segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

A Europa Se Destruindo em 1 Imagem

 


Todos sabemos: aborto, liberação sexual, feminismo, cultura da morte, imigração em massa de culturas destrutivas, desprezo pela história do próprio país (outro dia vi o termo para isso: oikophobia) ensinado nas escolas, ideologia comunista tratada como boa, são todos fatores que explicam o declínio a olhos vistos da Europa.

Mas esta imagem acima resume tudo isso.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Eleições : Mulheres na Extrema Esquerda Carregam a Esquerda





Nas minhas previsões para eleições, eu teimo em não levar esse fato como realidade, mas sim, as mulheres estão cada vez mais na extrema esquerda, enquanto os homens ficam mais ou menos na mesma. Como as mulheres representam cerca de metade dos votos, a tendência geral é para a esquerda. 

Por exemplo, ontem ocorreram eleições em Portugal. Basicamente, só havia um candidato socialista; o resto era muito nanico para ser levado em conta. Enquanto havia uns 4 candidatos ditos de direita ou do centro-direita, ou da direita esquerdizada, que tinham apoio eleitoral relevante (muitos deles são daquela direita  que defende o capitalismo, mas é a favor do aborto, do movimento LGBT, da eutanásia, da hipótese de mudança climática, imigração em massa). Em todo caso, os partidos sentiram que o momento era da direita e lançaram seus candidatos sem fazer alianças.

Daí, eu pensei até com base nos candidatos lançados: o socialista não vai para o segundo turno (ou segunda volta, como chamam em Portugal); dois candidatos minimamente de direita iriam disputar; os portugueses perceberam, depois do histórico péssimo da esquerda no poder, que não dá para votar em socialistas.

Que nada! O socialista foi o mais votado, com mais de 30% dos votos, enquanto o da direita, com características mais realmente de direita em termos sociais, ficou com menos de 25% dos votos, e outros de direita ficaram com 14%, 13% e 12%.

A direita iria rachar; estava claro para todos, mas que o socialista iria ter mais de 30% dos votos me assustou e assustou muita gente.

Portugal possui alguns agravantes que não há no Brasil, por exemplo, como a União Europeia, que facilita a saída dos portugueses para países europeus mais ricos (como França, Suíça e Luxemburgo). Os portugueses no exterior votaram majoritariamente à direita. André Ventura, da direita, recebeu mais de 40% dos votos no exterior. Mas a saída dos portugueses deixa a maioria aqui com capacidade de trabalho menor, e muitos imigrantes que precisam de apoio do Estado votam.  Além da União Europeia,  o voto em Portugal não é obrigatório, o que geralmente tende a ajudar a esquerda, que em geral agrupa mais do que os que pensam em termos de direita. Vocês conhecem quantos centros acadêmicos que são de direita?

Não conheço pesquisas sobre a diferença política entre mulheres e homens em Portugal, mas creio que são as mesmas que se observam nos Estados Unidos, no Reino Unido, na Coreia do Sul e na Alemanha.

Ontem, vi um texto sobre por que as mulheres estão indo para a extrema esquerda enquanto os homens são basicamente os mesmos politicamente.

Achei o texto excelente.

Traduzo abaixo:

Por que as mulheres jovens se moveram para a esquerda enquanto os homens jovens permaneceram sãos?

por vittorio (@IterIntellectus)

Boa pergunta. A maioria das respostas que vi são tribais ("mulheres são emocionais") ou superficiais ("mídias sociais são ruins"). Nenhuma delas rastreia o mecanismo real.

Deixe-me tentar.

Primeiro, observe o que Wanye apontou (https://x.com/xwanyex/status/2011813443209146730?s=20):

Há uma década nos dizem que os homens estão "se radicalizando para a direita" e que isso é perigoso. Os dados reais mostram o oposto. Os homens mal se moveram. As mulheres se moveram mais de 20 pontos para a esquerda.

A história que nos contam é exatamente o oposto da realidade. E quando o movimento feminino para a esquerda é discutido, é enquadrado como progresso: "mulheres se tornando mais educadas, mais independentes, mais esclarecidas".

Dirão que o gráfico mostra esclarecimento e progresso. Errado.

O gráfico mostra captura. Isso não é exclusividade dos Estados Unidos. É global.

O Financial Times documentou isso no ano passado. A diferença ideológica entre os gêneros está aumentando em dezenas de países simultaneamente. Reino Unido, Alemanha, Austrália, Canadá, Coreia do Sul, Polônia, Brasil, Tunísia. Mulheres jovens se inclinando para a esquerda em questões sociais, enquanto homens jovens permanecem estáveis ​​ou se movem para a direita.

sso é importante porque descarta explicações específicas da política americana. Não se trata da política do Título IX. Não se trata do #MeToo. Não se trata da guerra cultural específica dos campi universitários dos EUA. Algo maior está acontecendo, algo que se espalhou globalmente quase ao mesmo tempo.

A Coreia do Sul é o caso extremo. Os jovens coreanos são agora esmagadoramente conservadores. As jovens coreanas são esmagadoramente progressistas. A diferença lá é ainda maior do que nos EUA. Os fatores que contribuem incluem o serviço militar obrigatório para os homens (18 meses da sua vida que o Estado retira, enquanto as mulheres são isentas) e a brutal competição econômica. Mas o momento da divergência ainda coincide com a adoção de smartphones.

Seja qual for a causa disso, não é americana. A máquina é global.

O Substrato

Comece com o hardware biológico.

As mulheres evoluíram em ambientes onde a exclusão social acarretava enormes custos de sobrevivência. Você não pode caçar grávida. Você não pode lutar amamentando. A sobrevivência exigia a aceitação da tribo: sua proteção, seu compartilhamento de alimentos, sua tolerância à sua vulnerabilidade temporária. Milhões de anos disso e você obtém um hardware que trata a rejeição social como uma ameaça séria.

Os homens enfrentavam pressões diferentes. Grupos de caça que ficavam fora por dias. Exploração. Combate. Era preciso tolerar a solidão, a antipatia, a exclusão do grupo por longos períodos. Os homens que conseguiam lidar com a exclusão temporária sem desmoronar tinham mais opções. Mais disposição para correr riscos, mais independência, mais capacidade de sair de situações ruins.

