprensa faz em um documento do Vaticano é clicar em Ctrl F e procurar por palavras como gays, homossexuais, divórcio, aborto...e quando acha o que quer, se na direção de beneficiar gays e abortistas, publica na primeira página. Se é contra o aborto e em defesa da família, nem publica. Quem não sabe disso?

Padre Z fez uma excelente análise da confusão que foi a divulgação do documento do sínodo da família divulgado pelo Vaticano na segunda.

E a conclusão dele é sucinta e precisa: "Portanto, alguém queria lançar o caos na Igreja" ao liberar o documento. E conseguiu, conferências de bispos rejeitam o documento, 41 bispos dizem que reprovam o texto, cardeais chamam o documento de inaceitável ou que esperam que seja jogado fora. Leigos católicos chamam o texto de traição da luta pela família. Outros cardeais, mas à esquerda, dizem que a Igreja "quer acolher" todos e que aceitam o documento. Em suma, o caos.

Vejamos o que diz o texto do Padre Z, traduzo parte em azul:

Nós continuamos a assistir as distorções após o documento do Sínodo ... o que podemos chamá-lo? .... debacle. Sim, debacle. O lançamento do Relatio post disceptationem, um documento de síntese de ponto médio sem precedentes, foi um fiasco. Ele tem provocado "maravilha", que uma palavra-código antiga da Igreja que significa "choque, escândalo, confusão". 

Será que ninguém no escritório do Sínodo ou no Serviço de Imprensa sabia que a mídia iria se apoderar do documento 

É claro que eles sabiam que o caos iria ocorrer e que certos parágrafos seriam lidos com fortes reações. É claro que eles sabia,. 

Então, alguém queria o caos. Alguém queria que aqueles infames parágrafos chegassem na imprensa que, em seguida, iria tirar um bocado de conclusões falsas e falsa expectativa. Eles queriam mover os paradigmas em uma determinada direção. Eles lançaram as coisas, criaram o caos, e, em seguida, mesmo que eles se afastem das conclusões da imprensa, eles conseguiram mudar o paradigma em um ou dois graus em direção a meta que desejam. É assim que funciona.

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Alguém queria o caos. Pode ser mais de um. E foi planejado. É óbvio que foi.

A coisa está feia dentro do Vaticano.

Há livros que contam adorações ao demônio dentro do Vaticano, bom, não sei, mas que ele está presente lá, está sim.

Rezemos pela Igreja.


(Agradeço o texto do Padre Z ao site The American Catholic e o texto do Papa maquiavélico ao site PewSitter)

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Leite, Pão (Lei do Gradualismo) e a Fresta do Demônio


O Papa Paulo VI certa vez disse que "from some fissure the somke of Satan has entered the temple of God" (por alguma fresta, a espírito do demônio entrou na Igreja).

Eu lembrei desta frase várias vezes ao ler o documento do sínodo de ontem, o documento promete abrir várias frestas para satã. Hoje vou falar sobre a lei do gradualismo.

Será que a Igreja vai distorcer o que escreveu São Paulo e São João Paulo II?

O teólogo católico Jimmy Akin explica uma passagem do documento do sínodo que trata da "lei do gradualismo". Esta lei não significa se adaptar gradualmente ao mundo moderno!! É o que explica Akin.

Aqui vão as passagens sobre esta lei que está escrito no documento do sínodo. Explico a argumentação brilhante de Akin em seguida:


13. From the moment that the order of creation is determined by orientation towards Christ, it becomes necessary to distinguish without separating the various levels through which God communicates the grace of the covenant to humanity. Through the law of gradualness (cf. Familiaris Consortio, 34), typical of divine pedagogy, this means interpreting the nuptial covenant in terms of continuity and novelty, in the order of creation and in that of redemption.
14. Jesus Himself, referring to the primordial plan for the human couple, reaffirms the indissoluble union between man and woman, while understanding that “Moses permitted you to divorce your wives because your hearts were hard. But it was not this way from the beginning” (Mt 19,8). In this way, He shows how divine condescension always accompanies the path of humanity, directing it towards its new beginning, not without passing through the cross. . . .
17. In considering the principle of gradualness in the divine salvific plan, one asks what possibilities are given to married couples who experience the failure of their marriage, or rather how it is possible to offer them Christ’s help through the ministry of the Church. In this respect, a significant hermeneutic key comes from the teaching of Vatican Council II, which, while it affirms that “although many elements of sanctification and of truth are found outside of its visible structure … these elements, as gifts belonging to the Church of Christ, are forces impelling toward Catholic unity” (Lumen Gentium, 8).
47. As regards the possibility of partaking of the sacraments of Penance and the Eucharist, some argued in favor of the present regulations because of their theological foundation, others were in favor of a greater opening on very precise conditions when dealing with situations that cannot be resolved without creating new injustices and suffering. For some, partaking of the sacraments might occur were it preceded by a penitential path – under the responsibility of the diocesan bishop –, and with a clear undertaking in favor of the children. This would not be a general possibility, but the fruit of a discernment applied on a case-by-case basis, according to a law of gradualness, that takes into consideration the distinction between state of sin, state of grace and the attenuating circumstances.

Vemos que o sínodo parece indicar que a lei de gradualismo significa se adptar às novidades do mundo moderno, com relação ao casamento.

Jimmy Akin explica, no entanto.

Lei do gradualismo é um princípio usado na teologia moral e pastoral católica, segundo a qual as pessoas devem ser encorajadas a crescer mais perto de Deus e seu plano em suas vidas de uma maneira passo-a-passo em vez de esperar para saltar de uma conversão inicial para a perfeição em um único passo.

Esta lei é baseada em São Paulo, que fez uma analogia entre o beber leite e comida sólida. Vejam abaixo as passagens:

- Hebreus 5: 12-14

Depois de tanto tempo, já devíeis ser mestres; no entanto, ainda precisais de alguém que vos ensine as coisas mais elementares das palavras de Deus. Em vez de alimento sólido, ainda precisais de leite. Ora, quem precisa de leite ainda é criança e não tem experiência para distinguir o que é certo e o que é errado. E o alimento sólido é para os adultos que, pela prática, estão preparados para distinguir o que é bom e o que é mau.

- 1 Coríntios 3:1-3

Quanto a mim, irmãos, não pude falar-vos como a homens perfeitos na fé, mas apenas a uma gente fraca, como a crianças em Cristo. Dei-vos a beber leite, não alimento sólido, pois não o podíeis suportar. Nem mesmo agora podeis, pois ainda vos deixais levar por instintos egoístas. De facto, se entre vós há invejas e contendas, não será pelo facto de serdes guiados por instintos egoístas e por vos comportardes como qualquer um?

- 2 Coríntios 10:6

Estamos prontos também para castigar todos os desobedientes, assim que for perfeita a vossa obediência.

Em 1980, no sínodo da família, esta lei foi mencionada para tratar de métodos contraceptivos, quando foi declarado que os casais que usam estes métodos podem receber comunhão se prometerem eliminar gradualmente o uso destes medicamentos.

João Paulo II declarou, no entanto, no Familiaris Consortio, mencionado pelo documento do sínodo deste ano que:

[Married people] cannot however look on the law as merely an ideal to be achieved in the future: they must consider it as a command of Christ the Lord to overcome difficulties with constancy.And so what is known as ‘the law of gradualness’ or step-by-step advance cannot be identified with ‘gradualness of the law,’ as if there were different degrees or forms of precept in God’s law for different individuals and situations. In God’s plan, all husbands and wives are called in marriage to holiness...

