quinta-feira, 6 de março de 2014

Papa Francisco: mais uma entrevista. E mais um: "damage control".


Nos Estados Unidos, toda vez que um político diz ou faz alguma coisa que o prejudicará em eleições, entram em cena os assessores para fazer o que eles chamam de "damage control", para controlar os danos provocados pelo ato descuidado do político, como um bombeiro tentando estancar o volume de água em um cano furado.

Bom, vocês devem ter visto mais uma entrevista do Papa Francisco. Dessa vez, para o Corriere della Serra, dessa vez para o editor Ferruccio de Bortoli (você pode a entrevista em inglês, clicando aqui)

O Papa falou especificamente sobre questões relacionadas ao casamento, uma vez que há um consistório de cardeais para discutir as questões familiares e há até cardeais (como o alemão cardeal Kasper) sugerindo que aqueles que se casem novamente possam receber o sacramento da eucaristia.

O papa não se comprometeu com o que disse Kasper e defendeu a encíclica Humanae Vitae do papa Paulo VI, negou que vá ocorrer mudanças no que disse Paulo VI. Mas disse que Paulo VI também alertou que deve-se olhar com "misericórdia para os casos concretos". Bom, esta misericórdia pode de fato  abrir uma porta para mudar a doutrina. Então, fica difícil interpretar o papa Francisco.

Como ponto muito positivo, o papa Francisco defendeu a Igreja contra aqueles que a atacam por conta de casos de pedofilia e defendeu a atuação do papa Bento XVI.

Mas ele deixou arestas que exigiu que o porta-voz do Vaticano tivesse que reagir e negar algumas interpretações da imprensa.

A principal aresta é uma resposta do papa que parecia dar aval a casamentos civis, inclusive de gays.

O padre Thomas Rosica que cuida da tradução dos textos para o inglês no Vaticano, soltou o seguinte comunicado sobre a entrevista:
On behalf of the Vatican, Fr. Thomas Rosica released the following statement regarding certain interpretations of the interview:
“There have been numerous questions, calls and messages throughout the day today regarding Pope Francis’ recent interview in the Italian daily newspaper, Corriere della Sera, particularly referring to the section on marriage and civil unions.  Some journalists have interpreted the Pope’s words in the interview to reflect an openness on the part of the Church to civil unions. Others have interpreted his words to be addressing the question of same-sex marriage. I have consulted with Fr. Federico Lombardi, SJ, throughout the afternoon and have prepared the following notes on Pope Francis’ interview.
Asked specifically about “unioni civili,” (civil unions), Pope Francis responded:
“Il matrimonio e’ fra un uomo e una donna.  Gli Stati laici vogliono giustificare le unioni civili per regolare diverse situazioni di convivenza, spinti dall’esigenza di regolare aspetti economici fra le persone, come ad esempio assicurare l’assistenza sanitaria.  Si tratta di patti di convivenza di varia natura, di cui non saprei elencare le diverse forme.  Bisogna vedere i diversi casi e valutarli nella loro varieta’.”
My translation:
“Marriage (matrimony) is between a man and a woman. Civil states want to justify civil unions in order to regulate (normalize) different arrangements of cohabitation; – prompted by the necessity of regulating (normalizing) economic aspects among people, for example in providing health insurance or benefits. This consists of different kinds of living arrangements which I wouldn’t know how to enumerate with precision. We must consider different cases and evaluate each particular case.”
[It is important to understand here that “civil unions” in Italy refer to people who are married by the state, outside of a religious context.]
Journalists have asked if the Pope was referring specifically to gay civil unions in the above response. The Pope did not choose to enter into debates about the delicate matter of gay civil unions. In his response to the interviewer, he emphasized the natural characteristic of marriage between one man and one woman, and on the other hand, he also spoke about the obligation of the state to fulfill its responsibilities towards its citizens.
By responding in this way, Pope Francis spoke in very general terms, and did not specifically refer to same-sex marriage as a civil union. Pope Francis simply stated the issues and did not interfere with positions held by Episcopal Conferences in various countries dealing with the question of civil unions and same sex marriage.
We should not try to read more into the Pope’s words that what has been stated in very general terms.”
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Em suma, o padre Rosica disse que o papa falou apenas em termos gerais sobre casamento, não entrou em detalhes como casamento gay ou casamento civil.

