domingo, 25 de outubro de 2026

Vaticano Proíbe Peregrinação Anual de Católicos da Missa Trindentina


Teve grande repercussão, nos últimos dias, a proibição de última hora da peregrinação Ad Petri Sedem, depois de ter sido aprovada.

A peregrinação Ad Petri Sedem ("À Sé de Pedro") é um encontro anual em Roma de fiéis ligados à liturgia tradicional latina (a Missa segundo o Missal de 1962). Ela ocorre desde 2012 e normalmente inclui uma procissão até a Basílica de São Pedro e uma Missa solene celebrada segundo o rito tradicional.

Os organizadores haviam previsto a tradicional Missa pontifical na Basílica de São Pedro, mas a Secretaria de Estado do Vaticano não autorizou a celebração este ano. Em consequência, a Missa principal foi transferida para a Basílica de Santa Maria Maior. Além disso, foi impedida a entrada da procissão de peregrinos na Basílica de São Pedro, embora os participantes ainda tenham podido realizar um momento de oração no Vaticano. 

Segundo o programa oficial da peregrinação, os peregrinos seguiram em procissão até a Praça de São Pedro, entraram na basílica para oração e, posteriormente, deslocaram-se para Santa Maria Maior, onde Dom Athanasius Schneider celebrou a Missa pontifical.

Muitos católicos reagiram.

O teólogo Peter Kwasniewski disse o seguinte:

"As decisões do pessoal do Vaticano sobre a peregrinação do Summorum Pontificum estão entre as mais mesquinhas e vingativas que já vi. Tendo concedido as permissões, revogaram-nas no último momento. 1. Forçaram o início das Vésperas mais cedo, para que muitos as perdessem. 2. Proibiram os peregrinos de entrarem em procissão na Basílica de São Pedro para professarem sua fé católica e união com o sucessor de Pedro (!). 3. Declararam de última hora que a Missa na Basílica de Santa Maria poderia durar "apenas uma hora", o que, obviamente, anulou a Missa pontifícia solene cuidadosamente planejada. 4. Disseram "nada de fotografias oficiais", ecoando a declaração de Roche de "nada de menção à Missa Tridentina nos boletins". Tais medidas absurdas e ofensivas têm consequências previsíveis: fazem o Vaticano parecer desesperado e desconectado da realidade; alienam e radicalizam os tradicionalistas; e fortalecem retoricamente a posição da Fraternidade São Pio X (FSSPX). Se o desejo do Vaticano é criar ainda mais divisão, polarização e ressentimento, ao mesmo tempo que alimenta o fogo tradicionalista, eles fizeram um trabalho brilhante!"

O correspondente do Vaticano Michael Haynes explicou a cronologia dos fatos ontem (24 de outubro):

"Algumas teorias circulam online sobre a peregrinação da Missa em Latim, disseminadas por pessoas sem qualquer ligação com o evento.

Alguns esclarecimentos abaixo:

Os organizadores solicitaram permissão para a Missa no Vaticano por meio de uma carta entregue diretamente ao Papa Leão XIII pelo Bispo Schneider em dezembro. A peregrinação está em sua 15ª edição e sempre acontece na mesma data.

Os organizadores não receberam resposta sobre a Missa até agosto, quando a Secretaria de Estado informou que não seria possível realizar a Missa no Vaticano. Os organizadores da peregrinação anunciaram então publicamente que não haveria Missa no Vaticano.

Em vez disso, os peregrinos entrariam em procissão no Vaticano às 13h do sábado e, em seguida, seguiriam para a Basílica de Santa Maria Maior para a Missa das 15h. A permissão para a procissão no Vaticano foi concedida em abril de 2026.

Semanas depois, em setembro, a Basílica de São Pedro anunciou um evento que aconteceria às 15h30 no Altar da Cátedra (usado pela peregrinação no ano anterior para a Missa).

Então, esta semana – ontem mesmo, segundo me informaram – os organizadores receberam outra carta da Secretaria de Estado informando-os de que não poderiam sequer entrar no Vaticano como planejado e permitido desde abril. Os eventos na Basílica não são prerrogativa da Secretaria, mas sim do Arcipreste e da Administração da Basílica de São Pedro: daí a estranha participação da Secretaria de Estado.

No sábado, os peregrinos caminharam pelas ruas até o obelisco na Praça de São Pedro – acompanhados pela polícia italiana – onde foram impedidos pelo Vaticano, pois aquele era o limite da jurisdição da polícia italiana.

Em seguida, foram informados de que o uso da Basílica de Santa Maria Maior havia mudado: só poderiam permanecer lá dentro por uma hora.

Isso significa que a Missa Solene Pontifícia planejada e autorizada teria que ser uma Missa Baixa.

Além disso, a Basílica de Santa Maria Maior informou aos peregrinos que não seria permitido tirar fotos oficiais."

O jornalista inglês Edward Pentin, especializado em Vaticano, explicou também:

"Os organizadores da peregrinação solicitaram inicialmente a permissão para uma Missa Pontifical no Altar da Cátedra (e uma audiência papal) da Basílica de São Pedro em dezembro de 2025, por meio do Bispo Schneider, com novas abordagens relatadas em abril e junho. A Secretaria de Estado negou formalmente a Missa em uma carta de 7 de agosto.

O evento da Lectio Francisci e a Missa subsequente no mesmo altar, em 24 de outubro, foram anunciados publicamente apenas por volta de 23 a 25 de setembro (após a recusa) e ocorreram às 15h30 e 18h, portanto, não coincidiriam com o horário de uma Missa Pontifical típica de uma peregrinação Summorum Pontificum.

O evento franciscano na basílica, portanto, ocorreu após a recusa, e não como um conflito de agendamento preexistente que tenha forçado a decisão."

E mais:

"Os organizadores da peregrinação Ad Petri Sedem Summorum Pontificum me disseram esta noite que não lhes foram oferecidas datas ou possibilidades alternativas para a celebração da Missa Pontifícia hoje na Basílica de São Pedro, nem na carta de 7 de agosto da Secretaria de Estado que lhes negou essa possibilidade, nem nas semanas e meses que antecederam a decisão do Vaticano. Simplesmente lhes disseram que a basílica estava indisponível. O Vaticano também não mencionou nenhum outro evento que ocorresse simultaneamente na basílica e que pudesse coincidir com a Missa."

Bispo Schneider, que liderava a peregrinação e rezou a missa na Santa Maria Maior, está a dar entrevistas sobre o assunto. Disse em sua homilia:

"Em uma era de grande tolerância e inclusão como a que se proclama e promove em nossos dias, essa proibição imposta a esse grupo dentro da Igreja é verdadeiramente deplorável. E esse fato demonstra que toda essa conversa sobre inclusão e tolerância não é verdadeira. É ideológica e seletiva.”

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