segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Guerra - Amarelo vs. Laranja - Vida vs Aborto



Acima, uma manifestação em favor do aborto (laranja) é surpreendida pela chegada de uma manifestação em favor da vida (amarelo) em Chicago. Sensacional. E aí laranjas, felizes em ver a gente?  Qual lado é mais vivo?

Depois dos vídeos da LiveAction, em que a Planned Parenthood, a organização que mais realiza abortos nos Estados Unidos, é pega acobertando prostituição e indicando como se pode fazer  aborto em mulheres menores de idade sem o conhecimento dos pais ou do governo, começou uma campanha forte nos Estados Unidos para que a Planned Parenthood deixe de receber apoio do governo federal americano. Abaixo, um dos vídeos denúncia da LiveAction.


Por que uma firma que faz abortos recebe dinheiro público? Essa organização não pode se financiar com dinheiro privado já que ela, supostamente, ajuda tanta gente? Por que mesmo aqueles que são contra o aborto devem financiá-lo por meio de pagamento de impostos? Por que não o contrário: o subsídio à vida?

Um primeiro passo já foi dado e a Câmara Federal sinalizou que o orçamento retirará o financiamento da organização. Mas a luta continua. As campanhas publicitárias de ambos os lados começaram. 

Vejam vídeo da campanha da Planned Parenthood, abaixo. Reparem que a campanha da Planned Parenthood nem fala a palavra aborto, sua maior fonte de financiamento público. Como Jean Geragthy pergunta: por que uma organização que consegue pagar 200 mil dólares em campanha publicitária não pode se financiar sozinha?




Agora a Campanha da Liga Americana pela Vida (American Life League):


Acho que o papa Bento XVI respondeu ao debate em uma reunião com médicos.  Ele disse que o aborto não é solução econômica (muita gente diz que mais crianças é mais custo para a sociedade. Com esse argumento, então, que tal matar bastante gente para sair da recessão?) nem solução de saúde. Ele também chamou a atenção para a posição dos pais, que abandonam suas companheiras a própria sorte. O site Rome Reports mostrou um vídeo da reunião, reproduzo abaixo:



De que lado você está?

Como digo no cabeçalho acima, este blog é voltado para guerra cultural que está presente em todos os campos da vida humana. Estamos do lado daqueles que defendem a vida. Pela vida, sempre! Apoiamos a campanha para que o governo americano deixe de subsidiar o aborto. We are Pro-Life!!

E no Brasil? O governo brasileiro financia direta ou indiretamente o aborto?

Se gostou, espalhe esse post.

Muita Gente Torce e Reza pelo Fim dos Estados Unidos


Hoje, leio na mídia americana que Louis Farrakhan (foto), líder do grupo islâmico Nação do Islã, disse que as revoltas no Egito, na Tunísia, e na Líbia chegarão aos Estados Unidos. Ele é mais um que torce pela destruição da cultura americana.

Nação do Islã é um grupo que mistura islamismo com crenças em discos voadores. O fundador da seita teria conduzido Farrakhan em um disco voador, chamado A Roda (The Wheel), e dito previsões sobre a humanidade. O grupo tem  base em Chicago, terra de Obama e muita gente diagnostica a proximidade do grupo com Obama. Durante a campanha, Obama recebeu apoio de Farrakhan, que chegou a chamar Obama de Messias, mas Obama rejeitou o apoio e se distanciou do discurso dele, porque isso prejudicaria sua campanha. Farrakhan costuma condenar os Estados Unidos pelas guerras no mundo e dizer que o governo americano quer o genocídio dos negros.

Interessante é que o discurso de Farrakhan receberia aplausos de muitos líderes mundiais, como Castro, Chavéz, Ahmadinejad, Kaddafi, e muita gente da ONU, para citar os mais belicosos. Mas há muitas pessoas no Brasil que apoiariam o discurso da Nação do Islã. O ótimo jornalista Augusto Nunces escreveu no seu blog ontem sobre a relação do Brasil com os Estados Unidos e como o governo Lula fez com que "o País do Carnaval não só entra sempre com o problema como, entre um socorro e outro, debita na conta de quem o socorreu (Estados Unidos) todos os males e pecados do mundo".

