quarta-feira, 15 de agosto de 2018

45 Intelectuais Apelam aos Cardeais Contra o Papa Francisco


(Atualizando) agora são 75 intelectuais (filósofos, escritores e teólogos) publicaram um Apelo aos Cardeais pedindo que aconselhem o Papa Francisco a retirar a mudança que ele fez no Catecismo contra a Pena de Morte.

O assunto está sendo noticiado no mundo todo, como no The Catholic Herald, do Reino Unido.

O Apelo foi publicado no renomado site da publicação católica First Things dos Estados Unidos.

O documento ressalta que dizer que a pena de morte é "inadmissível" como o Papa fez é contrário as Escrituras e ao Magistério de 2 milênios da Igreja. Eles mencionam também São Tomás de Aquino, o maior teólogo da história da Igreja.

Eles afirmam que o Papa Francisco ensina um erro em matéria de pena de morte e se recusa a defender a Doutrina da Igreja. Assim, eles imploram aos cardeais que ponham fim a esse "escândalo".

Aqui vai parte do Apelo, leiam todo no site do First Things.

Pope Francis has revised the Catechism of the Catholic Church to read, “the death penalty is inadmissible because it is an attack on the inviolability and dignity of the person.” This statement has been understood by many, both inside and outside the Church, to teach that capital punishment is intrinsically immoral and thus is always illicit, even in principle.
Though no Catholic is obliged to support the use of the death penalty in practice (and not all of the undersigned do support its use), to teach that capital punishment is always and intrinsically evil would contradict Scripture. That the death penalty can be a legitimate means of securing retributive justice is affirmed in Genesis 9:6 and many other biblical texts, and the Church holds that Scripture cannot teach moral error. The legitimacy in principle of capital punishment is also the consistent teaching of the magisterium for two millennia. To contradict Scripture and tradition on this point would cast doubt on the credibility of the magisterium in general.
...
Hence we, the undersigned, issue the following appeal:
To their Most Reverend Eminences, the Cardinals of the Holy Roman Church,
Since it is a truth contained in the Word of God, and taught by the ordinary and universal magisterium of the Catholic Church, that criminals may lawfully be put to death by the civil power when this is necessary to preserve just order in civil society, and since the present Roman pontiff has now more than once publicly manifested his refusal to teach this doctrine, and has rather brought great confusion upon the Church by seeming to contradict it, and by inserting into the Catechism of the Catholic Church a paragraph which will cause and is already causing many people, both believers and non-believers, to suppose that the Church considers, contrary to the Word of God, that capital punishment is intrinsically evil, we call upon Your Eminences to advise His Holiness that it is his duty to put an end to this scandal, to withdraw this paragraph from the Catechism, and to teach the word of God unadulterated; and we state our conviction that this is a duty seriously binding upon yourselves, before God and before the Church.

Filha dos Clinton: "Aborto é Bom para Economia"



O pessoal que defende o aborto perde no argumento científico, pois a vida nasce na fecundação. Perde no debate sobre direito de escolha da mulher, pois mata-se uma pessoa quando se faz um aborto, uma pessoa diferente da mãe que a carrega. Perde no debate sobre que liberar o aborto diminui o aborto (vejam por exemplo o caso do Uruguai que liberou aborto, e teve aumento de 37% em abortos em seis anos). Perde no debate médico, pois aborto não é saúde pública, é matar uma criança.

Agora, a filha dos Clinton (do tarado Bill Clinton e da desequilibrada Hillary Clinton), Chelsea Clinton, diz no vídeo que  a aprovação do aborto nos Estados Unidos foi boa para economia, pois as mulheres deixaram de ficar em casa e foram trabalhar e assim adicionaram, segundo ela, meio trilhão de dólares na economia.

É um argumento econômico tão estúpido que chega a ser engraçado se não fosse trágico, se não envolvesse a matança de mais de 60 milhões de crianças.

Desde que foi aprovado o aborto nos Estados Unidos, calcula-se que 60 milhões de crianças (aproximadamente 20% da população americana) forma mortas.

Pergunta-se a economista Chelsea Clinton:

Essas 60 milhões de crianças também ficariam em casa sem fazer nada, sem consumir nada, e sem trabalhar, sendo um peso para a sociedade?

Qual o peso do mercado de crianças no mundo? Não vale nada? Brinquedos, roupas, escolas, parques, comidas, programas de televisão, filmes, médicos, hospitais..

Entra essas 60 milhões, não haveria nenhum gênio científico ou gênio financeiro ou presidente dos Estados Unidos ou santo ou nem um simples trabalhador dedicado?

E as mulheres que ficam em casa em apoio a seus maridos trabalhando e a formação dos seus filhos também são peso para economia?

A educação que a mãe que fica em casa dá para seus filhos é um prejuízo para a economia?

Ter filho impede a capacidade produtiva de uma mulher?

As mulheres que têm filhos e que trabalham estão fora do seu cálculo?

As mulheres que matam seus filhos em seus próprios ventres não têm nenhuma sequela emocional ou física que as prejudicam como força de trabalho ou simplesmente como pessoa, trazendo custo para a sociedade? Se tem sequelas, você colocou isso na conta?

Aceitando o argumento das feministas de que os homens temem pela concorrência feminina no mundo do trabalho, haveria mais gente querendo trabalhar e competindo pelo mesmo emprego, homens e mulheres, aumento aumenta ou reduz o salário da sociedade ou diminui? Se diminui, como parece óbvio, você colocou isso na conta?

A China tem mais de um bilhão de habitantes. Dizem que isso é o maior ativo do país. Você concorda? Se concorda, então é gente que produz e consome que gera riqueza, então não seria melhor escolher a vida?




terça-feira, 14 de agosto de 2018

Padre Rosica: "Papa Francisco Decide Sozinho sem Bíblia e sem Tradição". Ele está Elogiando o Papa (!!!)


Padre Thomas Rosica é muito próximo do Papa Francisco (como mostra a foto acima). Ele foi porta-voz do Vaticano, no Sínodo da Família. Eu já comentei muito sobre o Padre Thomas Rosica aqui no blog, certa vez ele disse que a "sagrada família é mais irregular do que casais gays" e certa vez, ele processou um blogueiro canadense, amigo meu, que foi notícia internacional.

Agora, ele exalta que o Papa Francisco é o primeiro papa a decidir sozinho, sem se apegar à Bíblia e à Tradição, e ele acha isso ótimo.

Vejam as palavras dele, trazidas pelo site Rorate Caeli.

Pope Francis breaks Catholic traditions whenever he wants, because he is “free from disordered attachments.”Our Church has indeed entered a new phase: with the advent of this first Jesuit pope, it is openly ruled by an individual rather than by the authority of Scripture alone or even its own dictates of tradition plus Scripture.

