segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Acesso a Internet no Mundo



Liberdade de Acesso a Internet no Mundo
(0 é melhor, 100 é o pior)


Muito se fala que a internet foi o gatilho para o levante na Tunísia e no Egito, eu não acredito nisso não, mesmo porque na Síria a tentativa de reunir pessoas para tentar derrubar o governo pelo facebook não funcionou. A internet ajuda, claro, mas é necessário uma base oposicionista organizada para reunir as pessoas, decidir o método e quando ir às ruas. No Egito, claramente há uma estrutura política que dá sustentação a crise. No Brasil, nós temos um grande acesso a internet, mas cadê a base oposicionista? Além disso, o que faria o povo se levantar contra o governo? Corrupção não é. Crise econômica levantaria sindicatos, mas o povo ficaria esperando o resultado.

Mary O´Grady, do jornal Wall Street Journal, pergunta hoje: e Cuba?  Se Mubarak é ditador por estar no poder há 30 anos, ele tem muito tempo ainda quando comparado a Fidel Castro, há mais de 50 anos no cargo.Para ela, no entanto, a falta de acesso a internet é um fator importante para falta de povo nas ruas em Cuba.

Cuba tem o pior acesso a internet do mundo, segundo a Freedom House. Vejam gráfico acima. O Egito tem um bom acesso a internet, quase semelhante a Turquia que deseja ingressar na União Européia. Antes da crise, a avaliação da Freedom House é que o governo egípcio não praticava controle no uso da internet. O Brasil está muito bem posicionado, o problema do Brasil é a falta de infraestrutura rural que não permite mais acesso. Mas a Tunísia e Cuba são os dois piores. Cuba é pior até que a China, reconhecida pelo seu controle aos meios de comunicação.

O´Grady informa que na semana passada houve vazamento de um seminário de militares cubanos para discutir como lidar com o acesso a internet, para evitar problemas políticos para a ditadura.

Acho que há uma mistura de pobreza com controle de informação na avaliação da Freedom House. Certamente a pobreza do país ou das pessoas reduz bastante o acesso a internet, mas a organização deveria fazer uma análise que mostrasse apenas o controle da informação. O Brasil e o Egito estariam até melhor posicionados. Cuba é muito pobre e tem forte controle de internet, mas China é rica e isso exige maior controle ainda. Então, certamente, a China é pior do que Cuba, Tunísia ou Irã.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

100 Anos de Reagan - André V.N. Camargo




Caros, neste domingo, faria 100 anos, se estivesse vivo, Ronald Wilson Reagan.  

Convidei um amigo que me honra sendo leitor do meu blog para fazer um texto sobre isso. Eu jamais faria melhor. O texto está sensacional e, por coincidência, lembra o discurso de Reagan que Sarah Palin também lembrou ontem (A Time For Choosing). Vocês podem ver o discurso clicando aqui.

Abaixo, o excelente texto de André Camargo.

"The last thing George said to me, 'Rock', he said, 'sometime when the team is up against it and the breaks are beating the boys, tell them to go out there with all they've got and win just one for the Gipper'."

Esta fala pertence a Knute Rockne, um lendário treinador de futebol americano. Após ter sido proferida na vida real, foi imortalizada no filme "Knute Rockne, All American", em um discurso de "Rock" (interpretado por Pat O'Brien) para motivar o seu time. Ele estava se referindo a George Gipp, o melhor jogador da equipe que, algumas semanas antes, havia falecido de uma grave infecção na garganta.

O que o jovem ator que interpretou Gipp não sabia era que aquela simples frase iria acompanhá-lo pelo resto da vida. Desde aquele momento, ele recebeu a alcunha de "The Gipper" (que poderia ser traduzido mais ou menos como "O Trapaceiro"). Nada poderia ser mais irônico se analisarmos o caráter e a decência daquele homem.

Ele era um bom ator. Sempre dava o melhor de si nas filmagens. Sua atuação geralmente conseguia salvar alguns filmes que, de tão ruins, não sairiam do anonimato. Era talentoso mas, em um meio extremamente competitivo, cuja concorrência era composta por nomes como John Wayne, Clark Gable, Cary Grant e outras lendas, não conseguia se destacar.

