sexta-feira, 14 de março de 2014

Misericórdia é a Suprema Lei da Igreja?


O grande especialista em lei canônica, Dr. Edward Peters, discutiu um assunto muito em voga em tempos de sínodo dos bispos sobre a família, convocado pelo Papa Francisco: a comunhão para pessoas divorciadas que casaram novamente. Ele critica o que disse o arcebispo Vincenzo Paglia, que é simplesmente o presidente do Conselho Pontifício para a Família.

Paglia disse que a questãos dos divorciados que casaram novamente deve ser olhada com misericórdia, pois a misericórdia é a lei suprema da Igreja.

O título do artigo de Peters é bem interessante: When Faced with Pratical Problems, Rely on Principles not in Platitudes (Quando Enfrentar Problemas Práticos, Confie nos Princípios e não em Chavões).

Vou traduzir aqui parte do artigo de Peters:

A linha entre princípios e chavões é estreita. Ambos os tipos de afirmações são verdadeiras e podem colocar em palavras alguns conceitos que de outra forma exigiriam muitos parágrafos para explicar. Mas princípios e chavões não são a mesma coisa, em face de questões concretas que precisam de resolução prática, os princípios informam a boa tomada de decisão, enquanto chavões levam ao erro.

O Catholic World News relata que o presidnete do Conselho da Família disse que  "a situação dos católicos divorciados novamente casados ​​deve ser olhada com um olhar misericordioso. Misericórdia não é cega, e não se opõe a verdade, [ mas ] a misericórdia é a suprema lex".

Para começar, não, a misericórdia não é a lei suprema da Igreja. Primeiro, é preciso estar alerta para platitudes substituindo princípios quando confrontados com perguntas concretas sobre o divórcio.

Deve-se perguntar, o que realmente significa dizer que os católicos divorciados e recasados ​​devem "ser encarados com um olhar misericordioso"?

Quem, na Igreja, ou melhor no mundo, não deve ser olhado "com um olhar misericordioso"? Ninguém, eu arriscaria dizer. Mas se todo mundo precisa de um olhar misericordioso, então destacar uma parte da humanidade como merecedor de ser olhado com um olhar misericordioso ou não nos diz nada ou diz que esta parte da humanidade não recebia esta misericórdia. A advertência para os outros para que olhem para os católicos divorciados e recasados ​com olhos misericordiosos é uma platitude, isto é, é uma afirmação verdadeira que não gera a resolução prática de uma questão pastoral.

Agora, sobre a misericórdia ser a "lei suprema" da Igreja .

Claro, pode-se defender esta afirmação. O problema é que, pode-se defender uma dúzia de outras coisas como sendo a "lei suprema" da Igreja. E quanto ao amor ? E quanto a caridade? E sobre a evangelização? E sobre a divina liturgia e adoração a Deus? E assim por diante. Devemos ter muito cuidado em afirmar qualquer princípio de ação como sendo o supremo em algo tão complexo como o Corpo Místico de Cristo. (Quer um exemplo canônico? Leia Cânones 331 e 336, e diga-me onde reside o poder supremo e pleno na Igreja.)


(O 331 diz que o Papa é o poder supremo da Igreja, enquanto o 336 diz que o colégio de bispos é o poder supremo da Igreja)

Mas desde que o prelado invocou a lei canônica, deixe-me francamente observar que o direito canônico não cita "misericórdia" como a lei suprema da Igreja. Em vez disso, Canon 1752, o último artigo do cânone final do Código 1983 , afirma que "a salvação das almas ... deve ser sempre a lei suprema da Igreja." Variações sobre o tema (por exemplo, salus animarum et bonum Ecclesiae ) são comuns na literatura teológica.

Aqueles que invocam platitudes como se fossem princípios desfrutam de uma vantagem retórica, é claro, na medida em que é difícil não concordar com o teor da maioria das platitudes, sendo, como são, quase sempre é verdade. No entanto, a gravidade e a clareza do ensinamento de Cristo contra o divórcio e o novo casamento são indiscutíveis e a obrigação da Igreja para manter a integridade dos sacramentos, de todos os sacramentos , é clara.



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Como sempre, Dr. Peters detona argumentos rasteiros. O site dele é obrigatório para quem estuda lei canônica.

