sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Teoria do Caos, Filosofia (Erística) e Racionalidade Limitada para Tratar de Comércio Exterior


Caríssimos, para a minha felicidade, ontem foi publicado meu livro "Perspectivas do Comércio Exterior do Brasil em um Mundo Caótico e sem Vantagem Comparativa".

Vou contar aqui um pouco da história desse meu "filho".

A Editora Prismas me convidou para ser Diretor Científico de publicações sobre o Comércio Exterior no ano passado. Aceitei a função, coordenei a publicação de uma coletânea de artigos de vários renomados autores e resolvi também fazer minha colaboração para o tema.

A coletânea de artigos será publicada em breve.

O meu livro foi publicado antes.

Eu costumo ser professor de gestão de negócios internacionais e nunca gostei muito da abordagem de livros sobre comércio exterior, são repetitivos e filosoficamente simples demais para o meu gosto.

Eu sempre achei que as perspectivas de comércio exterior desses livros são muito falhas pois não mostram as bases filosóficas deles em um mundo que é cada vez mais um caos e sofista. E sempre achei que a formação dos economistas é muito ruim.

Minha tese de doutorado de 2006 foi sobre "racionalidade limitada", teoria que recebeu outro Prêmio Nobel esse ano.

Resolvi expor como eu acho que deve ser analisado as perspectivas de comércio exterior do Brasil, agregando "teoria do caos", "racionalidade limitada" e  "erística" (sofismo ou falácias usadas para vencer um debate sem necessariamente ter razão).

Apesar de ser um livro técnico, Chesterton dá a epígrafe do livro e Padre Antonio Vieira e Santo Agostinho agregam valores especiais ao texto.

Acho que ficou muito interessante.

Espero que gostem, o livro está disponível para compra no site da Editora e estará em breve em outras livrarias.

Abaixo vai o Sumário do livro e um pouco da Introdução














---
Introdução:

