Estou a escrever sobre a importância teológica da masculinidade em Cristo. Meu livro se chama "Deus, Pai, Filho e Homem; A Masculinidade de Cristo em Cada Palavra". Na verdade, já terminei de escrever há cerca de 1 ano, mas ainda não encontrei uma editora disposta a publicar. Peço orações para que eu consiga.
Hoje, vi este vídeo que fala sobre como São Tomás de Aquino viu o avesso da masculinidade: o ser efeminado. Meu livro é baseado na Bíblia e no livro Catena Áurea de Aquino; por isso, me interessei pelo vídeo e pela menção que ele faz a Aquino, presente nos capítulos introdutórios do livro.
Não vou traduzir o vídeo, mas sim a Questão 138 da Suma Teológica de Aquino que ele usa.
O vídeo menciona principalmente a Questão 138, da Parte II-I, Artigo 1, na qual Aquino responde se a "molície" (do latim mollities, que significa moleza, delicadeza, característica de gente efeminada) se opõe à perseverança. Também menciona outras Questões, como a Questão 123, da Parte II-II, Artigo 8, da Suma Teológica. Aquinas usou a palavra "efeminado" quase 30 vezes em sua Suma Teológica, há outras passagens. No meu livro menciono a Questão 138 e a Questão 153, não a 123.
Não sei se meus leitores conhecem a Suma Teológica, mas ela é formada por partes (I, I-II, II-II e III). Em cada parte há divisões por tratados; esses tratados são divididos em questões. Essas Questões são divididas por artigos, e os artigos possuem objeções e a resposta de Aquino.
Quando as Questões são estipuladas, primeiro aparecem as objeções. Depois, Aquino apresenta a solução e responde a cada objeção. Então, lemos Aquino apenas quando lemos a solução final e as respostas às objeções.
Aqui vai a Questão 138, Parte II-II, da Suma Teológica de Aquino. Depois, faço um breve comentário usando uma figura histórica.
Quando a Suma Teológica fala em Apóstolo, refere-se a São Paulo, quando se fala em Filósofo, refere-se a Aristóteles.
Questão 138: Dos vícios opostos à perseverança.
Em seguida devemos tratar dos vícios opostos à perseverança.
E, nesta questão, discutem–se dois artigos:
Art. 1 – Se a molície se opõe à perseverança.
O primeiro discute–se assim. – Parece que a efeminação não se opõe à perseverança.
1. – Pois àquilo do Apóstolo – nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomistas, – comenta a
Glosa: Efeminados, isto é, páticos, isto é, dados à inversão sexual. Ora, isto se opõe à castidade. Logo, a efeminação não é um vício oposto à perseverança.
2. Demais. – O Filósofo diz que uma vida de delícias é de certo modo efeminada. Ora, viver uma vida de delícias é ser interperante. Logo, a efeminação não se opõe à perseverança, mas, antes, à temperança.
3. Demais. – O Filósofo, no mesmo lugar, diz que quem se diverte é efeminado. Ora, divertir–se
imoderadamente se opõe à eutrapélia (divertimento saudável), virtude reguladora dos prazeres provenientes dos divertimentos. Logo, a efeminação não se opõe à perseverança.
Mas, em contrário, diz o Filósofo: Ao inconstante se opõe o perseverante.
SOLUÇÃO. – Como dissemos a perseverança é digna de louvores por nos fazer não abandonar um bem que exige soframos dificuldades e trabalhos diuturnos. Ao que diretamente se opõe quem facilmente abandona um bem por causa das dificuldades sobrevenientes, que não pode arrostar. O que constitui por essência a efeminação; pois, efeminado se chama quem facilmente cede ao obstáculo. Ao contrário, não é julgado tal quem cede ao que fortemente o contraria; pois, até os muros cedem à máquina que os percute. Por isso, não se considera efeminado quem cede a obstáculos que se lhe contrapõem com desusada violência. Donde o dizer o Filósofo: O deixar–se alguém vencer de prazeres intensos e extraordinários ou de grande sofrimento, longe de provocar o nosso espanto, despertará a nossa indulgência, contanto que tenha feito esforços para resistir. Ora, é manifesto que a ameaça dos perigos se nos contrapõe mais gravemente do que o desejo dos prazeres. Por isso, diz Túlio: Não é admissível que quem não foi vencido pelo medo o seja pelo prazer; nem que seja vencido pelo prazer quem não se deixou vencer ao sofrimento. Pois, o prazer, por natureza, nos atrai mais fortemente do que nos afasta da ação o sofrimento resultante da privação do prazer, porque, estar privado do prazer é uma
deficiência. Por isso, segundo o Filósofo, efeminado propriamente se chama quem abandona o bem por causa dos sofrimentos causados pela privação dos prazeres, como quem cede a um pequeno impulso.
DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A referida efeminação tem dupla causa. – Uma, o costume; pois, quem está habituado a gozar o prazer pode dificilmente suportar a privação dele. – A
outra é a disposição natural, que, por fragilidade de compleição, nos faz ter o ânimo menos constante. E
isso funda a diferença entre o sexo feminino e o masculino, como diz o Filósofo. Por por onde, os que se dão à inversão sexual chamam–se efeminados por se terem como que feito mulheres.
RESPOSTA À SEGUNDA. – Ao prazer do corpo se opõem os trabalhos; por isso, as coisas trabalhosas somente impedem o prazer. Donde o chamarem–se amigos de delícias os que não podem suportar
nenhuns trabalhos, nem nada que lhes diminua os prazeres. Donde o dizer a Escritura: A mulher tenra e
mimosa, que não podia andar sobre a terra nem firmar nela um pé por causa da sua demasiada
brandura. Portanto, amar as delícias é de certo modo ser efeminado. Mas, a efeminação é propriamente relativa à falta de prazeres; ao passo que as delícias o são aos obstáculos do prazer, como os sofrimentos e coisas semelhantes.
RESPOSTA À TERCEIRA. – Dois elementos devemos considerar nas diversões. – Um, o prazer; e então a diversão desordenada se opõe à eutrapélia. – Outra, a remissão ou descanso, que se opõe ao trabalho. E portanto, assim como é próprio da efeminação não poder suportar os trabalhos, assim também o é desejar demasiado a remissão dos divertimentos, ou qualquer outra forma de repouso.
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Meu comentário:
Aquino distingue o efeminado, não distingue aquilo que chamamos de homossexual. Um homossexual, em geral, é um efeminado, mas pode não ser. Em lógica, diríamos: o conjunto "efeminado" é maior do que o conjunto "homossexual". O conjunto "homossexual" está, em sua maior parte, dentro do conjunto "efeminado", mas há partes fora dele.
Historicamente, é costume afirmar que Alexandre, o Grande, era homossexual. Acho que isso carece de maior sustentação histórica. Mas o caso de Frederico, o Grande (1712-1786), rei da Prússia, parece haver consenso de que ele era homossexual. Ele gostava de frugalidades, adorava o francês, gostava de Iluminismo, tentou fugir de seu pai, o Frederico Guilherme I, quando era jovem, mas foi preso e seu pai o obrigou a assistir à morte de seu "amigo". Ele se casou, mas não teve filhos, declarou aversão às mulheres e morava distante da esposa. Em todo o caso, ele é considerado um dos mais fortes líderes militares da história.
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