domingo, 17 de outubro de 2010

Teologia da Mudança Climática


Ainda no Programa do Glenn Beck, ontem assisti a um debate sensacional, que discutia o que eu chamaria de Teologia da Mudança Climática, que nada mais é do que um panteísmo, com um um fundo budista ou hindu. Beck e, principalmente, Calvin Beisner, estavam discutindo um texto chamado Let Be There...Stuff? que é direcionado a crianças e adolescentes.

Esse texto se diz cristão, mas desvirtua a Bíblia para mover as crianças para a defesa de políticas de mudança climática.  A criação (universo, eu, você, bichos, plantas...) é colocada no mesmo patamar com Deus. Deus e a criação são a mesma coisa. Isto não é cristianismo.

O Deus cristão surgiu do nada, ele criou o universo e tudo que vemos, e nós somos a parte mais importante desse universo. O universo não é Deus, muito menos a Terra. Na Bíblia, Deus conclama o homem a dominar todas as coisas (bichos, plantas, ar..) e não a ser servo dela. Está escrito em Gênesis 1, 27-28: " Deus criou o homen à sua imagem; criou-o à imagem de Deus; criou o homem e a mulher. Deus abençoou: "Frutificai, disse ele, e multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a. Dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todos os animais que se arrastam sobre a terra."

A Teologia da Mudança Climática quer submeter todo o nosso comportamento a um novo deus: a Terra. Nosso consumo, nosso trabalho, a energia produzida devem se sujeitar a essa deusa. O nosso consumo seria veneno para a deusa Terra. Estamos em dívida com a Terra quando usamos seus recursos naturais. Somos servos da Terra. Como disse Beisner, essa teologia troca o "agradeço a Deus pela a água que bebo" por "agradeço a água que bebo". A naureza toma lugar de Deus.

Apesar de falar coisas importantes, como o fato que as crianças devem se dedicar a hábitos saudáveis e assistir menos a televisão, a Teologia esconde o fato de que quando mais desenvolvido é um país mais limpo ambientalmente ele é. Quer dizer, o desenvolvimento humano leva a uma melhora no meio ambiente. Se seguirmos essa teologia, podemos regredir no desenvolvimento, deixando os pobres mais pobres e piorando o meio ambiente.

Beisner é porta voz de uma organização chamada Cornwall Alliance que congrega teológos, cientistas e economistas que apresentam fortes críticas às idéias daqueles que defendem as políticas de combate a mudança climática e tentam cristianizar seus argumentos. Convido os meus poucos leitores a acessarem o documento que eles lançaram:

Acessem a página: http://www.cornwallalliance.org/
E leiam um documento chamado: An Evangelical Declaration on Global Warming.



sábado, 16 de outubro de 2010

"Tio Sam Não é Seu Tio"


Glenn Beck, para mim, é o melhor comunicador do mundo. O cara consegue, em um programa das 17h, usar um quadro negro para falar sobre ideologia, história, cultura e economia, tudo de forma profunda, usando muita informação, e com muito humor. Ele é um gênio da comunicação. Não perco o programa dele nenhum dia. 

Beck é também odiado, especialmente, pelos esquerdistas, mas, ao mesmo tempo, consegue juntar milhares de pessoas para homenagear veteranos de guerra e falar sobre os riscos que o país enfrenta com a explosão do déficit público. O seu programa é o de maior audiência para o horário e onde ele vai a audiência explode.

Ontem, como é regular, assisti ao programa dele, ele novamente foi profundo e extremamente engraçado.

Ele estava falando do avanço dos Estado nas nossas vidas, da tentiva de monitorar nossas escolhas, nossas decisões desde sobre o que comer até como cuidar de nossos filhos.

Uma frase genial que ele disse foi: "Uncle Sam is not your uncle anymore, is your Daddy" (Tio Sam não é seu tio mais, ele é agora o seu paizinho).

Especificamente, ele diz que os pais precisam ser pais: precisam ver o que os filhos estão comendo, se estão usando play stations demais, se os livros que eles usam são adequados, etc. Isso é o que faz uma sociedade sadia e não o estado banindo alimentos e usando livros escolares a seu bel prazer.

Pergunto: onde no mundo é possível ter um programa às 17h para falar sobre a importância da liberdade individual e para atacar o avanço do estado e ainda ter uma grande audiência? Eu sei, só existe um Glenn Beck com o talento dele, mas também apenas na sociedade dos Estados Unidos ele poderia existir. Só nos Estados Unidos, um produtor pagaria para ter Glenn Beck. E pagam muito, muito mesmo.