Como eu avalio esta entrevista?

Bom, eu acho que o papa Francisco foge de temas espinhosos (ao contrário do papa Bento XVI que achava importante atacar problemas centrais do mundo moderno). Esta fuga dele o faz falar apenas em termos gerais, como relata o padre Rosica. Acontece que o mundo não quer ouvir sobre a misericórdia de Deus, ele quer saber o que a Igreja sob Francisco pensa e vai agir sobre casamento gay, divórcio, métodos contraceptivos, perseguição cristã no mundo muçulmano, etc.

O papa Francisco tenta se esquivar, mas acaba tendo que ser retratado toda vez que dá uma entrevista.


(Agradeço a entrevista e a resposta do padre Rosica ao site The American Catholic)

quarta-feira, 5 de março de 2014

E se o Papa Francisco, bispos e cristãos seguissem Abraão, como enfrentariam o mundo?


Eu falei no post anterior que não gostei de como o Papa Francisco deseja que os bispos se comportem. Ele disse não querer apologistas nem cruzados, não deseja bispos que saiam defendendo a fé cristã. Ele quer bispos que sejam "humildes semeadores da verdade". Não me parece uma definição que São Paulo aprovaria, uma vez que este santo era bem afirmativo na defesa do cristianismo e de sua própria condição de apóstolo. Ele não era "humilde" na defesa da verdade.

Ontem, eu tive conhecimento de um blog bem interessante que sugeriu não só como papas e bispos devem se comportar, mas como todos os cristãos devem se comportar em um mundo infiel. Quem me indicou este blog foi o site Agent Intelect.

Se trata do blog do PhD em teologia e professor de teologia, Dr. Robert Krupp.

Krupp escreveu sobre como os cristãos devem se comportar em um mundo em que a maioria é de infiéis. Para fazer isso, Krupp sugeriu que os cristãos se comportassem como Abraão.

Krupp disse que:

1) Abraão viveu uma vida solitária em um mundo estranho a ele. Ele foi chamado por Deus e recebeu grandes promessas. Deus prometeu uma pátria e um grande número de descendentes. Deus também prometeu  bênção sobre ele e os aliados com ele e maldição sobre os seus inimigos de Abraão. No entanto, Abraão viveu como um peregrino nesta terra que seus descendentes iriam possuir. 
Krupp citou os versos Gênesis 12:1-3 e Hebreus 11:8-16 para mostrar isso.

Gênesis (12:1-3):  Javé disse a Abrão: «Sai da tua terra, do meio dos teus parentes e da casa de teu pai, e vai para a terra que Eu te mostrar. Eu farei de ti um grande povo, e abençoar-te-ei; tornarei famoso o teu nome, de modo que se torne uma bênção. Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei aqueles que te amaldiçoarem. Em ti, todas as famílias da Terra serão abençoadas».

Hebreus (11:8-16): Pela fé, Abraão, chamado por Deus, obedeceu e partiu para um lugar que deveria receber como herança. E partiu sem saber para onde. Pela fé, foi residir como estrangeiro na Terra Prometida. Morou em tendas juntamente com Isaac e Jacob, que também eram herdeiros da mesma promessa. Abraão esperava a cidade bem alicerçada, cujo arquitecto e construtor é o próprio Deus. Foi pela fé que também Sara, embora sendo velha, se tornou capaz de ter uma descendência, pois acreditou em Deus que lhe havia prometido isso. Assim, de um só homem, que estava praticamente morto, nasceu uma descendência tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como os grãos de areia da praia do mar. Todos eles morreram na fé. Não conseguiram a realização das promessas, mas só as viram e saudaram de longe; e confessaram que eram estrangeiros e peregrinos sobre a Terra. Falando assim, demonstraram que estavam em busca de uma pátriaSe pensassem que essa pátria era aquela de onde tinham saído, teriam a possibilidade de voltar para lá. Mas não; eles aspiravam por uma pátria melhor, isto é, a pátria celeste. Por isso, Deus não Se envergonha de ser chamado seu Deus; na verdade, Deus preparou-lhes uma cidade.

