terça-feira, 24 de junho de 2014

Estaurofobia - O Medo da Cruz.


Acima vai o quadro Crucificação de Grunewald, que é considerado um dos quadros que mostram a crucificação de forma mais penosa. Como eu gostaria de ver este quadro pessoalmente!, está na cidade de Isenheim, na França.

Lembrei deste quadro ao ler um excelente artigo de Teófilo de Jesús sobre a estaurofobia, o medo que algumas pessoas têm da cruz de Cristo.

Vou traduzir aqui parte do artigo de Teófilo, leiam todo o texto clicando aqui.

Uma explicação para Estaurofobia ou o medo patológico da Cruz.
por  Padre Teófilo de Jesus

De todas as religiões do mundo somente o Cristianismo tem como símbolo um instrumento de punição capital. Budistas confiam em uma estátua impassível de seu professor, sentado em posição de lótus meditando com os olhos semi-fechados e um sorriso misterioso. Hindus preferem o simbolismo de uma roda da reencarnação; e os taoístas amam o símbolo do ying e yang. Muçulmanos são frequentemente associados com uma lua crescente, mas isso é um símbolo tardio para eles. A Estrela de David é freqüentemente associada com os judeus, nossos irmãos mais velhos, mas também é de origem tardia. A menorá, a fachada do Segundo Templo, as tábuas do Decálogo, e as palmeiras também são usados como símbolos do povo de Deus, da onde o Filho de Deus surgiu. Entre todos os símbolos, a cruz cristã continua a ser um lembrete dissonante, lancinante de que nem tudo é açúcar e simpatia entre os fundadores religiosos do mundo, pelo menos, um deles, foi derrotado por uma morte ignominiosa, enquanto a maioria dos outros ídolos morreu em suas próprias camas, o nosso sangrou e foi asfixiado até a morte como um criminoso comum.

A cruz já era um sinal de salvação nas Escrituras Hebraicas. No livro do profeta Ezequiel (9:3-4), encontramos estes versos intrigantes:

"Então a glória do Deus de Israel se elevou de cima do querubim, onde repousava, até a soleira do templo. Chamou o Senhor o homem vestido de linho, que trazia à cintura os instrumentos de escriba,e lhe disse: Percorre a cidade, o centro de Jerusalém, e marca com uma cruz na fronte os que gemem e suspiram devido a tantas abominações que na cidade se cometem."

São Jerônimo já viu nestes versos um sinal que apontava para a cruz de Cristo.

A cruz como o principal sinal dos seguidores de Cristo na arte litúrgica é de origem bem antiga.

O costume de exibir o Redentor na Cruz começou no fim do século VI e esse costume é o que mais nos representa hoje na Igreja Católica.

Como obra de arte, o crucifixo (ou estaurograma) já aparece no século III, com a imagem de Cristo crucificado profundamente enraizada na arte cristã antiga e nos costumes. 

A reação contra a noção de um Deus encarnado, que teve uma morte cruel como um criminoso comum provocou uma reação intensa, que é registrado no Novo Testamento, por exemplo, em 1 Coríntios (1: 22-25):

"Os judeus pedem milagres, os gregos reclamam a sabedoria, mas nós pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos; mas, para os eleitos - quer judeus quer gregos -, força de Deus e sabedoria de Deus.Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens, e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens."

Há evidências arqueológicas que documentam representações visuais de animus pagão contra os cristãos e da Cruz. O mais eloquente é o grafite de Alexamenos - que mostra um jumento no lugar de Cristo na cruz. 

O medo da Cruz, em geral, e do crucifixo - a cruz com o corpus ou a figura do Cristo crucificado - continua até hoje. A reforma calvinista rejeitou o crucifixo em favor de uma cruz simples e os filhos mais radicais da Reforma Protestante abandonaram o símbolo da cruz completamente por medo de cair na idolatria.

Mais tarde, os movimentos da chamada tradição restauracionista preferiram trocar a cruz por outros símbolos. Por exemplo, as Testemunhas de Jeová usaram a cruz como parte de seu logotipo e em interpretações artísticas na maioria de suas publicações até a década de 1930, quando "descobriram" que a palavra grega para cruz usada no Novo Testamento (Stauros) realmente não significa "cruz", mas "jogo". Desde então, eles retratam Cristo como a suspensão de um único poste vertical ou "estaca de tortura" em sua arte. A Igreja dos Santos dos Últimos Dias (LDS, a "Igreja Mórmon"), também um produto da fermentação restauracionista do século 19, também abandonou a cruz em favor de seu anjo arauto. 

