quarta-feira, 9 de julho de 2014

Por que Não Confio em Futebol nem quando "ajuda" o Mundo.


Não, eu não vou falar do jogo de ontem. Muita gente já fala sobre isso, e outros já disseram o que eu diria sobre a Copa do Mundo (como Guilherme Fiuza). Eu, aliás, nunca escrevi sobre futebol aqui no blog, e tenho ojeriza do fato de que qualquer jornalista brasileiro, mesmo os especialistas em política ou história, escrevam sobre futebol. No dia de hoje praticamente todos os blogs brasileiros falam do jogo de ontem. Vocês já pararam para contar quantos "comentaristas" de futebol a TV brasileira tem?

Aliás também, eu detesto a literatura sobre futebol. Por que tantos jornalistas e escritores brasileiros têm de escrever um livro sobre futebol? O livro, no máximo, vai ser um bom texto falando da superação pessoal de um jogador ou de um time de futebol, em algum momento. Superação que acontece em qualquer atividade humana, qualquer.

Mas não se enganem. Eu gosto de futebol, acho muito melhor que esportes meio ridículos (como volei, perdão para quem gosta de volei, mas seis pessoas em uma metade de quadra é meio ridículo, para mim), tenho meus times de coração e os jogadores que admiro, só acho extremamente chato, anacrônico e estúpido a exaltação do esporte. Gosto também de tênis, não perco um grand slam. Aliás, como esporte, eu gosto mais de tênis do que de futebol. Acho inclusive que é mais bonito para uma retratação de superação humana.

Detesto também ver tantas escolas brasileiras muito dedicadas ao esporte e à música, desprezando matemática, português, inglês, química, literatura e religião. Coisas bem mais profundas do que futebol, que é apenas um esporte, um pouco melhor e um pocuo pior do que outros esportes.

Hoje, eu li um artigo no jornal The Catholic Herald. O arigo é de Jim Murphy, autor do livro acima The 10 Football Matches that Changed the World.

O autor fala daquele lugar comum, que algumas partidas de futebol ajudam a aproximar inimigos de conflitos militares. Ele usa o exemplo do presidente do Irã, que em uma partida de futebol, aparentava ser um simples torcedor em um jogo entre Irã e Nigéria.

E também fala que muitas crianças abandonam a violência da guerra e as drogas em escolas que ensinam o futebol.

Bom, claro que reconheço que centenas e talvez milhares de crianças abandonaram o caminho da morte ao se dedicarem ao futebol. Sensacional, que Deus esteja com elas. Mas quantas crianças e jovens se perderam do caminho da vida por causa da futebol, abandonaram os estudos, entraram no uso exagerado de prostituição e drogas que também está presente no futebol? Você acha que a vida dos jogadores famosos servem como exemplos para as crianças? Vocês leram sobre o filho do Pelé, por exemplo.

Difícil fazer a conta se vale ou não à pena usar o futebol para retirar as crianças da violência, mesmo porque a vida de um esportistas é curtíssima, mesmo se ele tem sucesso.

Quanto à diplomacia do futebol, algo também muito usado pelo Brasil, enviando jogadores para a Palestina ou para o Haiti, eu simplesmente acho BS (bullshit), uma bobagem.

Em suma, acho uma desgraça o exagero do futebol no Brasil. Um fator de nosso subdesenvolvimento que atrasa nosso povo. O hino do Brasil parece ser o hino da CBF, o povo só canta para a seleção brasileira.


5 comentários:

Anônimo disse...

Olá amigo!
Concordo plenamente com sua afirmação de que o futebol é um fator de nosso subdesenvolvimento. Certa vez, Joseph Ratzinger afirmou sobre o rock: "O rock é expressão de paixões elementares que, em grandes reuniões de música, assumiram caracteres culturais, isto é de contraculto, que opõem ao culto cristão."
Na minha opinião, o futebol assumiu essas mesmas características de contraculto, que por meio da imprensa diviniza os jogadores, como se a finalidade da vida humana fosse o título do campeonato. Junte-se a isso um sistema de leis deficiente, que não pune torcedores que depredam ônibus, brigam, xingam e até matam adversários. Eis uma das receitas das mazelas nacionais.
Um abraço e bom fim de semana.
E que a Holanda faça mais uns 5! heheh
Gustavo.

Pedro Erik disse...

Muito bom seu comentário, Gustavo. Compartilho também da opinião do Papa sobre o rock. Incrível como se perverte tudo.
Abraço,
Pedro Erik

Duddu Pontes disse...

Entendi o que você quis dizer, grande Pedro, mas confesso que sou um 'viciado' em futebol(inclusive escrevo num blog de um amigo sobre futebol)!

Fortaleza Esporte Clube e Manchester United ocupam grande parte do meu tempo e as vezes me questiono se parte desse tempo dedicado ao futebol não poderia ser redirecionado para o estudo ou para a oração!

Abraco!

Pedro Erik disse...

Torcemos para os mesmos times. amigo. Já tive a oportunidade de ver o Manchester em Old Trafford. O estádio é sensacional.

Mas deve-se por limite no futebol, no Brasil extrapolamos o alcance do esporte e perdemos jovens (e escritores) demais para ele.

Abraço,
Pedro Erik

Duddu Pontes disse...

Haha, que coincidência, amigo!
Esse é um dos sonhos dos quais tenciono alcançar(assistir United at Old Trafford, uma viagem ao Vaticano e outra à Terra Santa)!

Nosso país respira futebol e isso passa a ser realmente mal principalmente quando outros aspectos tão importantes como a política ficam esquecidos!

Muito espelhado em você estou a pensar em, além de continuar escrevendo futebol para o blog de meu amigo, criar um blog pessoal para abordar assuntos mais 'profundos' como política, religião, entretenimento e quem sabe um pitada de economia!

Abraco