segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Canonizações são Atos Infalíveis dos Papas?


Ontem, o Papa Francisco canonizou o Papa Paulo VI. Muitos teólogos e estudiosos da Igreja não concordam que Paulo VI teve vida virtuosa que fundamente a santificação dele e também reclamam do novo processo de canonização da Igreja que facilitou as canonizações, ao não se permitir o chamado "advogado do Diabo", processo em que se contrapõe com os problemas na vida do indicado a santo. O Papa Francisco também canonizou ontem Osar Romero que também sofre muitas críticas.

Eu que já estudei a vida dos papas, sempre entendi primeiro que os papas são seres humanos e como tais são pecadores, por outro lado, também sei que santos devem ser pessoas muito especiais na devoção e nas ações em favor de Deus. Sobre Paulo VI, ele escreveu uma encíclica muito importante para a Igreja, a Humanae Vitae, por outro lado sei, de seus problemas na fraqueza para lidar com o mundo comunista na época, que permitiu o avanço do comunismo até entre os clérigos, e também sei dos erros dele relacionados ao enfraquecimento da liturgia da Igreja.

Também defendo que os processos de canonização devem ser muito rigorosos. Não gostei da decisão de João Paulo II de facilitar esse processo que permitiu que centenas e centenas fosse declarados santos. Aliás, João Paulo II também sofreu críticas quando foi canonizado, especialmente pelo fato de ter lidado muito mal com as denúncias de abusos sexuais na Igreja, que eram do conhecimento dele e também por conta do apoio, por omissão ou não, a Marcial Maciel que tinha vida dupla, além de ações do Papa João Paulo II em favor de um ecumenismo que chegou até ao momento em que ele beijou o Alcorão.

A questão aqui é: os católicos devem aceitar como atos infalíveis dos papas a declaração de canonização? Os católicos obrigatoriamente devem fazer devoção aos canonizados?

Sobre isso, eu gostei da resposta do Dr. John Lamont.

É um assunto complexo, mas em resumo Dr. Lamont argumenta que:

1) A Igreja não ensina que as canonizações são infalíveis. Isso significa que não há pecado nos católicos em negar sua infalibilidade por motivos sérios, mas isso não implica que eles não sejam infalíveis.

2) O que precisa ser estabelecido é se as canonizações, no sentido dos decretos finais e definitivos pelos quais o supremo pontífice declara que alguém foi admitido no céu e deve ser venerado por todos, não são de fato atos infalíveis do magistério papal.

3) Precisamos voltar ao processo mais rigoroso de canonização.

4) Uma canonização que não é infalível não quer dizer que as outras também não são.

No artigo, Dr. Lamont vai observar os decretos do processo de canonização para ver se eles são infalíveis no sentido formal. Pois para um ato papal ser infalível envolve três coisas: o papa deve exercer sua autoridade como sucessor de Pedro; seu ensinamento deve ser declarado como uma questão que diz respeito à fé ou à moral; e ele deve afirmar que seu ensinamento é uma decisão final que vincula toda a Igreja a acreditar em seu conteúdo sob pena de pecado contra a fé.

Dr. Lamont diz que a fórmula de canonização não segue estritamente a fórmula de uma decisão infalível do Papa.

E concluiu o artigo dizendo:

Uma canonização parece não ser infalível quando existem falhas graves no processo de canonização em si. Tais falhas significam que a Igreja falhou em tomar as medidas necessárias para conseguir a ajuda do Espírito Santo na prevenção de uma canonização equivocada. A falta de infalibilidade não significa, naturalmente, que a pessoa canonizada não seja um santo. Padre Pio, por exemplo, foi canonizado sob o processo de canonização seriamente falho introduzido por João Paulo II em 1983, mas isso não significa que ele não é um santo ou que ele não deveria ser venerado como tal. Uma canonização parece ser realmente errônea quando o equilíbrio das probabilidades, dada a evidência completa sobre o processo de canonização e a vida da pessoa canonizada, é muito fortemente a favor do processo de canonização ter sido seriamente falho, e também da pessoa canonizada não tendo exibido virtude heroica, mas em vez disso ter cometido pecados sérios que não foram expiados por alguma penitência heroica. O julgamento que uma dada canonização é errônea requer, é claro, uma investigação muito substancial, completa, objetiva e inteligente, e tais julgamentos não serão aventados neste artigo.

