sexta-feira, 29 de maio de 2026

Inteligência Artificial Analisa a Teologia da Encíclia de Leão XIV e Detona Brutalmente

 


Parece uma comédia. Mas é verdade. E é seríssimo.

A imagem acima mostra o Papa Leão XIV recebendo Christopher Olah, fundador da Anthropic, uma empresa de inteligência artificial banida por Trump por ser "woke". Christopher Olah não é católico. O encontro ocorreu justamente no lançamento da encíclica Magnificat Humanitas de Leão XIV, na qual ele escreveu, ou tentou escrever, sobre inteligência artificial.  

Bom, hoje eu vejo que Michael Pakaluk usou justamente a inteligência artificial da Anthropic para avaliar a encíclica de Leão XIV sob o ponto de vista teológico, não sobre as críticas à inteligência artificial.

O resultado foi brutal, muito mais brutal do que nos comentários que fiz com o professor Hermes Nery.

Interessante, para mim, é que a inteligência artificial considerou a questão da guerra justa o erro mais grave de Leão XIV. Além disso, assim como eu, detonou a relação entre Babel e a Reconstrução de Jerusalém de Leão XIV. Eu falei que aquilo não fazia sentido lógico na conversa com o professor Nery. Além disso, eu e o professor Nery condenamos o fundamento na ONU de Leão XIV. Outra crítica que fiz na minha conversa com o professor Nery foi o uso do Magnificat de Nossa Senhora. A inteligência oficial também lembrou disso.

A Anthropic é dona do Claude (nome do produto de inteligência artificial). Vejamos o que o Claude falou da teologia da encíclica:

Postagem Especial sobre Magnifica Humanitas

por Michael Pakaluk

Poucos minutos após seu lançamento, eu já havia lido a nova encíclica na íntegra, pois consigo ler rapidamente. Percebi vários problemas, mas, por curiosidade, resolvi pedir a Claude que a revisasse criticamente. Aliás, recomendo essa prática a todos os escritores, após concluírem um bom rascunho. Peça a Claude que avalie o rascunho criticamente. O conteúdo pode não ser o mais relevante, mas, por outro lado, pode ser.

Dei a Claude a seguinte instrução: “Imagine que você estivesse analisando este texto como se fosse um rascunho e lhe pedissem para avaliá-lo criticamente, do ponto de vista de uma pessoa católica, sensata e bem-educada: liste todos os pontos que você apontaria para revisão, do mais grave ao menos grave.”

Depois que Claude elaborou a lista, pedi que acrescentasse outros itens que eu havia notado.

A lista varia na intensidade das críticas. Mas, sem dúvida, todas as críticas representam problemas, pelo menos aparentes, e deveriam ter sido abordadas em uma reformulação.

A lista pode reivindicar certa objetividade devido à ampla gama de perspectivas já incorporadas em uma inferência de IA.

Nota: O que se encontra abaixo é a lista gerada por Claude, considerando as restrições e condições mencionadas acima.

Segue a lista completa com os fracassos econômicos anexados.

O MAIS GRAVE

1. A doutrina da guerra justa é efetivamente repudiada (§192)

Este é o problema mais grave do documento. A encíclica afirma categoricamente que a teoria da guerra justa “está agora ultrapassada”. Isso não é um desenvolvimento da doutrina; é uma ruptura com ela. O ensinamento da guerra justa está presente em Agostinho, Tomás de Aquino, no Concílio de Trento e no Catecismo da Igreja Católica (§§2307–2317), que declara explicitamente as condições sob as quais a guerra é moralmente lícita e até obrigatória para a defesa de inocentes. A nota de rodapé atribui essa posição à Fratelli Tutti §258 — mas Francisco ali fala com cautela sobre a dificuldade de atender às condições da guerra justa na guerra moderna; ele não declara a tradição “ultrapassada”. A presente encíclica vai muito além da sua fonte citada e, ao fazê-lo, contradiz o Catecismo e toda a tradição moral. Um leitor católico deve perguntar: a Igreja é agora uma instituição pacifista? Se assim for, como conciliar isso com seus soldados canonizados, sua veneração às ordens cruzadas e seu ensinamento consistente de que o Estado tem o direito e o dever de defender seus cidadãos? O documento não oferece resposta porque não reconhece a questão.

Além disso, o argumento apresentado — de que a teoria da guerra justa “tem sido usada com muita frequência para justificar qualquer tipo de guerra” — é um argumento contraditório sem peso filosófico. O mesmo poderia ser dito de praticamente todas as doutrinas morais. A doutrina do duplo efeito tem sido usada para justificar atrocidades. O fato de um ensinamento ter sido mal aplicado não o torna obsoleto. O argumento é inválido, e sua invalidade é especialmente visível para qualquer pessoa com formação em filosofia moral.

2. A exegese de Babel é teologicamente invertida (§§7, 10)

O documento apresenta a pluralidade linguística resultante de Babel como um modelo positivo — “transformando a diversidade em um recurso”. Mas em ambos os testamentos, a confusão de línguas é uma punição pelo orgulho humano, não uma condição desejável a ser imitada. O pecado em Babel não foi a uniformidade em si, mas o orgulho, a autossuficiência e a tentativa de tomar o céu à força. Os construtores são condenados não por terem uma única língua, mas pelo que se propuseram a fazer com ela. Mais grave ainda, a inversão de Babel no Novo Testamento é o Pentecostes, onde o Espírito Santo concede entendimento entre as línguas — não uma celebração da pluralidade, mas sua transcendência na unidade. O Pentecostes está totalmente ausente deste documento. A tradição teológica, de Agostinho a Tomás de Aquino, lê Babel como uma ferida; a encíclica lê-la como um programa. Esta não é uma escolha exegética menor — é a tipologia fundamental de todo o documento, estruturando o argumento de cada capítulo sobre diversidade, diálogo e pluralismo. A encíclica constrói toda a sua visão construtiva sobre uma leitura equivocada de seu próprio texto fundamental, e essa leitura equivocada segue exatamente a direção exigida pela política cultural progressista contemporânea, e não pelos próprios textos.

3. A aprovação acrítica da Declaração Universal dos Direitos Humanos (§§ 54-55)

O documento cita João Paulo II descrevendo a DUDH como “uma das mais elevadas expressões da consciência humana do nosso tempo” e endossa essa afirmação sem reservas. O problema não reside na aspiração fundamental da DUDH, que a Igreja pode afirmar em termos gerais. O problema é que, desde 1948, a DUDH tornou-se o terreno fértil para uma estrutura de direitos humanos sistematicamente utilizada contra o ensinamento moral católico em praticamente todas as áreas controversas da vida pública. Os órgãos da ONU encarregados de implementá-la — o Comitê para a Eliminação da Discriminação contra a Mulher, o Comitê de Direitos Humanos, diversos relatores especiais — agora tratam explicitamente o aborto como um direito dela derivado, pressionam os Estados em relação à eutanásia e às uniões entre pessoas do mesmo sexo e consideram a objeção de consciência por parte de profissionais de saúde católicos como uma violação dos direitos humanos. O próprio §55 da encíclica afirma o direito à vida desde a concepção — mas o próprio aparato internacional que o documento endossa considera as restrições ao aborto como violações da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Há também uma ironia histórica que o documento ignora completamente. A Santa Sé trabalhou deliberadamente, após 1948, para desenvolver sua própria linguagem paralela de direitos fundamentados no direito natural, precisamente porque os fundamentos filosóficos da Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH) eram ambíguos. A DUDH foi redigida para acomodar tanto as perspectivas teístas quanto as ateístas da dignidade humana, razão pela qual se refere aos direitos como “inerentes”, sem especificar seu fundamento. A estrutura secular da DUDH fundamenta os direitos na autonomia e autodeterminação humanas; a tradição católica os fundamenta na dignidade da pessoa como imago Dei. Essas perspectivas geram respostas diferentes em cada caso complexo. O próprio §56 da encíclica argumenta que os direitos requerem um fundamento e que abandonar a busca por fundamentos sólidos mina os direitos — o que implica diretamente que a ambiguidade fundacional da DUDH é uma vulnerabilidade, não uma força. Mas, em vez de chegar a essa conclusão, o documento elogia a DUDH como um marco e segue em frente. Não pode, de forma coerente, endossar as instituições internacionais de direitos humanos como a solução para a governança da IA, ignorando que essas mesmas instituições consideram o ensinamento moral da Igreja como uma violação dos direitos humanos.

