sexta-feira, 6 de março de 2026

Trump Faz "Guerra do Acerto de Contas"

 

Victor Davis Hanson é um dos melhores historiadores militares do mundo. Seus livros são excelentes. No vídeo acima, ele tenta explicar a doutrina de guerra de Trump.

Assistam ao vídeo. Mas, em resumo, ele disse que Trump representa a defesa dos Estados Unidos, que deplora aqueles países, especialmente seus líderes, que exploram ou prejudicam os Estados Unidos, e que Trump tem foco muito centrado na China.

Panamá negociou com a China poderes sobre o Canal do Panamá. Trump ameaçou o Panamá e destruiu a negociação deles com a China.

Venezuela se tornou fonte de riqueza para a China e a Rússia enquanto os cartéis venezuelanos levavam drogas para os Estados Unidos. Trump entrou no país e tirou seu líder de lá, negociou e afastou a China e a Rússia da Venezuela.

O Irã é o país que mais matou americanos na história, financiava vários grupos terroristas e era a principal fonte de petróleo da China. Trump destruiu as armas nucleares do Irã, matou o líder do país e está a acabar com a fonte de energia da China.

Outras coisas importantes que Hanson disse: 

  1. Trump não quer dominar países, construir nações ou implantar democracia, ele acha que isso é problema do próprio povo.  É o povo que tem de fazer o país "great again".
  2. Trump negocia antes do ataque. Negociou com todos acima antes de atacar;
  3. Trump realiza ataques "top-down". Trump ataca os líderes, e não o povo nem a infraestrutura dos países.
  4. Trump não confia nem usa órgãos multilaterais, seja a ONU ou a OTAN.
  5. Quando entra em guerra, entra com muita força, Trump detesta guerras prolongadas
Em um momento do vídeo, Hanson chamou as guerras de Trump de "wars of reckoning" (guerras de acerto de contas). Países que exploraram os Estados Unidos por longo tempo terão que pagar.

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Eu achei uma ótima análise da doutrina de guerra de Trump. Mas acho que traz uma visão excessivamente materialista. Falta explicar mais a influência da ética.

Para mim, Trump é muito influenciado pela ética cristã. Todos os seus principais assessores de guerra, o vice-presidente, o secretário de Estado e o secretário de Guerra são eloquentes defensores da ética cristã. Ele deplora os líderes europeus que renegam a ética cristã (Macron, Starmer, Sanchez) e é próximo de líderes que exaltam o cristianismo (Meloni, Orban). Por isso mesmo, Trump parece detestar Zelensky, que se apresenta muito próximo do que pensa Macron, enquanto parece aceitar mais Putin, que usa discurso em defesa da ética cristã contra coisas como o gayzismo. Trump também detesta líderes comunistas e cartéis de drogas (Trump não bebe nem cerveja). 

Além disso, Trump é muito movido pelo ego. Ele  deseja responder aos que pedem ajuda a ele. Ele foi, sim, estimulado pelo povo iraniano nas ruas e pelos antigos líderes do Irã que imploravam pela ajuda dos Estados Unidos. Obama deu as costas às manifestações no Irã. Trump não fez isso. Por conta do ego, Trump por vezes fala besteira e até adianta políticas sem acertar previamente e depois esquece.

Finalmente, acrescento, goste ou não goste de Trump, qualquer um que analise o método de Trump, deve primeiro reconhecer que ele é genial (se achar que ele é idiota, você já se perdeu), que ele conhece muito de história, que tem memória de elefante, tem alta capacidade oratória e que ele não pensa como político, pensa mais como empresário com elevado senso de ética. 


quarta-feira, 4 de março de 2026

Cruzadas com o Grande Thomas Madden



Duas horas de conversa com o grande especialista em Cruzadas Thomas Madden. Aproveitemos, o grande Jonathan Riley-Smith já não está entre nós (faleceu em 2016). Madden tem muito a ensinar.

Além de Madden, temos ainda Raymond Ibrahim. Atualmente, estou lendo um livro dele, Defenders of the West, que é sensacional. 