2) Abraão viveu em um mundo de incredulidade. Mas reconheceu a fé de Melquisedeque e deu-lhe uma oferta como um ato de adoração ao verdadeiro Deus. (Gênesis 14:17-20).

Gênesis (14:17-20): Quando Abrão voltou, depois de ter derrotado Codorlaomor e os reis aliados, o rei de Sodoma foi ao seu encontro no vale de Save, que é o vale do rei.Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, levou pão e vi-nho, e abençoou Abrão, dizendo: «Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que criou o Céu e a Terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os inimigos nas tuas mãos». E Abrão deu-lhe a décima parte de tudo.

3) Abraão não aceitou as benesses do mundo, quando o rei de Sodoma lhe ofertou. Ele sabia que havia um abismo intransponível entre eles. (Gênesis 14:21-24)

Gênesis (14:21-24): O rei de Sodoma disse a Abrão: «Dá-me as pessoas e fica com os bens». Mas Abrão respondeu ao rei de Sodoma: «Juro por Javé, o Deus Altíssimo, que criou o Céu e a Terra: não aceitarei nem sequer um fio, ou correia de sandália, daquilo que te pertence, para que depois não digas que enriqueceste Abrão. Não quero nada para mim. Aceito apenas o que os meus servos comeram e a parte de Aner, Escol e Mambré, que me acompanharam; eles que levem a parte deles».

4) Abraão até fez alianças alianças com aqueles que não acreditam em seu Deus, mas não deixou seu filho se casar com uma de suas filhas. (Gênesis 14:24 ; 24:1-4).


Gênesis (24:1-4): Abraão estava velho, de idade avançada, e Javé tinha-o abençoado em tudo. Abraão disse ao servo mais velho da sua casa, que administrava todas as suas propriedades: «Põe a tua mão debaixo da minha coxa, e jura por Javé, Deus do Céu e da Terra, que quando buscares esposa para o meu filho, não a escolherás entre as filhas dos cananeus, no meio dos quais moro. Mas irás à minha terra natal e nela escolherás uma esposa para o meu filho Isaac».

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Então, assim como Abraão, os cristãos vivem em um mundo que não é o deles, a espera da "pátria celeste". Que todos os cristãos, incluindo os papas e bispos, não aceitem as benesses do mundo (elogios, poder, dinheiro) e não entreguem seus filhos aos infiés.

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Ontem, o Papa Francisco falou sobre os mártires cristãos. Apesar de citar apenas os mortos do nazismo e do comunismo, não mencionando diretamente os mortos em países islâmicos da chamada Primavera Árabe, ele lembrou daqueles cristãos que não podem orar, usar crucifixo ou carregar uma bíblia, pois podem ser mortos. Creio que ele esteja se referindo aos cristãos dos países islâmicos.

Ao não citar estes cristãos explicitamente, o Papa deixou aberta a interpretação, e evitou ficar na linha de frente dos ataques de muçulmanos. Não sei se esta é a forma correta falar destes cristãos que morrem nas mãos muçulmanas, mas parece que foram lembrados, pelo menos.

Os cristãos em terras muçulmanas, além de viverem em uma terra estrangeira (como Abraão e todos nós) vivem sob ameaça da morte diariamente.

Vejam vídeo do Papa Francisco falando dos mártires cristãos, no site da Rome Reports tem mais um pedaço do discurso dele.





segunda-feira, 3 de março de 2014

Eu não gostei da definição de bispo do Papa Francisco.


Eu não gosto de gente que sempre tenta ficar no meio do debate, aqueles que sempre dizem "nem tanto ao mar, nem tanto a terra". É claro que os exageros são ruins, mas nem sempre são ruins. É claro também que as heresias, como dizia Chesterton, são exageros de um boa doutrina. Mas por vezes a tentativa de ficar no meio do debate vira um vício, e torna a pessoa sem opinião, nula. É uma maneira de ficar inerte pois não se deseja ser visto como "exagerado" ou "extremista".