O ano de 2017 marca o bicentenário do livro Princípios de Economia Política e Tributação[1], de David Ricardo. A doutrina da vantagem comparativa que é base teórica e até filosófica do livre comércio tem fonte seminal nesse livro. Essa doutrina também fundamenta a Organização Mundial do Comércio (OMC) na sua busca por abertura comercial. A vantagem comparativa advoga que o comércio é benéfico para os dois lados, mesmo que uma das partes seja melhor na produção de todos os bens. Foi elaborada pelo economista David Ricardo, no capítulo 7, parágrafo 16, do seu livro, tratando das produções de vinho e tecidos em Portugal, em seu comércio com a Inglaterra.
Ricardo argumentou que Portugal deveria se concentrar na produção de vinhos, mesmo produzindo tanto vinho como tecidos com  menos mão de obra do que os ingleses. Pois Portugal tinha, usando um termo só definido posteriormente, menor “custo de oportunidade” na produção de vinho do que na produção de tecidos. Dessa forma, por trás da ideia de vantagem comparativa está a lógica do “custo de oportunidade”, que, por sua vez, é um benefício que é abdicado em favor de outro.
O “custo de oportunidade” considera que o benefício e o custo de uma ação devem ser medidos pelo o que se deixou de fazer, o que demanda uma análise ampla de todas as oportunidades disponíveis.
Por isso, faltou a Ricardo analisar, por exemplo, se Portugal só tinha disponível vinho e tecidos para produzir, se apenas o custo de mão de obra para analisar, se só a Inglaterra como parceiro comercial, e se, da mesma forma, a Inglaterra não poderia aprimorar seus métodos de produção e o uso da terra. Sem falar que a troca comercial entre Portugal e Inglaterra é dependente do momento e da questão tecnológica. David Ricardo deixou claro que baseia sua análise apenas no custo do trabalho. e também se sabe que no modelo de crescimento econômico dele não há progresso tecnológico. Ricardo aceitou, por sinal, a teoria populacional de Thomas Malthus.
 Apesar de o “custo de oportunidade” ter aplicação muito mais ampla e fundamentar a própria lógica de vantagem comparativa, a OMC argumenta que se pode dizer que a ideia de vantagem comparativa é “a mais poderosa ideia da teoria econômica”[2].
Em todo caso,  é preciso  saber se a doutrina da vantagem comparativa ainda tem sentido, em um mundo com i) baixíssimos custos de transporte e de comunicação; ii) avançada tecnologia de produção, que adota robotização na produção em diversos setores; iii) alta especialização da produção; iv) possibilidade ampla de realizar toda a produção no exterior; e v) força das multinacionais. A própria OMC reconhece que os países estão ficando similares e assim as vantagens comparativas dos países estão sendo eliminadas[3].
A importância do fundamento das vantagens comparativas depende de fatores que não são fatores econômicos, são questões ideológicas que determinarão o futuro das vantagens comparativas. Para onde o mundo está caminhando para uma ampliação da globalização ou para o reforço do nacionalismo? Até bem pouco tempo atrás, eram políticos de vertente esquerdista que atacavam a globalização e defendiam a produção nacional, mas agora políticos de direita se juntam para atacar o que chamam de “globalismo”. Na campanha presidencial dos Estados Unidos, era Hillary Clinton que apoiava os acordos internacionais de livre comércio, enquanto Trump denunciava o impacto perverso desses acordos nos empregos dos americanos. No Brasil, sempre se disse que presidentes republicanos, como Trump, eram bons para o comércio brasileiro por defenderem o livre comércio ideologicamente, enquanto presidentes democratas, como Obama, prejudicavam as exportações do país por insistirem na produção doméstica, por conta da ideologia nacionalista.  No caso de Obama com o Brasil, a relação do ex-presidente com o país não foram boas, nem mesmo politicamente, apesar da admiração acentuada dos jornalistas brasileiros por ele. Fato reconhecido pela própria administração Obama[4]. Trump promete uma visão mais nacionalista, então a expectativa em geral não é boa para o Brasil, mas há nuances que o Brasil pode aproveitar. Discuto isso no Capítulo 3.
Deve-se considerar também que no arcabouço institucional dos Estados Unidos, o Congresso americano tem muito poder, incluindo sobre políticas comerciais. Um presidente deve saber negociar com o Congresso, especialmente quando é dominado pelo partido opositor. Obama foi considerado o pior presidente da história dos Estados Unidos em termos da sua capacidade de passar leis com apoio do Congresso[5]. Assim como Obama, Trump inicia seu governo com seu partido dominando tanto a Câmara como o Senado, vamos ver se consegue se sair melhor que seu antecessor. Não é difícil, uma vez que Obama, em oito anos, aprovou menos leis que Jimmy Carter, que teve apenas quatro anos de governo.
A China, o mais importante parceiro comercial do Brasil, não tem esse problema típico da democracia, de conflito entre poder executivo e poder legislativo. Não se pode nem questionar as decisões econômicas, políticas e sociais do partido único da China. Nem mesmo os dados econômicos. O  partido único na China está presente desde o ventre da mãe chinesa até o carro chinês exportado.
No Brasil, o presidente tem mais força e em geral tem apoio da maioria do Congresso. Mas em se tratando do que os políticos brasileiros pensam sobre comércio exterior, não há diferenças ideológicas acentuadas entre os partidos políticos. Em termos de comércio exterior, os partidos políticos brasileiros defendem certo nacionalismo na produção. Não há defesa da globalização entre os principais líderes políticos no Brasil e nunca houve de forma significativa um político brasileiro defendendo a abertura comercial como benéfica para o país. Governos brasileiros, em geral, de todas as nuances ideológicas, falam em aumentar a produtividade brasileira, e chegam até a reconhecer as importações como importante fator para isso, mas não passam muito do discurso. Normalmente,  no Brasil espera-se benesses do comércio exterior, sem que o país faça a sua parte para alavancar o comércio global. E os partidos políticos brasileiros são muito idênticos, não só em questões econômicas, o que é ruim para  a democracia.
Hoje em dia as vozes contra a globalização estão dos dois lados do espectro político em boa parte dos países. No mundo acadêmico, a defesa da globalização ficou restrita a defensores do livre comércio que seguramente são uma minoria nas universidades do mundo. E aqueles que atacam a globalização falam não só em questões econômicas, mas também em questões sociais, por conta do avanço de organizações como a Organizações das Nações Unidas (ONU) e União Europeia na legislação dos países, procurando aprovar medidas de forma global que têm amplo impacto cultural, social e até religioso. Mesmo organizações que foram formadas estritamente para lidar com questões econômicas, como o grupo de países G20, estão com uma agenda social ampla, que por vezes atrapalham ou atrasam as negociações comerciais.
