domingo, 30 de agosto de 2026

Não Se Desepere com a Hierarquia da Igreja.

 


O filósofo e teólogo católico Peter Kwasniewski respondeu a uma pessoa chamada Nick Cavazos, que desesperou ao ver Leão XIV se colocar do lado da liturgia "Novus Ordo" do Vaticano II, com as mesmas justificativas dos anos 70. Cavazos considerou que já são 6 papas defendendo o "Novus Ordo" (Paulo VI, João Paulo I, João Paulo II, Bento XVI e Leão XIV) e que a história mostra que não há volta: o destino da liturgia católica é se perder.

A resposta de Kwasniewski foi excepcional e mostrou essa guerra litúrgica atual sob o ponto de vista histórico da Igreja, apesar de ele ter um olhar mais favorável ao Leão XIV do que eu. A resposta dele deve estar nos nossos corações e nos dar esperança e união com tantos católicos que, ao longo da história, sofreram com os erros da hierarquia da Igreja.

Traduzo abaixo:

O tom de desespero do post de Nick Cavazos é injustificado e parece ser fruto de uma compreensão superficial da história da Igreja e do tempo que uma reforma pode levar.

Alguns exemplos:

A controvérsia ariana durou mais de um século, durante o qual algumas igrejas estiveram nas mãos de arianos e outras nas mãos de católicos. A vida litúrgica devia ser um caos, e sabemos por São Basílio Magno que, em alguns lugares, os fiéis foram reduzidos a adorar fora dos templos, no meio do deserto. Se você tivesse nascido perto do início dessa crise e vivido uma vida longa, não teria visto o seu fim. Mesmo assim, você permaneceu fiel à fé nicena.

A controvérsia iconoclasta também durou mais de um século, durante o qual ícones foram destruídos e cristãos que os veneravam foram torturados e, às vezes, martirizados. Houve uma restauração parcial (comparável ao Summorum), depois uma reversão brutal (comparável à Traditionis) e, por fim, um triunfo final da ortodoxia. Novamente, se você tivesse nascido no início desta crise e vivido uma vida muito longa, não teria visto o seu fim; mas isso não era motivo para deixar de venerar ícones e relíquias.

Adiante, os abusos do pluralismo (ocupar múltiplas dioceses), do absenteísmo (ocupar uma diocese, mas nunca residir nela), da investidura (receber dioceses de um rei ou imperador) e das nomeações por recomendação (um homem receber as rendas de múltiplos cargos sem nunca governar como abade) levaram séculos para serem superados, apesar de terem prejudicado enormemente a Igreja.

No âmbito litúrgico: um papa (Clemente VII) autorizou o novo breviário do Cardeal Quiñones, outro (Paulo III) o aprovou em 1536, e um terceiro (Pio V) o suprimiu em 1568 por considerá-lo uma ruptura com a tradição. A interferência de Urbano VIII no breviário, com o objetivo de satisfazer os admiradores barrocos do latim clássico — algo nunca aceito pelas ordens monásticas —, foi parcialmente desfeita por Paulo VI, quando este restaurou alguns dos textos originais da Liturgia Horarum (embora esse livro também apresente seus próprios problemas). O canto gregoriano permaneceu corrompido por séculos antes de suas melodias serem restauradas pelos monges de Solesmes, com o apoio de Pio X.

Poderíamos citar inúmeros exemplos de como problemas, grandes e pequenos, levaram décadas, e às vezes séculos, para serem resolvidos. A história da Igreja não se desenrola na velocidade de tweets e podcasts; ela se assemelha mais à de Deus: “Mas não ignoreis uma coisa, meus amados, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia” (2 Pedro 3:8).

Isso pode não ser consolador para quem sofre com uma situação litúrgica ruim, mas ajuda a manter as coisas em perspectiva, lembrando-nos de que nosso dever é, por um lado, rezar, fazer penitência e implorar a intervenção do Senhor e, por outro, trabalhar por soluções reais e buscar alternativas melhores para nós mesmos (por exemplo, mudando de um lugar para outro). Dessa forma, reconhecemos que Deus é o Senhor da história e que Ele nos deu inteligência e livre-arbítrio para navegar pela crise.

Por fim, é muito enganoso, pois é vago demais, falar em “6 papas que apoiaram o Novus Ordo”. João Paulo I dificilmente conta. Isso nos deixa com Paulo VI, João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão XIV.

A primeira diferença fundamental é que Montini, Wojtyla e Ratzinger foram profundamente influenciados pelo rito romano tradicional que celebraram por anos, de modo que, mesmo quando adotaram o novo rito, o celebraram com olhos e mente enraizados na tradição. Em certo sentido, eles impregnaram o corpo do Novus Ordo com uma alma do Vetus Ordo. Ratzinger, é claro, criticou a reforma litúrgica de inúmeras maneiras que não precisamos abordar aqui.

Bergoglio foi o primeiro papa a ser ordenado no novo rito e a nunca ter celebrado o antigo — e isso se refletiu em todos os aspectos. Embora Prévost sofra com o mesmo desenraizamento litúrgico, ele é suficientemente mais jovem para ter escapado de alguns dos maiores absurdos da Era de Aquário e traz para a liturgia um senso de decoro e respeito pela tradição que, francamente, falta muito em muitos clérigos de sua geração.

Meu ponto é que nada disso se resume a "6 papas que rejeitam radicalmente a tradição e desejam, ideologicamente, impor o novo rito a todo custo". O quadro é bem mais complexo (como seria de esperar): Paulo VI expressou pesar pela perda do rito antigo que ele próprio aboliu e já começou a conceder permissões para que o rito antigo continuasse (sem dúvida, temporariamente, em sua visão); João Paulo II abriu essa porta ainda mais com o indulto mundial; Bento XVI escancarou a porta em 2007 e influenciou um grande número de clérigos que celebram ou admiram o Vetus Ordo, que agora ocupa, manifestamente, um lugar permanente na Igreja.

A saga da “renovação litúrgica” na Igreja está longe de terminar e, se eu fosse apostador, apostaria alto no rito antigo neste momento.



sábado, 29 de agosto de 2026

Ideologia Política dos Padres.

 

Interessante gráfico mostrado por Ryan Burge. Se seu padre se tornou padre nos anos 70 e 80, a chance dele ser esquerdista é enorme. Anos 70 e 80 são frutos imediatos do Vaticano II e da Teologia da Libertação.  São pessoas que nasceram basicamente nos anos 60, década que extrapolou o feminismo e exaltou o comunismo e as drogas. 

Por outro lado, entre aqueles que se tornaram padres após 2010, 51% são conservadores.

Os papas de nossos dias basicamente se ordenaram entre as décadas de 60 e 80. Francisco se tornou sacedorte em 1969 e Leão XIV em 1982.

Não sei qual é a base da pesquisa, mas imagino que seja dos Estados Unidos. Mas deve refletir o que ocorre no mundo. 


quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Leão XIV Mostrou sua Face Litúrgica: Novus Ordo (Vaticano II)


Muitos tradicionalistas esperavam que, com a eleição de Leão XIV, a missa tridentina fosse mais liberada, depois do estrangulamento imposto por Francisco com Traditionis Custodes, de 2021. Muitos, até ótimos católicos, de forma estranha, esperavam que as excomunhões que Leão XIV impôs à Fraternidade de São Pio X, que adota a missa tridentina e condena vários aspectos da liturgia elaborada no Vaticano II, fossem a chave para que Leão XIV liberasse a missa tridentina, pois já teria condenado os que seriam cismáticos.