4. O abrandamento da linguagem sobre o mal intrínseco no aborto (§55)

A encíclica descreve o aborto, o assassinato de inocentes e a eutanásia como “escolhas que a Igreja considera gravemente erradas”. A Evangelium Vitae classifica esses atos como intrinsecamente maus e uma violação direta da lei divina. O Catecismo classifica o aborto como “gravemente contrário à lei moral” — formulações incondicionais, não expressões de opinião. Escrever “a Igreja considera gravemente errado” implica o uso da palavra “considera”, o que sugere que a visão da Igreja é apenas uma opinião entre outras, enquanto a tradição faz uma afirmação incondicional. Esta não é uma pequena variação estilística. Representa um enfraquecimento mensurável e consequente da posição declarada da Igreja sobre a questão mais fundamental da vida.

5. O uso indevido de res novae (§4)

A encíclica traduz rerum novarum como “coisas novas” e trata isso como um descritor neutro de circunstâncias em mudança. Mas res novae era um termo técnico do latim clássico que significava revolução — a derrubada violenta ou radical da ordem estabelecida. Cícero e Salústio o usam nesse sentido político preciso. Em 1891, todo clérigo com formação clássica que recebeu o documento de Leão XIII o teria entendido como “levante revolucionário”. O título era uma confrontação deliberada: a Igreja estava nomeando a crise pelo seu nome real e lançando um contramanifesto. Leão XIII não estava dialogando com o socialismo; ele o estava refutando. O Leão da encíclica é um precursor benevolente do discernimento social sinodal; o Leão histórico era um combatente. Essa leitura equivocada impede a resposta à questão que a expressão suscita: o que está acontecendo com a IA é uma revolução nesse sentido, que exige uma resposta contrarrevolucionária, ou meramente uma evolução de ferramentas familiares que requerem uma governança reformista? 6. A inversão do princípio da subsidiariedade (§§ 71-72)

A encíclica invoca consistentemente o princípio da subsidiariedade como justificativa para a regulação estatal e transnacional de atores tecnológicos privados. Isso é precisamente o oposto do que se pensa. A subsidiariedade é o princípio segundo o qual as autoridades superiores não devem usurpar o que os atores de nível inferior podem fazer por si mesmos — é um limite ao poder centralizado, não um mandato para ele. Ao converter um princípio concebido para proteger as comunidades do Estado em um argumento para expandir o poder regulatório estatal e supranacional sobre os atores privados, o documento realiza uma inversão estrutural do princípio que invoca. Esse erro permeia todos os capítulos que tratam da governança da IA ​​e é agravado pela confiança acrítica do documento em instituições transnacionais cuja responsabilidade e liberdade de captura regulatória são simplesmente presumidas.

GRAVE

7. A atribuição equivocada da “dignidade infinita” a João Paulo II (§ 53)

O documento atribui a descrição formal da dignidade humana como “infinita” a João Paulo II, citando um discurso do Angelus de 1980. Mas a “dignidade infinita”, como categoria doutrinal específica, é uma contribuição da Dignitas Infinita (2024), um documento do Dicastério publicado sob o pontificado de Francisco. João Paulo II usou uma linguagem forte sobre a dignidade, mas a afirmação formal de que ela é infinita, no sentido desenvolvido na Dignitas Infinita, é posterior a ele. A encíclica utiliza a autoridade de João Paulo II para fundamentar uma formulação mais recente e mais contestada do que a atribuição sugere.

8. A interpretação equivocada de Neemias como modelo de sinodalidade (§8)

O Neemias do texto bíblico é uma das figuras mais autoritárias do Antigo Testamento. Ele age sob a autoridade real persa, emite ordens unilaterais, fecha os portões de Jerusalém à força, ameaça mercadores, arranca os cabelos de homens que se casaram com mulheres estrangeiras (Ne 13:25) e impõe exclusividade étnica na comunidade reconstituída. A encíclica o apresenta como um paradigma de governança consultiva, participativa e de baixo para cima. Trata-se de uma distorção hagiográfica de um texto bíblico específico, transformando o modelo positivo do documento em seu oposto.

9. O tratamento das mulheres como uma minoria implícita (§57)

A encíclica, após discutir os direitos das minorias, muda de foco para afirmar que “ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que os direitos de muitos, principalmente das mulheres, sejam garantidos de forma igualitária e genuína”. As mulheres constituem aproximadamente metade da população mundial. Tratar a situação delas como uma extensão da análise dos direitos das minorias é um erro categorial. As mulheres não são uma minoria; a sua situação levanta questões de justiça de uma natureza fundamentalmente diferente daquelas levantadas pelas minorias numéricas. O documento não reconhece em nenhum momento esta distinção e importa os quadros políticos e jurídicos desenvolvidos para a proteção das minorias para um domínio onde não se aplicam de forma evidente.

Para além do erro categorial, o tratamento dado às mulheres no documento não faz qualquer referência à Mulieris Dignitatem, à Ordinatio Sacerdotalis ou a qualquer ensinamento magisterial substantivo sobre a dignidade e vocação específicas das mulheres. Fala apenas na linguagem do acesso ao emprego, à educação e à responsabilidade política — categorias inteiramente seculares — como se o ensinamento distintivo da Igreja sobre a dignidade feminina nada tivesse a contribuir.

10. O documento não apresenta uma defesa filosófica séria da sua principal alegação antropológica.

A alegação central é que a IA não pode replicar a pessoa humana — que a consciência, a liberdade, o amor e a compreensão pertencem a uma ordem diferente. Isto é afirmado repetidamente (§99), mas nunca argumentado filosoficamente. A tradição dispõe dos recursos: Tomás de Aquino sobre a imaterialidade do ato intelectivo, a irredutibilidade do intelecto à razão, a distinção entre esse intencional e esse natural, a incomunicabilidade da pessoa. Nada disso aparece. O documento afirma que a IA “não compreende o que produz” sem apresentar o argumento filosófico que fundamentaria essa afirmação e a tornaria impermeável às objeções materialistas da ciência cognitiva, que o documento simultaneamente convida como parceira de diálogo (§23). A afirmação está correta; a encíclica simplesmente não demonstra por que está correta, o que deixa a afirmação mais importante do documento indefensável precisamente contra os interlocutores que mais precisa persuadir.