Assim, eu não gostei nada da definição de bispo do Papa Francisco. Sinceramente, eu achei uma péssima definição:

Ele disse, segundo site do Vaticano,  (traduzo em seguida):

"Since faith comes from proclamation we need kerygmatic bishops. ... Men who are guardians of doctrine, not so as as to measure how far the world is from doctrinal truth, but in order to fascinate the world ... with the beauty of love, with the freedom offered by the Gospel. The Church does not need apologists for her causes or crusaders for her battles, but humble and trusting sowers of the truth, who know that it is always given to them anew and trust in its power. Men who are patient men as they know that the weeds will never fill the field".

Ainda vou colocar o original em italiano:

La Chiesa non ha bisogno di apologeti delle proprie cause né di crociati delle proprie battaglie, ma di seminatori umili e fiduciosi della verità, che sanno che essa è sempre loro di nuovo consegnata e si fidano della sua potenza.

Tradução:

"Uma vez que a fé vem com a proclamação, nós precisamos de bispos kerigmáticos (bispos que espalhem a mensagem)...Homens que sejam guardiães da doutrina,  não tanto como medida de quão longe o mundo estar da verdade doutrinal, mas para fascinar o mundo...com a beleza do amor, com a liberdade oferecida pelo Evangelho. A Igreja não precisa de apologistas para suas causas nem de cruzados paras suas batalhas, mas de humildes e confiantes semeadores da verdade, que sabem que sempre possuem o novo e a confiança no poder dela. Homens que são pacientes que sabem que as ervas daninhas nunca irão preencher totalmente o campo".

Bom, se eu fosse bispo, a Igreja não precisaria de mim, segundo o Papa Francisco. Eu sou um apologista e seria um cruzado nas guerras da Igreja. Além disso, eu não espero que o campo esteja completo de erva daninha, eu lutaria para que não tivesse nenhuma. A certeza que o campo não ficaria repleto de ervas daninhas não ajudaria em nada minha pregação, pelo contrário, faria eu ficar em casa.

O Papa Francisco também quer defensores da doutrina, mas nem tanto assim, lidem mais com amor. Parece-me aqueles padres que ficam sempre sorrindo para os pecadores, nulos na defesa da doutrina. Isto já tem de monte, é o que mais tem.

Para mim, o papa revela um medo de defender a Doutrina Católica, seria um medo de ser visto como o Papa Bento XVI que é odiado pelo mundo e amado por quem conhece a Doutrina? O Papa Francisco tem medo da avaliação do mundo? Parece que sim, e isto é terrível.

Finalmente, quero ver um "kerigmático" bispo em terras muçulmanas. Nestas terras sim, um simples kerigmático bispo seria revolucionário.

Perdão, papa Francisco, mas vossa santidade deu uma péssima definição para os bispos, ao meu ver.

Rezemos pelo Papa Francisco, pelos bispos e pela Igreja. 


domingo, 2 de março de 2014

Hoje é dia de Oscar, lembrem-se de não confiar em Hollywood (como em Philomena)


Por vezes, fico assustado quando vejo que pessoas até com doutorado discutindo questões sociais e políticas baseadas no que viram em um filme de Hollywood. Elas não se dão ao trabalho de ler sobre o assunto, nem mesmo a crítica do filme, nem conhecem a ideologia dos atores e diretores do filme.

Certa vez, eu debatia com um amigo sobre as diferenças entre Bush e Obama, até que este amigo começa a relatar coisas que eu nunca tinha ouvido falar e falava como se fossem fatos. Daí eu perguntei: "Onde você leu sobre isso?". E o amigo respondeu: "Eu vi no filme tal estrelado por Sean Penn". Daí, eu não me segurei e disse: "Sua base de raciocínio é um filme estrelado por Sean Penn, o mesmo que apóia Hugo Chavez?" Meu amigo viu que estava sem fonte de informação para sua tese.

