quarta-feira, 10 de março de 2021

Francisco é Criticado por Facilitar a Covid no Iraque. E Diz que Chamam Ele de "Idiota e Herético".

 

Ao receber a crítica de que se comportou de forma problemática no Iraque, sem usar máscaras e atraindo uma multidão sem máscaras, Francisco respondeu:

"Como disse recentemente, as viagens são cozinhadas ao longo do tempo na minha consciência. E este é um dos [pensamentos] que mais me ocorreram, “talvez, talvez”. Eu pensei muito, orei muito sobre isso. E no final eu tomei a decisão livremente. Mas isso veio de dentro. Eu disse: “Quem me permitir decidir assim vai cuidar das pessoas”. E então tomei a decisão assim, mas depois de orar e depois de ter consciência dos riscos, afinal."

Em suma, ele disse: eu queria ir, decidi por mim mesmo que iria, rezei e Deus que proteja as pessoas no Iraque.

Francisco se comportou assim no Iraque e jogou a defesa contra Covid para Deus, mesmo sendo uma das pessoas que prega as medidas mais restritivas contra Covid no mundo.

A Associated Press criticou a resposta de Francisco dizendo:

"Francisco, a delegação do Vaticano e a mídia itinerante foram vacinados contra COVID-19, enquanto a maioria dos iraquianos não. Especialistas em doenças infecciosas questionaram a sabedoria de tal viagem, visto que os casos mais recentes do Iraque estão sendo estimulados pela cepa mais infecciosa que apareceu pela primeira vez no Reino Unido.

O Iraque registrou 4.068 infecções no sábado, um aumento significativo das taxas de infecção no início do ano. No total. 13.500 pessoas morreram entre um total de 720.000 infecções confirmadas.

Embora Francisco tenha dito que orou sobre a decisão, estava claro que o papa que viaja pelo mundo nas periferias também estava ficando impaciente por estar confinado no Vaticano por mais de um ano. Ele disse que espera poder retomar as audiências públicas no Vaticano, que estão suspensas há meses, e sugeriu uma possível viagem ao Líbano."

 Outra resposta de Francisco a repórteres na volta da viagem do Iraque é uma em que ele disse muitos acham ele um idiota e herético. 

Engraçado que ele diz que o que faz "tem riscos". Em suma, ele sabe que pode ser um idiota e herético.

Eu costumo dizer que dificilmente alguém peca inocentemente. A pessoa sabe o que faz.

Além disso, ele baseou sua resposta para dizer que não é idiota no Concílio Vaticano II, o que mais né? É o chamado "espírito do Concílio".

Vejamos. O repórter perguntou: 

Santidade, há dois anos em Abu Dhabi houve o encontro com o Imam al-Tayyeb de al-Azhar e a assinatura do documento sobre a fraternidade humana. Há três dias você se encontrou com al-Sistani. Você está pensando em algo semelhante com o lado xiita do Islã? E depois uma segunda coisa sobre o Líbano, que São João Paulo II disse ser mais do que um país, é uma mensagem. Esta mensagem, infelizmente, como libanês, digo-lhe que esta mensagem agora está desaparecendo. Podemos pensar que uma futura visita sua ao Líbano é iminente?

Ele respondeu:

O documento de Abu Dhabi de 4 de fevereiro foi preparado com o grande imã em segredo durante seis meses, orando, refletindo, corrigindo o texto. Foi, direi, um pouco presumido, mas tome-o como uma presunção, um primeiro passo do que você me pergunta.

Digamos que este [Ed. o encontro com al-Sistani] seria o segundo [passo] e haverá outros. É importante, o caminho da fraternidade. Depois, os dois documentos. O de Abu Dhabi criou em mim uma preocupação com a fraternidade, saiu o Fratelli tutti, que tem dado muito. Devemos ... ambos os documentos devem ser estudados porque vão na mesma direção, procuram a fraternidade.

O aiatolá al-Sistani tem uma frase que espero lembrar bem. Todo homem ... os homens são irmãos para a religião ou iguais para a criação. E a fraternidade é igualdade, mas abaixo da igualdade não podemos ir. Acredito que seja também um caminho cultural.