(Traduzindo: Papa Francisco quebra com as tradições católicas quando ele desejar, porque ele é "livre de apegos desordenados. Nossa Igreja tem de fato entrado em nova fase: com o advento do primeiro papa jesuíta, ela é abertamente comandada por um indivíduo ao invés de ser comandada pelas escrituras ou mesmo ditada pela Tradição mais as escrituras).


O renomado jornal inglês The Catholic Herald trouxe também a notícia da descrição do método do Papa pelo padre Rosica.


Bom, em poucas palavras, o padre Rosica não sabe o que é a Igreja. E ele acha que Bíblia e Tradição têm muitos "apegos desordenados". 


Por vezes, no entanto, parece que o Papa também não sabe.


Rezemos. 



segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Vídeo: Velho Testamento em 5 Minutos



Muito legal. É centrado no aspecto político (escravidão, conquistas, reconquistas, exílio), mas não deixa de ser interessante. Serve para ter uma noção do espaço-tempo do Velho Testamento.

Pena que não tenho tempo para traduzir.




sábado, 11 de agosto de 2018

Italianos se Afastam do Papa Francisco


Pesquisa mostra que os católicos italianos estão se afastando do Papa e apoiando o novo governo. O mesmo acontece com os italianos em geral.

O novo governo de Matteo Salvini e Giuseppe Conte promete defender a cultura cristã italiana contra a invasão muçulmana africana.

Então, a pesquisa não é surpresa. O Papa está do lado contrário, sempre apelando para a entrada em massa de imigrantes sem critério que trazem o caos público e privado.

O partido do governo que é contra a onda migratória destrutiva (Lega Nord, League em inglês) duplicou o apoio popular entre os católicos, católicos de verdade que pelo menos frequentam semanalmente a Igreja . E minimamente sabem o que significam ser católicos. E também quase duplicou o apoio entre a população em geral O 5 Stelle (5 Stars em inglês) que apoia o governo e também é contra a entrada em massa de imigrantes também aumentou o apoio entre católicos (gráfico acima).

A divulgação da pesquisa foi feita pelo site Politico, que conhecido pelo seu viés esquerdista.

Vejam relato da pesquisa abaixo, que começa dizendo que o Papa Francisco tem um problema: os católicos


Italy’s Catholics flock to the right

Support for Matteo Salvini’s hard line on immigration has spiked among country’s churchgoers.
Pope Francis has a problem: Italian Catholics.
In the home of the Vatican, believers are increasingly attracted by the hard-line stance of Interior Minister Matteo Salvini.
Francis and Salvini espouse radically different approaches to migration. Where the pope has called on countries to take care of the less fortunate, Salvini has turned his close-the-borders approach to immigration into an electoral warhorse.
The trouble for Francis is that Salvini seems to be winning — even among Catholic voters.
Since his ascendancy to the throne of St. Peter in 2013, the Argentine pope has advocated a welcoming approach toward migrants, in line with the Church’s tradition. He has washed the feet of jailed asylum seekers and visited Lampedusa — a small Sicilian island off the coast of Libya where many of Europe’s migrants arrive — to condemn the “global indifference” to the plight of those lost at sea.
In 2015, at the height of the European migrant crisis, Francis famously called on the Continent’s Catholics to open their doors to “refugees who flee death from war and hunger.”
“May every parish, every religious community, every monastery, every shrine of Europe welcome one family, beginning with my Diocese of Rome,” he said.
...

Rising right

Salvini’s posture has triggered accusations of racism — but it has also rewarded him with a meteoric rise in the polls. Since March, support for his party has soared from 17 percent to roughly 30 percent. Only the League’s partner in Italy’s ruling coalition, the anti-establishment 5Star Movement, enjoys similar ratings.
Meanwhile, the pontiff’s popularity in Italy has dropped from 88 percent in 2013, when he was elected, to 71 percent, according to a recent poll. Among the key reasons, according to the poll’s author, Ilvo Diamanti, is migration.
...

‘Get thee behind me’

Salvini’s popularity presents a direct challenge to the Vatican, said Alberto Melloni, a prominent historian of the Catholic Church, in a recent interview.
“The problem with Salvini’s operation is that he doesn’t just want the votes of Catholics,” he said. “Sometimes it almost seems like he wants their souls.”
Like Hungarian Prime Minister Viktor Orbán, whom the Italian interior minister admires, Salvini has taken pains to cast himself as a champion of what he calls “Christian democracy.”


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Patologia Altruísta - Uma Praga Moderna



Chesterton disse que a heresia nada mais é do que uma coisa boa isolada das outras virtudes e exagerada. Ele tinha razão. Alguém acha que o mundo precisa de paz, daí condena todo tipo de guerra. Alguém acha que algumas pessoas são presas injustamente, daí condenam a prisão em termos gerais e a pena de morte em particular. Alguém acha que a mulher precisa ter sua própria individualidade, não depender do marido, daí condena os homens. Alguém acha que os gays precisam ser protegidos contra agressão, daí aprovam o casamento gay. Alguém acha que os imigrantes precisam ser bem tratados, daí condenam os países que protegem suas culturas.

Paul Joseph Watson fez o vídeo acima sobre a patologia altruísta, sobre aqueles que se julgam bonzinhos e fazem um mal terrível para si e para a sociedade.

Patologia altruísta é o caso de alguém apoiar de alguma forma alguém que o odeia, que quer matá-lo.

O caso emblemático é o de Elin Ersson que chorou e fez protesto em um avião para que não se deportasse um imigrante. Ela foi considerada uma heroína dos direitos humanos, heroína progressiva. Elin foi comparada a Gandhi e Martin Luther King. Acontece que o imigrante tinha sido preso por agredir violentamente sua esposa e suas filhas e até queria mesmo ser deportado para seu país de origem. Elin assim manteve um agressor violento em seu país para cometer mais atrocidades contra outras mulheres e crianças.

O mesmo acontece todo dia no mundo e no Brasil, inúmeras organizações de direitos humanos fazem campanha em nome de assassinos e terroristas.

Coisa bem comum nos dias de hoje.

Uma praga!


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Video Prager: O Que é Ser Homem?



Hoje em dia o mundo condena a masculinidade. Todo o poder do feminismo, dos ativistas LGBT, e essa vontade de acabar com a pena de morte e as guerras conspiram contra o homem.

Como eu digo em livro ainda não lançado que tudo isso apoia o pior tipo de homem: o covarde. Aquele que abandona as mulheres e os filhos.

