segunda-feira, 25 de maio de 2026

Leão XIV e Guerras. O Copia e Cola Errado. Oh,Deus!

 



Ler a nova encíclica de Leão XIV, para mim, que já escrevi e continuo a escrever sobre guerra (em minha tese de doutorado em filosofia), é um martírio. 

Repetem-se fórmulas e mesmo citações erradas. O que ele disse acima, por exemplo, foi dito na mesma linha na encíclica Pacem in Terris, de João XXIII, de 1963. João XXIII quis banir as bombas nucleares, mas João XXIII no parágrafo seguinte aceitou que a posse de bombas nucleares pode ajudar na paz (política de dissuasão), ver parágrafos 126 e 127 da Pacem in Terris

E Leão XIV repete a frase maldita, dita inúmeras vezes pelo Papa Francisco: "nunca mais guerra, guerra nunca mais", com citação incorreta. 

Sem entrar na questão da possibilidade de guerra nunca mais existir (um absurdo lógico e teológico por conta do pecado original e da vontade humana), a encíclica de Leão XIV (parágrafo 189) faz entender que a frase é de Paulo VI, mas é do presidente John Kennedy, e próprio Paulo VI reconheceu isso. Só para lembrar, John Kennedy foi militar condecorado de guerra, sua família é militar, seu irmão morreu na Segunda Guerra. Além disso, John Kennedy fez guerra no Vietnã durante a sua presidência, quase destruiu o mundo com armas nucleares, na Crise dos Mísseis de Cuba, de 1962, aprovou a invasão da Baía dos Porcos em Cuba, e foi mesmo acusado de permitir o assassinato do líder católico do Vietnã do Sul, Ngi Dinh Diem. 

Tudo isso está no meu livro Teoria e Tradição da Guerra Justa.

Certamente, alguém da minha banca de doutorado vai dizer para mim: "olha, o Papa Leão XIV disse que a Teoria da Guerra Justa está morta, por que você defende isso?". 

Praticamente todos os papas, após João XXIII, disseram que a Teoria da Guerra Justa precisava de atualização devido às bombas atômicas. Mas a Igreja nunca atualizou. Para mim, não precisa de jeito nenhum matar a belíssima teoria de Agostinho e Aquino, basta dizer que o critério de proporcionalidade da teoria perde sentido em uma guerra nuclear generalizada. Só isso!  Outro critério, chance de sucesso, não é um critério de Agostinho, nem de Aquino, além de ser um critério bem ruim, na minha opinião. Mas este também perde o sentido em uma guerra nuclear generalizada.

Aqui vai a tradução do que ele disse, na imagem acima, um copiar e colar errado. A versão em português difere um pouco da versão em português. Mas esta é a tradução oficial:

"Hoje, mais do que nunca, é importante reafirmar que foi superada a teoria da “guerra justa”, invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra, mantendo-se o direito à legítima defesa entendida no sentido mais estrito.  Para enfrentar os conflitos, a humanidade dispõe de instrumentos muito mais eficazes e capazes de promover a vida humana, como o diálogo, a diplomacia e o perdão. O recurso à força, à violência e às armas testemunha uma pobreza relacional que tem sempre consequências desastrosas para as populações civis."


 

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