Os Estados Unidos são o inimigo da imaginação de muitos ditadores  e esquerdistas e justificativa para todos os males. Basta ler qualquer discurso de Castro para ver isso.

Acabei de ler um livro sobre Inquisição de Edward Peters. O livro é muito técnico, o que torna sua leitura um pouco difícil, mas é muito completo na descrição do mito e da história da Inquisição. Recomendo-o fortemente. Neste livro, o autor chama atenção de como foi importante a visão do imperialismo espanhol para estabelecer o mito da Inquisição. No século XV e XVI, a Espanha era a maior potência do mundo, e sua devoção religiosa era odiada. A Inquisição ou as inquisições (como gosta Peters) que lá foi estabelecida foi usada como ferramenta para odiar ainda mais a Espanha e estabelecer que a religião católica era inimiga da ciência. Esquecendo-se de toda a ciência criada na Idade Média.

O uso do país mais poderoso como culpa de todos os males, então, não é novidade nenhuma na história da humanidade.

Além disso, como a Espanha sofreu anteriormente, hoje, todos adoram falar que os Estados Unidos são muito apegados a religião quando tratam de política. Eles levam os debates morais para a política, que supostamente não seria adequado. Na campanha política brasileira, vi muitos jornalistas querendo afastar o debate sobre aborto da campanha presidencial, muitos dizendo que isso era coisa dos americanos. Isso ocorre não só no Brasil, na Europa, toda vez que há eleição, os jornais e os políticos sempre evitam questões morais. Nas eleições passadas no Reino Unido, vi como os candidatos fugiam de questões morais como o diabo foge da cruz. Todos com receio de tercer qualquer opinião religiosa ou moral.

Neste particular, eu dou graças a Deus pelos americanos, eles sabem que as questões morais são tão ou mais importantes que as questões do dia a dia.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Obama - Anti-Católico



Quando Obama visitou o papa em 2009, Bento XVI deu a Obama um presente muito apropriado: Documento do Vaticano sobre Bioética e Direito a Vida. Mas, Obama mantém suas ações contra os princípios católicos.

Na semana passada, ele disse que o governo americano não vai mais defender que o casamento seja feito entre homens mulheres. Isto é, o governo federal não mais defenderá a Lei Defense of Marriage, que foi feita por outro democrata, Bill Clinton, e que tem servido como apoio legal para juízes defenderem o casamento tradicional. O Obama não pode fazer isso, é ilegal. Newt Gingrich lembrou que só o Congresso pode retirar uma lei e que esse ato pode ser usado para impeachment.

Mas não há chance de isso acontecer e Obama mantém sua agenda pró-gay. Antes, Obama já tinha acabado com o Don't Ask Don't Tell (Não pergunte, Não diga) que evita que a ação do exército seja prejudicada por questões homossexuais internas.

William Oddie do jornal Catholic Herald, depois de mais essa ação de Obama, classifica o presidente americano como inimigo dos católicos, pois o histórico do Obama em relação aos princípios católicos é o pior possível. Quando senador, Obama votou pelo aborto, pela liberação de pesquisas com células troncos, apoiou educação sexual para crianças de cinco anos, e votou contra a obrigação de avisar aos pais quando menores fazem aborto. Além disso, ele não convidou nenhum membro da Igreja Católica para sua posse, como é de praxe.

Toby Harnden do jornal The Telegraph fala hoje da posição em favor dos gays de Obama, e lembra, para minha tristeza, que muitos membros do partido democrata são católicos e apóiam casamento gay (odeio ver católicos que não conhecem sua religião e agem contra os princípios da própria Igreja. Por que eles não saem da Igreja? Há igrejas que aceitam padres gays, inclusive) e diz que o melhor que os republicanos podem fazer para ganhar as eleições em 2012 é não entrar no debate moral ou religioso com Obama.