Nós, cristãos, pensamos na Guerra dos Trinta Anos. A noite de São Bartolomeu [Ed. Massacre do Dia de São Bartolomeu], para dar um exemplo. Pense sobre isso. Como mudou a mentalidade entre nós, porque a nossa fé nos faz descobrir que é isso: a revelação de Jesus é amor, é caridade e nos leva a isso. Mas quantos séculos [serão necessários] para implementá-lo? Isso é uma coisa importante, a fraternidade humana. Que, como homens, somos todos irmãos e devemos seguir em frente com outras religiões.

O Concílio Vaticano [II] deu um grande passo em [diálogo inter-religioso], também a posterior constituição, o conselho para a unidade dos cristãos e o conselho para o diálogo religioso - o Cardeal Ayuso nos acompanha hoje - e você é humano, você é uma criança de Deus e você é meu irmão, ponto final. Este seria o maior indício. E muitas vezes você tem que correr riscos para dar esse passo. Você sabe que existem alguns críticos que [dizem] “o papa não é corajoso, ele é um idiota que está tomando medidas contra a doutrina católica, o que é um passo herético”. Existem riscos. Mas essas decisões são sempre feitas na oração, no diálogo, no pedido de conselhos, na reflexão. Não são um capricho e são também a linha que o Concílio [Vaticano II] nos ensinou. 



terça-feira, 9 de março de 2021

Se Fosse Trump, Você Ficaria Sabendo pelo Jornal Nacional e na Capa dos Jornais.


Ontem, disseram para o velhinho Biden: "ei, vai lá no Pentágono, no dia da mulher, e nomeia duas mulheres, seu secretário de defesa estará lá e fará um discurso inicial". Lá foi o velhinho. Chegou lá, ele não sabia onde estava, nem muito menos o nome do secretário de defesa que nomeou e que tinha acabado de falar com ele (vídeo acima).

Na semana passada, levaram o velhinho para outra cerimônia. Havia vários deputados, daí ele quis nomear alguns, errou os nomes e acabou dizendo "o que eu estou fazendo aqui, eu vou me perder completamente" (vídeo abaixo).





Trump, é sabido e discutido inclusive por Jordan Perterson, que tem um QI elevadíssimo,  possivelmente acima dos 140. Além disso, Trump sempre foi um sucesso no mercado privado, na TV e venceu a primeira eleição que disputou e foi para presidente.  

Mas o mundo, e muito brasileiros, acham que ele é um idiota.

Biden, antes de ser eleito, e antes de ser o velhinho, era considerado um dos deputados mais idiotas que existia. Existem vídeos dele em comissões do Congresso fazendo perguntas idiotas.

Mas a mídia nos passa a ideia que Biden veio libertar o mundo. 

Por que os americanos elegeram Biden? Por que Biden teve a maior votação para um candidato na história dos Estados Unidos, com 81 milhões de votos (ninguém recebeu tantos votos como ele) mesmo se sabendo e se vendo a sua incompetência cognitiva e moral (foram mostrados casos de corrupção dele e da família)? 

A resposta à essas  perguntas passa por votação pelos correios em combinação com fraudes eleitorais. 

Vejam algumas gaffes de Biden. Algumas não se consegue nem assistir porque dá pena do imbecil. Acho que pararam fazer coletânea das gaffes. Isso é igual a frases heréticas de Francisco, são tantas que não se consegue nem coletar, precisa-se de dedicação exclusiva.







segunda-feira, 8 de março de 2021

Cristãos Iraquianos. Quem Eram e Quem São? Francisco pode Salvá-los?

Max Joseph, coordenador do Programa Iraquiano para Direitos das Minorias (Iraq Programme Minority Rights Group Coordinador) escreveu um excelente artigo mostrando quem eram e quem são os cristãos no Iraque e porque Francisco não pode salvá-los. Cristãos iraquianos sofreram com perseguições  desde a formação do Iraque, com massacres feitos com munição britânica, com Saddam Hussein, com curdos e finalmente com o Estado Islâmico. Joseph acha que a visita do Papa, ao contrário de facilitar a unidade das diversas seitas cristãs, vai reforçar o poder daqueles que ajudaram no declínio dos cristãos no Iraque.

Recentemente, li que Francisco saudou os curdos por protegerem os cristãos do Estado Islâmico. Será que foi assim? Os curdos protegeram mesmo a minoria cristã? Não, perseguiram também os cristãos e deixaram os cristãos a mercê do Estado Islâmico. Por que Francisco não saúda as chamadas milícias cristãs que protegeram realmente os cristãos?

