domingo, 1 de março de 2026

Guerra contra Irã - É Guerra Justa ?

 


Há alguns pensadores católicos que dizem que a atual guerra contra o Irã (Operação Epic Fury) não atende aos critérios de guerra justa (bom tema para um artigo).

Ainda estou "matutando" sobre a questão, mas aqui vão alguns pensamentos iniciais:

1) A guerra até agora tem sido mais de ataques iniciais. Israel e os Estados Unidos atacaram as forças e os líderes iranianos, matando o próprio líder do país que estava no poder desde 1989 (47 anos), enquanto o Irã jogou mísseis contra Israel e contra diversos países islâmicos (Arábia Saudita, Iraque, Jordânia, Catar, Kuwait, Bahrein);

2) Os Estados Unidos já tinham destruído quase a totalidade do arsenal nuclear do Irã no ataque de 22 de junho de 2025, na Operação Midnight Hammer;

3) Aparentemente não há nada de novo, além do "Death America" constante desde 2025, que justificasse a Operação Epic Fury;

4) Aparentemente, não é uma guerra material para a conquista de bens no sentido imediato. Mas pode ser no sentido político-econômico global. A China importava 80% do petróleo iraniano, se os Estados Unidos saírem vitoriosos, terão que se adaptar ao controle político maior do país por parte dos Estados Unidos. Além disso, o Irã é politicamente próximo da Rússia de Putin.

5) A Operação Epic Fury se enquadra em guerra preventiva;

6) Guerras preventivas podem ser justas, mas os critérios de guerra justa se enquadram com mais dificuldade;

7) É uma guerra religiosa? Acho que pode-se defender isso pelo enorme histórico, milenar, de combate entre os cristãos e os muçulmanos. E porque a própria justiticativa do Irã para atacar Israel e o Ocidente é sempre com fundamento religioso;

8) Uma guerra religiosa, em defesa da fé, pode se enquadrar como guerra justa? Sim. Um escritor de quem gosto sobre as Cruzadas, Thomas Madden, certa vez disse que hoje acadêmicos se assustam com o fato de que os cruzados saíram de suas casas para defender uma terra tão distante, sacrificando suas vidas e fortunas. Mas os cruzados também se assustariam como as guerras modernas fundamentadas em questões políticas e ideologias. Para os cruzados, seriam guerras lastimáveis que gerariam perdas de vida. No caso do Irã. há a questão religiosa, que os cruzados reconheceriam.

9) O povo iraniano é contra as forças inimigas do governo iraniano ou a favor? Isto é, o ataque é contra o povo ou a favor? Pergunta bem difícil, tecnicamente, para se responder. Mas, como cristão, eu responderia que o povo deveria ser a favor, mesmo porque, centenas de milhares de iranianos foram mortos pelo próprio governo do Irã, por serem dissidentes ou não serem muçulmanos.

10) Apenas por ser uma guerra preventiva, há motivos para atacar o Irã. Sim, inúmeros.

Aqui, vai uma lista de motivos desde a Revolução Iraniana de 1979:

1979: O regime iraniano assumiu o controle da Embaixada dos EUA em Teerã, resultando em uma crise de reféns que durou 444 dias. 1983: O regime iraniano forneceu apoio material ao Hezbollah para o atentado ao quartel dos fuzileiros navais em Beirute, que matou 241 militares americanos. 1984: O Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, sequestrou William Buckley, chefe da estação da CIA em Beirute. Buckley morreu em cativeiro. 1984: O Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, realizou o atentado com caminhão-bomba ao anexo da Embaixada dos EUA em Beirute, matando 24 pessoas. 1985: O Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, sequestrou o voo 847 da TWA, durante o qual um mergulhador da Marinha dos EUA foi assassinado. 1988: O regime iraniano realizou execuções em massa de prisioneiros, uma atrocidade que ainda está sob escrutínio internacional. 1989: O Líder Supremo Khomeini emitiu uma fatwa do regime pedindo a morte de Salman Rushdie, incitando assassinatos no exterior. 1992: Operativos do regime iraniano assassinaram dissidentes curdos em Berlim (os assassinatos de Mykonos), posteriormente ligados pelas autoridades alemãs a altos funcionários iranianos. 1994: O principal tribunal criminal da Argentina responsabilizou o Irã por ordenar ao Hezbollah o bombardeio do centro judaico AMIA em Buenos Aires (85 mortos). 1996: Atentado às Torres Khobar (Dhahran, Arábia Saudita): Em 25 de junho de 1996, um caminhão-bomba (equivalente a cerca de 9 toneladas de TNT) detonou em frente a um complexo residencial da Força Aérea dos EUA, matando 19 militares americanos e ferindo quase 500. O ataque foi realizado pelo Hezbollah saudita (um grupo apoiado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) com planejamento, financiamento e apoio material diretos do Irã. 2003–2006: A Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e o Hezbollah forneceram penetradores formados explosivamente (EFPs), outros artefatos explosivos improvisados ​​(AEIs), foguetes e treinamento para milícias xiitas iraquianas (por exemplo, precursores do Kataib Hezbollah, Asa'ib Ahl al-Haq e grupos ligados ao Exército Mahdi). Essas armas foram projetadas especificamente para derrotar blindados dos EUA. 2007: Tribunais dos EUA responsabilizaram o Irã por fornecer apoio material ao Hezbollah para o ataque de Beirute em 1983, ressaltando o patrocínio de longa data do regime ao terrorismo. 2007: O Irã sequestrou o agente especial aposentado do FBI, Robert A. "Bob" Levinson, na Ilha de Kish, Irã, em 9 de março de 2007. 2011–2013: Hackers ligados ao regime iraniano realizaram ataques DDoS coordenados contra bancos dos EUA, causando prejuízos de dezenas de milhões de dólares. 2012: Operativos do regime iraniano e do Hezbollah realizaram atentados a bomba contra funcionários das embaixadas israelenses na Índia e na Geórgia. 2012: Investigadores ligaram os atentados em Bangkok à mesma onda de supostas operações do regime iraniano contra diplomatas israelenses. 2012: Autoridades israelenses culparam explicitamente a Força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) pelo planejamento dessa onda de ataques contra diplomatas. 2013: A mesma campanha cibernética do regime iraniano incluiu a invasão de um sistema de controle de barragem dos EUA (Barragem da Avenida Bowman), conforme indiciamentos americanos. 2015: Forças iranianas abriram fogo e abordaram o navio Maersk Tigris no Golfo Pérsico, apreendendo a embarcação. 2016: Forças da IRGC detiveram 10 marinheiros da Marinha dos EUA depois que seus barcos entraram em águas iranianas, usando humilhação pública como forma de coerção. 2017: A Reuters noticiou um aumento acentuado nas detenções de cidadãos com dupla nacionalidade pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), uma tática usada repetidamente pelo regime. 2018: A Dinamarca afirmou que um serviço de inteligência iraniano planejava um assassinato em solo dinamarquês. 2018: Um processo judicial belga envolveu um diplomata iraniano condenado por planejar um ataque a bomba perto de Paris. 2019: A IRGC abateu um drone militar americano. 2019: O regime iraniano ultrapassou o limite de estoque de urânio enriquecido estabelecido pelo acordo nuclear, acelerando o risco de proliferação. 2019: O regime violou ainda mais as restrições do acordo nuclear. 2019: A IRGC apreendeu o petroleiro Stena Impero, de bandeira britânica, no Estreito de Ormuz. 2019: O regime ordenou uma repressão letal contra protestos em todo o país. A Reuters noticiou cerca de 1.500 mortos. 2020: O Irã lançou mísseis balísticos contra bases que abrigavam tropas americanas no Iraque (Ain al-Asad/Erbil), um ataque direto do regime. 2020: Autoridades americanas confirmaram que soldados dos EUA receberam tratamento para concussões após o ataque com mísseis iranianos. 2021: Um ataque com drone ao navio-tanque Mercer Street matou dois tripulantes; o incidente foi atribuído ao Irã por autoridades dos EUA, Reino Unido e Israel. 2021: Promotores americanos acusaram agentes de inteligência iranianos de planejar o sequestro do jornalista Masih Alinejad em Nova York para entregá-lo ao Irã. 2021: O Departamento de Justiça dos EUA acusou cidadãos iranianos de uma campanha cibernética para intimidar eleitores americanos e minar a confiança nas eleições de 2020. 2022: As autoridades americanas acusaram um membro da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) de planejar o assassinato de John Bolton nos Estados Unidos. 2022: Mahsa Amini morreu após ser detida pela polícia moral do regime, desencadeando uma onda de protestos em todo o país contra a violência estatal. 2022: O Irã concordou em fornecer mais drones e mísseis à Rússia, possibilitando ataques que atingiram cidades e infraestrutura ucranianas. 2023: A Reuters detalhou uma troca de detentos entre EUA e Irã que dependia da detenção de cidadãos americanos pelo regime — um exemplo da forma como o Irã usa reféns como moeda de troca. 2023: Ataque de 7 de outubro, no qual terroristas do Hamas, apoiados pelo Irã, assassinaram mais de 1.200 homens, mulheres e crianças inocentes.