Quem desejar assistir ao programa dele, clique em: 

http://video.foxnews.com/#/v/4373818/beck-bad-education/?playlist_id=86917

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Sim, se é Sim; Não, se é Não



Li hoje um artigo no Wall Street Journal sobre uma parte dos parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos que se autodenominam Blue Dogs. Os Blue Dogs formaram uma coalizão em 1995 com aqueles que tinham receio das políticas extremamente esquerdistas do próprio partido. Com essa denominação eles querem mostrar que eles são democratas, mas que não apoiam o aumentos dos gastos públicos, a intromissão exagerada do estado na economia, e as posições mais esquerdistas em questões morais e religiosas do restante do partido.


Eles, assim, querem se posicionar, no meio termo dentro do partido democrata, sem tomar uma posição mais firme que exigiria que eles mudassem para o Partido Republicano.

Sempre que vejo esse tipo de coisa me lembro de uma passagem do evangelho de São Mateus 5, 37, em que Jesus nos diz: "Dizei somente: Sim, se é sim; não, se é não. Tudo o que passa além disto vem do Maligno." Jesus Cristo detestava o meio termo. Além disso, também me lembro do Snowball do livro Revolução dos Bichos. Snowball queria uma revolução, mas queria uma ordem política impessoal, sem hierarquia. Acabou virando o grande vilão da revolução do líder Napoleão.

Outro dia, eu vi que no Brasil dois petistas que eram contra o aborto foram punidos pelo partido. Bom, esses que foram punidos não viram todas as resoluções que o partido aprovou que defendia o aborto? Por que continuaram no partido? E os seus eleitores deles não conhecem a posição do partido? No Brasil, apenas a última pergunta tem chance de ser respondida com um não.

Como eu já relatei aqui, no Reino Unido, a Igreja Católica lançou uma cartilha para as eleições condenando qualquer cristão, incluindo políticos, que votassem a favor de medidas a favor do aborto. Não aceita nenhuma desculpa em relação a isso. Sim é sim, não é não. Não há meio termo do tipo: pessoalmente sou contra, mas voto a favor.

O texto sobre o Blue Dogs de Kimberley Strassel fala que os Blue Dogs se traíram ao apoiarem políticas do partido democrata que eram contra aquilo que eles diziam defender. Políticas voltadas a aumentos dos gastos públicos e aumento de impostos. Eles tinham condições pelo número deles de barrar as medidas, mas se sujeitaram às ordens do partido. Pergunto-me por que eles não mudam de partido. Escolheram o partido, e não os princípios, o partido e não seus eleitores. Os eleitores também são culpados por votar no meio termo.

Hoje, com as proximidades das eleições parlamentares em novembro, ser um Blue Dog é sinônimo de perdedor das eleições. 

Ann Coulter, uma importante articulista e escritora americana, depois que o McCain perdeu para o Obama, disse que RINO (Republican in Name Only), que são o outro lado dos Blue Dogs, não ganha eleições contra os democratas.  McCain era muito democrata no seu histórico de votações para um republicano. Os republicanos não confiavam nele. Para vencer um democrata tem de ser republicano em todos os votos.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Americanos e Franceses em Fotos

Hoje, Daniel Hannan, em seu blog no The Telegraph, fala sobre as diferenças entre americanos e franceses. Segundo ele, enquanto os franceses vão para as ruas fazer greve e reclamar que o presidente Sarkozy quer aumentar a idade de aposentadoria em apenas 2 anos (de 60 para 62), os americanos vão para as ruas para pedir que o estado diminua os impostos, corte os gastos e não imponha um tipo de comportamento social por meio de subsídios.

Acho que Hannan quase acertou, mas errou no ponto. Não é que os americanos também não consigam juntar milhares de pessoas pedindo o que os franceses querem (mais gastos do estado), é que lá existe a possibilidade do Tea Party. Consegue-se juntar pessoas para defender idéias cristãs e o capitalismo. O que é extremamente difícil em qualquer outro país. Como certa vez eu li em um jornal católico inglês, só nos Estados Unidos qualquer ação em favor do aborto consegue juntar no outro dia milhares nas ruas contra a medida. A sociedade é mais forte na defesas dos princípios cristãos e mas firme na defesa do sistema capitalista, o que inibe a ação dos sindicatos e das sociedades anti-cristãos.

