domingo, 13 de setembro de 2026

Palavras de Padre Prevost (Leão XIV) Quando Ocorreram Ataques 11/9

Vi esse post de Rich Raho (professor de teologia católica) sobre o que o então Padre Prevost disse no período em que ocorreram os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001. 

Infelizmente são palavras bem estúpidas que não reconhecem o terrorismo islâmico, e que são típicas de ideólogos de esquerda. No mesmo dia dos ataques já se sabia que  eram ataques terroristas islâmicos feitos pela Al Qaeda. Essas palavras tornam-se ainda mais absurdas e radicais pelo contexto, pois, na época em que foram ditas, todos os políticos americanos, sejam de esquerda ou de direita, apoiavam a guerra contra o terrorismo islâmico.  

Sem falar, é claro que os ataques foram contra o país do próprio Prevost e vitimaram milhares de cidadãos conterrâneos de Prevost, incluindo o padre Mychael Judge.

Traduzindo as palavras do atual Papa, ele disse:

"Não podemos deixar de lembrar os trágicos eventos que abalaram os Estados Unidos em 11 de setembro. A violência que o mundo testemunhou na semana passada nos Estados Unidos é uma expressão trágica de uma série de problemas que estão se tornando cada vez mais graves em todos os lugares. O ódio e a violência continuarão a crescer enquanto tantas pessoas forem forçadas a viver em extrema pobreza e oprimidas por tantas formas de injustiça.”

Resolvi checar  a veracidade dessas palavras. Perguntei ao Copilot se essas palavras foram realmente ditas pelo atual Papa e, se sim, quando e onde.

Resposta:

Sim. Essas palavras foram proferidas pelo então Pe. Robert Francis Prevost, hoje Papa Leão XIV, em 21 de setembro de 2001, durante a Missa de encerramento do 180.º Capítulo Geral Ordinário da Ordem de Santo Agostinho, celebrada na Igreja de Santa Maria del Popolo, em Roma. [vaticannews.va]

O contexto era o dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, ocorridos apenas dez dias antes. Durante a homilia, Prevost afirmou:

“Não podemos deixar de recordar os trágicos acontecimentos que abalaram os Estados Unidos no dia 11 de setembro. A violência que o mundo testemunhou na semana passada nos Estados Unidos é uma expressão trágica de uma série de problemas que se tornam cada vez mais graves em toda a parte. O ódio e a violência continuarão a crescer enquanto tantas pessoas forem obrigadas a viver em pobreza extrema e forem oprimidas por tantas formas de injustiça.” [vaticannews.va]

À época, o Pe. Prevost acabara de ser eleito Prior Geral da Ordem de Santo Agostinho em 14 de setembro de 2001, durante o mesmo Capítulo Geral que decorria em Roma quando ocorreram os atentados. Na homilia de encerramento, defendeu que a resposta cristã não deveria ser a vingança, mas sim o compromisso com a justiça, a paz, a solidariedade e o diálogo. [vaticannews.va]

Resumo

Fonte: artigo da Vatican News, publicado em 11 de setembro de 2026, intitulado The Popes and 9/11: Christ's light in history's darkest hour. [vaticannews.va]

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Esses fatos são relevantes para nos mostrar onde mora ou, no mínimo, morava, o coração de Leão XIV.




sábado, 12 de setembro de 2026

Padre Mychael Judge - A Vítima 0001 do 11/9

 


Os ataques terroristas de 11 de setembro completaram 25 anos. Ainda hoje, reverbera a guerra contra o terror, iniciada a partir deste ataque que vitimou quase 3 mil pessoas. Até hoje uso nos meus artigos um manifesto assinado por inúmeros filósofos e teólogos em apoio à guerra ao terror islâmico, cujo texto se fundamenta apenas em um pensador que todos eles respeitavam: Santo Agostinho.

Nas celebrações de 25 anos, descobri um fato que eu não sabia.

A primeira vítima anunciada dos ataques de 11 de setembro foi o padre Mychael Judge, capelão do Corpo de Bombeiros de Nova York. 

A foto acima, mostra o Papa João Paulo II recebendo o capacete do padre Mychael.

A foto abaixo mostra os bombeiros carregando o corpo do padre Mychael.



No post abaixo, vemos o padre Mychael fazendo sua última homilia no dia anterior aos ataques.


Aqui vai a biografia do padre Mychael Judge feita pelo Grok.

Nasceu Robert Emmett Judge em 11 de maio de 1933, no Brooklyn, filho de imigrantes irlandeses do Condado de Leitrim. Era o mais velho de gémeos (a irmã gémea era Dympna) e cresceu em pobreza.

Entrou na Ordem Franciscana ainda jovem, adotou o nome Mychael Fallon Judge e foi ordenado padre em 1961. 

Antes de 11 de setembro, o ministério dele era marcado por proximidade com quem estava à margem: sem-abrigo, doentes de SIDA/HIV (fundou um dos primeiros ministérios católicos nessa área em Nova York), famílias de bombeiros e também a comunidade gay católica. 

Era alcoólico em recuperação, frequentava Alcoólicos Anónimos e era conhecido por um estilo direto, caloroso e pouco formal. 

Em 1992 tornou-se capelão do FDNY. Amigos e colegas descreviam-no como alguém que gostava de estar “onde estava a ação”. 

No dia 11 de setembro de 2001, correu para o World Trade Center com os bombeiros. Estava no átrio da Torre Norte a rezar pelas vítimas e pelos socorristas quando a Torre Sul desabou. Os destroços mataram-no. 

O corpo foi o primeiro a ser formalmente identificado pelo médico-legista, pelo que ficou registado como Vítima 0001. 

A fotografia dos bombeiros a carregarem o corpo tornou-se uma das imagens mais conhecidas daquele dia. Muitos chamam-lhe o “santo do 11 de setembro”. 

Há campanhas para a canonização na Igreja Católica, mas a Arquidiocese de Nova York não abriu o processo. Uma igreja ortodoxa-católica americana canonizou-o em 2002. 

O legado mistura heroísmo no 11 de setembro com uma vida anterior de serviço a pobres e doentes.

Há uma rua em Manhattan com o nome dele, o capacete de bombeiro foi oferecido a João Paulo II, e o túmulo em Totowa, Nova Jersey, tornou-se local de visita. 


sábado, 5 de setembro de 2026

Os 255 Dogmas da Igreja Católica


Dogmas de fé não podem ser negados por nenhum católico. É difícil encontrar na internet os 225 dogmas da Igreja Católica, mas hoje vi uma publicação no X que fez um resumo deles. Estava em inglês, mas aqui vai a tradução.

A Igreja Católica não publica uma lista oficial dos dogmas, mas, em geral, recorre-se à obra de Ludwig Ott, que fez a coleta dos dogmas infalivelmente declarados pela Igreja na obra Fundamentals of Catholic Dogma.

Meditemos sobre eles, muitos são bem difíceis teologicamente.