Ontem, Leão XIV destruiu as esperanças dos tradicionalistas e se mostrou um adepto radical do Vaticano II, a ponto de usar as justificativas da década de 1970 contra a missa tridentina. Justificativas bem frágeis, que se destroem facilmente.

Leão XIV destruiu as esperanças de todos nós, que desejamos que a missa de sempre seja respeitada, ontem em uma Audiência Geral.

Um dos argumentos que mais chamou a atenção de todos foi que ele disse que o Vaticano II reformou a liturgia porque "surgiu a necessidade de os fiéis celebrarem as liturgias de forma mais consciente e ativa, não “como estranhos e espectadores silenciosos, mas participando plenamente do mistério salvífico."

Como assim? Não se participa ativamente da missa tridentina? O ato de silêncio diante do sacrifício da missa não é participação ativa? Os milhares de santos que veneraram a missa tridentina por séculos não agiam de forma consciente, ativa, nem participavam plenamente do mistério salvítico?

Outra coisa que chamou a atenção nas palavras de Leão XIV, foi um "thus" (portanto, então) que normalmente é usado para se concluir uma tese depois de várias premissas. No caso, o "thus" não tinha premissas anteriores, ficou isolado após afirmações soltas.

Esse "thus" mereceu resposta de Dom Alcuin Reid, monge beneditino, estudioso litúrgico reconhecido internacionalmente — cuja tese de doutorado sobre reforma litúrgica foi publicada como "The Organic Development of the Liturgy" (O Desenvolvimento Orgânico da Liturgia), com prefácio do Cardeal Joseph Ratzinger.

Em poucas palavras, Dom Alcuin Reid destruiu os argumentos de Leão XIV, mas, talvez para proteger o papa dele mesmo, partiu do princípio de que Leão XIV estava lendo o texto escrito por outros (drafters). É normal que pessoas muito importantes tenham seus textos redigidos por outros. Eu, inclusive, já tive a função de escrever textos para outros. Mas sempre o fiz da maneira que o líder desejava, a tentar refletir seu pensamento, e o que eu escrevia sempre passava pelo crivo dele próprio. Então, não caio muito nessa. São palavras do Papa e ponto final.

Em todo caso, vale a pena ler o que Dom Alcuin Reid escreveu, clicando aqui. 

Muita gente reagiu no X às palavras do Papa Leão XIV, apesar de que aqueles tradicionalistas que estavam mais esperançosos com Leão XIV até agora estão em silêncio.














quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Papa Francisco 2.0. Francisco 1.0 Ainda Fala.

 


Incrivelmene e tristemente repetitivo é este pontificado!

Em fevereiro de 2016, durante as eleições presidenciais nos Estados Unidos, Papa Francisco,  durante a conferência de imprensa a bordo do avião papal, depois de uma viagem ao México, atacou Trump pessoalmente, que naquele momento era candidato a presidente, e disse: 

“Uma pessoa que pensa só em construir muros, onde quer que seja, e não em construir pontes, não é cristã. Isso não está no Evangelho.  Só digo que este homem não é cristão se disse coisas assim.”

A pergunta de um jornalista referia-se às propostas de campanha de Donald Trump, que incluem construir um muro na fronteira com o México e deportar milhões de imigrantes.

Trump reagiu chamando os comentários de “vergonhosos” e dizendo que era “desonroso” um líder religioso questionar a fé de alguém.

O Papa estava se intrometendo totalmente na disputa presidencial de outro país em apoio a Hillary Clinton (aquela que apoia aborto, casamento gay, cirurgia de mudança de sexo em crianças e não é católica). Como, obviamente, se trata de uma interferência de um país no outro, uma vez que a Santa Sé também é um país, o Vaticano tentou diminuir o impacto e o porta-voz, Padre Federico Lombardi esclareceu que não se tratava de um ataque pessoal nem de uma indicação de voto.  Claro que ninguém deu ouvidos a essa justificativa, pois as palavras do Papa foram muito explícitas.

Agora, diante das invasões terríveis que aconteceram e ainda acontecem na Espanha, foram perguntar ao Papa Leão XIV (melhor conhecido como Papa Francisco 2.0) o que ele achava das propostas europeias de reinmigração de imigrantes ilegais que assombram as cidades, estupram as mulheres e provocam destruição civil e mesmo matam padres.

Sua resposta saiu do túmulo de Francisco: "Reimigração não me parece uma resposta cristã."

Quem se preocupa com sua cidade, com a segurança da população de sua cidade, com os gastos públicos de sua cidade, com o bem-estar da população, com a ética secular e religiosa de sua população, não é um cristão, na cabeça dos dois Franciscos.

A população de Ceuta certamente vai gostar da resposta de Leão XIV diante de milhares de homens fortes e jovens espalhados pelas ruas da cidade.

Na cabeça dos dois Franciscos para justificar sua frase, esses milhares de jovens fogem de guerra e conflitos. Onde? Em Marrocos?  Esses milhares de jovens fogem e deixam as mulheres, esposas e crianças para trás nos conflitos? Que tipo de homem faria isso? Sendo isso, que tipo de homem em busca de apoio para viver melhor em outro país, depois que entram, sai para depredar tudo, estuprar mulheres e jogar lixo nas ruas? 

Desde quando na Doutrina Social da Igreja há essa preocupação de aceitar qualquer um e de tentar impor na população cristã uma população que despreza o cristianismo?

Tomás de Aquino nos falou de quatro leis:
  • eterna (razão de Deus que governa tudo); 
  • divina (lei revelada por Deus nas escrituras); 
  • natural (razão humana alinhada com a razão de Deus); e 
  • humana (regras da sociedade). 

A esta última cabem a aceitação de imigrantes, a determinação do sistema de governo, a definição das regras econômicas, o ordenamento das competências estatais, o ordenamento jurídico penal, etc. A Igreja não costuma (ou não costumava) opinar sobre se o melhor é a monarquia ou o presidencialismo, se devemos nos aposentar aos 65 ou aos 55, ou se devemos aceitar imigrantes de países vizinhos ou não. Isso é da liberdade humana. 

A lei humana possui muita liberdade, fica mais afastada da lei natural. A lei natural só entra no debate se as determinações humanas disserem coisas como homem é igual à mulher, mulher pode ser homem, homem pode ser mulher, as crianças podem ser mortas mesmo depois de nascerem, casamento gay equivale a casamento entre homem e mulher. Esse tipo de coisa de bizarrice diabólica. 

Vocês viram os papas Franciscos dizerem que "não é cristão" aprovar este tipo de bizarrice?

Vivemos tempos em que não sai luz do Vaticano, mas trevas.

Rezemos.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Bispo Schneider: FSSPX é a Chave para Começo do Fim do Projeto Modernista


Bispo Athanasius Schneider, bispo auxiliar de Astana (Cazaquistão), fez uma Declaração pública sobre os seis bispos da FSSPX em excomunhão automática devido às consagrações episcopais da Fraternidade que foram feitas sem autorização do Papa Leão XIV.

