terça-feira, 12 de agosto de 2014

Vaticano exige que Líderes Muçulmanos condenem as ações do ISIS.


Em um comunicado divulgado há pouco, o Pontifício Conselho para Diálogo Inter-religioso do Vaticano exige que os líderes muçulmanos condenem as as crucificações, decapitações e todo tipo de agressão sofridas pelos cristãos no Iraque, caso contrário haveria "perda de credibilidade"  de "todas as religiões"(?).  

Na passagem mais forte do comunicado se lê (na versão em inglês, o original está em francês):


"The dramatic plight of Christians, Yezidis and other religious communities and ethnic minorities in Iraq,requires a clear and courageous stance on the part of religious leaders, especially Muslims, as well as those engaged in interreligious dialogue and all people of good will. All must be unanimous in condemning unequivocally these crimes and in denouncing the use of religion to justify them. If not, what credibility will religions, their followers and their leaders have? What credibility can the interreligious dialogue that we have patiently pursued over recent years have?

Minha tradução:

"A situação dramática dos cristãos, Yezidis e outras comunidades religiosas e das minorias étnicas no Iraque exige uma posição clara e corajosa por parte de líderes religiosos, especialmente os muçulmanos, assim como de todas as pessoas envolvidas no diálogo inter-religioso e todas as pessoas de boa vontade. Todos devem ser unânimes em condenar inequivocamente esses crimes e em denunciar o uso da religião para justificá-los. Se não, como ficará a credibilidade das religiões, seus seguidores e seus líderes? Que credibilidade tem o diálogo inter-religioso que temos pacientemente procurado nos últimos anos? "

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Bom, primeiro, deve-se saber quem são os líderes muçulmanos. Os mais influentes já defenderam a jihad islâmica contra os infiéis inúmeras vezes e não se ouviu nenhuma condenação deles depois dos ataques de 11 de setembro.

O Vaticano pode conseguir o apoio muçulmano de algum líder local de pouca influência. Nenhum líder muçulmano importante pode alegar desconhecer o apoio do Alcorão em favor de ataque a infiéis, todos conhecem e defendem a passagem 9:5 do Alcorão, como não poderia ser diferente, afinal o Alcorão é sagrado para eles. E todos conhecem a vida de Maomé e sabem que o profeta islâmico atacou infiéis inúmeras vezes. Além disso, pode ser que mesmo um líder local não queira parecer "capacho" do Vaticano.

Será que o Vaticano se dará satisfeito se aparecer um líder local muçulmano em apoio?

Segundo, se as religiões dependerem da credibilidade do Islã em termos de defesa do próximo, seja qual for o próximo, estão todas perdidas.

Terceiro, a credibilidade do diálogo inter-religioso não é lá essas coisas. Não há muito a mostrar, além de fotos de muitos líderes religiosos unidos, ou do Papa João Paulo II beijando o Alcorão (argh!).

Rezemos pelos cristãos iraquianos. A carta não irá consolá-los suficientemente, eles precisam agora é de armas que os protejam, mas é alguma coisa.


2 comentários:

Anônimo disse...

Olá!
Estamos progredindo lentamente. Tomara que o apelo do Vaticano tenha efeito, embora isso provavelmente seja indiferente para o ISIS.
A Paz do Senhor.
Gustavo.

Pedro Erik disse...

É verdade, progredimos lentamente. Vendo coisas explícitas há séculos (ver o que São Tomás de Aquino falou sobre o Islã, eu coloquei aqui no blog).

O problema é quando chegar a hora da verdade. A Igreja vai se levantar?

Por exemplo, se o governo americano dissesse ao Papa Francisco: "Ok, vou atacar e matar os militantes do ISIS e corro o risco de matar civis, mas só vou se Sua Santidade me der sua benção."

O que faria o Papa?

Abraço,
Pedro Erik