Rezemos pelo Papa e bispos, que eles sigam Cristo.


quinta-feira, 13 de março de 2014

Americanos: "Putin é mais homem que Obama"


Pesquisa feita pelo YouGoV/Economist mostra que os americanos acham que Vladimir Putin, presidente da Rússia, é um líder "mais forte" (stronger) do que Obama. Dos 1000 adultos pesquisados, 78% acham Putin mais forte do Obama. E pior, 55% dos americanos acham que Obama é um líder fraco.

Bom, eles têm razão.

Mas os americanos elegeram o presidente mais anti-americano (anti-valores americanos) da história. Obama não confia no livre mercado, no "self-made" homem, nem nos militares e segue um cristianismo bem ralo, mesmo porque é o presidente dos Estados Unidos que mais defende o aborto na história do país.

Sob questões militares, Obama tem um péssimo currículo, mesmo quando era apenas senador. Além de ser hipócrita. Ele prometeu fechar a Prisão de Guatanamo no primeiro mês de governo, não conseguiu. Então, ao invés de prender terroristas lá, ele segue matando civis junto com terroristas usando naves não tripuladas (drones), enquanto a imprensa esquerdista silencia (imagine se fosse o Bush usando drones).

Obama está propondo incluive um orçamento militar do tamanho que o país tinha na década de 40 do século passado.

Você pode até supor que Obama, em suma, quer a destruição dos valores americanos.

Com tudo isso, não é nada difícil para Putin ou qualquer outro ser visto como mais homem que Obama.

(Agradeço a informação da pesquisa ao site Weasel Zippers)

quarta-feira, 12 de março de 2014

Papa Francisco: "Um General que quer vencer Sem Lutar".


Vivemos uma guerra cultural severa, perversa, bárbara nos dias de hoje. Defensores do aborto, do casamento gay, do fim do celibato, do fim dos ensinamentos cristãos estão em todos os lugares, na imprensa, nos filmes, nas novelas, etc. Mas o Papa Francisco disse não saber quais são os "valores não negociáveis", na última entrevista que deu (em italiano, ele disse: Non ho mai compreso l’espressione valori non negoziabili.)

O jornalista Sandro Magister escreveu nesta semana que o Papa Francisco é o tipo de general que quer vencer a guerra sem lutar.  Então, se este é o caso, eu diria que o Papa discorda daqueles que dizem "no pain, no gain" (sem luta, não há vitória) e daqueles que dizem "freedom is not free" (libertade tem preço).

Magister usou dois livros biográficos sobre o Papa Francisco para defender seu argumento. Um deles traz um texto do bispo argentino Víctor Manuel Fernández (muito próximo do Papa e que foi nomeado recentemente bispo por Francisco). Fernández disse no livro que o Papa Francisco, quando era arcebispo de Buenos Aires não gostava de aparecer em público, afastava-se do debate público.

O outro livro sobre o Papa Francisco mencionado por Magister é de autoria de Elisabetta Piqué. O livro se chama "Francesco, vita e rivoluzione".

Diz Sandro Magister sobre este livro, traduzo em seguida (em azul):

But to find out more about that tormented period of Bergoglio's life there is another book, released a few months ago in Argentina and Italy, written by the vaticanista Elisabetta Piqué, who is the best informed and most reliable biographer of the current pope: "Francesco, vita e rivoluzione".

On the side opposed to Bergoglio were the prominent Vatican cardinals Angelo Sodano and Leonardo Sandri, the latter being of Argentine nationality. While in Buenos Aires the ranks of the opposition were led by the nuncio Adriano Bernardini, in office from 2003 to 2011, with the many bishops he managed to get appointed, almost always in contrast with the guidelines and expectations of the then-cardinal of Buenos Aires.


On February 22, 2011, the feast of the Chair of St. Peter, Bernardini delivered a homily that was interpreted by almost everyone as a harangue in defense of Benedict XVI but in reality was a concerted attack on Bergoglio.

The nuncio placed under accusation those priests, religious, and above all those bishops who were keeping a “low profile” and leaving the pope alone in the public battle in defense of the truth.

"We have to acknowledge," he said, “that there has increased year after year, among theologians and religious, among sisters and bishops, the group of those who are convinced that belonging to the Church does not entail the recognition of and adherence to an objective doctrine.”