Schneider conhece de perto a FSSPX, tendo trabalhado na avaliação da Fraternidade. Nos meses anteriores às consagrações, ele implorou repetidamente ao Papa Leão XIV que concedesse à FSSPX um mandato apostólico, em vez de permitir que o ato prosseguisse sem sua aprovação, pediu  ao Papa para agir como um “construtor de pontes” e alertava que a Igreja evitasse uma divisão ainda maior, desnecessária e dolorosa.

Schneider considera que o envolvimento sério do Vaticano com a FSSPX marcaria o “começo do fim” do projeto modernista na Igreja.

A jornalista Diana Montagna publicou a Declaração do bispo Schneider. Traduzo abaixo:

O Dilema Entre Preservar a Integridade Inequívoca da Fé Católica e Ser Canonicamente Reconhecido pelo Papa

Por Dom Athanasius Schneider

É útil recordar um caso da história em que um grande santo se viu diante do seguinte dilema: escolher entre preservar a integridade inequívoca da Fé Católica e ser canonicamente reconhecido pelo Papa. Esse santo foi o Padre da Igreja do século IV, Santo Atanásio de Alexandria.

Em 357, o Papa Libério, após assinar uma fórmula de fé ambígua (omitindo o termo doutrinal crucial “consubstancial”), ordenou a Santo Atanásio que entrasse em comunhão com bispos arianos e semiarianos, bispos com os quais o próprio Papa, sob pressão do imperador, infelizmente havia entrado em comunhão. Santo Atanásio recusou-se a obedecer ao Papa, e este, segundo o testemunho de Santo Hilário de Poitiers e outras fontes históricas, excomungou-o, acusando-o de perturbar a paz da Igreja.

Apesar de ter sido excomungado pelo Papa, Santo Atanásio continuou a governar sua diocese em Alexandria e chegou até mesmo a demonstrar compreensão pelo lamentável comportamento do Papa Libério. Contudo, o Papa São Dâmaso, sucessor de Libério, agradeceu a Santo Atanásio e consultou-o sobre os assuntos dos bispos orientais. O Papa Libério foi o primeiro papa a não ser canonizado, enquanto Atanásio não apenas foi canonizado, como também declarado Doutor da Igreja.

Hoje, Santo Atanásio seria considerado cismático de acordo com a definição de “cisma” presente no atual Código de Direito Canônico, pois recusou-se a estar em comunhão com membros da Igreja (bispos hereges e semi-hereges) que eram canonicamente reconhecidos e, portanto, sujeitos ao Papa.

As consagrações episcopais realizadas em Écône pela Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) em 1º de julho de 2026 também constituem um exemplo desse raro dilema: ter de escolher entre preservar a integridade inequívoca da Fé Católica, tal como foi ensinada pelo Magistério ao longo dos séculos, ou ser canonicamente reconhecido pelo Papa.

Esse dilema é evidente nas condições associadas ao reconhecimento canônico da FSSPX pelo Papa: ela deve aceitar certas ambiguidades doutrinais recentemente introduzidas (refletidas em alguns ensinamentos não definitivos do Concílio Vaticano II, de caráter pastoral, e em certas afirmações e atos do Magistério pós-conciliar), além de aceitar não apenas a validade, mas também a correção (legitimidade) do rito da Nova Missa, apesar de sua vaguidade doutrinal e ritual, que marcaria uma clara ruptura com o Rito Romano tradicional.

Ao tratar desta questão complexa, é essencial manter uma perspectiva sóbria, esclarecer a terminologia e conservar diante dos olhos o verdadeiro objetivo da Igreja e sua grande tradição, pois essa tradição remonta muito além dos séculos ou décadas mais recentes. Também é necessário considerar situações análogas ocorridas nas grandes crises da história da Igreja.

Há dois desenvolvimentos pouco saudáveis na Igreja ao longo dos últimos séculos que levaram a uma visão estreita da realidade: a tendência de tratar o aspecto jurídico como quase absoluto, isto é, o legalismo; e a tendência de absolutizar a pessoa do Papa e a obediência a ele, isto é, o papalismo.

O legalismo, ou seja, a adesão rígida à letra da lei, e o papalismo, isto é, a obediência indiferenciada e quase absoluta ao Papa, passaram a ser priorizados acima da necessidade de clareza e ausência de ambiguidades na fé e na liturgia.

Entretanto, durante todas as grandes crises doutrinais da história da Igreja, a regra fundamental foi evitar qualquer forma de ambiguidade doutrinal. Isso ocorreu, por exemplo, no caso do Papa Honório I, cujas cartas doutrinariamente ambíguas, emitidas como parte de seu Magistério ordinário, foram firmemente condenadas por papas posteriores e por três Concílios Ecumênicos, apesar das tentativas de seu segundo sucessor, o Papa João IV, de formular uma espécie de hermenêutica da continuidade.

Em nossos dias, afirma-se amplamente dentro da Igreja que não pode surgir qualquer conflito de consciência entre obedecer ao Papa e preservar a pureza inequívoca da fé. Isso significa, em última análise, que a obediência ao Papa é valorizada de tal modo que se considera preferível aceitar ambiguidades em questões de fé e de ritos litúrgicos do que agir contra uma ordem papal, embora essa ordem seja humana e possa conter falhas.

Além disso, surgiu também uma compreensão estreita da comunhão, seja com o Papa, seja com a Igreja. A obediência ao Papa passa a ser vista como indistinguível da comunhão com a Igreja. Isso corre o risco de elevar a obediência ao Papa ao mesmo nível da obediência à Revelação divina de Deus.

É preciso também distinguir entre o direito positivo, isto é, as leis disciplinares promulgadas pela autoridade humana da Igreja, e a Lei Divina, ou seja, as verdades da fé reveladas por Deus. Ninguém pode contradizer a Lei Divina e permanecer católico. Em circunstâncias verdadeiramente extraordinárias e raras, porém, um católico pode ser obrigado em consciência a agir contra o direito positivo precisamente para permanecer absolutamente fiel à Lei Divina.

Os próprios conceitos de “cisma” e “submissão” ainda não foram plenamente esclarecidos em sua aplicação concreta e prática. O Código de Direito Canônico (cânon 751) define cisma como “a recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou da comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos”.

Na realidade, surgiu na história recente da Igreja uma compreensão muito estreita desses termos, na qual a desobediência material ao Papa, independentemente da intenção, é praticamente equiparada ao cisma formal.

Também é preciso considerar o estado de cisma formal, que significa a rejeição, em princípio, da autoridade papal mediante o estabelecimento de uma hierarquia separada, como ocorreu com a Igreja Ortodoxa Grega em 1054 e, posteriormente, com numerosos grupos sedevacantistas até os nossos dias.

Contudo, não se pode falar de um estado de cisma formal enquanto permanecer a fé sobrenatural no dogma da primazia e da infalibilidade papais, juntamente com o desejo de viver em submissão concreta à autoridade do Papa, mesmo que isso não possa ser plenamente realizado devido a uma crise extraordinária na Igreja.

Tal crise extraordinária pode envolver um obscurecimento temporário ou uma suspensão prática do principal dever do ministério papal: defender e proclamar, de forma inequívoca, a integridade da fé e da liturgia católicas.

O mesmo se aplica ao conceito de estar “em comunhão” com o Papa. Durante um período muito longo, ordenações episcopais eram realizadas sem o envolvimento direto do Papa, e as igrejas particulares e os bispos expressavam sua comunhão com ele de diversas maneiras. Somente mais tarde na história da Igreja os papas passaram a exigir que toda ordenação episcopal ocorresse com mandato pontifício.