O vídeo acima ilustra que na verdade o mundo nunca precisou tanto de verdadeiros homens.



quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Fundamento Bíblico para Pena de Morte: a Alma


Acima, uma frase do teólogo calvinista Rushdoony sobre pena de morte na Bíblia. Ele ressalta que os crimes contra a família merecem a pena de morte na Bíblia. Não estou pregando a pena de morte para adúlteros, gays, ou abortistas. Seria um genocídio gigantesco no mundo moderno. Os males contra a família avançaram muito, terrivelmente. Só desejo lembrar aqui a solidez do fundamento da pena de morte na Bíblia. Apenas isso.

Mas, por outro lado, a pena de morte é fundamentada em sua profundidade na honra a Deus, na honra ao que Ele pregou, para o bem da alma humana e da alma da comunidade. Neste sentido, talvez porque não se exerceu a pena de morte contra os primeiros propagadores do aborto, do adultério ou do casamento gay é que temos essas práticas tão disseminadas e aceitas.

E não adianta argumentar que a pena de morte é coisa do Velho Testamento ou judaica. Cristo aprofundou a lei judaica. Foi Ele que disse que para o adultério não precisa do ato, basta o olhar desejoso, foi Ele que disse que se o seu olho faz você pecar, você deve arrancá-lo, foi Ele que disse que o divórcio não é permitido, apesar de Moisés ter permitido no Velho Testamento.

Recentemente, dois renomados católicos, Solange Hertz  e Sandro Magister, mostraram a solidez da pena de morte na Bíblia, motivados pelo argumento de que a pena de morte é "inadmissível" do Papa Francisco no Catecismo.

O texto de Solange Hertz na verdade é de 2011, ela faleceu com 95 anos em 2015. Já em 2011, ela lutava contra as tentativas de condenar a pena de morte em si pelo Vaticano. O site The Remnant republicou o artigo dela na segunda-feira passada por conta do Papa Francisco.

E ontem, eu li o texto do renomado jornalista italiano Sandro Magister incentivado pela heresia do Papa Francisco, no qual ele lembra o pensamento de um ilustre jesuíta.

Vou colocar os principais argumentos dos dois textos:

Hertz

1) Ela argumenta que a partir de Noé, Deus delegou ao homem também o poder da pena de morte. Genêsis 9:5-6

"Todo aquele que derramar o sangue humano terá seu próprio sangue derramado pelo homem, porque Deus fez o homem à sua imagem." 
Gênesis, 9 - Bíblia Católica Online

2) Depois do Monte Sinai, Moisés codificou a pena de morte na lei judaica (Deut 19: 18-21). A pena de morte foi declarada não apenas para assassinato mas para adultério, estupro, atos sexuais homossexuais (sodomia), sequestro, ofensas aos pais, sacrifício de crianças, idolatria, fazer adivinhações ou buscar espíritos, apostasia, blasfêmia ou qualquer tentativa de seduzir contra a fé, em diversas passagens bíblicas.

3) Depois de algumas considerações sobre como a pena de morte é vista hoje em dia. Hertz lembra qual é o fundamento da pena de morte, não é manter os malfeitores longe da sociedade,o fundamento é a alma humana. Nas palavras dela:

"Dada a queda, as injustiças estão fadadas a ocorrer em qualquer sistema judicial, e todos concordam que devem ser impiedosamente remediadas. O que não é irrelevante é que se precipite no erro que Pio XII adverte. Considerando a segurança física da sociedade como a única razão real para executar um criminoso, argumenta-se que a pena de morte pode agora ser descartada com segurança, supostamente com o argumento de que agora temos à nossa disposição muitas maneiras melhores de proteger as pessoas do malfeitor. Que a pena é devida principalmente como expiação a Deus na justiça, e somente secundariamente ao homem foi completamente perdida de vista. A dimensão sobrenatural da punição como um agente para o bem espiritual da sociedade e do criminoso é, além disso, não apenas não tratada, mas tratada como inexistente."

4) Sobre pena de morte versus a prisão perpétua, Hertz lembra que os padres que convivem com presidiários dizem que a pena de morte tem maior chance de que o malfeitor se arrependa. A prisão perpétua não tem essa característica, o malfeitor continua defendendo sua inocência e morre sem arrependimento. Isto é, não entrega sua alma a Deus. Assim, para a vida eterna do malfeitor a prisão perpétua é pior.

5) Das passagens do Novo Testamento, Hertz lembra por exemplo de Hebreus 9:22-24, que nos mostra a importância do sacrifício para a purificação.

"Moisés, ao concluir a proclamação de todos os mandamentos da lei, em presença de todo o povo reunido, tomou o sangue dos touros e dos cabritos imolados, bem como água, lã escarlate e hissopo, aspergiu com sangue não só o próprio livro, como também todo o povo, 20.dizendo: Este é o sangue da aliança que Deus contraiu convosco (Ex 24,8). 21.E da mesma maneira aspergiu o tabernáculo e todos os objetos do culto. 22.Aliás, conforme a lei, o sangue é utilizado, para quase todas as purificações, e sem efusão de sangue não há perdão. 23.Se os meros símbolos das realidades celestes exigiam uma tal purificação, necessário se tornava que as realidades mesmo fossem purificadas por sacrifícios ainda superiores. "Eis por que Cristo entrou, não em santuário feito por mãos de homens, que fosse apenas figura do santuário verdadeiro, mas no próprio céu, para agora se apresentar intercessor nosso ante a face de Deus." 

Magister

O argumento de Magister é que o Papa tomou posição em favor do secularismo humanista, contra os evangelhos.

Ele aponta um texto de um ilustre cardeal jesuíta americano Avery Dulles que faleceu em 2008.

Dulles lembrou que no Velho Testamento existem 36 ofensas que são resolvidas com pena de morte por apedrejamento, na fogueira, decapitação ou estrangulamento.

Dulles também menciona Gênesis 9:6,  e diz que muitas vezes o próprio Deus mata outras vezes usa os seus profetas para tal como Daniel.

Dulles diz que apesar de Cristo não ter usado de violência (acho que ele não lembrou do episódio do Templo, mas tudo bem), Cristo nunca negou a autoridade do Estado em realizar a pena de morte e Cristo, em debate com os fariseus  Ele disse que aquele que ofende seu pai e sua mãe merece morrer (Mateus 15:4, Marcos 7:10, refletindo Êxodo 21:17 e Levítico 20:9)

Na cruz, Cristo elogia o bom ladrão quando este disse que merecia morrer pois tinha cometido malfeito.

Dulles lembra os patriarcas e doutores da Igreja são unânimes em aceitar a pena de morte.

Em seguida, Dulles parece estar escrevendo para o Papa Francisco, pois ele critica justamente a posição do Papa Francisco de que o mundo moderno respeita mais a vida humana.

