Muita gente na internet tem ressaltado, que, como Papa Leão XIV é agostiniano, tem doutorado, e "tem um QI de 145", ele certamente deve saber mais sobre a teoria da guerra justa que qualquer outro.
Eu tenho respondido, diversas vezes, no meu X, que isso não é necessariamente verdade.
Santo Agostinho escreveu mais de 100 obras. Sobre diversos assuntos. Na filosofia ou teologia, os temas mais comuns sobre Agostinho não são sobre guerra, mas sobre graça, fé, e por que ele é usado pelo protestantismo.
A tese de doutorado de Leão XIV não é sobre Santo Agostinho. É uma tese burocrática sobre gestão do prior local agostiniano, chama-se “O Ofício e a Autoridade do Prior Local na Ordem de Santo Agostinho". É uma tese de 1987. Faz tempo.
Outra coisa: em geral, quando se lê Agostinho, concentra-se nos dois livros mais conhecidos: Confissões e Cidade de Deus. Nenhum dos dois serve para o tema da guerra. Agostinho não trata de guerra nestes dois livros. Há apenas uma menção em Cidade de Deus sobre a necessidade de guerra por causa do pecado humano.
Santo Agostinho nunca escreveu um livro específico sobre guerra.
Os livros de Agostinho sobre guerra são bem menos conhecidos: Contra Faustum e duas cartas (Carta a Bonifácio e Carta a Marcelino). Nestes livros, pode-se identificar os critérios de guerra justa, que foram adotados por São Tomás de Aquino e pelo Catecismo da Igreja, com alguma diferença no Catecismo, pois um critério que está lá (chance de sucesso), não é agostiniano, nem tomista.
Eu costumo dizer que ao se ler o que disse Agostinho, é mais fácil identificar uma abordagem trumpista do que essa visão de "diálogo", "comunhão com o Islã", "paz para o mundo todo" de Leão XIV.
Por exemplo, disse Agostinho em Contra Faustum (Livro XXII, Capítulo 74):
“Qual é o mal em guerra? Será a morte de alguns que irão morrer em breve, em qualquer caso, para que outros possam viver em paz? Isto é pura antipatia covarde, e não sentimento religioso. Os males reais em guerra são o amor pela violência, a crueldade vingativa, a inimizade feroz e implacável, a resistência selvagem, a ambição de poder, coisas dessa natureza; e geralmente é para punir essas coisas, que é necessário aplicar a força para infligir o castigo, que, em obediência a Deus ou alguma autoridade legal, fazem bons homens empreender guerras.”
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