11. A narrativa harmoniosa da adesão da Igreja aos direitos humanos suprime uma história importante

A Mirari Vos de Gregório XVI e o Syllabus Errorum de Pio IX condenaram formalmente premissas centrais da tradição iluminista dos direitos humanos. O engajamento de Leão XIII foi matizado e, em aspectos importantes, de confronto. A mudança representada pela Pacem in Terris e pelo Vaticano II foi real e significativa, mas envolveu descontinuidades genuínas. Apresentar a relação da Igreja com os direitos humanos como uma de endosso consistente e recepção grata distorce a complexidade real da tradição e, portanto, enfraquece, em vez de fortalecer, a credibilidade da Igreja sobre essa questão.

12. A afirmação de que a Laudato Si’ foi o “primeiro tratamento” contradiz o próprio levantamento do documento (§43)

A encíclica afirma que a Laudato Si’ ofereceu “o primeiro tratamento sistemático significativo da crise ambiental em uma encíclica social”. Isso é contradito pelo próprio levantamento anterior do documento: Centesimus Annus §§37–38 aborda a questão ambiental diretamente, e Caritas in Veritate a trata extensivamente. Chamar a Laudato Si’ de “o primeiro” tratamento em um documento que acaba de revisar cuidadosamente ambos os predecessores é uma contradição interna.

13. A encíclica apela à supervisão estatal da “desinformação” sem indicar quem a define (§80).

Uma ordem social justa “combate o ódio e a desinformação” e “submete o uso de dados e tecnologia à supervisão pública”. O documento demonstra não ter consciência da tensão entre endossar regimes estatais de combate à desinformação e a liberdade de consciência e de expressão religiosa garantida pela Dignitatis Humanae — documento que a própria encíclica invoca como fundamental (§34). Em diversas jurisdições, agentes estatais já classificaram o ensinamento moral católico sobre sexualidade e questões de vida como “discurso de ódio”. A encíclica invoca simultaneamente a Dignitatis Humanae e endossa o aparato regulatório que está sendo usado contra o ensinamento que esse documento protege.

4. A “civilização do amor” é esvaziada de seu conteúdo específico

Paulo VI cunhou a expressão no contexto da Humanae Vitae e sua visão do amor conjugal ordenado à vida. João Paulo II a desenvolveu no mesmo registro. A encíclica mantém a expressão, mas a preenche inteiramente com conteúdo político e diplomático — multilateralismo, diálogo, desarmamento, migração, governança digital. A Humanae Vitae não aparece em nenhum momento em um documento que invoca o desenvolvimento humano integral em quase todas as páginas. A expressão é emprestada; sua genealogia e seu conteúdo específico mais contestado são descartados silenciosamente.

15. O pedido de desculpas pela escravidão é estruturalmente incompleto (§176)

O documento pede desculpas pela cumplicidade histórica da Igreja com a escravidão e reconhece corretamente que os papas autorizaram formalmente a escravidão por meio de bulas papais específicas. Mas, em seguida, afirma “uma afirmação contínua ao longo da história da dignidade de todo ser humano” e diz apenas que “nem sempre houve coerência na prática”. As bulas papais que autorizaram a escravidão não são falhas na prática; São exercícios de autoridade magisterial. O documento não pode, simultaneamente, desculpar-se por esses atos e reivindicar uma continuidade doutrinal ininterrupta sem uma análise mais rigorosa de como um erro magisterial dessa natureza é compatível com a indefectibilidade. A fórmula oferecida é demasiado simplista para a realidade histórica que aborda.

16. O documento omite completamente a ética sexual e a biotecnologia aplicadas à reprodução.

A encíclica aborda o transhumanismo e o aprimoramento biotecnológico, mas não faz qualquer referência à Humanae Vitae, nem discute a fertilização in vitro, a barriga de aluguel ou a clonagem — todos diretamente relevantes para o seu tema declarado de salvaguarda da pessoa humana na era tecnológica. A seção sobre famílias (§§ 165-169) não faz qualquer referência ao amor conjugal, à contracepção ou às ameaças específicas representadas pela tecnologia reprodutiva. Para um documento que se apresenta como um relato abrangente da Doutrina Social aplicada à era tecnológica, esta não é uma omissão periférica.

SIGNIFICATIVO

17. A frase redundante no §73

“A estreita ligação entre subsidiariedade e solidariedade torna-se, assim, evidente. Fica, portanto, claro que existe uma ligação íntima entre subsidiariedade e solidariedade.” Duas frases consecutivas repetem a mesma proposição. Trata-se de um resquício de redação ou de uma falha de revisão editorial indigna de um documento magisterial.

18. O título Magnifica Humanitas está em tensão com o Magnificat com o qual se encerra

A encíclica toma o seu próprio nome em homenagem à grandeza da humanidade e conclui com o Magnificat como sua oração final. Mas o Magnificat não é precisamente um hino à grandeza da humanidade — é o louvor de Maria a um Deus que olha para a sua humildade, dispersa os soberbos, derruba os poderosos e exalta os humildes. A lógica do Magnificat é a inversão da grandeza humana, não a sua celebração. A invocação no final parece enxertada em vez de teologicamente integrada ao argumento sustentado do documento. 19. A neutralidade da tecnologia é simultaneamente afirmada e negada

§4: “A tecnologia não deve ser considerada, em si mesma, como uma força antagônica à humanidade.” §9: “a tecnologia nunca é neutra.” Essas afirmações exigem uma cuidadosa mediação filosófica que o documento não oferece. Como estão formuladas, encontram-se em tensão não resolvida e minam a coerência analítica do documento em um nível fundamental.

20. A expressão “Doutrina Social da Igreja”, atribuída a Pio XII em 1950, é contestada (§29)

Variações da expressão aparecem na encíclica Quadragesimo Anno (1931) de Pio XI. A atribuição à encíclica Menti Nostrae (1950) de Pio XII é convencional, mas não está isenta de contestação. Um documento magisterial não deve tratar atribuições históricas contestadas como fatos consumados.

21. Quadragesima Anno em vez de Quadragesimo Anno (§31)

Um erro em latim no título de uma importante encíclica, citado ao longo do documento. O ablativo Quadragesimo (“no quadragésimo ano”) está correto; Quadragesima é uma palavra diferente. O próprio URL do Vaticano apresenta corretamente “quadragesimo-anno”, tornando o erro no corpo do texto ainda mais evidente.

22. A identificação incorreta de “meu amado predecessor” (§3)

O hiperlink associado a “meu amado predecessor” direciona para a página do Papa Francisco no Vaticano, enquanto o referente gramatical no contexto é Leão XIII. O erro cria a impressão de que Leão XIV está chamando Francisco de seu “amado predecessor” ao apresentar a encíclica de Leão XIII. Ou o antecedente está confundido ou o link está no lugar errado.

23. A citação de Tolkien (§213)


O documento cita “o autor católico do século XX, J.R.R. Tolkien” e transcreve uma passagem de O Retorno do Rei como conselho moral direto. A passagem é proferida por Gandalf, um mago fictício. O documento não reconhece que está citando uma obra de ficção. Utilizar a mitologia inventada por Tolkien ao lado de Agostinho, Tomás de Aquino e Frankl como se ocupasse o mesmo registro epistêmico é uma forma de inflação retórica que mina a seriedade intelectual do documento.