Chegamos, portanto, a uma conclusão ainda mais estrita do que a sugerida no início deste artigo. Não precisamos sustentar que as canonizações de João XXIII e João Paulo II eram infalíveis, porque as condições necessárias para tal infalibilidade não estavam presentes. Suas canonizações não estão ligadas a nenhuma doutrina da fé, não foram o resultado de uma devoção que é central para a vida da Igreja, e não foram produto de um exame cuidadoso e rigoroso. Mas não precisamos excluir todas as canonizações do carisma da infalibilidade. Ainda podemos argumentar que as canonizações que seguiram o procedimento rigoroso dos séculos passados ​​se beneficiaram desse carisma. Assim, embora a conclusão de nossa investigação seja mais restrita do que o previsto, sua lição é mais ampla. Essa lição nos diz que um retorno à antiga abordagem à canonização significaria recuperar a orientação do Espírito Santo em uma área de grande importância para a Igreja.


Leiam todo o artigo do Dr. Lamont, clicando aqui.


domingo, 14 de outubro de 2018

Camille Paglia, Feminista Explica o Terror do Feminismo Moderno



Para preparar meu livro chamado Ética Católica para Economia (que deve sair próximo ano), eu li o pensamento de Camille Paglia sobre o feminismo. Semana passada, ela foi destaque nos Estados Unidos, por conta de seu novo livro.

Não concordo com tudo que ela diz, ela me parece no meio caminho do certo, o que é uma posição errada. Mas acho que ela tem muito a ensinar sobre o desastre do feminismo moderno.

Eu li o livro dela chamado Free Women, Free Men: Sex, Gender, Feminism de 2017. Nesse livro,  Paglia começa defendendo sua formação como feminista, defensora ainda na juventude dos feitos de Amelia Earhart, fã de Simone de Bueavoir, opositora do “culto ao lar” dos anos 1950 (contra a imagem de mulheres que viviam para seus filhos e maridos), adepta do rock and roll dos anos 60, e eleitora dos candidatos de esquerda dos Estados Unidos como John Kennedy ou Bill Clinton. Mas Paglia se define como feminista libertária, que segundo ela adota o que tem de melhor no  liberalismo e no conservadorismo.

Paglia mostra sua extensa lista de defesa do feminismo para atacar a segunda onda feminista. A primeira onda feminista seria aquela que defendeu o voto feminino e os métodos contracepcionais. A segunda onda feminista quer destruir o homem. 

As posições dela podem ser vistas no vídeo acima também. Por exemplo, no livro, ela se diz defensora de ampla liberdade sexual (o que inclui defender o aborto), mas diz que aqueles que defendem a vida possuem “superioridade moral”. Ela apoia a liberdade de cada um escolher sua vida sexual, mas argumenta que a biologia é superior e que ninguém pode
mudar de sexo. Paglia ataca fortemente o politicamente correto, que define como uma patrulha ideológica que oprime a academia e elimina a liberdade de expressão, mas ao mesmo tempo compara o politicamente correto com a Inquisição espanhola, o que é um anacronismo e equivocado em diversos aspectos. Ela exalta as conquistas femininas nas artes, mas diz que as mulheres tendem a ficar no meio termo intelectual, enquanto os homens atingem os extremos. No vídeo, ela diz: “não existe um Mozart feminino assim como não existe um Jack Estripador feminino”. Ela votou duas vezes em Bill Clinton, mas apoia Monica Lewinsky. Ela quer uma presidente dos Estados Unidos que seja mulher, mas uma mulher que entenda da história militar do país e não   de ideologia de gênero. Relacionado, a questões econômicas, ela relaciona essa segunda onda ao “mundo dos shoppings e da prosperidade”, que trouxe conforto, mas distância da história de lutas que formaram o mundo moderno. Em termos religiosos, Paglia se declara ateia, mas diz que todos deveriam estudar mais para entender as religiões.

E especialmente, Paglia condena o feminismo que enfraquece o masculino.  Ela parece defender mulheres fortes, mas mulheres, e homens que sejam homens. Ela argumenta que a primeira onda defendia o feminismo enquanto exaltava os feitos dos homens e que a segunda onda quer destruir o masculino, e ela é contra isso. A segunda onda de feminismo que define o homem como opressor e tirano é veneno que tem se espalhado, para Paglia. Ela costuma exaltar que os homens, na história, dedicaram seu trabalho e até suas vidas na defesa de mulheres e crianças. Ela chama a segunda onda do feminismo de neuroticismo, haveria uma neurose perversa no feminismo da segunda onda.


quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Papa Francisco: "Nossa Senhora, Apenas uma Garota Normal, Não Era Inteligente, Nem Cheia de Virtude"


Ressoa nos sites católicos partes do novo livro de entrevistas com o Papa Francisco, no qual ele de uma canetada só parece negar os dogmas da Igreja sobre Nossa Senhora. Ou na melhor das hipóteses (por mais louco que possa parecer) mostra que o Papa não entende os termos mais básicos da Doutrina da Igreja.