E Francisco agradeceria aos Estados Unidos de Trump por ter derrotado o Estado Islâmico? Sem os Estados Unidos, ainda teríamos o califado do Estado Islâmico. Talvez ele argumente que se os Estados Unidos também não tivessem invadido o Iraque em 2003 não se teria desencadeado toda a matança no Iraque. Quem fala isso supõe que Iraque era um país pacífico antes de 2003. Não houve guerras no Iraque antes de 2003? A história mostra que perseguição aos cristãos remonta o início do século XX e Saddam Hussein e curdos já perseguiam os cristãos desde há bem mais tempo. Os cristãos do Iraque já estavam em diáspora bem antes de 2003. Sem falar que o argumento pode ser usado para Hitler, se o mundo tivesse deixado Hitler em paz, milhões não teriam sido mortos. Não teria ocorrido matanças com Hitler solto? E seria melhor para o mundo? Não deve-se combater o mal, deve-se deixá-lo solto? 

No meu livro, Teoria e Tradição da Guerra Justa, eu mostrei como os papas e seus representantes desde o surgimento do Estado Islâmico vacilaram em condenar essa organização. Analisei diversos documentos e encíclicas para mostrar a fragilidade do discurso do Vaticano sobre o Estado Islâmico. Depois que os Estados Unidos e seus colaboradores derrotaram o Estado Islâmico fica bem mais fácil falar mal do Estado Islâmico. Assim como a Igreja, após o Concílio Vaticano II, vacilou em condenar o comunismo, mas depois da queda do muro de Berlim, João Paulo II conseguiu escrever uma encíclica atacando abertamente o comunismo. 

Mas vamos ler o excelente artigo de Max Jospeh, vou traduzir partes do artigo, leiam todo clicando aqui.

O Papa não pode salvar os cristãos do Iraque

por Max Jospeh

Quando o Papa Francisco caminhar pela cidade amplamente cristã de Qaraqosh no domingo, ele pisará no epicentro de onde o horror do ISIS atingiu o Iraque há apenas sete anos. A viagem do Papa, que começa hoje, é a primeira visita de um pontífice em exercício ao país, a primeira tentativa - de João Paulo II - foi cancelada em 1999. Dezoito anos depois que a guerra liderada pelos Estados Unidos desencadeou múltiplos horrores no Iraque, a viagem deve dar às minorias do país um renovado senso de esperança sobre o futuro, bem como promover a reconciliação entre as comunidades díspares do país. No entanto, embora a maioria dos residentes de Qaraqosh tenha retornado, em outros lugares permanece pouco otimismo entre o número cada vez menor de cristãos.

Hoje, os sinos das igrejas tocam mais uma vez nas planícies ao redor de Mosul, a segunda cidade do país, mas os destroços de vidas interrompidas, de sonhos despedaçados e meios de subsistência, são sentidos em todas as casas em ruínas e carbonizadas dos cristãos do Iraque. O grupo terrorista atraiu a atenção do mundo quando tirou a cidade de um exército iraquiano muito maior e mais bem equipado em 2014, mas o grupo extremista esteve ativo por vários anos sob o disfarce do Estado Islâmico do Iraque; em 31 de outubro de 2010, seis membros entraram em uma igreja em Bagdá e mataram 50 fiéis, incluindo várias crianças. Isso não era incomum para o Estado Islâmico ou para a violência religiosa do Iraque na época.

O objetivo do Estado Islâmico era expulsar os cristãos do país, que antes da invasão liderada pelos EUA representavam cerca de 3-5% da população, com grandes comunidades em Bagdá e Mosul, embora a maior concentração estivesse na região fora da segunda cidade , as planícies de Nínive.

A maioria dos cristãos iraquianos são etnicamente assírios, possuindo uma cultura discreta e pouco compreendida que atinge ininterruptamente a antiguidade pré-cristã. Sua língua nativa é o aramaico, que já foi a língua dominante na região depois de ser adotada como língua franca pelo Império neo-assírio, mas que foi lentamente ultrapassada pelo árabe. Tendo figurado como regras proeminentes da região, seus ancestrais também desenvolveram um império espiritual cristão que se estendeu por toda a Ásia.

