quinta-feira, 31 de março de 2022

A Briga pela Nova Ordem Mundial

 


O Gráfico acima mostra que o rublo (moeda russa) voltou hoje ao patamar pré-guerra. Assim, mesmo com todas as sanções ocidentais, a Rússia conseguiu, pelo menos por hora, reverter as perdas na sua moeda. Biden disse que o rublo iria ser reduzido a lixo ("ruble reduced to rubble"). 

O que houve?

A Rússia aumentou os juros internos, restringiu o envio de moedas ao exterior e resolveu pedir pagamentos em rublos pelas compras de gás. E a Europa, apesar de todo o "talk" em favor de sanções, continuou comprando tudo que a a Rússia vende de mais valor (petróleo, gás e fertilizante). Esses produtos ficaram fora das sanções europeias. Além disso, a Rússia obteve apoio de outros grandes consumidores de seus produtos como a Índia e a China. Conseguiu montar com apoio de países não-ocidentais um novo sistema de pagamento que escapa da sanções feitas pelo SWFIT e pelos cartões de crédito.

Tudo isso pode ser usado como explicação, mas não deixa de ser impressionante, a valorização do rublo, em tempos de guerra, em que praticamente todo o Ocidente procura condenar as atitudes de Putin, pelo menos da boca pra fora. Sem falar, na fragilidade da própria economia russa, cujo PIB é menor que o do Brasil.

A fraqueza moral do Ocidente, pendurado em sua dependência material, ficou exacerbada.

A guerra expôs seguramente uma briga gigantesca pelo o que todo mundo chama de Nova Ordem Mundial, em que os Estados Unidos se mostram um gigante que deseja dormir de quatro.

Hoje, também li que Arábia Saudita e Israel estão se unindo como nunca para evitar o novo acordo nuclear com o Irã, que os Estados Unidos e Europa procuram realizar. Isso certamente vai ter um impacto gigantesco.

Geralmente, se fala do aspecto cultural da Nova Ordem Mundial, e geralmente se olha para ONU, que procura patrocinar ideologia de gênero, aborto, feminismo e ambientalismo doentio e destruidor.  Estes fatores são até mais importantes que os fatores econômicos. Mas o materialismo doentio do Ocidente que o faz se sujeitar a países párias também está na conta.
 
Certa vez eu li que o pensador católico Christopher Dawson ao chegar em Nova York disse que ficou impressionado pela enorme riqueza material. E disse (da forma mais menos que lembro de cabeça): "na antiguidade, o Egito fez as pirâmides para enterrar seus deus-reis, na Idade Média foram feitas belíssimas catedrais, mas hoje arranha-céus são bem maiores que pirâmides e catedrais, e são feitos para vender chicletes".



quarta-feira, 30 de março de 2022

Os Defensores de Putin e a Guerra Injusta Dele

Os defensores de Putin (seja Viganò ou Bolsonaro), entre os conservadores, se apegam a falas de Putin contra a ideologia de gênero ou contra o politicamente correto e nunca sobre a invasão da Ucrânia, nem muito menos sobre o próprio posicionamento de Putin dentro da Rússia, de ditadura opressora de mais de 20 anos, que tem enormes custos sociais, por ele ser parceiro próximo da China e do Irã, muito menos sobre que Putin não luta, por exemplo, contra o aborto ou sobre que ele domina a Igreja Ortodoxa Russa. Sem falar que os defensores de Putin se apegam em uma falácia lógica: geralmente tentam convencer dizendo que se alguém é contra Putin é porque é a favor do Lula, da ONU, do politicamente correto, da ideologia de gênero, do Zelensky, etc. Mas uma coisa não tem nada a ver com a outra.

Hoje, li um artigo do filósofo católico Edward Feser que corrobora tudo que tenho falado aqui sobre o posicionamento do arcebispo de Viganò, em que ele se mostra em apoio a Putin na Guerra da Ucrânia. Eu critiquei o posicionamento de Viganò em dois posts (primeiro aqui, segundo aqui).