Aliás, eu costumo dizer que o mundo não sabe quanto depende dos Estados Unidos. É lá que os princípios que são mais importantes para a humanidade são defendidos. Se eles caírem, não sobrará muito quem possa defendê-los.

Hannan, ao fim das fotos, apresenta um gráfico que demonstra que a Europa está perdendo participação no mundo. Ele atribui isso a mà gestão econômica em que não se valoriza o mercado privado e aumenta-se o tamanho do estado. Concordo que esta é certamente uma das razões para o declínio europeu.

Abaixo as fotos e o gráfico apresentados por Hannan. A primeira mostra a greve na França, a segunda mostra o grupo Tea Party americano (percebam o que dizem os cartazes) e finalmente mostro o gráfico da participação no PIB mundial de 1969 até 2009, vejam as estabilidades americana e latino-americana, o crescimento asiático e a queda européia. A América Latina, a África e o Oriente Médio não podem se conformar com aquela estabilidade e a Europa deve evitar o declínio. Essas regiões devem ver o que está mantendo os Estados Unidos firme, mesmo em forte crise, e o que provoca a ascenção asiática. Certamente, a resposta passa pela valorização do mercado privado e não pelo aumento do tamanho do estado.






Participação no PIB Mundial - 1969-2009

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Educação Superior no Reino Unido


Lord Browne (foto acima), ex-presidente da empresa de petróleo BP, apresentou um relatório ontem sugerindo alterações na legislação e nos subsídios da educação superior no Reino Unido. O relatório levou um ano para ser feito, contou com acadêmicos e empresários, e é bem interessante.

Cabe a nós, brasileiros, vermos se podemos aproveitar algo dele, pois já sabemos que a educação é o nosso maior gargalo para o nosso desenvolvimento econômico e social.

O problema que eles querem resolver nós também temos e com universidades piores: formar mais engenheiros e cientistas para o mercado em um universidade mais bem equipada. Só 6% dos formandos no Reino Unido são em ciências da engenharia, enquanto em Cingapura são 40%.

Em resumo, o relatório dá mais liberdade para que as universidades cobrem mais alto dos estudantes (tentanto reduzir os elevados déficits que elas apresentam) e protege e valoriza os cursos voltados para o mercado (engenharia, ciência em geral, medicina, enfermagem e curso de línguas), que são os cursos mais caros para as universidades.

As sugestões levantam muitas discussões entre os ingleses e os separa ideologicamente, entre aqueles que percebem a importância de formar pessoas que alavanquem a economia britância (estudantes voltados para o mercado de emprego e para a pesquisa e desenvolvimento) e  aqueles que focam suas críticas no encarecimento dos custos dos estudantes, especialmente daqueles da classe média (os mais pobres serão de certa forma protegidos pelas propostas de Browne)

Aqui vão algumas sugestões do relatório.

- Eliminação do teto de 3.290 libras para as taxas pagas pelos estudantes universitários (tuition);
- Criação de um tarifa que incide sobre a universidade se o tuition exceder 6.000 libras, que ajudará a financiar os estudantes de cursos mais caros;
- Aumento do tamanho de empréstimos que os estudantes podem fazer para pagar os cursos e suas custas;
- Criação de taxa de juros de 2,2% sobre os empréstimos se a renda familiar do estudante for acima de um patamar, caso contrário a taxa de juros será zero, como é hoje para todos os estudantes;
- Aumento das doações a estudantes mais pobres;
- Aumento de vagas nas universidades em 10%, dependendo da demanda do curso;
- Financiamento do governo deve ser direcionado a cursos prioritários nas áreas de ciências, tecnologia, medicina e línguas;

Para maiores informações, acesse:

http://www.telegraph.co.uk/education/educationnews/8057347/Lord-Browne-review-the-key-points-explained.html



segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aquecimento Global - "A Maior Fraude Científica da História."


Em maio desse ano, eu falei sobre a mudança de atitude da academia de ciências do Reino Unido (Royal Society) em relação a idéia de aquecimento global antropogênico (provocado pelo homem).   A instituição britânica centenária estava se apresentando mais cética sobre assunto, depois de ser pressionada por boa parte de seus membros.

Nos Estados Unidos, ontem, o professor emérito de física da Universidade da Califorinia,  Harold Lewis, renunciou à sua participação na Sociedade Americana de Física (APS) alegando que a entidade estava perdendo a independência científica, pois estava sendo movida pelo dinheiro que financiava uma fraude: o aquecimento global. A carta de Lewis para o presidente da APS (Curtis G. Gallan Jr.) foi noticiada no conhecido blog de James Delingpole no Reino Unido e é notícia no mundo todo, apesar de não ter ainda uma repercusão nos governos que propagam as políticas de combate a mudança climática.