Para Harnden, há problemas como desemprego, sistema de saúde, gastos públicos que Obama evitaria discutir se os republicanos se voltassem para questões morais.

É a mesma história de sempre. Políticos devem deixar questões morais de lado, para vencerem as eleições ou conquistarem algum objetivo. No Oriente Médio, deixamos as questões morais de lado e mantemos ditadores no poder por longos anos (Mubarak, Kaddafi, Rei Abdullah, etc.) e dentro dos nossos países contruímos uma sociedade que mata crianças nos ventres das mães e saudamos o casamento gay, destruindo a família.

O que vale mais? A família e a vida ou ganhar as eleições abandonando esses princípios? Precisamos de políticos que saibam o que é mais importante.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Lugar Mais Perigoso É o Ventre Materno


Quase 60% das gravidezes entre as negras norte-americanas resultaram em aborto em 2009. Vocês leram direito sim, 60%. Isto é, o ventre de uma negra é o lugar mais perigoso para um negro americano. A chance de não nascer é maior do que nascer.

Foi isso que a organização Life Always publicou em um imenso cartaz no bairro Soho em Nova Iorque (vejam acima). Mas a empresa que fez o cartaz (Lamar Advertising)  mandou retirá-lo, alegando que o restaurante mexicano que ficava abaixo do cartaz estava sofrendo ameaças de pessoas que não aprovaram a campanha publicitária.

A Live Always publicou uma nota que condena a retirada.  Ela diz que o cartaz é baseado em fatos reais estatísticos da própria cidade de Nova Iorque e que a intenção é chamar a atenção para a tragédia do aborto, especialmente nas minorias. Ao invês de se retirar o cartaz, a cidade deveria era enfrentar e procurar resolver esse grande problema para a comunidade negra norte-americana.

Aqui vai a nota da Live Always:

For Immediate Release: February 24, 2011 Life Always Statement on Removal of “Dangerous Place” Billboard

Austin, Texas: Life Always strongly disagrees with Lamar Outdoor's decision to remove the billboard in Soho, but the billboard's message holds true, and truth has a place in the public square. The intent of the board is to call attention to the tragedy and the truth that abortion is outpacing life in the black community.
In 2009, according to New York City Vital Statistics (http://www.nyc.gov/html/doh/downloads/ pdf/vs/2009sum.pdf), 59.82 percent of black pregnancies ended in abortion. 59.8 percent of black pregnancies ending in abortion means that 1,489 black babies are aborted in New York City for every 1,000 born alive.    The goal behind this campaign is to heighten awareness and save lives. Pastor Stephen Broden states, “The reaction to this billboard is centered on trauma; abortion is traumatic, it is the emotional and physical trauma that women face after abortion that necessitates access to post-abortive healing services."    Rev. Michel Faulkner of New York adds, “While this billboard causes a visceral reaction from many African Americans, it addresses a stubborn truth that 60 percent of black babies do not make it out of the womb. We must do something now.”
“Instead of challenging the design of the ad, we should ask why the message is true and how can we change the fact that the leading cause of death for African Americans is abortion,” Faulkner said.
Life Always respects all women and encourages anyone in need of pregnancy care to visit one of the numerous pregnancy care centers in New York City offering hopeful alternatives and support to all women.


About Life Always:

Life Always is a nonprofit organization which aims to raise public awareness of Life issues through advertising. Life Always campaigns share research and confrontational truths about Life issues to educate and empower individuals to choose Life, always!

Prioridades na TV

Para quem viaja ao exterior e procura conhecer o que se passa nos canais de televisão lá fora vai perceber de cara o quão semelhantes eles são. Sei, muitas vezes os programas são franquias de sucesso no mundo rico e o mundo desenvolvido simplesmente compra a franquia e passa por aqui, mas programas como o do Jô Soares não precisavam imitar tanto Jay Leno ou David Letterman, por exemplo, usando até canecas na mesa, como os dois. Além disso, reconheço o medo das TVs em perder dinheiro e não arriscar em programas originais. Mas a semelhança são muito exageradas, fazem a gente odiar televisão em qualquer lugar do mundo.