Traduzo

Pessoas casadas não podem entretanto olhar para a lei como meramente um idela para ser alcançado no futuro: eles devem considerar a lei como uma ordem de Cristo, Nosso Senhor, para superar as dificuldades constantemente. E assim o que é conhecido como lei do gradualismo, um avanço passo a passo, não pode ser identificado com gradualismo da lei, como se houvesse diferentes graus de princípio na lei divina que são aplicados em diferentes indivíduos ou situações. No plano divino, todos maridos e esposas são chamados para a santidade no casamento...

Akin, então, responde, se a teologia da "lei do gradualismo" mencionada no documento do sínodo deste ano é a mesma usada tradicionalmente pela Igreja.

Ele responde que NÃO. Para Akin, o documento sínodo parece defender o que foi condenado por João Paulo II, que condenou o "gradualismo da lei".   Diz Akin.

"Pelo menos a partir do que foi dito até agora, parece mais para refletir a "gradualidade da lei" que foi advertido contra nesses documentos, de acordo com o qual uma ruptura decisiva com o pecado não é necessária antes de receber a absolvição e a Sagrada Comunhão, e em que um padrão diferente do que constitui pecado seria aplicada a alguns do que é aplicado a outros."

Mas Akin alerta que o documento do sínodo não altera a tradicional posição da lei do gradualismo porque não é um documento do Magistério da Igreja é apenas um texto para discussão. 

Ufa!

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Rezemos pela Igreja. 

Vamos pedir a intercessão de São João Paulo II para a Igreja. Aqui vai a oração (em inglês) que encontrei para a novena de João Paulo II.

PRAYER FOR INTERCESSION OF POPE ST JOHN PAUL II

O Blessed Trinity, we thank you
For having graced the Church with
Saint John Paul II and for allowing
The tenderness of your fatherly care,
The glory of the Cross of Christ
And the splendor of the Spirit of love
To shine through him.

Trusting fully in your infinite mercy
And in the maternal intercession of Mary,
He has given us a living image of
Jesus the Good Shepherd.

He has shown us that holiness
Is the necessary measure of ordinary
Christian life and is the way of
Achieving eternal communion with you.

Grant us, by his intercession,
And according to your will,
The graces we implore,
Through Christ our Lord. Amen.


terça-feira, 14 de outubro de 2014

Parece que Não Existe Pecado nem do lado de Baixo, nem do lado de Cima do Equador


Parece que Ney Matogrosso e Chico Buarque (autor da música) convenceram a Igreja Católica. A Igreja não quer falar mais de pecado.  Foi a sensação que tive ao ler o documento prévio do sínodo da família, divulgado ontem.

Até católicos que se autodenominam conservadores, como este aqui, acham que Ney Matogrosso tem razão.

Não estou brincando, durante o sínodo os membros do clero trataram de afastar qualquer menção que homossexualismo e adultério seria pecado. Diz o texto do site Life News (traduzo azul)

Falando na conferência de imprensa do Vaticano desta tarde no Sínodo o porta-voz, Dom Thomas Rosica, observou que tem havido muita discussão sobre a linguagem em deliberações do Sínodo. 

Padre Rosica explicou o que ele acredita ser "uma das intervenções mais marcantes" do dia, lembrando que de acordo com o apresentador linguagens, como" viver em pecado ","intrinsecamente desordenados ", ou "mentalidade contraceptiva " não são necessariamente as palavras que convidam as pessoas a se aproximar de Cristo e da Igreja. "

"Há um grande desejo de que a nossa língua tem de mudar, a fim de atender às situações concretas", acrescentou. 

A linguagem do Catecismo da Igreja Católica relativa à homossexualidade tem sido um ponto de críticas inflamadas por parte de certas facções na Igreja. 

O Catecismo afirma: "Apoiando-se na Sagrada Escritura, que apresenta os atos homossexuais como atos de depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos homossexuais são intrinsecamente desordenados ". 

O Catecismo também declara que contracepção artificial é "intrinsecamente mau" e critica fortemente a coabitação antes do casamento.

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O próprio Papa Francisco declarou que "toda lei que não leve a Cristo é obsoleta".