A colcha de retalhos religiosa do Iraque é complicada para quem está de fora porque hoje os assírios estão divididos em várias seitas, entre elas a Igreja Assíria do Oriente, a Igreja Ortodoxa Siríaca, a Igreja Católica Siríaca e a Igreja Católica Caldéia, a última das quais está em comunhão com Roma . Cristãos iraquianos de todas as seitas, no entanto, são agora mais comuns na diáspora do que o próprio Iraque, dada uma sequência desenfreada de genocídio e perseguição que começou muito antes do ISIS. Existem cerca de 150.000 assírios na Suécia, por exemplo, muito mais do que resta em Bagdá.

Após o genocídio de armênios, assírios e gregos pelo Império Otomano em 1914-23, os assírios foram novamente alvos no estado recém-formado do Iraque - inicialmente, um território sob mandato britânico legado a uma família real árabe submissa após o colapso do Império Otomano . Os assírios lembram-se principalmente dos Hachemitas como a família que liderou multidões celebrando o Exército iraquiano depois que ele massacrou milhares de homens, mulheres e crianças assírios desarmados em Simele em 1933. A Grã-Bretanha, honrando o tratado anglo-iraquiano assinado em 1930, forneceu munição para o massacre apesar do fato de que os assírios, aliados da Grã-Bretanha, representavam a maior coorte entre os soldados iraquianos alistados pela Grã-Bretanha na Primeira Guerra Mundial.

É uma história trágica e amarga, mas, apesar disso, os assírios se apegam a ela. Nos próximos dias, o Papa, vagando pelas ruínas de Mosul e Qaraqush (siríaco aramaico: Bakhdida), verá os últimos locais concentrados da vida assíria no Iraque. 

Os habitantes dessas aldeias referem-se a si próprios como suraye (ou "'Assírios" em aramaico), apesar dos melhores esforços de Saddam Hussein. O partido Ba'ath de Saddam procurou homogeneizar os assírios em "cristãos iraquianos", de acordo com um projeto que começou primeiro como uma faceta do pan-arabismo, mas evoluiu para um nacionalismo especificamente iraquiano, com Saddam frequentemente se retratando em outdoors montando carros ao lado de reis babilônios Os assírios que frequentavam as Igrejas Católica Siríaca e Caldéia e que viviam em comunidades urbanas foram encorajados a assumir nomes árabes e incorporar o árabe em seus programas da Igreja, semelhante a outros programas de erradicação cultural. Suas figuras de liderança religiosa permaneceram no país durante todo esse processo.

Ainda assim, o Patriarca da Igreja Assíria do Oriente permaneceu no exílio depois de ser expulso pela liderança iraquiana em 1933, liderando sua Igreja de Chipre, Irã e Estados Unidos. O sectarismo crescente entre os cristãos ocorreu em conjunto com os incentivos em torno de uma mobilidade social mais fácil, status e prestígio oferecidos aos que rejeitavam uma identidade assíria e eram receptivos à arabização. Esta foi uma característica definidora da política de arabização ba'athista e resultou na identidade assíria sendo efetivamente colocada na lista negra.

A visita do Papa terá como objetivo promover a unidade, em um país onde o Cristianismo tem sido enquadrado como uma força essencialmente impotente e em declínio desde 2003, mas existe o perigo de que isso reforce essa trajetória ao legitimar líderes religiosos que ajudaram nesse declínio. A ironia do Iraque moderno é que, embora muitos muçulmanos desejem formar Estados seculares, os cristãos do país foram empurrados para o governo religioso.

Quase imediatamente depois que os tanques americanos invadiram o Iraque em 2003, os assírios começaram a ser alvos de gangues extremistas em Bagdá e outras cidades. Dezenas de igrejas foram bombardeadas, centenas de pessoas sequestradas ou assassinadas; centenas de milhares fugiram.

Mas as minorias do Iraque foram perseguidas não apenas por milícias sunitas e xiitas. Com o enfraquecimento do centro, o Governo Regional do Curdistão (KRG), fortalecido pela ocupação dos EUA, expandiu-se unilateralmente para a Planície de Nínive, bloqueando as tentativas dos assírios locais de formar forças de segurança e privá-las politicamente. Essa expansão tornou a pátria assíria no norte do Iraque “disputada” pelas autoridades regionais e federais, dando início a uma década inteira de desestabilização que culminou com o surgimento do ISIS. Ecoando os programas de arabização de Saddam Hussein, o projeto de curdificação usou a liderança religiosa de comunidades minoritárias para promover uma agenda nacionalista secular.