Não quero dizer com isso que as negociações comerciais sejam mais importantes do que a agenda social. Eu defendo justamente o contrário, mas não estou certo de que todas as questões sociais sejam mais bem resolvidas globalmente do que localmente. Também não defendo que questões econômicas se isolem de questões sociais, aqui argumento também justamente pelo o contrário. Mas se é para tratar de questões sociais dentro de questões econômicas a formação dos debatedores deve ser diferente.
Como é possível prever o comércio exterior nessas circunstâncias de fraqueza das vantagens comparativas e críticas generalizadas à globalização?
Chamado no Brasil de Paiaçu (grande pai), o filósofo, religioso, escritor e diplomata português Padre Antonio Vieira, em seu livro História do Futuro, disse que o homem, sendo filho do tempo, do presente sabe pouco, do passado menos e do futuro nada[6]. Essa percepção de Vieira já deveria servir de alerta para todos que analisam o futuro em análises de perspectivas, sejam com base nas informações do presente ou nas do passado. Aqui tratamos das perspectivas do comércio exterior do Brasil tentando lembrar a humildade exigida por Vieira.
É fato reconhecido que economistas e organizações internacionais têm péssima reputação em matéria de previsão econômica, especialmente quando se pensa em termos de crise econômica. Em relação à crise econômica de 2008, por exemplo, conta-se nos dedos das mãos os economistas que a previram[7]. Tempos de desordem e caos econômico são períodos em que a análise econômica tende a errar mais, e, paradoxalmente, são nesses períodos que economistas e organizações econômicas são mais necessárias e relevantes. Mas, mesmo em tempos de calmaria, não confie muito em um economista sobre, por exemplo, qual será a taxa de câmbio de final de ano ou qual companhia será mais valorizada nas bolsas de valores. Se ele for do governo certamente será limitado por questões políticas, se ele for de banco será limitado pelo portfólio de investimentos do banco.
Loungani[8], economista do Fundo Monetário Internacional (FMI), tratou da capacidade preditiva dos economistas. E relatou que apenas 2 das 60 recessões que ocorreram no mundo desde os anos 90 foram previstas. E que dois meses antes de cada recessão começar, 25% das previsões ainda eram de crescimento econômico para o país em questão. Além disso, as previsões eram mais otimistas do que a recessão em 50 dos 60 casos. Alan Greenspan, presidente do Federal Reserve, disse em agosto de 2000, um mês antes da recessão econômica provocada pela “bolha tecnológica”, que aqueles que acham que os Estados Unidos estavam com perda de dinamismo econômico verão que estão errados. Após a crise de 2008, Ahir e Loungani[9] também discutiram a capacidade de previsão dos economistas. Eles consideraram 77 países, dos quais 49 estavam em recessão em 2009. Quantos economistas de três importantes fontes (Consensus Economics, FMI e OECD) em 2008 previram que esses 49 países estariam em recessão em 2009, segundo esses autores? Resposta: nenhum.
Em 2013, Greenspan, reconheceu que ele sempre foi muito mais matemático do que psicólogo, mas que usando matemática e modelos econométricos, mesmo os mais avançados, não se consegue prever de forma adequada as variáveis econômicas. Para ele dever-se-ia incorporar fatores psicológicos, como euforia, irracionalidade, instintos, medos e emoções[10].  Em 2014, escrevendo para a revista Foreign Affairs, Greenspan novamente pôs a culpa na irracionalidade para explicar a falta de poder de previsibilidade dos modelos econômicos[11].
Essa irracionalidade não é apenas de investidores, mas dos próprios economistas e políticos. Por exemplo, o Brasil viu de perto a volatilidade irracional das previsões dos economistas, em pequeno espaço de tempo. De 2009 até 2012, o mundo econômico e político achava que países como Brasil e China seriam os novos líderes da economia global. Eu mesmo tive a oportunidade de participar  de reuniões do G20, uma organização global que reúne as maiores economias do mundo, em 2008, e o que se falava repetidamente é que havia um “descolamento” de Brasil e China da grande crise financeira que o mundo desenvolvido atravessava. A partir de 2013, o Brasil entrou em decadência nas considerações dos analistas, até ser o patinho feio, apresentando o pior crescimento econômico entre as principais economias globais entre 2014 e 2016. A China também sofre com queda do crescimento e elevado endividamento. Se é assim, em tão pouco tempo, como se pode prever um futuro mais longínquo?
Temos ainda o velho problema da falta de confiança nas informações econômicas que vêm da China. Por vezes, os próprios estatísticos do governo chinês admitem que alguns dados econômicos são fraudulentos e falsificados[12].  Em 2015, pesquisa mostrou que 96% dos economistas dos Estados Unidos não confiam nos dados do PIB chinês[13]. Em 2017, uma província chinesa admitiu criar números para que seus administradores aparecessem bem na foto, melhorando os dados fiscais em 20%, por exemplo[14]. O próprio Li Keqiang, primeiro-ministro da China, admitiu que o PIB da China é manipulado e assim não é confiável[15].
Em geral, as justificativas para erros de previsão são de que os economistas e organizações não consideram fatores relevantes ou riscos relacionados em suas análises. Acho, no entanto, que é importante inicialmente considerar restrições burocráticas, justificativas que não são filosóficas, ideológicas ou sistêmicas, para os erros de previsão dos economistas. Quatro justificativas burocráticas podem ser relacionadas a quatro tipos de economistas, diferenciados pela instituição em que trabalham:
a)      Economistas de organizações econômicas internacionais sofrem o peso político dessas organizações, e não têm tanta liberdade para estabelecer suas previsões. Afinal, quem financia e controla essas instituições, como FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Conferência das Nações Unidas para o Comércio (UNCTAD), são os próprios países;
b)      Economistas de órgãos públicos além de sofrerem o peso político dos líderes em voga, também tendem a considerar que o Estado têm muitas ferramentas para evitar uma recessão. Essa visão também muitas vezes é compartilhada por economistas do mercado, que em geral consideram, por exemplo, que os governos chinês ou norte-americano sempre conseguem evitar recessões.
c)      Economistas de instituições financeiras ou de agências de risco sofrem o peso das aplicações financeiras de suas instituições. Elas têm dinheiro alocado para determinado futuro.
d)     Economistas de universidades sofrem pela falta de experiência no mercado e em governos.