No passado, esse tipo de afirmação era entendida como uma crítica às leis seculares, mas com o Papa Francisco isto é entendido como uma crítica à lei canônica da Igreja. Tristemente.

E o que diz o documento, celebrado na imprensa brasileira como "uma aproximação da Igreja aos gays"?

Muita gente, graças a Deus, entendeu como eu que o documento é terrível, péssimo. Como:

1) Voice of the Family, defensores da família e vida, que chamaram o documento de uma traição. O diretor do Voice of Family disse (traduzo em azul):

"Aqueles que estão controlando o Sínodo traíram os pais católicos em todo o mundo. Acreditamos que o relatório "meio caminho" do Sínodo é um dos piores documentos oficiais elaborados na história da Igreja.

"Felizmente, o relatório é um relatório preliminar para discussão, em vez de uma proposta definitiva. É essencial que as vozes dos fiéis leigos que sinceramente viver os ensinamentos católicos também são levados em conta. Famílias católicas estão aderindo ao ensinamento de Cristo sobre o matrimônio e da castidade por suas pontas dos dedos ".

2) Como o presidente da Conferência dos Bispos da Polônia, que chamou o documento de inaceitável, que se distancia dos ensinamentos de João Paulo II.

3) Como tantos blogs católicos, como o Creative Minority Report, que disse que o documento lembra alguém segurando um para-raio em campo aberto pedindo para Deus jogar um raio.

4) Ou o site The American Catholic e muitos outros que dizem que a Igreja Católica agora virou a Igreja Episcopal, que aceita gays como padres, etc.

E o que diz o documento?

Muita gente fez análise dele e viu os deslizes teológicos e doutrinários.

Um site que analisou parágrafo a parágrafo foi o Blog dos Católicos de Dallas.

Ele mostra coisas como, com o documento em preto e a crítica em vermelho:

Homosexuals have gifts and qualities to offer to the Christian community: are we capable of welcoming these people, guaranteeing to them a fraternal space in our communities? Often they wish to encounter a Church that offers them a welcoming home. Are our communities capable of providing that, accepting and valuing their sexual orientation, without compromising Catholic doctrine on the family and matrimony?  [This is so utterly contrary to the Gospel and ALL the Fathers that it is simply staggering]

The question of homosexuality leads to a serious reflection on how to elaborate realistic paths of affective growth and human and evangelical maturity integrating the sexual dimension: it appears therefore as an important educative challenge.  [Yes, but the Church has utterly failed at catechesis at ALL levels going back decades.  Now it's suddenly going to get better?]  

In the same way the situation of the divorced who have remarried demands a careful discernment and an accompaniment full of respect, avoiding any language or behavior that might make them feel discriminated against.  [Many sinners feel discriminated against. It is a fundamental aspect of our fallen natures to seek justification for our sin, and it appears these men mean to provide adulterer's with manifold justifications]  
For the Christian community looking after them is not a weakening of its faith and its testimony to the indissolubility of marriage, but rather it expresses precisely its charity in its caring.  [Nothing but a naked assertion, completely unsupported by Scripture, Tradition, or even reason.  In other words, whoever wrote this is saying "it is so because I say it is so," and nothing else.]
As regards the possibility of partaking of the sacraments of Penance  [THIS IS BULL!  There is nothing, at all, that stops anyone at anytime from partaking of the Sacrament of Penance.  That doesn't mean absolution is guaranteed, you have to show contrition and amendment, but the Sacrament is always available to anyone at anytime - provided they can find a parish that offers it more than one half hour a week.] 

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Eu não preciso acrescentar nada ao que disse o autor do Blog de Dallas ou ao que disse o Voice of the Family ou ao que falou o presidente da conferência dos bispos da Polônia. Leiam todos. São excelentes.

Por fim, uma nota de otimismo que vem do especialista em lei canônica, Edward Peters, no texto Keep Calm and Canon On.

