quinta-feira, 15 de maio de 2014

As Igrejas em Casa (House Churches) na China, na Inglaterra e no Egito.


Como alguns de vocês sabem, no começo desta semana, eu participei da conferência Law and Religion Scholars, em Cardiff (Reino Unido). Apresentei meu texto Missing Tradition: The Holy See and Christian Persecution. Na oportunidade eu assisti um chinês falando sobre as Igrejas em Casa (House Chuches) ou Igrejas Subterrâneas (Underground Churches) na China. Para completar, li hoje um texto sobre Igrejas cristãs em Casa no Egito.

Eu sou economista de formação, com mestrado em economia, mas tenho PhD em Relações Internacionais, o que me deu certa liberdade para estudar e participar de conferências acadêmicas não relacionadas a economia. Eu sempre gostei de estudar teologia, mas academicamente apenas desde 2009 eu escrevo textos relacionados a religião.

Participar de conferências sobre religião é muito, mas muito mais interessante do que conferências em economia. Eu costumo dizer, especialmente no meu outro blog (Bloco 11, Cela 18), que a economia foi destruída a partir da exaltação ao egoísmo feita pelo professor de moral Adam Smith. Por outro lado, conferências sobre religião é bem mais arriscadas para quem apresenta um texto, você está mexendo com um assunto muito mais sensível.

Eu considero que esta última conferência foi a melhor que já participei do ponto de vista pessoal, as pessoas gostaram da minha apresentação e fiz ótimos contatos com professores e editores de journals. Não foi a melhor conferência em termos de papers apresentados, mas tiveram alguns textos muito bons.

O que mais gostei foi o de um chinês de Hong Kong que falou sobre  Igrejas em Casa (House Chuches) ou Igrejas Subterrâneas (Underground Churches). Depois que ele apresentou, eu perguntei se ele tinha notícia de algum líder chinês que foi acusado ou era membro de uma igreja cristã. Ele me olhou admirado pela pergunta, como que respondendo que as coisas na China são muito mais secretas e silenciosas e disse simplesmente que para ser líder na China você deve ser comunista (o que implicaria que a pessoa era ateu), mas que muito líderes locais na China seguiam um certo budismo e que o Estado chinês aceita o budismo. 

Respondendo a outra pergunta de outra pessoa, ele disse que na China a Igreja Católica é bem menos aceita que as Igrejas protestantes, pois o Estado dizia que a Igreja Católica representava um outro pais, o Vaticano.

Dai, eu me lembrei que este era o mesmo argumento feito por anglicanos durante a Reforma Protestante da Inglaterra. 

Interessante, depois que sai do País de Gales, resolvi passar um dia em Londres, cidade que conheço ao ponto de não precisar ir conhecer pontos turísticos e me concentrar naquilo que gosto de fazer em Londres. Eu gosto de visitar a Catedral Católica de Westminster, visitar sua loja de souvenir e ir a uma pequena livraria próxima da Catedral que pertence a Catholic and Truth Society.

Na loja de souvenir da Catedral eu encontrei o último exemplar disponível de um vídeo chamado Faith of Our Fathers, que mostra a história dos mártires católicos durante a Reforma Protestante da Inglaterra. Saibam que centenas de católicos, especialmente padres, foram mortos das formas mais brutais durante este conflito. Há muitos santos relacionados ao caso, como São Thomas More, São John Fisher, São Edmund Campion and Santa Margareth Clitherow. Por exemplo, São Edmundo, que era padre jesuíta, foi enforcado, mutilado, teve seus restos mortais arrancados e expostos. Santa Margareth, que era uma simples dona de casa, foi morta colocando pedras sobre o corpo dela.

São Edmund Campion e Santa Margareth Clitherow são conhecidos por fazerem missas em casas.

Hoje, leio que no Egito um cristão copta foi preso porque muçulmanos locais afirmaram que ele mantinha missas cristãs em casa. O homem de 55 anos de idade, conhecido apenas pelas iniciais "BH", é um trabalhador na área de Al -Minya, no Alto Egito, onde os cristãos são especialmente atacados. Foi em 2011 que o copta transformou sua casa em uma igreja, o que teria irritado os muçulmanos. Ele foi preso pela polícia, mas liberado mais tarde depois de concordar que ele nunca mais usaria sua casa como uma igreja. Mas ele voltou a realizar cerimônias cristãs e foi preso de novo.

Raymond Ibrahim, que é egípcio de origem, diz que no Egito, assim como na maioria dos outros países muçulmanos, os cristãos precisam de autorizações especiais, muitas vezes da própria presidência para construírem igrejas. Estas autorizações são quase impossíveis de serem obtidas.

Rezemos pelos cristãos da China e do Egito, que São Edmund e Santa Margareth os iluminem.


(Agradeço a informação do Egito ao site Jihad Watch)

4 comentários:

Duddu Pontes disse...

Pedro, boa noite!
Que bom saber que correu tudo bem na sua apresentação! Glória a Deus! =)

Quando vejo você descrever sua ida/passeio por Londres, viajo junto na imaginação! Conhecer a Inglaterra é um grande sonho meu!

Que bom que você está de volta! Um abraço!

Duddu Pontes disse...

Pedro, logo após enviar o comentário anterior, fui ao meu e-mail e vi a mensagem que você me passou!

Não há 'obrigados' suficientes para agradecer sua generosidade e a lembrança de minha pessoa! Já estou a responder lá.

Abraço, meu amigo.

Anônimo disse...

Olá Pedro!
Fico feliz por saber sobre o sucesso da palestra! Gosto muito de seus textos! Neste último, vemos que estamos voltando ao tempo das catacumbas...
Pois bem, há um texto no site fratresinunum.com intitulado "Maria e os muçulmanos", do venerável bispo americano Fulton Sheen, que a meu ver é muito pertinente. Como você conhece o Al Corão, quando tiver um tempinho, escreva sobre a visão que os muçulmanos têm da Mãe do Salvador.
Segue o link para você analisar: http://fratresinunum.com/2014/05/13/maria-e-os-muculmanos/
Um abraço e fique com Deus.
Cordialmente em Cristo,
Gustavo Silveira.

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Gustavo.

Legal, eu também lembrei das catacumbas quando o chinês falou, Gustavo. O Papa Sixtus II que morreu em uma catacumba deve estar triste demais. Rezemos por ele.

Muito obrigado pelo link. Gosto muito de Fulton Sheen.

Vou ver se escrevo sobre Maria e muçulmanos. Como é normal, a Maria nos muçulmanos também não é a nossa, não nasceu na mesma época, nem é mãe de Deus, mas gerou virgem um "profeta" Jesus.

Deus lhe abençoe, meu amigo.

Abraço,
Pedro Erik