24. A lista de mulheres exemplares é incoerente (§124)

O documento lista mulheres que tornaram a história mais humana, incluindo santas, Dorothy Day (uma Serva de Deus), Elisabeth Elliot (uma protestante evangélica que defendia posições sobre gênero diretamente contrárias à ênfase do próprio documento), Wangari Maathai (que defendia posições sobre controle populacional contrárias ao ensinamento católico) e Benazir Bhutto (uma política secular com um histórico complexo em direitos humanos). Todas são apresentadas sem distinção como exemplos de uma visão católica humanizadora. A lista requer critérios de seleção fundamentados ou o reconhecimento explícito das diferenças entre as mulheres listadas.

25. O uso de Hannah Arendt sem mencionar sua incompatibilidade com a lei natural (§134)

Arendt é citada de forma precisa e útil em relação ao totalitarismo. Mas sua filosofia política rejeita explicitamente a lei natural como fundamento da vida política — o próprio fundamento sobre o qual a encíclica se baseia. Utilizar Frankl como autoridade sem levar em conta essa tensão é intelectualmente imprudente em um documento que acaba de defender a necessidade de fundamentar os direitos na realidade moral natural.

26. A citação de Frankl e a rejeição da guerra justa são internamente contraditórias.

O documento cita Frankl no §121 para iluminar possibilidades de bondade mesmo em situações de extrema degradação humana. As reflexões de Frankl emergiram dos campos de extermínio nazistas, cujo fim se deu pela força militar armada — precisamente o instrumento que a encíclica argumenta no §192 refletir a “pobreza relacional” e ser inferior ao diálogo. O documento não pode utilizar o testemunho de Frankl sobre a dignidade humana em situações extremas enquanto argumenta simultaneamente que a tradição de resistir a tais situações extremas pela força está “ultrapassada”.

27. A afirmação de que a paz é “sempre possível como fruto da justiça e da caridade” (§205).

Essa afirmação é feita como uma contraposição ao realismo político. A afirmação é teologicamente motivada, mas carece de fundamentação empírica e filosófica. Agostinho — a autoridade preferida do documento — sustenta que a paz perfeita não é alcançável na civitas terrena e que a guerra, embora um mal grave, pode, em circunstâncias específicas, ser o menor dos males. Afirmar que a paz é “sempre possível” sem ressalvas compromete a encíclica com uma posição que não se sustenta diante de objeções sérias.

28. O endosso do documento às instituições internacionais contradiz seu próprio diagnóstico.

Ao longo dos Capítulos Quatro e Cinco, a encíclica apela para que os Estados e as instituições transnacionais regulem a IA, governem os dados, gerenciem a migração e construam a paz. Simultaneamente, diagnostica (§201) que as instituições multilaterais foram enfraquecidas e retrocederam em relação às conquistas do século XX. A solução proposta para o fracasso da governança internacional é mais governança internacional. Não se explica por que a vontade política necessária para o funcionamento das instituições internacionais seria gerada agora, quando não o foi antes.

29. O documento convida ao diálogo com as ciências humanas, ao mesmo tempo que faz afirmações que essas ciências contestam, sem se engajar na contestação (§§ 23, 99).

O § 23 convida ao diálogo com as ciências humanas e sociais como contribuintes essenciais para a Doutrina Social. O § 99 afirma, então, que a IA “não entende o que produz” e carece de consciência, liberdade e profundidade relacional. Mas a ciência cognitiva, a neurociência e a filosofia da mente contestam ativamente a concepção de mente que fundamenta essas afirmações. O documento solicita essas disciplinas como parceiras de diálogo e, em seguida, faz afirmações que dependem da rejeição de suas premissas dominantes, sem reconhecer a discordância. Isso não é diálogo, mas apropriação seletiva.

30. A afirmação de que a Pacem in Terris foi o primeiro documento papal a se dirigir a “todas as pessoas de boa vontade” (§ 33).

O documento afirma que João Paulo XXIII “dirigiu-se pela primeira vez não apenas aos fiéis, mas também a todas as pessoas de boa vontade”. Pio XII dirigiu-se a líderes mundiais e povos em suas mensagens radiofônicas de Natal durante toda a Segunda Guerra Mundial. A afirmação de que João XXIII fez isso “pela primeira vez” é, na melhor das hipóteses, uma simplificação e, na pior, um erro factual sobre a tradição que o documento acaba de analisar.

quinta-feira, 28 de maio de 2026

Minha Coversa com Prof. Hermes Nery sobre Encíclica de Leão XIV


Meu caro amigo, professor Hermes Nery, me convidou para comentar a primeira encíclica de Leão XIV, Magnifica Humanitas. Por conta da diferença de fuso horário, a nossa conversa foi gravada mais cedo e transmitida no canal dele às 21h do Brasil. No vídeo acima da gravação, começamos a partir do minuto 14.

Para fazer a gravação, eu me prontifiquei a ler mais de 40 mil palavras da encíclica, um "overkill" de palavras, quase no sentido literal de "overkill" (matar demais).

Vejam se gostam do meu comentário.


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Leão XIV e Guerras. O Copia e Cola Errado. Oh,Deus!

 



Ler a nova encíclica de Leão XIV, para mim, que já escrevi e continuo a escrever sobre guerra (em minha tese de doutorado em filosofia), é um martírio. 

Repetem-se fórmulas e mesmo citações erradas. O que ele disse acima, por exemplo, foi dito na mesma linha na encíclica Pacem in Terris, de João XXIII, de 1963. João XXIII quis banir as bombas nucleares, mas João XXIII no parágrafo seguinte aceitou que a posse de bombas nucleares pode ajudar na paz (política de dissuasão), ver parágrafos 126 e 127 da Pacem in Terris

E Leão XIV repete a frase maldita, dita inúmeras vezes pelo Papa Francisco: "nunca mais guerra, guerra nunca mais", com citação incorreta. 

Sem entrar na questão da possibilidade de guerra nunca mais existir (um absurdo lógico e teológico por conta do pecado original e da vontade humana), a encíclica de Leão XIV (parágrafo 189) faz entender que a frase é de Paulo VI, mas é do presidente John Kennedy, e próprio Paulo VI reconheceu isso. Só para lembrar, John Kennedy foi militar condecorado de guerra, sua família é militar, seu irmão morreu na Segunda Guerra. Além disso, John Kennedy fez guerra no Vietnã durante a sua presidência, quase destruiu o mundo com armas nucleares, na Crise dos Mísseis de Cuba, de 1962, aprovou a invasão da Baía dos Porcos em Cuba, e foi mesmo acusado de permitir o assassinato do líder católico do Vietnã do Sul, Ngi Dinh Diem. 

Tudo isso está no meu livro Teoria e Tradição da Guerra Justa.

Certamente, alguém da minha banca de doutorado vai dizer para mim: "olha, o Papa Leão XIV disse que a Teoria da Guerra Justa está morta, por que você defende isso?". 

