sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O Islã pode Ser Reformado para Ser Pacífico?


Ontem, um amigo me perguntou se o Islã pode se tornar pacifista. Eu já tinha pensado sobre o assunto e respondi que, para mim, os muçulmanos teriam que renegar a vida de Maomé, ou pelo menos a parte final da vida dele quando ele tomou o poder em Medina, assim teriam que abandonar grande parte do Alcorão que se refere a esse período da vida de Maomé. Espiritualmente, eu entendia que essa mudança podia vir pela elevação de Cristo dentro do Alcorão e também de Maria, pois os muçulmanos respeitam muito Maria.

Hoje, eu li uma análise interessante sobre o assunto do padre Dwight Longenecker. Ele toca em um aspecto muito importante, que trata da diferença entre católicos e muçulmanos no que se refere aos livros sagrados.

Padre Longencker ressalta que nós católicos acreditamos na Bíblia, dizemos que ela foi inspirada pelo Espírito Santo, mas também sabemos que ela foi escrita por homens com seus problemas e limitações.

Isso realmente é extremamente importante. Muitos heróis bíblicos são mostrados também com seus pecados, ver o adúltero e assassino Davi, o mulherengo Salomão, o assassino de egípcio Moisés, o bêbado Noé, etc.

Além da Bíblia, nós católicos temos a Tradição e o Magistério da Igreja para nos guiar.

No Islã, o Alcorão foi escrito por Alá, é intocável, não sujeito a qualquer reforma. Isso é bastante problemático. O Islã parece exigir completo abandono para ser pacífico.

Vejamos parte do texto do Padre Longenecker.

 Can Islam be Reformed?
 by

Can the religion of peace turn away from shooting schoolgirls in the head, slaughtering people on vacation, selling people into slavery and torching churches?

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Part of this problem is the nature of  Islam itself. It is a religion of the book, and the book was supposedly dictated by the Angel Gabriel.

When your book is straight from heaven it is difficult not to take a completely literal, fundamentalist approach.

We believe the Bible is inspired by the Holy Spirit, but it wasn’t dictated by the Holy Spirit. The authors of Sacred Scripture wrote in their own words and concepts and from their own historical situation and context. The specifics are fluid while the concepts and teachings are firm.  This is why we are happy to have variant readings of certain passages, don’t mind having  the Bible translated  (to really study the Koran you’re supposed to learn Arabic) and allow for varied interpretations among scholars and believers.

To be sure, some fundamentalist Protestants take a literal and uncompromising Islamic-like view of Scripture, and they are often as relentless as most Muslims in their approach to religion.
The problem for a religion of the book is therefore that it is very difficult to entertain the idea of reform or change in any way. As the fundamentalist preacher I grew up with used to say, “The Bible says it. I believe it. That settles it.”

Instead of a religion of the book, Catholics have a religion of a person, and that person is Jesus Christ. The Bible is the church’s witness to Jesus Christ. It is the record and reflection of his life and the Old Testament is the history of the world leading up to the revelation of God in Jesus Christ. The Koran, on the other hand, is a rule book.
 


12 comentários:

Jacyr Augusto disse...

Prezado Pedro Erik

Não sei se concordo inteiramente contigo.
Acho que se surgisse no islã uma teologia da libertação ou um CVII, com certeza teríamos muçulmanos diferentes.
É o que está acontecendo com boa parte dos católicos, simplesmente ignoram as Palavras de Nosso Senhor.
Eles entende que até pode estar escrito na Bíblia, mas o que vale é o "espírito da lei" ou a "pastoral".
A nossa dificuldade está no fato de que hoje temos poucos pastores para nos auxiliar.
Mas na minha rudimentar opinião entendo que a Igreja só não sucumbe a estes problemas porque realmente é a Igreja de Nosso Senhor.
Acredito que o Islã não conseguiria se vencer inimigos como estes que temos em Nossa Casa.
Um grande abraço.

Pedro Erik disse...