O site do jornal Vatican Insider News é um dos jornais que trata do assunto.

Em suma, o Papa Francisco descreve Nossa Senhora como uma "garota normal que queria casar e constituir família", cujo diferença era que gostava das escrituras.

Além disso, para espanto de quem estudou minimamente o Catecismo, diz que quando o Anjo Gabriel disse que Nossa Senhora era "cheia de graça", ele não queria dizer que Nossa Senhora era inteligente, nem cheia de virtude, nem era uma super mulher, apenas que era cheia de "gratuidade e de beleza".

Será que o Papa sabe o que significa a palavra "graça divina" na teologia? Será que ele conhece o dogma da Imaculada Conceição?

Ele ainda usa Nossa Senhora para contrapor os "pobres" contra o que chama de "elite".

Meu Deus.

Vejam o texto do Vatican Insider News.


The Pope: “I’ll tell you about Mary, a normal girlˮ

“I imagine her as a normal girl, a girl of today, open to getting married, to having a family”. Pope Francis speaks of Our Lady, and explains the Hail Mary prayer in the new book interview with Don Marco Pozza, chaplain of the prison of Padua, published by Rizzoli and the Libreria Editrice Vaticana.  

The Italian daily Corriere della Sera has anticipated some excerpts of Bergoglio’s new book: “From the moment she was born until the Annunciation, to the moment she encountered the angel of God, I imagine her as a normal girl, a girl of today, I can’t say she a city-girl, because she is from a small town, but normal, educated normally, open to marrying, to starting a family. One thing I imagine is that she loved the Scriptures: she knew the Scriptures, she had done catechesis in a family environment, from the heart. Then, after the conception of Jesus, she was still a normal woman: Mary is normal, she is a woman that any woman in this world can imitate. No strange things in life, a normal mother: even in her virginal marriage, chaste in that frame of virginity, Mary was normal. She worked, went shopping, helped her Son, helped her husband: normal”.  

Emphasizing Mary’s rootedness in the people, Francis takes up one of the recurrent themes of his pontificate. “Normality is living among the people and like the people. It is abnormal to live without roots in a people, without connection with a historical people. In such conditions a sin - very much liked by Satan, , our enemy- is born : the sin of the elite. The elite does not know what it means to live among the people and when I speak of the elite I do not mean a social class: I speak of an attitude of the soul. One can belong to a Church elite. But, as the Council says in Lumen Gentiumthe Church is the faithful holy people of God. The Church is the people, the people of God. And the devil likes the elite.  

“The re-creation begins with Mary, with a single woman,” says Pope Bergoglio. “Let’s think of the single women who run the house, who alone raise their children. Mary is even more alone. Alone, she begins this story, which continues with Joseph and the family; but at the beginning recreation is the dialogue between God and a single woman. Alone in the moment of proclamation and alone the moment her Son died”. 

Francis also recalls the tragic events of his country, Argentina and the sufferings of the mothers of the desaparecidos. “To a mother who has suffered what the mothers of Plaza de Mayo have suffered I allow everything. She can say anything, because it is impossible to understand the pain of a mother. Someone told me: “I would like to see at least the body, my daughter’s bones, to know where she was buried” (...). There is a memory that I call “maternal memoryˮ, something physical, a memory of flesh and blood. This memory can explain the anguish. They often say: “But where was the Church at that moment, why didn’t she defend us?ˮ. I keep quiet and accompany them. The desperation of the mothers of Plaza de Mayo is terrible. We can only accompany them and respect their pain, take them by the hand, but it’s difficult”. 

The Pontiff also comments on a phrase said by Pope Luciani about the motherhood of God. “Saying that God is father and mother, Pope John Paul I did not say anything strange. God said so of himself, through Isaiah and the other prophets: he presented himself as a mother, “I look after you as a mother, a mother cannot forget her child, and even if she did, I would never doˮ (Is 49,15)”.  