Os 255 dogmas infalivelmente declarados da fé católica.
  1. Deus, nosso Criador e Senhor, pode ser conhecido com certeza, pela luz natural da razão, a partir das coisas criadas. 
  2. A existência de Deus não é apenas objeto do conhecimento racional natural, mas também objeto da fé sobrenatural. 
  3. A natureza de Deus é incompreensível para os homens. 
  4. Os bem-aventurados no Céu possuem um conhecimento intuitivo imediato da Essência Divina. 
  5. A visão imediata de Deus transcende o poder cognitivo natural da alma humana e é, portanto, sobrenatural. 
  6. A alma, para a Visão Imediata de Deus, necessita da luz da glória. 
  7. A Essência de Deus é também incompreensível para os bem-aventurados no Céu. 
  8. Os atributos divinos são realmente idênticos entre si e com a Essência Divina. 
  9. Deus é absolutamente perfeito. 
  10. Deus é a própria perfeição infinita. 
  11. Deus é absolutamente simples. 
  12. Existe um só Deus. 
  13. O Deus Uno é, no sentido ontológico, o Verdadeiro Deus. 
  14. Deus possui um poder infinito de conhecimento. 
  15. Deus é a própria Verdade. 
  16. Deus é absolutamente fiel. 
  17. Deus é absolutamente bom em sentido ontológico, tanto em si mesmo quanto em relação às outras coisas. 
  18. Deus é a Bondade Moral absoluta ou Santidade. 
  19. Deus é o Bem supremo. 
  20. Deus é absolutamente imutável. 
  21. Deus é eterno. 
  22. Deus é imenso, ou absolutamente incomensurável. 
  23. Deus está presente em toda parte do espaço criado. 
  24. O conhecimento de Deus é infinito. 
  25. Deus conhece todas as coisas possíveis por meio do conhecimento de sua própria essência infinitamente perfeita (scientia simplicis intelligentiae). 
  26. Deus conhece todas as coisas reais, passadas, presentes e futuras (scientia visionis). 
  27. Pelo conhecimento das ações livres futuras (scientia visionis), Deus prevê com certeza infalível os atos livres das criaturas racionais. 
  28. A Vontade Divina é infinita. 
  29. Deus ama a si mesmo necessariamente, mas ama e quer livremente a criação das coisas extra-divinas. 
  30. Deus é todo-poderoso. 
  31. Deus é o Senhor dos céus e da terra. 
  32. Deus é infinitamente justo. 
  33. Deus é infinitamente misericordioso. 
  34. Em Deus há Três Pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Cada uma das Pessoas possui a mesma e única Essência Divina. 
  35. Em Deus existem duas Processões Divinas internas. 
  36. As Pessoas Divinas, e não a Natureza Divina, são o sujeito das processões divinas internas (na ativa e na passiva). 
  37. A Segunda Pessoa Divina procede da Primeira Pessoa Divina por geração. Por isso, é verdadeiramente Filho do Pai. 
  38. O Espírito Santo procede do Pai e do Filho como de um único princípio, mediante uma única espiração. 
  39. O Espírito Santo não procede por geração, mas por espiração. 
  40. As relações em Deus são realmente idênticas à Essência Divina. 
  41. As Três Pessoas Divinas estão umas nas outras. 
  42. Todas as ações externas de Deus são comuns às Três Pessoas Divinas. 
  43. Tudo o que existe fora de Deus foi produzido do nada por Deus. 
  44. Deus foi movido pela sua bondade a criar o mundo. 
  45. O mundo foi criado para a glorificação de Deus. 
  46. As Três Pessoas Divinas são o único princípio comum da criação. 
  47. Deus criou o mundo sem compulsão externa e sem necessidade interna. 
  48. Deus criou um mundo bom. 
  49. O mundo teve um começo no tempo. 
  50. Somente Deus criou o mundo. 
  51. Deus conserva todas as coisas na existência. 
  52. Deus, por sua providência, protege e governa tudo o que criou. 
  53. O primeiro homem foi criado por Deus. 
  54. O homem consiste em duas partes essenciais: uma alma espiritual e um corpo material. 
  55. Todo ser humano possui uma alma individual. 
  56. Deus conferiu ao homem um destino sobrenatural. 
  57. Os nossos primeiros pais, antes da queda, eram adornados com a graça santificante. 
  58. Também receberam o domum immortalitatis, isto é, o dom da imortalidade corporal. 
  59. Os nossos primeiros pais não pecaram por uma transgressão proveniente da concupiscência desordenada. 
  60. Pelo primeiro pecado, os nossos primeiros pais perderam a graça santificante e provocaram a ira e a indignação de Deus. 
  61. Pelo primeiro pecado, os nossos primeiros pais ficaram sujeitos ao domínio do demónio. 
  62. O pecado de Adão é transmitido à sua posteridade, não por imitação, mas por descendência. 
  63. O pecado original é realmente transmitido por geração natural. 
  64. No estado de pecado original, o homem está privado da graça santificante e de tudo o que dela decorre, bem como do dom preternatural da integridade. 
  65. As almas dos que morrem em estado de pecado original são excluídas da visão beatífica de Deus. 
  66. No início dos tempos, Deus criou seres espirituais (anjos) do nada. 
  67. A natureza dos anjos é espiritual. 
  68. A segunda tarefa dos anjos bons é a proteção dos homens e o auxílio à sua salvação. 
  69. O demónio possui domínio sobre o homem em consequência do pecado de Adão. 
  70. Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro Filho de Deus. 
  71. Cristo assumiu um corpo real, e não um corpo aparente. 
  72. Cristo assumiu não apenas um corpo, mas também uma alma racional. 
  73. Cristo foi verdadeiramente gerado e nasceu de uma filha de Adão. 
  74. Cristo nasceu verdadeiramente da Virgem Maria, filha de Adão. 
  75. As naturezas divina e humana estão unidas hipostaticamente em Cristo, isto é, unidas uma à outra numa única Pessoa. 
  76. Cristo Encarnado é um só indivíduo, uma única Pessoa. Ele é Deus e homem ao mesmo tempo. 
  77. O Verbo de Deus tornou-se carne pela sua união hipostática substancial com a natureza humana criada por Deus. 
  78. As ações humanas e divinas atribuídas a Cristo nas Sagradas Escrituras e nos Padres da Igreja não devem ser atribuídas a duas pessoas, mas ao Deus-Homem único e mesmo, o Verbo Divino. É o próprio Logos Divino que sofreu na carne, foi crucificado, morreu e ressuscitou. 
  79. A Santíssima Virgem é a Mãe de Deus, porque gerou segundo a carne o Verbo de Deus feito homem. 
  80. Na União Hipostática, cada uma das duas naturezas de Cristo permanece íntegra, sem alteração e sem mistura com a outra. 
  81. Cada uma das duas naturezas de Cristo possui a sua própria vontade natural e o seu próprio modo natural de operação. 
  82. A União Hipostática da natureza humana de Cristo com o Logos Divino ocorreu no momento da conceção. 
  83. A União Hipostática nunca terminará. 
  84. A União Hipostática foi efetuada pelas Três Pessoas Divinas agindo em comum. 
  85. Apenas a Segunda Pessoa Divina se tornou homem. 
  86. Cristo é não somente Deus, mas também, enquanto homem, o Filho natural de Deus. 
  87. O Deus-Homem Jesus Cristo deve ser venerado com um único ato de culto de adoração (latria), o culto absoluto que é devido somente a Deus. 
  88. As características humanas e as atividades divinas de Cristo devem ser atribuídas à única Pessoa divina de Cristo. 
  89. Cristo estava livre de todo pecado, tanto do pecado original como de qualquer pecado pessoal. 
  90. A natureza humana de Cristo era passível, isto é, capaz de sentir e sofrer. 
  91. O Filho de Deus fez-se homem para redimir a humanidade. 
  92. O homem decaído não podia redimir-se a si mesmo. 
  93. O Deus-Homem Jesus Cristo é o Sumo Sacerdote. 
  94. Cristo ofereceu-se na Cruz como verdadeiro e próprio sacrifício. 
  95. Por meio do seu sacrifício na Cruz, Cristo resgatou-nos e reconciliou-nos com Deus. 
  96. Cristo morreu não apenas pelos predestinados. 
