terça-feira, 30 de junho de 2026

Resposta da Fraternidade São Pio X ao Papa



É preciso explicar por que demorou-se tanto para tal troca de mensagens.  Já é em si falta de caridade enviar mensagem dois antes de acontecer ato fatídico e receber resposta um dia antes. E não podiam resolver pessoalmente?

Mas aqui vai a resposta da Fraternidade à carta do Papa enviada ontem sobre o ato pretendido pela Fraternidade que irá ocorrer amanhã, mas foi anunciado há uns três meses. 

Traduzi do português. Para ler original cliquem aqui.

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Carta do Superior Geral em Resposta a Sua Santidade o Papa Leão XIV

A Sua Santidade

Papa Leão XIV

Ecône, 30 de junho de 2026

Santíssimo Padre,

Muito obrigado pela carta que Vossa Santidade tão gentilmente me dirigiu.

Fiquei profundamente comovido com a Vossa solicitude paternal.

Há muito tempo que esperava ter a oportunidade de encontrá-Lo pessoalmente, para expressar-Lhe diretamente o nosso sincero desejo de servir a Igreja. Infelizmente, essa oportunidade não se apresentou.

Peço apenas que considere a sinceridade desta intenção, que de modo algum é fingida.  Paradoxalmente, nas circunstâncias atuais, acreditamos ser nosso dever fazer todo o possível para remendar a veste inconsútil de Cristo, rasgada por forças e pressões incompatíveis com um verdadeiro espírito católico. Peço apenas que considere a autenticidade desta intenção antes de tomar uma decisão a respeito da Fraternidade São Pio X. Ainda não é tarde demais.

Longe de nós nos separarmos da Igreja Romana. Desejamos, ao contrário, servi-la por meios extraordinários, como quem socorre uma mãe aflita que necessita de ajuda especial, ainda que tal ajuda não seja compreendida por todos. Contudo, estou certo de que o Santo Padre a compreenderia.

A Santa Sé mostrou-se capaz de compreender situações muito complexas e de conceder tempo para o discernimento.

Posso, portanto, pedir filialmente a Vossa Santidade que dedique o tempo necessário a esse discernimento.

Se as minhas próprias palavras não forem suficientes, peço-lhe que reflita sobre dois fatos muito simples. Primeiro, em 1988, a Fraternidade já havia sido declarada cismática, por razões e em circunstâncias inteiramente análogas às de hoje.  No entanto, depois de tantos anos, estamos conversando como pai e filho. Vossa Santidade me exorta paternalmente a evitar um cisma que, teoricamente, já ocorreu. A sua própria atitude — cuja preocupação paternal aprecio profundamente — não constitui prova de que a Fraternidade não é cismática nem hostil à Igreja?

Em segundo lugar, há alguns anos, a Santa Sé confiou a dois bispos da Igreja a tarefa de dialogar com a Fraternidade São Pio X: Dom Vito Huonder, então Bispo de Chur, já falecido, e Dom Atanásio Schneider, Bispo Auxiliar de Astana. Ambos, após dedicarem o tempo necessário ao discernimento, reconheceram o profundo espírito católico da Fraternidade e o testemunharam publicamente.

Acima de tudo, porém, ouso dirigir-me a Vossa Santidade em nome das milhares de almas que redescobriram a fé católica e a prática da religião por meio do apostolado da Fraternidade. Este é um fato que os próprios predecessores de Vossa Santidade reconheceram.  Estas almas têm um só desejo: alcançar a salvação por meio deste instrumento que a Divina Providência colocou à sua disposição. Elas sofreram e são sinceras. Estou confiante de que o Vosso coração paterno, como Pastor universal, se comoverá com esta situação tão particular. Um dia, todas as dificuldades entre a Santa Sé e a Companhia de Jesus serão resolvidas. Um gesto de compreensão da Vossa parte, longe de prejudicar a unidade, só poderia manifestar ao mundo e a todos os cristãos a Vossa preocupação com a unidade e a Vossa bondade como pai.

Deixo tudo isto à Vossa consideração. Renovo as minhas orações por Vossa Santidade.

Há muito tempo, mesmo antes da Vossa eleição, tenho rezado a Santa Rita pela situação atual. Vi na eleição de um Papa agostiniano um sinal de esperança. Estou certo de que a Santa intercederá. Nunca é tarde demais.

Por favor, conceda-nos a Sua bênção.

Aproveito esta oportunidade para permanecer, com a mais profunda devoção a Nosso Senhor,

Dom Davide Pagliarani




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