Além dessas justificativas práticas, temos falhas da modelagem econômica, que i) ou não consideram variáveis relevantes, que por vezes não são passíveis de serem calculadas; ii) ou reproduzem demais o passado; iii) ou não consideram o recorrente relacionamento corrupto entre Estado e mercado; iv) ou determinam previsões distorcidas  pela ideologia política e cultural de quem modela.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Catalunha (Parte 2) - República Catalã de 1934 ao Fim da Guerra Civil - Autor: Fuentecalada


Ainda não recebi os dois últimos textos de Fuentecalada, mas essa parte da Guerra Civil é a mais assustadora do desastre comunista na Catalunha. O relato dele é impressionante. Essa freira da foto acima carbonizada na Catalunha revela bem como o diabo andava solto por lá na Guerra Civil. E isso ainda tem muito efeito nos dias de hoje, basta ver a última foto do texto de Fuentecalada.

Para aqueles que não leram sobre a formação histórica da Catalunha, cliquem aqui.

Aqui vai a parte 2, de quatro partes, sobre a Catalunha, que pedi para o Fuentecalada escrever para o blog. Vocês verão que ele sabe tudo sobre o assunto. Não encontrarão esse texto nos jornais ou revistas. É texto para leigos e historiadores.

Quem tem um amigo que escreve um texto desse não morre ignorante.

Aqui vai a parte 2:

República Catalã” de 1934 e Guerra Civil (1936-1939).

Autor: Fuentecalada


O rei Alfonso XIII, sentado, ouve pronunciamento do General Miguel Primo de Rivera.
Em meados de setembro de 1923, o então comandante geral do exército na região da Catalunha, General Miguel Primo de Rivera, em meio à escalada de atos terroristas, greves e ações violentas conduzidas por anarquistas, além de arruaças promovidas pelas alas radicais do “nacionalismo catalão”, iniciou um levante militar com o apoio da tradicional milícia parapolicial catalã, a somaten. O rei não se opôs ao golpe militar e nomeou Primo de Rivera chefe de governo. O período de governo de Primo de Rivera duraria até 1930 e contou com enfático apoio da Lliga Regionalista catalã, especialmente por Rivera haver restaurado as tarifas protecionistas que restringiam a entrada de produtos importados, mantinham os preços elevados e o controle do mercado espanhol pela indústria catalã. Em fevereiro de 1930, o rei nomeia chefe de governo o general Dámaso Berenguer com o propósito de “restabelecer a normalidade constitucional”. Em dezembro, o novo governo conseguiu sufocar um levante armado de republicanos e socialistas, organizado por um “comitê revolucionário” chefiado por Alcalá Zamora. Nas eleições de abril de 1931, os partidos republicanos-socialistas venceram em 41 das 50 capitais, apesar de serem derrotados nas zonas rurais. O resultado animou o ressurgimento público do “comitê revolucionário” que, dois dias depois, proclamou a República e se investiu em poderes de “governo provisório”. Sem apoio, o rei partiu para o exílio.
Para entender melhor o quadro político atual na Espanha, deve-se considerar que, além dos mais conhecidos partidos políticos Partido Popular (PP), Partido Socialista Obrero Español (PSOE) e a recente articulação esquerdista Podemos, há uma variação de denominações e identidades partidárias locais.

Na região da Catalunha, a Esquerra Republicana de Catalunya (ERC) apresenta-se como a continuidade do partido de mesmo nome que surgiu em 1931 pela fusão de diversas correntes independentistas e que sucedeu a Lliga Catalana no controle do governo local. Com a derrocada da monarquia espanhola e o advento da chamada Segunda República, a ERC de 1931, partido de intelectuais e de pouca penetração nos meios sindicais, “proclamou a República Catalana”. Francesc Macià é escolhido “por aclamação” como presidente, ato que se seguiu da “abertura de negociações” com o governo provisório republicano de Madrid, chefiado por Alcalá Zamora, e resultou na aprovação do “Estatuto de Autonomia”, em controverso referendo conduzido pelos dirigentes da então restabelecida “Generalitat”, controlada pela ERC, com percentual “soviético” de 99% dos votos. O “Estatuto” estabelecia o catalão como única língua oficial, vedava o acesso a cargos públicos aos demais cidadãos da Espanha, impunha tarifas protecionistas e indicava um projeto supremacista de incorporação de territórios circunvizinhos, o que gerou forte oposição parlamentar do Partido Agrario Español e da Comunión Tradicionalista Carlista, em minoria, e massivos protestos antiseparatistas.