Mesmo após essa mudança, contudo, o direito canônico não considerava as ordenações episcopais ilícitas, isto é, realizadas contra a vontade do Papa, como ofensas contra a unidade da Igreja, atos intrinsecamente cismáticos ou males intrínsecos. Ainda hoje, o atual Código de Direito Canônico inclui as ordenações episcopais ilícitas entre os delitos relativos à celebração dos sacramentos ou as classifica como atos de usurpação de ofício.

Na verdade, a norma que exige mandato papal para consagrações episcopais pertence ao direito positivo, não à Lei Divina. Caso contrário, essa norma teria sido observada durante toda a história da Igreja, sempre, em toda parte e por todos, sem exceção.

Certamente, o mandato pontifício para consagrações episcopais é normalmente necessário e foi sabiamente estabelecido para assegurar melhor a submissão hierárquica do episcopado ao Papa.

A natureza extraordinária da atual crise da Igreja se revela, neste caso, pelo fato de que uma comunidade cuja característica essencial é justamente o desejo de ser fiel ao Papa, e a Fraternidade São Pio X considera-se assim, enfrenta uma escolha trágica: ou obedecer ao Papa e, com isso, ser forçada a aceitar aspectos doutrinais e litúrgicos incertos e obscuros; ou desobedecer ao Papa em matéria grave, como a consagração de bispos, com a única intenção de preservar os meios de transmitir a fé e a liturgia em sua plena integridade, a serviço das almas e, portanto, da Igreja inteira, incluindo o próprio papado.

Também não se deve ignorar a extensão total da crise atual da Igreja, mas examiná-la honestamente até suas raízes. Essas raízes estariam em determinadas afirmações doutrinais vagas e ambíguas do Concílio Vaticano II, que, ao longo dos últimos sessenta anos, teriam semeado confusão, como o relativismo doutrinal decorrente do ensinamento e da prática do ecumenismo e do diálogo inter-religioso, que teriam contribuído para enfraquecer a compreensão da unicidade de Jesus Cristo e de sua Igreja como único caminho de salvação.

Além disso, certas falhas doutrinais e rituais da reforma litúrgica, com suas tendências protestantizantes, teriam obscurecido a natureza central da Missa como sacrifício e seu foco cristocêntrico.

São John Henry Newman fez a seguinte observação notável e oportuna:

“Os bispos, quando não ensinam formalmente [ex cathedra], podem errar, como verificamos que erraram no século IV. O Papa Libério pôde assinar uma fórmula eusebiana [ariana] em Sírmio, e a massa dos bispos em Arímino [Rimini] ou em outros lugares, e ainda assim, apesar desse erro, eles poderiam permanecer infalíveis em suas decisões ex cathedra.”

(Arians of the Fourth Century, Londres, 1876, p. 464)

Aquilo que o Bispo de Ratisbona, Dom Rudolf Graber, afirmou há mais de cinquenta anos caracteriza ainda mais a situação atual da Igreja:

“O que aconteceu há mais de 1600 anos está se repetindo hoje, mas com duas ou três diferenças: Alexandria hoje é toda a Igreja Universal, cuja estabilidade está sendo abalada; e aquilo que então foi realizado mediante força física e crueldade agora é transferido para outro plano. O exílio foi substituído pelo banimento ao silêncio do esquecimento; o assassinato físico, pela destruição da reputação.”

(Athanasius and the Church of Our Time, Edimburgo, 1974, p. 23)

A FSSPX é praticamente a única comunidade na Igreja atual que chama atenção abertamente para as evidentes ambiguidades doutrinais presentes em determinadas declarações conciliares e no rito da Nova Missa, exigindo esclarecimento inequívoco e, se necessário, correção, em conformidade com o Magistério constante da Igreja.

A “hermenêutica da continuidade” ou da “reforma na continuidade”, abordagem em si válida e útil, pode também tornar-se uma espécie de “camisa de força”, cobrindo apenas de forma cosmética as feridas causadas pelas ambiguidades e confusões doutrinais e litúrgicas. Na prática, a Santa Sé exigiria uma forma de raciocínio circular: tudo estaria em ordem desde que se realizasse esforço intelectual suficiente para demonstrá-lo.

De fato, mediante sua insistência incansável na clareza doutrinal e litúrgica, a FSSPX prestaria um grande serviço a toda a Igreja, um serviço de valor histórico. Se a Santa Sé levasse essa posição a sério e reconhecesse objetivamente as ambiguidades presentes em certas formulações do Concílio Vaticano II e no rito da Nova Missa, isso marcaria o início do fim do projeto modernista dentro da Igreja, iniciado, segundo essa visão, há mais de cem anos.

A atual crise entre a Santa Sé e a FSSPX também pode ser ilustrada pela seguinte parábola:

Um incêndio começa numa grande casa. O chefe dos bombeiros permite apenas o uso dos novos métodos de combate ao fogo, embora estes tenham se mostrado menos eficazes do que os métodos e ferramentas antigos, já testados. Um grupo de bombeiros desobedece à ordem, continua a utilizar os métodos comprovados e até recruta novos bombeiros, apesar da proibição do chefe. Graças a isso, o incêndio é contido em muitos lugares. Ainda assim, esses bombeiros são rotulados como desobedientes e cismáticos e são punidos por isso.

Prosseguindo com a parábola: o chefe dos bombeiros admite apenas aqueles que reconhecem os novos métodos e obedecem aos novos regulamentos. Contudo, diante da dimensão do incêndio, da luta desesperada para contê-lo e da insuficiência dos métodos oficiais, outros auxiliares intervêm generosamente, apesar da proibição, trazendo habilidade, conhecimento e boa vontade e, no fim, ajudam a salvar justamente a casa que o chefe tentava proteger.

Com o tempo, as circunstâncias históricas mudam e surge um novo chefe dos bombeiros, que reconhece os efeitos infelizes dos novos métodos. Ele não apenas volta a permitir o uso dos métodos antigos e comprovados, mas torna-se seu defensor entusiasta. Também reconhece a contribuição daqueles bombeiros antes incompreendidos, severamente punidos, tratados como párias e expulsos como rebeldes, acolhendo-os novamente em suas fileiras.

Ao final, depois de passada a grande turbulência, aquilo que antes fora condenado como desobediência e rebelião revela-se um ato de dedicação altruísta.

A história revelará um dia se as seguintes palavras de Santo Agostinho se aplicam à situação atual da FSSPX:

“Muitas vezes a Providência divina permite que homens bons sejam expulsos da congregação de Cristo por causa das turbulentas sedições de homens carnais. Quando, por amor à paz da Igreja, suportam pacientemente essa injúria e não introduzem novidades por meio de heresia ou cisma, ensinam aos homens como Deus deve ser servido com verdadeira disposição e com grande e sincera caridade. A intenção desses homens é retornar quando a turbulência cessar. Mas, se isso não lhes é permitido porque a tempestade continua ou porque seu retorno provocaria outra ainda maior, mantêm-se firmes em buscar o bem até mesmo daqueles que causaram os tumultos que os expulsaram. Não formam grupos separados, mas defendem até a morte e sustentam com seu testemunho a fé que sabem ser pregada na Igreja Católica. A esses, o Pai que vê em segredo coroa secretamente. Parece que este é um tipo raro de cristão, mas não faltam exemplos. Assim, a Providência divina utiliza todos os tipos de pessoas como exemplos para o cuidado das almas e para a edificação de seu povo espiritual.”