Francis then emphasizes what the archangel Gabriel told Our Lady at the moment of the annunciation. “The angel does not say to Mary: “You are full of intellect, you are intelligent, you are full of virtue, you are an super-good woman”. No, he said, “You are full of graceˮ, that is, of gratuitousness, of beauty. Our Lady is the beauty par excellence. Beauty is one of the human dimensions that we too often neglect. We speak of truth, of goodness and leave beauty aside. Instead, it is as important as the others. It is important to find God in beauty”.  

Again, the Pope explains that “Mary cannot be the mother of the corrupt, because the corrupt sell their mother, they sell their belonging to a family, to a people. They are only looking for their own profit, whether it be economic, intellectual, political, of any kind. They make a selfish choice, I would say Satanic: they lock the door from within. And Mary cannot enter. For this reason, the only prayer for the corrupt is that an earthquake will move them so much it will convince them that the world has not begun and will not end with them (...). Mary is the mother of all of us sinners, from the most to the least holy”. And also the Pontiff, as he has already done many times, defines himself as a sinner: “It is reality. If I said of myself that I was not a sinner, I would be the greatest corrupted”.  



terça-feira, 9 de outubro de 2018

Linda Mensagem de Trump às Crianças com Síndrome de Down




Que tenhamos um presidente que faça o mesmo no Brasil no próximo ano.

Hoje, inúmeros pais matam seus filhos, ao perceberem que no ventre materno seu filho tem Síndrome de Down. É a cultura da morte contra os supostamente fracos. É o nazismo praticado pelos próprios pais. Rezemos por esses pais e pelas famílias que têm a graça de terem crianças com Síndrome de Down

Trump fez um belíssimo discurso esse mês em homenagem a essas crianças e suas famílias. E disse:

"Todas as pessoas são dotadas pelo seu Criador com dignidade e os direitos à vida, liberdade e à busca da felicidade. Com alguns mitos e estigmas persistentes, mesmo dentro da comunidade médica, nossa nação adota fortemente a verdade inegável de que o diagnóstico da síndrome de Down é uma oportunidade para abraçar os dons de Deus."

E ainda:

"Hoje, como resultado dos avanços na pesquisa e no tratamento, as pessoas com Trissomia 21, ou "Síndrome de Down", estão levando uma vida mais saudável e mais longa. Por meio de terapias inovadoras de fala, ocupacionais e físicas, estamos encontrando novas maneiras de desenvolver as habilidades físicas e intelectuais de crianças com síndrome de Down. Estamos aprendendo mais sobre essa condição e a necessidade crescente de ampla educação e aceitação. Esses esforços ajudam a garantir que você seja capaz de viver de forma independente e que seja produtivo."

Vejam o Discurso de Trump abaixo:

Presidential Message on Down Syndrome Awareness Month


 Issued on: 

During Down Syndrome Awareness Month, Melania and I join in celebrating the lives of the more than 250,000 Americans with Down syndrome and those around the world with this condition.  Together, we recommit to deepening our understanding of Down syndrome and learning more about how we can ensure the beautiful people with Down syndrome are able to fully participate in society.  We will always support the dreams of those with Down syndrome, and respect and honor the sanctity of their lives, at every stage.
Today, as a result of advances in research and treatment, people with Trisomy 21, or “Down syndrome,” are leading healthier and longer lives.  Through innovative speech, occupational, and physical therapies, we are finding new ways to build upon the physical and intellectual abilities of children and babies with Down syndrome.  We are learning more about this condition and the increased need for widespread education and acceptance.  These efforts help to ensure many of our youngest citizens with this condition are able to live fulfilling, independent, and productive lives.
All people are endowed by their Creator with dignity and the rights to life, liberty, and the pursuit of happiness.  Despite some persistent myths and stigmas, even within the medical community, our Nation strongly embraces the undeniable truth that a Down syndrome diagnosis is an opportunity to embrace God’s gifts.  I stand for life – in all of its beautiful manifestations – and I, and my Administration, will continue to condemn the prejudice and discrimination that Americans with Down syndrome too often endure.
During this month, we vow to continue creating opportunities for and supporting the extraordinary men, women, and children with Down syndrome.  Every day, they inspire us to live with great love, joy, and appreciation for our world and those who make it a truly unique and special place to live.  Life is precious, and it is our moral duty to protect and defend it.


domingo, 7 de outubro de 2018

Voto em Bolsonaro. Eu e Prof.Hermes Nery.


Meu filho, me perguntou em quem eu votaria. Eu respondi:

 "Como assim?, só existe uma pessoa a ser votada para presidente no Brasil por um católico: Jair Bolsonaro.

O resto não defende as doutrinas mais básicas do catolicismo, como a vida, o casamento ou a própria fé cristã.