O artigo de Feser traz a posição dos pensadores Roberto de Mattei, John Lamont e Pater Waldstein.

O artigo é muito bom realmente, como é usual com Feser.

Leiam abaixo:

Unjust war and false masculinity

I commend to you three excellent articles by traditionalist Catholic scholars on the grave injustice of Russia’s invasion of Ukraine: historian Roberto de Mattei’s “Russia's War and the Message of Fatima”; philosopher John Lamont’s “Putin’s Attack on Ukraine”; and theologian Pater Edmund Waldstein’s “The War in Ukraine in the Light of Just War Principles.”  There is a reason why I emphasize that the injustice is grave, as I have in my earlier commentary on the war.  Few among those who have expressed sympathy with the Russian side in the conflict have claimed that the invasion meets just war criteria (unsurprisingly, since it manifestly does not).  They have tended instead to emphasize Putin’s purported virtues and the vices of Zelensky and his Western supporters – as if these somehow balance out the destruction of cities and the deaths of thousands of human beings. 

This is madness.  Failure to meet just war criteria is not a mere technical foible or procedural lapse.  An unjust war is among the very greatest of evils.  It is mass murder.  Yet some people who rightly decry the slaughter of the unborn, fret over potential health hazards of mandatory Covid-19 vaccination, and condemn the economic destruction of lockdowns can barely muster a disapproving shake of the head for the dead, the wounded, and the dispossessed of Ukraine.  Again, this is madness.  What accounts for it?

We find clues in the articles linked to – specifically, in what Lamont has to say about Putin’s false masculinity, in de Mattei’s critique of the oikophobia of Putin’s Western apologists, and in Waldstein’s remarks about the role of the passions in people’s reaction to the war.  These factors are united in the delusion that Putin’s actions somehow reflect manful resistance to Western decadence and apostasy. 

To be sure, there is no question that the West is indeed decadent and largely apostate.  There is no question that liberalism is foolish and feckless at best, and that wokeness is positively wicked and insane.  It is nauseating to watch Western politicians, CEOs, and educators routinely grovel before wokeness’s “smelly little orthodoxies” (to borrow Orwell’s phrase), rather than doing everything in their power forever to expunge them from our institutions, root and branch.  It is understandable that decent people would be tempted to admire a leader who instead treats woke dogma with the contempt it deserves

But the temptation must be resisted, and to think that a few traditional-sounding words and gestures make Putin’s invasion of Ukraine one iota less evil is about as stark an example of a non sequitur as can be imagined.  Nor is it actually true that he represents a salutary masculine counterpoint to Western effeminacy.  Noting the brutality with which Putin targets civilians in war, and the violence and manipulation by which he maintains himself in power, Lamont writes:

This feature of Putin’s rule should be kept in mind by Catholics and conservatives who see him as in some way a defender of traditional or Christian values.  Putin’s opposition to gender and LGBT etc. ideology is no doubt genuine.  It is of course not a mark of Christian commitment, since Hitler, Stalin, and Mao Tse-tung also either opposed these things or would have opposed them if they had known about them.  The nature and significance of Putin’s opposition to this ideology needs to be understood.  It is the opposition of one evil to the evil at the opposite extreme from it.  Gender ideology denies manhood entirely.  Putin’s actions and ideology spring from an unregenerate masculinity that is twisted into an evil form, that takes the masculine characteristics of aggression and assertion and perverts them into an extreme of brutality and merciless cruelty.

End quote.  If the admiration some Catholics and conservatives have for Putin is rash, so too is their apparent forsaking of their own civilization.  De Mattei notes how, even when the Western Roman Empire was steeped in decadence, Christians dutifully rallied to its defense against more virile barbarian invaders.  They did not let the sins of their homeland blind them to the reality that it was their homeland.

