terça-feira, 21 de junho de 2011

Guerra contra as Meninas

-

O jornalista Jonathan Last escreveu um excepcional artigo no Wall Street Journal de hoje, entitulado The War Against Girls (A Guerra contra Meninas), que mostra que 163 milhões de bebês meninas sofreram aborto desde os anos 70, quando surgiu o teste que consegue distinguir o sexo da criança no útero.

Last está comentando um livro lançado recentemente chamado Unnatural Selection (capa abaixo), de Mara  Hvistendhal, que discute as consequências de um mundo com poucas mulheres:


Naturalmente, nascem 105 homens para cada 100 mulheres. Quando o número passa de 106, com certeza há aborto de fetos femininos.

Na Índia, há 112 meninos para cada 100, na China, 121, mas em algumas cidades chinesas, a marca chega a 150.  Também há fortes discrepâncias na Armênia (120), na Geórgia (118) e no Azerbaijão (115).

Uma clínica da Índia faz propaganda dizendo: "Better 500 rupees now than 5,000 later (Melhor pagar 500 rupees hoje do que 5 mil no futuro), em referência ao dote que os pais pagam quando a filha casa.

Mara observa que no passado, sociedades em que o número de homens supera em muito o número de mulheres (por causa de infanticídio de meninas, por exemplo) são locais instáveis e violentos. E que, ao contrário do que diz o economista Gary Becker, as mulheres não recebem mais prestígio por serem mais escassas. Elas têm mais chances de serem compradas dos pais, roubadas ou se entregarem a prostituição.

O intrigante e estúpido com relação a autora é que ela defende o aborto e deseja que seu livro não seja usado por aqueles que defendem a vida.

Acho que ela precisa reler o seu próprio livro. Last concorda comigo e diz:

Despite the author's intentions, "Unnatural Selection" might be one of the most consequential books ever written in the campaign against abortion. It is aimed, like a heat-seeking missile, against the entire intellectual framework of "choice." (Apesar das intenções em contrário da autora, "Unnatural Selection" pode se tornar um dos livros mais consequentes na campanha contra o aborto. Ele atinge, como um míssil que procura o calor, a estrutura intelectual daqueles que defendem o aborto)

2 comentários:

Eduardo R. V. disse...

Aborto, tráfico de criança, abandono...

Meninas não registradas?

Essas inferiorizações só prejudicam a sociedade.

***
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia/na-pre-historia-lugar-de-homem-era-na-cozinha

Pedro Erik disse...

Vou ver o link.

Abraço,
Pedro