Eu experimentei oposição negativa, verbal para o crucifixo. Comentaristas de meu blog por vezes atacam católicos dizendo que eles veneram "dois pólos durante as procissões." Mais recentemente, um gnóstico disse que católicos adoram "cadáver pendurado em duas varas sangrentas".

Caricaturas blasfemas, distorcidas e desviantes do Crucifixo abundam na internet. Uma simples busca no Google resulta em inúmeros exemplos, por vezes pornográficos. 

Por que eles temem que o crucifixo?

As pessoas odeiam o crucifixo porque temem a Cristo, que é retratado na Cruz. Os postes de madeira e o homem ensanguentado pendurado nos faz sentir que nem tudo está bem com o mundo. Uma vez entendido, contemplando um crucifixo nos recorda o custo pago Deus para a nossa salvação, e que não nos faz sentir melhor com nós mesmos. 

A Cruz é o símbolo definitivo de um evento histórico. Ao contrário da recepção da shahada por um anjo, ou as rodas de hindus e budistas, ou o Ying e Yang, e muito além de amuletos cruciformes pré-cristãos, o Crucifixo nos lembra de um homem que já andou sobre esta terra e morreu ignominiosamente. A "tau" ("+") marca o ponto no espaço e no tempo de uma aparente derrota que foi realmente uma vitória e garantia de que a morte não vai ter a última palavra nos assuntos humanos.

Meus irmãos e irmãs: vamos repetir com São Paulo em Gálatas 6:14:

"Quanto a mim, não pretendo, jamais, gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, pela qual o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo."

--
Eu fiz o que Teófilo de Jesus sugeriu. Coloquei a expressão "crucifixion pictures" no google e cliquei em uma imagem. Você chega a várias imagens blasfemas e pornográficas.

O mundo odeia a Cristo e a Cruz é o grande símbolo dele.




14 comentários:

Anônimo disse...

Olá amigo!
Interessantes considerações sobre os símbolos de diferentes religiões. Nunca tinha pensado a respeito.

Como dito no texto, essa aversão (ou medo) à Cruz apenas reforça a certeza do paganismo reinante, infelizmente. Se o mundo rejeita a Cruz como uma loucura por abraçar o sofrimento, significa que ele é pagão, como dito por São Paulo.
E a situação vai ficando complicada devido um laicismo ateu militante, que reivindica a retirada dos símbolos religiosos de repartições públicas em nome da igualdade das religiões mas em detrimento da história de nossa Terra de Santa Cruz.
Apesar de tudo,confiemos em Deus. Confiemos em Cristo que disse que as portas do inferno não prevalecerão.

Um abraço,

Gustavo.

Pedro Erik disse...

Caro Gustavo,

Chesterton, se não me engano no livro Orotodoxia, já exaltou a cruz (que aponta para o infinito) contra a roda do budismo (que é fechada em si mesma).

Sobre a retirada dos símbolos religiosos, certa vez perguntei a um professor chileno que falava contra os símbolos públicos se ele advogava demolir o Cristo Redentor. Ele ficou pasmo e não soube responder. No Brasil, um articulista da Veja (Claudio alguma coisa) defendeu a demolição (uma das razões que deixei de assinar a Veja).

Abraço,
Pedro Erik

Duddu Pontes disse...

Genial post meu querido Pedro!
Obrigado por compartilhar conosco essas reflexões que firmam nossa fé!

Abraco!

Pedro Erik disse...

Obrigado, grande Duddu
Abraço,
Pedro Erik

Teófilo de Jesús disse...

Obrigado, Pedro Erik, por sua gentileza.

Quero esclarecer que não sou um padre. Eu sou um simples leigo como você. Eu sou "pai" de dois anos e avô de três, graças a Deus.

Que Deus ficar com você.
~ Theo

avmss disse...

Pois é, Pedro. O nosso país é bastante complicado em muita coisa, mas eu penso que só em um país de maioria católica poderia se fazer uma imagem de Cristo ao alto, tornando-se o nosso maior símbolo. Sem falar também que em nossa bandeira há o Cruzeiro do Sul, infelizmente colocado abaixo de um lema positivista de Augusto Comte. Em país de maioria protestante você vai encontrar é exaltação da Liberdade e de presidentes sentados em enormes tronos...