  97. A expiação de Cristo estende-se aos homens decaídos em geral. 
  98. Pela sua Paixão e Morte, Cristo mereceu recompensa de Deus. 
  99. Após a sua morte, a alma de Cristo, separada do corpo, desceu ao mundo inferior (mansão dos mortos). 
  100. Ao terceiro dia após a sua morte, Cristo ressuscitou gloriosamente dos mortos. 
  101. Cristo ascendeu ao Céu e está sentado à direita do Pai. 
  102. Maria é verdadeiramente a Mãe de Deus. 
  103. Maria foi concebida sem pecado original. 
  104. Maria concebeu pelo Espírito Santo sem cooperação de homem. 
  105. Maria deu à luz sem violação da sua integridade virginal. 
  106. Também após o nascimento de Jesus, Maria permaneceu Virgem. 
  107. Maria foi Virgem antes, durante e depois do nascimento de Jesus Cristo. 
  108. Maria foi assunta ao Céu em corpo e alma. 
  109. Existe uma intervenção sobrenatural de Deus nas faculdades da alma, que precede o ato livre da vontade. 
  110. Existe uma influência sobrenatural de Deus nas faculdades da alma que coincide, no tempo, com o ato da vontade. 
  111. Para todo ato interno sobrenatural salvífico, a graça de Deus (gratia elevans) é absolutamente necessária. 
  112. A graça sobrenatural interna é absolutamente necessária para o início da fé e da salvação. 
  113. Sem a ajuda especial de Deus, o homem justificado não pode perseverar até ao fim no estado de justificação. 
  114. A pessoa justificada não é capaz, por suas próprias forças, de evitar por muito tempo todos os pecados veniais. 
  115. Mesmo no estado de natureza decaída, o homem pode, pelo seu poder intelectual natural, conhecer verdades religiosas e morais. 
  116. Para a realização de um ato moralmente bom sem a graça santificante, não é necessária uma graça atual. 
  117. No estado de natureza decaída, é moralmente impossível ao homem sem a Revelação sobrenatural conhecer, fácil e seguramente, sem mistura de erro, todas as verdades religiosas e morais naturais. 
  118. A graça não pode ser merecida por atos naturais, quer de condigno, quer de congruo. 
  119. Deus concede a todos graça suficiente (gratia vere et mere sufficiens) para a observância dos Mandamentos Divinos. 
  120. Deus, por um decreto eterno da sua vontade, predestinou certos homens à bem-aventurança eterna. 
  121. Deus, pelo seu conhecimento eterno e infalível, predestinou à condenação apenas em razão dos pecados previstos (post praevisa merita). 
  122. A vontade humana permanece livre sob a influência da graça eficaz, a qual não é irresistível. 
  123. Existe uma graça que é verdadeiramente suficiente e que, ainda assim, permanece ineficaz (gratia vere et mere sufficiens). 
  124. O pecador pode e deve preparar-se para a receção da graça pela ajuda da graça atual. 
  125. A justificação de um adulto não é possível sem fé. 
  126. Além da fé, outros atos de disposição devem estar presentes. 
  127. A graça santificante santifica a alma. 
  128. A graça santificante torna o justo amigo de Deus. 
  129. A graça santificante faz do homem um filho de Deus e confere-lhe direito à herança do Céu. 
  130. As três virtudes teologais de Fé, Esperança e Caridade são infundidas juntamente com a graça santificante. 
  131. Sem uma Revelação Divina especial, ninguém pode saber com certeza de fé que se encontra em estado de graça. 
  132. O grau da graça justificante não é idêntico em todos os justos. 
  133. A graça pode ser aumentada pelas boas obras. 
  134. A graça pela qual uma pessoa é justificada pode ser perdida, e perde-se por todo pecado grave (mortal). 
  135. Pelas suas boas obras, o justificado adquire realmente direito a uma recompensa sobrenatural de Deus. 
  136. O justo merece para si, por cada boa obra, um aumento da graça santificante, da vida eterna (se morrer em estado de graça) e um aumento da glória celeste. 
  137. A Igreja foi fundada pelo Deus-Homem Jesus Cristo. 
  138. O nosso Redentor conserva Ele próprio, com poder divino, a sociedade por Ele fundada, a Igreja. 
  139. Cristo é a Cabeça Divina da Igreja, seu Corpo Místico. 
  140. Cristo fundou a Igreja para continuar a obra da redenção por todo o tempo. 
  141. Cristo dotou a sua Igreja de uma constituição hierárquica. 
  142. Os poderes dos Apóstolos passaram aos bispos. 
  143. Cristo nomeou o Apóstolo Pedro como o primeiro entre os Apóstolos e como a cabeça visível de toda a Igreja, conferindo-lhe imediatamente e pessoalmente o primado de jurisdição. 
  144. De acordo com a instituição de Cristo, Pedro deve ter sucessores no seu primado sobre toda a Igreja até ao fim dos tempos. 
  145. Os sucessores de Pedro no primado são os bispos de Roma. 
  146. O Papa possui poder pleno e supremo de jurisdição sobre toda a Igreja, não apenas em matérias de fé e moral, mas também na disciplina e no governo da Igreja. 
  147. O Papa é infalível quando fala ex cathedra. 
  148. Em virtude do direito divino, os bispos possuem um poder ordinário de governo sobre as suas dioceses. 
  149. Cristo é a Cabeça da Igreja. 
  150. Na decisão final sobre doutrinas relativas à fé e à moral, a Igreja é infalível. 
  151. A infalibilidade da Igreja estende-se formalmente apenas às verdades reveladas cristãs relativas à fé e à moral. 
  152. O conjunto dos bispos é infalível quando, reunidos em concílio geral ou dispersos pelo mundo, propõem um ensinamento sobre fé ou moral a ser sustentado por todos os fiéis. 
  153. A Igreja fundada por Cristo é única. 
  154. A Igreja fundada por Cristo é santa. 
  155. A Igreja fundada por Cristo é católica. 
  156. A Igreja fundada por Cristo é apostólica. 
  157. A pertença à Igreja é necessária para a salvação de todos os homens. 
  158. É lícito e proveitoso venerar os santos que estão no Céu e invocar a sua intercessão. 
  159. É lícito e proveitoso venerar as relíquias dos santos. 
  160. É lícito e proveitoso venerar as imagens dos santos. 
  161. Os fiéis na Terra podem ajudar as almas do Purgatório através das suas intercessões (sufrágios). 
  162. Os sacramentos da Nova Aliança contêm a graça que significam e conferem-na àqueles que não colocam obstáculo. 
  163. Os sacramentos atuam ex opere operato (simplesmente pelo facto de a ação sacramental ser realizada). 
  164. Todos os sacramentos da Nova Aliança conferem graça santificante aos que os recebem. 
  165. Três sacramentos, o Batismo, a Confirmação e a Ordem, imprimem um caráter, isto é, um sinal espiritual indelével, e por essa razão não podem ser repetidos. 
  166. O caráter sacramental é uma marca espiritual impressa na alma. 
  167. O caráter sacramental permanece pelo menos até à morte do seu portador. 
  168. Todos os sacramentos da Nova Aliança foram instituídos por Jesus Cristo. 
  169. Existem sete sacramentos da Nova Lei. 
  170. Os sacramentos da Nova Aliança são necessários para a salvação da humanidade. 
  171. Para a administração válida dos sacramentos, é necessário que o ministro realize a ação sacramental da maneira prescrita. 
  172. Na intenção do ministro deve haver pelo menos a intenção de fazer o que a Igreja faz. 
  173. No caso de destinatários adultos, para uma receção válida ou frutuosa é necessária a disposição moral adequada. 
  174. O Batismo é um verdadeiro sacramento instituído por Jesus Cristo. 
  175. A matéria remota do sacramento do Batismo é água verdadeira e natural. 
  176. O Batismo confere a graça da justificação. 
  177. O Batismo produz a remissão de todos os castigos do pecado, tanto eternos como temporais. 
  178. Mesmo que recebido sem fruto espiritual, o Batismo imprime na alma do destinatário uma marca espiritual indelével, o caráter batismal, e por essa razão o sacramento não pode ser repetido. 