Eu geralmente recomendo filmes aqui no blog, e quando o filme trata de fatos reais, se eu recomendo, eu já estudei o assunto e posso garantir com certa certeza que o filme retrata bem a história. Como filmes sobre a guerra civil espanhola ou sobre a Cristiada do México

Mas agora vou fazer o contrário, alertar contra um filme. É o filme chamado Philomena.

Quantos católicos vão assistir ao filme e vão começar a criticar a adoção de crianças por freiras?

O filme se diz baseado em história real em que um mulher chamada Philomena tinha 18 anos quando ficou grávida, e supostamente as freiras obrigaram a Philomena a ter o filho, tomaram a criança de Philomena  e depois "venderam" a criança para a adoção.

Apesar de que durante o próprio filme, segundo quem assistiu, a Philomena negue a coerção da freiras.

Li hoje um dossiê inteiro negando que a estória descrita no filme seja real, nem mesmo a visita que Philomena fez ao convento 50 anos depois aconteceu. Muito menos a coerção ou a venda da criança pelas freiras.

No dossiê, é mostrado que o próprio diretor do filme se contradiz sobre se a história é real ou não.

Na verdade, Philomena conseguiu dois ateus para vender suas história (o diretor e o autor do livro chamado Philomena)

Leiam o dossiê clicando aqui e uma crítica ao filme clicando aqui.

Eu não assistiria ao filme, mas se forem assistir, pelo menos saibam que se trata deum filme que tenta atacar o catolicismo e os republicanos.

Hoje é dia de Oscar, lembrem em não confiar em Hollywood.


(Agradeço o dossiê ao site Big Pulpit)

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Só se salva quem é Católico? Bonifácio VIII vs Vaticano II


O escritor e blogueiro católico Mark Shea resolveu escrever sobre salvação eterna. Em especial, ele debateu se para ser salvo por Deus a pessoa precisa ser católica.

Ele apresenta o que diz a Bula Unam Sanctam de 1302 do papa Bonifácio VIII (imagem acima) e contrapõe o que diz a constituição dogmática Lumen  Gentium do Vaticano II (parágrafo 15).

A Unam Sanctam diz que "é absolutamente necessário para salvação que todas as criaturas humanas sejam sujeitas ao Sumo Pontífice de Roma".

A Lumen Gentium diz que "A Igreja vê-se ainda unida, por muitos títulos, com os baptizados que têm o nome de cristãos, embora não professem integralmente a fé ou não guardem a unidade de comunhão com o sucessor de Pedro."

O texto é muito bom para reflexão do assunto, apesar de deixar muitas brechas teológicas e a conclusão ser frágil.

Mas é muito bom para se debater salvação, por isso recomendo a leitura.

Mark Shea é um blogueiro muito conhecido nos Estados Unidos. Em seu favor, ele é um grande admirador de Chesterton. No entanto, em geral eu não gosto muito de lê-lo, para mim ele deixa muitas brechas no que escreve e é muito agressivo condenando a agressividade dos outros. Ele próprio reconheceu isso certa vez e pediu desculpas, mas continuou no mesmo estilo.

Ele também costuma rotular as pessoas e faz isso ao escrever sobre salvação, separando os católicos entre católicos esquerdistas, católicos dissidentes, anti-católicos, católicos reacionários e católicos ortodoxos. Ele se considera um católico ortodoxo.

A conclusão geral de Shea é que se pode conciliar Bonifácio VIII com o Vaticano II, e que sabe-se onde a Igreja está, mas não se sabe quem está fora da Igreja, pois mesmo os não-cristãos que não conhecem Cristo podem ser salvos.

A parte mais forte do texto de Shea é quando ele cita o próprio Cristo em  São Marcos 9:38:40:


João disse a Jesus: «Mestre, vimos um homem que expulsa demônios em teu nome. Mas nós proibimos-lho, porque ele não nos segue».
Jesus disse: «Não lho proibais, pois ninguém faz um milagre em meu nome e depois vai dizer mal de Mim.
Quem não está contra nós está a nosso favor.