(O status masculino ainda importava enormemente para a reprodução; homens de baixo status tinham dificuldades. Mas os homens conseguiam se recuperar da exclusão temporária de maneiras mais difíceis para mulheres grávidas ou lactantes.)

Isso se reflete em pesquisas sobre personalidade. O trabalho de David Schmitt em 55 culturas diferentes encontrou o mesmo padrão em todas elas: as mulheres apresentam, em média, maior amabilidade e maior neuroticismo (sensibilidade a estímulos negativos, incluindo sinais de rejeição social). Os homens apresentam, em média, maior tolerância à discordância e ao conflito social. As diferenças não são enormes, mas são consistentes em todas as culturas estudadas.

Nem melhor nem pior. Pressões seletivas diferentes, adaptações diferentes.

Mas significa que o mesmo ambiente os afeta de forma diferente. A pressão do consenso impacta mais fortemente um grupo do que o outro.

A Máquina

Agora veja o que construímos.

As redes sociais são um mecanismo de consenso. Você pode ver no que todos acreditam em tempo real. A discordância é visível, mensurável e passível de punição em larga escala. A tribo costumava ser composta por 150 pessoas. Agora são todos que você já conheceu, mais um mundo de estranhos observando.

E observe a linha do tempo. O Facebook foi lançado em 2004, mas era exclusivo para universitários até 2006. O iPhone foi lançado em junho de 2007. O Instagram, em 2010. De repente, as redes sociais estavam no seu bolso e na sua frente, o dia todo, todos os dias.

A participação das mulheres no mercado de smartphones manteve-se relativamente estável no início dos anos 2000. A aceleração começou por volta de 2007-2008. A curva se acentuou ao longo da década de 2010, com a universalização dos smartphones e o aprimoramento das plataformas. As mulheres são, por natureza, mais esquerdistas, mas essa radicalização coincidiu com o aumento da adoção dos smartphones.



A máquina ligou e a captura começou.

O colapso da saúde mental entre as adolescentes acompanha quase perfeitamente a adoção de smartphones, com efeitos mais fortes para as meninas do que para os meninos. A mesma vulnerabilidade que tornava a exclusão social mais custosa em ambientes ancestrais tornou os novos mecanismos de consenso mais eficazes.

Esta máquina não foi projetada para capturar mulheres especificamente. Foi projetada para capturar a atenção. Mas captura pessoas mais suscetíveis à pressão do consenso com mais eficácia. As mulheres são mais suscetíveis em média. Então, ela as capturou mais.

Adicione um ciclo de feedback: as mulheres reclamam mais do que os homens. Navegue por qualquer plataforma e parece que as mulheres estão sofrendo mais. As instituições respondem a isso porque o sofrimento visível cria responsabilidade, risco de relações públicas e pressão regulatória. Além disso, as mulheres são mais fracas e inevitavelmente vistas como vítimas na maioria dos cenários. A resposta institucional é tornar os ambientes "mais seguros". O que significa remover o conflito. O que significa censurar a discordância. O que significa que o consenso se fortalece.

Os contra-argumentos são removidos ou banidos das plataformas e o ciclo se fecha.

As Instituições

As universidades passaram a ter 60% de mulheres, enquanto simultaneamente se tornavam uma monocultura progressista. A instituição em que as jovens mulheres mais confiam, durante os anos em que sua visão de mundo se forma, alimenta-as com uma única ideologia sem oposição séria.

As pesquisas da FIRE sobre discursos em campi universitários mostram o padrão claramente: os alunos se autocensuram, relatam medo de expressar opiniões e se agrupam em torno de opiniões aceitáveis. Isso não é exclusivo das mulheres, mas elas estão mais inseridas no ensino superior do que os homens atualmente, e as áreas que elas dominam (humanidades, ciências sociais, educação, RH) são as mais ideologicamente uniformes.

Quatro anos cercadas por colegas que acreditam na mesma coisa. Professores que acreditam na mesma coisa. Listas de leitura apontando em uma única direção. Discordar não é nem raro, é socialmente punido. Você aprende a identificar os padrões das opiniões aceitáveis ​​e a reproduzi-las.

Então elas se formam e ingressam em áreas dominadas por mulheres: RH, mídia, educação, saúde, organizações sem fins lucrativos, onde a monocultura continua. Dos 18 aos 35 anos, muitas mulheres nunca encontram uma discordância sustentada de pessoas que respeitam. O ciclo de feedback nunca se rompe.

Os homens seguiram caminhos diferentes. Ofícios. Engenharia. Finanças. Forças Armadas. Áreas onde os resultados importam mais do que o consenso. Áreas onde a discordância é tolerada ou até mesmo recompensada. A monocultura não os capturou porque eles não estavam nas instituições que estavam sendo capturadas (principalmente porque foram expulsos delas, mas isso é outra história).

Economia

O casamento entrou em colapso. Isso provavelmente importa mais do que as pessoas pensam.

Mulheres solteiras votam mais à esquerda do que mulheres casadas. Isso se mantém consistente ao longo de décadas de pesquisas de boca de urna. Parte disso provavelmente se deve a fatores econômicos: mulheres solteiras interagem mais com o governo como prestadoras de serviços, enquanto mulheres casadas interagem mais como contribuintes. Os incentivos apontam em direções diferentes.

A diferença de votos entre mulheres casadas e solteiras é um dos indicadores mais consistentes. E as taxas de casamento entraram em colapso justamente durante o período de divergência.

Os homens viram o colapso do casamento de forma diferente. Tribunais de família. Pensão alimentícia. A resposta racional foi o ceticismo em relação à expansão do poder do Estado.

O mesmo fenômeno, posições diferentes dentro dele, respostas políticas diferentes.

Os Algoritmos

Os algoritmos otimizam o engajamento. Engajamento significa resposta emocional. Tempo na plataforma. Cliques. Compartilhamentos. Comentários.