  179. O Batismo pela água (Baptismus fluminis), após a promulgação do Evangelho, é necessário para todos os homens sem exceção para a salvação. 
  180. O Batismo pode ser administrado validamente por qualquer pessoa. 
  181. O Batismo pode ser recebido validamente por qualquer pessoa em estado de peregrinação terrestre que ainda não tenha sido batizada. 
  182. O Batismo das crianças é válido e lícito. 
  183. A Confirmação é um verdadeiro sacramento em sentido próprio. 
  184. A Confirmação imprime na alma uma marca espiritual indelével e, por essa razão, não pode ser repetida. 
  185. O ministro ordinário da Confirmação é somente o Bispo. 
  186. O Corpo e o Sangue de Jesus Cristo estão verdadeira, real e substancialmente presentes na Eucaristia. 
  187. A presença de Cristo na Eucaristia realiza-se pela transformação de toda a substância do pão no seu Corpo e de toda a substância do vinho no seu Sangue. 
  188. Os acidentes do pão e do vinho continuam a existir após a mudança de substância. 
  189. O Corpo e o Sangue de Cristo, juntamente com a sua Alma e a sua Divindade, estão presentes e íntegros na Eucaristia. 
  190. Cristo inteiro está verdadeiramente presente na Eucaristia. 
  191. Enquanto as espécies consagradas subsistem, Cristo está presente nelas. 
  192. Quando as espécies consagradas são divididas, Cristo inteiro está presente em cada uma das partes. 
  193. Depois de concluída a consagração, o Corpo e o Sangue permanecem presentes na Eucaristia de maneira permanente. 
  194. O culto de adoração (latria) deve ser prestado a Cristo presente na Eucaristia. 
  195. A Eucaristia é um verdadeiro sacramento instituído por Cristo. 
  196. A matéria necessária para a consagração da Eucaristia é pão e vinho. 
  197. Pela razão divina, a receção da Eucaristia não é necessária para a salvação de todos. 
  198. A comunhão sob as duas espécies não é necessária para nenhum fiel para a obtenção da salvação. 
  199. O poder de consagrar reside apenas num sacerdote validamente ordenado. 
  200. Para a receção digna da Eucaristia, exige-se o estado de graça, bem como a devida e piedosa disposição do comunicante. 
  201. A Santa Missa é um verdadeiro e próprio sacrifício. 
  202. No Sacrifício da Missa, o Sacrifício de Cristo na Cruz torna-se presente, o seu memorial é celebrado, e o seu valor salvífico é aplicado. 
  203. O Sacrifício da Missa e o Sacrifício da Cruz têm a mesma vítima sacrificial e o mesmo sacerdote que oferece; diferem apenas no modo de oferecer. 
  204. O Sacrifício da Missa não é apenas um sacrifício de louvor e ação de graças, mas também um sacrifício de expiação e impetração. 
  205. A Igreja recebeu de Cristo o poder de perdoar os pecados cometidos após o Batismo. 
  206. Pela absolvição da Igreja, os pecados são verdadeiramente e imediatamente perdoados. 
  207. O poder da Igreja de perdoar os pecados estende-se a todos os pecados sem exceção. 
  208. O exercício do poder da Igreja para perdoar os pecados é um ato judicial. 
  209. O perdão dos pecados que ocorre no Tribunal da Penitência é um verdadeiro e próprio sacramento. 
  210. O arrependimento contrito (contritio) é o principal ato da parte do penitente. 
  211. A preparação sobrenatural para a receção válida do Sacramento da Penitência está associada ao desejo do sacramento (votum sacramenti). 
  212. A contrição proveniente do amor de Deus é uma dor moralmente boa e sobrenatural pelo pecado. 
  213. Pela ordenação divina, todos os pecados graves (mortais), segundo a sua espécie e número, bem como as circunstâncias que alteram a sua natureza, estão sujeitos à obrigação de confissão. 
  214. A confissão dos pecados veniais não é necessária, mas é permitida e útil. 
  215. Todos os castigos temporais do pecado não são sempre remidos por Deus juntamente com a culpa e a pena eterna. 
  216. O sacerdote tem o direito e o dever, de acordo com a natureza dos pecados e a capacidade do penitente, de impor obras salutares e proporcionadas de satisfação. 
  217. As práticas penitenciais extraordinárias, tais como os atos voluntários de penitência e a aceitação paciente das provações enviadas por Deus, possuem valor satisfatório. 
  218. A forma do Sacramento da Penitência consiste nas palavras da absolvição. 
  219. A absolvição, em associação com os atos do penitente, produz o perdão dos pecados. 
  220. O principal efeito do Sacramento da Penitência é a reconciliação do pecador com Deus. 
  221. O Sacramento da Penitência é necessário para a salvação daqueles que caíram em pecado após o Batismo. 
  222. Os únicos possuidores do poder da Igreja para conceder a absolvição são o bispo e o sacerdote. 
  223. A absolvição concedida por diáconos, clérigos de ordens inferiores e leigos não é sacramentalmente válida. 
  224. O Sacramento da Penitência pode ser recebido por qualquer pessoa batizada que, após o Batismo, tenha cometido pecado grave ou venial. 
  225. A Igreja possui o poder de conceder indulgências. 
  226. O uso das indulgências é útil e salutar para os fiéis. 
  227. A Extrema-Unção é um verdadeiro e próprio sacramento instituído por Cristo. 
  228. A matéria remota da Extrema-Unção é o óleo. 
  229. A forma consiste na oração do sacerdote pelo doente, que acompanha a unção. 
  230. A Extrema-Unção confere ao doente a graça santificante para o animar e fortalecer. 
  231. A Extrema-Unção produz a remissão dos pecados graves ainda remanescentes e dos pecados veniais. 
  232. A Extrema-Unção produz, por vezes, o restabelecimento da saúde corporal, se isso for espiritualmente vantajoso. 
  233. Apenas os bispos e os sacerdotes podem administrar validamente a Extrema-Unção. 
  234. A Extrema-Unção só pode ser recebida pelos fiéis que estejam gravemente doentes. 
  235. A Ordem é um verdadeiro e próprio sacramento instituído por Cristo. 
  236. A consagração dos sacerdotes é um sacramento. 
  237. Os bispos são superiores aos sacerdotes. 
  238. O sacramento da Ordem confere graça santificante ao destinatário. 
  239. O sacramento da Ordem imprime um caráter no destinatário. 
  240. O sacramento da Ordem confere ao destinatário um poder espiritual permanente. 
  241. O ministro ordinário de todos os graus da Ordem, tanto sacramentais como não sacramentais, é apenas o bispo validamente consagrado. 
  242. O matrimónio é um verdadeiro e próprio sacramento instituído por Deus. 
  243. O consentimento matrimonial é a causa eficiente do matrimónio. 
  244. O sacramento do Matrimónio concede graça santificante aos contraentes. 
  245. No estado presente da salvação, cada ser humano está sujeito à lei da morte. 
  246. Todos os seres humanos, em virtude do pecado original, estão sujeitos à morte. 
  247. As almas dos justos que, no momento da morte, estão livres de toda a culpa do pecado e de toda a pena do pecado entram no Céu. 
  248. A bem-aventurança do Céu dura para toda a eternidade. 
  249. O grau da perfeição da visão beatífica concedida aos justos é proporcional aos méritos de cada um. 
  250. As almas daqueles que morrem em estado de pecado grave pessoal entram no Inferno. 
  251. O castigo do Inferno dura por toda a eternidade. 
  252. As almas dos justos que, no momento da morte, ainda se encontram oneradas por pecados veniais ou por penas temporais devidas ao pecado entram no Purgatório. 
  253. No fim do mundo, Cristo regressará em glória para pronunciar o Juízo. 
  254. Todos os mortos ressuscitarão no último dia com os seus corpos. 
  255. Cristo, na sua segunda vinda, julgará todos os homens. 