Talvez seu filme mais famoso seja aquele que ele jamais chegou a fazer. Em 1943, ele estava escalado para ser o protagonista, ao lado de Ann Sheridan, de um drama romântico chamado "Everybody Goes To Rick's". Entretanto, em uma mudança de última hora, Ann Sheridan foi substituída por Ingrid Bergman e ele foi trocado por Humphrey Bogart. O diretor também resolveu mudar o nome do filme, virou "Casablanca". Se ele tivesse estrelado esse filme, provavelmente não teria seguido o caminho que seguiu. Mas, para nossa sorte, quis o destino que perdêssemos um grande ator, mas em troca ganhamos um grande estadista.

E foi bem cedo que ele mostrou interesse pela política. Como o pai era democrata, resolver seguir o mesmo caminho. Pode-se dizer que ele era um liberal de Roosevelt, até o início da década de 1950. Filiou-se ao Partido Democrata quando acabara de ingressar na faculdade. Suas boas relações políticas garantiram-lhe a cadeira de presidente do Screen Actors Guild (SAG), que é o sindicato dos atores. Mas é claro que, em algum momento, quando se trata de pessoas esclarecidas, esse esquerdismo inicial da juventude vai se dissolvendo e dando espaço para um pensamento mais maduro e coerente.

Eu poderia dizer que três fatores foram vitais para a sua transformação. A primeira delas foi o conflito com os comunistas infiltrados no sindicato. Apesar de liberal, ele era um anti-comunista ferrenho. Sua posição como presidente do sindicato acabou gerando diversos atritos que acabaram culminando em ameaças de morte. Para poder se defender, ele acaba denunciando diversos membros do Partido Comunista para o Comitê de Atividades Anti-Americanas, na época chefiado por Joseph McCarthy.

Esses acontecimentos geraram seu gradual afastamento dos democratas. Em 1952 e 1956, ele discordou da escolha do Partido, Adlai Stevenson, e discretamente apoiou o republicano Eisenhower. Também por essa época, ele resolveu se afastar do sindicato e aceitou um emprego na General Electric. E este foi o segundo fator. Seu novo contato com aquele meio o estimulou a repensar suas posições políticas e a abrir mão de seu liberalismo. Finalmente, seu casamento com a também atriz Nancy Davis, de tendências conservadoras, foi o que fez com que ele desse as costas a seus antigos princípios."

Em 1960, ele colabora ativamente na campanha de Richard Nixon. Dois anos depois, pede a sua desfiliação do Partido Democrata e junta-se oficialmente aos republicanos. Aproximando-se da ala conservadora do Partido, ele torna-se amigo de Barry Goldwater e de William F. Buckley Jr.

Nas eleições de 1964, os conservadores conseguem provisoriamente a maioria do Partido Republicano e indicam Barry Goldwater à presidência. Imediatamente depois disso, os democratas começam a mais suja campanha de difamação da história americana. Goldwater, um patriota e libertário, defensor do small government e da decência do povo americano, foi retratado pela imprensa liberal como um direitista lunático, cripto-nazista, que levaria o mundo à guerra nuclear. Foi neste ambiente tão carregado que Ronald Wilson Reagan resolveu subir no palanque pela primeira vez, definitivamente enterrando qualquer vestígio de liberalismo que ainda poderia haver em sua mente. Ele quis fazer um discurso para defender Goldwater da humilhação que a imprensa lhe estava impondo.

Durante aquela breve meia hora, Reagan proferiu uma das mais perfeitas definições de liberdade e democracia já feitas. Ele deixou claras as obrigações da América para com o mundo, defendendo os valores que faziam daquele país o melhor do mundo: a justiça, o trabalho, a individualidade e a liberdade. Este discurso, "A Time For Choosing", é considerado um marco na política americana. Infelizmente, não foi o suficiente para impedir a massacrante derrota de Goldwater, mas o bastante para chamar a atenção do país para o agora ex-ator, que despontava como grande liderança.