Em 2007, a APS, assim como a Royal Society, tinha se posicionado do lado dos ambientalistas radicais ao declarar que lidar com o aquecimento global era uma emergência internacional terrível.

Lewis já tinha declarado para a CBS News em 2009 (http://www.cbsnews.com/8301-504383_162-5933353-504383.html) que os cientistas deveriam ser mais cautelosos com o tema aquecimento global, pois a Terra estava se aquecendo sem a ajuda humana há milhares de anos e é mais provável que assim continue. Disse que há três fatores a se considerar: saber qual será o aquecimento no futuro,  se isso é bom ou ruim e se será possível se adaptar. Ele disse que ninguém tinha essas respostas ainda, mas o mais provável era que o aquecimento não iria ser exagerado, que era mais positivo do que negativo e que seria possível se adaptar. E também disse que ninguém sabe ainda o efeito do CO2, muito menos o daquele emitido pleo homem. Concluiu afirmando que os catastrofistas estavam lucrando muito com a idéia de aquecimento antropogênico.

Agora, na carta para Curtis, Lewis reforça seus argumentos contra a APS. Ele diz que a idéia de aquecimento global é the greatest and most successful pseudoscientific fraud I have seen in my long life as a physicist (é a fraude científica maior e de mais sucesso que ele já presenciou em sua longa carreira como físico). E disse que " don’t believe that any real physicist, nay scientist, can read that stuff without revulsion (não acredita que qualquer físico verdadeiro, nem cientista, possa ler o material em defesa do aquecimento global sem provocar repulsa).

Lewis afirma que, apesar da reação de alguns membros da entidade, a APS está corrompida pelo lobby que defende o aquecimento global e não toma nenhuma atitude mais científica, mais aberta ao diálogo entre os cientistas, mesmo depois dos escândalos dos emails da Universidade de East Anglia (Reino Unido) em setembro de 2009, em que foi provado que cientistas estavam manipulando dados e evitando publicar artigos de céticos. Lewis, inclusive, conseguiu a assinatura de 200 membros para criar um grupo de estudo sobre o Clima, mas APS não acatou a sugestão.

Quem quiser ler o texto completo da carta de Lewis acesse: http://thegwpf.org/ipcc-news/1670-hal-lewis-my-resignation-from-the-american-physical-society.html:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Liu Xiaobo




Depois do desastre do ano passado, quando deram o Prêmio Nobel da Paz para o presidente Obama, que só tinha promessas e estava em guerra em dois países, este ano encontraram a pessoa certa: Liu Xiaobo. Ele é o primeiro chinês a ganhar o prêmio.

Xiaiobo é professor de literatura e participou das manifestações da praça Tiananmen em 1989. Já foi preso quatro vezes por ser considerado um subversivo político.

A última prisão de Xiaobo ocorreu quando ajudou a elaborar a Carta 08. A Carta pede mais liberdade na China, durante as comemorações dos 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos da ONU. O título lembra a Carta 77 da Tchecoslováquia que gerou a Revolução de Veludo, em 1989. Milhares de chineses assinaram a Carta. Xiaobo foi preso antes da divulgação da Carta, julgado um ano depois e setenciado a 11 anos de prisão. Na foto acima, do site da Fox News,  Xiaobo está lendo outro documento diante do túmulo de Bao Zunzin, historiador chinês e dissidente político, que foi preso por causa dos protestos de 1989.

Nesse ano ocorreu um recorde de nominações para o prêmio, 237, mas Xiaobo contava com o apoio de ganhadores do prêmio como Desmond  Tutu e Dalai Lama (outro premiado que irritou muito os chineses). A China reagiu ameaçando prejudicar as relações com a Noruega, apesar do prêmio não ter nenhuma relação com o governo desse país.

A esposa de Xiaobo, Liu Xia, declarou ao jornal Wall Street Journal que o marido irá ficar surpreso e se sentindo com mais responsabildade ainda. Acrescentou (o que é bem estranho para os nossos padrões democráticos) que as autoridades locais disseram a ela na última quinta que ela deveria ir visitar o marido de novo (ele está preso em Jinzhou), mas ela disse que preferia ficar em Beijing entre amigos esperando o resultado do prêmio.

