sábado, 20 de março de 2021

Rock e Doutrina Católica (😲)


Acho que o rock tem muita chance de falar besteira, de dizer palavrão e até de chegar a idolatrar o demônio. Mas pode-se encontrar luz rara em pouquíssimas músicas que podem incomodar o capeta. Dizem que o rock não é de esquerda, nem é  de direita, é "apenas contra o sistema". Eu não entendo esse negócio de "sistema", mas acho que nenhum ritmo musical é necessariamente de uma ideologia (a não ser o ritmo que tem as músicas do Chico Buarque e do Gonzaginha, hehehe).

Interessante é que no livro Confissões, Santo Agostinho (Livro X) conta como os cânticos dos salmos mexiam com as sensações dele, faziam-no até chorar. Mas Agostinho não valoriza essas sensações, pede a Deus para que as afaste dele e lhe perdoe, pois a música afastava as pessoas de observar atentamente e moderadamente as palavras dos Salmos. A Renovação Carismática Católica devia levar a sério essa observação de Agostinho. Ele chega a citar Santo Atanásio, que exigia que os salmos fossem cantados bem lentamente e de forma muito moderada. 
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O rock tem muitas músicas que podem que nos trazer sensações que nos tiram de si, nos encorajam a fazer algo (bom ou ruim). Quem consegue ficar sem sentir nada ouvindo por exemplo Smell Like Teen Spirit (Nirvana) ou La Grange (ZZ Top), Sweet Child O' Mine (Guns N' Roses) ou mais recente Bring Me to Life (Evanescense)? 

Eu acho que, em termos de música (não de letra) no rock, ninguém nunca superou Pink Floyd. Lembro onde eu estava quando ouvi "Comfortably Numb" pela primeira vez e fiquei estupefato. As letras do Pink Floyd em geral não são elevadoras do espírito, mas a música traz sensações sim.

Vamos seguir Santo Agostinho, iremos aqui nos ater às letras dos rocks selecionados, tentando mostrar alguns rocks que apresentam alguma mensagem que reflita de algum modo a Doutrina Católica. Aliás, como diz aquela música de Chris de Burgh (Turning Around), que um bêbado de minha cidade gostava de cantar: "For Flying is that ancient art of keeping one foot on the ground(voar é a antiga arte de manter um pé no chão). Devemos ter receio das sensações e manter um pé no chão..

Outro dia eu estava lendo o fantástico livro Faith and Reason, que conta a história de conversão de filósofos católicos. No livro, Edward Feser contou que estudou muito na juventude a teologia apresentada pela letra do rock Sympathy for the Devil (Rolling Stones). 

Aqui vai um post sobre letras de rock e Doutrina Católica. Não se aprende Doutrina Católica em nenhum tipo de ritmo, nem no Gregoriano, mas pode-se reconhecer essa Doutrina em letras de músicas de diversos tipos. É preciso que a pessoa já conheça a Doutrina. Aqueles "que não têm ouvidos" (isto é,  não aprenderam a Doutrina) não saberão do que se trata. Com uma boa seleção de música, pode-se celebrar a Doutrina com os que têm ouvidos.

Há algum tempo o jornal New York Times fez uma seleção de 50 músicas de rock conservadoras.  Não tinha nenhum rock brasileiro. Como em Santo Agostinho, o foco são as letras das músicas. Por isso, todas são em inglês. 

No colégio,  eu tinha um amigo rockeiro que dizia que só se faz rock em inglês.  Ele tinha certa razão,  a sonoridade da língua ajuda. 

Na seleção do New York Times, a dita música conservadora por vezes é apenas libertariana e isso não é conservadorismo, para mim.  Senti falta de algumas músicas como a belíssima The Living Years do Mike and the Mecanics. E também senti falta de alguns cantores, como Jeff Buckley, que tinha uma voz espetacular, cantou belissimamente a Hallelujah de Leonardo Coen e tem uma belíssima música chamada What You will Say?. Também senti falta de Eric Clapton. Ele tem uma música para Nossa Senhora, chamada Holy Mother (tem um vídeo no youtube que ele canta a música com Pavarotti). Esta música de Clapton não é rock, é mais para pop, mas ele é um célebre rockeiro. Clapton, como pessoa, não chega a ser um exemplo,  tem música para cocaína (Cocaine) e para mulher dos outros (Layla), mas aqui analisamos só as músicas e não a santidade dos cantores e bandas. Não cometemos a falácia ad hominem, o foco são as letras.