By contrast, some contemporary traditionalists, rather than fighting for the West against all enemies, foreign and domestic, seem more inclined to abandon her to the domestic enemies and root against her in her rivalry with the foreign ones.  But genuine masculinity would eschew such defeatism and oikophobia, in favor of filial loyalty and fighting spirit.  De Mattei writes:

The West is the firstborn son of the Church, today increasingly disfigured by Revolution, but still the firstborn.  A European who disowns it on the pretext of fighting the New World Order is like a son who disowns his mother…

In the fifth century the Goths, the Vandals, and the Huns invaded the Roman Empire to divide its spoils.  Today Russia, China, Turkey, and the Arab world want to seize the rich heritage of the West, which they consider, as has been said, “terminally ill.”

Someone may say: where are you, Stilicho who resisted to the Goths; where are you, Boniface who defended Africa from the Vandals; where are you, Aetius who defeated the Huns?  Where are you, Christian warriors who took up arms to defend a world that was dying?

End quote.  Now, apart from the situation in Ukraine, the battles most contemporary Christians and traditionalists face are not the violent ones our forebears confronted.  They are cultural and political in nature.  Yet, as woke insanity spreads throughout government, corporations, the military, and universities, as police are defunded and workers harassed with pointless mandates, the response of some of the people most impressed by Putin’s purported manliness seems to be a “Benedict Option” style retreat: “Flee the blue states!  Shun the military and the police force!  Run from academia!  Quit the corporations!  Don’t even bother to vote, the system is rigged!  These institutions are all rotten; abandon them to the wokesters!”

Put aside for the moment the irony that a mass exodus of traditionally-minded people from these institutions is exactly what the wokesters want.  Put aside the glaringly obvious strategic problem that the more territory you abandon, the smaller and more vulnerable is any area to which you might retreat.  The salient question for present purposes is: How is this defeatism manly? 

I don’t deny that the circumstances of some particular individuals and families may require relocating, seeking new employment, or what have you.  But abandoning institutions to the woke should be the exception rather than the rule.  The rule should be fighting tooth and nail for every square inch of cultural and political territory.  If an institution is lost, it should never be because it was surrendered.  Premature capitulation is not masculine.  And, to echo de Mattei, a true son of the West will not despair of her and her institutions or flee from them in fear, but redouble his efforts to reclaim them.

That brings us to some remarks from Fr. Waldstein’s essay:

The passions were given us by our Creator to assist us in acting, to help us respond rightly to the goods and evils that we encounter in this life.  The passions are like powerful horses pulling the chariot of the soul toward action.  But of course, passion is not a sufficient guide to human action.  In order to be good guides to action, passion must be informed and guided by reason.  The virtuous man “is not passion’s slave.”  This does not mean that he lacks passions, but rather that he feels them in the right way, and toward the right objects, so as to preserve the true good apprehended by reason.  Reason is like the charioteer who controls the horses of the passions with reigns and whip, so that they draw the chariot in the right direction, and at the right speed, so that it does not capsize at a corner.

There is a danger in human life of being swept along by passion beyond the measure of reason.  This is danger is certainly strong in war time.

End quote.  Now, there are certainly some on the anti-Putin side who have let passion cloud their reason – most especially, those eager for NATO to enter the war, which, as Fr. Waldstein argues (and as I have argued too), would violate just war criteria no less surely than Putin’s invasion does.  And some of this fanaticism is clearly motivated by grievances having nothing to do with Ukraine, such as rage at Putin’s anti-LGBT policies and the delusion that the Russians somehow tipped the 2016 U.S. presidential election against Clinton.

But the faults of some of Putin’s critics simply don’t make his invasion of Ukraine any less evil.  And those who pretend otherwise have also let passion cloud their reason.  If downplaying the gravity of Putin’s crime as a way to “own the libs” has appeal for some, that appeal can only be emotional rather than rational.  Needless to say, that too hardly fits any stereotype of masculinity. 

At the end of the day, even genuine masculine fortitude and sobriety can only ever be an instrumental cause.  From a Catholic point of view, the true solution to the crisis of our age must come from above – from (to give de Mattei the last word) “the triumph of [Our Lady’s] Immaculate Heart over the rubble of the Putin regime, the Chinese communist regime, the Islamic regimes, and those of the corrupt West.  Only she can do it; of us she asks an unshakable trust that this will happen, because She has infallibly promised it.  This is why our resistance continues.”