(De vera religione, 6:11)

Aquilo que Santo Atanásio escreveu aos seus irmãos bispos em todo o mundo durante uma extraordinária crise da fé também se aplica ao nosso tempo:

“Os cânones e decretos da Igreja não foram estabelecidos nos dias atuais, mas nos foram transmitidos corretamente e com firmeza por nossos antepassados. Tampouco a fé teve origem agora; ela nos foi transmitida pelo Senhor por meio de seus discípulos. Portanto, para que as ordenanças preservadas nas Igrejas desde os tempos antigos até agora não se percam em nossos dias, e para que não nos seja cobrada a confiança que nos foi confiada, despertai-vos, irmãos, como administradores dos mistérios de Deus, ao verdes que eles estão sendo agora tomados por estranhos.”

(Carta Encíclica, 1)

Deus, em Sua Providência, escreve certo mesmo com linhas que, de uma perspectiva meramente jurídica, parecem tortas. Que Ele conceda que esse dia chegue logo.

Alegremo-nos em meio às tribulações e digamos:

Eu creio na invencibilidade da Igreja e do Papado, e creio que a Santa Sé um dia voltará a resplandecer diante do mundo inteiro como a Cátedra da verdade.


sexta-feira, 14 de agosto de 2026

Bispo Escreve Carta Aberta ao Papa contra Sinodo da Sinodalidade. Bispo Gabaritou!

 

Bispo Robert Mutsaerts, dos Países Baixos, escreveu uma Carta Aberta ao Pppa denunciando o Sínodo da Sinodalidade. A Carta está realmente excelente. Como se diz de um aluno que acerta todas as questões de uma prova: bispo Mutsaerts gabaritou!

Traduzo abaixo:

Carta Aberta a Sua Santidade o Papa Leão XIV – pelo Bispo Robert Mutsaerts

Muitas vezes publicámos os grandes textos do Bispo Rob Mutsaerts (Auxiliar de ’s-Hertogenbosch / Bois-le-Duc), Países Baixos. Acaba de publicar (em inglês e em neerlandês) uma carta aberta a Sua Santidade o Papa Leão XIV sobre a necessidade de preocupação com a salvação das almas no meio da confusão da sinodalidade e de outras tendências.

Santo Padre,

Com reverência pelo ofício que Vos foi confiado como sucessor de São Pedro, e em comunhão com a Igreja que Cristo edificou sobre os apóstolos, dirijo-Vos esta carta aberta. Não o faço de ânimo leve. O que me leva a pronunciar estas palavras publicamente é uma preocupação que transcende, em última análise, toda e qualquer outra consideração eclesial: a salvação das almas. Salus animarum suprema lex — a salvação das almas é a lei suprema. A minha pergunta é simples e sincera: o processo sinodal ajuda realmente a aproximar as almas de Cristo e da salvação eterna? Essa é, para mim, a questão decisiva.

Santo Padre, tenho plena consciência de que o ofício petrino comporta uma responsabilidade da qual alguém que se encontra fora desse ofício só pode ter uma vaga noção. Precisamente por esta razão, escrevo estas palavras não por falta de reverência para com o ofício papal, mas por amor a esse mesmo ofício. Afinal, Pedro recebeu de Cristo não só a missão de unir os irmãos, mas também de os confirmar na fé: “E tu, quando te convertires, confirma os teus irmãos.” Em última análise, o mundo pouco ganha com uma Igreja que se limita a repetir o que o próprio mundo já pensa. Precisa de uma Igreja que o aponte para Cristo, com amor mas sem medo.

A minha preocupação relativamente ao Sínodo sobre a Sinodalidade deve ser lida nesta luz. E, acima de tudo, pergunto-me o que tudo isto significa para o simples fiel que espera da sua Igreja não um processo permanente, mas clareza sobre o caminho para Deus.

Esta carta não é, portanto, uma acusação contra pessoas. Nem pretendo negar as boas intenções de muitos que se dedicaram sinceramente ao processo sinodal. As boas intenções merecem reconhecimento. Mas as boas intenções não nos dispensam do dever de examinar os frutos. Cristo próprio nos deu um critério simples para isso: “Pelos seus frutos os conhecereis.” Por isso, creio que, após anos de consultas sinodais, reuniões, relatórios e documentos, chegou o momento de perguntar abertamente quais são esses frutos. Não por cinismo, mas por amor à Igreja. Não por nostalgia de um passado idealizado, mas por preocupação com o seu futuro. E não para travar uma batalha político-eclesial, mas porque por detrás de todas as discussões se encontra uma realidade infinitamente mais importante: a salvação eterna das almas que Cristo confiou à sua Igreja. Por essa preocupação, Santo Padre, apresento-Vos a seguinte reflexão.

O Sínodo sobre a Sinodalidade

Quem julgar o Sínodo sobre a Sinodalidade unicamente com base nos seus próprios objectivos pode facilmente escrever uma história positiva. Houve escuta. Houve fala. Milhares de pessoas foram consultadas. Bispos, sacerdotes, religiosos e leigos reuniram-se. Falou-se de comunidade, participação e missão. Até emergiu um novo vocabulário eclesiástico: sinodalidade, escuta, discernimento, participação, conversa no Espírito, pôr processos em movimento. Mas pode-se também ver a mesma história a partir de uma perspectiva completamente diferente. Permitam-me apenas formular a pergunta desconfortável: O que é que tudo isto realmente produziu? Não: quantas reuniões foram organizadas? Não: quantos relatórios foram escritos? Não: quantas pessoas participaram? Mas: a fé tornou-se mais forte? Cristo foi proclamado com mais clareza? A identidade católica aprofundou-se? Mais pessoas se converteram? A Missa dominical é mais frequentada? Há mais vocações sacerdotais? A catequese tornou-se mais poderosa? Surgiu maior reverência pela Eucaristia? O ensinamento moral da Igreja tornou-se mais claro? Aumentou a coragem missionária?

Quando se formulam tais perguntas, é impossível considerar o Sínodo um sucesso. Entretanto, há ainda outra coisa a considerar. O empreendimento sinodal não está verdadeiramente concluído. A fase oficial de implementação continua e, através de reuniões diocesanas, nacionais e continentais, deve culminar numa assembleia eclesial em Roma em Outubro de 2028. Em Maio de 2026, o Vaticano publicou novamente um extenso roteiro para isso. Isso torna a crítica ainda mais pertinente. O que começou como um sínodo de 2021–2024 ameaça tornar-se uma forma permanente de governação.

Um sínodo sobre um sínodo

O primeiro aspecto notável já está no nome: Sínodo sobre a Sinodalidade. Tradicionalmente, um sínodo era convocado porque a Igreja precisava de falar sobre alguma coisa. Sobre evangelização, matrimónio e família, sacerdócio, Eucaristia, Escritura, uma heresia, uma crise pastoral ou um problema concreto. No sínodo sobre a sinodalidade, o próprio processo é tornado o assunto. Poder-se-ia compará-lo a uma reunião que se convoca interminavelmente para discutir como realizar reuniões daqui para a frente.