 

domingo, 30 de agosto de 2026

Não Se Desepere com a Hierarquia da Igreja.

 


O filósofo e teólogo católico Peter Kwasniewski respondeu a uma pessoa chamada Nick Cavazos, que desesperou ao ver Leão XIV se colocar do lado da liturgia "Novus Ordo" do Vaticano II, com as mesmas justificativas dos anos 70. Cavazos considerou que já são 6 papas defendendo o "Novus Ordo" (Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Leão XIV) e que a história mostra que não há volta: o destino da liturgia católica é se perder.

A resposta de Kwasniewski foi excepcional e mostrou essa guerra litúrgica atual sob o ponto de vista histórico da Igreja, apesar de ele ter um olhar mais favorável ao Leão XIV do que eu. A resposta dele deve estar nos nossos corações e nos dar esperança e união com tantos católicos que, ao longo da história, sofreram com os erros da hierarquia da Igreja.

Traduzo abaixo:

O tom de desespero do post de Nick Cavazos é injustificado e parece ser fruto de uma compreensão superficial da história da Igreja e do tempo que uma reforma pode levar.

Alguns exemplos:

A controvérsia ariana durou mais de um século, durante o qual algumas igrejas estiveram nas mãos de arianos e outras nas mãos de católicos. A vida litúrgica devia ser um caos, e sabemos por São Basílio Magno que, em alguns lugares, os fiéis foram reduzidos a adorar fora dos templos, no meio do deserto. Se você tivesse nascido perto do início dessa crise e vivido uma vida longa, não teria visto o seu fim. Mesmo assim, você permaneceu fiel à fé nicena.

A controvérsia iconoclasta também durou mais de um século, durante o qual ícones foram destruídos e cristãos que os veneravam foram torturados e, às vezes, martirizados. Houve uma restauração parcial (comparável ao Summorum), depois uma reversão brutal (comparável à Traditionis) e, por fim, um triunfo final da ortodoxia. Novamente, se você tivesse nascido no início desta crise e vivido uma vida muito longa, não teria visto o seu fim; mas isso não era motivo para deixar de venerar ícones e relíquias.

Adiante, os abusos do pluralismo (ocupar múltiplas dioceses), do absenteísmo (ocupar uma diocese, mas nunca residir nela), da investidura (receber dioceses de um rei ou imperador) e das nomeações por recomendação (um homem receber as rendas de múltiplos cargos sem nunca governar como abade) levaram séculos para serem superados, apesar de terem prejudicado enormemente a Igreja.

No âmbito litúrgico: um papa (Clemente VII) autorizou o novo breviário do Cardeal Quiñones, outro (Paulo III) o aprovou em 1536, e um terceiro (Pio V) o suprimiu em 1568 por considerá-lo uma ruptura com a tradição. A interferência de Urbano VIII no breviário, com o objetivo de satisfazer os admiradores barrocos do latim clássico — algo nunca aceito pelas ordens monásticas —, foi parcialmente desfeita por Paulo VI, quando este restaurou alguns dos textos originais da Liturgia Horarum (embora esse livro também apresente seus próprios problemas). O canto gregoriano permaneceu corrompido por séculos antes de suas melodias serem restauradas pelos monges de Solesmes, com o apoio de Pio X.

Poderíamos citar inúmeros exemplos de como problemas, grandes e pequenos, levaram décadas, e às vezes séculos, para serem resolvidos. A história da Igreja não se desenrola na velocidade de tweets e podcasts; ela se assemelha mais à de Deus: “Mas não ignoreis uma coisa, meus amados, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8).

Isso pode não ser consolador para quem sofre com uma situação litúrgica ruim, mas ajuda a manter as coisas em perspectiva, lembrando-nos de que nosso dever é, por um lado, rezar, fazer penitência e implorar a intervenção do Senhor e, por outro, trabalhar por soluções reais e buscar alternativas melhores para nós mesmos (por exemplo, mudando de um lugar para outro). Dessa forma, reconhecemos que Deus é o Senhor da história e que Ele nos deu inteligência e livre-arbítrio para navegar pela crise.

Por fim, é muito enganoso, pois é vago demais, falar em “6 papas que apoiaram o Novus Ordo”. João Paulo I dificilmente conta. Isso nos deixa com Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão XIV.

A primeira diferença fundamental é que Montini, Wojtyla e Ratzinger foram profundamente influenciados pelo rito romano tradicional que celebraram por anos, de modo que, mesmo quando adotaram o novo rito, o celebraram com olhos e mente enraizados na tradição. Em certo sentido, eles impregnaram o corpo do Novus Ordo com uma alma do Vetus Ordo. Ratzinger, é claro, criticou a reforma litúrgica de inúmeras maneiras que não precisamos abordar aqui.

Bergoglio foi o primeiro papa a ser ordenado no novo rito e a nunca ter celebrado o antigo — e isso se refletiu em todos os aspectos. Embora Prévost sofra com o mesmo desenraizamento litúrgico, ele é suficientemente mais jovem para ter escapado de alguns dos maiores absurdos da Era de Aquário e traz para a liturgia um senso de decoro e respeito pela tradição que, francamente, falta muito em muitos clérigos de sua geração.

Meu ponto é que nada disso se resume a "6 papas que rejeitam radicalmente a tradição e desejam, ideologicamente, impor o novo rito a todo custo". O quadro é bem mais complexo (como seria de esperar): Paulo VI expressou pesar pela perda do rito antigo que ele próprio aboliu e já começou a conceder permissões para que o rito antigo continuasse (sem dúvida, temporariamente, em sua visão); João Paulo II abriu essa porta ainda mais com o indulto mundial; Bento XVI escancarou a porta em 2007 e influenciou um grande número de clérigos que celebram ou admiram o Vetus Ordo, que agora ocupa, manifestamente, um lugar permanente na Igreja.

A saga da “renovação litúrgica” na Igreja está longe de terminar e, se eu fosse apostador, apostaria alto no rito antigo neste momento.



sábado, 29 de agosto de 2026

Ideologia Política dos Padres.

 

Interessante gráfico mostrado por Ryan Burge. Se seu padre se tornou padre nos anos 70 e 80, a chance dele ser esquerdista é enorme. Anos 70 e 80 são frutos imediatos do Vaticano II e da Teologia da Libertação.  São pessoas que nasceram basicamente nos anos 60, década que extrapolou o feminismo e exaltou o comunismo e as drogas. 

Por outro lado, entre aqueles que se tornaram padres após 2010, 51% são conservadores.

Os papas de nossos dias basicamente se ordenaram entre as décadas de 60 e 80. Francisco se tornou sacedorte em 1969 e Leão XIV em 1982.

Não sei qual é a base da pesquisa, mas imagino que seja dos Estados Unidos. Mas deve refletir o que ocorre no mundo. 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Leão XIV Mostrou sua Face Litúrgica: Novus Ordo (Vaticano II)


Muitos tradicionalistas esperavam que, com a eleição de Leão XIV, a missa tridentina fosse mais liberada, depois do estrangulamento imposto por Francisco com Traditionis Custodes, de 2021. Muitos, até ótimos católicos, de forma estranha, esperavam que as excomunhões que Leão XIV impôs à Fraternidade de São Pio X, que adota a missa tridentina e condena vários aspectos da liturgia elaborada no Vaticano II, fossem a chave para que Leão XIV liberasse a missa tridentina, pois já teria condenado os que seriam cismáticos.