No Brasil, por exemplo, a originalidade se restringe ao futebol. Passamos futebol na TV praticamente 24h por dia. E olha que os nossos melhores jogadores estão no exterior. Atualmente, não há nenhum programa brasileiro que eu goste de assistir, me volto para a TV a cabo.

A charge acima de Brian Farrington do site Townhall faz uma crítica a televisão americana. Enquanto há uma crise perigosa no mundo árabe, a tv discute as loucuras, os palavrões e o uso de cocaína do ator Charlie Sheen. Que Brian não visite o Brasil, onde praticamente todos os dias a última parte do Jornal Nacional é dedicada ao futebol.

Mas há diferenças importantes. E a fonte dessas diferenças está formação da população. Nos Estados Unidos, o que é muito bom é que as TVs a cabo têm muito jornalismo de opinião. Os canais jornalísticos brasileiros são muito fracos, sempre procuram ficar no meio termo. Imagino, por exemplo, a Fox News noticiando que o Tiririca foi nomeado pelo partido para fazer parte da Comissão de Educação e Cultura. Sei, o Tiririca não faria sucesso por lá e nem seria eleito pelo povo, mas vamos imaginar. O canal e o próprio povo iria insistir em saber se realmente o cara sabe ler e escrever, iria entrevistar os advogados, os juízes relacionados ao caso, iria acompanhar cada documento que passa pelo Tiririca, iria entrevistar os amigos, os irmãos, os colegas de profissão, procurar um documento qualquer escrito por ele, etc. Aqui, a gente tem medo de investigar a vida de políticos, como se a gente devesse algo a eles e não o contrário. Nos Estados Unidos,  quando um político vai a televisão, ele pode esperar ser confrontado com perguntas difíceis e discutir fortemente e agressivamente com o jornalista.

No Brasil, não corre nenhum risco. Sarney na televisão é só sorrisos. Uma grande diferença entre os dois países, é que no Brasil, nós não temos partidos ideologicamente diferentes, são todos de esquerda, e a televisão brasileira reproduz isso. Nos Estados Unidos, as TVs refletem as diferenças entre democratas e republicanos, o que é ótimo. Você sempre pode encontrar um programa jornalístico realmente de oposição.

No Reino Unido, quem já passou um tempo por lá e viu a TV aberta, vai ficar admirado pelo grande número de programas em que há disputas de conhecimento. Há programas que confrontam universitários, que dão milhões para quem sabe mais, que estabelecem uma disputa por grupos de pessoas sobre os mais diversos assuntos, etc. Isso é muito bom, estimula o conhecimento. No Brasil até o show do milhão, que é importado do Reino Unido, acabou, talvez pelo prejuízo que deu ao Silvo Santos. Mas no Reino Unido há problemas, o jornal da BBC, TV é financiada pelo população (que loucura!), é muito parecido com o Jornal Nacional, é politicamente e ideologicamente de esquerda, e domina a TV aberta no país. Morando lá, eu me refugiaria na TV a cabo também. Talvez isso seja explicado também pela situação política do país, os conservadores estão unidos com a extrema esquerda. Não há diferenças ideológicas muito grandes. O que acontece no Reino Unido é muito semelhante ao que ocorre na Itália ou França, apesar do Reino Unido ter muito mais programas de conhecimento.

No mundo árabe, que é dominado por ditaduras, a TV Al Jazeera se destaca, com uma vertente que fala aos corações do povo da região: ódio a Israel e aos americanos.

Em suma, precisamos de oposição forte até para ter bons programas de televisão.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Arábia Saudita - A Pedra Fundamental



O site Stratfor, que lida com conflitos internacionais, afirma que um grupo de jovens, que se autodenominou Juventude para Mudança (Youth for Change), convocou para hoje uma manifestação pacífica na cidade Jiddah de apoio aos revoltosos na Líbia.