Li mais Riley-Smith, mas recomendo qualquer livro dos três. 



segunda-feira, 2 de março de 2026

A Guerra do Irã e o Direito Internacional


Tenho PhD em Relações Internacionais. Na minha época de aluno de doutorado,  nas aulas de Direito Internacional ministradas por aquele que era considerado a maior autoridade do assunto no Brasil (não vou citar o nome porque já faleceu e eu discordava profundamente dele sobre o assunto) se fazia muita crítica aos Estados Unidos por usar a prisão de Guantánamo para terroristas islâmicos.  O professor e todos os alunos, com exceção da minha parte, atacavam fortemente o governo americano.  

Eu geralmente não falava muito, a menos que fosse perguntado. Eu vinha de mestrado em Economia,  era neófito na área. 

Fora dessa questão da época, todos reconheciam a fragilidade do Direito Internacional. É um direito sem dentes (não há quem faça cumprir as regras), dependente da aceitação das grandes potências (que se fundamentam no realismo político e não no direito, muito menos na ética cristã), com fundamentos que se relacionam muito mal com a realidade e, ainda pior, com a ética cristã. Além disso, o Direito Internacional, em especial da Corte Internacional de Justiça,  carrega todas as piores políticas que saem da ONU.

Se há dificuldade de enquadrar os critérios da Teoria da Guerra Justa  na Guerra contra o Irã (já falei do tema em outro post), especialmente o critério de causa justa (uma vez que não havia causa imediata para se atacar o Irã, a não ser causa histórica ou possível ofensa do regime iraniano no futuro), o que se pode dizer do Direito Internacional, que filosoficamente tem fundamento em Kant e suas ideias de não-intervenção, desprezo pela metafísica e exaltação da necessidade de um poder global?

Na TV, muitos "especialistas" se apegam ao Direito Internacional para detonar a ação dos Estados Unidos e Israel, ao tratar este direito como se fosse a expressão máxima da ética global e a tratar a ONU como baluarte ético.

Quando eu dava aula de lógica, eu gostava de usar uma frase de um dos grandes brasileiros do Direito Internacional, Rui Barbosa, que disse: "Sem lei não há salvação". Eu pedia aos meus alunos para explicar por que esta frase, em termos lógicos,  não diz nada, é um vácuo. 

Mas hoje eu li um artigo interessante no The Spectator inglês, que fala disso, de como o Direito Internacional deveria lidar com a Guerra do Irã. Eu concordo plenamente com o artigo, escrito pelo escocês Stephen Daisley. Traduzo abaixo:

O direito internacional não deveria impedir a mudança de regime no Irã.

por Stephen Daisley 

Os apoiadores do assassinato do aiatolá Ali Khamenei pelos EUA e Israel estão se esforçando para refutar a acusação de que a Operação Fúria Épica é ilegal. Eles afirmam que Washington e Jerusalém estão retaliando em uma guerra contínua iniciada pelo Irã, que financiou organizações terroristas por procuração para atacar americanos e israelenses. É uma boa tentativa, mas uma vez que se mata o chefe de Estado de um país em um atentado a bomba direcionado, é difícil alegar que a mudança de regime não era o objetivo da operação.

O direito internacional consuetudinário, como geralmente entendido, não permite a violação da soberania de outro Estado para mudar seu governo pela força. Há uma corrente de opinião que considera a doutrina da responsabilidade de proteger insuficiente e acredita que deve haver fundamentos legítimos para remover tiranos que oprimem seu próprio povo e representam uma ameaça a outras nações.

Se alguma vez houve uma ação que reforçou o argumento a favor de um "direito à mudança de regime", certamente foi a do Irã. A república islâmica é uma tirania total, na qual a estrutura de governo torna praticamente impossível a mudança de regime rumo a um caminho liberal ou democrático. Quer lançar um desafio eleitoral sério ao regime? Boa sorte para conseguir a aprovação de seus candidatos pelo Conselho dos Guardiães. Conseguiu aprovar uma legislação reformista na Assembleia Consultiva? O Conselho dos Guardiães tem poder de veto.