Ontem, Leão XIV destruiu as esperanças dos tradicionalistas e se mostrou um adepto radical do Vaticano II, a ponto de usar as justificativas da década de 1970 contra a missa tridentina. Justificativas bem frágeis, que se destroem facilmente.

Leão XIV destruiu as esperanças de todos nós, que desejamos que a missa de sempre seja respeitada, ontem em uma Audiência Geral.

Um dos argumentos que mais chamou a atenção de todos foi que ele disse que o Vaticano II reformou a liturgia porque "surgiu a necessidade de os fiéis celebrarem as liturgias de forma mais consciente e ativa, não “como estranhos e espectadores silenciosos, mas participando plenamente do mistério salvífico."

Como assim? Não se participa ativamente da missa tridentina? O ato de silêncio diante do sacrifício da missa não é participação ativa? Os milhares de santos que veneraram a missa tridentina por séculos não agiam de forma consciente, ativa, nem participavam plenamente do mistério salvítico?

Outra coisa que chamou a atenção nas palavras de Leão XIV, foi um "thus" (portanto, então) que normalmente é usado para se concluir uma tese depois de várias premissas. No caso, o "thus" não tinha premissas anteriores, ficou isolado após afirmações soltas.

Esse "thus" mereceu resposta de Dom Alcuin Reid, monge beneditino, estudioso litúrgico reconhecido internacionalmente — cuja tese de doutorado sobre reforma litúrgica foi publicada como "The Organic Development of the Liturgy" (O Desenvolvimento Orgânico da Liturgia), com prefácio do Cardeal Joseph Ratzinger.

Em poucas palavras, Dom Alcuin Reid destruiu os argumentos de Leão XIV, mas, talvez para proteger o papa dele mesmo, partiu do princípio de que Leão XIV estava lendo o texto escrito por outros (drafters). É normal que pessoas muito importantes tenham seus textos redigidos por outros. Eu, inclusive, já tive a função de escrever textos para outros. Mas sempre o fiz da maneira que o líder desejava, a tentar refletir seu pensamento, e o que eu escrevia sempre passava pelo crivo dele próprio. Então, não caio muito nessa. São palavras do Papa e ponto final.

Em todo caso, vale a pena ler o que Dom Alcuin Reid escreveu, clicando aqui. 

Muita gente reagiu no X às palavras do Papa Leão XIV, apesar de que aqueles tradicionalistas que estavam mais esperançosos com Leão XIV até agora estão em silêncio.














quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Papa Francisco 2.0. Francisco 1.0 Ainda Fala.

 


Incrivelmene e tristemente repetitivo é este pontificado!

Em fevereiro de 2016, durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, Papa Francisco,  durante a conferência de imprensa a bordo do avião papal, depois de uma viagem ao México, atacou Trump pessoalmente, que naquele momento era candidato a presidente, e disse: 

“Uma pessoa que pensa só em construir muros, onde quer que seja, e não em construir pontes, não é cristã. Isso não está no Evangelho.  Só digo que este homem não é cristão se disse coisas assim.”

A pergunta de um jornalista referia-se às propostas de campanha de Donald Trump, que incluem construir um muro na fronteira com o México e deportar milhões de imigrantes.

Trump reagiu chamando os comentários de “vergonhosos” e dizendo que era “desonroso” um líder religioso questionar a fé de alguém.

O Papa estava se intrometendo totalmente na disputa presidencial de outro país em apoio a Hillary Clinton (aquela que apoia aborto, casamento gay, cirurgia de mudança de sexo em crianças e não é católica). Como, obviamente, se trata de uma interferência de um país no outro, uma vez que a Santa Sé também é um país, o Vaticano tentou diminuir o impacto e o porta-voz, Padre Federico Lombardi esclareceu que não se tratava de um ataque pessoal nem de uma indicação de voto.  Claro que ninguém deu ouvidos a essa justificativa, pois as palavras do Papa foram muito explícitas.

Agora, diante das invasões terríveis que aconteceram e ainda acontecem na Espanha, foram perguntar ao Papa Leão XIV (melhor conhecido como Papa Francisco 2.0) o que ele achava das propostas europeias de reinmigração de imigrantes ilegais que assombram as cidades, estupram as mulheres e provocam destruição civil e mesmo matam padres.

Sua resposta saiu do túmulo de Francisco: "Reimigração não me parece uma resposta cristã."

Quem se preocupa com sua cidade, com a segurança da população de sua cidade, com os gastos públicos de sua cidade, com o bem-estar da população, com a ética secular e religiosa de sua população, não é um cristão, na cabeça dos dois Franciscos.

A população de Ceuta certamente vai gostar da resposta de Leão XIV diante de milhares de homens fortes e jovens espalhados pelas ruas da cidade.

Na cabeça dos dois Franciscos para justificar sua frase, esses milhares de jovens fogem de guerra e conflitos. Onde? Em Marrocos?  Esses milhares de jovens fogem e deixam as mulheres, esposas e crianças para trás nos conflitos? Que tipo de homem faria isso? Sendo isso, que tipo de homem em busca de apoio para viver melhor em outro país, depois que entram, sai para depredar tudo, estuprar mulheres e jogar lixo nas ruas? 

Desde quando na Doutrina Social da Igreja há essa preocupação de aceitar qualquer um e de tentar impor na população cristã uma população que despreza o cristianismo?

Tomás de Aquino nos falou de quatro leis:
  • eterna (razão de Deus que governa tudo); 
  • divina (lei revelada por Deus nas escrituras); 
  • natural (razão humana alinhada com a razão de Deus); e 
  • humana (regras da sociedade). 

A esta última cabem a aceitação de imigrantes, a determinação do sistema de governo, a definição das regras econômicas, o ordenamento das competências estatais, o ordenamento jurídico penal, etc. A Igreja não costuma (ou não costumava) opinar sobre se o melhor é a monarquia ou o presidencialismo, se devemos nos aposentar aos 65 ou aos 55, ou se devemos aceitar imigrantes de países vizinhos ou não. Isso é da liberdade humana. 

A lei humana possui muita liberdade, fica mais afastada da lei natural. A lei natural só entra no debate se as determinações humanas disserem coisas como homem é igual à mulher, mulher pode ser homem, homem pode ser mulher, as crianças podem ser mortas mesmo depois de nascerem, casamento gay equivale a casamento entre homem e mulher. Esse tipo de coisa de bizarrice diabólica. 

Vocês viram os papas Franciscos dizerem que "não é cristão" aprovar este tipo de bizarrice?

Vivemos tempos em que não sai luz do Vaticano, mas trevas.

Rezemos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Bispo Schneider: FSSPX é a Chave para Começo do Fim do Projeto Modernista


Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão), fez uma Declaração pública sobre os seis bispos da FSSPX em excomunhão automática devido às consagrações episcopais da Fraternidade que foram feitas sem autorização do Papa Leão XIV.

Schneider conhece de perto a FSSPX, tendo trabalhado na avaliação da Fraternidade. Nos meses anteriores às consagrações, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à FSSPX um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação, pediu  ao Papa para agir como um “construtor de pontes” e alertava que a Igreja evitasse uma divisão ainda maior, desnecessária e dolorosa.

Schneider considera que o envolvimento sério do Vaticano com a FSSPX marcaria o “começo do fim” do projeto modernista na Igreja.