Manifestação contrária ao “Estatuto” (1932). Mondial Photo-Presse.
Biblioteca Nacional da França.
No embalo que se seguiu à frustrada tentativa de golpe militar chefiada pelo General Sanjurjo, em agosto de 1932, o parlamento espanhol aprovou a lei de reforma agrária e uma versão mitigada do “Estatuto de Autonomia”, reduzido de 52 para 18 artigos, retirando o poder de tributação direta e assegurando a igualdade de direitos para os espanhóis de todas as regiões (Estos no tendrán nunca en Cataluña menos derechos que los que tengan los catalanes en el resto del territorio de la República – art. 3º, in fine), mas declarando o caráter bilíngüe da região, considerados idiomas oficiais o catalão e o castelhano.
Entretanto, a região passaria a dispor de um governo e um parlamento próprios, aptos a legislar sobre direito civil e ordem pública, decidir a respeito de obras de interesse local, controlar o ensino primário e secundário e a possibilidade de criar escolas e institutos, além de uma Universidade própria.
As eleições realizadas em seguida, novembro de 1932, com voto em lista partidária, sistema majoritário e exclusão do voto feminino, asseguraram a hegemonia da ERC para um mandato de cinco anos.
No mesmo período, sob a direta coordenação da Internacional Comunista e da seção do partido sediada em Madrid, reorganiza-se o Partido Comunista da Catalunha (PCC), que houvera se fragmentado em razão das contínuas dissensões internas. O PCC apresenta o seguinte programa político: denúncia do “caráter burguês e contra-revolucionário” do governo republicano espanhol, rejeição do “Estatuto” e de todas as demais agremiações esquerdistas e, por fim, preconiza a “libertação da Catalunha”.
Porém, o agrupamento revolucionário mais vigoroso, especialmente na região da Catalunha, era constituído pelos anarco-sindicalistas organizados na CNT – Confederación Nacional del Trabajo – España e na FAI -Federación Anarquista Ibérica, que organizariam três tentativas de levante revolucionário entre 1932 e 1934.

As eleições seguintes, em novembro de 1933, conduziram ao governo central a coalizão de centro-direita formada pelo Partido Republicano Radical e a Confederación Española de Derechas Autonómas (CEDA), o que foi respondido por Lluís Companys, em editorial no jornal La Humanitat, órgão oficial da ERC, com uma literal declaração de guerra ao novo governo, ainda não empossado.

Pesi a qui pesi, el defensarem fins a l'última hora, fins a la darrera gota de sang, fins al gest suprem de matar i de morir.