Confiemos na Lei Divina, apesar do Papa Francisco.



(Agradeço o texto da Life News ao site The American Catholic e o texto do Blog de Dallas, do Voice of the Family e do Presidente dos Bispos da Polônia ao site PewSitter)

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Bispos contra Papa Francisco. A Confusão do Sínodo.


A Rádio Renascença, que faz parte da Conferência de Bispos de Portugal, está afirmando que os bispos do sínodo elegeram conservadores para elaborar o relatório final do Sínodo da Família e que o Papa Francisco, em uma atitude ditatorial, nomeou a seu bel prazer seis membros esquerdistas do clero para contrabalançar.

Será que estamos vendo o Papa tentando impor uma ideologia sobre os bispos e eles estão resistindo? É o que parece.

Dentro os eleitos pelos bispos está o grande cardeal Burke. Nunca escondi que desejei que ele fosse eleito papa, é um homem preparadíssimo que ama muito a Doutrina da Igreja e sempre se levanta quando a Doutrina é atacada.

Vejamos o que diz a Rádio Renascença (em português de Portugal):

Sínodo entra em fase final com ambiente tenso em Roma
O Papa surpreendeu os participantes do sínodo ao nomear seis homens próximos de si e vistos como liberais para ajudar a escrever o relatório do sínodo. 

por Aura Miguel, em Roma

No final de uma semana de confrontos, onde ficou patente haver duas abordagens diferentes em relação aos temas mais polémicos, como o acolhimento a homossexuais ou pessoas em uniões irregulares, incluindo o acesso aos sacramentos por parte destes. 

O Papa, que nunca falou mas ouviu tudo o que se disse na aula sinodal, nomeou, sem que nada o fizesse prever, seis pessoas para reforçar a comissão que deve fazer o relatório do sínodo. O cardeal Erdö, de Budapeste, continua à frente da mesma. 

O facto está a preocupar aqueles que defendem manter a disciplina actual da Igreja em relação a estes temas, uma vez que todas as pessoas nomeadas pelo Papa são de tendência liberal, ao contrário de Erdö. 

Entretanto os padres sinodais elegeram, através de voto secreto, os nomes dos responsáveis pelos grupos de trabalho linguísticos que, ao longo da próxima semana, irão debater questões mais específicas. 

Aqui, porém, assistiu-se a um reforçar da posição conservadora, com figuras como o Cardeal Burke e o Cardeal Sarah, ambos tidos em alta conta pela ala conservadora, a serem eleitos, bem como o Cardeal Bagnasco. 

Sinais de que a discussão está para durar e que até se poderá intensificar ao longo da próxima semana. 

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Estas informações sobre um possível embate entre os bispos e o Papa, eu li no site Rorate Coeli.

Carbeal Burke deu uma entrevista recentemente sobre o sínodo para a rede católica EWTN. O grande especialista em direito canônico, Edward Peters, comentou a entrevista.

Rezemos pela Igreja, neste dia de Nossa Senhora Aparecida.

Eu nunca vi tamanha confusão e conflito aberto. O Papa Francisco não está liderando a Igreja na paz. Isto é fato.



sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Fofocas de Cardeiais na "Ditadura" do Papa Francisco


O que os cardeais falam do Papa? O que Papa faz por trás dos panos, escondido da mídia? Como o Papa usa a mídia para atacar membros do clero? O que eles fofocam entre si? Como eles agem uns contra os outros? É triste saber sobre tudo isso. É medonho ver "príncipes da Igreja" e o próprio Papa descendo vários níveis da desonestidade pelo poder.

Mas ontem eu li um texto que merece ser lido sobre o assunto. O texto é de Robert Royal que escreve sobre as fofocas no contexto do sínodo sobre família. Robert Royal é autor de muitos excelentes livros sobre a Igreja (eu li um sobre os mártires) e editor do The Catholic Thing,

Vou traduzir aqui parte do que disse Royal. Leiam principalmente os três primeiros parágrafos.