De João Amoedo a Boulos são apenas vertentes do anti-cristianismo."

O meu amigo, professor Hermes Nery, líder na luta contra o aborto no Brasil, escreveu um texto em defesa do voto em Bolsonaro.

Aqui vai o texto dele:

O voto em Jair Bolsonaro se justifica pelo combate ao lulopetismo, que tantos danos fez ao País, especialmente no campo moral, e também pelo afã de implantar uma agenda antivida e antifamília (a agenda de gênero), além do projeto de poder totalitário que o PT só não conseguiu viabilizar como quis, por reação da sociedade, principalmente após o decreto 8243/2014, rechaçado pela Congresso Nacional, e que estivemos em audiência pública no Senado Federal [https://www.youtube.com/watch?v=LDspWPatQSs], como única voz contrária aquele decreto, que desejava radicalizar a democracia com os conselhos populares, hoje previstos no programa de governo do PT, etc. O único em condições políticas viáveis para deter o lulopetismo é Jair Bolsonaro, apesar de suas posições controversas (controle da natalidade, esterilização, e outras), que contrariam a doutrina social da Igreja, e esperamos que reveja tais posicionamentos. Além disso, como católicos, sabemos que a Igreja condena com veemência e explicitamente o comunismo e o socialismo, mas faz restrições ao liberalismo. Daí que uma agenda ultraliberal está em dessintonia com o ensinamento da Igreja. Sabemos, pela a experiência histórica, que os princípios e valores defendidos pela doutrina social católica assegura o justo e pleno desenvolvimento de uma nação. 


Cardeal Ouellet Ataca Viganò, Mas Confirma Várias Acusações


Mais um capítulo da tragédia em confusão que se abate no Vaticano foi feita hoje. Para aqueles que não estão acompanhando bem essa tragédia, um resumo.

Arcebispo Carlo Maria Viganó acusou o Papa Francisco de saber dos abusos sexuais cometidos pelo cardeal McCarrick já em 2013, e como o Papa Francisco não fez nada e até elevou a influência de McCarrick no Vaticano, Viganó pediu a renúncia do Papa. Posteriormente, vozes em defesa do Papa se levantaram e acusaram Viganó de querer se promover e de estar ressentido por não ter se tornado Papa. Em reação, Viganò negou essas acusações e ao final pediu ao cardeal Ouellet que conformasse que McCarrick sofreu sanções do Papa Bento XVI.

Hoje, cardeal Ouellet, que é o atual prefeito para a Congregação da Fé no Vaticano, reagiu e novamente acusou Viganò de estar ressentido, de querer trazer confusão na Igreja, de estar reagindo de forma maléfica contra o Papa Francisco e também disse que não houve "sanções" contra McCaarick mas que apenas o Papa Bento XVI tinha feito "restrições" a McCarrick para que se afastasse de suas ações por conta "de rumores contra ele no passado".

McCarrick também volta a defender os pontos críticos do documento Amoris Laetitia, que forma alvos de críticas de cardeais e bispos pelo mundo. E também defende o que o Papa Francisco fez no Catecismo, ao ter mudado o texto sobre pena de morte.

Isto é, Ouellet se coloca plenamente do lado do Papa em todas as questões controversas, para dizer o mínimo.

Na minha opinião, as palavras de Ouellet foram bem duras contra Viganò, mas não acho que tenha respondido diretamente às acusações de Viganò, além de ter de certa forma confirmado o que ele disse. Viganò  disse que o Papa Francisco sabia pela boca dele das acusações contra McCarrick e que McCarrick aumentou a influência no Vaticano no pontificado de Francisco. Ouellet confirmou a reunião de Viganò com o Papa.

Ouellet diz que o Papa Francisco não deve ter prestado atenção no que ele disse, pois tinha muita gente na ocasião e que depois a carta que Viganò, Ouellet confirma também que sabia das restrições a McCarrick, que recebeu a carta de Viganò e que McCarrick tinha sofrido restrições do Papa Bento XVI. E diz que "nunca soube" da influência de McCarrick no Papa Francisco na escolha de cardeais.

Ouellet ainda confirmou que existe um lobby gay no Vaticano.

Sobre o Amoris Laetitia, Ouellet está errado, simples assim, aquelas partes do Amoris Laetitia que cardeais criticaram são indefensáveis, na minha opinião.

Em resumo, eu acho que se a carta de Ouellet fosse menos fiel ao Papa, se tivesse concedido que há muitas questões em relação a Amoris Laetitia e que pode ter sido um erro mudar o Catecismo, eu teria mais respeito pela carta.