Diz Dulles:

"Alguns tomam a posição absolutista de que, como o direito à vida é sagrado e inviolável, a pena de morte está sempre errada. Padre Concetti e outros explicam que a Igreja desde os tempos bíblicos até os nossos dias não conseguiu perceber o verdadeiro significado da imagem de Deus no homem, o que implica que até mesmo a vida terrestre de cada pessoa é sagrada e inviolável. Nos séculos passados, é alegado que judeus e cristãos não conseguiram pensar nas conseqüências dessa doutrina revelada. Eles foram apanhados em uma cultura bárbara de violência e em uma teoria absolutista do poder político, ambos transmitidos do mundo antigo. Mas em nossos dias, um novo reconhecimento da dignidade e dos direitos inalienáveis ​​da pessoa humana amanheceu. Aqueles que reconhecem os sinais dos tempos vão além das doutrinas antiquadas de que o Estado tem um poder divino de matar e que os criminosos perdem seus direitos humanos fundamentais. O ensino sobre a pena de morte deve passar hoje por um desenvolvimento dramático correspondente a esses novos insights.

Essa posição absolutista contra a pena de morte tem uma simplicidade tentadora. Mas não é realmente nova. Foi mantida pelos cristãos sectários pelo menos desde a Idade Média. Muitos grupos pacifistas, como os valdenses, os quakers, os huteritas e os menonitas, compartilhavam desse ponto de vista, mas, como o próprio pacifismo, essa interpretação absolutista do direito à vida não encontrou eco na época entre os teólogos católicos, que aceitavam a pena de morte como consoante com a Escritura, a tradição e a lei natural.

"A crescente oposição à pena de morte na Europa desde o Iluminismo tem andado de mãos dadas com o declínio da fé na vida eterna. No século XIX, os defensores mais consistentes da pena de morte eram as igrejas cristãs e seus oponentes mais consistentes eram grupos hostis a Igreja. Quando a morte passou a ser entendida como o mal maior em vez de um estágio no caminho da vida eterna, filósofos utilitaristas como Jeremy Bentham acharam fácil descartar a pena de morte como "aniquilação inútil".

"Muitos governos na Europa e em outros lugares eliminaram a pena de morte no século XX, muitas vezes contra os protestos de crentes religiosos. Embora essa mudança possa ser vista como um progresso moral, provavelmente se deve, em parte, à evaporação do sentido de pecado, culpa e justiça retributiva, todos essenciais para a religião bíblica e para a fé católica.A abolição da pena de morte em países anteriormente cristãos pode dever-se mais ao humanismo secular do que à penetração mais profunda no evangelho.

"Argumentos do progresso da consciência ética têm sido usados ​​para promover uma série de alegados direitos humanos que a Igreja Católica constantemente rejeita em nome da Escritura e tradição. O magistério recorre a essas autoridades como base para repudiar o divórcio, o aborto, as relações homossexuais, e a ordenação de mulheres ao sacerdócio.Se a Igreja se sente vinculada pelas Escrituras e tradição nessas outras áreas, parece inconsistente para os católicos proclamarem uma “revolução moral” sobre a questão da pena de morte.

"O magistério católico não defende e nunca defendeu a abolição incondicional da pena de morte. [...] O papa João Paulo II falou por toda a tradição católica quando proclamou em" Evangelium Vitae "(1995) que" o assassinato direto e voluntário de um ser humano inocente é sempre gravemente imoral. Mas ele sabiamente incluiu nessa declaração a palavra "inocente". Ele nunca disse que todo criminoso tem o direito de viver nem negou que o Estado tem o direito, em alguns casos, de executar o culpado. […]

"O magistério católico nos últimos anos tem se tornado cada vez mais vocal na oposição à prática da pena capital. O Papa João Paulo II em 'Evangelium Vitae' declarou que 'como resultado de melhorias constantes na organização do sistema penal' casos em que o a execução do agressor seria absolutamente necessária "são muito raras, se não praticamente inexistentes".

"Chegando a esta conclusão prudencial, o magistério não está mudando a doutrina da Igreja. A doutrina continua sendo a mesma: que o Estado, em princípio, tem o direito de impor a pena de morte a pessoas condenadas por crimes muito graves. Mas a tradição clássica sustentava que o Estado não deveria exercer esse direito quando os efeitos maléficos superam os bons efeitos, de modo que o princípio ainda deixa em aberto a questão de se e quando a pena de morte deve ser aplicada: o papa e os bispos. Usando um julgamento prudencial, na sociedade contemporânea, pelo menos em países como o nosso, a pena de morte não deveria ser invocada, porque, no geral, faz mais mal do que bem. Eu pessoalmente apoio essa posição. "


---



terça-feira, 7 de agosto de 2018

"Papa Francisco é Herético como Papa João XXII e Papa Honorius. Mas Há Esperança"


Dan Hitchens sempre procura ser moderado em suas argumentações. Mas a mudança que o Papa Francisco fez no Catecismo fez ele ter uma posição direta, como eu nunca vi. Dan Hitchens é vice editor do jornal inglês The Catholic Herald e costuma escrever regularmente para vários meios católicos como o renomado First Things.

Dan Hitchens chegou a comparar o Papa Francisco com os famosos papas heréticos da Igreja: Papa João XXII (herético sobre a visão divina)  e Papa Honorius (herético sobre as vontades de Cristo).

E ao fim concluiu com uma voz de esperança, usando o historiador católico Christopher Dawson, dizendo que quando a Igreja está em seus piores momentos é porque a glória estaria perto.

Eu gosto muito de Dawson, até já pensei em escrever sobre ele, por vezes, no entanto, achei que faltava profundidade aos livros dele. Sobre história dos papas, acho que Eamon Duffy é melhor. Mas tudo bem, vale a nota de esperança.

Rezemos e lutemos por isso, para que a Igreja supere esta heresia do Papa Francisco e tantas palavars e ações desastrosas dele.

Vejam parte do texto de Dan Hitchens, escrito no jornal The Catholic Herald:

The Catechism and the death penalty: are Catholics right to be worried?


hursday’s update to the Catechism, in which the death penalty was redescribed as “inadmissible”, has troubled more than a few Catholics. Friends who don’t normally bother with Church politics have brought it up in conversation. The news has dominated social media, helped by headlines like “Pope changes Church teaching”. Those headlines are misleading: the edit does not change any teaching. But it has created confusion and anxiety.
To recap, the Catechism previously said that “the traditional teaching of the Church does not exclude recourse to the death penalty”, while recommending that it be “very rare, if not practically non-existent”. But this was practical guidance, rather than a firm doctrinal statement. Cardinal Ratzinger, the Vatican’s doctrinal chief when the Catechism was issued, said there was a “legitimate diversity of opinion even among Catholics” about whether, and how much, modern states should employ capital punishment.
Pope Francis’s tweak to the Catechism changes that guidance into something apparently much stronger: the death penalty is now said to be “inadmissible”. This is confusing because “inadmissible” is a vague, non-technical term. It could mean “inadmissible in today’s societies, in the Pope’s view”. On this reading, the Pope wasn’t talking about the theoretical legitimacy of the death penalty; he was just making a statement that today’s political regimes are so universally awful that they can’t be trusted to administer it.
...
The problem is that Church teaching on this point is remarkably well-established. As Edward Feser reminded us yesterday, the saints and the popes (up to St John Paul II and Benedict XVI) have consistently taught that the death penalty is in principle legitimate. Some popes have seen it as a litmus test for orthodoxy.