Companys, entre junho e setembro, exercera o cargo de Ministro da Marinha no gabinete do maçom Manoel Azaña, autor de célebre discurso em que pronunciara a frase triunfante: “España paró de ser católica”, afirmando, então, que tivera início uma nova fase na história do povo espanhol.
No Natal de 1933, Francesc Macià morre de apendicite, sendo sucedido na presidência da Generalitat por Lluís Companys, que deu seguimento a política de ultranacionalismo catalão, associado ao populismo esquerdista. Curiosamente, o cadáver de Macià torna-se alvo de “homenagens” bizarras, como a realização de ritos maçônicos que implicaram a retirada do coração e o posterior desaparecimento do corpo de sua tumba, substituído pelo de um desconhecido.
Em outubro de 1934, em consonância com a celebração da revolução soviética de 1917, inflamada pela esquerda comunista e sob a liderança de Largo Caballero, secretário-geral da Unión Geral de los Trabajadores (UGT), controlada pelo PSOE, associada à convocação de uma “greve geral revolucionária”, eclode uma tentativa de golpe armado no norte da Espanha. Llargo Caballero, que chefiava o PSOE e fôra ministro de Estado no governo de Alcalá Zamora, passaria a ser identificado pela propaganda comunista como “o Lênin espanhol”, até que o partido, no futuro, venha a se livrar dele.
Simultaneamente, estoura a sublevação em Barcelona, liderada por Companys, que secretamente impulsionara o alistamento de milícias nacionalistas paramilitares, uniformizados com camisas verde-oliva, los escamots. Companys proclamou a criação do “estado catalão dentro de uma república federalista espanhola”, mas não contou com o apoio da CNT, que mantinha choques de rua freqüentes com os escamots, acusando-os de serem uma “milícia fascista”. Apesar de estarem em maior número, o golpe foi sufocado pelos militares, resultando em 107 mortos em apenas uma noite e Companys ficou sujeito a ser condenado à morte por liderar o levante armado, sendo suspenso o “Estatuto”.
Seguiu-se uma campanha “humanitária” para obter o perdão para Companys, endossada por diversas personalidades catalães, sendo o monsenhor Manuel Irurita, bispo de Barcelona, um dos primeiros signatários do pedido de clemência. Dois anos depois, o bispo seria fuzilado pelas milícias revolucionárias que Companys, de volta ao poder, havia legalizado para “combater o fascismo”.
A insólita coalizão entre Radicales, anticlericais, e a CEDA, predominantemente composta por agremiações católicas e que era o partido majoritário no parlamento espanhol, desmoronou ao final de 1935, envolvida em recorrentes denúncias de escândalos de corrupção. Foram convocadas novas eleições para 1936, que resultaram na vitória, por escassa margem, da coalizão centro-esquerdista Frente Popular. Seguiram-se, de imediato, denúncias de fraudes escandalosas nas atas eleitorais e na recontagem dos votos, o que viria a ser comprovado posteriormente, fatos que passaram a ser conhecidos como “el ‘pucherazo’ del 36” (Manuel Álvarez Tardío y Roberto Villa García inFraude y Violencia en las elecciones del Frente Popular’. S. L. U Espasa Libros: 2017).
O programa da Frente Popular prometia a anistia ampla, geral e irrestrita de todos os condenados pela insurreição revolucionária socialista de 1934, o que foi colocado em prática tão logo empossado o novo governo. Companys, ainda preso, foi eleito deputado e saiu da cadeia para reassumir a presidência da Generalitat.
Em reação à progressiva radicalização do governo da Frente Popular e ao bárbaro assassinato do combativo deputado e líder monarquista Calvo Sotelo, retirado durante a madrugada de sua residência por membros da Guardia de Asalto e pistoleiros socialistas, sendo executado a tiros ainda no interior da viatura, teve início o levante contra-revolucionário do Exército espanhol e a Guerra Civil (1936-1939). Naquele dia, no decorrer dos debates parlamentares, a deputada comunista Dolores Ibaburrí, la Pasionaria, havia proferido as seguintes palavras: "Este hombre ha hablado por última vez”. E dirigindo-se diretamente a Calvo Sotelo: “Este es tu último discurso". A sentença de morte seria friamente executada antes que raiasse o dia e o corpo lançado na entrada de um cemitério distante.
Companys não podia contar apenas com suas milícias paramilitares e para enfrentar o levante militar na Catalunha, organizou um “Comitê de Milícias Antifascistas” e distribuiu armas aos anarco-sindicalistas da CNT, com os quais estabelecera laços na juventude, ao atuar como advogado de agitadores e pistoleiros anarquistas.
As milícias anarquistas e os demais grupos revolucionários assumiram o comando da “luta antifascista” e tomaram o poder de fato na Catalunha, dando imediatamente início a um programa de expropriação de empresas, ocupações, saques, seqüestro de contas bancárias, coletivização do campo e execuções sumárias. Progressivamente, os comunistas, agora agrupados no Partido Socialista Unificado de Cataluña (PSUC), sob ordens diretas de Moscou e do Partido Comunista Español (PCE), iriam assumindo o controle da situação e logo tratariam de ajustar velhas contas com seus rivais da CNT e do Partido Obrero de Unificación Marxista (POUM), antiga dissidência do PCC e resultado dos rachas sucessivos e da luta feroz pela supremacia nos meios revolucionários.
Conquanto alguns historiadores o vejam com simpatia, atribuindo a Companys o papel assemelhado ao de um mediador moderado entre os diversos partidos e agrupamentos extremistas atuantes na região, inegavelmente foi sob seu governo que foi proibido o culto católico e ocorreu a maior perseguição religiosa na história da região da Catalunha, na qual foram assassinados quatro bispos e 1.536 sacerdotes, o equivalente a 30% do clero catalão, além de freiras e leigos. Foram profanados, saqueados e destruídos sete mil edifícios religiosos (catedrais e igrejas centenárias, mosteiros, conventos, escolas, colégios, escritórios, arquivos, bibliotecas – ver, dentre outros, Rodolf Puigdollers Noblom inLa Sagrada Familia De Barcelona. Quan Les Pedres Criden”. Centre Pastoral Liturgica. 10ª Edição. 2014) e criados campos de concentração e câmaras de aprisionamento e tortura, conhecidas como chekas. Há registro de, pelo menos, 8.148 execuções de prisioneiros, dezenas autorizadas formalmente por Companys, em sua maioria sem qualquer julgamento.

Uma das sentenças de morte
assinadas por Companys.
Dentre os prisioneiros executados figura o general Francisco Jiménez Arenas, que assumira interinamente a presidência da Generalitat, após a prisão de Companys em 1934. Para dar ares de legalidade a essa execução, Jiménez Arenas fui submetido a “julgamento”, quatro meses depois de haver sido assassinado.
Lluís Companys discursa
Discurso de Companys em 1/5/1937


Em fevereiro de 1937, o jornal “Solidaridad Obrera”, órgão oficial da CNT, celebrava a lei de legalização do aborto, reconhecendo-o como uma “necessidade social” e uma “conquista revolucionária”.