O comitê que estabeleceu o prêmio para Xiaobo disse que a China quebra diversos acordos de direitos humando do qual é signatária.

A China é uma potência econômica, mas seus valores morais (para começar é o país que disparadamente mais pratica aborto e pena de morte no mundo) e democráticos (ausência de estado de direito e corrupção) não servem de exemplo para o mundo.

Para homenagear Liu Xiaobo, esse blog exibe o prefácio da Carta 08:

A hundred years have passed since the writing of China’s first constitution. 2008 also marks the sixtieth anniversary of the promulgation of the Universal Declaration of Human Rights, the thirtieth anniversary of the appearance of the Democracy Wall in Beijing, and the tenth of China’s signing of the International Covenant on Civil and Political Rights. We are approaching the twentieth anniversary of the 1989 Tiananmen massacre of pro-democracy student protesters. The Chinese people, who have endured human rights disasters and uncountable struggles across these same years, now include many who see clearly that freedom, equality, and human rights are universal values of humankind and that democracy and constitutional government are the fundamental framework for protecting these values.

Quem desejar ler a íntegra, acesse:
http://www.nybooks.com/articles/archives/2009/jan/15/chinas-charter-08/

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Paquistão - Amigo ou Inimigo



Reportagem de hoje do Wall Street Journal alega que a agência de inteligência do Paquistão está manobrando para que o Talibã não deixe de combater os americanos e seus aliados. Militantes talibãs capturados ou convencidos com emprego ou dinheiro a abandonar as armas alegam que a ISI (Serviço de Inteligência do Paquistão) está pressionando para que os militantes não se rendam.


O Paquistão recebe bilhões de dólares em ajuda militar e econômica dos Estados Unidos, mas tem extrema dificuldade de controlar seus militares e mesmo sua população em favor dos americanos. Em um post anterior, eu citei uma pesquisa que mostrava bem isso. Apenas 2% dos paquistaneses acreditam que foi a al-Qaeda que atacou as torres gêmeas em Nova York. Com uma mentalidade dessa na população, um político deve ser muito forte em termos de seus princípios para defender a posição de aliado aos Estados Unido, além de precisar de um forte apoio militar. Talvez a única fonte de apoio aos Estados Unidos seja justamente a grana que o país envia. As classes políticas e militares são alimentadas pela ajuda econômica.

A posição política de Obama também não é confortável. Ele quer sair o mais rápido possível da guerra, deseja ter o trunfo de encontrar Osama Bin Laden, está sofrendo forte queda nas pesquisas de popularidade, as eleições de novembro sinalizam para maioria republicana na câmara e possivelmente também no senado, e não pode confiar no aliado mais importante na guerra contra o Talibã. Obama já declarou que é no Paquistão que está o "câncer" da guerra, é de lá que sai apoio em termos militares e de inteligência para que o Talibã resista aos ataques dos aliados. Mas também reconhece que sem o Paquistão não é possível vencer a guerra.

O general David Petraeus, chefe do comando militar no Afeganistão disse que Hamid Karzai, presidente do Afeganistão, também considera que o principal problema que ele enfrenta é com os santuários que o Talibã e o Haqqani (outro grupo de insurgentes muito ligado ao Talibã) têm dentro do Paquistão.

No passado, a ISI já tinha ajudado o Talibã a tomar o poder nos anos 90, mas depois do ataque às torres gêmeas, supostamente o Paquistão abandonou seu apoio ao grupo de insurgentes. Aparentemente, no entanto, na melhor das hipóteses, o comando da ISI não consegue ter domínio sobre os seus comandados.


Outro problema, é que o Paquistão militarmente tem uma primeiríssima preocupação: Índia. O foco militar do país sempre foi conter a Índia. Eles alegam que têm receio de um regime no Afegão muito próximo do governo indiano. Esse medo é factível, há sérios probelmas de fornteira entre os Paquistão e Índia, mas o Paquistão sofre internamente de ataques terroristas que são alimentados por insurgentes. Se ele continuar sendo um paraíso para qualquer grupo de terrorista afegão ou não, isso poderá trazer uma instabilidade ainda maior do que uma relação conflituosa com a Índia, que talvez possa resolvida diplomaticamente.


Em resumo: há uma grande problema de confiança entre os aliados para que tenham sucesso em destruir o Talibã, que é um grupo terrorista perigoso e habita a região que possivelmente esconde Osama Bin Laden. O coração dessa crise de confiança está nos militares e no serviço de inteligencia do Paquistão.