 

sábado, 26 de março de 2022

Os Biiliionários Russos e a Guerra.

 


O quadro acima mostra o que 10 homens mais ricos da Rússia fazem. Pelo ranking do Indice de Bilionários da Bloomberg, o mais rico deles, é Vladimir Potanin, que está na posição 53 do ranking.

 Para se ter uma ideia, comparando com os brasileiros mais ricos, o Brasil só tem um ricaço entre os 100 homens mais ricos do mundo, e ele está na posição 68. É o carioca Jorge Paulo Lemann, que trabalha principalmente no ramo de bebidas (Ambev). O Brasil tem PIB maior do que a Rússia, mas tem bem menos ricaços entre os 100 mais ricos do mundo.

Basicamente, os ricaços russos enriqueceram no ramo de commodities (metais, gás e fertilizantes). O artigo do site Zero Hedge afirma que esses bilionários russos estão perdendo muito dinheiro com a guerra. 

Mas também nos diz que eles estão meio que acostumados com as sanções ocidentais ligadas ao governo de Putin, desde que Putin tomou a Crimeia da Ucrânia em 2014.

O site também nos diz que o mais rico da Rússia, Potanin, é muito próximo de Putin, assim como o dono do clube de futebol Chelsea (atual campeão mundial), Roman Abramovich. 

Onde estarão alocados os ativos desses desse ricaços russos? Seguramente, centenas de  companhias ocidentais importantes têm dinheiro de investimento deles. Se as sanções poupam as empresas ocidentais, também poupam os bilionários russos. 
 


quinta-feira, 24 de março de 2022

Consagração da Rússia - Nossa Senhora "terra do Céu"????

Apareceu agora a noite mais uma controvérsia com relação à consagração da Rússia para Nossa Senhora que vai acontecer amanhã. Quem me mostrou essa controvérsia foi meu ex professor de teologia, Dr Taylor Marshall. Marshall mostrou inclusive arcebispo conclamando que Francisco reverta o erro

A questão é a seguinte: no documento no qual Francisco conclama os católicos a participar da consagração, ele diz na versão em português:

Por isso acolhei, ó Mãe, esta nossa súplica:

Vós, estrela do mar, não nos deixeis naufragar na tempestade da guerra;

Vós, arca da nova aliança, inspirai projetos e caminhos de reconciliação;

Vós, «terra do Céu», trazei de volta ao mundo a concórdia de Deus;"


Apareceram duas controvérsias ao se chamar Nossa Senhora de "terra do céu":

1) Na versão em inglês temos:

Therefore, O Mother, hear our prayer.
Star of the Sea, do not let us be shipwrecked in the tempest of war.
Ark of the New Covenant, inspire projects and paths of reconciliation.
Queen of Heaven, restore God’s peace to the world.

Assim, na versão em inglês não aparece "terra do céu" (earth of heaven), mas sim Rainha do Céu (Queen of Heaven). 

Mas nas versões em espanhol aparece "tierra del Cielo" .

Na versão em Italiano temos também "terra del Cielo".

Por que mudaram em inglês???

2) Chamar Nossa Senhora de "terra do céu" é bem estranho, lembra deusas pagãs (Pachamama?).

A expressão "Rainha do Céu" todo católico, em qualquer lugar do mundo, conhece, em qualquer língua.

A expressão "Estrela do Mar" também é conhecida (Stella Maris). Mas "terra do céu" eu nunca vi. Vocês viram?

A denominação "terra do Céu" para Nossa Senhora não está identificada nem no Google.

Pedir coagração a "terra do Céu" ???

Eu, heim.



Viganò Responde a Weigel.

 


Oh Deus, quanta miséria e baixaria entre ilustres católicos! Na semana passada comentei o que chamei de teoria da conspiração de Viganò sobre a guerra da Ucrânia. Usei um texto que o defendia e também usei um texto que o atacava, de autoria do ilustre católico George Weigel.