Tecnicamente, a Assembleia de Peritos, eleita diretamente, poderia destituir um Líder Supremo, mas isso nunca aconteceu, nem sequer um murmúrio de dissidência, provavelmente porque os candidatos a esse órgão precisam ser aprovados, como você já deve ter imaginado, pelo Conselho dos Guardiães. Existe uma facção reformista, é claro. Nas últimas eleições para a Assembleia de Peritos, os reformistas — ou aqueles que foram autorizados a se candidatar — conquistaram apenas dois por cento dos votos. Derrubar o regime islâmico sem o uso da força é, para todos os efeitos, impossível.

Para os não intervencionistas, isso não muda nada. Existem ditaduras em todo o mundo oprimindo seus próprios povos neste exato momento. Não podemos derrubar todos eles e, mesmo que pudéssemos, seria isso da nossa alçada? Podemos todos concordar, a menos que tenhamos tido o azar de frequentar uma universidade britânica em algum momento do último quarto de século, que o islamismo é bárbaro e os regimes que ele produz são retrógrados e despóticos, mas isso nos dá o dever moral de arriscar a vida de nossos militares e gastar o dinheiro dos contribuintes tentando levar a democracia à região politicamente mais instável da Terra? Não é nossa luta. Deixemos as coisas como estão.

Essas considerações não são facilmente descartadas. Remova um regime cruel sem um plano para o dia seguinte e você corre o risco de desencadear ainda mais crueldade sobre a população já tão sofrida. Se fizermos um trabalho particularmente ruim, um número significativo de pessoas fugirá e acabará buscando refúgio na União Europeia ou no Reino Unido. Certamente não precisamos de mais jovens desacompanhados invadindo o país vindos de culturas retrógradas. Além disso, criar uma exceção para a mudança de regime pode levar Estados autoritários a usá-la indevidamente para desestabilizar Estados rivais ou como meio de resolver disputas, como as de Taiwan ou Gaza. De fato, a Rússia reivindicou um direito comparável a esse em sua invasão da Ucrânia, que inicialmente justificou como a salvaguarda do bem-estar do povo de língua russa, cuja autodeterminação foi negada por Kiev. No direito internacional, toda ferramenta [lei, regra] acaba se tornando um porrete, um instrumento de coerção.

Defensores do direito internacional podem se unir aos não intervencionistas no tema da mudança de regime, mas qualquer aliança é sempre temporária. Aqueles que se opõem filosoficamente à intervenção em quaisquer circunstâncias tendem, em sua maioria, a ser céticos em relação ao direito internacional humanitário, considerando-o uma violação da soberania estatal. Direito internacional e realismo na política externa sempre serão parceiros problemáticos.

Teóricos e profissionais do direito internacional precisam de uma resposta para a questão da mudança de regime. Ou trabalham para estabelecer um consenso sobre a remoção legítima de um regime despótico ou se apegam ainda mais ao status quo. Esta última seria a opção mais fácil, mas não necessariamente a mais sábia. Durante todo o fim de semana, o público em geral foi bombardeado com imagens de iranianos celebrando a morte de seu opressor, agitando bandeiras israelenses e americanas em sinal de gratidão e falando sobre o sofrimento de seu povo nas mãos da república islâmica. O público também foi bombardeado por ativistas, ideólogos e acadêmicos repetindo o mesmo mantra: "Isso é uma violação do direito internacional".

Pode muito bem ser, e o que isso diz sobre o direito internacional? Que ele exigia que essas pessoas que dançavam nas ruas ainda estivessem acuadas de medo? Que envolvia desaprovar a barbárie do regime enquanto se bloqueava qualquer ação para impedi-la? Que respeitar o direito internacional significa aceitar a soberania e a legitimidade de um país onde espancar mulheres e enforcar gays em público são passatempos nacionais?