Quando Mar Meelis, um bispo da Igreja Assíria, chegou a Erbil vindo da Austrália em setembro de 2014 e se encontrou com o primeiro-ministro curdo Nechirvan Barzani, ele reiterou “sua gratidão e apreço” pelo papel do Peshmerga durante a ofensiva do ISIS contra os cristãos de a planície de Nínive. No entanto, os Peshmerga haviam desarmado à força e então abandonado esses cristãos e yazidis ao genocídio sem luta apenas um mês antes. ..

...

No Iraque, a questão mais importante é a segurança. Quando o ISIS assolou Mosul e as planícies de Nínive, dezenas de milhares de assírios fugiram, mas a maioria desses refugiados não retornará para as aldeias onde não se sentem seguros. Na vila de Telskuf, controlada por Peshmerga, apenas 30% das pessoas retornaram pós-ISIS, e em Telkaif, dirigido por milícias árabes iraquianas, apenas 7% retornaram. Em contraste, Qaraqush acolheu o retorno de cerca de 70% de seu povo, porque aqui a comunidade local é protegida pelas Unidades de Proteção da Planície de Nínive (NPU) lideradas pelos assírios - que também estão contribuindo para a própria segurança do Papa. Quando se trata de segurança, as pessoas votam com os pés, mas mesmo assim os líderes da igreja dizem não às chamadas “milícias cristãs”.

Não é novidade que os assírios estão profundamente pessimistas e, como um homem deslocado disse a um repórter antes da visita: “Estamos esperando o Papa. Mas não esperamos muito de sua visita. ” Longe de renovar as esperanças, a visita do Papa Francisco representa uma espécie de emblema da situação política em que os cristãos assírios se encontram trancados no Iraque...

Até que essas comunidades possam ser apoiadas para fortalecer sua posição, elas permanecerão como subcidadãos. Árabes e curdos desfrutam dos benefícios de expandir suas redes educacionais e profissionais seguras em suas próprias identidades, mas os assírios são compreendidos principalmente por meio de uma única estrutura - sua capacidade de praticar uma fé compartilhada por aqueles que olham no Ocidente. As medidas atuais tomadas agora podem fornecer algum brilho de curto prazo e esforços mais lisonjeiros, mas a Igreja Católica (e todas as Igrejas na região) estão enfraquecidas no longo prazo, a menos que algo drástico mude - porque as tendências atuais sugerem que em breve haverá mais árvores de Natal do que os cristãos no Iraque.

O Papa saudará uma comunidade desfeita que luta por sua existência quando chegar ao Iraque. O mínimo que ele e a máquina ao seu redor podem fazer é reconhecer aqueles que melhor os defendem - as próprias pessoas sitiadas e esquecidas.


domingo, 7 de março de 2021

Francisco no Iraque. Quantos Soldados Morreram pela Visita?

Eu detesto quando se vai a uma terra pacificada depois de muitas mortes e se diz contra a guerra, sem honrar àqueles que deram suas vidas. Em suma, detesto quando se fala contra guerras sem entender que a própria existência dele e de seu país foi feita por causa de guerras. Conquistou-se a Europa contra Hitler e derrotou-se o comunismo na Europa. Quantos morreram para estas vitórias?

Francisco está no Iraque e como é de costume fala contra guerras de forma generalizada e despreza as milhares de mortes de soldados ocidentais e iraquianos para livrar o Iraque de Saddam Hussein, Al Qaeda e Estado Islâmico. 

Francisco fala contra a guerra quando não teve que enfrentar politicamente e militarmente nenhum dos inimigos do Iraque.

Aqui, eu vou honrar os mortos pelo Iraque.

Não é difícil saber quantos soldados ocidentais e iraquianos morreram desde o inicio da guerra do Iraque.

Por exemplo, considerando apenas os soldados americanos. O site Statistica  nos dá por ano. O pior período no Iraque para os soldados americanos foi entre 2004 e 2007, quando morreram em média mais 850 soldados por ano. Mas ainda no ano passado morreram 8 soldados americanos.  O número de soldados americanos feridos chegou a mais de 31 mil soldados. 