As mulheres respondem com mais intensidade ao conteúdo emocional em média; elas são mais empáticas e podem ser mais facilmente manipuladas com histórias tristes. Isso se deve, novamente, ao maior neuroticismo e à maior sensibilidade a estímulos negativos. A máquina aprendeu isso. O sistema fornecia conteúdo calibrado de acordo com os padrões de resposta de cada um. Medo. Indignação. Pânico moral. Histórias sobre perigo, injustiça, ameaças, guerras e "vítimas".

Os homens recebiam feeds diferentes porque respondiam a gatilhos diferentes. O algoritmo não tem uma agenda de gênero propriamente dita. Ele tem uma agenda de engajamento. Mas o engajamento se manifesta de forma diferente de acordo com o perfil demográfico, então os feeds divergiam.

As mulheres acabavam em ambientes de informação otimizados para a ativação emocional. Os homens encontravam alternativas: podcasts, fóruns, carros, guerras, manosfera etc.

A Ideologia

O feminismo dizia às mulheres que seus instintos e biologia eram opressão e errados. Querer filhos era lavagem cerebral. Querer um marido provedor era misoginia internalizada. Seus desejos naturais eram uma falsa consciência instalada pelo patriarcado.

Muitas acreditaram nisso. Construíram suas vidas em torno disso. Carreira em primeiro lugar. Independência. Liberdade das restrições tradicionais.

Agora elas têm 35 anos, estão solteiras, comparando a queda da fertilidade com as conquistas profissionais. E aqui está a armadilha: o custo irrecuperável de admitir que a ideologia falhou é enorme. Você teria que admitir que desperdiçou seus anos férteis com uma mentira. Que as mulheres que ignoraram a ideologia e se casaram jovens estavam certas. Que sua mãe estava certa.

Acho que é por isso que vemos tão pouca deserção. Não porque a ideologia seja verdadeira, mas porque o custo psicológico de sair é maior do que o custo de ficar. É mais fácil insistir. É mais fácil acreditar que o problema é que a sociedade ainda não mudou o suficiente.

A Outra Captura

Devo ser honesto sobre algo: os homens não eram imunes à captura. Eles foram capturados de maneiras diferentes.

As mulheres obtiveram conformidade ideológica. Os homens, isolamento. Pornografia. Videogames. Aplicativos de jogos de azar. Conteúdo indignado. A captura masculina não foi "acredite nisso ou enfrente a morte social". Foi "aqui está um suprimento infinito de dopamina para que você nunca precise construir nada real".

Máquinas diferentes, modos de falha diferentes. As mulheres obtiveram submissão. Os homens, passividade.

A linha masculina naquele gráfico, permanecendo plana até 2020, não significa necessariamente saúde. Pode ser apenas um tipo diferente de doença, os homens se desligando em vez de serem atraídos. Ou pode ser que todos e tudo tenham se movido mais para a esquerda e as mulheres ainda mais para a esquerda.

A linha está se movendo agora

Aqui está a atualização: a linha masculina não é mais plana.

Os dados pós-2024 mostram os homens jovens se deslocando para a direita. Pesquisas recentes mostram a mesma coisa. Os homens jovens estão agora se movendo ativamente para o conservadorismo.

Minha leitura: as mulheres foram capturadas primeiro porque eram mais suscetíveis à pressão do consenso. A captura foi rápida (2007-2020). Os homens resistiram por mais tempo porque eram menos suscetíveis e menos inseridos nas instituições capturadas. Mas à medida que a lacuna se tornou visível e culturalmente relevante, à medida que "os homens são o problema" se tornou uma mensagem explícita da corrente dominante, à medida que os homens começaram a ser excluídos da sociedade por causa de mentiras, à medida que a masculinidade, ou a própria coisa que faz os homens serem homens, se tornou tóxica, os homens tiveram que começar a se alinhar contra.

A passividade está se convertendo em oposição. O afastamento está se tornando rejeição ativa.

Isso não significa que os homens agora estão "certos" ou "livres". Pode apenas significar que eles estão sendo capturados por uma máquina diferente, uma otimizada para a queixa masculina em vez do consenso feminino. Andrew Tate não surgiu do nada. Nem a manosfera. Esses também são sistemas de captura, apenas direcionados a diferentes vulnerabilidades psicológicas.

O gráfico agora mostra duas linhas divergindo em direções opostas. Duas máquinas diferentes puxando dois grupos demográficos diferentes em direção a dois modos de falha diferentes.

Algumas pessoas dirão que isso se deve apenas à educação: as mulheres vão mais para a faculdade, a faculdade te torna liberal, simples assim. Há algo nisso. Mas isso não explica por que a diferença aumentou tanto depois de 2007, ou por que está acontecendo em países com sistemas educacionais muito diferentes.

Alguns dirão que é econômico: os jovens estão passando por dificuldades, o ressentimento te torna conservador. Também parcialmente verdade. Mas as dificuldades econômicas masculinas são anteriores à recente guinada à direita, e a guinada feminina à esquerda ocorreu durante um período de crescente sucesso econômico feminino.

Alguns apontarão para figuras culturais: Tate para os homens, Taylor Swift para as mulheres. Mas esses são sintomas, não causas. Eles preencheram nichos criados pelas máquinas. Eles não criaram as máquinas.

O modelo multicausal se encaixa melhor: substrato biológico (sensibilidade diferencial ao consenso) + gatilho tecnológico (smartphones, feeds algorítmicos) + amplificação institucional (universidades capturadas, campos dominados por mulheres) + incentivos econômicos (colapso do casamento, dependência do Estado) + aprisionamento ideológico (custos irrecuperáveis, punição social por deserção).

Não há uma única causa. Um sistema de causas interligadas que por acaso afetou um gênero mais rápida e intensamente do que o outro.

E daí?

Se este modelo estiver correto, algumas previsões se seguem.

A diferença deve ser menor em países com adoção mais tardia de smartphones ou menor penetração de mídias sociais. (Isso parece ser verdade: a divergência é menos extrema em partes da Europa Oriental e em grande parte da África, embora a Coreia do Sul seja uma grande exceção devido a outros fatores.)