Pode muito bem ser, e o que isso diz sobre o direito internacional? Que ele exigia que essas pessoas que dançavam nas ruas ainda estivessem acuadas de medo? Que ele envolvia desaprovar a barbárie do regime enquanto se bloqueava qualquer ação para detê-la? Que respeitar o direito internacional significa aceitar a soberania e a legitimidade de um país onde espancar mulheres e enforcar gays em público são passatempos nacionais? Se o direito internacional diz que Khamenei deve permanecer no poder, talvez o próprio direito internacional mereça ser detonado junto com ele.



domingo, 1 de março de 2026

Leão XIV e a Guerra do Irã, Francisco II

 


Falta apenas uma palavra no post de Leão XIV acima, e é aquela que constava em praticamente 100% dos discursos políticos de Francisco: diálogo.

Traduzo o que o jornalista inglês, Damian Thompson, disse sobre a mensagem de Leão XIV: "O Papa Leão XIII não fez qualquer menção ao massacre a sangue frio de milhares de cidadãos iranianos pelo regime iraniano. Mas a esquerda católica não obteve a condenação inequívoca de Trump que esperava. Portanto, ninguém está satisfeito. Os papas raramente têm algo útil a dizer sobre assuntos internacionais."

Eu discordo em dois pontos: 1) a mensagem de Leão XIV foi repetitiva, qualquer coisa que diz parece que sempre começa com "Estou acompanhando com grande preocupação", e tentou ser um vácuo; tentou não dizer nada. 2) Na verdade, Leão XIV erra tanto no diagnóstico quanto na solução. Quantas vezes se tentou o "diálogo" nos 47 anos da Revolução Iraniana e como pode haver diálogo com o Alcorão, fundamento da República Iraniana (sugiro a leitura do Alcorão, que afinal é um livro repetitivo e de teologia simplória, para não dizer anti-teológico)?



Guerra contra Irã - É Guerra Justa ?

 


Há alguns pensadores católicos que dizem que a atual guerra contra o Irã (Operação Epic Fury) não atende aos critérios de guerra justa (bom tema para um artigo).

Ainda estou "matutando" sobre a questão, mas aqui vão alguns pensamentos iniciais:

1) A guerra até agora tem sido mais de ataques iniciais. Israel e os Estados Unidos atacaram as forças e os líderes iranianos, matando o próprio líder do país que estava no poder desde 1989 (47 anos), enquanto o Irã jogou mísseis contra Israel e contra diversos países islâmicos (Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Catar, Kuwait, Bahrein);

2) Os Estados Unidos já tinham destruído quase a totalidade do arsenal nuclear do Irã no ataque de 22 de junho de 2025, na Operação Midnight Hammer;

3) Aparentemente não há nada de novo, além do "Death America" constante desde 2025, que justificasse a Operação Epic Fury;

4) Aparentemente, não é uma guerra material para a conquista de bens no sentido imediato. Mas pode ser no sentido político-econômico global. A China importava 80% do petróleo iraniano, se os Estados Unidos saírem vitoriosos, terão que se adaptar ao controle político maior do país por parte dos Estados Unidos. Além disso, o Irã é politicamente próximo da Rússia de Putin.

5) A Operação Epic Fury se enquadra em guerra preventiva;

6) Guerras preventivas podem ser justas, mas os critérios de guerra justa se enquadram com mais dificuldade;

7) É uma guerra religiosa? Acho que pode-se defender isso pelo enorme histórico, milenar, de combate entre os cristãos e os muçulmanos. E porque a própria justiticativa do Irã para atacar Israel e o Ocidente é sempre com fundamento religioso;

8) Uma guerra religiosa, em defesa da fé, pode se enquadrar como guerra justa? Sim. Um escritor de quem gosto sobre as Cruzadas, Thomas Madden, certa vez disse que hoje acadêmicos se assustam com o fato de que os cruzados saíram de suas casas para defender uma terra tão distante, sacrificando suas vidas e fortunas. Mas os cruzados também se assustariam como as guerras modernas fundamentadas em questões políticas e ideologias. Para os cruzados, seriam guerras lastimáveis que gerariam perdas de vida. No caso do Irã. há a questão religiosa, que os cruzados reconheceriam.

9) O povo iraniano é contra as forças inimigas do governo iraniano ou a favor? Isto é, o ataque é contra o povo ou a favor? Pergunta bem difícil, tecnicamente, para se responder. Mas, como cristão, eu responderia que o povo deveria ser a favor, mesmo porque, centenas de milhares de iranianos foram mortos pelo próprio governo do Irã, por serem dissidentes ou não serem muçulmanos.