Apenas dois anos depois, Reagan resolve se candidatar ao governo de um dos estados mais liberais da União: a Califórnia. Não seria tarefa fácil, principalmente quando o adversário é um demagogo cínico. O democrata Pat Brown teve o descaramento de colocar uma criancinha no colo e dizer o que pensava de seu oponente: "Você sabia que ele era ator? E você sabia que foi um ator que matou Abraham Lincoln? Imagine o que vai acontecer se ele tiver uma oportunidade!". Contra tudo isso, Reagan teve que usar o seu grande carisma natural. Uma arma bastante eficaz, uma vez que ele derrotou Brown por uma margem de 1 milhão de votos.

Durante todo o seu mandato como governador e em todas as suas tentativas para alcançar a Casa Branca, Reagan teve que lidar com o tradicional desprezo que a mídia sentia por ele. Antes ele era visto como um ator mediano, com razoável talento. Depois de entrar para o meio político (e do lado "errado" ainda por cima), sua imagem passou a ser a de um atorzinho canastrão de quinta categoria. Suas opiniões eram tidas como "radicais e estúpidas". Mas isso nunca fez com que ele perdesse o prestígio. Pelo contrário, conforme o governo de bem-estar social ia se estagnando por causa da imensa regulação estatal, mais pessoas davam ouvidos a ele. O "revólver fascista do Oeste", conforme descreveu o radical esquerdista Abbie Hoffman, ia pouco a pouco tomando os corações dos americanos que já não agüentavam mais financiarem a farra do governo.

Foi com esse espírito que o povo foi escolher seu comandante em 1980. De um lado, um político fraco e despreparado, que não era digno de um segundo mandato. Do outro, um líder eloquente e ávido para colocar a América de volta nos trilhos certos. A vitória de Reagan foi tão avassaladora que nem mesmo as urnas foram abertas e já era possível dizer o vencedor.

Durante os próximos 8 anos, os Estados Unidos viveriam uma época de grande esplendor que há tempos não se via. Não apenas na economia, mas também na força moral da nação. Os soldados americanos que voltavam para casa amargurados com o fracasso no Vietnã agora eram uma visão distante. A economia já havia se recuperado totalmente, o desemprego baixava a olhos vistos, o padrão de vida melhorava, o país agora não capitulava mais perante a URSS e passava uma imagem de força e segurança para o mundo,... Enumerar aqui todos os grandes feitos da Era Reagan seria um trabalho exaustivo. É claro que tudo isso só foi possível devido à presença de um líder carismático, preparado e forte, que encarnava a grandeza americana. Mas não são só os americanos que têm de agradecer a este grande homem. Toda a humanidade tem a obrigação de louvá-lo pela sua maior proeza: a queda do Muro de Berlim e o fim do comunismo.

Hoje, no centésimo aniversário do nascimento de Ronald Wilson Reagan, eu dediquei algumas horas do meu tempo para escrever esta homenagem. Mas, para que seu legado jamais seja esquecido, precisamos estar atentos para defender aquilo que Reagan mais prezava nos seres humanos: a liberdade. Atualmente, quando vemos a democracia e seus valores sendo ameaçados, seja por inimigos externos, como o chavismo ou o extremismo islâmico, ou por inimigos internos, como o lulismo, é necessário que tenhamos algum meio de defesa contra estes males. E é aí que entra a mensagem de Reagan, pois ela é um antídoto natural contra essa sandices ideológicas. Enquanto nós pudermos defender estes princípios, então podemos dizer que ganhamos mais uma para o Trapaceiro (win one more for The Gipper).

"I know in my heart that man is good, that what is right will always eventually triumph and that there is purpose and worth to each and every life."

André V. N. Camargo 

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Crianças - Iguais em Qualquer Lugar do Mundo.

Dirigido por Thomas Balmès, o documentário francês Babies observou quatro crianças no primeiro ano de vida em quatro países: Namíbia, Japão, Mongólia e Estados Unidos. Sempre filmando sem que as crianças percebessem.

Sensacional. Vejam o trailler abaixo:

Democracia em Países Islâmicos

 


Como gerar plena democracia secular nos países de maioria muçulmana? Esse é o grande debate com a crise do Egito.

Eu tendo a achar completamente ingênuo quem imagina democracia, com defesa do estado de direito , em países islâmicos. Democracia não é apenas voto, como muita gente costuma pensar, incluindo o ex-presidente Lula. O voto popular pode gerar monstros. Hitler e Chavez nasceram dele. É necessário a defesa do estado de direito, e o entendimento de que é preciso conter algumas vezes o próprio anseio popular quando este é contrário ao estado de direito. Democracia é a lei, a ordem, a defesa das minorias.

