domingo, 20 de fevereiro de 2011

Revolução Jasmim na China, depois Venezuela e Cuba?




A Revolução Jasmim que começou na Tunísia, agora aparece na China. Autoridades chinesas prenderam manifestantes e ativistas, aumentaram o número de policiais nas ruas, e ampliaram a censura da internet. Supostamente, as manifestações têm origem na internet, com uma convocação para uma revolução jasmim em Beijing, Shangai e outras 11 cidades.

A Fox News diz que um manifestante foi preso simplesmente por colocar jasmins em frente ao McDonald. Ele disse que quer apenas paz. Além dele, outras pessoas estão sendo presas em manifestações muito simples, que não lembram os milhares que se juntaram na Tunísia, Egito ou Bahrein. Mas, além dos manifestantes,  mais de 100 ativistas já foram presos. E mesmo a busca pela palavra jasmim está sendo bloqueada na internet.



A China tem um domínio sobre a população muito mais forte que qualquer regime do Oriente Médio ou qualquer outro. Esse controle começa desde o nascimento (só se pode ter um filho), passa pelo domínio das religiões (a Igreja Católica, por exemplo, reclamou recentemente de forte intromissão das autoridades chinesas que tentam estabelecer até bispos sem aval da Igreja), atinge a internet, a TV, os livros, tudo. E a corrupção e a falta de dados sociais, políticos e econômicos são característica chinesas.

Uma reviravolta na política chinesa só ocorreria com um apoio internacional intenso e muito presença do povo nas ruas. Isso é totalmente improvável pela capacidade econômica chinesa em atingir os mercados mundiais e pelas características da população chinesa, há muito tempo em silêncio, desde os protestos de 1989 na Praça Tiananmem. Mas a economia chinesa começa a dar sinais de descontrole inflacionário e a população e o mundo muito lentamente vai valorizando a liberdade de opinião na China. O Prêmio Nobel do ano passado foi para um ativista pela democracia na China.

Uma reviravolta política com apoios da população e internacional seria bem mais fácil em Cuba ou na Venezuela. Será que os latinos americanos vão mostrar que também conseguem lutar pela democracia? É muito difícil sair democracia, com todos os seus princípios básicos (defesa das minorias, das mulheres e justiça para todos) das manifestações no Oriente Médio, pois o povo dessa região não conhece isso, há grandes conflitos religiosos e questões de segurança internacional (terrorismo e bombas nucleares). Seria bem mais simples na América Latina.

4 comentários:

André disse...

Eu não posso falar muito, tenho pouco tempo. Mas eu gostaria de fazer uma observação sobre dois fatos que me chocaram muito e que, até agora, você não chegou a mencionar.

Em primeiro lugar, está eclodindo uma guerra civil na Líbia. O repugnante general Muammar al-Kaddafi (corrija-me se a minha grafia estiver errada), que governa o país desde 1969, parece estar com os dias contados. Não sei se você notou, mas se Kaddafi for deposto este ano, haverá uma ironia especial. Em 1986, ele financiou um atentado terrorista que matou 3 pessoas e deixou mais de 200 feridas em Berlim. Ronald Reagan ordenou que a capital da Líbia, Trípoli, fosse bombardeada em resposta a este ato infame. Se Muammar Kaddafi for deposto bem no ano do centenário de Reagan... Ah! Eu irei gargalhar bastante!

Em segundo lugar, está havendo uma polêmica de proporções gigantescas em Wisconsin. O governador republicano do estado, Scott Walker, resolveu peitar os poderosíssimos sindicatos democratas ao impor um plano econômico de contenção da dívida interna que irá apertar os salários dos servidores públicos. Walker tem coragem e já recebeu apoio do Tea Party e da maioria dos políticos republicanos, com destaque para o governador de New Jersey Chris Christie.

E os democratas? Como será que eles estão reagindo a isso? Da maneira mais covarde possível. Os senadores estaduais de Wisconsin simplesmente desapareceram. É isso mesmo. Evaporaram. Sumiram. Desse modo, a lei não pode ser aprovada. É como se estivessem em "greve", entende? Ao mesmo tempo, estão estimulando os sindicalistas a realizar protestos imensos contra o governador. Como não tem coragem de enfrentar a realidade, fogem e chamam os trabalhadores para fazer o serviço sujo.

Como você bem sabe, quando os democratas protestam eles são um exmplo de civilidade, não é? Só de observar os cartazes comparando Walker a Hitler, é possível notar que eles não estão brincando. Os deputados republicanos no estado já falaram que o governador pode estar correndo risco de vida. Enquanto isso, todas as lideranças democratas nacionais já endossam o movimento. De Obama não se ouviu nem um pio...

Pelo jeito, a semana vai ser tensa. Não só para os países árabes e para os EUA, mas também para mim. Consegui arranjar algum tempo para escrever alguma coisa, mas este é muito pouco. Mas não se preocupe porque continuarei a ler o blog regularmente

Abraços, André

Pedro Erik disse...

Grande André,

Obrigado por seu comentário.

Primeiro, realmente há diferenças na escrita do nome do Kaddafi. Já vi Qaddafi e Gaddafi. Acabei usando a grafia que vi no jornal inglês The Telgraph, com G. Mas pela pronúnica do nome, tenho dúvidas.

Pensei em escrever sobre Wisconsin no blog. Achei uma das coisas mais ridículas que vi na vida. Os democratas pegarem um ônivus escondidos e irem para Illinois e até agora estarem escondidos. O pior é que o Obama ainda apoiou a manifrstação dos sindicatos.

Os sindicatos são a principal fonte de financiamento de Obama e dos democratas, em geral. Então, faz sentido, mas acho que a nação americana está enfrentando grande crise de dívida pública e a população sabe que os sindicatos têm de ceder seus privilégios, principalmente aqueles ligados ao setor público. Obama deu mais um passo para ser um one-term president.

Grande abraço,
Pedro Erik

Adriano Bertella disse...

Sr. Pedro,

Sou praticamente iniciante nesses assuntos, mas tenho a opinião que as revoltas nos países árabes são de cunho religioso-político. Penso que os governos que se formarão na Tunísia, Egito, Líbia e Bahrein serão teocráticos e como o do Irã.

Quanto à ocorrência de revoltas na Rússia, China, Cuba, Venezuela e no Brasil, nos próximos anos, simplesmente não acontecerão.

Obrigado.

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Adriano, pelo seu comentário.

Concordo com você sobre os próximos governos na Tunísia, Egito e Líbia, acho provável que o governo do Bahrein se mantenha.

Mesmo que seja dominado pelo exército, a teocracia será a grande dominante nestes países. Não é bem o caso do Bahrein, mas o governo tende a representar o povo. Nestes países há grande domínio do Islamismo na população.

Sobre o restante dos países. Acho que Cuba e Venezuela são mais frágeis, não duvido que em três ou cinco anos não haja mais chavismo nem castrismo.

Abraço,
Pedro Erik