sexta-feira, 20 de maio de 2011

Um Cabra-Macho chamado Bibi Humilha Obama


Eu nunca vi uma coisa dessa. Repetindo um comentarista, a última vez que levei uma lição dessas dos meus pais, eu deveria ter uns 7 anos. Obama leva uma lição na frente das câmeras de todo mundo.

Ele tem o apelido carinhoso de Bibi, mas o nome dele é Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro de Israel.

Israelenses, como invejo o líder que vocês têm!

Bom, para entender o que Bibi disse, deve-se saber que ontem Obama defendeu que Israel tivesse suas fronteiras recuadas para a situação de antes da guerra dos seis dias de 1967 (devolvesee boa parte de Jerusalém, a Cisjordânia e as Colinas de Golã). Bibi reage a isso.

Não consegui baixar o vídeo da internet com o discurso de Netanyahu olhando para Obama. Mas não vou perder o prazer de traduzí-lo. Assistam aqui se sabem inglês ou querem ver o discurso. Abaixo traduzo de forma diferente, por tópicos. Em azul, vai o que Nentanyahu disse.

Depois dos apertos de mãos, Netanyahu começa a falar de forma polida e didática (como você faz quando quer explicar algo a um imbecil alucinado):

1) Primeiro, ele prepara o terreno para detonar Obama, colocando os pontos pacíficos:

Sr. Presidente, primeiro, quero agradecer a você e a primeira-dama pela grande hospitalidade a mim, a minha esposa e a toda a minha delegação. Nós temos uma longa aliança entre nossos países, eu agradeço por essa oportunidade de ter essa reunião com você, depois de seu importante discurso de ontem. Nós compartilhamos de suas esperanças para que a democracia se espalhe pelo Oriente Médio. Nós apreciamos o fato que você reafirmou agora e em nossa reunião o seu compromisso com a segurança de Israel. Nós valorizamos seu esforço para avançar o processo de paz. Isso é uma coisa que nós queremos que seja realizada. Israel que a paz, eu quero a paz. Nós queremos uma paz que seja genuína, que seja duradora.

2) Agora vai começar a porrada, sempre usando palavras polidas:

    a) Diz que Obama não tem a menor idéia da realidade da região e chama Obama de Palestino.

      Nós dois devemos concordar que paz baseada em ilusões será destruída pela realidade. A única paz que é duradora é aquela que é baseada na realidade, nos fatos inabaláveis. Eu acho que para termos paz, os palestinos têm de aceitar algumas realidades básicas. Primeira, é que enquanto Israel generosamente deseja a paz, ele não pode voltar a ter as fronteiras de 1967 (aqui Bibi, chama Obama de palestino, pois Obama pensa igual a eles). Essas fronteiras são indefensáveis, e os palestinos não levam em consideração que houve mudanças demográficas desde então. Lembre que antes de 1967, Israel tinha apenas 9 milhas de extensão, e não eram fronteiras que traziam paz, mas fronteiras de guerras constantes, porque atacar Israel era muito atraente. Então nós não podemos voltar para essas fronteiras indefensáveis, nós temos de ter uma longa presença militar. Eu falei com você e expliquei que Israel tem algumas necessidades de segurança que devem estar presentes em qualquer acordo.

        b) Agora Bibi explica para Obama o que é o governo palestino

Segundo, que tem eco no que você mesmo disse, Israel não pode negociar com um governo palestino que tem apoio do Hamas. Hamas, como você disse, é um grupo terrorista que está comprometido com a destruição de Israel. O Hamas joga milhares de foguetes em nossas cidades, em nossas crianças. Recentemte, jogou um míssil anti-tanque em um ônibus escolar matando meninos de 6 anos. Hamas está atacando você, Presidente, e os Estados Unidos por terem matado Bin Laden (essa foi forte! Obama foi lembrado de um fato básico demais). Então, Israel não vai negociar com um governo tem apoio de um grupo que é a versão palestina da al-Qaeda. Eu acho que o presidente Abbas (do grupo Fatah que controla a Cisjordânia, enquanto Hamas controla a Faixa de Gaza) tem um escolha muito simples. Ele deve decidir se quer paz com Israel ou quer paz com o Hamas. Espero que ele escolha o lado certo: paz com Israel.

     c) Bibi mostra o que Obama e palestinos devem esquecer quando falarem de paz com Israel.

A terceira realidade é que o problema dos refugiados palestinos deve ser resolvido no contexto da formaçao do estado palestino, mas não dentro das fronteiras de Israel. Os ataques dos árabes em 1948 resultaram em dois problemas de refugiados (aqui Bibi continua didático, o que humilha quem se supõe saber de tudo): refugiados palestinos e refugiados judeus que forma expulsos das terras árabes.  
Israel absorveu os refugiados judeus, mas a vasta maioria do mundo árabe recusou a receber os refugiados palestinos. Agora, os palestinos chegam para Israel e dizem que os israelenses devem receber os filhos, netos e bisnettos desses refugiados, destruindo o futuro do estado de Israel. ISSO NÃO VAI ACONTECER. Todo mundo sabe que isso não vai acontecer. E acho que é a hora de dizer aos palestinos: isso não vai acontecer. O problema dos refugiados pode ser resolvido, deve ser resolvido, mas não vai ser resolvido dentro do estado judeu. 

d) Agora vem o fechamento das porradas, lembrando o histórico de sofrimento do povo israelense. 