Because this was exactly the fault charged against Bergoglio: that of not opposing the secularist offensive, of not defending Church teaching on “nonnegotiable” principles.

And to some extent this was the case. The then-archbishop of Buenos Aires could not bear the “obsessive rigidity” of certain churchmen on questions of sexual morality. “He was convinced,” writes Elisabetta Piqué, " that the worst thing would be to insist and seek out conflict on these issues.”

There was one episode that exemplifies Bergoglio's approach:

"In 2010, at the height of the episcopate's battle of to block the legalization of marriage between persons of the same sex in Argentina, there emerged the idea of holding a prayer vigil [in front of parliament]. Esteban Pittaro, of the 'Università Australe of Opus Dei, sent an e-mail to the chancery of Buenos Aires, telling them about the event. The following day he saw that he had missed a phone call and realized that it was a number of the archdiocese. Esteban called back and Bergoglio answered in person. 'It seems like a wonderful thing to me that you should pray. But the fact that you want to spend all night in the plaza . . . It will be cold, go home, pray at home, as a family!” the cardinal told him. 'He supported the march, but he was right to discourage the vigil, because the following day there were demonstrations in fa for of homosexual marriage. And he wanted to avoid the contrast,' Pittaro recounts.”


Mas para saber mais sobre esse período atormentado da vida de Bergoglio há outro livro, lançado há poucos meses na Argentina e na Itália, escrito pela vaticanista Elisabetta Piqué, que é a biógrafa mais bem informada e mais confiável do papa atual: "Francesco, vita e rivoluzione".

Do lado oposto de Bergoglio estavam os proeminentes cardeais do Vaticano Angelo Sodano e Leonardo Sandri, sendo este último de nacionalidade argentina. Enquanto em Buenos Aires as fileiras da oposição foram conduzidas pelo núncio Adriano Bernardini, no escritório 2003-2011, com os muitos bispos que ele conseguiu que fossem nomeados, quase sempre em contraste com as orientações e expectativas do então cardeal de Buenos Aires.

Em 22 de fevereiro de 2011, na festa da Cátedra de São Pedro, Bernardini fez uma homilia que foi interpretada por quase todos como uma defesa de Bento XVI, mas na realidade era um ataque concertado contra Bergoglio.

Bernadini atacou sacerdotes, religiosos e, sobretudo, aqueles bispos que mantinham um "low profile" e deixavam o papa sozinho na batalha pública em defesa da verdade.


"Temos de reconhecer", disse ele , "que tem aumentado ano após ano, entre os teólogos e religiosos, entre irmãs e bispos, o grupo daqueles que estão convencidos de que pertencer à Igreja não implica o reconhecimento e a adesão a nenhuma doutrina objetiva".


 Esta era exatamente a falta marcada contra Bergoglio: a de não se opor à ofensiva secularista, de não defender o ensinamento da Igreja sobre os princípios "não negociáveis ​".

 E, em certa medida, este foi o caso. O então arcebispo de Buenos Aires não podia suportar a "rigidez obsessiva " de certos homens da Igreja sobre questões de moralidade sexual. "Ele estava convencido ", escreve Elisabetta Piqué "que a pior coisa seria insistir e procurar conflito sobre estas questões."
 
Houve um episódio que exemplifica a abordagem de Bergoglio:

"Em 2010, no auge da batalha do episcopado de bloquear a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo na Argentina, surgiu a idéia de realizar uma vigília de oração [ em frente do parlamento ] . Esteban Pittaro , da" Università australe do Opus Dei, enviou um e-mail para a chancelaria de Buenos Aires, falando sobre o evento. No dia seguinte, ele viu que tinha uma chamada não atendida e percebeu que era um número da arquidiocese. Esteban ligou de volta e Bergoglio respondeu em pessoa. "parece uma coisa maravilhosa para mim que você deve orar. Mas o fato de que você quer passar a noite na praça ... Vai ser frio, ir para casa, rezar em casa, como uma família " o cardeal disse a ele. "Ele apoiou a marcha, mas desencorajou a vigília, porque no dia seguinte houve manifestações em favor do casamento homossexual. Ele queria evitar o contraste"' Pittaro relata . "



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Rezemos pelo Papa Francisco. Precisamos muito dele, a guerra é dura demais.