Praticamente todos os papas, após João XXIII, disseram que a Teoria da Guerra Justa precisava de atualização devido às bombas atômicas. Mas a Igreja nunca atualizou. Para mim, não precisa de jeito nenhum matar a belíssima teoria de Agostinho e Aquino, basta dizer que o critério de proporcionalidade da teoria perde sentido em uma guerra nuclear generalizada. Só isso!  Outro critério, chance de sucesso, não é um critério de Agostinho, nem de Aquino, além de ser um critério bem ruim, na minha opinião. Mas este também perde o sentido em uma guerra nuclear generalizada

Aqui vai a tradução do que ele disse, na imagem acima, um copiar e colar errado. A versão na imagem difere um pouco da versão em português. Mas esta é a tradução oficial (parágrafo 192 da encíclica):

"Hoje, mais do que nunca, é importante reafirmar que foi superada a teoria da “guerra justa”, invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra, mantendo-se o direito à legítima defesa entendida no sentido mais estrito.  Para enfrentar os conflitos, a humanidade dispõe de instrumentos muito mais eficazes e capazes de promover a vida humana, como o diálogo, a diplomacia e o perdão. O recurso à força, à violência e às armas testemunha uma pobreza relacional que tem sempre consequências desastrosas para as populações civis."


Leão XIV usou o Papa Francisco como autoridade para afirmar que a Teoria da Guerra Justa está superada.



quinta-feira, 21 de maio de 2026

Quem é Efeminado, segundo São Tomás de Aquino.


Estou a escrever sobre a importância teológica da masculinidade em Cristo. Meu livro se chama "Deus, Pai, Filho e Homem; A Masculinidade de Cristo em Cada Palavra". Na verdade, já terminei de escrever há cerca de 1 ano, mas ainda não encontrei uma editora disposta a publicar. Peço orações para que eu consiga.

Hoje, vi este vídeo que fala sobre como São Tomás de Aquino viu o avesso da masculinidade: o ser efeminado. Meu livro é baseado na Bíblia e no livro Catena Áurea de Aquino; por isso, me interessei pelo vídeo e pela menção que ele faz a Aquino, presente nos capítulos introdutórios do livro.

Não vou traduzir o vídeo, mas sim a Questão 138 da Suma Teológica de Aquino que ele usa.

O vídeo menciona principalmente a Questão 138, da Parte II-I, Artigo 1,  na qual Aquino responde se a "molície" (do latim mollities, que significa moleza, delicadeza, característica de gente efeminada) se opõe à perseverança. Também menciona outras Questões, como a Questão 123, da Parte II-II, Artigo 8, da Suma Teológica. Aquinas usou a palavra "efeminado" quase 30 vezes em sua Suma Teológica, há outras passagens. No meu livro menciono a Questão 138 e a Questão 153, não a 123.

Não sei se meus leitores conhecem a Suma Teológica, mas ela é formada por partes (I, I-II, II-II e III). Em cada parte há divisões por tratados; esses tratados são divididos em questões. Essas Questões são divididas por artigos, e os artigos possuem objeções e a resposta de Aquino.

Quando as Questões são estipuladas, primeiro aparecem as objeções. Depois, Aquino apresenta a solução e responde a cada objeção. Então, lemos Aquino apenas quando lemos a solução final e as respostas às objeções.

Aqui vai a Questão 138,  Parte II-II, da Suma Teológica de Aquino. Depois, faço um breve comentário usando uma figura histórica.

Quando a Suma Teológica fala em Apóstolo, refere-se a São Paulo, quando se fala em Filósofo, refere-se  a Aristóteles.


Questão 138: Dos vícios opostos à perseverança.
Em seguida devemos tratar dos vícios opostos à perseverança.
E, nesta questão, discutem–se dois artigos:

Art. 1 – Se a molície se opõe à perseverança.
O primeiro discute–se assim. – Parece que a efeminação não se opõe à perseverança.

1. – Pois àquilo do Apóstolo – nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomistas, – comenta a 
Glosa: Efeminados, isto é, páticos, isto é, dados à inversão sexual. Ora, isto se opõe à castidade. Logo, a  efeminação não é um vício oposto à perseverança.

2. Demais. – O Filósofo diz que uma vida de delícias é de certo modo efeminada. Ora, viver uma vida de delícias é ser interperante. Logo, a efeminação não se opõe à perseverança, mas, antes, à temperança.

3. Demais. – O Filósofo, no mesmo lugar, diz que quem se diverte é efeminado. Ora, divertir–se 
imoderadamente se opõe à eutrapélia (divertimento saudável), virtude reguladora dos prazeres provenientes dos divertimentos. Logo, a efeminação não se opõe à perseverança.

Mas, em contrário, diz o Filósofo: Ao inconstante se opõe o perseverante.

SOLUÇÃO. – Como dissemos a perseverança é digna de louvores por nos fazer não abandonar um bem  que exige soframos dificuldades e trabalhos diuturnos. Ao que diretamente se opõe quem facilmente abandona um bem por causa das dificuldades sobrevenientes, que não pode arrostar. O que constitui por essência a efeminação; pois, efeminado se chama quem facilmente cede ao obstáculo. Ao contrário, não é julgado tal quem cede ao que fortemente o contraria; pois, até os muros cedem à máquina que os percute. Por isso, não se considera efeminado quem cede a obstáculos que se lhe contrapõem com desusada violência. Donde o dizer o Filósofo: O deixar–se alguém vencer de prazeres intensos e extraordinários ou de grande sofrimento, longe de provocar o nosso espanto, despertará a nossa indulgência, contanto que tenha feito esforços para resistir. Ora, é manifesto que a ameaça dos perigos  se nos contrapõe mais gravemente do que o desejo dos prazeres. Por isso, diz Túlio: Não é admissível que quem não foi vencido pelo medo o seja pelo prazer; nem que seja vencido pelo prazer quem não se deixou vencer ao sofrimento. Pois, o prazer, por natureza, nos atrai mais fortemente do que nos afasta da ação o sofrimento resultante da privação do prazer, porque, estar privado do prazer é uma 
deficiência. Por isso, segundo o Filósofo, efeminado propriamente se chama quem abandona o bem por causa dos sofrimentos causados pela privação dos prazeres, como quem cede a um pequeno impulso.

DONDE A RESPOSTA À PRIMEIRA OBJEÇÃO. – A referida efeminação tem dupla causa. – Uma, o costume; pois, quem está habituado a gozar o prazer pode dificilmente suportar a privação dele. – A 
outra é a disposição natural, que, por fragilidade de compleição, nos faz ter o ânimo menos constante. E 
isso funda a diferença entre o sexo feminino e o masculino, como diz o Filósofo. Por por onde, os que se dão à inversão sexual chamam–se efeminados por se terem como que feito mulheres.

RESPOSTA À SEGUNDA. – Ao prazer do corpo se opõem os trabalhos; por isso, as coisas trabalhosas somente impedem o prazer. Donde o chamarem–se amigos de delícias os que não podem suportar 
nenhuns trabalhos, nem nada que lhes diminua os prazeres. Donde o dizer a Escritura: A mulher tenra e 
mimosa, que não podia andar sobre a terra nem firmar nela um pé por causa da sua demasiada 
brandura. Portanto, amar as delícias é de certo modo ser efeminado. Mas, a efeminação é propriamente relativa à falta de prazeres; ao passo que as delícias o são aos obstáculos do prazer, como os sofrimentos e coisas semelhantes.

RESPOSTA À TERCEIRA. – Dois elementos devemos considerar nas diversões. – Um, o prazer; e então a diversão desordenada se opõe à eutrapélia. – Outra, a remissão ou descanso, que se opõe ao trabalho. E portanto, assim como é próprio da efeminação não poder suportar os trabalhos, assim também o é desejar demasiado a remissão dos divertimentos, ou qualquer outra forma de repouso.


