Nos Estados Unidos, depois de um ano após o terremoto do Haiti, discute-se onde está o dinheiro das doações. O programa mais assistido no país, The O'Reilly Factor, discutiu na terça-feira passada, especificamente, onde está o dinheiro criado por dois ex-presidentes americanos (George Bush e Bill Clinton) que arrecadou 53 milhões de dólares para o Haiti. O país inteiro doou 1,5 bilhão de dólares.
A rede de televisão CBS News resolveu fazer uma pesquisa entre os principais recebedores de recursos de doações para o Haiti. Apenas o Fundo Bush-Clinton não respondeu às perguntas da emissora. Na pesquisa observou-se que a organizações de ajuda humanitária gastaram muito pouco até agora do dinheiro recebido, por volta de 10%.
Recursos Arrecadados (em escuro) e Gastos (azul claro)
no Haiti por Organização de Caridade
As organizações têm auditores independentes e alegam que estão pensando no longo prazo. Mas quem visita o Haiti só ver muita pobreza, lixo, barracas e nenhuma construção sendo levantada (foto acima).
Realmente temos de considerar que o dinheiro tem de ser bem gasto com muito cuidado para evitar desvios. Além disso, em uma situação de crise humanitária não dá para pedir nota fiscal em todo gasto. Isso não deve ser fácil diante de tanto desespero. Mas é sempre essencial divulgar uma lista de ações que estão sendo executadas que mostram como a organização está trabalhando. Transparência é essencial. A não divulgação dos gastos e resultados só afastará doadores.
No Rio de Janeiro, ocorreu no início deste ano o maior desastre ambiental da história, quase 800 pessoas morreram. Falta de planejamento urbano é a principal causa da catástrofe. Muitas pessoas e organizações estão ajudando com diversas doações. Não há uma certa centralização de doações como há no Haiti para que se controle melhor aquilo que foi dado de forma caridosa aos moradores das cidades serranas do Rio, mas a população e a imprensa também deve se preocupar para que suas doações chegue a quem realmente precisa.
Na Austrália, o departamento de Queensland, que foi muito atingido pelas inundações, mostra transparência com o dinheiro arrecadado no seu site , vejam que há amostra da ajuda financeira, emocional e divulgação de como ajudar. No site do Estado do Rio não há isso, apenas informações gerais. Apesar da frequência das inundações na região, não estamos preparados para ajudar. Quase 800 cadáveres no Brasil contra mais ou menos 25 na Austrália, que choveu muito mais e atingiu um área que equivale a dois estados do Texas, muito maior que a região serrana do Rio.








