Ontem, um desembargador chamado Benedicto Abicair, do Rio de Janeiro, determinou que um especial supostamente de comédia doi chamado Porta dos Fundos que ofendia a fé cristã fosse suspenso.
Logo apareceram os liberais ou libertarianos, acusando o juiz de fazer censura. O site O Antagonista fez até um vídeo fazendo essa acusação contra o juiz e dizendo que o "povo brasileiro vai pagar". O vídeo é de uma estupidez gigantesca, mesmo analisando apenas a lógica de argumentação do vídeo (sem mencionar a questão religiosa). O pessoal do Antagonista gosta de exaltar coisas "técnicas", então vou usar só a lógica. O vídeo diz que o Porta dos Fundos já falou mal do Islã, e mostra cenas de críticas à cultura islâmica (terrorismo e burkas), mas isso não é a mesma coisa que atacar Maomé, sem falar que as cenas foram rodadas no Brasil e não no Irã ou na Arábia Saudita (países islâmicos), enquanto o tal especial contra Cristo foi rodado em país cristão. Também não se pode dizer que o especial só assiste quem paga. Pela lógica, podemos disponibilizar filmes pornôs para crianças, basta que exija pagamento de alguém, sem falar que a Netflix faz propagandas de seus filmes mostrando cenas, sem que a pessoa pague por isso. Além disso, eu não entendi a afirmação de que iremos pagar. Pagar o quê?
Outra coisa, eu, como economista, nunca entendi porque livro, filme, teatro, programa de TV, série ou documentário é diferente de outros objetos de consumo. Como qualquer outro objeto de consumo, esses coisas podem e devem ser proibidas se fazem mal à população. No mundo todo se proíbe vários objetos de consumo em favor da saúde, da vida das pessoas, das finanças do Estado, da nacionalidade, dos empregos das pessoas, da natureza, do silêncio e da alma das pessoas. Da mesma forma, devem ser proibidos os livros e outros objetos culturais.
Certa vez, fui debatedor em um seminário sobre corrupção e o meu oponente começou a elogiar a Alemanha e a Argentina por terem uma população que lia muito, que assitia muitos filmes e peças teatrais. Eu lembrei a ele, que praticamente todas as ideologias políticas do mundo têm os dois pés na Alemanha (comunismo (Marx e Engels eram alemães), nazismo, comunismo de identidade de gênero e raça), sem falar na Reforma Protestante. Sobre a Argentina, eu achei que não precisava nem mencionar como estava o país, em crise financeira desde 2001.
A formação ética das pessoas não é assim tão dependente da leitura de livros ou. Há muitos analfabetos que foram até santos.
Por que o Estado não pode proibir certos livros e outras coisas teatrais, então? Todos os estados que formaram a civilização ocidental (Grécia, Israel e Roma) proibiram livros ou que atentavam contra o Estado ou que atentaram contra a Fé (lembrem, o filósofo Sócrates foi morto por atentar contra a fé dos jovens gregos). Se esses estados tivessem liberado todos os livros teríamos a civilização ocidental? Não sei, mas acho que é uma boa pergunta. De outra forma, você, como pai ou mãe, deixa seus filhos lerem qualquer coisa ou assistirem todos os programas?
Hoje soube que o Netflix apresenta documentário em forma de série chamado Sex, Explained. Veja só, o sexo vai ser explicado pela Netflix. A posição teológica da Netflix para o documentário é uma posição "nonjudgmental", isto é, não se julga nada, vale tudo. Então a série mostra poligamias, homossexualismo e sadismo como apenas uma forma de sexo, sem qualquer consequência ética, social ou mesmo financeira para as pessoas.
O site Life Site News lembra que você não precisa pagar para assistir para ser afetado pela série, pois ao ligar a Netflix, qualquer um pode estar sujeito às cenas da série, na propaganda que a Netflix mostra.
Lá em casa, eu cancelei a Netflix, e estou quase cancelando a Sky por essa simples razão. Quando se liga a TV, as propagandas não são controladas. Meus filhos ficam sujeitos a cenas terríveis de filmes de terror, por exemplo.
Em suma, viva a Censura, se ela for feita com os preceitos cristãos, que é quase a mesma coisa de dizer: se ela for feita com preceitos civilizatórios.