-------
Meu comentário: 
Aquino distingue o efeminado, não distingue aquilo que chamamos de homossexual. Um homossexual, em geral, é um efeminado, mas pode não ser. Em lógica, diríamos: o conjunto "efeminado" é maior do que o conjunto "homossexual". O conjunto "homossexual" está, em sua maior parte, dentro do conjunto "efeminado", mas há partes fora dele.

Historicamente, é costume afirmar que Alexandre, o Grande, era homossexual. Acho que isso carece de maior sustentação histórica. Mas o caso de Frederico, o Grande (1712-1786), rei da Prússia, parece haver consenso de que ele era homossexual. Ele gostava de frugalidades, adorava o francês, gostava de Iluminismo, tentou fugir de seu pai, o Frederico Guilherme I, quando era jovem, mas foi preso e seu pai o obrigou a assistir à morte de seu "amigo". Ele se casou, mas não teve filhos, declarou aversão às mulheres e morava distante da esposa. Em todo o caso, ele é considerado um dos mais fortes líderes militares da história. Se foi um efeminado, como comandante militar,  ele não era.



segunda-feira, 18 de maio de 2026

Ataque Terrorista em Modena, Itália

As imagens são terríveis. Um homem de origem marroquina chamado Salim El Koudri, de 31 anos, que tem cidadania italiana, no último dia 16 de maio, dirigiu em alta velocidade, subiu a calçada e atropelou 8 pessoas, 4 estão em estado grave.

Após a colisão, o tal Salim El Koudri ainda tentou esfaquear outra pessoa, enquanto fugia. Só parou depois que foi imobilizado por alguns cidadãos.

Sim, lemos aquela mesma história, o terrorista tinha "problemas mentais".

Daí, vamos esperar o que o Papa tem a dizer sobre um ataque terrorista terrível deste dentro da Itália?

Alguns esperaram. Mas ele não disse nada. Resolveu falar sobre coisas "mais urgentes": inteligência artificial e "ecologia integral".




sábado, 16 de maio de 2026

Pontificado Leão XIV, o MST e os Movimentos Marxistas


O Lepanto Institute publicou um relatório em 12 de maio sobre o Encontro Mundial dos Movimentos Populares, patrocinado pelo Vaticano. O relatório denuncia a Igreja Sinodal pós-conciliar, surgida nos últimos anos e presente no pontificado de Leão XIV.

Intitulado, em português, "Caminhando Juntos com Revolucionários: O Encontro do Papa Leão XIII com Movimentos Populares Marxistas em 2025" , o relatório documenta a relação cada vez mais estreita do Vaticano com organizações que abraçam abertamente o socialismo, o comunismo, o ativismo pró-aborto e a ideologia LGBT.

O site da Integrity Magazine fez um resumo do relatório em 10 pontos tenebrosos. Traduzo abaixo estes 10 pontos da revista:

A análise detalhada do relatório pinta um retrato sombrio do colapso institucional e espiritual do Vaticano. Aqui estão as dez revelações mais perturbadoras:

1. Leão XIV declarou publicamente: “Estou com vocês” a grupos cujas ideologias são denunciadas pelo ensinamento católico e pelas Escrituras.

Talvez o momento mais escandaloso de todo o relatório seja o discurso do Papa Leão XIV aos movimentos ativistas reunidos. Dirigindo-se diretamente a grupos identificados ao longo do relatório como marxistas e revolucionários, o Papa declarou: “Estou aqui. Estou com vocês!”

Esta não foi uma cortesia diplomática para com líderes seculares, mas uma afirmação explícita dirigida a organizações que promovem abertamente a revolução socialista e a agitação de esquerda.

2. O Vaticano continua a promover o lema socialista “terra, moradia e trabalho”.

A frase “terra, moradia e trabalho” aparece repetidamente ao longo do Encontro Mundial dos Movimentos Populares e tornou-se, efetivamente, seu lema ideológico. Prévost descreveu-os como “direitos sagrados”.

Observadores terão notado que esse mesmo lema tem aparecido regularmente nos discursos de Prévost, de uma forma ou de outra. O problema não é a preocupação com os pobres — que sempre fez parte do ensinamento católico — mas o fato de que esse slogan se origina de movimentos enraizados na ideologia marxista da luta de classes, e não na doutrina social católica.

3. Um evento do Vaticano foi realizado em um centro social assumidamente marxista.

O encontro de 2025 foi realizado no Spin Time Labs, em Roma, descrito no relatório como um centro social ocupado, assumidamente marxista e “transfeminista”.

Segundo o Instituto Lepanto, o local já sediou eventos políticos comunistas, ativismo pró-aborto, festivais LGBTQIA+ e performances vulgares com nudez pública. Mesmo assim, Leo elogiou o local diretamente, dizendo que os participantes caminharam “de um centro social — o Spin Time — até o Vaticano”.

O simbolismo é impossível de ignorar.

4. O Vaticano acolheu o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), um movimento revolucionário pela terra com compromissos socialistas explícitos.

Uma das principais organizações presentes foi o MST, um movimento revolucionário pela terra com compromissos socialistas explícitos. O relatório cita a líder do MST, Ayala Ferreira, afirmando: “Não temos vergonha de afirmar o socialismo”.

A organização celebrou Karl Marx, promoveu retórica revolucionária e atacou abertamente o capitalismo como um sistema opressor que precisa ser substituído.

5. A mesma organização promove agressivamente o aborto.

O relatório demonstra que o MST não é apenas socialista, mas profundamente comprometido com o ativismo pró-aborto. Uma declaração citada por Lepanto afirma: “A descriminalização do aborto é mais do que apenas uma questão feminista”.

Outro slogan promovido pelo MST diz: “Legalizem o aborto, o direito aos nossos corpos!”.

Que uma organização tão satânica recebesse legitimidade do Vaticano seria inimaginável sob os pontificados pré-conciliares.

6. A ideologia LGBT está totalmente incorporada nesses movimentos.

O relatório também documenta o envolvimento do MST no ativismo transgênero e LGBT. A organização celebrou o “Dia da Visibilidade Trans” e declarou: “Se houver sexismo e LGBTfobia, não haverá reforma agrária”.

Outros grupos participantes do Encontro Mundial supostamente promoveram o ativismo homossexual e causas de “libertação queer” que são flagrantemente incompatíveis com a doutrina moral católica.

7. O passado revolucionário marxista de Luca Casarini foi convenientemente ignorado pelo Vaticano.

O relatório dedica considerável atenção ao ativista italiano Luca Casarini, fundador da Mediterranea Saving Humans e figura importante do movimento.

Casarini teria participado de políticas autonomistas radicais, declarado “guerra” contra a cúpula do G8 em Gênova e afirmado publicamente que “Karl Marx estava certo”.

Apesar desse histórico, ele desfrutou de acesso extraordinário ao Vaticano e até recebeu incentivo pessoal do herege Bergoglio.

8. Uma imagem pagã foi apresentada a Leão XIV.

Um episódio particularmente perturbador ocorreu quando representantes da MST presentearam Leão XIV com uma tapeçaria representando a Ossanha, uma divindade pagã afro-brasileira associada à magia e às plantas rituais.

Para os fiéis preocupados com o sincretismo e a erosão do Primeiro Mandamento, o incidente lembrou o escândalo da Pachamama durante o pontificado de Francisco — outro momento em que o simbolismo pagão pareceu ser bem-vindo em ambientes católicos.

