quinta-feira, 9 de abril de 2026

A "Falácia da Gongorra": Israel e Islã.

O grande Raymond Ibrahim (preciso voltar a ler os livros dele, oh Deus, me dê 36 horas no dia), publicou hoje sobre a "falácia da gongorra": dizer que Israel é mau é dizer que o Islã é bom, e vice-versa. 

Só para esclarecer, Ibrahim não é judeu, é filho de imigrantes coptas egípcios (cristãos do Egito) que nasceu nos Estados Unidos. Ele é historiador, tradutor, colunista e especialista em Oriente Médio e história do Islã. Ele dá aulas em universidades e instituições militares, como o U.S. Army War College, nos Estados Unidos. Ficou conhecido há muito tempo por traduzir do árabe para o inglês os textos de Osama Bin Laden.

Vi um texto dele no Hungarian Conservative sobre essa propaganda

Traduzo abaixo:

A Falácia da Gangorra: ‘Israel Mau’ Não Significa ‘Islã Bom’

Raymond Ibrahim, 9.4.2026

Um desenvolvimento estranho surgiu desde a ofensiva de Israel em Gaza, e ainda mais desde o início da guerra com o Irã: agora todos parecem ver o Islã (uma religião) e Israel (uma nação) como inextricavelmente ligados — como se estivessem em uma gangorra moral, onde um desce exatamente tanto quanto o outro sobe.

Isso não é exagero; praticamente todos os observadores — independentemente de suas convicções políticas e ideológicas — veem o Islã e Israel como presos em uma estrutura rígida que os torna mutuamente exclusivos: se um é bom, o outro deve ser mau; se um é mau, o outro deve ser bom.

Isso se tornou particularmente evidente à medida que Israel enfrenta críticas crescentes. Por décadas, a suposição predominante em grande parte do Ocidente era a seguinte: se o Islã é mau, então Israel deve ser bom. Hoje, no entanto, o silogismo se inverteu. Agora somos regularmente informados — explícita ou implicitamente — que se Israel é mau, então o Islã deve ser bom. Esse raciocínio é estranho.

Considere o que essa suposição implica. As políticas e ações de um pequeno Estado judeu, com menos de 80 anos, são agora consideradas definidoras — ou até mesmo redimidoras — da religião, da história e do comportamento de quase dois bilhões de muçulmanos em todo o mundo. Independentemente da opinião que se tenha sobre Israel, esse raciocínio desmorona sob um mínimo de análise histórica.

Historicamente, o Islã tem sido — e em muitos aspectos continua sendo — o adversário civilizacional mais persistente do Ocidente. Documentei isso extensivamente em meus próprios trabalhos, desde "Espada e Cimitarra", que examina as conquistas históricas do Islã na Cristandade, até "Crucificado Novamente", que detalha a perseguição moderna aos cristãos em todo o mundo muçulmano.

O registro histórico fala por si só. Desde sua origem, no século VII, o Islã emergiu como uma fé militante que se expandiu principalmente por meio de conquistas violentas — sobretudo contra terras e povos cristãos. O que hoje é descrito como o "coração" do mundo muçulmano — o Oriente Médio e o Norte da África, estendendo-se do Iraque ao Marrocos — já foi o coração da Cristandade. O Islã conquistou tudo violentamente.

Durante séculos, as forças islâmicas atacaram repetidamente a Europa, o último bastião da civilização cristã. Quase um milênio depois de os muçulmanos invadirem a Espanha cristã em 711, eles estavam às portas de Viena em 1683. Nem mesmo os Estados Unidos estavam imunes. A primeira guerra da América como nação — a Primeira Guerra da Barbária, em 1801 — foi travada contra estados muçulmanos que atacavam navios americanos e escravizavam seus marinheiros.

Quando Thomas Jefferson perguntou ao enviado da Barbária, Abdul Rahman, por que os muçulmanos estavam aterrorizando os americanos, a resposta foi inequívoca. Como Jefferson escreveu mais tarde ao Congresso:

“Tomamos a liberdade de fazer algumas perguntas sobre os fundamentos de suas pretensões de guerrear contra nações que não lhes haviam feito nenhum mal, e observamos que considerávamos toda a humanidade como nossa amiga, aquela que não nos havia feito nenhum mal, nem nos havia provocado. O embaixador respondeu-nos que isso se baseava nas leis de seu Profeta, que estava escrito em seu Alcorão, que todas as nações que não reconhecessem sua autoridade eram pecadoras, que era seu direito e dever guerrear contra elas onde quer que fossem encontradas e escravizar todos os que pudessem capturar como prisioneiros, e que todo muçulmano que fosse morto em batalha certamente iria para o Paraíso.”

Eis a questão: Israel não existia durante nada disso. De fato, durante mais de mil anos de jihad islâmica contra a Cristandade, não havia um Estado judeu para provocar, justificar ou explicar o comportamento muçulmano.

Assim sendo, a breve existência do Israel moderno — quer se aplauda ou se condene suas políticas — nada nos diz sobre a relação histórica ou contemporânea do Islã com o Ocidente.

A crítica a Israel não deve, portanto, exonerar o Islã. Sugerir o contrário é abraçar uma dicotomia falsa — e perigosa.

Para reforçar esse ponto, consideremos as palavras de Hilaire Belloc (1870-1953), um dos intelectuais mais proeminentes da Europa. Belloc, escrevendo em 1938 — mais de uma década antes da criação de Israel e numa época em que o mundo islâmico se encontrava em seu ponto mais frágil em relação ao Ocidente — fez um alerta profético:

“Milhões de pessoas modernas da civilização branca — isto é, a civilização da Europa e da América — esqueceram-se completamente do Islã… Presumem que ele está em decadência e que é meramente uma religião estrangeira que não lhes diz respeito.” É, de fato, o inimigo mais formidável e persistente que nossa civilização já teve, e pode a qualquer momento se tornar uma ameaça tão grande no futuro quanto foi no passado.’ [De sua obra As Grandes Heresias, 1938]

Segundo o raciocínio atual, que vê Israel e o Islã presos no topo da nossa já mencionada gangorra, que eleva um exatamente na medida em que rebaixa o outro, a crítica de Belloc ao Islã seria imediatamente interpretada como apoio a Israel. No entanto, Belloc dificilmente era um defensor das causas judaicas. Aliás, seu livro de 1922, Os Judeus, levou muitos críticos a rotulá-lo de antissemita.

Belloc, portanto, serve como prova viva de que se pode considerar o Islã como o ‘inimigo mais formidável e persistente’ do Ocidente, sem fazê-lo em relação a Israel. Os dois não estão intrinsecamente ligados, independentemente de quão frequentemente sejam confundidos hoje em dia.

Para reiterar: a crítica a Israel não deve levar à santificação do Islã. O Islã, praticado por quase dois bilhões de pessoas em culturas e regiões vastamente diferentes, não pode ser reduzido — nem redimido — por um conflito político localizado.

Deixando a história de lado, milhões de migrantes muçulmanos estão atualmente desestabilizando partes da Europa, e organizações jihadistas — sendo o ISIS apenas a mais notória — continuam a aterrorizar os "infiéis" na África, Ásia e Oriente Médio.

Será que realmente acreditamos que a existência do Estado de Israel seja necessária para explicar padrões perturbadores de comportamento islâmico que existem desde o alvorecer do Islã, há 14 séculos?

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Dito. Grande Raymond Ibrahim. Leiam qualquer livro dele.


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