A Arábia Saudita é o maior exportador de petróleo do mundo e tem as maiores reservas da commodity. Qualquer problema lá mais sério levará o preço do barril a passar de 200 dólares rapidamente. Hoje, com os problemas da Líbia (que está longe de ter a importância da Arábia Saudita), o barril já está em torno de 100 dólares.

O país está cercado por revoltas. Há população nas ruas contra os regimes no Iêmen, no Bahrein, na Jordânia, no Irã e o Iraque também é um barril de pólvora. A revolta no Iêmen e no Bahrein é particularmente preocupante pela proximidade com os sauditas. Até agora, o regime saudita tem reagido com aumento da ajuda a população.

A monarquia saudita é sunita como a grande maioria do povo, mas há uma população xiita de mais ou menos 15%. O país tem uma relação muito ruim com o xiita Irã e tem receio da influência desse país na minoria xiita. Além disso, o país tem uma ótima relação com os Estados Unidos, o que costuma não ser bem visto  por radicais sunitas ou xiitas.

Osama bin Laden, o terrorista mais procurado do mundo, é um sunita saudita. A Arábia Saudita fornece muitos terroristas para os grupos radicais no mundo. Ontem, por exemplo, um estudante saudita nos Estados Unidos foi preso acusado de planejar um ataque terrorista em Dallas, Texas. Sem falar que sauditas estavam entre os que atacaram as torres gêmeas de Nova Iorque em 2001.

O país está na base da formação do islamismo. Maomé nasceu em Meca e morreu em Medina. Essas cidades sauditas são as cidades mais sagradas do Islã.  A peregrinação Haji (quinto pilar do Islã) à Meca é obrigação de todo muçulmano.

Assim, a Arábia Saudita é a pedra fundamental da região em matéria de religião e economia.

Stratfor também diz em outro texto que os governos do Egito, Bahrein e Arábia Saudita estão se articulando para estabelecer a melhor estratégia para conter as manifestações. E a principal ameaça discutida por eles é a desestabilização que o Irã pode provocar no Golfo Pérsico.

O exército do Egito não atacou os manifestantes, mas no fim ocorreu a saída do líder do governo Mubarak. Nos outros países, Tunísia, Iêmen, Bahrein e Líbia, houve e há ataques do exército à própria população. O Egito consegue até agora manter a ordem, depois que deu aos revoltosos a saída de Mubarak e a promessa de eleições, mas não se sabe até quando.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

O Que Fazer com a Revolta no Mundo Árabe?

O jornalista Ed West discute o tema Democracia e Mundo Árabe hoje no seu blog, no jornal The Telegraph. Eu sou leitor assíduo de seus textos. Recomendo-os. David Cameron foi ao Kuwait e disse que é "preconceito que beira o racismo" achar que o mundo árabe não pode ser um mundo democrático e livre. Mas não há fato histórico de democracia nesta região do mundo. Todos os países dessa região, sem exceção, não têm e nem tiveram ocorrência de democracia. Isso, como alerta West, não é preconceito é fato.

Eu tenho falado aqui, em vários posts, da inocência ou má intenção (querer destruir Israel, por exemplo) de quem acha que a maioria do povo que se revolta no mundo árabe queira uma democracia nos moldes europeus ou norte-americanos.

Democracia deve conter defesa das minorias, imprensa livre, justiça, alternância de poder, estado laico, e respeito aos outros países. Os países latino-americanos, que são mais livres, não têm todos as características democráticas ainda. O Brasil, por exemplo, um dos mais democráticos da América Latina atualmente, não tem uma justiça que funcione de forma que siga os princípios democráticos. Sem falar dos casos bolivianos, venezuelanos, ou nicaraguenses.

Na verdade, o mundo não sabe o que vai sair das revoltas no mundo árabe, mas democracia, para mim, é uma tênua possibilidade. Também parece que não sabe como lidar com ela.