A Igreja conhece concílios e sínodos desde a Antiguidade. Os apóstolos reuniram-se em Jerusalém. Os bispos deliberavam uns com os outros. Os papas consultavam os bispos. Os grandes concílios ecuménicos são impensáveis sem consulta eclesial conjunta. Mas isso é algo diferente da sinodalidade como paradigma eclesial permanente. O sínodo clássico era um meio. No discurso sinodal contemporâneo, a sinodalidade ameaça tornar-se um fim em si mesmo. E é precisamente aí que começa o problema, numa perspectiva católica tradicional.

A Igreja não é uma conversa, mas uma realidade recebida

Porque a Igreja não começa com o nosso diálogo. Começa com Cristo. Isso parece evidente, mas tem consequências de grande alcance. Cristo não criou um grupo de discussão. Chamou apóstolos. Deu-lhes autoridade. Enviou-os a proclamar, baptizar e ensinar: “Ide, pois, e fazei discípulos de todas as nações.” A direcção é fundamental a este respeito. A fé não nasce porque a Igreja primeiro inventaria o que as pessoas acreditam e depois destila uma convicção comum de todas essas experiências. A fé foi recebida. Paulo usa constantemente palavras como receber, transmitir e preservar para isso. A Igreja possui a Revelação não porque a concebeu, mas porque a recebeu. Isto significa que o cristianismo não pode, na sua essência, ser democrático. Não porque a democracia como forma de governo seja má, mas porque a verdade não nasce de uma votação maioritária. Se amanhã 90 por cento dos católicos deixassem de acreditar na presença real de Cristo na Eucaristia, Cristo não estaria menos verdadeiramente presente. Se 80 por cento rejeitassem uma determinada doutrina moral, essa doutrina não se tornaria automaticamente falsa. A verdade não é produzida por consenso. Isso constitui a primeira grande área de tensão em torno do projecto sinodal.

Escutar: a quem?

Uma palavra-chave ao longo de todo o processo foi a escuta (como se nunca o tivéssemos feito). Em si mesma, não há nada a objectar. Um bispo deve escutar. Um sacerdote deve escutar. Os cristãos devem escutar-se uns aos outros. Um pastor que nunca escuta o seu rebanho não é um bom pastor. Mas a pergunta segue-se imediatamente: A quem deve a Igreja escutar acima de tudo? A resposta tradicional é: a Cristo, à Escritura, à Tradição Apostólica, aos santos, ao testemunho de vinte séculos de cristianismo, ao Magistério. E, evidentemente, também aos fiéis.

Em certos textos sinodais, porém, a ordem parece ser facilmente invertida. Começa-se com as experiências, desejos, frustrações e expectativas do homem contemporâneo e depois pergunta-se como a Igreja deve responder a eles. Isso parece pastoralmente apelativo, mas contém um perigo. Porque o que acontece quando os desejos do homem moderno chocam com o Evangelho? Então não é o Evangelho que deve mudar; é o homem que deve mudar. No cristianismo, isso chama-se conversão. E precisamente essa palavra é ouvida notavelmente pouco em muitas discussões eclesiais modernas.

O grande ausente: a conversão

Aqui reside a fraqueza mais profunda de todo o projecto. A Igreja não existe primordialmente para afirmar as pessoas no que já são. Existe para as conduzir a Cristo. As primeiras palavras da pregação pública de Jesus não são: “Dizei-Me primeiro como vos sentis em relação às actuais estruturas da Igreja.” Mas: “Convertei-vos e acreditai na Boa Nova.” Isso é consideravelmente menos burocrático. E consideravelmente mais radical.

A Igreja dos Mártires não mudou o mundo romano organizando reuniões de escuta sobre a questão de como os romanos poderiam experimentar a comunidade cristã de forma mais inclusiva. Ela proclamou Cristo. Pedro proclamou Cristo. Paulo proclamou Cristo. Francisco proclamou Cristo. Domingos proclamou Cristo. Francisco Xavier proclamou Cristo. João Maria Vianney proclamou Cristo. Madre Teresa proclamou Cristo. João Paulo II proclamou Cristo. Eles escutaram indubitavelmente as pessoas. Mas a escuta nunca foi o ponto final. O ponto final era a conversão a Cristo.

O elefante na sala da assembleia sinodal

Além disso, há uma discrepância curiosa entre os problemas longamente discutidos no processo sinodal e a crise real em que se encontra particularmente a Igreja ocidental. Os problemas fundamentais da Igreja nos Países Baixos, na Bélgica, especialmente na Alemanha, mas também em grande parte da Europa Ocidental, não são difíceis de reconhecer. As igrejas estão a esvaziar-se. As paróquias estão a ser fundidas. Os mosteiros estão a desaparecer. As ordens religiosas estão a envelhecer. O conhecimento da fé católica está a diminuir. A confissão praticamente desapareceu para muitos católicos. O número de vocações sacerdotais permanece baixo em muitos lugares. Muitos baptizados quase já não acreditam em verdades essenciais da fé. Entre vastos grupos de católicos, a vida sacramental enfraqueceu gravemente. Diante disso, esperar-se-ia fundamentalmente que uma operação eclesial global abordasse primordialmente uma questão: Como podemos reconquistar o mundo para Cristo?

Mas muita atenção se concentra em estruturas, participação, processos de decisão, responsabilidade das mulheres, inclusividade, relações de poder e no modo de funcionamento dos órgãos eclesiais. Estes podem ser temas legítimos. Porém, uma casa em chamas tem prioridades diferentes das questões de natureza doméstica.

Uma lei de Parkinson eclesial

As instituições que perdem de vista o seu propósito original começam muitas vezes a falar cada vez mais intensamente da sua própria organização. As empresas falam então interminavelmente de processos. As universidades de governação. Os governos de modelos de participação. E as organizações eclesiais de estruturas. Quanto menos evangelização, mais comissões sobre evangelização. Quanto menos vocações, mais documentos sobre vocações. Quanto menos pessoas vão à igreja, mais longas são as reuniões sobre tornar-se Igreja. Isso soa cínico, mas há um pensamento sério por detrás: a burocracia pode criar a ilusão de actividade enquanto a realidade mostra o contrário. Navega-se sem bússola.

As expectativas que não podem ser satisfeitas

O processo sinodal gerou expectativas. Isso aconteceu sobretudo porque, durante as várias fases de consulta, foram admitidos temas que tocam matérias sobre as quais a Igreja já possui doutrina clara. O diaconado feminino. O sacerdócio. A moral sexual. As relações homossexuais. A relação entre o laicado e o clero. A autoridade eclesial. A descentralização. A posição da mulher. Quando tais assuntos são “discutidos” durante anos, nasce naturalmente a impressão de que também eles podem eventualmente ser alterados. Afinal, caso contrário, não se falaria sobre eles interminavelmente.

Isto cria um paradoxo pastoral. Pede-se às pessoas que expressem as suas expectativas. Subsequentemente, algumas expectativas revelam-se impossíveis de satisfazer sem pôr em risco a continuidade com a doutrina católica. O que acontece então? Desilusão generalizada. A Igreja gerou ela própria expectativas que, em última análise, não pode honrar. Isso não é um ganho pastoral. É uma receita para a frustração.