10) Apenas por ser uma guerra preventiva, há motivos para atacar o Irã. Sim, inúmeros.

Aqui, vai uma lista de motivos desde a Revolução Iraniana de 1979:

1979: O regime iraniano assumiu o controle da Embaixada dos EUA em Teerã, resultando em uma crise de reféns que durou 444 dias. 1983: O regime iraniano forneceu apoio material ao Hezbollah para o atentado ao quartel dos fuzileiros navais em Beirute, que matou 241 militares americanos. 1984: O Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, sequestrou William Buckley, chefe da estação da CIA em Beirute. Buckley morreu em cativeiro. 1984: O Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, realizou o atentado com caminhão-bomba ao anexo da Embaixada dos EUA em Beirute, matando 24 pessoas. 1985: O Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, sequestrou o voo 847 da TWA, durante o qual um mergulhador da Marinha dos EUA foi assassinado. 1988: O regime iraniano realizou execuções em massa de prisioneiros, uma atrocidade que ainda está sob escrutínio internacional. 1989: O Líder Supremo Khomeini emitiu uma fatwa do regime pedindo a morte de Salman Rushdie, incitando assassinatos no exterior. 1992: Operativos do regime iraniano assassinaram dissidentes curdos em Berlim (os assassinatos de Mykonos), posteriormente ligados pelas autoridades alemãs a altos funcionários iranianos. 1994: O principal tribunal criminal da Argentina responsabilizou o Irã por ordenar ao Hezbollah o bombardeio do centro judaico AMIA em Buenos Aires (85 mortos). 1996: Atentado às Torres Khobar (Dhahran, Arábia Saudita): Em 25 de junho de 1996, um caminhão-bomba (equivalente a cerca de 9 toneladas de TNT) detonou em frente a um complexo residencial da Força Aérea dos EUA, matando 19 militares americanos e ferindo quase 500. O ataque foi realizado pelo Hezbollah saudita (um grupo apoiado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) com planejamento, financiamento e apoio material diretos do Irã. 2003–2006: A Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e o Hezbollah forneceram penetradores formados explosivamente (EFPs), outros artefatos explosivos improvisados ​​(AEIs), foguetes e treinamento para milícias xiitas iraquianas (por exemplo, precursores do Kataib Hezbollah, Asa'ib Ahl al-Haq e grupos ligados ao Exército Mahdi). Essas armas foram projetadas especificamente para derrotar blindados dos EUA. 2007: Tribunais dos EUA responsabilizaram o Irã por fornecer apoio material ao Hezbollah para o ataque de Beirute em 1983, ressaltando o patrocínio de longa data do regime ao terrorismo. 2007: O Irã sequestrou o agente especial aposentado do FBI, Robert A. "Bob" Levinson, na Ilha de Kish, Irã, em 9 de março de 2007. 2011–2013: Hackers ligados ao regime iraniano realizaram ataques DDoS coordenados contra bancos dos EUA, causando prejuízos de dezenas de milhões de dólares. 2012: Operativos do regime iraniano e do Hezbollah realizaram atentados a bomba contra funcionários das embaixadas israelenses na Índia e na Geórgia. 2012: Investigadores ligaram os atentados em Bangkok à mesma onda de supostas operações do regime iraniano contra diplomatas israelenses. 2012: Autoridades israelenses culparam explicitamente a Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) pelo planejamento dessa onda de ataques contra diplomatas. 2013: A mesma campanha cibernética do regime iraniano incluiu a invasão de um sistema de controle de barragem dos EUA (Barragem da Avenida Bowman), conforme indiciamentos americanos. 2015: Forças iranianas abriram fogo e abordaram o navio Maersk Tigris no Golfo Pérsico, apreendendo a embarcação. 2016: Forças da IRGC detiveram 10 marinheiros da Marinha dos EUA depois que seus barcos entraram em águas iranianas, usando humilhação pública como forma de coerção. 2017: A Reuters noticiou um aumento acentuado nas detenções de cidadãos com dupla nacionalidade pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), uma tática usada repetidamente pelo regime. 2018: A Dinamarca afirmou que um serviço de inteligência iraniano planejava um assassinato em solo dinamarquês. 2018: Um processo judicial belga envolveu um diplomata iraniano condenado por planejar um ataque a bomba perto de Paris. 2019: A IRGC abateu um drone militar americano. 2019: O regime iraniano ultrapassou o limite de estoque de urânio enriquecido estabelecido pelo acordo nuclear, acelerando o risco de proliferação. 2019: O regime violou ainda mais as restrições do acordo nuclear. 2019: A IRGC apreendeu o petroleiro Stena Impero, de bandeira britânica, no Estreito de Ormuz. 2019: O regime ordenou uma repressão letal contra protestos em todo o país. A Reuters noticiou cerca de 1.500 mortos. 2020: O Irã lançou mísseis balísticos contra bases que abrigavam tropas americanas no Iraque (Ain al-Asad/Erbil), um ataque direto do regime. 2020: Autoridades americanas confirmaram que soldados dos EUA receberam tratamento para concussões após o ataque com mísseis iranianos. 2021: Um ataque com drone ao navio-tanque Mercer Street matou dois tripulantes; o incidente foi atribuído ao Irã por autoridades dos EUA, Reino Unido e Israel. 2021: Promotores americanos acusaram agentes de inteligência iranianos de planejar o sequestro do jornalista Masih Alinejad em Nova York para entregá-lo ao Irã. 2021: O Departamento de Justiça dos EUA acusou cidadãos iranianos de uma campanha cibernética para intimidar eleitores americanos e minar a confiança nas eleições de 2020. 2022: As autoridades americanas acusaram um membro da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) de planejar o assassinato de John Bolton nos Estados Unidos. 2022: Mahsa Amini morreu após ser detida pela polícia moral do regime, desencadeando uma onda de protestos em todo o país contra a violência estatal. 2022: O Irã concordou em fornecer mais drones e mísseis à Rússia, possibilitando ataques que atingiram cidades e infraestrutura ucranianas. 2023: A Reuters detalhou uma troca de detentos entre EUA e Irã que dependia da detenção de cidadãos americanos pelo regime — um exemplo da forma como o Irã usa reféns como moeda de troca. 2023: Ataque de 7 de outubro, no qual terroristas do Hamas, apoiados pelo Irã, assassinaram mais de 1.200 homens, mulheres e crianças inocentes.