Além disso, acho que ele consegue explicar muito bem por que os não-católicos podem ser salvos. Então, se você está interessado em saber se protestantes podem ser salvos, Shea consegue explicar muito bem que sim, que eles podem ser salvos, como a própria Igreja determina.

As partes mais fracas no texto para mim são:

1) Faltou ressaltar a importância da Reforma Proetstante, que o próprio Chesterton considerava a pior coisa que aconteceu com a humanidade;

2) Acho que ele não conseguiu convencer totalmente que o Vaticano II é reconciliável com Bonifácio VIII, apesar de apontar com louvor que as pessoas devem lealdade e amor a Cristo e não a papas. Acho que o Vaticano II tem uma certa discrepância com a tradição ao imaginar a porta da salvação mais larga.

3) Faltou falar dos que não serão salvos. Por isso, o texto peca muito em ser muito otimista em relação a salvação, quando a "porta é estreita" para entrar no Reino do Céu. Assim, quem ler este texto pode se acomodar em seu parco cristianismo.

Eu não vou traduzir aqui o texto de Shea, porque o texto é um pouco longo e estou sem tempo, mas recomendo a leitura e o debate que ele proporciona.


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Milagres, um conto.


Hoje vai apenas um pequeno conto, que gostei bastante. Eu definitivamente estou sem muito tempo para um blog mais completo hoje.

Eu vi o conto no blog do Monsenhor Charles Pope. Vamos a ele:

Dois católicos se encontraram. Um deles disse: "Na minha Igreja, ocorrem muitos milagres".
O segundo perguntou: "Lá na sua Igreja, eles consideram milagre quando Deus faz as vontades de alguém?"
"Sim", respondeu o primeiro.
O segunto retrucou: "Na minha Igreja, é considerado milagre quando alguém faz as vontades de Deus".

Muito bom. Mostra a necessidade de que junto com os pedidos a Deus a gente siga os preceitos divinos.

Muitas vezes apenas imploramos por Deus e deixamos para lá o que Ele nos pede.


terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

O Silêncio do Papa Francisco diante dos Ataques à Igreja. E o método do Papa Bento XVI.


O especialista em Vaticano, um dos mais lidos do mundo, Sandro Magister, fez um excelente texto sobre o comportamento do Papa Francisco diante dos ataques que a Igreja sofre diariamente nos países e na ONU. E comparou rapidamente com o método do Papa Bento XVI.

Em suma, Magister diz que o Papa Francisco confia na sua popularidade para convencer, que ele até fala contra aqueles que atacam a Igreja mas nunca nos exatos momentos dos ataques para não gerar conflitos. Ele prefere silenciar na hora da luta franca. O Papa Francisco tem também um discurso volátil em relação a Doutrina da Igreja. Para Magister, por outro lado, o método do Papa Bento XVI é de "luta de frente e em campo aberto" contra aqueles que atacam a Igreja, defedendo "o sim quando é sim e o não quando é não". Por isso, o mundo odeia tanto Bento XVI e tenta colocar o Papa Francisco "em sintonia com o mundo moderno".

Recentemente, até a Dilma mostrou este ódio ao Papa Emérito Bento XVI, enquanto afaga o Papa Francisco.

O texto de Magister se chama "Devil´s Double Cross, For and Against Pope Francis" ( A Faca de Dois Gumes do Diabo, Pró e Contra o Papa Francisco).

Estou sem tempo para traduzir com cuidado o que Magister diz, mas aqui vai um tradução para ser entendida (em azul):

Quase um ano depois de sua eleição como papa, a popularidade de Francisco continua a sua marcha triunfal. Mas ele próprio é o primeiro a não querer confiar nos aplausos que recebe, mesmo dos locais mais inesperados e distantes. 

Por exemplo, a cobertura dedicada a ele pela revista "Rolling Stone", uma coroação de pleno direito no templo da cultura pop. 

