quinta-feira, 26 de maio de 2011

Antes do Aborto, Ultra-sonografia



O governador do Texas, Rick Perry, assinou uma lei muito interessante, que deveria ser copiada em todo mundo. Antes de fazer qualquer aborto, a mãe é obrigada a realizar uma ultra-sonografia. A ultra-sonografia mostra imagens do bêbê. E como uma chance da criança falar algo a mãe.

Serão oferecidas às mulheres duas opções: ouvir o batemento cardíaco da criança ou ver a imagem da ultra-sonografia. Mas o doutor tem descrever a imagem para elas, explicando o tamanho do feto e a presença dos órgãos. Claro que o doutor pode ser pró-aborto e evitar detalhes que incomodem a grávida, mas não deixa de ser um passo importante para a defesa da vida. Apenas em alguns casos, como estupro, incesto ou anormalidades fetais, a mulher pode declinar de ouvir essas descrições. Também, com a lei, as mulheres terão de esperar 24 horas depois de fazer a ultra-sonografia para realizar um aborto.

A questão do aborto é um divisor de águas nos Estados Unidos. Talvez seja a principal batalha cultural e religiosa. A decisão do governador do Texas (foto abaixo) é muito importante para aqueles que defendem a vida.


O instituto Gallup revelou sua pesquisa anual sobre aborto na semana passada.  A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 8 de maio passados. Os resultados são bem complexos e por vezes contraditórios, mas valem a análise. Em resumo, concluí-se olhando a pesquisa que:

1)  A percentagem daqueles que defendem a ilegalidade ou aborto em apenas alguns casos passou de 56% para 61%. Aqueles que defendem qualquer caso para aborto ou na maioria dos casos, caiu de 39% para 37%. Há uma vantagem de 24 pontos percentuais pró-vida.

2) Há uma forte divisão na socidedade entre aqueles que se definem pró-escolha (pro-choice) e os que se definem pró-vida (pro-life). Não é a mesma coisa ser pró-escolha e ser pró-aborto, mas daquele que se diz pró-escolha se espera que aceite o aborto. A maioria escolheu em 2011 ser pró-escolha, o que de certa forma contradiz o resultado 1 acima, se consideramos que pró-escolha é igual a pró-aborto. Mas é muito perto um do outro (49%, escolha, 45%, pró-vida);

3) Apesar da maioria se considerar pró-aborto, eles acham moralmente errado. 51% acham moralmente errado contra 39%, moralmente aceitável. Uma diferença de 11 pontos percentuais. O que contradiz o resultado 2.

4) Não há diferenças acentuadas entre homens e mulheres. A não ser que os números mostram que as mulheres são mais a favor tanto da legalidade total como da ilegalidade total do aborto.

5) O envelhecimento tende a levar a pessoa a ser pró-vida.

6)  Há uma forte diferença partidária. Os republicanos são muito mais contra o aborto do que os democratas. Na verdade, isso quase define se você é republicano ou democrata. Os números são o inverso para os partidos.

Vejam os gráficos e tabelas abaixo, e tirem suas próprias conclusões:




 


Em suma, é mais claro ser republicano e ser a favor da vida, do que ser pró-escolha e ser a favor do aborto.  Eu sou a favor da vida, depois eu penso na questão partidária.

A Arquidiocese de Washington analisou a pesquisa  e comparou o movimento pró-vida ao movimento pelo fim da escravidão. Hoje, olhando para o passado nós custamos a acreditar que a escravidão já foi legal e defendida por milhares de pessoas. Assim veremos com assombro, no futuro, aqueles que defendem o aborto hoje. Para a Arquidiocese, o movimento pró-vida deve continuar a luta, com força, persistência e conquistando cada espaço possível.

Abaixo a banderia do estado do Texas. Viva o Texas!! 

8 comentários:

Eduardo R. V. disse...

Isso de aborto é complicado mesmo.

Simplificando. Sou contra a atitude de abortar em gravidez por desleixou na prevenção. Estrupo, em caso de risco a vida da mãe e fetos sem chances de sobreviver, aborto.

Sou totalmente a favor da regulamentação do aborto. E, tenho consciência de que isso vai aumentar o número de abortos. Quem for realizar o aborto deve informar de todas as complicações possíveis. Mas, tem uma coisa antes do aborto, a entrada em um circuito para tentar evitar esse aborto, com mulheres que abortaram, tiveram filhos; psicólogos; e alguém que puxe o lado religioso.

Aí, tem também o pensamento de que a mulher deve ter total liberdade sobre seu corpo. E o Estado não tem o direito de interferir sobre algo tão pessoal (afinal é algo crescendo dentro de uma mulher). Mas é papel do Estado defender a vida, certo?, isso dá ao Estado o direito de proibir?

Nunca parei para dedicar meu pensamento a esse tema. Não é claro para mim.

Pedro Erik disse...

Caro Eduardo,

Você realmente está confuso com o tema. Já falei aqui com outra comentarista que sempre que encontro alguém confuso sobre aborto começo perguntando: "Que direitos tem a mãe sobre a criança que ela carrega?. O corpo da criança é também dela?"

Já escrevi muito sobre aborto aqui. Mas gosto de recomendar um post que fiz que se chama:"O que fazer quando alguém defende o aborto". Veja lá, acesse:

http://thyselfolord.blogspot.com/2011/03/que-fazer-quando-alguem-defende-aborto.html

Abraço,
Pedro Erik

Eduardo R. V. disse...