2023: O Hezbollah, apoiado pelo Irã, trocou tiros com Israel à medida que a violência regional se intensificava após 7 de outubro. Continuação de 2023: O Hezbollah lançou foguetes do Líbano e Israel retaliou, demonstrando a pressão exercida pelo Irã sobre a fronteira norte de Israel. As forças americanas no Iraque foram alvejadas por drones, enquanto grupos alinhados ao Irã retomavam um padrão de ataques contínuos. Autoridades americanas disseram esperar mais ataques apoiados pelo Irã contra tropas americanas, ressaltando a guerra por procuração facilitada pelo regime. A Casa Branca afirmou que, em alguns casos, o Irã estava "facilitando ativamente" ataques com foguetes e drones realizados por grupos aliados contra bases americanas. Os houthis, alinhados ao Irã, intensificaram os ataques contra navios mercantes, provocando desvios generalizados e interrupções na cadeia de suprimentos. 2024: Ataques persistentes dos houthis, apoiados pelo Irã, contra navios. Um ataque com drone realizado por uma milícia apoiada pelo Irã matou três soldados americanos na Torre 22, na Jordânia, representando uma grande escalada contra as forças americanas. O comandante da Força Quds do Irã visitou Bagdá e ajudou a modular os ataques da milícia, demonstrando a influência do comando do regime sobre seus aliados. O Irã forneceu mísseis balísticos à Rússia, aprofundando o papel de Teerã em uma guerra que afeta a segurança europeia. O Irã lançou centenas de drones e mísseis diretamente contra Israel, um ataque aberto sem precedentes por parte do regime. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) apreendeu o MSC Aries ("ligado a Israel"), embarcando-o de helicóptero e desviando-o para o Irã — uma coerção no estilo de pirataria estatal. Os planos do Irã para assassinatos por encomenda e as operações por procuração contra alvos ligados a Israel no Ocidente foram expostos. 2024: A Reuters noticiou que a ação da UE foi motivada pela política iraniana de deter estrangeiros como forma de pressão, reforçando o padrão de detenções ilegais do regime. 2025: A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã apreendeu um petroleiro estrangeiro no Estreito de Ormuz, dando continuidade à coerção marítima do regime em um ponto de estrangulamento global crucial. 2026: A Reuters noticiou que os EUA designaram o Irã como um Estado patrocinador de detenções ilegais.