O clima em Roma é - vamos falar claramente - tenso. De acordo com uma fonte bastante confiável no local, não é apenas os "Ratzingerians" como o Cardeal Burke que vêm sofrendo um vento gelado. São também cardeias mais "moderados" cardeais e membros da Cúria que simplesmente não sabem o que fazer com o que está acontecendo. E temem o que pode acontecer se eles disserem a coisa "errada" - difícil de evitar, quando as coisas não são tão claras. 

Eu já relatei palavras duras do papa contra defensores da tradição,  em uma homilia estranha que pode ser entendida contra todos aqueles ao longo dos séculos que haviam defendido a indissolubilidade do casamento, como se eles fosse autoritários e legalistas de auto-promoção. 

Mas o que eles pensam do papa por trás dos holofotes - mais uma vez, para além dos habituais suspeitos conservadores e em, figuras tradicionais mais neutras - também é igualmente azedo: "um ditador latino", "um Peron",  alguém que gosta de ser o centro do palco no centro das atenções . E talvez o comentário mais chocante de tudo a partir de mais de uma pessoa: "Sua saúde é ruim, então, pelo menos, isso não vai durar muito tempo." 

A palestra do Papa fala sobre um espírito de abertura. Mas há gente experiente em Roma que acredita que se isso ocorrer, cabeças vão rolar. Algumas já rolaram.

Quando eu cobri o Conclave que elegeu o Papa Francisco, em 2013, uma das coisas impressionantes para alguém como eu, que vive em Washington por 30 anos, foi a rapidez com que as conversas que deveriam estar fora do registro - mesmo as apresentações que precederam o Conclave que os cardeais juram manter em segredo - vazaram aos jornais italianos. Temos vazamentos em Washington, também, mas eles são, basicamente, algumas gotas, um aqui outro ali -. Em Roma, eles parecem usar uma mangueira de incêndio. 

Pouco depois do Conclave 2013, um cardeal me disse em particular que ele ficou surpreso de que a intervenção do Cardeal Raymundo Damasceno Assis de Brasília de alguma forma tinham sido transcritas e publicadas na imprensa no dia seguinte, apesar dos esforços de segurança do Vaticano para segurar a natureza privada da apresentações: "E o que é ainda mais surpreendente, ele falou sem um texto. Eu estava sentado ao lado dele, e ele estava apenas falando, sem nada preparado com antecedência. Alguém deve ter registrado desde que não havia nenhum texto a vazar. Suas observações aparecem, praticamente palavra por palavra, tanto quanto eu poderia dizer, no dia seguinte, na impressão. "

Não é nenhum segredo em Roma que cardeais e outros altos funcionários do Vaticano têm "seus" jornalistas especiais para quem vazar o material. 

Roma é um lugar de fofoca. Mas é tipicamente sobre o tipo de política de escritório a maioria das pessoas não se importam muito sobre. Normalmente, ele pode ser ignorada. Não desta vez. Cardeias xingando outros cardeais. Duras críticas sobre o Papa. Comentários maldosos sobre sua saúde frágil e, possivelmente curto reinado. 

Nos tempos modernos, nunca foi desta maneira.

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Há algo de muito podre no pontificado do Papa Francisco. Infelizmente.

Eu fiquei bastante triste ao ler este texto.

Rezemos mais pela Igreja, o que ocorre fora dos holofotes e até diante dos holofotes (com palavras ditas ao público direcionadas a atacar membros do clero) são de muito baixo nível. Todo mundo sabe que a Igreja é o principal objetivo de domínio do demônio. Vemos o demônio bem presente entre os membros do clero.

Que São Francisco Bórgia, santo do dia de hoje, que conheceu o poder e viu que não valia nada, proteja a Igreja e oriente os cardeais.

Leiam todo o texto de Royal. Há link para outro texto do autor que debate os argumentos do Papa Francisco.



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(Agradeço o texto de Royal ao site PewSitter)