A carta foi muito "chapa branca" para ser crível. Infelizmente.

Vejam a resposta exata de Ouellet abaixo:

“Dear Brother Carlo Maria Viganò,
In your last message to the media, in which you denounce Pope Francis and the Roman Curia, you urge me to tell the truth about facts that you interpret as an endemic corruption that has invaded the hierarchy of the Church to its highest level. With due pontifical permission, I offer here my personal testimony, as prefect of the Congregation for Bishops, on the events concerning the Archbishop Emeritus of Washington Theodore McCarrick and his alleged links with Pope Francis, which are the object of your vehement public denunciation as well as of your demand that the Holy Father resign. I write this testimony of mine on the basis of my personal contacts and the documents in the archives of the above mentioned Congregation, which are currently the object of a study to shed light on this sad case.

Allow me to tell you first of all, in all sincerity, by virtue of the good relationship of collaboration that existed between us when you were nuncio to Washington, that your current position seems to me incomprehensible and extremely reprehensible, not only because of the confusion that it sows among the people of God, but because your public accusations seriously damage the reputation of the Successors of the Apostles. I remember a time when I enjoyed your esteem and confidence, but I observe that I have lost in your eyes the dignity you placed in me, for the mere fact of having remained faithful to the directions of the Holy Father in the service that he entrusted to me in the Church. Is not communion with the Successor of Peter the expression of our obedience to Christ who chose him and supports him with His grace? My interpretation of Amoris Laetitia, which you complain about, is inscribed in this fidelity to the living tradition, of which Francis has given us an example with the recent modification of the Catechism of the Catholic Church on the question of the death penalty.

Let's get to the facts. You say you informed Pope Francis on 23 June 2013 about the McCarrick case in the audience he granted to you, as well as to many other pontifical representatives he then met for the first time on that day. I imagine the enormous amount of verbal and written information he had to gather on that occasion about many people and situations. I strongly doubt that McCarrick interested him to the extent that you believe, since he was an archbishop emeritus of 82 years and seven years without a post. In addition, the written instructions prepared for you by the Congregation for Bishops at the beginning of your service in 2011 did not say anything about McCarrick, except what I told you about his situation as an emeritus bishop who had to obey certain conditions and restrictions because of rumors about his behavior in the past.

Since June 30, 2010, when I became prefect of this Congregation, I have never taken the McCarrick case to an audience with Pope Benedict XVI or Pope Francis, except in the last few days, after his fall from the College of Cardinals. The former cardinal, who retired in May 2006, was strongly urged not to travel, nor to appear in public, in order not to provoke further rumours about him. It is false to present the measures taken against him as "sanctions" decreed by Pope Benedict XVI and annulled by Pope Francis. After reviewing the archives, I note that there are no documents in this regard signed by either Pope, nor a note of an audience of my predecessor, Cardinal Giovanni-Battista Re, which would have given a mandate to the archbishop emeritus McCarrick to live a private life of silence, with the rigor of canonical penalties. The reason for this is that, unlike today, there was not enough evidence of his alleged guilt at the time. Hence the position of the Congregation inspired by prudence and the letters of my predecessor and mine reiterated, through the Apostolic Nuncio Pietro Sambi and then also through you, the exhortation to live a discreet life of prayer and penance for his own good and for that of the Church. His case would have been the subject of new disciplinary measures if the nunciature in Washington, or any other source, had provided us with recent and decisive information about his behavior. I hope, like so many others, that out of respect for the victims and the need for justice, the investigation under way in the United States and the Roman Curia will finally give us a critical, overall view of the procedures and circumstances of this painful case, so that such events do not recur in the future.

How can it be that this man of the Church, whose inconsistency is known today, has been promoted on several occasions, to the point of holding the highest positions of Archbishop of Washington and Cardinal? I myself am very surprised by this and recognize the shortcomings in the selection process that has been carried out in his case. But without going into detail here, it must be understood that the decisions taken by the Supreme Pontiff are based on the information available at that precise moment and that they constitute the object of a prudential judgment that is not infallible. It seems unfair to me to conclude that the persons in charge of prior discernment are corrupt even though, in the concrete case, some clues provided by the testimonies should have been further examined. The prelate in question knew how to defend himself with great skill from the doubts raised in his regard. On the other hand, the fact that there may be people in the Vatican who practice and support behavior contrary to the values of the Gospel in matters of sexuality does not authorize us to generalize and to declare this or that, and even the Holy Father himself, unworthy and complicit. Should the ministers of truth not, first of all, guard themselves against slander and defamation?