- Além disso, repetidas vezes, Trump falou que o Irã fez planos para matá-lo.




domingo, 22 de fevereiro de 2026

4 Anos de Guerra - Rússia Ataca Kiev (Kyiv) para "Celebrar"

Rússia atacou com 50 mísseis e quase 300 drones a infraestrutura e até prédios civis na Ucrânia, quando, na terça-feira, esta estúpida guerra completa quatro anos.

Publiquei recentemente sobre essa guerra para avaliar o que Santo Agostinho e São Tomás de Aquino diriam sobre a justiça dessa guerra.Leiam clicando aqui.

Estou agora a planejar escrever sobre o que a filósofa católica moderna Elizabeth Anscombe diria. Não é tão interessante quanto Agostinho e Aquino, nem mesmo tão católico quanto eles, mas é um debate filosoficamente importante. Primeiro, vou tentar apresentar o artigo em um seminário sobre Anscombe, para ver a reação e ver se cabe publicar.

Rezemos pela paz entre a "Grande" e a "Pequena" Rússia. 


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Leão XIV Quer ONU e "Multilateralismo", Enquanto Trump Ataca ONU Por Defender Ideologia de Gênero

 


Leão XIV fez um discurso que, de forma velada, ataca Trump por formar um Grupo pela Paz; o Papa defendeu a ONU por conta do "multilateralismo" em que "todas as partes" resolvem com diálogo.

Bom, começando a comentar apenas pela fala em si. Na ONU não existe multilateralismo. 

Na ONU, apenas 5 países decidem as questões realmente importantes em termos de relações internacionais, e apenas com esses 5 o "multilateralismo" já empaca a ONU. Na prática, não decidem nada.  No resto, a ONU segue sem resolver qualquer problema internacionalmente sério, além de propagar ideologia esquerdista, dando voz a "todos os países". Como a imensa maioria dos países tem ética equivocada e mal formada, a decisão de maioria é errada ou empurra com a barriga os problemas. Em suma, não existe, nem nunca existiu o tal multilateralismo na ONU. Esse discurso na prática significa dar poder à China, à Rússia e a países como Irã e Coreia do Norte.

Enquanto, Leão XIV discursa no erro. Trump ameaça cortar financiamento da UNICEF (agência da ONU) porque a UNICEF fica financiando ideologia de gênero. Os Estados Unidos são os maiories doadores da ONU, se cortar o financiamento, praticamente acaba o serviço.

Nunca ouvi falar de que um Papa tenha se levantado e criticado a UNICEF por promover ideologia de gênero. E era o dever deles fazer isso, mesmo porque, além da obrigação moral,  a Santa Sé nem é membro da ONU, não sofreria impacto institucional.

O mundo parece que está em sinal trocado, era para o Papa fazer o papel do Trump, enquanto um presidente americano, se eleito por esquerdistas, naturalmente iria dizer o que o Papa disse.

Fica difícil para um verdadeiro cristão não ficar do lado do Trump, enquanto papas, como Leão XIV, falam tamanhas besteiras e se omitem.

Traduzo a reportagem sobre a ameaça de Trump à UNICEF:

EUA emitem alerta à agência da ONU para crianças

Por Lisa Correnti | 2026

NAÇÕES UNIDAS, 20 de fevereiro (C-Fam) O governo dos EUA alertou o UNICEF de que o financiamento será interrompido se a agência não se reformar e eliminar questões controversas de seus programas.