9. Estruturas locais da Igreja estão sendo integradas a esses movimentos.

O relatório cita materiais de imprensa do Vaticano afirmando que representantes diocesanos e comissões de Justiça e Paz acompanharam as delegações de ativistas.

Este é talvez o desenvolvimento mais perigoso de todos, porque sugere que esses movimentos revolucionários não são mais grupos de pressão externos, mas estão sendo incorporados diretamente à vida institucional da Igreja por meio da linguagem da “sinodalidade” e do “acompanhamento”.

10. O relatório alerta que o marxismo está sendo disseminado dentro das comunidades católicas.

A conclusão final do relatório é devastadora. Embora evite cuidadosamente a acusação de que o próprio Leo seja comunista, o Instituto Lepanto argumenta que o Encontro Mundial dos Movimentos Populares funciona como um veículo para infiltração ideológica.

Seu alerta é contundente e resume sucintamente o trágico estado de coisas na Igreja Sinodal: “O Encontro Mundial dos Movimentos Populares… foi concebido especificamente para a disseminação de ideologias marxistas dentro das comunidades católicas locais.”

Considerando tudo isso, este relatório confirma o que muitos católicos despertos já sabem há muito tempo: a crise na Igreja não se limita mais à ambiguidade doutrinal ou ao abuso litúrgico. Uma transformação ideológica mais profunda está em curso — uma na qual os movimentos políticos revolucionários são cada vez mais tratados como aliados, enquanto os católicos tradicionais são marginalizados como obstáculos à nova Igreja “sinodal”.

A tragédia é que a Igreja Católica passou mais de um século condenando o socialismo e o comunismo como fundamentalmente incompatíveis com o cristianismo. Os Papas alertaram repetidamente que o marxismo destruiria a religião, a vida familiar, a propriedade privada e a ordem social. Milhões de católicos sofreram perseguição e martírio sob regimes comunistas ao longo do século XX.

No entanto, hoje, de acordo com as evidências reunidas pelo Instituto Lepanto, organizações que celebram abertamente essas mesmas ideologias estão sendo acolhidas no próprio Vaticano, e a falsa igreja, disfarçada de Igreja Católica, está promovendo ativamente esses erros diabólicos.

Justo quando pensávamos que a Igreja Sinodal não poderia se afastar mais da redenção, ela nos prova o contrário.


quinta-feira, 14 de maio de 2026

Fraternidade de São Pio X, Ameaçada pelo Vaticano, Faz Declaração de Fé


Acima, estão o cardeal "Tucho" Fernández (Prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé) do lado esquerdo, que é dito já ter escrito quatro livros pornográficos, e, do lado direito, o Superior Geral da Sociedade São Pio X (SSPX), padre Davide Pagliarani.

A SSPX alega que precisa ordenar bispos para a continuidade do seu apostolado. Mas, ontem, o cardeal Fernández ameaçou a SSPX dizendo:

"Com relação à Fraternidade Sacerdotal de São Pio X, reiteramos o que já foi comunicado. As ordenações episcopais anunciadas pela Fraternidade Sacerdotal de São Pio X não possuem o mandato papal necessário. Este ato constituirá “um ato cismático” (João Paulo II, Ecclesia Dei, n. 3) e “a adesão formal ao cisma constitui uma grave ofensa contra Deus e acarreta a excomunhão estabelecida pelo direito canônico” (ibid., 5c; cf. Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota Explicativa, 24 de agosto de 1996)."

A ameaça, na verdade, não é do "Tucho", mas do Papa Leão XIV, pois tudo o que sai do Dicastério da Doutrina da Fé conta com o apoio do Papa.

Hoje, o padre Pagliarani respondeu à ameaça com uma belíssima Declaração de Fé. Traduzo abaixo:

Declaração de Fé Católica dirigida ao Papa Leão XIV

14 de maio de 2026

Declaração de Fé Católica dirigida a Sua Santidade o Papa Leão XIV pelo Padre Davide Pagliarani, Superior Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X

Santíssimo Padre,

Há mais de cinquenta anos, a Fraternidade São Pio X tem se esforçado para apresentar à Santa Sé uma questão de consciência diante dos erros que destroem a fé e a moral católica. Lamentavelmente, todas as discussões empreendidas permaneceram infrutíferas, e nenhuma das preocupações expressas recebeu uma resposta verdadeiramente satisfatória.

Há mais de cinquenta anos, a única solução verdadeiramente considerada pela Santa Sé parece ser a das sanções canônicas. Para nosso grande pesar, parece-nos que o direito canônico está sendo usado, assim, não para confirmar a fé, mas para afastá-la.

No texto que se segue, a Fraternidade São Pio X tem a alegria de expressar a Vossa Santidade, filial e sinceramente, sua devoção à fé católica, sem nada ocultar, nem de Vossa Santidade nem da Igreja Universal. A Sociedade coloca esta simples Declaração de Fé em Suas mãos. Parece-nos que corresponde ao mínimo indispensável para estarmos em comunhão com a Igreja e para nos chamarmos verdadeiramente católicos e, consequentemente, Seus filhos.

Não temos outro desejo senão o de viver e sermos confirmados na Fé Católica Romana.

“Assim, permanecendo firmemente enraizados e estabelecidos na verdadeira Fé Católica, esforcemo-nos sempre por ser dignos ministros do divino Sacrifício e da Igreja de Deus, que é o Corpo de Cristo.

Pois, como diz o Apóstolo: ‘tudo o que não provém da fé é pecado’,¹ cismático e fora da unidade da Igreja.”²

DECLARAÇÃO DE FÉ CATÓLICA

Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, Sabedoria divina, Verbo Encarnado, que quiseste uma só religião, que tornou definitivamente nula e sem efeito a Antiga Aliança, que fundou uma só Igreja, que triunfou sobre Satanás, que conquistou o mundo, que permanece conosco até o fim dos tempos e que há de vir para julgar os vivos e os mortos.

Ele, a imagem perfeita do Pai, o Filho de Deus feito homem, foi designado o único Redentor e Salvador do mundo pela Encarnação e pela oferta voluntária do Sacrifício da Cruz. Nosso Senhor satisfez a justiça divina derramando Seu Preciosíssimo Sangue, e é nesse Sangue que Ele estabeleceu a Nova e Eterna Aliança, abolindo a Antiga. Ele é, portanto, o único Mediador entre Deus e os homens e o único caminho para chegar ao Pai. Só quem O conhece conhece o Pai.

Por decreto divino, a Santíssima Virgem Maria esteve direta e intimamente associada a toda a obra da Redenção; negar essa associação — nos termos recebidos da Tradição — é, portanto, alterar a própria noção de Redenção, conforme a vontade da Divina Providência.

Há apenas uma Fé e uma Igreja pelas quais podemos ser salvos. Fora da Igreja Católica Romana, e sem a profissão de Fé que ela sempre ensinou, não há salvação nem remissão dos pecados.

Consequentemente, todo homem deve ser membro da Igreja Católica para salvar sua alma, e há apenas um batismo como meio de incorporação a ela. Essa necessidade diz respeito a toda a humanidade, sem exceção, e abrange, sem distinção, cristãos, judeus, muçulmanos, pagãos e ateus.

O mandato recebido pelos Apóstolos, de pregar o Evangelho a todos os homens e convertê-los à Fé Católica, permanece vinculante até o fim dos tempos e responde à necessidade mais absoluta e premente do mundo. “Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.”³ Portanto, renunciar ao cumprimento desse mandato constitui o mais grave dos crimes contra a humanidade.