Dear pontifical representative emeritus, I tell you frankly that to accuse Pope Francis of having covered up with full knowledge of the facts this alleged sexual predator and therefore of being an accomplice of the corruption that is spreading in the Church, to the point of considering him unworthy of continuing his reform as the first pastor of the Church, is incredible and unlikely from all points of view. I can't understand how you could let yourself be convinced this monstrous accusation could stand. Francis had nothing to do with McCarrick's promotions in New York, Metuchen, Newark and Washington. He removed him from his dignity as a Cardinal when a credible accusation of child abuse became apparent. I have never heard Pope Francis allude to this self-styled great adviser of his pontificate in relation to [episcopal] nominations in America, even though he does not hide the trust he gives some prelates. I sense these are not your preferences, nor those of your friends who support your interpretation of the facts. However, I find it aberrant that you take advantage of the sensational scandal of sexual abuse in the United States to inflict on the moral authority of your Superior, the Supreme Pontiff, an unprecedented and undeserved blow.

I have the privilege of meeting Pope Francis for a long time each week, to discuss the appointments of bishops and the problems that affect their government. I know very well how he treats people and problems: with much charity, mercy, attention and seriousness, as you yourself have experienced. Reading how you end your last, seemingly very spiritual message, making light of yourself and casting doubt on his faith, seemed to me really too sarcastic, even blasphemous! This cannot come from the Spirit of God.

Dear Brother, I would really like to help you rediscover communion with him who is the visible guarantor of the communion of the Catholic Church; I understand how bitterness and disappointment have marked your path in service to the Holy See, but you cannot end your priestly life in this way, in an open and scandalous rebellion, which inflicts a very painful wound on the Bride of Christ, whom you claim to serve better, worsening division and bewilderment in the people of God! What can I answer your question if I don't tell you: come out of your hiding place, repent of your revolt and return to better feelings towards the Holy Father, instead of exacerbating hostility against him. How can you celebrate the Holy Eucharist and pronounce his name in the canon of Mass? How can you pray the holy Rosary, Saint Michael the Archangel and the Mother of God, condemning the one she protects and accompanies every day in his weighty and courageous ministry?

If the Pope were not a man of prayer, if he were attached to money, if he favored the rich to the detriment of the poor, if he did not show an untiring energy to welcome all the poor and give them the generous comfort of his word and his gestures, if he did not multiply all the possible means to proclaim and communicate the joy of the Gospel to everyone and to all in the Church and beyond her visible borders, if he did not reach out to families, to abandoned old people, to the sick in soul and body and especially to the young people in search of happiness, perhaps someone else could be preferred, according to you, with different diplomatic or political attitudes. But I, who have known him well, I cannot question his personal integrity, his consecration to the mission and especially the charism and peace that dwell in him by the grace of God and the power of the Risen One.

In response to your unjust and unjustified attack, dear Viganò, I conclude therefore that the accusation is a political set-up without a real foundation that can incriminate the Pope, and I reiterate that it deeply hurts the communion of the Church. May it please God that this injustice be quickly remedied and that Pope Francis continue to be recognized for what he is: an outstanding pastor, a compassionate and firm father, a prophetic charism for the Church and for the world. May he continue with joy and full confidence his missionary reform, comforted by the prayer of God's people and by the renewed solidarity of the whole Church with Mary, Queen of the Holy Rosary.

Marc Cardinal Ouellet, Prefect of the Congregation for Bishops,

Feast of Our Lady of the Holy Rosary, October 7, 2018.”

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Vídeo: Professores (de propósito) Fazem Artigos Absurdos para Provar a Estupidez da Área de Humanas



Três acadêmicos, sendo um doutor em filosofia (Peter Boghosian), um doutor em matemática (James Lindsay) e uma pesquisadora acadêmica (Helen Puckrose), provaram a estupidez da área de humanas.

Fizeram de propósito vinte artigos bem absurdos, até agora conseguiram publicar sete em jornais acadêmicos de primeira linha da área de humanas.

Os artigos foram enviados para jornais de humanas que lidam com estudos de ideologia de gênero, feminismo, racismo, homossexualismo, "cultura do estupro",  esse tipo de coisa muito comum nas universidades brasileiras.