Caro amigo Jacyr,

Como eu disse a outro ilustre comentarista do blog, o grande flavio, pensar assim como vc escreveu é acreditar que o ateísmo traria paz ao mundo.
Se defendermos isso de que se os muçulmanos não respeitassem a religião deles o mundo se livraria do terrorismo islâmico iriamos nos juntar aos ateus esquerdistas que odeiam qualquer religião.
Mas é precisamente por causa do vácuo religioso no Ocidente que temos a força do islã.

Abraço,
Pedro Erik

flavio disse...

Pedro, não afirmei que acredito que o ateísmo trará a paz. Aliás sabemos que a bíblia ateia, o darwinismo, foi uma grande inspiradora para o imperialismo do fim do século XIX que quase destruiu a Europa em duas guerras. No comentário que fiz, levantei que há duas possibilidades para a Europa: Ser uma terra de muçulmanos secularizados aos poucos, como os católicos e protestas,aliás mulçumanos assim já existem em alguma escala na França, ou então ser uma terra de islamitas que usarão o poder bélico que terão, e serão uma ameaça mundial de verdade.
Minha opinião: Europa secular agnóstica está com os dias
contados. E creio também que dias nebulosos virão, resultado do marxismo cultural, que para o Ocidente é pior que o islamismo. Pois este vem tendo poder pelo vazio espiritual e intelectual causado pelo secularismo marxista.
A solução: um renascimento católico. Mas vejo hoje isto como uma possibilidade distante.

Vic disse...

Toda religião fundada por homens dá com os burros n'agua, e o Alcorão é mantido a ferro e fogo sem o povo poder questionar para as tradições imperiais das familias irem se perpetuando no poder de geração em geração, tal como os comunistas querem do poder, e até são aliados!
Um crê na deusa da lua Alah e o outro crê em si mesmo!

Pedro Erik disse...

Caríssimo Flávio,

Eu não falei que vc disse que o ateísmo trará a paz, o que eu disse é que o pensamento que vc por vez disse de esperança de que os muçulmanos ficassem menos religiosos para que houvesse paz na Europa era como acreditar que o ateísmo trouxesse a paz.

Bom, foi isso que entendi do que vc me escreveu certa vez. Perdão se entendi errado. Mas permanece valendo para argumentar sobre o que disse o Jacyr.

Com o Islã, ao que parece, só o completo abandono da religião pode eliminar o terrorismo islâmico. Para isso os cristãos devem ser a alternativa religiosa e não o ateísmo.

Abraço,
Pedro Erik

Anônimo disse...

Daí, Pedro!

Muito bom o post!

Quanto ao que o Jacyr disse, acho que é importante perceber que a Bíblia não existe sem a Igreja, e a Igreja não existe sem Cristo. O católico não se guia pela Sola Scriptura; isto é, não é Cristo que existe porque está escrito na Bíblia, mas a Bíblia é que foi escrita porque "o Verbo se fez carne e habitou entre nós". Neste sentido é que o padre diz que os católicos não tem a religião de um livro, mas de uma pessoa, e esta pessoa é Jesus Cristo.

Quando analisamos a visão de um protestante, o que nos parece é que a Bíblia é a causa do ser de Cristo... o que é absurdo! Cristo é quem é a causa da Bíblia!

Não apedrejamos adúlteros porque interpretamos a Bíblia segundo o Magistério da Igreja, segundo a Tradição que nos foi legada e respeitando os Princípios Cristãos que são a razão de todos os mandamentos: 1- Ama a Deus sobre todas as coisas; 2- e ama o próximo como a ti mesmo; nesta ordem. Um homem que simplesmente segue a letra do Livro, sem levar em consideração o que a Igreja ensina (e Cristo por meio dela), terá como justificado o ato do apedrejamento.

O que o Jacyr parece querer criticar é a atitude de alguns membros da Igreja de forçarem a interpretação em sentidos contrários ao Evangelho. Por exemplo: a aprovação do divórcio e das relações homossexuais. Ora, Jacyr, as pessoas que interpretam desta forma estão indo contra o Magistério da Igreja, contra a Tradição que nos foi legada, contra os escritos dos grandes mestres cristãos e contra a Bíblia interpretada dentro deste contexto. Ou seja, estão indo contra o verdadeiro espírito do Evangelho!