A diferença deve diminuir entre as mulheres que têm filhos, já que a maternidade quebra o ciclo de feedback institucional e introduz prioridades concorrentes. (As pesquisas de boca de urna mostram isso consistentemente: mães votam de forma mais conservadora do que mulheres sem filhos.)

A diferença deve continuar aumentando até que as máquinas sejam interrompidas ou as gerações envelheçam e deixem de usá-las.

Eis a parte que não sei como resolver: esses sistemas são autorreforçadores. As instituições não vão se reformar sozinhas. Os algoritmos não vão parar de otimizar. A ideologia não vai admitir o fracasso. A contra-captura masculina também não vai produzir resultados saudáveis.

Algumas mulheres escaparão. As que têm filhos geralmente conseguem, já que a realidade é um poderoso solvente para a ideologia. As que constroem vidas fora da captura institucional às vezes conseguem. Alguns homens vão parar de se isolar ou de rolar a tela com raiva. Aqueles que encontrarem algo que valha a pena construir. Aqueles que se cansarem da simulação.

Mas os sistemas continuarão funcionando para todos os outros.

A Pergunta

Bill perguntou por quê.

A resposta não é "mulheres são emotivas" e não é "redes sociais são ruins". A resposta é que construímos mecanismos de consenso em escala global e os implantamos em uma espécie com psicologia sexualmente dimórfica. As máquinas capturaram a metade mais suscetível à pressão do consenso. Então, começaram a capturar a outra metade por meio de mecanismos diferentes.

Estamos observando os resultados em tempo real. Dois modos de falha. Um gráfico. Ambas as linhas se afastando uma da outra e de qualquer coisa saudável.

Não sei como isso termina. Acho que ninguém sabe. Acho que não vai terminar.

Ambas as máquinas ainda estão funcionando.

Mas os sistemas continuarão funcionando em todos os outros.


domingo, 18 de janeiro de 2026

Fundamento Básico de Análise entre EUA e Europa.

 


Qualquer análise das relações internacionais entre os Estados Unidos e a Europa, no atual estágio de ameaças militares da Rússia e da China, deve começar pelo gráfico acima.





quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Os Exaltados Anglos-Saxões

Desde muito tempo,há exaltação a países anglo-saxões, a ponto de elogiarem a Alemanha, país onde nasceram a Reforma Protestante, o comunismo e o nazismo. E essa exaltação vem sempre acompanhada de que os portugueses e os espanhóis são ladrões e burros.

Até outro dia, vi um ex-ministro da educação a exaltar os anglo-saxões usando o péssimo livro de Max Weber, Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. 

Por conta da costumeira exaltação a esse péssimo livro em vários sentidos, eu me senti obrigado a dedicar a ele um capítulo inteiro no meu livro  Ética Católica para Economia). O ex-ministro brasileiro, como costuma ocorrer entre os alunos brasileiros, me pareceu que nunca leu o livro, imaginou o que seria o livro e ficou a exaltar os anglo-saxões.

Os países do norte, anglo-saxões ou não, costumam ser mais ricos, por diversos fatores históricos e éticos. Eu sei o quanto a riqueza ilude. Certa vez, um amigo começou a exaltar a Suíça pela beleza e riqueza. E eu perguntei: "Suíça é aquele país que guarda, de forma segura, o dinheiro roubado de dezenas de corruptos, tiranos e assassinos do mundo?" Ele entendeu que a beleza enganava.

Sim, os latinos possuem problemas profundos; em especial, deploro a falta de profundidade ética e de princípios éticos, fonte de todo tipo de mazela entre os latinos. 

Eu já morei em dois países anglo-saxões e também conheço de perto seus defeitos. A imagem acima, que mostra que países anglo-saxões são os que mais deploram a vida, pode ser explicada pelos defeitos históricos e éticos deles.


terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Coalizão de ONGs Pede Ação da ONU Contra Irã


Recentemente, o mundo ficou sabendo que dezenas de milhares já foram mortos pela ditadura iraniana, uma coalizão inter-regional de 30 organizações não governamentais e grupos de direitos humanos fez hoje um apelo urgente às Nações Unidas para que tomem medidas emergenciais imediatas a fim de interromper o que descrevem como "horríveis assassinatos em massa" de manifestantes pela República Islâmica do Irã.

Em geral, são ONGs que conhecem muito bem o viés pró-esquerdista da ONU em relação a países comunistas, como Cuba, Venezuela, e a países islâmicos. Por isso, a ONU deve dar de ombros. Mas traduzo abaixo o apelo das ONGs

Apelo por Ação Emergencial da ONU: Parem os Massacres de Manifestantes Iranianos

Prezado Secretário-Geral da ONU, António Guterres,

Prezado Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk,

Prezados Representantes Permanentes dos Estados-Membros das Nações Unidas,

Nós, organizações não governamentais e ativistas de direitos humanos abaixo assinados, escrevemos para expressar nossa indignação com os horríveis massacres de manifestantes pela República Islâmica do Irã.

Solicitamos que, sem demora, assegurem uma ação emergencial das Nações Unidas para lidar com o ataque do regime contra seu próprio povo, que configura violações graves, generalizadas e sistemáticas dos direitos humanos fundamentais.

Desde 28 de dezembro, protestos em larga escala eclodiram em todo o Irã, refletindo antigas reivindicações do povo iraniano por direitos fundamentais, dignidade e responsabilização. A resposta do regime tem sido marcada por violência extrema e ilegal. Relatórios confiáveis ​​estimam que pelo menos 12.000 manifestantes foram mortos pelo regime desde o início dos protestos, e muitos outros ficaram feridos, foram detidos arbitrariamente ou desapareceram à força. Corpos se acumulam em necrotérios improvisados.

As forças de segurança do regime teriam usado munição real contra civis desarmados, realizado prisões em massa e submetido detidos a tortura e outros maus-tratos. Os detidos foram privados de acesso a advogados, familiares e atendimento médico. Jornalistas, estudantes, mulheres, defensores dos direitos humanos e membros de minorias étnicas e religiosas foram alvos deliberados. Bloqueios da internet e severas restrições à informação obscureceram ainda mais a verdadeira dimensão das violações e impediram a fiscalização independente.