O site The American Catholic, que me fez chegar ao texto de Magister, disse que Deus usa os papas para dar lições positivas e negativas. Ele espera que Francisco nos ensine coisas positivas, mas está pessimista.


Depois de 1200 anos, as Igrejas Ortodoxas se reunirão em Concíclio.


Depois de anos submersa pelo comunismo, a Igreja Ortodoxa russa se levanta com a força do número de seus fiéis (tem a maior quantidade de fiéis entre as igrejas ortodoxas) e também com a força de Vladimir Putin. E já aparenta querer dominar as outras igrejas ortodoxas. Foi anunciado esta semana que se planeja uma reunião entre as igrejas ortodoxas para 2016. Algo, que não acontece desde o século 8, 1.200 anos atrás.

O patriarca Kirill da Igreja Ortodoxa russa disse que todas as decisões do Conselho serão tomadas por consenso (unanimidade), e não por maioria de votos.

O patriarca disse também que a agenda do próximo Conselho deverá contar com questões como a condução dos cristãos do Oriente Médio e nas regiões do Norte de África, a questão do culto do consumo, que é o principal causa da crise econômica, a destruição da moral e da família, e as questões de clonagem e das mães de aluguel.


O jornal Huffington Post disse que o Concílcio de 2016 será realizado na Turquia na Basílica de Santa Irene, um edifício bizantino que foi construído no pátio externo do Topkaki Palace que é agora um museu e não tem sido usado como uma igreja desde a conquista muçulmana de Constantinopla, em 1453.

As igrejas ortodoxas são 14 igrejas independentes, com sedes na Europa Oriental, Rússia e Oriente Médio. Há 250 milhões de cristãos ortodoxos no mundo (165 milhões na Rússia).

Elas tiveram um encontro prévio em Istambul e denunciaram a crise na Ucrânia e a perseguição a cristãos no Oriente Médio. Duas igrejas ortodoxas (Tcheca e de Antioquia) não compareceram a este encontro por divergências com as outras. Há também a questão de que a Ucrânia tem duas igrejas ortodoxas, mas nenhuma faz parte da comunidade de igrejas orotodoxas. Em suma, não deve-se esperar muito do encontro, certamente a volta com poder da Igreja Ortodoxa russa será um peso no Concílio. Mas também não se sabe que mundo teremos em 2016.

De toda forma, é um fato sensacional, sob qualquer aspecto, termos este Concílio depois de 1.200 anos.



terça-feira, 11 de março de 2014

Alimentos geneticamente modificados, não pode. Seres Humanos geneticamente modificados, pode


Rebecca Taylor é uma especialista em biotecnologia e um defensora doa Doutrina Católica em matéria de reprodução humana. Ela tem um blog chamado Mary Meets Dolly e escreve para o jornal National Catholic Register (não confundir com o National Catholic Reporter que tem tendência fortemente esquerdista). Seus textos são muito bom e a recomendo para qualquer médico ou biológo que trate de reprodução humana.

Ontem, ela escreveu um excelente artigo no Catholic Register contrapondo os naturalistas (esquerdistas) que defendem que os alimentos não devem ser geneticamente modificados, enquanto silenciam ou mesmo defendem humanos geneticamente modificados.

Vou traduzir parte do artigo dela, aqui em azul.

Nas eleições de novembro de 2012, os eleitores do estado de Washington tiveram que decidir sobre a Iniciativa 522. A I- 522 exigia que os alimentos vendidos no estado deveriam ser rotulados, se qualquer um dos seus componentes fosse produzido por organismos geneticamente modificados (OGM).

Os defensores fizeram uma distinção necessária entre plantas e animais criados selectivamente e aqueles que são OGM. A criação seletiva tem sido uma prática comum na agricultura desde que o homem começou a pastorear animais e cultivar de culturas. Plantas e animais transgênicos são aqueles que têm uma constituição genética que não ocorreria naturalmente através da reprodução normal. Por exemplo, uma planta que teve um gene introduzido que lhe confere resistência ao herbicida e uma vaca que foi clonada e por isso é imune a doença da vaca louca são OGM. 

Foi uma batalha controversa, com defensores de I- 522 dizendo aos consumidores que a engenharia genética tem conseqüências não intencionais e que a ingestão de produtos geneticamente modificados podem fazer-nos mal.
 

