Muitos tradicionalistas esperavam que, com a eleição de Leão XIV, a missa tridentina fosse mais liberada, depois do estrangulamento imposto por Francisco com Traditionis Custodes, de 2021. Muitos, até ótimos católicos, de forma estranha, esperavam que as excomunhões que Leão XIV impôs à Fraternidade de São Pio X, que adota a missa tridentina e condena vários aspectos da liturgia elaborada no Vaticano II, fossem a chave para que Leão XIV liberasse a missa tridentina, pois já teria condenado os que seriam cismáticos.
Ontem, Leão XIV destruiu as esperanças dos tradicionalistas e se mostrou um adepto radical do Vaticano II, a ponto de usar as justificativas da década de 1970 contra a missa tridentina. Justificativas bem frágeis, que se destroem facilmente.
Leão XIV destruiu as esperanças de todos nós, que desejamos que a missa de sempre seja respeitada, ontem em uma Audiência Geral.
Um dos argumentos que mais chamou a atenção de todos foi que ele disse que o Vaticano II reformou a liturgia porque "surgiu a necessidade de os fiéis celebrarem as liturgias de forma mais consciente e ativa, não “como estranhos e espectadores silenciosos, mas participando plenamente do mistério salvífico."
Como assim? Não se participa ativamente da missa tridentina? O ato de silêncio diante do sacrifício da missa não é participação ativa? Os milhares de santos que veneraram a missa tridentina por séculos não agiam de forma consciente, ativa, nem participavam plenamente do mistério salvítico?
Outra coisa que chamou a atenção nas palavras de Leão XIV, foi um "thus" (portanto, então) que normalmente é usado para se concluir uma tese depois de várias premissas. No caso, o "thus" não tinha premissas anteriores, ficou isolado após afirmações soltas.
Esse "thus" mereceu resposta de Dom Alcuin Reid, monge beneditino, estudioso litúrgico reconhecido internacionalmente — cuja tese de doutorado sobre reforma litúrgica foi publicada como "The Organic Development of the Liturgy" (O Desenvolvimento Orgânico da Liturgia), com prefácio do Cardeal Joseph Ratzinger.
Em poucas palavras, Dom Alcuin Reid destruiu os argumentos de Leão XIV, mas, talvez para proteger o papa dele mesmo, partiu do princípio de que Leão XIV estava lendo o texto escrito por outros (drafters). É normal que pessoas muito importantes tenham seus textos redigidos por outros. Eu, inclusive, já tive a função de escrever textos para outros. Mas sempre o fiz da maneira que o líder desejava, a tentar refletir seu pensamento, e o que eu escrevia sempre passava pelo crivo dele próprio. Então, não caio muito nessa. São palavras do Papa e ponto final.
Em todo caso, vale a pena ler o que Dom Alcuin Reid escreveu, clicando aqui.
Muita gente reagiu no X às palavras do Papa Leão XIV, apesar de que aqueles tradicionalistas que estavam mais esperançosos com Leão XIV até agora estão em silêncio.
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