Esses atos constituem graves violações do direito internacional dos direitos humanos e configuram crimes internacionais. Eles contrariam diretamente as obrigações do Irã perante a Carta das Nações Unidas e os principais tratados internacionais de direitos humanos, incluindo as proteções ao direito à vida, à liberdade de expressão, à reunião pacífica e ao devido processo legal.

A persistente falha da comunidade internacional em responder de forma decisiva corre o risco de permitir ainda mais derramamento de sangue e repressão. Neste momento crítico, uma liderança decisiva do sistema das Nações Unidas e de seus Estados-Membros é indispensável.

Portanto, apelamos urgentemente para que:

  • Convoque uma sessão de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas, da Assembleia Geral e do Conselho de Direitos Humanos, para abordar a situação dos direitos humanos no Irã, que se deteriora rapidamente;
  • Condene pública e inequivocamente o horrível assassinato de manifestantes e outras graves violações do direito internacional cometidas pelas autoridades iranianas;
  • Estabeleça mecanismos de investigação internacionais independentes para garantir documentação, responsabilização e justiça;
  • Exija a libertação imediata de todos os indivíduos detidos arbitrariamente por exercerem seus direitos fundamentais; e
  • Assegure o monitoramento e a divulgação contínuos de informações da ONU sobre o Irã até que a violência e a repressão cessem.

O povo do Irã está arriscando e perdendo suas vidas pelo exercício pacífico dos direitos garantidos pelo direito internacional. Devemos garantir que as vozes dos manifestantes iranianos sejam ouvidas, protegidas e respeitadas. A credibilidade das Nações Unidas e dos seus Estados-Membros depende de uma resposta à altura da dimensão e da urgência desta crise.

Respeitosamente,

  1. Hillel Neuer, Observatório das Nações Unidas, Suíça
  2. Nazanin Afshin-Jam MacKay, Coletivo de Justiça Iraniana, Canadá
  3. Rana Dadpour, Solidariedade Unida Australiana para o Irã, Austrália
  4. Mourad Lafkihen, Forum Méditerranéen pour la Promotion des Droits du Citoyen, Marrocos
  5. Lynnea Bylund, Gandhi Worldwide Education Institute, Estados Unidos
  6. Mouhamadou Moustapha Fall, Associação Nacional dos Partenaires Migrantes, Senegal
  7. Thierry Valle, Coordenação de Associações e Participantes para a Liberdade de Consciência, França
  8. Ion Manole, Associação Promo-LEX, Moldávia
  9. Tsuneko Kakiuchi, Associação Japonesa pelo Direito à Liberdade de Expressão, Japão
  10. Hector Aleem, Paz Mundial, Paquistão
  11. Masanori Kaneko, Associação Internacional de Apoio à Carreira, Japão
  12. Mange Ram Adhana, Associação para Promoção do Desenvolvimento Sustentável, Índia
  13. John Suarez, Centro para uma Cuba Livre, Estados Unidos
  14. Walid Maalouf, Parceria para o Renascimento Libanês-Americano, Estados Unidos
  15. Joel Tekam Noutchachom, Movimento para a Defesa da Humanidade e a Abolição da Tortura, Camarões
  16. Khalid Pervaiz Sulehri, Organização: Observatório Internacional de Direitos Humanos, Paquistão
  17. Janis Brizga, Green Liberty, Letônia
  18. Victor Amisi Sulubika, Vision GRAM-International, Canadá
  19. Alan Goldsmith, Fundação Renascimento Judaico, Estados Unidos
  20. Olufemi Aduwo, Centro para a Convenção sobre Integridade Democrática, Nigéria
  21. Dr. Ashok Yende, Fundação Global Vision Índia, Índia
  22. Marie M. McKenzie, Associação das Nações Unidas de San Diego, Estados Unidos
  23. Amir Gharagozlou, REAL Women of Canada, Canadá
  24. Buramanding Kinteh, Sociedade para o Desenvolvimento Humano, Gâmbia
  25. Mbuh Raphael Mbuh, Primeira Iniciativa Comum de Ferramentas Agropecuárias Modernas.
  26. Bernard Lutete Di Lutete, Save The Climate, Senegal,
  27. Amir Zad Gul, Organização de Desenvolvimento Rural, Paquistão.
  28. Michael Oko Davies, Integridade Público-Privada, Gana
  29. Braema Mathi, MARUAH, Singapura
  30. David Tsibu-Darko, Fundação Colheita de Deus, Gana. Iniciativa Comum de Ferramentas


segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

Quem Vai Agir Contra os Aiatolás do Irã?

 


Muitos dizem, desde esquerdistas até gente que se diz de direita (libertarianos, politicamente moderados) etc,. que os Estados Unidos não podem querer ser "polícia do mundo" e tentar resolver os problemas dos países. Argumentam em nome da soberania, da autodeterminação dos povos, da liberdade de escolha, da liberdade religiosa, seja o que for.

Com o Irã, temos um caso realmente aberrante, uma tirania teológica que oprime, mata e apoia o terrorismo no mundo. Quem deve entrar no país para proteger a população iraniana?

Atualmente, uma mente kantiana diria que seria a ONU. Mas o Irã faz parte da ONU e se junta a alguns países que o apoiam por causa de sua religião ou de sua tirania.

Para ver isso, basta saber que desde 2000, o país mais visado por resoluções condenatórias ou críticas específicas na Assembleia Geral da ONU é Israel. De acordo com dados compilados por fontes como UN Watch (uma ONG que monitora e cataloga essas resoluções), entre 2015 e 2025, a Assembleia Geral adotou mais de 170 resoluções contra Israel (média anual de cerca de 15-17), enquanto o restante do mundo combinado recebeu cerca de 70-80 no mesmo período. Isto é, as condenações a Israel são mais do que o dobro das do restante do mundo.

O Irã recebeu apenas por volta de 12 condenações relacionadas a direitos humanos, repressão a mulheres, minorias e pena de morte; geralmente 1 por ano.