Ou a recomendação de que até o relatório da comissão da ONU sobre os direitos da criança tenha usado  o famoso "Quem sou eu para julgar? " falado pelo papa Francisco, o único poupado em uma Igreja Católica considerada o pior mal do mundo. 

Em suas primeiras homilias como papa, Jorge Mario Bergoglio se referiu muitas vezes ao diabo. E mesmo esta maneira de falar foi apreciada, foi chamada de cativante.Mas um dia, em 18 de novembro , em vez do diabo ele mirou a "forma única de pensar que é o fruto do mundanismo", que quer submeter tudo a " uniformidade hegemônica." A única forma de pensamento, continuou ele, que já domina o mundo e até mesmo legaliza "a pena de morte", até mesmo " sacrifícios humanos" completos com " as leis que os protegem . " E ele citou um de seus romances favoritos, o apocalíptico "Senhor do Mundo", de Robert H. Benson. 

Quando no início deste fevereiro, ele folheou as dezesseis páginas do relatório da ONU, que peremptoriamente intima a Igreja Católica a "corrigir " o seu ensino sobre o aborto, a família, o sexo, Francisco deve ter se tornado ainda mais convencido de que os eventos estavam provando que ele estava certo, que o príncipe deste mundo (o diabo) estava realmente no poder e queria que a Igreja aceitasse a  escola hegemônica de pensamento, a fim de aniquilá-la. 

Não é fácil entrar na mente do papa Bergoglio . Suas palavras são como as peças de um mosaico, cujo desenho não é imediatamente aparente. Ele também faz comentários duros e cortantes, mas nunca em um momento em que poderiam gerar conflitos. 

Se ele tivesse pronunciado essa tremenda homilia contra a forma única de pensamento que pretende hegemonizar o mundo no dia seguinte à publicação do relatório da ONU e explicitamente, em resposta a isso , o evento teria entrado para a "notícias de última hora" no mundial. Dita em um dia qualquer, essa mesma homilia não causou o menor desgosto. Foi ignorada. 

E, no entanto, é precisamente aí que o pensamento oculto do papa jesuíta encontra-se, o seu juízo sobre a era atual do mundo. 

"A visão da Igreja é conhecida, e eu sou um filho da Igreja ", diz Francisco. Seu pensamento é o mesmo que o que está escrito no catecismo. E, às vezes , lembra disso para aqueles que esperam que ele mude a doutrina, com passagens menos citadas de sua " Evangelii Gaudium ", onde ele tem duras de palavras contra o "direito" ao aborto. 

Mas ele nunca proclama Igreja ensinando em voz alta quando a disputa sobre a questão torna-se aquecida. 

Ele ficou em silêncio quando a eutanásia de crianças foi permitida pela lei na Bélgica. Ele ficou longe dos milhões de cidadãos de toda a fé que na França e em outros países se opuseram à dissolução da idéia da família composta por pai, mãe e filhos. Ele permaneceu em silêncio após a afronta sem precedentes do relatório da ONU. 

Com isso, ele tem a intenção de neutralizar as armas do adversário. Para derrotá-lo com a imensa popularidade de sua figura como pastor da misericórdia de Deus. 

Mas há também um ataque mais sutil do mundo, que se disfarça como um consenso para uma Igreja remodelada e nova, "em sintonia com os tempos". Francisco é visto como um papa "como nunca antes," finalmente "um de nós ", moldado através de um copiar-e-colar de suas declarações abertas, adaptáveis. 


Esta esperteza mundana não poderia ter sido usado contra o seu antecessor, Bento XVI. Ele, o manso, preferia o conflito no campo aberto, com a coragem do sim que significa sim e o não que significa não, "a tempo e fora de tempo", como em Regensburg, quando ele levantou a cortina sobre as raízes teológicas da relação entre fé e violência no Islã , e mais uma vez sobre as questões "não negociáveis ​". É por isso que o mundo era tão feroz contra Bento XVI. 

Com Francisco é diferente. Um novo jogo. Mas nem mesmo ele sabe como o jogo vai se desenrolar, agora que ele está ficando mais difícil .