Anúncios contra I- 522 não afirmavam que o alimento feito a partir de OGM era perfeitamente seguro ou que as preocupações dos puristas eram infundadas. A oposição focava no texto da iniciativa e no impacto da rotulagem sobre o preço dos alimentos. 

A I- 522 foi derrotada com 45% dos eleitores apoiando a iniciativa e 55% contra. Uma iniciativa semelhante na Califórnia, a Proposição 37, também não passou. Em 2012, os eleitores da Califórnia eram 49% em apoio à rotulagem de alimentos feitos a partir de OGM, 51 % votaram contra a Proposta 37.

Uma pesquisa da ABC news mostrou, no entanto, que 65% dos americanos acham GMO não é seguro e 93% dizem que o governo deveria exigir que o rótulo especificasse que se trata de GMO.
 Analisando estes votos, é evidente que quase a metade dos cidadãos na Califórnia e Washington estão preocupados sobre OGM e querem ser informados sobre quais os alimentos que contêm produtos OGM. 

Ao mesmo tempo, em outro estado da costa oeste, embriões humanos geneticamente modificados estão sendo feitos com pouca objeção do público em geral.
No ano passado, a Oregon University anunciou que não só tem sido bem sucedido na clonagem de embriões humanos e extrair células-tronco embrionárias, mas também conseguiu criar embriões com três pais genéticos.

Ambos os "avanços" criam os seres humanos geneticamente modificados. Ambas as técnicas estão sendo perseguidas supostamente para fins terapêuticos - em outras palavras , para melhorar a saúde humana.


O que a maioria das pessoas não sabe é que esses embriões clonados não são uma combinação genética perfeita. O óvulo usado para clonar o embrião contém DNA da mulher que doou . Este DNA é chamado DNA mitocondrial ou mtDNA . Então embriões clonados, e as células-tronco que produzem, são a própria definição de "geneticamente modificado ", com o DNA nuclear do paciente e mtDNA da mulher que doou o óvulo.


Os embriões de três pais também são geneticamente modificados. Estes embriões são criados para a "cura " da doença mitocondrial . Recebemos nossas mitocôndrias, organelas em nossas células que produzem energia, exclusivamente a partir de nossas mães. Uma mulher com uma mutação no seu DNA mitocondrial sempre passa essa mutação para os filhos. 

Na técnica de três pais, também chamada de " substituição mitocondrial " ou "transferência de fuso maternal", o núcleo de um óvulo doado é removido e entra no lugar do núcleo de uma mulher com doença mitocondrial. Esse óvulo geneticamente modificado é então fertilizado com esperma, e temos a criação de um embrião que tem o material genético a partir de três pessoas : mtDNA a partir do doador e do DNA nuclear das contribuições dos pais.

A técnica de três pais é particularmente preocupante , pois não basta modificar o embrião resultante, a modificação se estenderá para outras gerações. Isto é o que é chamado de uma modificação da linha germinal: que vai ser incorporada em óvulos e células espermatozóides e repassada à futura prole. Ao contrário dos Estados Unidos, muitos outros países têm leis que proíbem modificações germinativas em seres humanos.

A Igreja é contra tanto a clonagem humana como a técnica de três pais, principalmente porque eles produzem a vida humana em um prato, fora do abraço de marido e mulher, mas também porque eles produzem modificações germinativas. 

Dignitas Personae (26 ) afirma que "no estado atual das pesquisas, toda a engenharia genética germinal é "moralmente ilícita". 

A Food and Drug Administration (FDA) está considerando permitir que a técnica de três pais. No Reino Unido, a Fertilização Humana e Embryo (HFEA ) já recomendou que a lei britânica seja alterada para permitir a técnica de três pais na Grã-Bretanha . Se o FDA seguir a liderança da HFEA, clínicas de fertilidade em os EUA terão permissão para criar filhos geneticamente modificados.

O cidadão médio provável assume que a segurança da técnica de três pais tem sido exaustivamente estudada e considerada segura para uso em seres humanos. A realidade é algo diferente. 


Em um recente artigo na revista Science , os pesquisadores revelaram que, até agora , os únicos outros primatas criados com esta técnica são quatro macacos que atingiram apenas três anos de idade e não geraram prole. Outros modelos animais mostram que a combinação do mtDNA nuclear com DNA tem alguns efeitos graves que podem não ser aparentes até a idade adulta. Os pesquisadores foram claro que "é prematuro avançar esta tecnologia para a clínica nesta fase."