A protestantização do conceito católico de Igreja

Além disso, numa perspectiva tradicionalista, é visível aqui uma ironia histórica. Um certo número de elementos da cultura sinodal moderna mostram, de facto, semelhanças com desenvolvimentos observáveis nas igrejas protestantes há décadas. Mais ênfase na participação. Mais input administrativo. Mais estruturas consultivas. Mais peso para as comunidades locais. Mais ênfase na experiência individual. Mais discussão sobre a mudança das visões sociais. Menos de dado relativamente à autoridade hierárquica. Em si mesmo, isto não tem de ser tudo errado. Mas a questão histórica é inevitável: Este modelo conduziu a um espectacular reavivamento cristão no mundo protestante? Em grande parte da Europa Ocidental, a resposta é claramente: não. Porque haveria então a Igreja Católica de adoptar precisamente os padrões administrativos e pastorais de confissões que muitas vezes sofreram a mesma secularização ainda mais cedo e de forma mais grave? Um doente raramente recupera tomando o remédio do doente da cama ao lado, que se encontra em estado ainda pior.

A alternativa esquecida: esforçar-se pela santidade

As grandes reformas católicas quase nunca começaram com estruturas. Começaram com santos. Após períodos de corrupção vieram reformadores. Bento, Bernardo, Francisco, Domingos, Catarina de Siena, Inácio de Loyola, Teresa de Ávila, Carlos Borromeu, Francisco de Sales, João Bosco, Teresa de Lisieux, Maximiliano Kolbe, João Paulo II. O seu programa era surpreendentemente simples: tornar-se santo.

Porque um santo possui um poder missionário que nenhum documento de política pode igualar. Uma paróquia com um pastor santo tem um futuro maior do que uma diocese com vinte grupos de trabalho sobre sinodalidade e gestores altamente remunerados. Um convento com dez religiosos fervorosos evangeliza mais do que cem páginas de jargão eclesiástico. Um sacerdote que acredita visivelmente que está diante de Deus no altar pode conduzir mais pessoas à fé do que uma conferência sobre liturgia participativa.

Aqui reside talvez a alternativa que o Sínodo enfatizou insuficientemente: não menos escuta, mas mais santidade. Não menos participação, mas mais conversão. Não menos diálogo, mas mais proclamação.

A Liturgia como teste de fogo

Numa perspectiva tradicional, é além disso notável que a crise da liturgia tenha recebido relativamente pouca atenção central. Porque se se quer verdadeiramente conhecer o estado de uma Igreja, deve-se olhar para o seu culto. Lex orandi, lex credendi. Como se reza, aí se expressa a fé.

Quando os católicos mal compreendem já que a Missa é o sacrifício sacramental presente de Cristo; quando o sentido do sagrado enfraquece; quando o silêncio desaparece; quando os confessionários ficam vazios e a adoração eucarística se torna marginal, então a Igreja não tem um problema de governação. Tem um problema de fé. Uma nova estrutura de participação não pode resolver isso. Nem uma nova assembleia. Uma redescoberta de Deus, talvez o possa.

O paradoxo da participação

O projecto sinodal enfatiza a participação. Mas aqui emerge um paradoxo curioso. As pessoas que participam intensamente nos processos de consulta eclesial não são necessariamente representativas de toda a Igreja. O católico silencioso que vai à Missa todas as manhãs, reza o terço e dá catequese aos netos normalmente não escreve um relatório sinodal. O jovem católico que viaja três horas para assistir a uma liturgia tradicional normalmente não se senta no grupo de trabalho diocesano. A mãe de seis filhos que tenta educar a família como católica pode ter pouco tempo para sessões de escuta. Uma irmã contemplativa não preenche um inquérito. Mas a sua fé pode estar mais profundamente enraizada do que a dos participantes profissionais em assembleias eclesiais. Quem escuta apenas aqueles que se aproximam do microfone pode facilmente esquecer que o Povo de Deus é maior do que o círculo em torno da mesa de reunião.

Sinodalidade ou colegialidade?

Talvez alguma da confusão desaparecesse se se falasse novamente com mais precisão. A tradição católica tem um conceito claro: colegialidade. Os bispos, juntamente com Pedro e sob Pedro, formam o Colégio dos Bispos. Além disso, existem conselhos de presbíteros, conselhos pastorais, sínodos, capítulos, comunidades religiosas e inúmeras outras formas de deliberação. Porque foi necessária uma nova categoria abrangente para isto: a sinodalidade?

Precisamente porque o conceito é tão amplo — é impossível inventar-lhe uma definição — cada um pode entender por ele algo diferente. Para um, significa escuta. Para outro, descentralização. Para um terceiro, democratização. Para um quarto, renovação pastoral. Para um quinto, reforma do ministério. Para um sexto, uma moral sexual diferente. Um conceito que pode significar tudo acaba por não significar nada. Por isso a questão da proporcionalidade é justificada. Quanta energia ainda é preciso investir nisto? Quantas reuniões? Quantas equipas sinodais? Quantos relatórios? Quantas avaliações de avaliações? E, acima de tudo: o que aconteceria se a mesma quantidade de tempo, dinheiro, energia intelectual e atenção episcopal fosse investida na catequese, nos seminários, na educação católica, na liturgia, na confissão, na adoração eucarística, na pastoral do matrimónio e na evangelização directa? Parece-me uma pergunta retórica.

O problema mais profundo: a eclesiologia

Em última análise, portanto, a discussão não é realmente sobre reunir-se. É sobre a questão: O que é a Igreja? É primordialmente uma comunidade que procura colectivamente o que há-de tornar-se? Ou é primordialmente uma realidade divina que recebeu o que há-de ser? A resposta católica só pode ser a última. A Igreja deve converter-se continuamente, mas está edificada sobre os apóstolos. Preserva uma fé que não inventou ela própria. Por isso, toda a sinodalidade deve, em última análise, ser limitada por algo que não está aberto à discussão sinodal: a verdade que Cristo revelou.

O mundo não espera por uma Igreja sinodal

E aqui reside talvez a maior tragédia. O mundo moderno encontra-se numa crise espiritual extraordinária. As pessoas procuram sentido. Os jovens procuram identidade. A solidão aumenta. As famílias desfazem-se. A tecnologia penetra cada vez mais profundamente na existência humana. A pornografia distorce a sexualidade. O materialismo não satisfaz. As alterações climáticas estão a tornar-se uma religião de substituição para muitos. As pessoas têm medo da morte mas já quase não sabem para que vivem. E no meio desse mundo, a Igreja possui algo extraordinário. Possui o Evangelho. Os sacramentos. A Eucaristia. A Confissão. Dois mil anos de sabedoria. A Escritura. Os Padres da Igreja. Tomás de Aquino. Agostinho. Os místicos. Os santos. Uma tradição incomparável de arte, música, filosofia, moral e espiritualidade. E, acima de tudo: Jesus Cristo.

O mundo não espera por mais uma organização que o escute. Já há bastantes dessas. O mundo espera por alguém que lhe diga para que foi criado.