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Rezemos pela Igreja.


segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Povo americano diz que o Mundo não respeita Obama. A voz do povo é...


A ideia declarada da administração Obama de liderar o mundo é "leading from behind" (como mostra a charge de Michael Ramirez acima). Isto é, sair da frente das discussões internacionais, vê o que acontece. E isto, certamente é receita para um desastre para o mundo. A ONU e nenhum outro país pode substituir os Estados Unidos. O resultado é o caos, como se vê na Síria, Egito, Ucrânia, Líbia, Iraque, Afeganistão, Nigéria, Venezuela, Bolívia, Coreia do Norte, Israel, Palestina, Iêmen, ...

Outro dia, meu amigo, o grande diplomata Paulo Roberto de Almeida, divulgou um artigo do historiador Niall Ferguson, em que Ferguson descreve os erros da política externa de Obama. Fergusson lembra que: 1) Obama não cumpre suas próprias ameaças no mundo (como a que prometeu que iria atacar a Síria se o país usasse armas químicas e não atacou); 2) Obama não sabe o que fazer diante de crises políticas (como a chamada Primavera Árabe), escolhe um lado, depois escolhe o lado oposto, como ocorreu com o Egito; 3) Obama também não sabe o que fazer com as guerras no Iraque e Afehanistão, se deixa os países ou se aumenta o contingente do exército; 4) Obama ficou inerte quando a população iraniana se levantou contra o regime islâmico; 5) Obama não se interessou em liderar a front para destituir Kadhafi da Líbia; 5) Os Estados Unidos foram atacados no dia 11 de setembro de 2012 na Líbia, no qual morreu um diplomata amerciano e a administração Obama falou que era culpa de um filme, quando na verdade era um ataque terrorista; 6) A Rússia se sente livre para apoiar Asasad na Síria, diante da inação americana, enquanto morrer milhares no País.

Fergunson também lembra que a administração Obama assiste em silêncio o número de mortes no Oriente Médio atingir um valores elevadíssimos. Não faz absolutamente nada. 

Eu lembrei ao Paulo Roberto, em seu blog, que nas eleições de 2008, eu tinha previsto que a administração Obama seria um desastre em todos os aspectos (política externa, economia e questões sociais). Eu acompanhava a campanha presidencial americana e via como Obama era despreparado para gerir os Estados Unidos.

Em termos de política externa, Obama demonstrava no máximo boa vontade, achando que isso só resolvia os problemas do mundo. Não entendia a profundidade dos problemas. Achava, por exemplo, que bastava se sentar na mesa com o presidente do Irã para que o Irã desistisse de armas nucleares.Não reconhecia quanto o Irã odeia os Estados Unidos, e quanto este ódio é importante dentro do Irã para que aqueles que estão no poder se mantenham no poder. O país se move por este ódio.

Não vou comentar aqui o que eu achava das falas de Obama na campanha sobre economia e questões sociais, que também levariam o país  a ter pior recuperação econômica da história e ter um futuro nada promissor dado o desastre, por exemplo, do Obamacare (sistema de saúde implantado por Obama).

Sobre política externa, hoje saiu uma pesquisa do Gallup justamente sobre o que povo americano acha que o mundo pensa de Obama. Pela primeira vez, a maioria do povo americano acha que os líderes mundiais não respeitam Obama.



O povo americano, mesmo não sendo conhecido como o povo mais bem informado do mundo, já  reconheceu o óbvio: o mundo não respeita Obama.

Aliás, eu também costumo dizer que para se ter uma ideia do desastre que é a administração Obama, basta saber que Obama atualmente tem a mesma aprovação do Bush para o mesmo período de governo. Vocês lembram quanto o Bush era odiado pela imprensa americana e mundial e deve saber o quanto Obama é idolatrado pela imprensa. Mas mesmo com apoio da imprensa, Obama é tão ruim como Bush para o povo. Imagina se Obama sofrese os ataques diários dfa imprensa do mundo.



(Agradeço a pesquisa ao site Weasel Zippers)