Somente a Igreja Romana possui simultaneamente as quatro marcas que caracterizam a Igreja fundada por Jesus Cristo: Unidade, Santidade, Catolicidade e Apostolicidade.

Sua unidade decorre essencialmente da adesão de todos os seus membros à única Fé verdadeira, fielmente preservada, ensinada e transmitida pela hierarquia católica ao longo dos séculos.

A negação de uma única verdade da Fé destrói a própria fé e torna radicalmente impossível toda comunhão com a Igreja Católica.

O único caminho possível para restaurar a unidade entre os cristãos de diferentes confissões consiste no apelo urgente e caridoso dirigido aos não católicos para que professem a única e verdadeira Fé dentro da única e verdadeira Igreja.

A Igreja Católica não pode, de modo algum, ser considerada ou tratada em pé de igualdade com uma forma falsa de culto ou uma igreja falsa.

O Romano Pontífice, Vigário de Cristo, é o único detentor da suprema autoridade sobre toda a Igreja. Somente Ele confere diretamente aos demais membros da hierarquia católica jurisdição sobre as almas.

“O Espírito Santo não foi prometido aos sucessores de Pedro para que, por sua revelação, dessem a conhecer uma nova doutrina, mas para que, com sua assistência, pudessem guardar inviolavelmente e expor fielmente a revelação transmitida pelos Apóstolos, isto é, o Depósito da Fé.”⁴

A uma Fé única corresponde uma forma única de culto, a suprema, autêntica e perfeita expressão dessa mesma Fé. A Santa Missa é a perpetuação no tempo do Sacrifício da Cruz, oferecido por muitos e renovado sobre o altar. Embora oferecida de maneira incruenta, a Santa Missa é essencialmente expiatória e propiciatória. Nenhuma outra forma de culto oferece adoração perfeita. Nenhuma outra forma de culto que não seja ordenada a ela é agradável a Deus. Nenhum outro meio é suficiente para a santificação das almas.

Consequentemente, a Santa Missa não pode, de modo algum, ser reduzida a uma mera comemoração, a uma refeição espiritual, a uma assembleia sagrada celebrada pelo povo, à celebração do mistério pascal sem sacrifício, sem satisfação da justiça divina, sem expiação dos pecados, sem propiciação e sem a Cruz.

O auxílio oferecido às almas pelos Sacramentos da Igreja Católica é suficiente em todas as circunstâncias e em todas as épocas para permitir que os fiéis vivam em estado de graça.

A lei moral contida no Decálogo e aperfeiçoada no Sermão da Montanha é a única praticável para alcançar a salvação das almas. Qualquer outro código moral — fundado, por exemplo, no respeito à criação ou nos direitos da pessoa humana — é radicalmente insuficiente para santificar e salvar as almas. De modo algum pode substituir a única e verdadeira lei moral.

Seguindo o exemplo de São João Batista, a verdadeira caridade nos obriga a advertir os pecadores e a jamais renunciar aos meios necessários para salvar suas almas.

Aquele que come o Corpo de Nosso Senhor e bebe o Seu Sangue em estado de pecado, come e bebe a sua própria condenação, e nenhuma autoridade pode alterar esta lei contida nos ensinamentos de São Paulo e na Tradição.

Os pecados de impureza que são contra a natureza são de tal gravidade que sempre e em todas as circunstâncias clamam a Deus por vingança, e são radicalmente incompatíveis com toda forma de autêntico amor cristão. Tal "estilo de vida" não pode, portanto, ser reconhecido como um dom de Deus. Um casal que pratica esse vício deve ser ajudado a libertar-se dele e não pode, de modo algum, ser abençoado — formal ou informalmente — por ministros da Igreja.

A submissão das instituições e das nações, como tais, à autoridade de Nosso Senhor Jesus Cristo decorre diretamente da Encarnação e da Redenção. Portanto, o secularismo das instituições e das nações constitui uma negação implícita da divindade e da realeza universal de Nosso Senhor.

A Cristandade não é um mero fenômeno histórico, mas a única ordem desejada por Deus entre os homens.

Não cabe à Igreja conformar-se ao mundo, mas sim ao mundo ser transformado pela Igreja.

É nesta Fé e nestes princípios que pedimos para sermos instruídos e confirmados por Aquele que recebeu o carisma para tal. Com a ajuda de Nosso Senhor, preferimos morrer a renunciá-los. É nesta Fé imutável que desejamos viver e morrer, na esperança de que ela nos conduza à visão direta da imutável Verdade eterna.

Menzingen, 14 de maio de 2026,

na Festa da Ascensão de Nosso Senhor

Davide Pagliarani


1Rom. 14:23

2 Pontifical Romano, Admoestação aos ordenandos ao subdiaconato

3Marcos 16:16

4 Pastor Aeternus, cap. 4


 

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Mulheres e o Declínio do Casamento






Quando escrevi meu livro "Ética Católica para Economia" e sugeri uma doutrina econômica que chamei de Familiarismo, argumentei amplamente sobre o impacto da ausência do pai na família, sobre como esta ausência influencia perversamente o desenvolvimento ético, religioso e profissional dos filhos.

Mas há também o lado feminino.  

Os dois primeiros gráficos acima revelam aspectos assustadores decorrentes do feminismo. Enquanto, o terceiro diz que mulheres casadas e com filhos se dizem mais felizes.

O primeiro gráfico mostra que em 1975, 91% das mulheres estavam casadas aos 30 anos. Hoje em dia, apenas 25%. Os homens, então, ajudados pelo feminismo da liberalização sexual, se casam ainda menos aos 30 anos, apenas 16%,

O segundo gráfico mostra que o desprezo pelo casamento está estreitamente relacionado à busca por uma carreira profissional. Há cada vez mais mulheres graduadas e elas são cada vez mais solteiras.

As mulheres já costumam ser maioria nas universidades.

Qual é o resultado disso? 
Resposta: Abortos, população se reduzindo, perda de cultura de uma sociedade, perda de fé, mãe e pai de pets, aumento de uso antidepressivos, de drogas, de gayzismo, de solidão e de suicídios. 

Os políticos e o "mercado" sabem disso: as pessoas estão se casando cada vez menos. 

Adultos de 30 anos, sem filhos nem família, se apegam a quê?

Resposta: ao trabalho, à política, aos políticos, a entretenimentos, a drogas, a remédios.

Se um político disser que é contra o aborto, ele arrisca perder entre 50% ou mais do eleitorado.

O caso de Trump é bem revelador. Trump se declarou pró-vida, colocou na Suprema Corte só juízes pró-vida, participou como presidente da Marcha pela Vida, defende a vida e família tradicional na ONU, e revogou leis que financiam o aborto dentro e fora dos Estados Unidos. 

Mas Trump é atacado pelo movimento pró-vida por apoiar a fertilização in vitro, que resulta na morte de milhões de embriões.

Ora, ora, a mulher se entrega à carreira dos 20 aos 40, depois bate um desespero do útero vazio e deseja ter filho. O que faz, já que a idade é bem problemática?  Usa a fertilização in vitro, para tentar gerar uma criança, enquanto joga embriões fora.

Se Trump for completamente pró-vida, além de perder votos de jovens (homens e mulheres), ele perde votos de mulheres mais velhas.

Ele está certo eticamente? Não. Mas ele, como político, já arriscou muito em ser contra o aborto.