A imensa maioria das pessoas que conhecem o pensamento de Viganò sobre a guerra da Ucrânia ataca os argumentos dele, Weigel era apenas mais um.

Mas Viganò sentiu o golpe de Weigel, talvez pelo fato de que Weigel é muito conhecido.

Então, ontem vi que Viganò resolveu responder a Weigel. 

Como eu tratei do assunto, me senti obrigado a apresentar a resposta de Viganò, mas eu preferia que ele não tivesse feito isso. Ficou muito feio. Se tinha ficado um pouco feio da parte de Weigel quando ele disse que Viganò tinha perdido toda a autoridade moral, um exagero estúpido por parte de Weigel, ficou mais feio para Viganò com a resposta que deu.

A resposta de Viganò foi publicada pelo site Church Militant, cliquem aqui para ler toda a resposta. Vou apenas resumir e dar minha opinião sobre a resposta dele.

O texto de Viganò se chama The Uncrossable Red Line (A Linha Vermelha que Não se Pode Cruzar).

Nos primeiros 5 parágrafos, Viganó ataca pessoalmente Weigel, a filha de Weigel, o genro de Weigel e o católico Roberto de Mattei. Um negócio realmente feio, que foge do tema e joga ataques muitas vezes gratuitos, que rotulam as pessoas como suspeitas. Típico de gente sem noção na internet. Não se deve fazer isso, prejudica-se a imagem das pessoas, e geralmente se terá muita dificuldade de se provar as acusações.

Depois desses 5 primeiros parágrafos, Viganò começa a responder as críticas de Weigel, mas em geral, Viganò não responde, porque o que ele responde não foi atacado por Weigel. Pois Weigel fez um resumo dos argumentos de VIganò, não os analisou pontualmente, apenas quis mostrar que a abordagem geral de Viganò era um absurdo.

A palavra "Putin" não está presente em nenhuma parte da resposta de Viganò. Por que Viganò continua poupando Putin é verdadeiramente uma desgraça. 

Viganò coloca como vítima um país que ajudou a rebeldes ucranianos a tomar duas regiões da Ucrânia e um país que invadiu a Ucrânia em 2014 e tomou a região da Crimeia. Um país que tem um ditador no poder desde 1999.

Que tal Viganò perguntar aos líderes da Polônia e Hungria, que atualmente são conservadores e cujos países já estiveram sob domínio russo, o que eles acham de Putin?

Viganò responde basicamente dizendo que a Ucrânia é um país corrupto e que deseja se unir aos globalistas ocidentais. Claro que isso é verdade, mas Weigel não negou isso.

Viganò diz que a revolução Euromaidan de 2013 que derrubou o presidente ucraniano Ianukovytch, que favorecia a Rússia, teve apoio do globalista George Soros. Mas o que isso nos diz sobre a justiça da revolução? O financiamento de Soros a qualquer coisa torna imediatamente a coisa em imoral e errada? Será que o financiamento de Soros, se comprovado, foi o grande catalisador da revolução, ou ele veio a reboque da população? Ianukovytch já era conhecido como político corrupto. Aliás, tanto a Rússia como a Ucrânia são conhecidos como países em que a corrupção é muito dominante. Mas Viganò se coloca apoiando Ianukovytch sem critério.

Viganò diz que há laboratórios biológicos na Ucrânia sim como diz a Rússia. Mas o que serve isso para determinar a justiça da guerra? Além disso, Weigel não entrou nessa questão.

Viganò diz que Biden tem relações corruptas com a Ucrânia, fato muito conhecido por todos, mas que não determina a justiça da guerra, e, outra vez, Weigel não tratou especificamente disso.

Viganò diz que ucranianos perseguem os russos nas regiões ucranianas que os separatistas com apoio da Rússia tomaram da Ucrânia. Isso é verdadeiramente um argumento absurdo. As regiões eram da Ucrânia. Certamente houve violência dos dois lados, mas de que lado está a justiça? Certamente da Ucrânia.