Ontem, Obama falou sobre a Líbia pela primeira vez depois de 9 dias e não pediu a saída de Kaddafi. Apenas condenou a violência, dizendo que é ultrajante. Anteriormente, Obama pediu a saída de Mubarak, por que não pediu a saída de Kaddafi? Essa pergunta foi o grande debate na noite de ontem na TV americana. E hoje o assunto está em vários sites de notícias, como aqui, ou aqui.

Foi lembrado no programa The Factor, da Fox News, que Kaddaf, antes do ataque de 11 de setembro, era o maior assassino de americanos, pelos ataques a uma discoteca em Berlim em 1986  e ao avião da Pan Am em 1988. Por que Obama nem lembrou isso no discurso de ontem?

A União Européia não consegue ter apenas uma voz em qualquer discussão séria. Não é diferente em relação à revolta no mundo árabe. A resposta da Europa ao que acontece na Líbia, por exemplo, foi "fragmentada na melhor das hipóteses ou contraditória, na pior". A Europa está entre sanção à Líbia (França, Finlândia e Alemanha), não intromissão (Itália) e não se involver muito, pois o pior pode vir (República Tcheca). Por mim, eu estaria do lado francês, me preparando, consciente, do que disse o tchecos.

A ONU condenou a violência. Ok, mas apenas o próprio Kaddafi (ou talvez o Hugo Chavez) não condenaria. A posição da ONU também é inócua, não mostra o caminho de solução.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Fonte do Terrorismo: Dependência de Petróleo. A Resposta: Brasil


Eu já escrevi aqui sobre o documentário  Iranium, no qual se discute a ameaça nuclear vinda do Irã, dos diretores Micah Smith e Alex Traiman. Neste documentário, eles entrevistam diversos especialistas sobre o assunto. Ao que parece sobrou muito material, e os produtores do filme estão liberando alguns. Ontem, eles soltaram um importante depoimento de  Anne Korin, co-diretora do Institute for The Analysis of Global Security, sobre a relação entre dependência de petróleo mundial e terrorismo.

Vejam o vídeo abaixo que eles divulgaram (está em inglês), resumo o que ela disse depois.



Korin argumenta que:
1) Há uma ameaça comum ao mundo: dependência de petróleo;

2) Os recursos provenientes da venda de petróleo no Oriente Médio é a fonte de poder do terrorismo;

3) Com esses recursos, a Arábia Saudita alimenta o terrorismo sunita (al-Qaeda, Hamas e Irmandade Muçulmana)  e o Irã, o terrorismo xiita (Hezbollah);

4) Também com esses recursos,  o Irã consegue comprar o apoio da Índia e da China no Conselho de Segurança da ONU;

5) 78% da oferta de petróleo do mundo são prevenientes de membros da OPEP (bandeira acima), do qual fazem parte Arábia Saudita, Irã, Líbia e Venezuela;

6) Os países do cartel OPEP controlam a oferta de petróleo para que o preço do bem nunca baixe de um certo patamar;

7) Hoje o cartel produz menos do que há 37 anos atrás;

8) Não adianta a política conservadora do "drill, baby, drill" (produzir petróleo no próprio ocidente, para sair da dependência de países que financiam o terrorismo), nem a política de redução do consumo de energia dos esquerdistas, pois os países da OPEP respondem com redução da oferta de petróleo. Eles possuem a maior quantidade de reservas do produto;

9) A solução seria fazer com que o transporte mundial use mais de um combustível como faz o Brasil, com o etanol de cana-de-açúcar;

10) Mas não é apenas o etanol, é qualquer combustível que forneça ao usuário de veículos alternativas de energia.

Não há dúvida quanto a relação entre terrorismo e petróleo. Isso é mais do que óbvio. A Korin tem toda razão, deve-se atacar essa fonte de financiamento. A solução apresentada por ela é adequada, mas pode ser conjugada com o "drill, baby, drill" e também com a redução do consumo (por meio de melhor infraestrutura de transporte e melhores tecnologias).