Acima, página do jornal "Solidariedad Obrera", órgão oficial da anarquista CNT, em que eles comemoram mais uma "conquista revolucionária" (canto inferior direito): a publicação da Lei do Aborto, por decreto, editada no dia de Natal de 1936! 

A lei, aprovada por decreto no dia de Natal de 1936, fora batizada de “Reforma Eugenésica del Aborto”, permitindo o aborto até o terceiro mês de gravidez por “causas terapêuticas”, controle populacional, motivos “éticos” ou “sentimentais” e, ainda, para “controlar la calidad futura de la raza catalana”.
Com o avanço das tropas de Franco e a debandada dos dirigentes da Frente Popular, Companys fugiu para Paris. Aprisionado pelos alemães após a queda da França, Companys foi entregue ao governo espanhol que o sentenciou à pena máxima. Alguns relatos afirmam que, antes de enfrentar o pelotão de fuzilamento, Companys teria pedido a presença de um padre para confessar-se. Parece pouco plausível.


Carles Puigdemont, atual presidente da Generalitat, deposita coroa de flores no túmulo de Companys – 2017. Fonte: Govern catalão



Vídeo: A Hipocrisia de Hollywood



Muitos artistas, no Brasil e no exterior, estão sempre por aí defendendo feminismo, aborto, divórcio, gays, Che Guevara e que cada um seja feliz com seu próprio corpo, enquanto usam o próprio corpo para "vencer na carreira", procuram casar e ter filhos, matriculam seus filhos nas escolas mais tradicionais, nunca moram em Cuba, e procuram sempre estar bem magros para se sujeitar à moda da beleza.

O vídeo acima lembra que os artistas de Hollywood estão sempre prontos a nos dizer o que fazer por "um mundo melhor", enquanto na vida particular fazem o contrário do que pregam.

Esse pequeno vídeo mostra:

Leonardo de Caprio sempre defendendo o aquecimento global enquanto viaja de jatinho pelo mundo emitindo toneladas de gás carbônico.

Meryl Streep está sempre pronta a defender o feminismo enquanto protege renomados estupradores em Hollywood.

Artistas em geral defendem que todos andem desarmados enquanto só andam cercados por seguranças armados.



quarta-feira, 18 de outubro de 2017

33 Motivos para os Movimentos Pró-Vida e Pró-Família Agradecerem a Trump.


Hoje li que administração Trump declarou que NÃO existe direito constitucional para abortos. Mais um motivo para a grande alegria que tenho em ver Trump no poder.

Nessa semana, o site Life Site News divulgou a mais recente coleção de atos pró-vida e pró-família de Trump, desde que assumiu a presidência. Quando eu li eram 30, agora já são 31. Eles continuam catalogando no mesmo site e eu senti falta da nomeação do juiz pró-vida Neil Gorsuch para a Suprema Corte, que o próprio site Life News noticiou, então podem contar 33, a de hoje e a do Neil Gorsuch:

Vamos à lista com os outros 31 abaixo, coloco os fatos mais importantes dos 31, em negrito.

1. November 23, 2016 — Trump appointed pro-life Gov. Nikki Haley as UN ambassador. This signaled a total reversal of the Obama direction at the United Nations.
2. December 25, 2016 — Trump named strong social conservative, Dr. Ben Carson, as his choice for secretary of the Department of Housing and Urban Development (HUD). Carson was confirmed in the position on March 2, 2017.
3. January 23, 2017 — Trump reinstated the Mexico City Policy ban on U.S. funding to defunding International Planned Parenthood and foreign pro-abortion groups. It was not just a repeat of the old Republican policy. In fact, it is vastly stronger.
4. January 25, 2017 — President Trump very publicly called out mainstream media for failing to the cover the annual March for Life in Washington, D.C.  Jeanne Mancini, president of the March for Life, stated, “We have never seen anything like this.” 
5. Trump also sent Vice President Pence and his counselor, Kellyanne Conway, to speak to the March. A president has never sent such senior representatives to speak at this annual event that takes place steps from the White House. Because of President Trump’s actions, the major television networks covered the March for Life 37 times more this year than in 2016.
6. February 2, 2017 – The president spoke at the National Prayer Breakfast. He said the world has a duty to stop the genocide of Christians in the Middle East, that we "must never, ever" stop asking God for wisdom, and he declared that America will flourish "when religious liberty can flourish."
7. February 13, 2017 - The Trump administration announced it will not defend the Obama administration's transgender school bathrooms mandate. More angry condemnations of Trump resulted.
8. February 21, 2017 — Melania Trump surprised her husband by leading the Lord’s Prayer at a Trump rally and the president publicly complimented her for this.
9. Donald Trump has consistently been bringing God back into government and invoking His name for the good of the nation. That has been a vast change from President Obama’s mostly secularist but also Islam-fawning approach.
10. April 13, 2017 — Trump signed a law overturning a last-minute Obama-era regulation, H.J. Res. 43, forcing states to fund Planned Parenthood.