Em países islâmicos, não há experiência democrática. A falta dessa experiência facilita a vitória de populistas. No Brasil, passamos 25 anos sem eleições para presidente, e, na primeira eleição, elegemos um populista que era contra os marajá, sendo ele próprio um marajá. E não podemos dizer que temos o estado de direito, nossa democracia é muito falha ainda. As oligarquias que mandavam na ditadura continuam a mandar. Imagina em países islâmicos que nunca votatam para presidente.

Nos Estados Unidos, existe o Fórum Para Democracia Islâmica Americano (American Islamic Forum For Democracy - AIFD). Gosto das idéias do presidente e fundador desse fórum Dr. Zahid Jasser. Ele é um muçulmano que serviu no exército americano como médico.

Dr. Jasser está todos os dias na televisão americana, falando dos riscos da crise no Egito e dos perigos da teocracia islâmica na região. Ele argumenta que os  países islâmicos são dominados ou por ditadores fascistas seculares ou por teocracias. A pior forma para o povo e para o mundo é a teocrática, pois elas visam um domínio mundial.

Os países só deixariam de ser párias no mundo, se adotarem os princípios universais de democracia e respeito às leis. Ele defende os princípios que formaram a sociedade americana como essenciais para a salvação dos países islâmicos e que os Estados Unidos deveriam agir na defesa desses princípios e não imaginar que grupos como a Irmandade Muçulmana possam ser moderados. Ele diz que não há esse negócio de grupo islâmico moderado, porque o Islã político defende a teocracia.

O problema é encontrar um secular nos países islâmicos que teria força suficiente para implementar esses princípios. Quando ele é perguntado sobre isso, dr. Jasser não sabe responder, nem ninguém sabe, nem a própria população desses países. Mas ele sabe o que não deve acontecer e o que os Estados Unidos devem fazer.

Eu acho o discurso do Dr. Jasser um pouco falho, pois, por vezes, ele confundi algumas definições de fascismo e não vê que os ensinamentos do próprio islã estão longe dos princípios que ele defende. Além disso, a liberdade religiosa que ele prega acabará sendo o fim do islã. Para mim, os ensinamentos cristãos são muito superiores, e dominaria em situação de liberdade. Mas, certamente, o mundo faria muito bem em ouvi-lo. O Obama fala muita bobagem agora na crise do Egito, por exemplo, usa palavras vazias e longe da realidade do Egito, deveria ouvi-lo.

Abaixo vai uma apresentação dele, na qual ele conta sua história de migração para os Estados Unidos, quando a AIFD fui fundada,  o que ele defende (princípios da Constituição americana) e o que ele é contra (islã político).


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

E as Ameaças a Israel já Começaram



Ontem o Programa do Glenn Beck na Fox News americana discutia a relação entre marxismo e islamismo. A resposta é que comunistas e terroristas islâmicos se juntam para combater países que são considerados inimigos comuns: Estados Unidos e Israel e também para destruir o capitalismo.Glenn Beck não falou, mas eu acrescento que eles se juntam para destruir uma moral comum também: cristianismo.

Em suma, a combinação entre marxismo e grupos radicais islâmicos é contra os três "Cs"que este blog defende: capitalismo, civilização e cristianismo.

A Irmandade Muçulmana no Egito já começa a ameaçar Israel, querendo revogar um acordo de paz que já dura 33 anos e que é fonte de garantia de sossego relativo na região. Imagina como está o Hamas,  grupo terrorista que domina a Faixa de Gaza na fronteira com o Egito e que foi gerado na Irmandade Muçulmana, com a iminência de domínio da Irmandade. E o Hezbollah, grupo xiita com fortes ligações com o Irã, que também quer destruir Israel...e o Irã.

O site Stratford publica hoje um texto que mostra que a Irmandade já ameaça Israel. Diz o texto:

In a conversation with Israel’s Channel 10 on Thursday, Egyptian Muslim Brotherhood (MB) top leader Essam el-Erian said, “Muslim Brotherhood is not considered a radical organization. This is not a violent organization. However, if Israel will open an offensive against Egypt, the situation may change. You talk to the Egyptian people, it’s up to the Egyptian people. We can make a future referendum on peace with Israel. Israelis have nothing to fear except the crimes they perpetrate.”