Conta-se que as mortes de soldados iraquianos defendendo seu país contra o terrorismo foram muito piores. Chegaram a mais de 16 mil segundo o Wikipedia. 

Isso são apenas mortes de soldados e de soldados americanos e iraquianos. Soldados de outras nacionalidades morreram na luta contra o terror.   E as mortes de civis por conta de ataques terroristas foram às milhares. 

Assim, devemos dizer no Iraque: Viva a Guerra, que permitiu a visita de Francisco, mesmo ele usando carro blindado.

O Iraque ainda não está pacíficado. É um país disforme de maioria xiita e com poder nas mãos de sunitas.


sábado, 6 de março de 2021

Francisco Defende Renda Básica Universal. É uma Boa Ideia?

Renda Básica Universal é uma panaceia materialista. Mas tem qualidades?

No Brasil, temos a renda mínima do Bolsa Família, cujo programa só aumenta de valor e mais gente entra. Do ângulo das milhões de pessoas que recebem é uma garantia mínima de renda que dá certa tranquilidade. Por outro lado, ainda do ângulo da pessoa que recebe mas também do ângulo social, a gigantesca dependência social ao Estado tem implicações terríveis, impactos eleitorais, comportamentais (preguiça e desprezo ao trabalho), e consequências até religiosas.

Como eu disse no meu livro Ética Católica sobre Economia, na seção sobre ricos e pobres: ser rico não necessariamente leva a pessoa para o inferno, mas facilita e muito. Por que? Por causa do conforto que a riqueza traz, que acomoda e escraviza as decisões das pessoas, facilita o ciclo do pecado.

Na minha visão, a renda mínima tem o mesmo impacto: acomodação e escravização. Só que no caso do pobre, a escravização é em relação ao Estado.  Além disso, do ponto de vista do Estado, as pessoas não vão amar o Estado por dar dinheiro de graça, em geral, vão exigir mais e mais. A inveja em relação ao rico não será contida, pelo contrário, aumentará.

O mundo cada vez mais aceita heresias insanas e isso tem muito a ver com o conforto materialista cada vez maior no mundo. O conforto materialista ajuda a desprezar o espiritual. A religião cada vez mais passa a ser coisa de gente esquisita, o que vale é ter acesso a cada vez mais bens. O temor a Deus tende a desaparecer completamente. Para que preciso Deus se eu tenho tudo que quero? 

Claro que todos verão mais cedo ou mais tarde que na verdade não possuem tudo que querem. Pois sem Deus, você não é nada. Mas uma coisa é entender isso outra coisa é sair do ciclo do pecado. Quando se ler a história de ilustre conversões, como a do próprio Santo Agostinho, observa-se o quão longa e penosa é essa conversão. Muitos e cada vez mais gente se perde com o conforto materialista.

Estou dizendo que as pessoas têm que sofrer? Não. Estou dizendo que o sofrimento é salutar. E que o conforto materialista facilmente vira uma escravização.

Em resumo, Renda Universal não tira ninguém da pobreza e da dependência. Tende apenas a aumentar a renda mínima. A pessoa passa a ter acesso a alguns bens que não possuía porque o Estado (e não o trabalho dela) está dando dinheiro para ela. Quem tira gente da pobreza material e espiritual  é o trabalho.

A renda universal aumenta o desprezo ao trabalho, desprezo que já é natural no homem, porque trabalhar exige sofrimento, exige fazer o que não se quer fazer.

A renda mínima não tem impacto social relevante por exemplo em diminuir crimes. Eu até já ganhei aposta em relação a isso. Pois um amigo tentou provar que o Bolsa Família diminuiu a criminalidade no nordeste brasileiro. Viu que a violência não diminuiu na região, pelo contrário, aumentou. Gente aposta nisso, por vezes se diz liberal, mas na verdade é tão materialista como os comunistas. E não entende que o materialismo não preenche a alma humana com bondades.

O site The American Catholic diz que tem uma máxima: "Se Francisco é a favor de alguma política, provavelmente é uma má ideia".

Eu digo mais: além de má ideia, atenta contra a religiosidade, contra o temor a Deus, fonte de toda sabedoria.


sexta-feira, 5 de março de 2021

O Que é Religião? Artigo de Edward Feser


O filósofo Edward Feser, como é usual, fez um excelente artigo, dessa vez sobre o que é religião.