11. April 26, 2017 - Trump signed an executive order to pull the federal government out of K-12 education, following through on a campaign promise to return school control to state and local officials. The order, dubbed the “Education Federalism Executive Order,” will launch a 300-day review of Obama-era regulations and guidance for school districts.
12. April 28, 2017 — Trump appointed leading U.S. pro-life activist Dr. Charmaine Yoest to be Assistant Secretary of Public Affairs at the Department of Health and Human Services. This was major.
13. May 2, 2017 - Trump broke with the Obama tradition of designating June as ‘LGBT Pride Month’. He has received intense condemnations for doing so.
14. May 2, 2017 — President Trump named pro-life activist Teresa Manning, a law professor with a pro-life background who has questioned the effectiveness of contraception, to deputy assistant secretary in the Office of Population Affairs of the Health and Human Services Department (HHS).
15. May 4, 2017 - Trump signed an Executive Order protecting freedom for opponents of abortion, gay ‘marriage’. "We will not allow people of faith to be targeted, bullied, or silenced anymore. And we will never ever stand for religious discrimination," he said. However, the Order was much less than has been needed and previously expected and it was at least a step in the right direction of undoing what president Obama imposed on the nation. 
16. May 23, 2017 — President Trump's 2018 budget proposal had one goal of withholding all federal funds from abortion-provider Planned Parenthood. As it has turned out, this has proved to be much more difficult to implement than expected, but the effort is still being given high priority. Divisions among Republicans in Congress and in the Senate have created severe challenges for Trump’s promises to defund abortions in the U.S. and to repeal and replace the Obamacare disaster. The July 27 vote by three liberal Republicans against the last, trimmed down attempt at health care reform which included defunding of Planned Parenthood was devastating to Trump and all pro-life Republicans and pro-life Americans. The RHINO's in government are proving to be the worst enemies of the Trump promises.
17. May 23, 2017 — Trump hired another top social conservative, Shannon Royce, former chief of staff at the Family Research Council, to serve as the Director of the Center for Faith-based and Neighborhood Partnerships at HHS
18. April 11, 2017 — President Trump appointed social conservative Roger Severino to head the Office of Civil Rights of the Department of Health and Human Services (HHS) in a choice celebrated by pro-family advocates and condemned by pro-LGBTQ leftists.
19. April 4, 2017 — The Trump administration withdrew U.S. funding from the United Nations Population Fund (UNFPA) because of its participation in China's forced abortion regime.
20. June 20, 2017 — In the last of four successful Republicans wins in recent special elections, pro-life candidate Karen Handel beat her pro-abortion opponent despite his having received massive, out-of-state Democrat funding. These wins by conservative candidates were seen to reflect public approval of the Trump presidency that contradicted the claims of the constant Democrat and allied media Trump-hate-generating campaign.
21. June 22, 2017 — The Trump administration told the United Nations: Abortion is not "family planning."

22. July 13, 2017 — Under President Donald Trump, more Christian refugees have been admitted to the United States in the first six months of 2017 than Muslim refugees, a departure from the Obama-era.
23. July 13, 2017 - Planned Parenthood Federation of America President Cecile Richards says the Trump administration has already done more to set back the nation’s largest abortion provider than any other in the last half-century.
24. July 26, 2017 - President Trump tweeted the U.S. military will no longer accept "transgender" individuals because of the "tremendous medical costs and disruption" it causes. The ban has earned Trump a wave of praise from pro-family conservatives and bitter condemnations from LGBTQ activists.
25. July 26, 2017 - Trump ended $100 million per year failed Obama teen pregnancy program that promoted sex before marriage.

26. July 31, 2017 - Trump appointed pro-life Kansas Governor Brownback to for a religious persecution watchdog post called "Ambassador for Religious Freedom." Brownback will lead the Office of International Religious Freedom which monitors how people of religion are treated across the globe. The appointment was met with immediate disapproval from homosexuals.
27. September 22, 2017 - Trump’s UN speech rejected globalism and cultural imperialism. Defying UN, EU, climate change, de-population and other globalists, Trump pledged to respect the “sovereignty” of other nations as they respect ours
28. October 6, 2017 -  Trump admin reverses Obama policy: ‘Gender identity’ not a protected civil right. the U.S. Department of Justice issued a memo interpreting the Civil Rights Act of 1964 as not intended to apply to transgenders.
29. October 6, 2017 - The Trump administration issued an order ending the federal requirement that employers violate their consciences to participate in the provision of employees’ contraceptives and abortifacient drugs.
30. October 12, 2017 - Trump pulls U.S. out of pro-abortion, pro-LGBT (UNESCO), a UN agency that advocates for abortion, homosexuality, and radical sex education for young children.
31. October 16, 2017 - Trump admin makes protecting citizens “from conception to natural death” top priority