Então, nós vivemos em uma sociedade onde as pessoas têm receio de comer carne ou beber leite de uma vaca clonada mas há apoio para a clonagem de embriões humanos (usando a mesma técnica ) com a esperança de produzir células-tronco para tratamentos. Nós, como sociedade, somos suspeitos sobre alimentos geneticamente modificados, mas somos indiferentes às crianças geneticamente modificadas. 
O que uma desconexão colossal ! A lógica parece ser: plantas e animais geneticamente modificados: ruim; humanos geneticamente modificados: bom.

Se OGMs na nossa alimentação nos tornam desconfortáveis, então modificar geneticamente nossos filhos deve ser impensável.
  

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Nada mais a acrescentar ao que a Rebecca Taylor falou.

Lutarei contra isso, ao mesmo tempo em que rezo pelo mundo que meus filhos herdarão.


segunda-feira, 10 de março de 2014

Freiras libertadas: quase 1 x 12 terroristas. (Post atualizado no dia seguinte)


Eu comentei aqui o sequestro de 12 freiras da cidade cristã síria Maloula por um um grupo terrorista islâmico.

Ontem, soube que elas foram libertadas. Graças a Deus.

Relatos dão contam que o grupo terrorista Nusra Front, ligado a al-Qaeda, é o autor do sequestro e que a libertação das freiras envolveu a liberação de 138 terroristas mulheres que foram presas pelo regime de Bashar Assad. Isto é, cada freira liberada equivale a 11,5 terroristas. Nusra Front inicialmente queria a liberação de 500 terroristas pelas freiras.

Bom, o Ocidente então, antes de atacar Assad, deve pelo menos se perguntar quem anda se preocupando com a libertação de cristãos. 

Rezemos pela Síria, um país que faz parte do berço do cristianismo.

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Atualização da notícia:

Foi divulgado que o governo sírio pagou US$ 4 milhões para o grupo terrorista, além da libertação de prisioneiras.


(Agradeço a informação ao site Big Pulpit)

sábado, 8 de março de 2014

Pesquisa: "Efeito Francisco" Não Atrai Fiéis para a Igreja.


O instituto Pew Research divulgou ontem uma pesquisa feita entre os católicos dos Estados Unidos. A pesquisa procurou saber várias coisas, como:

1) Se os católicos gostam do novo papa;
2) Se gostam mais dele do que do papa Bento XVI ou do papa João Paulo II;
3) Se acham que ele mudará a Igreja para melhor;
4) Se o papa Francisco tem convertido mais gente, se os católicos estão sendo mais católicos (indo mais a missas, rezando mais) com a entrada de Francisco;
5) Se a Igreja irá permitir padres casados, mulheres padres, casamento gay e métodos contraceptivos.
6) Quais mudanças que os católicos querem na Igreja.

Este tipo de pesquisa tem sempre um problema sério na identificação de quem é católico. Por exemplo, se você não vai à missa, não conhece a doutrina da Igreja, defende o aborto e o casamento gay, mas se diz católico, você é católico? O Papa João Paulo II disse por exemplo que os brasileiros eram apenas "culturalmente católicos", não sabem o que sigbifica ser católico. Acho também que muitos protestantes brasileiros não sabem o que isto significa, no máximo dizem que "não adoram Nossa Senhora".

Sobre se gostam mais do papa Francisco do que os dois papas anteriores, a comparação fica um pouco prejudicada pelo uso de diferentes datas, não é respeitado nem o tempo de pontificado. Mas os papas em geral são populares. Entre os três, o Papa João Paulo II é que é mais apreciado, o Papa Francisco fica em segundo lugar.


Mais de 70% dos católicos acham que o papa Francisco representa um mudança na Igreja.


Apesar da popularidade e de ser visto como uma mudança, o papa Francisco não tem atraído mais gente para o catolicismo, nem católicos para a Igreja, para assistir missas, confissões ou para trabalhos voluntários na Igreja.

Diz o texto da pesquisa (traduzo em seguida, em azul):

But despite the pope’s popularity and the widespread perception that he is a change for the better, it is less clear whether there has been a so-called “Francis effect,” a discernible change in the way American Catholics approach their faith. There has been no measurable rise in the percentage of Americans who identify as Catholic. Nor has there been a statistically significant change in how often Catholics say they go to Mass. And the survey finds no evidence that large numbers of Catholics are going to confession or volunteering in their churches or communities more often.