Entre os artigos aceitos, um defende que cachorros nos parques da cidades promovem a "cultura do estupro", outro defende que os gays devem usar objetos sexuais para penetração para diminuir a "transfobia e aumentar os valores do feminismo", outro defende que as pessoas devem elogiar quem é gordo e não quem tem boa forma física, outro simplesmente reescreveu parte do livro de Hitler.

No vídeo, um dos autores relata a aceitação do texto sobre cachorros, mostram que a área de humanas é tão ruim hoje em dia que só aceita resultados que a ideologia determina, acima do que diz a ciência, e também explicam como foi feito o projeto de 2 anos para provar a estupidez dos jornais acadêmicos. Eles mostram que a área de humanas funcionam como uma seita religiosa. Basta conseguir com que ideias completamente absurdas se enquadrem dentro da doutrina da seita.

Os autores também usaram de muita argumentação errada, falsos dados estatísticos, péssimo uso de informação e erros de lógica.

O assunto foi destaque em muitos jornais e sites nos Estados Unidos, como no Wall Street Journal,  e o Daily Wire.






terça-feira, 2 de outubro de 2018

Música e Homilia: A Dor do Corpo de Cristo em Tempos de Abusos Sexuais e Traição



O  cantor católico Kevin Heider escreveu uma fantástica música sobre o Corpo de Cristo (Igreja Católica), em tempos de abusos sexuais, proteção aos cardeais que promovem pedofilia e homossexualismo, mentiras, erros doutrinários. Tantos ataques à Igreja vindo de dentro da própria Igreja. Ouçam a música "The Body" no vídeo acima.

Além disso, no site do cantor, ele escreveu sobre a inspiração para escrever essa música: o nascimento de seu filho que trouxe tanta alegria mas que não apagou a dor, a vergonha e a preocupação com o estado do Corpo de Cristo.

Vejam o belíssimo relato do cantor no site, que não é um relato, mas uma homilia imensamente mais bonita que 99% dos homilias que ouço nas igrejas. Traduzo aqui parte dessa homilia:

Meu filho nasceu na semana passada. Ele é lindo. O trabalho de parto foi longo, cheio de ansiedade, incerteza e dor imensa que minha esposa suportou em nome de nossa família.

Uma semana depois de experimentar a alegria desta nova vida, seu corpo ainda está se recuperando. A recuperação do trabalho é como outro trabalho em si mesmo. E suponho que esta é uma lição: a vida é cheia de trabalhos. A esperança, então, é que cada trabalho resulte em algo mais do que apenas a lembrança da dor.

Enquanto nos aconchegávamos, encarávamos e segurávamos nosso filho por dois dias no hospital, nossas mentes estavam divididas entre a alegria dessa nova vida e a vergonha e tristeza provocadas por recentes revelações da extensão do sofrimento que nossa igreja trouxe a tantos dos homens, mulheres e crianças que ela deveria abrigar - não abandonar.

Essa realidade trágica dominou nossas conversas durante nossa estada no hospital. Continuamos tentando falar sobre outras coisas, para levar a conversa a uma assunto mais leve, para sair do buraco de coelho. Mas continuamos voltando aos pecados de nossa igreja: décadas de abuso, encobrimentos, perversão sexual e predação pelo clero, e assim por diante. (E isso é apenas o século 20.)

Nós não poderíamos parar de falar sobre isso, em parte, porque não conseguimos encontrar as palavras. Como alguém encontra as palavras para entender essa corrupção? Para rezar? Para reunir coragem? Para liderar quando os líderes falharam? Para inspirar conversão real? Para se arrepender e fazer as pazes quando nenhum pedido de desculpas ou penitência parece remotamente adequado?

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Mas eu percebi que, muito mais frequentemente do que não, o corpo de Cristo, isto é, a Igreja como uma instituição humana, se parece mais com o corpo sofredor de Cristo: é imundo. Está coberto de sangue, cicatrizes, suor e sujeira. Sua pele é flagelada e manchada pelos pecados de seus membros. Seus músculos estão fracos e desgastados. Seus vasos estão quebrados, incapazes de levar sangue ao coração, que ainda está, de algum modo, no lugar certo. Suas mãos (eu, minha esposa, nossos companheiros paroquianos, nossos sacerdotes) são muitas vezes incapazes de fazer todo o trabalho que precisa ser feito porque estão presos pelo pecado. Da pessoa de Cristo como ele foi procurado e visto durante sua vida terrena, este corpo é virtualmente irreconhecível. Quem tropeçaria em um cadáver tão feio e desfigurado e desejaria abraçá-lo?


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Continuem lendo o relato no site de Kevin Heider