Abraço

Pedro Erik disse...

Caríssimo Teófilo(Dear Teófilo)

Fiquei ainda mais impressionado agora com seu blog e texto sobre estaurofobia, ao saber que você não é padre. Vou corrigir no texto. ( Now, I am still more impressed with your blog and your text on staurofobua knowing that you are not a priest. I will correct my translation).

Muito obrigado pelo seu comentário (em português). (Many thanks for your comment)

Abraço, (God bless you)
Pedro Erik

Pedro Erik disse...

É isso aí, caro avmss.

Grande abraço,
Pedro Erik

avmss disse...

Esqueci de colocar no comentário passado: Sim, Chesterton fala da Cruz no livro da Ortodoxia. Ele também diz: "O budista está olhando com uma atenção peculiar para dentro. O cristão fixa os olhos com desvairada atenção para fora."
No capítulo II(O Maníaco):
"(...) Sendo que tomamos o círculo como o símbolo da razão e da loucura, podemos muito bem tomar a cruz como o símbolo ao mesmo tempo do mistério e da saúde.
O budismo é centrípeto, mas o cristianismo é centrífugo: ele se propaga. Pois o círculo é perfeito e infinito em sua natureza; mas é fixo para sempre em seu tamanho; ele nunca pode ser maior ou menor. Mas a cruz, embora tendo no seu centro uma colisão e contradição, pode estender seus quatro braços eternamente sem alterar sua forma. Por ter um paradoxo no seu centro ela pode crescer sem mudar. O círculo retorna sobre si mesmo e está encarcerado. A cruz abre seus braços aos quatro ventos; é o poste de sinalização dos viajantes livres."
Como gosto de números, acrescento um pouco mais, a Cruz é perfeita, pois ela com seus 4 braços, simboliza o mundo, a rosa dos ventos(Sul, Norte, Leste, Oeste), sua criação, seu povo; enquanto quem está nela é Deus, a Santíssima Trindade(3), por isso 4+3=7, 7 o número da perfeição, os 7 dias da Criação.
Mais ainda, foi no "Dominus" dia, dia do Senhor, no primeiro dia da semana em que Ele morreu, no dia do "Fiat Lux" ou oitavo dia, o 8 simboliza a renovação, por exemplo, era no oitavo dia que todo menino precisava tirar o prepúcio para renovar a aliança do povo com Deus. Agora, nós fazemos isso na Missa, só que a circuncisão do coração, como nos atos penitenciais reconhecendo nossos pecados.

abraço

Pedro Erik disse...

Obrigado, avmss.

Já que você gosta de número, certa vez eu li (acho que no blog de Jimmy Akin) que o número de Cristo é 888, mas não lembro das razões. Talvez você ache no google.

Abraço,
Pedro Erik

Teófilo de Jesús disse...

Não fique muito impressionado de mim, Pedro Erik. Em verdade vos digo que o Espírito Santo pode selecionar qualquer um, e eu quero dizer qualquer um, para uma missão. Além disso, qualquer um poderia ter respondido com mais generosidade para com as graças concedidas pelo Espírito do que eu.

Eu quero convidar você e seus leitores a ler o meu blog em espanhol. Você também pode se beneficiar com isso. Este é o URL:

http://vivificar.blogspot.com

Que a paz de Jesus esteja com todos vocês.

~ Theo

Pedro Erik disse...

Você é muito bom, Teófilo.
Eu já sou leitor de seu blog há muito tempo e também do Long war journal.
Recomendo-os fortemente.
Abraço,
Pedro Erik

Estanislau Tallon Bozi disse...

Olá, Pedro Erik!

Há tempos não visito seu blogue.

Estou lendo as postagens que não tinha visto.

Parei nesta, para lhe recomendar o livro A Paixão de Cristo segundo o Cirurgião, de Pierre Barbet (médico francês), das Editoras Cléofas e Loyola.

É excelente!

Bem haja, meu Amigo!

Salve Maria Santíssima!

Deus seja louvado!

Forte e fraterno abraço,

Stan

Pedro Erik disse...

Obrigado, Stan.
Parece um ótimo livro. Valeu.
Senti sua falta nos comentários.
Abraços,
Pedro Erik