Quando falamos em espírito da Lei do Evangelho, falamos dos Princípios que regem e harmonizam toda a Lei, tendo como fim último Cristo. Quando alguns progressistas dentro da Igreja falam em "espírito da lei", não é do espírito acima de que falam (embora procurem fazer parecer que é), não é Cristo que os move, mas sim o mundo e seus desejos.

Há de se fazer essa distinção entre o espírito bom (preservado e custodiado pela Igreja) e o espírito perverso (proposto pelos inimigos da Igreja).



Grande abraço a todos,

Grande abraço, Pedro, e obrigado por mais um belo post,

(Se tiver alguma correção a fazer, fique à vontade)


Jonas

Pedro Erik disse...

Nada a acrescentar, caro Jonas. Eu não teria escrito melhor. Você escreve muito bem, meu amigo.

Grande abraço,
Pedro Erik

RICARDO DA SILVA LIMA disse...

Caro Jonas, bom dia.

O seu comentário é um dos mais inspirados e verdadeiros que eu já li neste prestigiado blog do nosso amigo Pedro.

Meus parabéns.

Atte,

Ricardo.

Lura do Grilo disse...

Parece inconcebível basear uma religião num Deus que precisa do homem para exterminar a sua própria criação. Este é um Deus fraco e indefeso. O Deus do Islão é obviamente falso.

Adilson disse...

Bom dia, nobre Pedro.

Eu não pretendia mais comentar a presente postagem, pois achei que não tinha nenhuma contribuição a dar. Todavia, sem querer achei o artigo do link abaixo, onde se fala sobre o papel dos russos na ascensão desse radicalismo islâmico contra o Ocidente. Por esse motivo, meu caro, resolvi trazê-lo aqui. Não sei se conheces ou confia nesse site, mas julguei interessante te informar.
http://www.tabletmag.com/%20jewish-news-and-politics/103576/the-cold-wars-arab-spring

Abraços e boa entrada no Tempo do Natal.

Pedro Erik disse...

Obrigado, caro Adílson.
Vou olhar o material que enviou.
Abraço,
Pedro Erik

Jacyr Augusto disse...

Prezados

Acredito que posso não ter me expressado de forma adequada.

Entendi que o texto demonstrava o crescimento do islamismo, com a impressão de que se tratava de algo irreversivel.

E que uma das poucas alternativas seria o mulcumano negar as próprias palavras de maome.

Em razão disto, busquei ressaltar que o islamismo somente se desenvolve por não ter inimigos, ao contrário da Igreja que possui seus piores dentro de seu seio.

Negar a palavra do próprio maomé pode parecer difícil dentro do padrão que temos hoje, mas se o islamismo enfrentasse o relativismo ou o modernismo, com certeza renegariam as palavras de maomé, assim como infelizmente alguns católicos acabam procedendo.

Logo, acredito que se o islamismo ascendesse a um posto principal, com certeza não suportaria inimigos como a teologia da libertação, um "CVII islamico" e cia ltda.

A Igreja de Cristo somente suporta estas batalhas por que é a Igreja de Cristo.

Por isto, acredito que jamais o relativismo, modernismo ou o próprio ateismo possam proporcionar alguma paz.

O que pretendi expor é que não importam as tentativas de substituir o catolicismo, todas irão falhar.

O islamismo pode parecer forte hoje, como o maniqueismo já pareceu no passado, mas todas acabam fragilizadas no seu processo de ascensão, vindo a se destruir e até sumir, resistindo apenas a Igreja Católica.

Hoje nós católicos estamos mais fragilizados, pois faltam pastores para nos orientar.

Mas como os portões do inferno jamais prevalecerão, precisamos continuar nosso trabalho de leigos.

Um cordial abraço a todos.