Viganò então responde ao que ele mesmo disse. Viganò no seu texto original disse ter esperança em uma "Terceira Roma" liderada pela Igreja Ortodoxa Russa. O que é outro absurdo vindo da parte de um arcebispo católico. Viganò tenta amenizar sua argumentação dizendo que só quer a paz.




Video: Live com Prof. Hermes Nery sobre Consagração da Rússia


Aqui vai o vídeo da live que fiz ontem a convite do professor Hermes Nery, para debatermos a consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.


quarta-feira, 23 de março de 2022

Live sobre Consagração da Rússia

 

Fui convidado pelo ilustre professor católico Hermes Nery para uma live sobre a Consagração da Rússia ao Imaculado Coração de Maria.

É hoje às 21h. Aqui vai o link no YouTube 

https://www.youtube.com/watch?v=yjZn8XpxhUw


Para que Servem Regras Litúrgicas? Imagem de Francisco Desprezando Liturgia

 


Francisco foi "concelebrar" missa com jesuítas para relembrar 400 anos de canonização de Santo Inácio de Loyola e São Francisco Xavier. E daí aconteceu o que se vê na foto. 

O fato foi comentado por dois padres.

Mas antes de mostrar o que disseram os padres respondamos: por que precisamos das regras litúrgicas? Ora, a resposta pode se ver no batismo de Cristo e nas tentações de Cristo. Por que Cristo que é Deus precisa ser batizado? Por que Cristo que é Deus precisava passar fome no deserto e ser tentado pelo demônio? Ora, para nos mostrar a importância de seguirmos as regras da justiça divina.

Vejamos o que disseram os padres.

O padre John Zuhlsdorf  disse que aquela foto vale mil palavras.  E completou:

"No altar da grande igreja jesuíta em Roma, Gesù (localização da tumba de Inácio e braço de Francisco Xavier), como o principal celebrante NÃO está o clérigo maior hierarquia (o papa), mas sim o chefe dos jesuítas...

De pé entre os celebrantes “secundários” e obviamente concelebrando, está um velho jesuíta, o cara de branco.

 Nao usa a vestimenta branca dos celebrantes.  Não usa casula.  Nem mesmo uma estola.

 Lembro-me da velha frase: Tão perdido quanto um jesuíta na Semana Santa.

 Os jesuítas são notoriamente negligentes em assuntos litúrgicos... embora haja exceções e talvez alguns dos homens mais jovens sejam mais conscienciosos.

 MAS… isso é simplesmente TERRÍVEL.  A desconsideração da propriedade litúrgica e da sensibilidade dos fiéis está aqui em escala global."

O padre Gerald Murray também comentou o desprezo total de Francisco pelas normas litúrgicas.  Disse:

"A teologia e o direito litúrgicos não admitem que um bispo, muito menos o bispo diocesano em sua própria diocese, concelebre a missa com um padre sendo o celebrante principal.  Isso decorre da natureza do ofício episcopal: o bispo é o sumo sacerdote em sua diocese.  Ele oferece o sacrifício da Missa por seu povo, enquanto seus sacerdotes, colaboradores que servem a Igreja local sob sua autoridade, concelebram com ele.

 A Missa começou com a habitual procissão de entrada.  O Papa Francisco já estava sentado em uma cadeira perto do altar.  Ele não usava paramentos litúrgicos e, portanto, não deu nenhuma indicação de que estava concelebrando ou presidindo.  Ele pregou sem usar as vestes litúrgicas (mozetta e estola) que são prescritas para serem usadas quando o pregador não é aquele que celebra a missa.

 Ele concelebrou, estendendo a mão e dizendo as palavras de consagração, sem usar paramentos de missa (alva, estola e casula).  Esta prática é estritamente proibida.  Em sua Instrução Redemptionis Sacramentum de 2004, a Congregação para o Culto Divino declarou: “É reprovado o abuso pelo qual os ministros sagrados celebram a Santa Missa ou outros ritos sem vestimentas sagradas”.