(Em conversa com o Canal 10 de Israel na quinta-feira, um líder top da Irmandade Muçulmana do Egito (MB) Essam el-Erian disse "a Irmandade Muçulmana não é considerada uma organização radical. Ela não é uma organização violenta. Entretanto, se Israel abrir sua ofensiva contra o Egito, a situação pode mudar. Você fala com o povo do Egito, depende do povo do Egito. Nós podemos fazer um referendo sobre a paz com Israel. Os israelenses não têm nada a temer exceto se cometerem algum crime.").

El-Erian ainda disse que "credibilidade entre Egito e Israel está muito baixa atualmente. Depois do apelo de Netanyahu de que os Estados Unidos devem apoiar Mubarak. Eu acho que este pronunciamento é muito perigoso para a estabilidade da região. A paz é uma paz fria entre Egito e Israel. Ele precisa de uma revisão...O povo não está pedindo guerra, mas não é nossa obrigação proteger Israel dos Palestinos. Nós não somos guardas de Israel"

Para bom entedendor "pingo no i é letra". Eu, que não tenho nenhuma formação militar, se fosse general israelense me prepararia para invadir a Faixa de Gaza, ela pode ser rearmada pelos egípcios.

Achei também interessante ele dizer que a Irmandade "não é considerada radical", significando que ela pode ser. E esse negócio de perguntar ao povo dificilmente resulta em boa coisa desde a revolução francesa. Como disse Edmund Burke falando sobre essa revolução:

To avoid therefore the evils of inconstancy and versatility, ten thousand times worse than those of obstinacy and the blindest prejudice, we have consecrated the state.

(Para  evitar portanto os males da inconstância e da volubilidade, dez mil vezes piores que aqueles da tenacidade, e do preconceito cego, é que foi criado o estado)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

O Que é a Irmandade Muçulmana?




Fiz uma pequena pesquisa para explicar e manter nos meus arquivos o assunto Irmandade Muçulmana, o maior e mais antigo grupo político islâmico.

O Egito tem 95% de sua população sendo muçulmana, então, logo de cara percebe-se que o potencial da Irmandade para ser uma força política é total. A Irmandade foi fundada em 1928 por um professor de escola chamado Hassan al-Banna. A Irmandade durante praticamente toda a sua existência foi considerada ilegal, especialmente depois da Revolução de 1952, com Nasser, Sadat e Mubarak, apesar de sempre se mostra pragmática na política e no islamismo. Ela apresenta-se com uma grande força oposicionista, mas não é a única, há muitos muçulmanos seculares no Egito, além de grupos radicais islâmicos.

Na formação da Irmandade, ela defendia o renascimento do islamismo no país e o nacionalismo egípcio, tentando conter o secularismo e a modernidade que vinha do ocidente. A Irmandade aceita de forma ecumênica todas as tendências do islamismo.

A partir dos anos 30, a Irmandade iniciou um grupo para-militar para atacar a ocupação britânica no país. Durante a Segunda Guerra, ela se alinhou com os nazistas contra a dominação britância. Até o final dos anos 40, a organização era legalmente constituída, mas os ataques terroristas começaram a atrair inimigos dentro do governo egípcio. O assassinato do primeiro-ministro Nukrashi Pasha em 1948 significou um ponto de inflexão e levou a Irmandade para a clandestinidade. Al-Banna condenou o assassinato, mas ele também foi assassinado em 1949, aparentemente por agentes do governo. Assumiu Hassan al-Hudaybi que era juiz de direito e não tinha uma proximidade com os membros da Irmandade apenas com al-Banna. Al-Hudaybi perdeu o domínio sobre os membros mais radicais.

Em 1952, a Irmandade apoiou a Revolução de Gamal Nasser. Inicialmente Nasser apoiou a Irmandade, mas logo a viu como inimiga no domínio do poder e a levou a para a ilegalidade em 1954. Na tentativa de assassinar Naser em outubro de 1954, vários membros da Irmandade foram acusados, presos e torturados, incluindo al-Hudaybi.