2023: O Hezbollah, apoiado pelo Irã, trocou tiros com Israel à medida que a violência regional se intensificava após 7 de outubro. Continuação de 2023: O Hezbollah lançou foguetes do Líbano e Israel retaliou, demonstrando a pressão exercida pelo Irã sobre a fronteira norte de Israel. As forças americanas no Iraque foram alvejadas por drones, enquanto grupos alinhados ao Irã retomavam um padrão de ataques contínuos. Autoridades americanas disseram esperar mais ataques apoiados pelo Irã contra tropas americanas, ressaltando a guerra por procuração facilitada pelo regime. A Casa Branca afirmou que, em alguns casos, o Irã estava "facilitando ativamente" ataques com foguetes e drones realizados por grupos aliados contra bases americanas. Os houthis, alinhados ao Irã, intensificaram os ataques contra navios mercantes, provocando desvios generalizados e interrupções na cadeia de suprimentos. 2024: Ataques persistentes dos houthis, apoiados pelo Irã, contra navios. Um ataque com drone realizado por uma milícia apoiada pelo Irã matou três soldados americanos na Torre 22, na Jordânia, representando uma grande escalada contra as forças americanas. O comandante da Força Quds do Irã visitou Bagdá e ajudou a modular os ataques da milícia, demonstrando a influência do comando do regime sobre seus aliados. O Irã forneceu mísseis balísticos à Rússia, aprofundando o papel de Teerã em uma guerra que afeta a segurança europeia. O Irã lançou centenas de drones e mísseis diretamente contra Israel, um ataque aberto sem precedentes por parte do regime. A Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) apreendeu o MSC Aries ("ligado a Israel"), embarcando-o de helicóptero e desviando-o para o Irã — uma coerção no estilo de pirataria estatal. Os planos do Irã para assassinatos por encomenda e as operações por procuração contra alvos ligados a Israel no Ocidente foram expostos. 2024: A Reuters noticiou que a ação da UE foi motivada pela política iraniana de deter estrangeiros como forma de pressão, reforçando o padrão de detenções ilegais do regime. 2025: A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã apreendeu um petroleiro estrangeiro no Estreito de Ormuz, dando continuidade à coerção marítima do regime em um ponto de estrangulamento global crucial. 2026: A Reuters noticiou que os EUA designaram o Irã como um Estado patrocinador de detenções ilegais.

- Além disso, repetidas vezes, Trump falou que o Irã fez planos para matá-lo.