Eu estou lendo um dos melhores livros que já li, chama-se The Lord of The World, disponível em português como O Senhor do Mundo. O livro foi escrito em 1907, pelo padre Robert Hugh Benson. Benson é um autor famoso mundialmente, e, durante sua vida, foi célebre por abandonar o sacerdócio da Igreja Anglicana, em que seu pai era líder, para se tornar padre católico.
Esse livro é considerado uma das primeiras distopias. Distopias são sociedade terríveis imaginadas no futuro. O livro 1984, de George Orwell, é talvez a mais conhecida distopia. Temos também Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, que é também uma distopia muito conhecida.
Comecei a ler o livro por sugestão de um crítico literário católico chamado Joseph Pearce.
Logo fiquei entusiasmado com a capacidade de previsão do mundo que temos hoje, nas palavras de Benson de 1907.
E descobri que tanto o Papa Bento XVI, como o Papa Francisco já tinham usado o livro para seus comentários.
O Papa Bento XVI, quando era ainda cardeal, criticando a ideia de que havia necessidade de uma Nova Ordem Global disse que
"O livro do Monsenhor Benson descreve uma civilização unificada e com poder de destruir o espírito. O anticristo é representado como um grande pacificador em uma nova ordem mundial".
Eu achei que essas palavras de Bento XVI descrevem com clareza o que é o livro, faltavam alguns detalhes importantes, como o que o anticristo era marxista e maçônico, mas é um resumo adequado.
O Papa Francisco elogiou o livro em duas ocasiões.
Na primeira, em 2013, o Papa Francisco, ao comentar sobre o livro dos Macabeus, em que os judeus querem se conformar com os poderes do mundo e abandonar suas tradições antigas e sua fé em Deus, ele lembrou do livro de Benson como mostrando "espírito do mundo que leva à apostasia".
Achei uma visão interessante do livro, temos no livro um anticristo que exalta o homem em detrimento de Deus. E é bom ver um Papa que defende tanto o Concílio Vaticano II ver o risco do "espírito do mundo". E também é bom ver um Papa que parece tão afeto a modernidades exaltar as velhas tradições.
Na segunda vez, em 2015, o Papa Francisco foi até mais explícito, e fez propaganda do livro. Foi durante um voo de Manila para Roma. Foi uma entrevista famosa, porque o Papa condenou uma mulher que teve oito filhos. Depois o Papa teve que pedir desculpas por isso.
Mas o repórter tinha perguntado ao Papa, sobre o que ele queria dizer com a expressão "colonização ideológica".
Ele explicou de forma meio confusa, dando exemplos.Primeiro disse que em 1995 uma ministra da educação queria dinheiro para fazer escolas para pobres, aí "eles" deram o dinheiro para ela com a condição de que a escola adotasse um livro de defesa do gênero (em defesa dos gays). Ou quando os bispos da África dizem que recebem dinheiro em troca da aceitação de ser doutrinas contrárias ao ensinamento da Igreja. Daí, fala que cada povo tem sua cultura, sua história, sua tradição. A globalização para o Papa deveria preservar essas diferenças culturais.
Então disse que ia fazer a propaganda de um livro que era chamado O Senhor do Mundo, era um livro muito bom, pois, para o Papa, "autor tinha visto o drama da colonização ideológica".
Bom, o Papa deve ter esquecido em 2015 sobre o que realmente falava o livro de Benson. Não tem nada a ver com colonização ideológica. A fala do Papa usa o livro para defender a diversidade cultural. Mas o livro não defende isso. Pelo contrário, em certa passagem, exalta o valor da unidade.Em poucas palavras, o livro defende a Igreja Católica.
Em todo caso, comprem e leiam O Senhor do Mundo, eu, o Papa Bento XVI e o Papa Francisco recomendamos. Vejam que em 1907, Benson viu a descoberta de aviões, da bomba atômica, do secularismo, da perseguição aos cristãos e a idolatria ao homem (maçonaria).