Foi nesse período que surgiu o principal líder teórico da Irmandade, Sayyid Qutd. Ele era um escritor que tinha morado nos Estados Unidos e condenava os costumes ocidentais, defendendo que o Islã deveria dominar não apenas o mundo árabe mas salvar o mundo. A idéia de combater o ocidente em todas as frentes, inclusive dentro dos próprios países, conhecida como jihadismo, tinha seu líder teórico. Qutd argumentava pela derrubada completa do regime de Nasser. Foi preso (foto acima) e torturado. Qutd criticava a Irmandade dizendo que ela não seguia o Islã e tinha aceitado as idéias ocidentais. Ele escreveu o livro Milestone, que influenciou fortemente Osama Bin-Laden. Qutd foi sentenciado a morte em 1966 sob a acusação de querer derrubar o governo de Nasser.

Depois de duas décadas na ilegalidade mas certo pragmatismo na política, a Irmandade acabou sendo superada por grupos mais radicais como Tandheem al-Jihad e Gamaa al-Islmaiyah. Sadat e Mubarak nunca legalizaram a Irmandade, mas a toleraram e, de certa forma, a apoiaram as suas ações, atacando os grupos radicais. O Tandheem al-Jihad está por trás do assassinato do presidente Anwar Sadat em 1981, por não aceitar os acordos de paz entre Egito e Israel.

A Irmandade espalhou-se pelo mundo árabe, com ramos na Síria, Jordânia, Palestina, Paquistão, Iraque, norte da África, etc. Esses grupos agem de forma independente, e alguns são mais radicais que a Irmandade, como os ramos da Síria e da Palestina, que acabou gerando o Hamas. A percepção do mundo, no entanto, não consegue distinguir o pragmatismo político da Irmandade com os grupos radicais islâmicos que ela acabou inspirando.

Cabe dizer que a Irmandade, por meio de candidatos independentes, conseguiu, nas eleições parlamentares de 2005, aumentar o número de suas cadeiras no parlamento em 5 vezes. Mas nem a Irmandade nem qualquer partido político do Egito jamais passaram pelo voto popular para alcançar a presidência. Se ocorrerem eleições no Egito para chefe de governo, não se tem idéia do que pode acontecer.

Além disso, a saída de Mubarak pode gerar pressão para acabar o banimento político da Irmandade. Esse banimento poderá ser ampliado para as dissidências dela e daí as dúvidas aumentarão sobre o futuro político do Egito. E não estamos falando das relações com os grupos islâmicos dos países vizinhos e dos países árabes.

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O Domínio Esquerdista na Imprensa e na Universidade.






A imprensa assim como as universidades são locais de pleno domínio esquerdista.Quem tenta sobreviver nesses ambientes defendendo políticas conservadoras, como sendo contra o aborto, contra a história de que o homem é responsável pela mudança climática, ou diagnosticando o extremismo muçulmano, está fadado a ser expulso da organização, não conseguir publicar nada, ou ser colocado de lado. Não conseguirá subir na profissão.

Os exemplos disso são inúmeros. Mesmo se você pegar uma escola de pensamento conservadora inteira verá que ela não consegue entrar nesses dois ambientes. Por exemplo, a escola austríaca de economia é fantástica e tem ótimas respostas para os problemas econômicos, mas veja se você encontra algum professor no Brasil que defenda ou que pelo menos saiba o que esta escola defende. Nós, no Brasil, temos até três disciplinas de marxismo em cursos de ciência econômica e nenhuma sobre von Mises ou Carl Menger. Quantos são os estudantes de economia que sabem quem foi von Mises, mesmo no exterior?

O que é engraçado é que as pessoas em geral são bem mais conservadoras que a imprensa e que os professores universitários. Compare, por exemplo, a porcentagem de conservadores nas universidades americanas. Pesquisas apontam que não passa de 15%. O tamanho dos conservadores na população está por volta de 40%. Isso nos Estados Unidos, em que os esquerdistas na população não chegam a 20%. Em países europeus ou latino americanos em que certamente a população com idéias esquerdistas é bem maior que 20%, em que padres são comunistas, acho que os conservadores nas universidades não deve chegar a 5%.