O Presidente e eu discutimos todos esses problemas, e acho que nós temos diferenças aqui e acolá. Mas eu acho que há uma vontande comum de construir uma paz genuína entre Israel e os palestinos, que seja defensável (aqui chamou a proposta do Obama de ilusão de novo).  

Sr. Presidente, você líder um grande povo, o povo americano. Eu sou líder de um povo muito menor, mas também grande povo. É a antiga nação de Israel (aqui ele começa a lembrar a Obama que Israel tem um passado longo na região). Nós estamos na região por quase 4 mil anos. Nós temos experimentado luta e sofrimento como nenhum outro povo. Nós temos passado por expulsões, campos de concentração, massacres e assassinatos em massa. Mas eu posso dizer que mesmo diante da morte, mesmo no vale da morte, nós nunca  perdemos a esperança e nós nunca perdemos nosso sonho de restabelecer a soberania do estado de nossa antiga terra, a terra de Israel.  

E agora está sob os meus ombros, como primeiro-ministro, neste período de grande instabilidade no Oriente Médio, trabalhar com você e estabelecer um paz que assegure a Israel segurança e não ameace a nossa sobrevivência. Eu aceito essa responsabilidade com orgulho, mas com muita humildade.Porque, como eu lhe disse na nossa conversa, nós não temos uma margem grande para erros. E porque, Sr. Presidente, a história não dará ao povo judeu uma nova chance (essa foi uma frase para se colocar na parede). Então, nos próximos dias, semanas e meses, eu estarei trabalhando com  você na busca da paz que resolva nossas preocupações de segurança, procurar o reconhecimento que desejamos dos palestinos, para dar um futuro melhor para Israel e para toda a região. Eu agradeço por essa oportunudade para trocarmos pontos de vista e trabalharmos juntos. Muito obrigado.

Sabe quando você ver uma discussão entre Schumacher e um bêbado para saber quem é o melhor piloto? Assim foi a discussão entre Netanyahu e Obama para saber quem tinha o melhor plano de paz para o Oriente Médio.

6 comentários:

Eduardo R. V. disse...

Conhecimento, coerência e sinceridade, como se rebate isso?

Que encontrem rápido uma maneira de paz para aquelas terras e todas as outras.

Pedro Erik disse...

É muito difícil, Eduardo. Há profundas diferenças culturais, que perpassam pelo valor da vida. Mas, conhecimento é um dos fatores mais importantes para se resolver. Obama pareceu realmente um idiota neste debate.

E o interessante é que mesmo aqueles que são do seu partido ou apóiam ele incondicionalmente estão dizendo isso.

Abraço,
Pedro Erik

Anônimo disse...

muito bom, Pedro.

as caras do obama sao impagáveis. ele, se pudesse, sairia correndo ou matava o bibi.
só o Reinaldo te acompanhou na análise do fato. o resto crítica midiática foi invertida totalmente.
uma perguntinha e fique livre para ignorá-la:
pq vc nao gosta do Reinaldo?
Luiz (pedro simon bolivar)

Pedro Erik disse...

Caro Luiz,

Muito obrigado pelos comentários.

Sobre o Reinaldo Azevedo, eu tive a oportunidade de explicar por que não gosto dele, quando um outro ótimo leitor meu, chamado André, me perguntou sobre o assunto em um post que escrevi sobre a revista Veja.

Infelizmente, eu tive algumas péssimas respostas do Reinaldo Azevedo, quando eu comentava o blog dele. E resolvi que era melhor nem abrir o blog dele para não me chatear.

Não tenho muita paciência para o extremo orgulho próprio dele. Ele quer aparentar que está sempre correto e coerente, o que não é verdade.

Então, hoje nem abro o blog dele. Mas, obviamente, reconheço a inteligência e a grande cultura que ele possui.

Abraço,
Pedro Erik

Anônimo disse...

verdade...ele é um cara difícil. meio popstar. muito alinhado com a tucanalha.
Mas é um cara que incomoda. Até na veja tem inimigos.
o Nunes publicou umas críticas minhas ao FHC, ao iFHC e rebateu com argumentos na ocasiao da prisao do Dantas.
Vendeta petista pisando no calo e garfando o bolso de tucano de alto coturno.
Aliás, o risco que corremos ao criticar o absurdo do petismo no poder (o teor baguncista-revolucionário, o oportunismo desleal, a roubalheira desbragada)é endeusar o governo tucano que foi menos pior, mas ficou longe, muito longe de ser espetacular.
FHC só era menos pior com uma demão de verniz acadêmico e conseguiu executar 1/10 do plano de modernizacao idealizado pelo Merquior ainda no governo Collor. O Itamar foi o primeiro a privatizar pra valer com a venda do sistema siderbras. E a implementar o plano real (que nao teve NADA de genial, diga-se).
FHC veio depois para dar guarida pras FARC e quebrar o gelo pros marginais que estão aí.

Dá uma olhada no lula comemorando aniversário da revolucao cubana:

http://www.youtube.com/watch?v=djalNJULPqQ&feature=player_embedded#at=119

é de embrulhar o estômago.

outro abraco, psb.

Pedro Erik disse...

É triste a ignorância brasileira. Não há debate, não há jornalismo, para discutir o materia que você enviou, Luiz.

Concordo com suas críticas aos tucanos. Não encontro partido que me represente no Brasil. Aliás, eu, como católico, nem a CNBB me representa. No Brasil, somos muito esquerdistas em tudo que fazemos de religião a política.

Grande abraço,
Pedro Erik