O artigo baseia sua análise em dois livros: 1) na definição de religião que Feser defende que foi feita por Bernard Wuellner para o livro Dictionary of Scholastic Philosophy e 2) No livro acima de Brent Nongri, que Feser também argumenta a favor.

Realmente, os dois livros parecem-me sensacionais.

O argumento de Feser é basicamente o seguinte:

1) A definição de Wuellner está correta. Religião é 1. a soma das verdades e deveres que ligam o homem a Deus. 2. crença pessoal e adoração em relação a Deus. A Religião inclui credo, culto e código. Por “credo”, o que Wuellner tem em mente é um sistema de doutrina. Um “culto”, neste contexto, tem a ver com um sistema de rituais do tipo associado ao culto e semelhantes. O “código” referido tem a ver com um sistema de princípios morais. Portanto, a definição está nos dizendo que doutrinas, rituais e princípios morais estão entre os elementos-chave da religião.

2) Essa definição exclui o Budismo realmente, pois este não envolve a ligação com Deus (exclui também confucionismo e outros mais semelhantes a filosofias do que a religião como epicurismo ou mesmo estoicismo);

3) Para qualquer definição, existe o aspecto nominal e o aspecto real. Definição nominal é aquela usada na prática, em geral com a apresentação de exemplos práticos (água é um líquido que está nos rios e lagos). A definição real é a definição da natureza em si da coisa (água é a formação de dois átomos de hidrogênio e uma de oxigênio). A definição nominal pode variar com o tempo, a variação real, não.

3) O marxismo tem uma definição que não é nominal de religião (religião é o murmúrio da criatura oprimida, religião é o ópio do povo). Marxismo procura uma definição real da religião. Isso não quer dizer que a definição esteja certa. Para o marxismo, está claramente errada.

4) A separação da religião da vida prática das pessoas é uma anomalia moderna, iluminista, pós-reforma protestante;

5) Antes, por exemplo, não existia Europeus, existia sim a Cristandade. O europeus sabiam que viviam na Cristandade. Na época, a avaliação das pessoas é que as outras religiões eram religiões que tinham menor grau de relação com Deus, mas elas eram sim religiões.

6) Tudo mudou com o Protestantismo, que quebrou a unidade do Ocidente. E daí surgiu com Locke e o Iluminismo a lógica de que religião é uma coisa apenas privada e subjetiva de cada um que não deve ter poder social. 

7) O iluminismo trouxe subjetivismo para a religião e até aglutinou credos diferentes em um credo só, como fizeram com hinduísmo

7) E assim hoje há "o duplo padrão que muitos filósofos acadêmicos contemporâneos aplicam aos argumentos para a existência de Deus. Qualquer outra ideia em filosofia, por mais insana que seja - por exemplo, que o mundo material é uma ilusão, que a consciência não existe realmente, que o infanticídio e a eutanásia são defensáveis, que a distinção entre os sexos é uma mera construção social, que pode ser moralmente errado ter filhos, e assim por diante - é tratado como “digno de discussão”, algo que devemos pelo menos ouvir com respeito, mesmo que suspeitemos que não seremos convencidos. Mas se um filósofo dá um argumento para a existência de Deus, então em pelo menos muitos círculos acadêmicos, todas as sobrancelhas se erguem imediatamente, todos os olhos rolaram e há sorrisos em todos os lugares - como se tal filósofo tivesse acabado de soltar gases ou proposto o uso de um papel alumínio chapéu para proteger contra leitura de mentes."

Leiam todo o texto de Feser, meu resumo não revela a profundidade do debate do artigo.

Cliquem aqui para o artigo.



quarta-feira, 3 de março de 2021

O Que Microsoft, Apple, Nike, Google e BMW têm em Comum?

Todas essas empresas e mais outras 77 empresas multinacionais têm o seguinte fato em comum: usam trabalho forçado Uighur na China.

É a "moral" capitalista.

Pesquisa feita pela Australia Strategic Policy Institute (ASPI) apontou que 82 famosas multinacionais, as mesmas que costumam atacar o racismo praticado nos EUA e detonar o ex-presidente Trump, usam o trabalho forçado dos Uighurs na China e não dizem nada contra o governo chinês (é só love com a ditadura chinesa)

ASPI publicou um artigo sobre o assunto chamado Uyghurs for Sale (Uighurs à Venda).