...
Two kinds of overreaction are possible here. The gloomy will ask, “Why should I believe the Church about anything, if popes can just contradict each other?” The blasé will say, “I’m sure Pope Francis has called this one correctly – he’s the Pope, after all, so we should just trust him.”
Both reactions ignore doctrine and history. It is part of Church teaching that popes can sometimes wander into error. It happens. If in the 1330s you had gloomily asked, “Why should I believe the Church about anything, if Pope John XXII can contradict such well-established doctrine on the beatific vision?” you would have had the surprise, a little while later, of hearing Pope John shamefacedly withdraw his statements.
If in the 630s you had cheerfully said, “I’m sure Pope Honorius has called this one correctly on Monothelitism – he’s the Pope, after all, so we should just trust him,” you might have lived to hear, a half-century later, the Third Council of Constantinpole solemnly declare: “To the heretic Honorius, anathema!”
So it’s more than possible for a pope to be in tension with Church teaching. Nevertheless, given that the Pope is the successor of St Peter, you can see why Catholics find the situation distressing.
Matthew Walther, a columnist for The Week whose writing will also be very familiar to Catholic Herald readers, once praised Pope Francis as “a good and pious shepherd of souls”. On Thursday Walther retracted those words, saying that while he still admired much of Francis’s pontificate, “he has undermined my faith today”.
..
Some people will be able to say, serenely, that God protects His Church from error, and that a highly ambiguous form of words, in a not-very-authoritative context, is no big deal. To those finding it harder to stay calm, maybe it’s worth reflecting on the testimony of Catholics who have contemplated history most deeply. They tend to say that, when things look really bad, a glorious recovery is imminent. As the historian Christopher Dawson put it, “When the Church possesses all the marks of external power and success, then is its hour of danger; and when it seems that no human power can save it, the time of its deliverance is at hand.



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Grande Michael Bublé Está de Volta. Depois de Curar Filho com Câncer.



Eu costumo dizer que todos os casais no dia do casamento deveriam ouvir a música acima de Michael Bublé, chamada Hold On. Belíssima que fala basicamente que a vida em casal é difícil, em alguns momentos só resta a fé que se tem no relacionamento.

Fiquei muito feliz, em saber que o grande Michael Bublé está de volta depois de três na luta contra o câncer de seu filho Noah, que agora está curado

Ele vai fazer um show para 80 mil pessoas em Dublin. Falou em entrevista que esteve no inferno na luta pela vida do seu filho, agradeceu muito as orações que recebeu e a graça divina.

Na entrevista, ele estava muito emocionado e disse que sua família é  "fácil a preocupação número 1 de sua vida". E que  o "negócio dele é ser uma pessoa melhor" e que está muito agradecido a Deus em voltar.

E ainda prometeu o melhor disco de sua carreira que contará com os sentimentos que teve durante esses difíceis três anos.

Viva Noah. Viva Michael Bublé sua esposa Luisana Lopilatoe seus dois outros filhos (Elias e Vida).

Vejam a entrevista dele abaixo.



E o texto do Aleteia sobre a entrevista

Michael Bublé is back on stage after his son beat cancer

Luta Contra Aborto no Brasil - Prof. Hermes Nery


Meu ilustre amigo, prof. Hermes Rodrigues Nery, mais uma vez se levantou para defender a vida, e especial a vida daquele que é mais indefeso, a criança no ventre materno. Ele se levantou contra o "crime mais hediondo" (nas palavras do Dr. Ives Granda), contra o aborto.

Prof. Nery ressalta o paradoxo de que temos tanto avanço na medicina que convive com uma cultura da morte. Ele destaca o histórico do avanço da cultura da morte e da agenda antifamília.

Que Nossa Senhora continue protegendo Prof. Nery e todos que lutam pela vida.

Aqui vai o vídeo do pronunciamento do Prof. Nery e o seu texto diante do STF:




AGENDA DO ABORTO ATENTA CONTRA A SOBERANIA NACIONAL E TEM COMO ALVO OS MAIS FRAGILIZADOS DA SOCIEDADE
Sra. Ministra Rosa Weber, relatora da ADPF-442, Sres. Ministros, demais autoridades, participantes dessa audiência pública e demais presentes.
Chegamos ao final da segunda década do século 21, em meio a tantas possibilidades promissoras de melhorias nas condições de vida humana no planeta, com tão ricas potencialidades, e nos deparamos ainda com o principal desafio bioético da atualidade: vencer as forças de poder que não reconhecem que a pujança da vida deve ser abundância para todos, e que nenhum ser humano deve ser impedido do "direito à vida". Mas o que vemos infelizmente é se agigantar uma "cultura da morte", especialmente com a agenda do aborto, que obscurece as esperanças de um tempo em que deveríamos solenemente declarar a proteção e a inviolabilidade da vida humana, desde a concepção, porque a vida vale por inteiro, não só para alguns (para os mais fortes) e nem só em algumas fases.
A história é já conhecida por muitos expositores (especialistas que aqui estão hoje). Mas é preciso resumi-la para situarmos melhor a questão do debate que o Supremo Tribunal Federal propõe nesta audiência pública.
Desde 1952, com a fundação do Conselho Populacional, em Williamsburg (EUA), juntamente com a Fundação Ford, nas décadas posteriores, vários demográfos neomalthusianistas propuseram o aborto como meio mais eficaz de controle populacional. É óbvio que o alvo de tal controle são os pobres, os mais fragilizados da sociedade. Aparece aí uma falsa solução: pois aonde dever-se-ia combater as causas da pobreza, opta-se por combater os pobres; um combate entre quem tem poder e quem está debilitado e precisa, portanto, de apoio. Controle este que recorreu inúmeras vezes a soluções eugênicas.
Nesse sentido, desde os anos 50, portanto, iniciativas foram tomadas (investimentos em contraceptivos e fármacos abortivos, na esterilização [voluntária ou forçada], todas estas ações rechaçadas principalmente pelas mulheres. A fabricação e distribuição do DIU, por exemplo, foi um desastre. Muito dinheiro foi investido nisso. Até que foi preciso mudar de estratégia, e promover uma revolução cultural nos costumes, para neutralizar as naturais resistências a uma agenda ideológica que subverteu o original sentido dos direitos humanos para chegar, por exemplo a aceitação da prática do aborto como direito humano. A tal ponto chegamos nessa inversão de valores: quando o direito deveria proteger a vida humana em sua fase mais fragilizada, acaba se voltando contra o ser humano mais inocente e indefeso.
A Fundação Ford foi explícita e enfática nisso, em seu documento: "Saúde Reprodutiva: uma estratégia para os anos 90", dizendo que para se chegar ao crescimento zero seria preciso reduzir a natalidade. Com serviços médicos contraceptivos, chegariam a apenas 40 por cento desse objetivo. Mas só com alterações sociais profundas (para motivar as pessoas a não desejarem mais ter filhos) alargariam as chances para o crescimento zero. Daí que além dos médicos treinados por centros especializados para tais fins, a agenda antinatalista contou com o trabalho de cientistas sociais (do controle do comportamento humano, etc.). Daí o laboratório social que muitos países têm sido vítima, para servir tais interesses. Os resultados danosos no cotidiano, de esfacelamento da natural solidariedade, por conta desse laboratório social, pouco importa aos que engendram um admirável mundo novo, numa sociedade cada vez mais atomizada e mais que surreal e inumana. Para isso fazem todas as transgressões, no afã de ultrapassar inclusive a constituição da natureza humana. As próprias fundações internacionais não omitem tais propósitos. "A Fundação Ford pretende combinar sua longa experiência no campo populacional e a experiência de sua equipe em ciências sociais (...) para administrar questões que tem sido até o momento em grande parte o domínio da profissão médica, e irá promover a discussão e a educação sobre a sexualidade humana, em uma abordagem que não pode omitir-se em reconhecer a necessidade de promover o aborto"1.
Nesse sentido, investiram também na criação de inúmeras OnGs feministas (muitas delas, mantidas com recursos externos), com o intuito de disseminar essa agenda, a partir de um novo paradigma de saúde, de direitos humanos, de empoderamento das mulheres, de novos modelos de família, etc., paradigma este que a Fundação Ford quis tornar público para que outras fundações e grupos (Fundação Rockefeller, Fundação McArthur, Open Society, etc.) se somassem nesse processo, com essa estratégia de mutação cultural, tendo em vista a promoção do aborto, em todas as fases. "A imposição de teses, em matéria de sexualidade e de vida humana que esvaziam de sentido o bem da família é uma estratégia política dos grupos de ideologia liberal-radical"2. Um paradigma utilitarista, que exclui categorias sociais do "direito a vida" (primeiro e principal de todos os direitos humanos), como os bebês no ventre materno, flagelados pelo aborto, e os idosos, com a eutanásia.
Desse modo, as fundações agiram e influíram, e tomaram mais força principalmente nas conferências internacionais da ONU, especialmente a do Cairo, em 1994, e a de Pequim, em 1995. Ou ainda, em 1996, em Glen Cove, quando ficou decidida uma gradual jurisprudência, em nível internacional, que favorecesse o aborto. De lá para cá foi se impondo essa agenda nos países membros da ONU e também na América Latina, caracterizando assim explicitamente um atentado a nossa soberania nacional, pois a agenda do aborto vem de fora, é gestada e imposta de fora, por fundações e organismos internacionais que querem empreender um eficaz controle populacional, controle e até mutação do comportamento humano, debilitando assim as nossas instituições, a começar pela família (família constituída por homem e mulher, aberta à vida, duramente atacada e fragilizada por essa "cultura da morte"), impedindo assim o nosso verdadeiro desenvolvimento como nação, pois o que vale para o desenvolvimento de uma nação é o seu "capital humano", como destaca Gary Becker, Prêmio Nobel de Economia (1992). E a agenda do aborto leva justamente à "penúria de capital humano"3.
Dos países da América Latina, havia expectativa por parte das fundações, que o Brasil (já incluído no Relatório Kissinger, de 1974), fosse um dos primeiros a legalizar o aborto. "Para a ONU , a expansão do acesso ao aborto com foco nos países menos desenvolvidos é uma prioridade”4. Mas ocorreu aqui um fato muito importante. No Congresso Nacional todas as proposituras pró-aborto foram rechaçadas com veemência. De modo algum houve omissão do parlamento brasileiro nesta matéria, e nem controvérsia constitucional. Daí a surpresa, para muitos, dessa ADPF 442, pois uma ADPF se justifica juridicamente, quando há uma questão de controvérsia constitucional, o que não houve na questão do aborto. Pelo contrário, a legislação atual permanece como a que foi aprovada pelos constituintes, em 1988 (somente incluído os casos de anencefalia, após a ADPF54) e nunca houve contestação da constitucionalidade. Sobre o tema, mesmo complexo, o debate sempre foi aberto e plural, com várias audiências públicas realizadas. E os parlamentares deram o seu voto pela vida, especialmente no memorável dia 7 de maio de 2008, com 33x0 na Comissão de Seguridade Social e Família. E as pesquisas mostram sempre números expressivos da população contra a legalização do aborto.
