sexta-feira, 5 de abril de 2019

Livro: Sucesso do Papa, Desgraça da Igreja


O renomado jornalista italiano que cobre o Vaticano, Sandro Magister, relata mais um livro sobre o pontificado do Papa Francisco. Trata-se do livro do sociólogo italiano Luca Diotallevi, que foi professor da escola de teologia da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

O livro se chama "Il Paradosso di Papa Francesco. La Secolarizzazione tra boom Religioso e Crisi del Cistianesimo" (Algo como O Paradoxo do Papa Francisco: A Securalização entre o Boom Religioso e a Crise do Cristianismo).

O livro trata do paradoxo de um papa de sucesso na mídia mas que amplia a crise do catolicismo.

No texto que relata o livro, Magister fala que o autor descreve inicialmente como a modernidade tem afetado as religiões, não apenas o catolicismo. E que o Vaticano II pretendia que a Igreja estivesse preparada para uma "sociedade aberta, com liberdade de consciência", mantendo ao mesmo tempo "grande autonomia e elevada influência além dos aspectos religiosos".

O Concílio Vaticano II fracassou nesse duplo projeto de autonomia e poder, nem João Pualo II, nem Bento XVI tentaram cumprir essa missão, mas a chegada do Papa Francisco, deu um aspecto novo, grande sucesso na mídia para o pontífice. O Papa se tornou uma estrela mundial por conta de sua decantada simplicidade e humildade, combinado com atitude de desprezo pela doutrina e pelo magistério da Igreja. Esse desprezo também explica o sucesso do Papa.

Segundo o autor Luca Diotallevi, o "Papa bagunçou a identificação com o catolicismo".

Enquanto antes os católicos mais ou menos praticantes tinham como referência para a sua própria filiação religiosa não o papa, nem a diocese, muito menos grupos e movimentos, mas a paróquia, hoje com o Papa Francisco isso é ignorado. A referência é o Papa e só o Papa. Para o autor, essa personalização é um traço constante da religião de “baixa intensidade” (aquelas ligadas a um certo humanismo, sem regras, sem doutrina).

Apesar de uma centralização na identificação da Igreja pelo Papa, Francisco procura formar uma Igreja descentralizada em que a doutrina fica diferenciada a depender do local. Além disso, o autor destacou que o Papa também trouxe um desmantelamento da participação de escolas e centros culturais católicos, para que esses diminuam suas participações no debate da sociedade como forças na defesa do catolicismo.

Diotallevi vê Francisco como dramaticamente político e distante do grande projeto eclesial do Concílio de Paulo VI. Seus discursos aos “movimentos populares” exaltam como princípios “inegociáveis” a terra, a moradia e o trabalho, tendo como pano de fundo uma ideia de “povo” o que é tipicamente latino-americano e peronista.

Diotallevi ver em Francisco um "neoclericalismo embaraçoso", baseado no pentecostalismo, inclinado para a esquerda.

"Do ponto de vista sociológico", conclui Diotallevi, "o sucesso do Papa Francisco e o fracasso da Igreja Católica não parecem de todo contraditórios".

Parece ser um livro realmente interessante.


4 comentários:

Adilson disse...

Quem resistirá ao papa Francisco? De onde surgirá uma voz forte suficiente para convocar o clero da Igreja e assim frear o atual sumo pontífice?

Emanoel Truta disse...

Pendo eu, que pela graça de Deus algo irá ocorrer. Uma renúncia, acho mais plausível.
Quem leu o livro Senhor do Mundo, do Padre Benson, como eu, fica lembrando do padre Francisco, que abandonou a Igreja para aderir a Religião Humanista.
Rezemos.

Que Deus nos conceda a graça de perseverar até o fim.

Viva Cristo Rei!

Kauê disse...

Parece interessante mesmo. Este outro livro de Antonio Camponetto- "De Perón a Bergoglio. O catolicismo excomungado"- com data de lançamento previsto para a primeira quinzena deste mês sobre o papa também merece ser mencionado. Eis alguns trechos, em espanhol:

https://adelantelafe.com/nuevo-libro-de-antonio-caponnetto-de-peron-a-bergoglio-el-catolicismo-excomulgable/

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Kauê.

Camponetto é o primeiro autor que menciono no meu ebook sobre o Papa Francisco.

Abraço,
Pedro Erik