(Apesar de sua popularidade e a percepção generalizada de que representa mudança para melhor, é menos claro se tem ocorrido o chamado "Efeito Francisco", uma mudança discernível na maneira que católicos americanos praticam a fé. Não foi observado um aumento na percentagem de americanos que se identificam como católicos. Nem tem se sido observado uma mudança significativa no número de católicos que vão para missas. E a pesquisa não encontrou evidências de que mais católicos se confessem ou façam trabalhos voluntários nas igrejas e comunidades.)




- Mais católicos acham que a Igreja permitirá que os padres se casem, que as mulheres sejam padres, que se permita métodos contraceptivos e que seja aprovado casamento gay. E maioria dos católicos americanos querem estas mudanças.



Leiam toda a pesquisa.
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Concluo dizendo que, graças a Deus, a Igreja não é uma democracia, não decide seus dogmas pelo o que a maioria pensa, mas no que foi determinado por Cristo.

Sobre o "Efeito Francisco", pessoas são atraídas para a Igreja por diversos fatores. Um dos mais frágeis é o entusiasmo pela popularidade de um papa. É no entusiasmo ou no sofrimento que muitas pessoas procuram as religiões, mas geralmente ficam pouco tempo, pois não se aprofundam na fé.


(Agradeço a pesquisa ao site Pewsitter)

sexta-feira, 7 de março de 2014

Vídeo: Igreja Católica e a Liberdade Religiosa.


O Catholic News Agency fez um vídeo sobre a questão da liberdade religiosa dentro da Igreja Católica. É um assunto complexo, envolve questões como:

1)  Se a Igreja é a Verdade (Cristo) e tem obrigação de conduzir as pessoas para a salvação eterna, então Por que a Igreja não pode usar a força para levar as pessoas para Cristo?

2) Por que um estado católico não pode defender a fé católica?

3) Por que um estado não pode declarar o catolicismo como religião de estado?

Uma passagem da Bíblia é muito usada para este debate é Lucas 14:15-23, no qual Cristo conta uma parábola em que o senhor pede ao servo que "obrigue" as pessoas a participarem do banquete.  Santo Agostinho usou esta passagem para defender o uso da força para a conversão de heréticos.

O vídeo tem a qualidade de mostrar diversos especialistas, mas é um vídeo realmente chato de assitir, porque nenhum especialista desenvolve completamente seu raciocínio.

Eu perdi minha noite ontem traduzindo o que estes (por vezes ótimos) especialistas diziam, na esperança de que houvesse uma conclusão interessante. Mas não mostra-se, são apenas pedaços do debate, soltos, sem conclusão. Mesmo quando os pensamentos dos especialistas são contraditórios, o vídeo deixa passar.

Eu só conhecia dois dos especialistas mostrados no vídeo: Thomas Storck (gosto muito do que ele escreve, já falei de textos dele no meu outro blog, como aqui) e George Weigel (renomado escritor católico, já falei dele aqui neste blog várias vezes, como aqui).

Na minha opinião, se o vídeo usasse só Thomas Storck, Thomas Pink  e o padre John O'Mailley e deixasse eles concluirem, seria um excelente vídeo, muito melhor do que o aperesentado.

No vídeo, os que menos gosto são o padre jesuíta David Hollenbach e Massimo Fragioli. Achei que falta profundidade aos dois.

O foco do vídeo é a encíclica Dignitatis Humanae do Vaticano II.  Os especialistas contrapõe esta encíclica que defende a liberdade religiosa com (supostamente) o pensamento da Igreja no século 19. Digo supostamente, porque o único argumento contra a liberdade religiosa dito pela Igreja no século 19 é uma frase do papa Gregório XVI que não acreditava em democracia. Eu fiquei louco que eles falassem mais sobre este tipo de argumento mas não veio.

Vou traduzir aqui em resumo o que dizem os especialistas:

Padre John O'Mailley: "Houve uma grande mudança na relação entre a Igreja e o estado a partir do imperador Constatino".