A jornalista Diana Montagna publicou a Declaração do bispo Schneider. Traduzo abaixo:

O Dilema Entre Preservar a Integridade Inequívoca da Fé Católica e Ser Canonicamente Reconhecido pelo Papa

Por Dom Athanasius Schneider

É útil recordar um caso da história em que um grande santo se viu diante do seguinte dilema: escolher entre preservar a integridade inequívoca da Fé Católica e ser canonicamente reconhecido pelo Papa. Esse santo foi o Padre da Igreja do século IV, Santo Atanásio de Alexandria.

Em 357, o Papa Libério, após assinar uma fórmula de fé ambígua (omitindo o termo doutrinal crucial “consubstancial”), ordenou a Santo Atanásio que entrasse em comunhão com bispos arianos e semiarianos, bispos com os quais o próprio Papa, sob pressão do imperador, infelizmente havia entrado em comunhão. Santo Atanásio recusou-se a obedecer ao Papa, e este, segundo o testemunho de Santo Hilário de Poitiers e outras fontes históricas, excomungou-o, acusando-o de perturbar a paz da Igreja.

Apesar de ter sido excomungado pelo Papa, Santo Atanásio continuou a governar sua diocese em Alexandria e chegou até mesmo a demonstrar compreensão pelo lamentável comportamento do Papa Libério. Contudo, o Papa São Dâmaso, sucessor de Libério, agradeceu a Santo Atanásio e consultou-o sobre os assuntos dos bispos orientais. O Papa Libério foi o primeiro papa a não ser canonizado, enquanto Atanásio não apenas foi canonizado, como também declarado Doutor da Igreja.

Hoje, Santo Atanásio seria considerado cismático de acordo com a definição de “cisma” presente no atual Código de Direito Canônico, pois recusou-se a estar em comunhão com membros da Igreja (bispos hereges e semi-hereges) que eram canonicamente reconhecidos e, portanto, sujeitos ao Papa.

As consagrações episcopais realizadas em Écône pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em 1º de julho de 2026 também constituem um exemplo desse raro dilema: ter de escolher entre preservar a integridade inequívoca da Fé Católica, tal como foi ensinada pelo Magistério ao longo dos séculos, ou ser canonicamente reconhecido pelo Papa.

Esse dilema é evidente nas condições associadas ao reconhecimento canônico da FSSPX pelo Papa: ela deve aceitar certas ambiguidades doutrinais recentemente introduzidas (refletidas em alguns ensinamentos não definitivos do Concílio Vaticano II, de caráter pastoral, e em certas afirmações e atos do Magistério pós-conciliar), além de aceitar não apenas a validade, mas também a correção (legitimidade) do rito da Nova Missa, apesar de sua vaguidade doutrinal e ritual, que marcaria uma clara ruptura com o Rito Romano tradicional.

Ao tratar desta questão complexa, é essencial manter uma perspectiva sóbria, esclarecer a terminologia e conservar diante dos olhos o verdadeiro objetivo da Igreja e sua grande tradição, pois essa tradição remonta muito além dos séculos ou décadas mais recentes. Também é necessário considerar situações análogas ocorridas nas grandes crises da história da Igreja.

Há dois desenvolvimentos pouco saudáveis na Igreja ao longo dos últimos séculos que levaram a uma visão estreita da realidade: a tendência de tratar o aspecto jurídico como quase absoluto, isto é, o legalismo; e a tendência de absolutizar a pessoa do Papa e a obediência a ele, isto é, o papalismo.

O legalismo, ou seja, a adesão rígida à letra da lei, e o papalismo, isto é, a obediência indiferenciada e quase absoluta ao Papa, passaram a ser priorizados acima da necessidade de clareza e ausência de ambiguidades na fé e na liturgia.

Entretanto, durante todas as grandes crises doutrinais da história da Igreja, a regra fundamental foi evitar qualquer forma de ambiguidade doutrinal. Isso ocorreu, por exemplo, no caso do Papa Honório I, cujas cartas doutrinariamente ambíguas, emitidas como parte de seu Magistério ordinário, foram firmemente condenadas por papas posteriores e por três Concílios Ecumênicos, apesar das tentativas de seu segundo sucessor, o Papa João IV, de formular uma espécie de hermenêutica da continuidade.

Em nossos dias, afirma-se amplamente dentro da Igreja que não pode surgir qualquer conflito de consciência entre obedecer ao Papa e preservar a pureza inequívoca da fé. Isso significa, em última análise, que a obediência ao Papa é valorizada de tal modo que se considera preferível aceitar ambiguidades em questões de fé e de ritos litúrgicos do que agir contra uma ordem papal, embora essa ordem seja humana e possa conter falhas.

Além disso, surgiu também uma compreensão estreita da comunhão, seja com o Papa, seja com a Igreja. A obediência ao Papa passa a ser vista como indistinguível da comunhão com a Igreja. Isso corre o risco de elevar a obediência ao Papa ao mesmo nível da obediência à Revelação divina de Deus.

É preciso também distinguir entre o direito positivo, isto é, as leis disciplinares promulgadas pela autoridade humana da Igreja, e a Lei Divina, ou seja, as verdades da fé reveladas por Deus. Ninguém pode contradizer a Lei Divina e permanecer católico. Em circunstâncias verdadeiramente extraordinárias e raras, porém, um católico pode ser obrigado em consciência a agir contra o direito positivo precisamente para permanecer absolutamente fiel à Lei Divina.

Os próprios conceitos de “cisma” e “submissão” ainda não foram plenamente esclarecidos em sua aplicação concreta e prática. O Código de Direito Canônico (cânon 751) define cisma como “a recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos”.

Na realidade, surgiu na história recente da Igreja uma compreensão muito estreita desses termos, na qual a desobediência material ao Papa, independentemente da intenção, é praticamente equiparada ao cisma formal.

Também é preciso considerar o estado de cisma formal, que significa a rejeição, em princípio, da autoridade papal mediante o estabelecimento de uma hierarquia separada, como ocorreu com a Igreja Ortodoxa Grega em 1054 e, posteriormente, com numerosos grupos sedevacantistas até os nossos dias.

Contudo, não se pode falar de um estado de cisma formal enquanto permanecer a fé sobrenatural no dogma da primazia e da infalibilidade papais, juntamente com o desejo de viver em submissão concreta à autoridade do Papa, mesmo que isso não possa ser plenamente realizado devido a uma crise extraordinária na Igreja.

Tal crise extraordinária pode envolver um obscurecimento temporário ou uma suspensão prática do principal dever do ministério papal: defender e proclamar, de forma inequívoca, a integridade da fé e da liturgia católicas.

O mesmo se aplica ao conceito de estar “em comunhão” com o Papa. Durante um período muito longo, ordenações episcopais eram realizadas sem o envolvimento direto do Papa, e as igrejas particulares e os bispos expressavam sua comunhão com ele de diversas maneiras. Somente mais tarde na história da Igreja os papas passaram a exigir que toda ordenação episcopal ocorresse com mandato pontifício.

Mesmo após essa mudança, contudo, o direito canônico não considerava as ordenações episcopais ilícitas, isto é, realizadas contra a vontade do Papa, como ofensas contra a unidade da Igreja, atos intrinsecamente cismáticos ou males intrínsecos. Ainda hoje, o atual Código de Direito Canônico inclui as ordenações episcopais ilícitas entre os delitos relativos à celebração dos sacramentos ou as classifica como atos de usurpação de ofício.

Na verdade, a norma que exige mandato papal para consagrações episcopais pertence ao direito positivo, não à Lei Divina. Caso contrário, essa norma teria sido observada durante toda a história da Igreja, sempre, em toda parte e por todos, sem exceção.

Certamente, o mandato pontifício para consagrações episcopais é normalmente necessário e foi sabiamente estabelecido para assegurar melhor a submissão hierárquica do episcopado ao Papa.