Foi então que os promotores do aborto entenderam que (o aborto não passando pelo Legislativo) era preciso judicializar a questão, aproveitando-se de jurisprudências que foram sutilmente abertas no passado recente, para viabilizar a legalização do aborto via judiciária, num processo gradualista, por etapas, que começou com a ADIN 3510, depois com a ADPF-54, o HC 124.306, e agora com a ADPF-442. Ainda durante o julgamento da ADIN 3510, o Ministro Marco Aurélio Mello lembrava que "decidida a matéria, não há órgão judicante capaz de revisá-la"5, daí os promotores da "cultura da morte" terem recorrido à estratégia da judicialização do aborto, para chegar aonde estamos agora, com o STF na iminência de legalizar o aborto até a 12ª semana, por uma brecha aberta pelo ministro Luis Roberto Barroso, no HC 124.306.
Aliás, já se sabe que antes de assumir a mais alta corte do País, o Ministro Barroso já era um dos notáveis militantes da causa do aborto, tanto que foi quem advogou pela procedência da ADIn 3510, quando se deu o primeiro passo na instância judiciária para a gradual legalização do aborto. Também atuou na ADPF-54, e protagonizou no HC 124.306 um ativismo pessoal [o que daria suspeição para a sua deliberação na própria ADPF-442].
Mas há um outro ponto importante a ressaltar. Aonde deve chegar esse gradualismo? Enganam-se os que pensam que irá parar na 12ª semana. Mas, o que é terrível: avançará mais ainda, até chegar [como já ocorre em outros países], ao partial-birth, pois "em todo o mundo, vemos que as leis avançam de precedente em precedente. Libera-se inicialmente para gestações em estágios iniciais (9 ou 12 semanas) e depois a lei vai ganhando amplitude e ficando cada vez mais permissiva. O nascimento parcial, ou partial-birth, ocorre quando o feto é morto pelos aborteiros sem ter saído completamente do corpo da mãe. Ou seja, faz-se um parto normal parcial, retirando uma parte do corpo da criança, para então, com acesso a uma parte do seu corpo, efetuar o procedimento que leva à morte instantânea da criança. [...] Em geral, ativistas pró-legalização aqui no Brasil, quando confrontados com essa realidade, fecham seus olhos e ouvidos, dizendo que isso jamais acontecerá aqui. Muitos, obviamente, declaram-se contrários e consideram o nascimento parcial desumano"6. Mas é para essa terrível realidade que a agenda do aborto quer nos levar. "Infelizmente a realidade está aí para mostrar o quão perversa a legalização do aborto pode ser para uma sociedade"7.
Há dez anos, portanto, que tem se intensificado, de todas as formas, em fase mais adiantada da agenda antivida e antifamília (o Congresso Nacional bem como outros legislativos em outras instâncias rechaçaram, por exemplo, a ideologia de gênero nos Planos de Educação, etc.), e então, somente na última instância decisória do País afluíram as forças abortistas para do STF conseguirem impor o que não conseguiram fazer no parlamento brasileiro. Nesse sentido, a judicialização da questão do aborto agudizou ainda mais o crescente ativismo judicial, provocando já reações diversas em vários campos e setores da sociedade, que para salvaguardar as prerrogativas do poder constituinte que pertence originariamente ao povo soberano, não se aceita que venha do poder constituído a última palavra sobre um tema, pois "decidida a matéria, não há órgão judicante capaz de revisá-la"8. Ora, o Supremo Tribunal Federal é poder constituído e não poder constituinte e não pode tirar a prerrogativa constituinte de quem é de direito, que deve ser exercido pelo povo brasileiro. A judicialização da questão do aborto agrava flagrantemente o equilíbrio que deve haver entre os poderes, porque o Judiciário, ao usurpar de suas funções, ao exorbitar de seus poderes, subverte na essência a tripartição dos poderes, e comete assim - do ponto de vista constitucional - um atentando contra a própria Constituição, da qual o STF existe para justamente defendê-la e salvaguardá-la. Judicializar a questão do aborto trata-se portanto de uma violência institucional, não prevista, não autorizada, não justificada, e muito menos amparada por nenhum artigo da Constituição Federal.
Os maiores constitucionalistas sabem disso, desde “O Federalista” que "a distribuição equilibrada de poderes (...) constituem meios - e meios poderosos"9 para evitar distorções e abusos que possam comprometer assim as próprias formas de governo instituídas pela Constituição Federal. Por isso no Congresso Nacional está tramitando o PL 4754/2016, que estabelece o 6° crime de responsabilidade na Lei 1079/50: o de usurpar a competência do Poder Legislativo ou do Poder Executivo"10.
Sres. Ministros, estive agora, dias atrás, nos Estados Unidos, e conversando com várias lideranças pude constatar um grande movimento que busca revisar os efeitos danosos na sociedade, quando lá o aborto foi legalizado via judiciária, na controversa questão Roe x Wade (1973). Os norte americanos promovem anualmente uma das maiores marchas pro-life do mundo. Assim como em outros países da Europa aonde foi legalizado o aborto, os resultados que temos visto, são terríveis e desumanos, e cada vez mais amplia-se a consciência de que só preservando o capital humano é que se garante um verdadeiro desenvolvimento das nações, e a grave crise econômica e social que hoje a Europa vive, por exemplo, deve-se muito também à inversão da pirâmide populacional (e os melhores demógrafos do mundo sabem disso), como efeito da agenda antifamília e antivida das fundações internacionais. Nesse sentido, peço à Ministra Rosa Weber, como filha de médico, como a terceira mulher a ocupar o cargo máximo da suprema corte do nosso País, como mãe, que apreenda de tudo o que aqui está sendo exposto nesta audiência pública (apesar da maioria dos expositores serem a favor do aborto), para decidir em seu relatório por um voto que esteja a favor da vida e do Brasil.
Muito obrigado.
Hermes Rodrigues Nery
Presidente da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família
Notas:
1. FORD, Fundação: “Saúde Reprodutiva: uma estratégia para os anos 90”.
2. CANCIO, José Alfredo Peris, “Direitos Sexuais e Reprodutivos”, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, p. 255, Pontifício Conselho para a Família, Edições CNBB, 2007.
3. SCHOOYANS, Michel, Controle dos Nascimentos e Implosão Demográfica, Lexicon – Termos ambíguos e discutidos sobre família, vida e questões éticas, p. 160 Pontifício Conselho para a Família, Edições CNBB, 2007.
4. DEROSA, Marlon, “O Aborto num mundo hoje: debates e resultados”, Precisamos Falar sobre Aborto: Mitos & Verdades, p. 49, Estudos Nacionais, 2018.
5. MELLO, Marco Aurélio, Voto na ADIn 3510: http://www.stf.jus.br/…/noticianoticias…/anexo/adi3510ma.pdf
6. DEROSA, Marlon, “O Aborto num mundo hoje: debates e resultados”, Precisamos Falar sobre Aborto: Mitos & Verdades, PP. 65-66, Estudos Nacionais, 2018.
7. Ib. p. 66.
8. MELLO, Marco Aurélio, Voto na ADIn 3510: http://www.stf.jus.br/…/noticianoticias…/anexo/adi3510ma.pdf
9. HAMILTON, Alexander; MADISON, James; JAY, John, “O Federalista” [https://edisciplinas.usp.br/…/Os%20Classicos%20da%20Politic…].