Daniel Philpott: "O papa Gelasius no século 5 trouxe a ideia de que há duas espadas: a espada temporal (do estado) e a espada espiritual (da Igreja). E desde este período mantém-se esta divisão na Igreja".

Massimo Fragioli: "Houve um progresso na Igreja, e viu-se que uso da violência não era evangélico".

Padre John O'Mailley:"Houve uma ruptura na época da reforma protestante, e decidiu-se que cada rei decidiria sua religião"

Robert Goerge: "A revolução francesa marcou a Igreja profundamente, a fez temer pela liberdade religiosa, pois percebeu que isto levava a indiferença para com a religião"

Padre David Hollenbach: "O papa Gregório XVI no século 19 disse que a liberdade de consciÊncia é uma insanidade, mas depois de 100 anos, no Vaticano II, defendia-se a liberdade religiosa no Diginitatis Humanae".

Thomas Storck: "É teologicamente complicado aceitar que a Igreja mudou de opinião com o tempo"

Padre David Hollenbach: "A Igreja disse que lê os sinais dos tempos sob a luz do evangelho. Então nunca se deve abandonar as escrituras. Mas o tempo mudou o pensamento da Igreja que jpa defendeu a escravidão e realizou torturas. As novas condições sociais iluminam o evangelho"

Thomas Pink: "Papas e bispos são pastores. Meu avô era pastor. Não se chega para um ovelha e pede-se para ela seguir um caminho, o que o pastor faz é usar a força para que a ovelha use o caminho adequado. Jesus aparece nas catacumbas levando uma ovelha nos ombros, usando a força. Por que a Igreja não pode usar a força para levar as pessoas para a salvação, se é formada por pastores?"

Padre John O'Mailley: "A Igreja rem obrigação de proteger seus fiéis e fazer com que outros se tornem católicos. Santo Agostinho defendeu que o estado obrigassem os heréticos donatistas a se tornarem católicos"

Daniel Philpott: "O cristianismo é de suma importância para a lberdade,d esde o pensamento de São Paulo que defendia a liberdade do pecado e que as pessoas se tornem cristãs pela livre e espontânea vontade".

Padre David Hollenbach: "A Igreja nunca defendeu a corção para converter, mas defendeu que os heréticos não divulgassem publciamente suas ideias, insistindo que o catolicismo é o melhor parav a sociedade. o Vaticano II liberou a divulgação pública das heresias, pois acho que libertar a liberdade era contra produtivo"

Padre John O'Mailley: " A segunda guerra mundial trouxe repercussões sobre a ideia de liberdade religiosa"

Robert George: "No século 20 passou-se a ver que liberdade religiosa não necesseriamente ao resultado da Revolução Francesa, por isso a Igreja passou a apoiar"

Massimo Fragioli: "O Vaticano II  ficou mais próximo do evangelho na questão da liberdade religiosa, da comunidade de fiéis defendida por Cristo"

Thomas Pink: "Há uma difícil conciliação entre o que a Igreja pensava no século 19 e o Vaticano II, mas pode-se defender que o a Igreja nunca defendeuque o esatdo usasse a força para converter"

Padre John O'Mailley: "O discurso de Paulo VI na ONU em 1965 defendendo a liberdade ereligiosa seria inconcebível quatro anos antes"

Daniel Philpott:"Mesmo se o estado católico declarasse que o catolicismo é a religião do estado, deveria haver liberdade religiosa".

George Wegel: " A ideia de que o poder do estado deve defender a Igreja sugere que o evangelho não poder para converter".

David Schindler: "O estado não tem poder de tornar os cidadãos vurtuosos, por isso a Igreja e a família devem ser valorizadas pelo estado."


Thomas Storck: "Os americanos tendem a acreditar no livre mercado das religiões".


Padre David Hollenbach: " Se alguém quer voltar ao passado, ao século 19, eu respondo: olhem para o que acontece na África do Sul e na América Latina"




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Não sei bem o que o padre David Hollenbach quer dizer com "olhem para a América Latina". Nossa região não é conhecida por seguir o evangelho, apesar de milhões se declararem católicos.

Espero que o vídeo seja interessante para vocês, como não foi para mim. Faltou muito, incluindo o contexto histórico (guerras durante o papado de Gregório XVI e o comunismo do século 20, por exemplo), mas salvam-se algumas declarações.


(Agradeço o vídeo ao site New Advent)