A natureza extraordinária da atual crise da Igreja se revela, neste caso, pelo fato de que uma comunidade cuja característica essencial é justamente o desejo de ser fiel ao Papa, e a Fraternidade São Pio X considera-se assim, enfrenta uma escolha trágica: ou obedecer ao Papa e, com isso, ser forçada a aceitar aspectos doutrinais e litúrgicos incertos e obscuros; ou desobedecer ao Papa em matéria grave, como a consagração de bispos, com a única intenção de preservar os meios de transmitir a fé e a liturgia em sua plena integridade, a serviço das almas e, portanto, da Igreja inteira, incluindo o próprio papado.

Também não se deve ignorar a extensão total da crise atual da Igreja, mas examiná-la honestamente até suas raízes. Essas raízes estariam em determinadas afirmações doutrinais vagas e ambíguas do Concílio Vaticano II, que, ao longo dos últimos sessenta anos, teriam semeado confusão, como o relativismo doutrinal decorrente do ensinamento e da prática do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, que teriam contribuído para enfraquecer a compreensão da unicidade de Jesus Cristo e de sua Igreja como único caminho de salvação.

Além disso, certas falhas doutrinais e rituais da reforma litúrgica, com suas tendências protestantizantes, teriam obscurecido a natureza central da Missa como sacrifício e seu foco cristocêntrico.

São John Henry Newman fez a seguinte observação notável e oportuna:

“Os bispos, quando não ensinam formalmente [ex cathedra], podem errar, como verificamos que erraram no século IV. O Papa Libério pôde assinar uma fórmula eusebiana [ariana] em Sírmio, e a massa dos bispos em Arímino [Rimini] ou em outros lugares, e ainda assim, apesar desse erro, eles poderiam permanecer infalíveis em suas decisões ex cathedra.”

(Arians of the Fourth Century, Londres, 1876, p. 464)

Aquilo que o Bispo de Ratisbona, Dom Rudolf Graber, afirmou há mais de cinquenta anos caracteriza ainda mais a situação atual da Igreja:

“O que aconteceu há mais de 1600 anos está se repetindo hoje, mas com duas ou três diferenças: Alexandria hoje é toda a Igreja Universal, cuja estabilidade está sendo abalada; e aquilo que então foi realizado mediante força física e crueldade agora é transferido para outro plano. O exílio foi substituído pelo banimento ao silêncio do esquecimento; o assassinato físico, pela destruição da reputação.”

(Athanasius and the Church of Our Time, Edimburgo, 1974, p. 23)

A FSSPX é praticamente a única comunidade na Igreja atual que chama atenção abertamente para as evidentes ambiguidades doutrinais presentes em determinadas declarações conciliares e no rito da Nova Missa, exigindo esclarecimento inequívoco e, se necessário, correção, em conformidade com o Magistério constante da Igreja.

A “hermenêutica da continuidade” ou da “reforma na continuidade”, abordagem em si válida e útil, pode também tornar-se uma espécie de “camisa de força”, cobrindo apenas de forma cosmética as feridas causadas pelas ambiguidades e confusões doutrinais e litúrgicas. Na prática, a Santa Sé exigiria uma forma de raciocínio circular: tudo estaria em ordem desde que se realizasse esforço intelectual suficiente para demonstrá-lo.

De fato, mediante sua insistência incansável na clareza doutrinal e litúrgica, a FSSPX prestaria um grande serviço a toda a Igreja, um serviço de valor histórico. Se a Santa Sé levasse essa posição a sério e reconhecesse objetivamente as ambiguidades presentes em certas formulações do Concílio Vaticano II e no rito da Nova Missa, isso marcaria o início do fim do projeto modernista dentro da Igreja, iniciado, segundo essa visão, há mais de cem anos.

A atual crise entre a Santa Sé e a FSSPX também pode ser ilustrada pela seguinte parábola:

Um incêndio começa numa grande casa. O chefe dos bombeiros permite apenas o uso dos novos métodos de combate ao fogo, embora estes tenham se mostrado menos eficazes do que os métodos e ferramentas antigos, já testados. Um grupo de bombeiros desobedece à ordem, continua a utilizar os métodos comprovados e até recruta novos bombeiros, apesar da proibição do chefe. Graças a isso, o incêndio é contido em muitos lugares. Ainda assim, esses bombeiros são rotulados como desobedientes e cismáticos e são punidos por isso.

Prosseguindo com a parábola: o chefe dos bombeiros admite apenas aqueles que reconhecem os novos métodos e obedecem aos novos regulamentos. Contudo, diante da dimensão do incêndio, da luta desesperada para contê-lo e da insuficiência dos métodos oficiais, outros auxiliares intervêm generosamente, apesar da proibição, trazendo habilidade, conhecimento e boa vontade e, no fim, ajudam a salvar justamente a casa que o chefe tentava proteger.

Com o tempo, as circunstâncias históricas mudam e surge um novo chefe dos bombeiros, que reconhece os efeitos infelizes dos novos métodos. Ele não apenas volta a permitir o uso dos métodos antigos e comprovados, mas torna-se seu defensor entusiasta. Também reconhece a contribuição daqueles bombeiros antes incompreendidos, severamente punidos, tratados como párias e expulsos como rebeldes, acolhendo-os novamente em suas fileiras.

Ao final, depois de passada a grande turbulência, aquilo que antes fora condenado como desobediência e rebelião revela-se um ato de dedicação altruísta.

A história revelará um dia se as seguintes palavras de Santo Agostinho se aplicam à situação atual da FSSPX:

“Muitas vezes a Providência divina permite que homens bons sejam expulsos da congregação de Cristo por causa das turbulentas sedições de homens carnais. Quando, por amor à paz da Igreja, suportam pacientemente essa injúria e não introduzem novidades por meio de heresia ou cisma, ensinam aos homens como Deus deve ser servido com verdadeira disposição e com grande e sincera caridade. A intenção desses homens é retornar quando a turbulência cessar. Mas, se isso não lhes é permitido porque a tempestade continua ou porque seu retorno provocaria outra ainda maior, mantêm-se firmes em buscar o bem até mesmo daqueles que causaram os tumultos que os expulsaram. Não formam grupos separados, mas defendem até a morte e sustentam com seu testemunho a fé que sabem ser pregada na Igreja Católica. A esses, o Pai que vê em segredo coroa secretamente. Parece que este é um tipo raro de cristão, mas não faltam exemplos. Assim, a Providência divina utiliza todos os tipos de pessoas como exemplos para o cuidado das almas e para a edificação de seu povo espiritual.”

(De vera religione, 6:11)

Aquilo que Santo Atanásio escreveu aos seus irmãos bispos em todo o mundo durante uma extraordinária crise da fé também se aplica ao nosso tempo:

“Os cânones e decretos da Igreja não foram estabelecidos nos dias atuais, mas nos foram transmitidos corretamente e com firmeza por nossos antepassados. Tampouco a fé teve origem agora; ela nos foi transmitida pelo Senhor por meio de seus discípulos. Portanto, para que as ordenanças preservadas nas Igrejas desde os tempos antigos até agora não se percam em nossos dias, e para que não nos seja cobrada a confiança que nos foi confiada, despertai-vos, irmãos, como administradores dos mistérios de Deus, ao verdes que eles estão sendo agora tomados por estranhos.”

(Carta Encíclica, 1)

Deus, em Sua Providência, escreve certo mesmo com linhas que, de uma perspectiva meramente jurídica, parecem tortas. Que Ele conceda que esse dia chegue logo.

Alegremo-nos em meio às tribulações e digamos:

Eu creio na invencibilidade da Igreja e do Papado, e creio que a Santa Sé um dia voltará a resplandecer diante do mundo inteiro como a Cátedra da verdade.