domingo, 28 de julho de 2013

"A Paz Mata"! Católicos que Não atacam o governo quando este defende aborto ou casamento gay.


Há algum tempo eu li o livro Peace Kills do grande jornalista P.J. O'Rourke (foto acima). O foco do livro é como a vontade de paz leva a tantas desgraças e guerras. P.J. O'Rourke escreve de maneira fantástica e cômica, como só ele sabe fazer.

Eu regularmente me lembro desse livro para outro contexto: o medo de controvérsia da Igreja Católica, os representantes da Igreja muitas vezes agem com meninos mijões, como medo de que a Doutrina da Igreja seja ofensiva, eles baixam as calças e silenciam, o resultado é o mesmo encontrado por P.J. O'Rourke: desgraça, mortes.

Vou dar aqui três exemplos, sendo um deles bem atual no Brasil:

1) PL 3/2013 que na prática legaliza o aborto no Brasil. Cadê a CNBB publicamente sendo contra o PL? Por que o Papa até agora não mencionou isso?O silêncio da CNBB e do Papa pode ajudar a matar milhões de crianças no útero das mães.

2) Ontem eu vi uma entrevista de Robert Spencer, católico e um dos maiores especialista sobre Islã do mundo, em que Spencer foi perguntado por que os bispos católicos costumam retirar o convite feito a Spencer para falar sobre Islã. Spencer respondeu que os bispos católicos se rebaixam aos muçulmanos por simples medo de controvérsia.

3) Há também o livro de Raymond Ibrahim, Crucified Again (já falei deste livro no blog), que fala dos milhares de cristãos que estão sendo mortos no mundo muçulmano. Hoje li um texto que comentou como o silêncio do mundo é cúmplice na morte dos cristãos.

4) Para finalizar, leio no blog do Augusto Nunes, um texto de Deonísio Silva que tem o título o "Papa não chateia ninguém". Como eu não vi esta afirmação no corpo do texto, sugeri ao Augusto que mudasse o título, achando eu que o título quem deu foi o Augusto Nunes. Eu também disse que não chatear ninguém dificilmente é uma virtude, pois o próprio Cristo chateou muita gente ao ponto de odiá-lo e jogá-lo na cruz, e continua chateando com sua Doutrina de defesa da vida e da família. O Augusto Nunes e o próprio Deonísio me responderam que o título era do Deonísio. Ok, entendo que o Deonísio (apesar do foco do texto ser bem diferente) percebeu que o Papa "não quer chatear ninguém". O Arcebispo Chaput também disse mais ou menos isso (falei aqui no blog).

A Paz mata, queridos católicos, especialmente os mais frágeis, como crianças nos ventres ou cristãos em terras muçulmanas.



4 comentários:

Fernando S disse...

Pedro, embora eu concorde em linhas gerais com o seu texto, gostaria de inserir alguns matizes, começando do fim.

Sobre o ponto quatro, lembrei de um episódio com o Papa emérito. Quando o Papa Bento XVI esteve na Espanha, em 2006, um jornalista alemão questionou o porquê de não ter feito referências críticas ao governo Zapatero e suas medidas destrutivas à família e à moral. Sua Santidade respondeu que, nas ocasiões em que se pronunciou, não possuía mais do que 20 minutos para falar e que, possuindo pouco tempo para se expressar, não é interessante começar dizendo "não". E que antes seria necessário estabelecer um diálogo sobre o que efetivamente queremos, já que a Igreja Católica é uma opção positiva e não um conjunto de proibições. Penso que é muito provável que o Papa Francisco compartilhe desse pensamento e optou por agir da mesma forma em sua visita ao nosso país. Porém, concorde-se ou não com essa ideia, não se trata de uma vontade de não desagradar, mas apenas de uma visão particular sobre qual a melhor forma de convencer as pessoas.

Sobre os pontos dois e três, que são complementares, eu também penso que há muito silêncio sobre a violência contra os cristãos. Aliás, sempre afirmo que nenhum encontro ecumênico com muçulmanos poderia começar sem que antes se fizesse uma dura crítica aos nossos irmãos assassinados pelo Islã. Porém, não acho que o silêncio de bispos católicos deva-se a não querer causar controvérsia. É mais grave do que isso. Certamente você se lembra da barbárie que foi cometida após o discurso do Papa Bento XVI em Ratisbona, com a complacência de toda a mídia que ao mesmo tempo em que se apressava para condenar Sua Santidade tratando-o por "intolerante" e "islamofóbico", relativizava as brutalidades e assassinatos perpetrados pelos muçulmanos contra católicos. Com isso, claro, não quero dizer que defendo o silêncio, mas que entendo o receio dos bispos de que uma simples declaração sirva de combustível para agravar a perseguição aos cristãos no Oriente.

Em relação ao primeiro ponto, eu confesso que esperei até o último discurso do Papa Francisco para ouvir (se não uma referência direita ao PLC 03-2013) um rechaço explícito ao aborto. Posso dizer mesmo que fiquei decepcionado. Aí lembrei desse comentário do Papa Bento XVI, que mencionei no primeiro ponto, e isso me fez confiar que o Papa Francisco está seguindo o caminho que lhe parece mais efetivo e não simplesmente buscando agradar ao mundo. Eu confio que o Papa vai se pronunciar quando julgar mais propício. Já em relação a CNBB, infelizmente, eu não posso dizer que tenho a mesma confiança.

Por fim, queria aproveitar para te parabenizar pelo seu blog que conheci há pouco tempo, mas pelo qual fiquei fascinado e tenho acessado quase diariamente. Até porque eu sou Estudante de economia e compartilho do interesse por vário dos temas que você aborda, e eu certamente gostaria que fossem abordados da mesma forma na universidade pseudo-católica na qual estudo. Espero que você continue escrevendo por muito tempo.

Um grande abraço e que Deus o abençoe.

Pedro Erik disse...

Muito obrigado, Fernando S. Muito bom saber que uma pessoa com bons conhecimentos da Igreja goste de meu blog, ainda mais sendo estudante de economia. É ótimo ter você como leitor.

Como você é estudante de economia, saiba que tenho outro blog, que coloco pouco posts, pois serve apenas para manter artigos (que não traduzo) que relaciona economia com a Doutrina Católica:

www.bloco11cela18.blogspot.com.

Gostei muito dos seus comentários.

Rezo que você esteja certo sobre o Papa Francisco, pois, como você, não gostei dos 5 dias de silêncio.

Mas sobre o silêncio sobre as mortes dos cristãos, acho, no entanto, que o argumento sobre o discurso do Papa Bento XVI é frágil, é ser vencido pela ideologia da vitimização. Nossos padres, bispos e cardeais poderiam pelo menos entender e explicar as diferenças entre Cristo (Deus Cristão) e Alá. Já seria excepcional.

Grande abraço,
Pedro Erik

Estanislau Tallon Bózi disse...

Há uma citação deste post nos comentários deste blog: http://fratresinunum.com/2013/07/29/o-preco-da-harmonia/#comments

Abração,

Stan

Pedro Erik disse...

Obrigado meu amigo
Stan