 O papa está sujeito à lei litúrgica?  sim.  Ele pode dispensar-se das leis litúrgicas?  Sim, mas o cânone 90 afirma que deve haver “uma causa justa e razoável” para uma dispensa".  O Papa Francisco se dispensou canonicamente da exigência de usar vestes litúrgicas ao pregar e concelebrar a Missa?  Ele pode ter, mas a Santa Sé não deu nenhuma indicação de que ele de fato o fez.

Havia uma causa justa e razoável para o papa não usar as vestimentas litúrgicas prescritas?  É muito difícil, se não impossível, afirmar que tal causa existiu neste caso.

 Somos confrontados aqui com uma realidade com a qual os católicos estão muito familiarizados na vida da Igreja durante o último meio século e mais – o flagrante desrespeito às leis litúrgicas sem motivo aparente além da preferência do sacerdote celebrante.

 Este é um assunto importante?  Para alguns, sem dúvida, tais abusos litúrgicos são insignificantes e não merecem qualquer comentário.  Alguns dirão que o papa pode fazer o que quiser, e não devemos ficar chateados com esta ou aquela escolha dele: “Ele deve ter uma boa razão, e é impertinente questionar seu julgamento, porque, afinal, ele é  o Papa."

Mas é precisamente porque ele é o papa que devemos nos preocupar com sua decisão de desconsiderar as regras que regem a celebração da Missa. O papa é a autoridade suprema na Igreja e, como tal, é chamado a defender as leis da Igreja, para que não  escandalizar os fiéis dando um mau exemplo.  O escândalo consistiria em dar a impressão de que, a exemplo do papa, qualquer sacerdote é perfeitamente livre para fazer o que quiser quando se trata de seguir a lei litúrgica.

 Não é segredo que muitos católicos acorreram à celebração da Missa Tradicional em Latim porque estão cansados ​​dos abusos litúrgicos generalizados que encontram na celebração da Nova Missa. O próprio Papa Francisco está ciente disso.

 Ele levantou esse problema em sua carta de 16 de julho de 2021 aos bispos do mundo que acompanha a Traditionis Custodes, seu motu proprio restringindo a celebração da Missa Antiga: “Estou entristecido pelos abusos na celebração da liturgia por todos os lados.  Em comum com Bento XVI, deploro que "em muitos lugares as prescrições do novo Missal não sejam observadas na celebração, mas cheguem a ser interpretadas como uma autorização ou mesmo uma exigência de criatividade, o que leva a distorções quase insuportáveis  .'”

 Ele aconselhou os bispos: “Peço-lhes que sejam vigilantes para que toda liturgia seja celebrada com decoro e fidelidade aos livros litúrgicos promulgados após o Concílio Vaticano II, sem as excentricidades que podem facilmente degenerar em abusos”.

 As próprias palavras do Papa Francisco servem como uma repreensão à sua decisão de concelebrar a Missa sem paramentos litúrgicos.  O caráter sagrado de nossos atos de culto é fomentado e protegido quando padres e bispos seguem de boa vontade e cuidadosamente as exigências da lei litúrgica.  Os fiéis cristãos têm o direito de participar da oração litúrgica sem serem obrigados a experimentar “distorções insuportáveis” da boa ordem litúrgica.  Esse direito depende da vontade dos padres e bispos de obedecer ao que está estabelecido na lei litúrgica.

 Não há privilégio clerical que permita a padres e bispos reescrever as regras de acordo com seus próprios gostos.  No entanto, isso é precisamente o que alguns padres e bispos infelizmente tirarão desse lamentável caso de abuso litúrgico papal.

 A adoração a Deus é o dever sagrado dos pastores da Igreja.  A forma desse culto é dada a eles pela Igreja.  É sua responsabilidade fazer com que cada ato de culto litúrgico seja realizado em amorosa fidelidade ao que é estabelecido pela Igreja em suas leis litúrgicas.  A desobediência ensina a lição errada de que a lei da Igreja não é importante.

 Esta é uma receita para mais caos na vida da Igreja.  Isso precisa parar."