Pois é. A mulher será responsável pelo desenvolvimento do novo ser. Não é o corpo da mulher, mas vai ser aproveitar do corpo dela. (Aí, o feto é praticamente colocado como parasita.) Então, se isso não dá direito, coloca no caminho.

E, sobre a regulamentação, acho que nem todos estão sobre a mesma bandeira. Não é uma coisa para a maioria escolher. Se vier a ter um filho um dia, não vou querer que minha esposa aborte. Sou contra. Mas, não por isso, posso impedir outros. A simples proibição coloca o Estado como negligente com a saúde familiar, já que mulheres morrem nas clínicas clandestinas.

Pedro Erik disse...

Eduardo, ao você responder que o corpo não é dela, não tem como defender o aborto, pois aí seria assassinado. Meu filho de 11 anos depende totalmente de mim (para comer, vestir, etc), seria um "parasita" nas suas palavras, mas eu não posso matá-lo, posso?

A defesa da vida é uma defesa moral universal, não é uma defesa particular. Ou você é contra assassinatos só na sua cidade e não em outras?

O Estado deve resolver as clínicas cladestinas. Pela sua lógica, não defenderíamos educação, pois as escolas são péssimas.

Grande abraço,
Pedro Erik

Eduardo R. V. disse...

Não acho que é a mesma coisa você falar de um ser dentro do corpo e um fora. Apesar de existir a dependência nos dois casos. E sim você não deve/pode matá-lo. Mas, abandono, é possível (o que também pode configurar crime). Aí entra uma coisa sobre a regulamentação e a entrada do circuito que mencionei, a opinião sobre o aborto pode ser mudada, orientando a mãe a ter o filho, e aí ela pode entregar para adoção. Cruel, sim, mas melhor que a morte.

Não entendi seu último parágrafo. Pela minha lógica o Estado (negligente) deve fazer algo contra clínicas clandestinas, pois são péssimas e matam mãe e filho. Escolas não são clandestinas, não se morre pelo ato de estudar. Tirar as clínicas da clandestinidade vai permitir maior controle, qualidade no atendimento. Ou estou errado? As escolas públicas estão ruins por negligência e incompetência. Ninguém é contra educação (acho); mas há contrariedade quanto o aborto, proibições. As escolas podem ser melhoradas, falta vontade; as clínicas (clandestinas) de aborto também, mas é preciso tirar da ilegalidade.

Sim, a defesa da vida é responsabilidade de todos. Mas, a mulher está com um organismo dentro de si. O que me tira o direito de exigir, caso ela queira abortar, que ela não o faça. Como falei, orientação, tentar convencer a não fazer. Mas se quiser, boa sorte.

E não é aborto com qualquer idade fetal. Tem que ter um limite.

Pedro Erik disse...

Então, você acha que é vida só se estiver fora da mãe? Sendo assim, a mãe pode abortar até o último dia, não precisa se preocupar com o tamanho do feto.

Por que então não se libera o aborto completamente, deixando a mãe para decidir? Nem o pai, teria vez, pois ele não carrega o feto.

Releia o seu parágrafo sobre as escolas. Preste atenção que você diferencia escolas de clínicas por que as últimas lidam com a vida. É isso mesmo a vida tem mais valor, por isso sou contra abortos. Caso você largue essa diferenciação seu argumento não tem mais lógica.

Nós concordamos no principal, Eduardo. Nada é mais cruel que a morte.

Grande abraço,
Pedro Erik

Eduardo R. V. disse...

Na defesa da vida. Não dar condições para o aborto coloca em risco a vida da mulher. Que pode vir a morrer. Se ela morrer, duas vidas são perdidas. Não sei como pode ser defendida a vida, arriscando-se tanto na perda de duas. O que acontece hoje, com a falta de atenção.

E a vida existe fora da barriga da mãe. Há vida, inclusive antes de concepção. A esperma e o óvulos são vivos. A partir da fecundação é o problema, pois já é um ser humano (senão é, vai ser), por tanto, goza dos direitos do Estado, que garante a vida. Mas o Estado não oferece condições totais para o direito da vida da "mãe", pois só dá condições de aborto seguro em casos bem específicos e que não cobrem todas as mulheres que desejam o aborto (para mim, os homens não tem direito de exigir o aborto). O Estado tem que escolher, certo? Fazer a escolha do inocente e indefeso, me parece correta. Mas "esquecer" a mãe não é.

Então, para resolver o problema de aborto essas mulheres devem ser atendidas, ouvidas. Mas se sua opinião final for abortar, vai deixar ela largada sobre a possibilidade de morrer? Por isso defendo a legalização e regulamentação. Não o ato.

Fui procurar um pouco sobre o assunto

pro: http://acasosafortunados.blogspot.com/2011/04/aborto-em-defesa-da-vida-da-mae.html; http://wjdwdefesadamulher.blogspot.com/2011/04/aborto-inadequado-mata-1-mulher-cada-2.html.

contra: https://diasimdiatambem.wordpress.com/aborto-no-brasil/ (informa +links)

Obrigado pela exposição das ideias e boa noite.

Pedro Erik disse...

Que tal pesquisar, qual é probabilidade real de um médico ficar realmente entre vida da mãe e do bêbê. Na verdade, a possibilidade que você aponta é próxima de zero. Muitas vezes alguns médicos dizem passaram por isso, mas não é verdade, é apenas um meio de esconder a negligência.

Boa noite, Eduardo, continue pesquisando. Com o coração aberto, a verdade vem. Não tem jeito, como dizia São Tomás de Aquino, a verdade é uma dádiva divina, independente se você é cristão ou não.

Abraço,
Pedro Erik