quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

E Agora? Vamos para Califórnia?



  

Quem não conhece a música De Repente Califórnia, de Lulu Santos e Nelson Motta?

Garota eu vou prá Califórnia
Viver a vida sobre as ondas
Vou ser artista de cinema
O meu destino é ser star...

O vento beija meus cabelos
As ondas lambem minhas pernas
O sol abraça o meu corpo
Meu coração canta feliz...


Eu dou a volta, pulo o muro
Mergulho no escuro
Sarto de banda
Na Califórnia é diferente, irmão
É muito mais do que um sonho..


Parece mesmo um sonho, não é? Mas parece que a Califórnia virou um desastre do tamanho de um Titanic. Um artigo de Victor Davis Hanson no National Review Online mostrou a mexicanização do estado. O artigo teve impacto relevante. O reconhecido economista Thomas Sowell ressaltou a importância do artigo em outro texto, dizendo que todo americano deveria lê-lo. 

Eu acho que interessa ao mundo, para mostrar como se leva um poço de ouro (Califórnia é conhecida como Golden State) à míngua. Não esperem surpresas! É a mesma história: avanço do estado sobre o mercado privado, provocando "falta de areia no deserto do Saara"

Mas o que há com a Califórnia? Vejam:

1- É o estado de maior PIB dos Estados Unidos, por volta de 2 trilhões de dólares;
2 - É o estado mais populoso, aproximadamente 38 milhões de pessoas;

Mas:

1 - É o que tem maior déficit, por volta de 28 bilhões de dólares;
2 - A taxa de desemprego supera a média nacional em dois pontos percentuais, está por volta de 12%;
3 -  O estado tem as maiores taxas tributárias sobre venda e sobre a renda dos Estados Unidos;
4 - As escolas do estado tem os piores rendimento, segundo testes nacionais;
5 - O estado tem o maior número de imigrantes ilegais do país;
6 - O setor privado sofre forte regulação econômica. A indústria está estagnada;
7 - O estado tem uma grande arsenal de vinculações orçamentárias do tipo welfare state;
9 - Há uma forte regulação ambiental que também inibe a produção;
10 - A falta de suprimento de irrigação tem provocado pobreza e desemprego nos campos;
11 - O Estado possui muita terra agrícola desocupada, mesmo com os altos preços das commodities;

Hanson viu um caos e muita pobreza nas cidades californianas do interior, que lembrou as cidades pobres do caribe. Ele diz que a população age cada vez menos de forma a seguir as regulações. Ele resume dizendo: It is almost as if the more California regulates, the more it does not regulate. (É como se quanto mais se regula, mais parece sem regulação).

Muitos pequenos negócios saíram da Califórnia por causa da extrema regulação, mas, paradoxalmente, por todo lado se vê negócios não regulados, como camelôs que vendem as mais diversas comidas, sem qualquer higiene e sem banheiro, que estacionam seus carros em qualquer lugar. A indústria do mercado informal (camelôs) vendendo qualquer coisa toma conta do estado.

Hanson foi em dois supermercados, separados por 110 quiilômetros, e ele foi o único que não pagou as compras usando o cartão social, que foi criado para ajudar os pobres. Mas, ele não era o mais rico dos consumidores, muitos tinham carros de último tipo e usavam os mais caros aparelhos tecnológicos. Muitos vivem da ajuda assistencialista do estado, não trabalham, mas investem em carros e Iphones.

Sobre a diversidade cultural, ela não está funcionando na Califórnia. O que há são verdadeiros apartheids, com barros inteiros falando espanhol, sem qualquer branco, negro ou asiático. Hanson disse que se chegasse um Marciano na Califórnia, iria pensar que o estado abandonou a tentativa de integração social. Na cidade de Hanson, a bandeira mexicana nos carros é bem mais comum que a bandeira americana e na escola continua se ensinando sobre a culpa dos Estados Unidos, abandonando as maravilhas ambientais, culturais, econômicas e sociais do país.

Mas, paradoxalmente, os mexicanos não querem voltar para o México. Usam a bandeira nos carros, mas detestam a idéia de serem deportados. Parecem que querem dizer: “Please do not send me back to the culture I nostalgically praise; please let me stay in the culture that I ignore or deprecate.” (Por favor, não me mande de volta para a cultura que eu tanto sinto falta, por favor deixe-me aqui na cultura que eu ignoro e detesto).

Em suma, temos um estado riquíssimo falido economicamente e culturalmente. Como resolver isso? Há um necessidade de uma reformulação geral, que para ocorrer terá de superar muitos sindicatos, ONGs, burocratas, e a elite que mora bem longe dos problemas, mas acha lindo o cartão social e o imigrante ilegal sem qualificação e sem apreço pelos Estados Unidos. Hanson conclui dizendo que a Califórnia é uma bomba relógio. Ele tem razão.

2 comentários:

AVNC disse...

Há alguns artigos de Kevin D. Williamson no National Review Online comparando a economia californiana com a economia texana. Enquanto a Califórnia afunda suas finanças alimentando um monstruoso estado de bem-estar social, o Texas apresenta uma economia mais diversificada e desenvolvida graças à pouca regulação do governo estadual. Eu gostaria de sugerir que você também fizesse um comentário sobre a economia do estado do Texas.

Pedro Erik disse...

Outra grande idéia, AVNC. Continue assim, muitas vezes fico sem assuntos interessantes para escrever. Já li bastante sobre o desastre californiano e muito pouco sobre o Texas. Foi seguir seu conselho.

Abraco,
Pedro Erik