Além disso, outro fato interessante, é que tem grande de fazer sucesso na imprensa aquele que tem idéias mais conservadoras. Ser esquerdista vai na contramão do sucesso. No Brasil, nenhuma revista vende mais que a Veja e a Rede Globo, apesar de ser  muito parecida com a BBC ou CNN, está a frente de qualquer emissora, mesmo sendo mais conservadora que qualquer concorrente. Nos Estados Unidos, ninguém chega nem próximo da Fox News e o jornal de esquerda New York Times está falido.

Há também reação das pessoas contra a doutrinação esquerdista na imprensa e nas escolas. No Brasil, como sugerido por um leitor do jornal The Telegraph (thanks, peartree), temos a Escola Sem Partido que mostra inúmeros casos de doutrinação ideológica.

Chesterton disse certa vez: "Eduque-se, caso contrário poderá levar muito a sério pessoas educadas."

Eu me eduquei, diria que cheguei ao nível máximo da formação acadêmica, mas tenho extrema dificuldade de lidar com os meus colegas. Talvez porque eu acho que São Paulo está certo (1 Corintíos 1,26-28), é a fraqueza que é o forte, é o que é não importante que é importante, o que é sábio parece estúpido:

“Portanto, irmãos, vós que recebestes o chamamento de Deus, vede bem quem sois: entre vós não há muitos intelectuais, nem muitos poderosos, nem muitos da alta sociedade. Mas Deus escolheu o que é loucura no mundo, para confundir os sábios; e Deus escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, foi isso que Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante.”

Os professores universitários são muito "sábios" para mim, acham que têm todas as respostas. Quantos são os líderes mundiais que tenham feito grandes avanços para humanidade depois de terem tido sucesso na academia ou da imprensa?  Eu não conheço nenhum. Churchill não faria carreira sucesso na academia, Thatcher era ridicularizada. Hoje é a Sarah Palin que é ridicularizada.

Uma jornalista do Washington Post resolveu que estava cansada de insultar Sarah Palin (acho que o problema dela é que ninguém dava atenção ao que ela dizia) e decidiu fazer uma campanha para ninguém falasse de Sarah Palin por um mês. Que imbecilidade!! O jornal The Telegraph, para reagir a essa estupidez, resolveu fazer de fevereiro o Mês Sarah Palin. Hoje temos o excelente texto de James Delingpole que mostra porque a Palin é tão odiada pela esquerda.

Com a crise do Egito também temos claramente quem é quem na imprensa e nas universidades. Ontem, nos Estados Unidos, o principal programa de Bill O'Reilly, que é o de maior audiência no horário nobre na TV americana, reagiu a um jornalista da ABC, Sam Donaldson, que elogiou a TV Al Jazeera pela sua cobertura da crise no Egito. Donaldson disse que a imprensa americana deveria aprender com a Al Jazeera.

Reilly mostrou que a Al Jazeera faz campanha contra tudo que é a favor dos Estados Unidos ou de Israel, como pode um jornalista americano defender que os americanos devem raciocinar como Al Jazeera?

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Paz no Oriente Médio? Nem os Pombos Acreditam


O Papa celebrou ontem o Dia Internacional de Intercessão para a Paz no Oriente Médio. Ao lado de duas crianças o Papa planejou soltar pombos para celebrar o dia, mas parece que um pombo acho melhor ficar no Vaticano. Ele está descrente da paz no Oriente Médio. Será só ele?

Vejam o vídeo da Rome Reports TV News abaixo, no qual também há referência ao dia para lembrar a assistência aos leprosos, Dia Mundial dos Leprosos.



Abaixo, fotos de protestos no Egito, Tunísia, Argélia e Iêmen, respectivamente.






Para colaborar com o pessimismo do pombo, James Kirkup disse que o Irã pode ter armas nucleares já no próximo ano.

E Israel como fará cercado de inimigos? 

E os Estados Unidos, que já estão em duas guerras (Iraque e Afeganistão)? 

E a Rússia, a China, a França, a Bélgica...como dominarão suas populações muçulmanas?

O que irá acontecer? As respostas vão desde a formação de um califado que abrangerá todo o Oriente Médio e os países do mediterrâneo, depois que os sunitas e os xiitas decidirem quem manda no islamismo, até a democracia.