A maioria das resoluções contra Israel é patrocinada por países árabes/islâmicos e adotada por maioria automática na Assembleia (devido à composição de 193 membros).

Isto é, a democracia da ONU, em que cada país tem um voto, resulta nessa aberração.

Só por aí, vê-se que a ONU, vista como uma entidade que representa todos os países, dificilmente vai agir. Em termos do Conselho de Segurança, países como a Rússia e a China também não permitiriam uma ação militar contra os aiatolás. A essa altura, não sei nem se o Reino Unido, que está completamente tresloucado, permitiria.

Então, o mundo vai continuar a deixar a matança dos aiatolás contra a própria população iraniana? Ou vai aplaudir uma ação do governo Trump contra os tiranos?

O  Secretário-Geral da ONU já defendeu os aiatolás, no ano passado, quando o governo Trump destruiu as bases nucleares do Irã. Não duvido que continuará defendendo.






sábado, 10 de janeiro de 2026

Alerta ao Papa Leão XIV que Falou Contra "Jihad"


Ele não falou do Islã, não usou a expressão "terrorismo islâmico", mas citou vários casos desse terrorismo e usou a palavra "jihad".

É um alívio ouvir isso.

Mas alerto: se é para falar contra o terrorismo islâmico, deve-se falar "chutando portas", que se fale tudo e que se esteja preparado para a vingança islâmica. 

Não se deve ser tímido, senão vai ocorrer o mesmo que ocorreu com Bento XVI, que falou timidamente e depois pediu desculpas. Nem se cometa o erro de Pio XII, que silenciou publicamente em relação ao nazismo, com receio, declarado ao filósofo católico Dietrich von Hildebrand, de que os nazistas matassem cristãos. E os nazistas mataram cristãos de todas as formas.

É um crime, uma heresia e uma ofensa a milhares de mártires cristãos na história, a Igreja silenciar em relação à violência do Islã. Deve-se ter coragem, deve-se ser homem, deve-se saber que haverá mártires, que pode ser o próprio Papa. Mas, caso contrário, não se é a "luz do mundo" ou "sal da terra", e não se resolve nada e continuarão havendo mártires.



sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Vamos ao Que Interessa na Venezuela: O Povo.

Uma vertente de debate sobre a invasão dos Estados Unidos na Venezuela para capturar Maduro é a de soberania do país. Nesta vertente, discute-se se a soberania se confunde com o líder, formal ou de fato, ou se a soberania deve ser entendida como o povo, seu bem-estar, sua ética e sua cultura. Eu entendo que deve ser o último ponto de vista. Neste sentido, a felicidade do povo, o aumento do bem-estar do povo e a melhora nas perspectivas da população são mais relevantes do que a liderança de alguém sobre esse povo.

No caso da Venezuela, o governo que se iniciou ainda com Hugo Chávez e terminou com Nicolás Maduro, que se estendeu por 27 anos, foi um desastre monumental terrível para o povo venezuelano. Não há nem espaço para debate sobre isso. 

Hoje, o mundo deveria celebrar a alegria do povo venezuelano ao ver o fim da ditadura e a libertação de presos políticos.

Vamos celebrar!!. Vamos agradecer a Deus e a todos aqueles que realizaram essa façanha, como Trump, Rubio e os militares norte-americanos, além de inúmeros venezuelanos pelo mundo.

Aqui vão imagens belíssimas.


  

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Reza Pahlavi do Irã Supõe Apoio do Estados Unidos

 

Desde o fim do ano passado, manifestações no Irã pedem fim da ditadura islâmica que assola o país desde 1979. Manifestações ficaram gigantes em várias cidades iranianas.

Em 2009, durante a chamada Revolução Verde, que pretendia derrotar o regime islâmico, Obama foi acusado de omissão. Não fez nada.

Trump tem recentemente exigido respeito ao "hemisfério" americano, o qual é difícil definir pois os Estados Unidos estão presentes com territórios no atlântico e no pacífico.

Será que ele vai entrar para derrubar regime terrorista islâmico do Irã?

Ele já declarou que estava observando e ameaçou retaliar.

Hoje, o Reza Pahlavi, da monarquia que dominava o Irã antes da Revolução Iraniana de 1979 declarou:

"Grande nação do Irã, os olhos do mundo estão voltados para você. Saia às ruas e, em fileiras unidas, grite suas reivindicações. Eu aviso a República Islâmica, seu líder e a Guarda Revolucionária que o mundo e o Presidente dos Estados Unidos estão observando vocês atentamente. A repressão do povo não ficará sem resposta."

Além disso, se noticiou que Pahlavi vai se encontrar com Trump na Florida dia 12.

A ver.

O Irã é um desafio gigantesco, Pahlavi representa um tempo longínquo em que o Irã era bem ocidentalizado.

Além disso, como Rússia e China irão se comportar?

Leão XIV cala-se, até agora, assim como boa parte da mídia.

Rezemos pelo povo iraniano.



quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Por Que Trump Descartou Maria Corina Machado para Venezuela?

 



Na entrevista que Trump deu logo após capturar Maduro há muito a ser debatido em termos políticos, econômicos e éticos. Mas duas coisas foram mais impressionantes, para mim: 1) Trump disse que ia comandar (to run) o país por enquanto; 2) Descartou a líder oposicionista Maria Corina Machado para liderar o país e ainda disse que ela não era respeitada na Venezuela, apesar de ser uma "ótima" (nice) mulher.

Sobre o primeiro ponto, não há caso histórico de os Estados Unidos derrubar o poder de um país e colocar um americano no país para liderar. Em todos os casos, mesmo quando derrotaram o Império Japonês ou Saddam Hussein, quem ficou no poder áfoi alguém do próprio povo, mesmo que deva seguir ordens dos Estados Unidos. No caso da Venezuela, os últimos acontecimentos apontam nesse sentido, e o Partido Socialista Bolivariano continua, em tese, no poder, mesmo sabendo que o governo de Maduro não era reconhecido por inúmeros países. Nem mesmo o governo Lula reconheceu Maduro como presidente eleito nas eleições de 2024. Apenas Rússia, Cuba, China, Irã, Bolívia e Nicarágua.