sábado, 4 de agosto de 2018

Feser: Todos os Papa Defenderam a Pena de Morte. Menos Francisco. Quem é Herético?


Quando eu vi o absurdo e herético que foi a a mudança feita pelo Papa Francisco da passagem sobre a pena de morte no Catecismo, eu logo lembrei do filósofo Edward Feser que escreveu um livro no ano passado sobre a solidez da pena de morte na Bíblia e na Tradição da Igreja Católica.

Estava só esperando Feser escrever sobre a mudança herética que Papa Francisco escreveu no Catecismo ao chamar a pena de morte de "inadmissível".

Li hoje que Feser escreveu no First Things e detalhou muita da base doutrinária para a pena de morte na Igreja.

Feser fundamenta a defesa da pena de morte pela Igreja no artigo com Bíblia (ele menciona Gênesis 9 e Romanos 13), São Tomás de Aquino, Santo Alfonso Liguori, São Roberto Belarmino, todos os papas até João Paulo II e Bento XVI, inclusive.

Feser deixa claro que a Congregação para Doutrina da Fé, que aceitou a mudança de Francisco, não é o "Ministério da Verdade" de George Orwell que vai se adaptando ao líder e o Papa Francisco não é o Humpty Dumpty (ovo de desenho infantil que usa as palavras sem se preocupar com os significados delas)

Feser diz que a mudança do Papa Francisco não só contradiz e rebaixa os papas anteriores, como rebaixa o próprio Papa Francisco. Pois se todos os papas erraram terrivelmente em não ver que pena de morte é um mal em si, porque devemos acreditar no Papa Francisco que acha que é um mal em si?

Ou todos estariam certos ou o Papa Francisco está. Ou os outros papas eram heréticos ou o Papa Francisco é. O que vocês acham?

Feser pede que os teólogos se levantem para questionar o Papa Francisco. 

Amém.

Vou colocar aqui parte do texto dele, leiam todo no site do First Things (uma revista católica muito conhecida nos Estados Unidos)

POPE FRANCIS AND CAPITAL PUNISHMENT
by 


n a move that should surprise no one, Pope Francis has once again appeared to contradict two millennia of clear and consistent scriptural and Catholic teaching. The Vatican has announced that the Catechism of the Catholic Church will be changed to declare the death penalty “inadmissible” given the “inviolability and dignity of the person” as understood “in the light of the Gospel.”
There has always been disagreement among Catholics about whether capital punishment is, in practice, the morally best way to uphold justice and social order. However, the Church has always taught, clearly and consistently, that the death penalty is in principle consistent with both natural law and the Gospel. This is taught throughout scripture—from Genesis 9 to Romans 13 and many points in between—and the Church maintains that scripture cannot teach moral error. It was taught by the Fathers of the Church, including those Fathers who opposed the application of capital punishment in practice. It was taught by the Doctors of the Church, including St. Thomas Aquinas, the Church’s greatest theologian; St. Alphonsus Liguori, her greatest moral theologian; and St. Robert Bellarmine, who, more than any other Doctor, illuminated how Christian teaching applies to modern political circumstances.
It was clearly and consistently taught by the popes up to and including Pope Benedict XVI. That Christians can in principle legitimately resort to the death penalty is taught by the Roman Catechism promulgated by Pope St. Pius V, the Catechism of Christian Doctrine promulgated by Pope St. Pius X, and the 1992 and 1997 versions of the most recent Catechismpromulgated by Pope St. John Paul II—this last despite the fact that John Paul was famously opposed to applying capital punishment in practice. Pope St. Innocent I and Pope Innocent III taught that acceptance of the legitimacy in principle of capital punishment is a requirement of Catholic orthodoxy. Pope Pius XII explicitly endorsed the death penalty on several occasions. This is why Cardinal Joseph Ratzinger, as John Paul’s chief doctrinal officer, explicitly affirmed in a 2004 memorandum:
If a Catholic were to be at odds with the Holy Father on the application of capital punishment … he would not for that reason be considered unworthy to present himself to receive Holy Communion. While the Church exhorts civil authorities … to exercise discretion and mercy in imposing punishment on criminals, it may still be permissible … to have recourse to capital punishment.
Joseph Bessette and I document this traditional teaching at length in our recent book. For reasons I have set out in a more recent article, the traditional teaching clearly meets the criteria for an infallible and irreformable teaching of the Church’s ordinary Magisterium. It is no surprise that so many popes have been careful to uphold it, nor that Bellarmine judged it “heretical” to maintain that Christians cannot in theory apply capital punishment.
So, has Pope Francis now contradicted this teaching? On the one hand, the letter issued by the Congregation for the Doctrine of the Faith announcing the change asserts that it constitutes “an authentic development of doctrine that is not in contradiction with the prior teachings of the Magisterium.” Nor does the new language introduced into the catechism clearly and explicitly state that the death penalty is intrinsically contrary to either natural law or the Gospel.
On the other hand, the Catechism as John Paul left it had already taken the doctrinal considerations as far as they could be taken in an abolitionist direction, consistent with past teaching. That is why, when holding that the cases in which capital punishment is called for are “very rare, if not practically non-existent,” John Paul’s Catechism appeals to prudentialconsiderations concerning what is strictly necessary in order to protect society.
Pope Francis, by contrast, wants the Catechism to teach that capital punishment ought never to be used (rather than “very rarely” used), and he justifies this change not on prudential grounds, but “so as to better reflect the development of the doctrine on this point.” The implication is that Pope Francis thinks that considerations of doctrine or principle rule out the use of capital punishment in an absolute way. Moreover, to say, as the pope does, that the death penalty conflicts with “the inviolability and dignity of the person” insinuates that the practice is intrinsically contrary to natural law. And to say, as the pope does, that “the light of the Gospel” rules out capital punishment insinuates that it is intrinsically contrary to Christian morality.
To say either of these things is precisely to contradict past teaching. Nor does the letter from the CDF explain how the new teaching can be made consistent with the teaching of scripture, the Fathers and Doctors of the Church, and previous popes. Merely asserting that the new language “develops” rather than “contradicts” past teaching does not make it so. The CDF is not Orwell’s Ministry of Truth, and a pope is not Humpty Dumpty, able by fiat to make words mean whatever he wants them to. Slapping the label “development” onto a contradiction doesn’t transform it into a non-contradiction.
...
If capital punishment is wrong in principle, then the Church has for two millennia consistently taught grave moral error and badly misinterpreted scripture. And if the Church has been so wrong for so long about something so serious, then there is no teaching that might not be reversed, with the reversal justified by the stipulation that it be called a “development” rather than a contradiction. A reversal on capital punishment is the thin end of a wedge that, if pushed through, could sunder Catholic doctrine from its past—and thus give the lie to the claim that the Church has preserved the Deposit of Faith whole and undefiled.
Not only does this reversal undermine the credibility of every previous pope, it undermines the credibility of Pope Francis himself. For if Pope St. Innocent I, Pope Innocent III, Pope St. Pius V, Pope St. Pius X, Pope Pius XII, Pope St. John Paul II, and many other popes could all get things so badly wrong, why should we believe that Pope Francis has somehow finally gotten things right?
...
If Pope Francis really is claiming that capital punishment is intrinsically evil, then either scripture, the Fathers and Doctors of the Church, and all previous popes were wrong—or Pope Francis is. There is no third alternative. Nor is there any doubt about who would be wrong in that case. The Church has always acknowledged that popes can make doctrinal errors when not speaking ex cathedra—Pope Honorius I and Pope John XXII being the best-known examples of popes who actually did so. The Church also explicitly teaches that the faithful may, and sometimes should, openly and respectfully criticize popes when they do teach error. The 1990 CDF document Donum Veritatis sets out norms governing the legitimate criticism of magisterial documents that exhibit “deficiencies.” It would seem that Catholic theologians are now in a situation that calls for application of these norms.