“Com muita frequência, organizações como o UNICEF têm se desviado para ideologias progressistas dissociadas dos interesses nacionais. O UNICEF deve evitar narrativas que distraiam e sejam um desperdício de recursos, que não estejam alinhadas com sua missão”, disse o embaixador dos EUA, Dan Negrea, na reunião do conselho executivo do UNICEF na semana passada.

“Como já deixamos claro repetidas vezes, os Estados Unidos não hesitarão em cortar o financiamento e se retirar de organizações que não conseguem ou não querem apresentar resultados eficazes”, afirmou Negrea, provavelmente se referindo às novas restrições de financiamento dos EUA a organizações multilaterais, emitidas no início deste mês, e à retirada dos EUA de mais de 60 organizações internacionais no início de janeiro.

A declaração dos EUA criticou o uso, pela agência, de "terminologia de gênero que não reconhece de forma clara e exclusiva dois sexos biológicos" e a programação sobre "diversidade, equidade e inclusão [DEI]" que prejudica "decisões de recrutamento e contratação baseadas no mérito individual".

Negrea afirmou que os EUA querem fornecer "assistência humanitária vital e respostas eficazes, estratégicas, eficientes e oportunas a desastres" e que isso exige que o UNICEF "se concentre na eficiência de recursos e na adesão ao seu mandato principal" de salvar vidas de crianças e ajudá-las a prosperar.

Esta não é a primeira vez que o governo Trump questiona o trabalho do UNICEF. No ano passado, o governo Trump criticou o UNICEF por sua programação altamente sexualizada. Em uma ação sem precedentes para um governo republicano, repreendeu a agência e votou contra decisões que continham linguagem de "gênero" na sessão de agosto. A diretora-executiva do UNICEF, Catherine Russell, nomeada por Biden, recusou-se a remover a referência à “saúde sexual e reprodutiva” do plano estratégico trienal da agência, apesar dos apelos dos EUA e de outros Estados-Membros para que o fizesse.

A ONU está atualmente passando por um processo de reforma chamado iniciativa ONU80. O impacto sobre as políticas da ONU ainda está por ser determinado. Delegados europeus insistem que quaisquer reformas na ONU não devem impedir o progresso em “saúde e direitos sexuais e reprodutivos”, que, de acordo com os programas que financiam, incluem o aborto e os direitos das pessoas transgênero.

Negrea disse ao Conselho Executivo que, embora os EUA reconheçam que a agência tomou “decisões difíceis” devido à pressão orçamentária, ela deve continuar a “promover reformas ambiciosas que abordem de forma significativa o inchaço, criem uma organização mais focada e eficaz e produzam resultados reais”.

Os Estados Unidos são o maior doador individual para o UNICEF, contribuindo com mais de US$ 1 bilhão em 2024. O recente anúncio do Departamento de Estado americano de expandir a "Política da Cidade do México", que financia abortos pelo mundo, para incluir organizações multilaterais será um verdadeiro teste para as intenções do UNICEF. A agência abandonará a promoção de programas que incluem aborto, ideologia de gênero e DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), ou manterá o rumo e abrirá mão dos fundos americanos? Isso dependerá em grande parte da rigidez com que o governo Trump implementará a política e se europeus e fundações progressistas que apoiam essas políticas controversas estarão dispostos a compensar qualquer eventual perda de financiamento americano.

A política expandida restringe o uso de fundos americanos para programas controversos e busca estabelecer uma postura pró-vida e pró-família em toda a programação de ajuda externa dos EUA. Ela proíbe o repasse de quaisquer fundos americanos para grupos que promovam aborto, ideologia de gênero ou DEI. Essa restrição poderia pôr fim às parcerias de longa data do UNICEF com agências da ONU como a UNAIDS e o Fundo de População das Nações Unidas, e com gigantes da indústria do aborto como a Federação Internacional de Planejamento Familiar (IPPF), que fornecem e promovem o aborto, bem como a autonomia sexual, cirurgias de redesignação sexual e tratamentos medicamentosos para crianças.