Então, o debate sobre a Venezuela tem que começar por aí. Maduro não era presidente da Venezuela para a imensa maioria dos países, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia. A captura de Maduro foi, legalmente, a de um líder político, possivelmente narcoterrorista, mas não de um presidente de um país, mesmo que o movimento político bolivariano iniciado por Chávez esteja no poder há 27 anos. Não sendo presidente, ele não tem imunidade diplomática.

Se não era presidente, os Estados Unidos não capturaram a autoridade de um país. Os Estados Unidos atacaram as forças armadas da Venezuela para capturar Maduro. Isto foi um ato de guerra? Ou é apenas um ataque ao território de um país para capturar um tirano sem autoridade legal que roubou ativos dos Estados Unidos e foi condenado internacionalmente por isso? Acho que dificilmente os critérios de guerra justa se aplicam ao caso.

A mulher de Maduro, Cilia Flores, também foi capturada. Ela se envolveu com o poder como advogada de Chávez. Maduro era apenas um motorista de caminhão, ela é advogada e já tinha filhos quando se juntou a Maduro. Ela virou política. Há um caso conhecido em que dois sobrinhos de Flores foram presos com centenas de quilos de cocaína e condenados nos Estados Unidos a 18 anos de cadeia, mas Biden perdoou. Ela sofre pessoalmente também acusações de tráfico de cocaína. 

Há uma acusação de 25 páginas, tornada pública no sábado, que acusa Maduro e outros de trabalharem com cartéis de drogas para facilitar o envio de milhares de toneladas de cocaína para os EUA. Eles podem pegar prisão perpétua se forem condenados. Maduro e Flores estão sob sanções dos EUA há anos, o que torna ilegal para qualquer americano receber dinheiro deles sem antes obter uma licença do Departamento do Tesouro. A acusação alega que Maduro e Flores ordenaram sequestros, espancamentos e assassinatos de pessoas que lhes deviam dinheiro do narcotráfico ou que prejudicavam suas operações de tráfico de drogas. Isso inclui o assassinato de um chefe do narcotráfico local em Caracas, segundo a acusação.

Mas por que Trump descartou a ativista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Corina Machado?

Como a vencedora do Prêmio Nobel da Paz, muito popular na Venezuela, a ponto de vencer ou eleições, não é respeitada?

Para responder a essa pergunta, creio que os venezuelanos, mais interessados no assunto e que possivelmente conheçam melhor os políticos, devem ter muitas respostas. Mas vou analisar aqui a questão, a partir de um ponto de vista ético-histórico, sem personalismos e sem analisar questões econômicas (petróleo, etc.). 

Sobre a questão do petróleo, apenas ressalto que esta não é a mais importante. Sim, tem um impacto econômico e geopolítico global, mas não é a mais importante. Sim, motivou e motiva a queda de Maduro, depois que Hugo Chavez forçou a expropriação de duas companhias americanas (ExxonMobil e ConocoPhillipsem) em 2007, e a justiça internacional condenou a Venezuela a pagar indenizações, coisa que o país nunca honrou, a questão ainda está pendente e Trump quer resolver.   A Venezuela é dita ter a maior reserva de petróleo do mundo, o que interessa a todos os players globais (incluindo China, Rússia e Irã), mas os investimentos necessários para extrair esse petróleo são imensos. Além disso, vivemos a época da tecnologia artificial e os Estados Unidos possuem bastante petróleo.

A questão ética é muito mais importante. No fim, o que importa é em que base ética viverá a população da Venezuela. Por exemplo, sob qual ética passou a viver o Japão após a Segunda Guerra sob o domínio político dos Estados Unidos? Sob qual ética passou a viver o Iraque após a queda de Saddam Hussein sob o domínio dos aliados? Essas questões são bem mais relevantes do que a relação comercial que surgiu depois da queda dos regimes.

Os Estados Unidos atacaram o mausoléu do Hugo Chavez, coisa que não precisavam fazer. Gastaram rios de dinheiro ao fazer isso. O que ressalta mais ainda a importância da ética na questão. O mausoléu é um símbolo ético, social, político e ideológico. Até hoje, a cova de Karl Marx é visitada, assim como a cova do Alan Kardec é regularmente visitada pelos espíritas. Essas covas mantêm um tipo de ética.

Normalmente, um país é reconhecido por seus líderes políticos, mas existem muitos que comandam um país e não estão na mídia e, por vezes, sustentam os líderes políticos. Por exemplo, pensa-se no Brasil que Lula e o Alexandre de Moraes comandam o país, mas há muitos financiadores deles que estão ocultos e, por isso, podem mudar de lado político com mais facilidade. Na política, uma das regras é não confiar em ninguém.

No caso da Venezuela, o mundo conhece apenas o Maduro e a Corina Machado, mas quem são os outros políticos e financiadores de políticos (que podem ser narcoterroristas) que sustentam quem está no poder?

Vamos ver a posição dos Estados Unidos.

O secretário de Estado, Marco Rubio, anda a dar entrevistas sobre a Venezuela e tocou na questão da Maria Corina Machado. 

Ele disse: “María Corina Machado é fantástica. Conheço-a há anos e ela personifica todo o movimento… Mas estamos lidando com uma realidade. Queremos uma transição para a democracia, mas a maior parte da oposição está exilada e temos que pensar nas próximas duas ou três semanas, dois ou três meses…Os primeiros passos envolvem salvaguardar os interesses nacionais dos EUA e, ao mesmo tempo, beneficiar o povo da Venezuela… Chega de narcotráfico. Chega de presença iraniana/do Hezbollah lá. Chega de usar a indústria petrolífera para enriquecer todos os nossos adversários…”

Pela resposta dele, os Estados Unidos, primeiro, querem resguardar seus interesses nacionais, políticos e financeiros, garantir alguma liberdade ao povo venezuelano e, depois, lidar com as questões eleitorais da Venezuela. Ou querem apenas garantir os interesses nacionais dos Estados Unidos e deixar que os venezuelanos decidam o que fazer com a futura liderança política. Não vão colocar ninguém no poder.