De Emaús a Jerusalém

Talvez o Evangelho dos discípulos de Emaús ofereça, em última análise, o melhor modelo de autêntica sinodalidade católica. Cristo caminha com os discípulos. Escuta, de facto. Pergunta o que os preocupa. Deixa-os falar. A sua desilusão recebe espaço. Até este ponto, todos os manuais sinodais poderiam concordar entusiasticamente. Mas então ocorre o momento decisivo. Cristo não confirma a sua interpretação. Corrige-a. Abre-lhes as Escrituras. Ensina-lhes como compreender os acontecimentos. E finalmente reconhecem-No na fracção do pão. Essa é a sinodalidade católica na sua forma mais pura. E depois, os discípulos não permanecem reunidos interminavelmente em Emaús a avaliar a sua experiência de caminhada. Levantam-se. Regressam a Jerusalém. Saem a pregar. O processo sinodal ficou preso em Emaús, e a questão é se ainda conseguem sair de lá. Estamos tão ocupados a discutir como a Igreja deve caminhar juntos que por vezes esquecemos para onde se dirige.

Em última análise, a Igreja Católica não precisa de um sínodo permanente sobre si mesma. Precisa de santos. Bispos que ensinem. Sacerdotes que rezem. Religiosos que vivam radicalmente para Deus. Pais que transmitam a fé. Jovens que descubram que a verdade é mais do que uma opinião. Liturgia em que Deus está verdadeiramente no centro. Confissões onde os pecadores encontram perdão. Seminários onde se formam homens dispostos a dar a vida a Cristo. Católicos que não perguntam constantemente como a Igreja deve adaptar-se ao mundo, mas que têm a coragem de convidar o mundo a ser transformado por Cristo. Porque, em última análise, Cristo não enviou a sua Igreja ao mundo com as palavras: Ide e organizai processos sinodais por toda a parte. Disse: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura.” Com isso a Igreja começou. E sempre que foi verdadeiramente renovada, começou aí de novo.

Santo Padre,

Permitam-me concluir esta carta com o mesmo pensamento com que a iniciei: a salvação das almas. Espero e rezo para que, sob o Vosso pontificado, se torne novamente visível com grande clareza que a Igreja não é chamada a discutir interminavelmente consigo mesma, mas a proclamar Cristo; não a reflectir o espírito da época, mas a conduzir o mundo para a vida eterna.

Precisamente do sucessor de Pedro, os fiéis podem esperar que, no meio da confusão do nosso tempo, ele confirme os irmãos na fé. Que nos recorde que a verdade proclamada pela Igreja não é uma posse sobre a qual possamos dispor à vontade, mas um tesouro precioso que recebemos e devemos transmitir intacto. Que dê coragem aos sacerdotes que cumprem fielmente a sua vocação, aos religiosos que dedicaram a vida a Deus, aos pais que tentam educar os filhos como católicos contra a corrente, e aos jovens que, precisamente num tempo de relativismo, anseiam por verdade, santidade, beleza e a aventura radical de uma vida com Cristo.

A minha oração a Vós é, portanto, simples: dai-nos clareza. Quando o mundo fala com incerteza, que Pedro fale claramente. Quando a Igreja se cansa de discussões internas, apontai-nos de novo para Cristo. Quando nos perdemos em processos e estruturas, recordai-nos a nossa missão. Quando tememos proclamar o Evangelho na sua plenitude porque isso poderia ofender o homem moderno, recordai-nos as palavras do próprio Pedro: “Senhor, para quem havemos de ir? As vossas palavras são palavras de vida eterna.”

Santo Padre, escrevo tudo isto com sincera reverência pelo Vosso ofício e com amor à Igreja. A minha crítica ao processo sinodal não nasce do desejo de semear discórdia, mas do medo de que estejamos a perder tempo precioso enquanto tantas pessoas já não conhecem Cristo. A messe é grande. Os trabalhadores são poucos. As igrejas do Ocidente estão a esvaziar-se, enquanto ao mesmo tempo novas gerações parecem procurar de novo a verdade e a transcendência. Precisamente agora não precisamos de uma Igreja hesitante, mas de uma Igreja missionária que sabe qual é o seu tesouro e não tem medo de mostrar esse tesouro ao mundo.

Por isso, rezo para que o Vosso pontificado seja caracterizado por uma renovada concentração naquilo que, em última análise, forma o coração de toda a verdadeira reforma eclesial: Cristo, conversão, santidade, Eucaristia, evangelização e a salvação das almas. Porque, uma vez concluídos todos os sínodos, escritos todos os documentos, dissolvidas todas as comissões e esquecidos os nossos próprios nomes, resta apenas a pergunta que verdadeiramente importa: aproximámos as pessoas confiadas aos nossos cuidados de Jesus Cristo?

Que São Pedro interceda por Vós. Que Nossa Senhora, Mater Ecclesiae, Vos conserve sob a sua protecção. E que o Senhor Vos conceda a sabedoria, a coragem e a determinação paternal para conduzir a sua Igreja na verdade e no amor.

Com sentimentos de sincera reverência, unido em oração,

em Cristo,

+Rob Mutsaerts
Bispo Auxiliar da Diocese de ’s-Hertogenbosch


terça-feira, 11 de agosto de 2026

Igreja da Mudança Climática e Imigração Cria Mães Assassinas

 


A governadora de Massachusetts, Maura Healey, se declara católica, já deu palestras para a Academia Pontífica de Ciências da Igreja em 2024, já se encontrou pessoalmente com o Papa Francisco, mas é "casada com mulher", apoiadora de políticas "contra a mudança climática", do movimento LGBT, do movimento Black Lives Matter e da entrada de imigrantes em massa.





Healey é nada mais do que um furto do "catolicismo" propagado desde o Papa Francisco, que continua com Leão XIV, que defende a imigração em países ocidentais, a ponto de fazer imagens de jangadas de imigrantes e ir subir em pedras próximas ao mar para saudar imigrantes, e a ponto de abençoar gelo. 

Maura Healey é o fruto dessa "igreja" em que uma mulher aprova matança de crianças sob as palmas de outras mulheres.

 

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

80% da Receita da Conferências dos Bispos dos EUA é fruto de Imigração!



Até o Elon Musk disse: "Wow", ao ver que 80% das receitas da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos vêm do governo federal americano para o reassentamento de imigrantes ilegais e refugiados

Três cardeais já foram na televisão atacar Trump por ter cortado a torneira do dinheiro do governo que cai na conta da Conferência dos Bispos dos Estados Unidos por conta do trabalho que fazem em apoio a imigrantes ilegais e refugiados. Vimos no passado o Papa Francisco se intrometendo na disputa eleitoral dos Estados Unidos para dizer que Trump não era cristão por não apoiar a entrada de imigrantes ilegais e vemos agora o Leão XIV subindo em pedras para apoiar a entrada de imigrantes na Europa e também atacar Trump por conta de sua política restritiva de imigração.

Hoje, vemos que mais de 80% da receita da Conferência, sem restrição de doadores, vem desse serviço, com base nos demonstrativos financeiros auditados da ConferÊncia dos Bispos dos Estados Unidos ( USCCB) de 2024, último ano do governo Biden.

Li que isso é consistente com os anos da administração Biden. Em 2023, as doações do governo federal para USCCB foram de quase 130 milhões de dólares e mais de 180 milhões de dólares em 2024.  

Em 2025, sob a administração Trump, os contratos federais com a USCCB para esses programas foram encerrados/não renovados, o que levou a cortes de pessoal e ao fim da parceria de décadas.

Parece que a frase: "follow the money" para ver onde está a ética das pessoas serve para Conferência dos Estados Unidos e mesmo para a hierarquia da Igreja. É triste!