Vejamos um resumo feito pela reportagem da Forbes (traduzo abaixo)

De acordo com os pesquisadores, os uigures, uma minoria étnica perseguida da região ocidental de Xinjiang da China, foram canalizados para trabalhar em fábricas em outras províncias sob condições "que sugerem fortemente trabalho forçado".

O relatório estima que mais de 80.000 uigures foram transferidos para trabalhar em fábricas em toda a China entre 2017 e 2019. O período coincide com a campanha da China de internamento em massa de minorias étnicas em Xinjiang, que o governo diz ser necessária para erradicar o terrorismo e o separatismo. Alguns uigures teriam sido colocados nessas fábricas diretamente dos campos de internamento em Xinjiang, onde especialistas estimam que mais de 1,5 milhão de membros de minorias étnicas estão detidos.

Embora os jornalistas tenham no passado vinculado empresas ocidentais ao trabalho forçado uigur, esta é a primeira vez que o problema se torna aparente em uma escala tão grande, envolvendo fábricas e cadeias de abastecimento em todo o país. As 83 empresas estrangeiras e chinesas que a ASPI identificou como se beneficiando direta ou indiretamente dos programas de transferência potencialmente abusivos para uigures incluem marcas de roupas como Adidas, Gap, Tommy Hilfiger e Uniqlo; montadoras como BMW, General Motors, Jaguar e Mercedes Benz; e gigantes da tecnologia como Apple, Google, Huawei e Microsoft.

A colocação de uigures em fábricas fora de Xinjiang foi conduzida de acordo com uma política do governo central conhecida como "Ajuda de Xinjiang". Os chefes das fábricas recebem uma compensação em dinheiro para cada trabalhador uigur que empregam. Algumas empresas até anunciaram sua capacidade de fornecer trabalhadores uigur por meio de reservas online. Um desses anúncios, alegando ser capaz de fornecer 1.000 trabalhadores uigures com idade entre 16 e 18 anos, dizia: “As vantagens dos trabalhadores de Xinjiang são: gerenciamento de estilo semimilitar, pode resistir a adversidades, sem perda de pessoal ... Pedido mínimo de 100 trabalhadores!”

Embora a mídia estatal afirme que os uigures estão sendo compensados ​​por seu trabalho, os pesquisadores do ASPI descobriram que eles vivem em dormitórios segregados, não podem ir para casa e passam por mandarim e treinamento ideológico fora do horário de trabalho, semelhante aos uigures nos campos de internação.

 Em um caso, um lote de “graduados” de um chamado centro de treinamento vocacional no sul de Xinjiang foi transferido diretamente para uma fábrica na província oriental de Anhui, de acordo com um relatório do governo. A fábrica, Haoyuanpeng Clothing Manufacturing Co. Ltd, lista Fila, Adidas, Puma e Nike entre seus clientes. Os trabalhadores de Xinjiang também foram colocados em fábricas que fazem parte das cadeias de abastecimento da Apple, incluindo uma fábrica em Guangzhou visitada pelo CEO da Apple, Tim Cook, em dezembro de 2017.

Algumas marcas, incluindo Adidas, Bosch e Panasonic, disseram à ASPI que não tinham relações contratuais diretas com os fornecedores indicados no relatório, mas ninguém poderia descartar um elo indireto em sua cadeia de suprimentos.

“Esta situação apresenta novos riscos - de reputação e legais - para empresas e consumidores que compram bens da China, já que produtos feitos em qualquer parte do país, não apenas em Xinjiang, podem ter passado pelas mãos de trabalhadores forçados”, disseram os autores.

Eles acrescentaram: “A cadeia de abastecimento global contaminada que resulta dessas práticas significa que agora é difícil garantir que os produtos fabricados na China estejam livres de trabalho forçado.”


terça-feira, 2 de março de 2021

Recuperando

 Amigos, tive uma infecção bacteriana muito forte. Mas, graças a Deus, não foi Covid e já estou recuperando.  Daqui uns dias estarei curado, se Deus quiser. 

Gratissimo pelas orações, precisei de cada pedaço. 

Abraço