sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Arábia Saudita - A Pedra Fundamental



O site Stratfor, que lida com conflitos internacionais, afirma que um grupo de jovens, que se autodenominou Juventude para Mudança (Youth for Change), convocou para hoje uma manifestação pacífica na cidade Jiddah de apoio aos revoltosos na Líbia.

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo e tem as maiores reservas da commodity. Qualquer problema lá mais sério levará o preço do barril a passar de 200 dólares rapidamente. Hoje, com os problemas da Líbia (que está longe de ter a importância da Arábia Saudita), o barril já está em torno de 100 dólares.

O país está cercado por revoltas. Há população nas ruas contra os regimes no Iêmen, no Bahrein, na Jordânia, no Irã e o Iraque também é um barril de pólvora. A revolta no Iêmen e no Bahrein é particularmente preocupante pela proximidade com os sauditas. Até agora, o regime saudita tem reagido com aumento da ajuda a população.

A monarquia saudita é sunita como a grande maioria do povo, mas há uma população xiita de mais ou menos 15%. O país tem uma relação muito ruim com o xiita Irã e tem receio da influência desse país na minoria xiita. Além disso, o país tem uma ótima relação com os Estados Unidos, o que costuma não ser bem visto  por radicais sunitas ou xiitas.

Osama bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo, é um sunita saudita. A Arábia Saudita fornece muitos terroristas para os grupos radicais no mundo. Ontem, por exemplo, um estudante saudita nos Estados Unidos foi preso acusado de planejar um ataque terrorista em Dallas, Texas. Sem falar que sauditas estavam entre os que atacaram as torres gêmeas de Nova Iorque em 2001.

O país está na base da formação do islamismo. Maomé nasceu em Meca e morreu em Medina. Essas cidades sauditas são as cidades mais sagradas do Islã.  A peregrinação Haji (quinto pilar do Islã) à Meca é obrigação de todo muçulmano.

Assim, a Arábia Saudita é a pedra fundamental da região em matéria de religião e economia.

Stratfor também diz em outro texto que os governos do Egito, Bahrein e Arábia Saudita estão se articulando para estabelecer a melhor estratégia para conter as manifestações. E a principal ameaça discutida por eles é a desestabilização que o Irã pode provocar no Golfo Pérsico.

O exército do Egito não atacou os manifestantes, mas no fim ocorreu a saída do líder do governo Mubarak. Nos outros países, Tunísia, Iêmen, Bahrein e Líbia, houve e há ataques do exército à própria população. O Egito consegue até agora manter a ordem, depois que deu aos revoltosos a saída de Mubarak e a promessa de eleições, mas não se sabe até quando.

3 comentários:

Anônimo disse...

Caro Pedro Erik,

Muito bom texto. Bastante elucidativo em relação à imprensa em geral. Parabéns.

Juliana

Pedro Erik disse...

Muito obrigado. É verdade falta à imprensa brasileira muita capacidade de análise e mesmo experiência internacional.

Abraço,
Pedro Erik

Anônimo disse...

hi, new to the site, thanks.