Outra coisa, muita gente na mídia anda a relacionar a queda de Maduro com a derrubada de Saddam Hussein no Iraque e outros casos no Oriente Médio. Rubio chamou esses analistas de "palhaços". 

Ele disse: "A maioria dos especialistas que aparecem na televisão... eu assisto a esses especialistas e é uma palhaçada, entendeu? São pessoas que dedicaram toda a sua carreira ao Oriente Médio ou a alguma outra parte do mundo porque era lá que tudo acontecia. Muito poucos deles sabem ALGUMA COISA sobre a Venezuela, o hemisfério ocidental. A Venezuela NÃO se parece em NADA com a Líbia, não se parece em NADA com o Iraque, não se parece em NADA com o Afeganistão, não se parece em NADA com o Oriente Médio, a não ser pelos agentes iranianos que estão por lá, conspirando contra os Estados Unidos, entendeu? Esses são países ocidentais com longas tradições entre seus povos, em nível cultural e com laços com os Estados Unidos, então não há nada parecido.Então, acho que as pessoas precisam parar de comparar alhos com bugalhos, as coisas do Oriente Médio com as coisas do hemisfério ocidental."

Achei uma boa resposta dele. Sim, especialistas de relações internacionais nos Estados Unidos costumam não saber nada sobre o que ocorre na América Latina e nem se importam com a região em termos políticos ou éticos. Além disso, sim, o Oriente Médio, com sua ética islâmica, não parece em nada com a América Latina.

Então, qual é a minha opinião?

Bom, acho que realmente os Estados Unidos demonstraram, desde o início, que queriam apenas o Maduro; mesmo as lideranças militares foram deixadas intactas no ataque de 3 de janeiro. Nem mesmo outras bases militares da Venezuela, fora de Caracas, foram atacadas.

Na Venezuela, depois de discursos que reclamaram da ação dos americanos, a vice-presidente, Delcy Rodriguez, que não é reconhecida internacionalmente, já disse que quer cooperar com os Estados Unidos:


Se não olharmos para o Oriente Médio e sim para os casos latino-americanos de envolvimento dos Estados Unidos, mais ou menos reconhecido, o que podemos extrair da ação dos Estados Unidos?

Há vários casos, como o caso de Pinochet, que era próximo e amigo de Allende, mas o atacou e tomou o poder. Mas talvez o caso mais próximo da Venezuela seja o caso de Rafael Trujillo, ditador da República Dominicana, e Juan Bosch, seu opositor. Trujillo era perseguidr de comunistas, esquerdistas e de haitianos. Juan Bosch era de esquerda, mas era anticomunista; não era um Fidel Castro. Depois do assassinato de Trujillo, em 1961, com suposto apoio dos Estados Unidos, podia-se esperar que Bosch, que era muito popular, assumisse o poder. Mas não, o fantoche de Trujillo, Joaquín Balaguer, que estava no poder, continuou no poder junto com o filho de Trujillo, até sofrer um golpe. Bosch depois se elegeu, em 1962, mas não ficou nem um ano no poder, apenas 7 meses. Suas ações assustaram o mundo da Guerra Fria, que tinha medo de comunistas, e o país sofreu outro golpe.

Seguramente, Bosch não tinha apoio das forças armadas.

Depois de 27 anos com socialismo bolivariano, muito dificilmente Corina Machado tem apoio das forças armadas da Venezuela. Sem falar das milícias chavistas que assolam o país.

Em política, a estabilidade militar precede a democracia.

Talvez o governo Trump, além de seus interesses políticos e financeiros, que parecem assegurados com a vice de Maduro, saibam que precisa que o país fique estável militarmente e as ruas tranquilas, também para perseguir os narcoterroristas.

Corina Machado, de longe, me parece fantástica e justa. Mais vale ela eleita do que imposta pelos Estados Unidos. Mas quem garante que a ética do povo da Venezuela irá lhe eleger e respeitar? Quem garante que os partidos políticos corruptos venezuelanos irão respeitá-la?. A democracia costuma não eleger os melhores. E sim os mais próximos da ética do povo, seja ruim ou boa. Por isso mesmo muitos pensadores, como Platão,  Aristóteles e Kant não gostavam de democracia.


sábado, 3 de janeiro de 2026

Trump Derruba Socialismo Bolivariano na Venezuela


Povo venezuelano celebra na Venezuela e pelo mundo a queda do ditador Nicolás Maduro, que vai ser julgado nos Estados Unidos, por crimes de narco-tráfico contra os Estados Unidos


Aguardo para ver a reação do mundo, especialmente da Europa, que possui países militarmente irrelevantes, mas que devem dizer de que lado estão.

Outros ditadores e pseudo-ditadores da América Latina e também no Oriente Médio terão que ficar espertos, pois o poder deles pode ser também cirurgicamente acabado como acabou o de Maduro.

Muitos irão dizer que é uma questão de geopolítica (claro que é), que é uma questão de produção de petróleo (claro que é também) e tentarão reduzir a importância ética do que Trump fez. Mas o resultado ético é sempre o mais relevante, e é este que faz o povo celebrar a vitória e viver muito melhor sem o déspota. Isto é que importa. 



sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Filósofos e a Ética de Guerra, Desde Sócrates

 

Caros, tenho a satisfação de anunciar minha primeira publicação em Portugal — a terceira no continente europeu. O artigo, cujo preparo me proporcionou enorme prazer devido à leitura de inúmeros livros extraordinários, foi, sem dúvida, o mais divertido que já escrevi. Foi com grande honra que o vi aceito, de forma extremamente célere, pela prestigiada revista Nação e Defesa.

O artigo trata de como vários filósofos entenderam a ética de guerra desde Sócrates, passando por Tucídides, Platão, Aristóteles, Agostinho, Aquino, Vitoria, Kant, Bergson, Wittgenstein, Chesterton, Rawls, e outros.

Junto da publicação de meu texto, vieram outros excelentes que lerei com prazer.

Cliquem aqui e leiam meu artigo e outros da edição 172 da revista.