Mas o que mais faz falta na seleção do New York Times é Bob Dylan. Só tem uma música de Dylan na lista, uma que é em favor de Israel. Mas Bob Dylan tem muitas músicas "gospel", como Slow Train Coming ou Property of Jesus ou  Saving Grace. Eu não sou fã de Dylan, não gosto do som, nem da voz dele. Mas ele tem muito mais músicas conservadoras/cristãs.

Há alguns rocks que eu gosto muito como Black (Pearl Jam) ou Hotel California (Eagles) ou Hey Joe (Jimmy Hendrix) ou Gimme Shelter (Rolling Stones),  que possuem letras e música fantásticas, mas estão bem longe do tema Doutrina Católica. Dylan, por outro lado, tem inúmeros versos cristãos.

Em todo caso, a seleção do New York Times é boa.

Sobre letras que pode-se ver Doutrina Católica, para mim, a melhor é "Sympathy for the Devil", de Rolling Stones.  A seleção do New York Times a colocou em terceiro lugar. A música que ficou em primeiro lugar foi Won't Get Fooled Again (The Who), que me parece um canto de guerra contra a cultura dominante. Em segundo lugar, ficou uma música dos Beatles contra a taxação (Taxman), esse tipo de coisa não é conservadorismo para mim. 

A música Sympathy for the Devil lembra o livro "Cartas de um Diabo para seu Aprendiz" de C.S.Lewis, como diz o próprio New York Times. O detalhe é que para entender que a música é luz e não trevas deve-se conhecer inglês e teologia.  Caso contrário,  o satânico burro acha que é pra ele. Certa vez a Folha de São Paulo escreveu que esta música tem inspiração no Brasil.  Rolling Stones assistiu sessões de Umbanda no Brasil. Faz todo sentido. 

A banda Queen tem uma música chamada "Jesus",  a letra está OK com a Doutrina,  mas a música é ruim e isso não ajuda. "Sympathy for the Devil " tem letra e música fantásticas. 

Beatles na seleção sobre conservadorismo?  Pois é, por vezes tem-se Doutrina Católica até em quem nitidamente parece detestar a Igreja. Uma das músicas dos Beatles escolhida é "Revolution" que fala mal do comunismo. A Igreja tem várias encíclicas contra o comunismo até antes do nascimento de Karl Marx como mostrei no meu livro Ética Católica para Economia. 

Tem U2 também,  mas eu escolheria outra musica do U2, do "católico" pró-aborto Bono Vox.  O New York Times selecionou "Gloria" do U2, apenas porque tem versos em latim para Deus, mas eu escolheria "Stuck in a Moment" deles, que é uma ode a pessoas para que sigam em frente mesmo em tempos de luto pois "these tears are going nowhere". 

Sobre rock brasileiro, acho que "Tente Outra Vez", de Raul Seixas, é muito boa para fortalecer o espírito, Daniel na Cova dos Leões (Legião Urbana) é, para mim, a melhor música da Legião, mas a letra não tem nada a ver com o profeta Daniel, gosto ainda de "Declare Guerra" (Barão Vermelho), Inútil (Ultraje a Rigor), e mais recentemente,  eu gosto de "Tudo que Vai" (Capital Inicial), mas esta última é bem mais pop do que rock.  Em geral, os rocks brasileiros, daquelas que são consideradas as melhores bandas do Brasil, são muito fracos em termos de letra ou são muito politizados de esquerda ou são tortos romanticamente.

Aqui vão seis vídeos de músicas, sendo seis da seleção do New York Times, um de Dylan que não está na seleção, outro de Tente Outra Vez de Raul Seixas, que também não aparece na seleção, e o último é Hallelujah, cantada pelo saudoso Jeff Buckley. Hallelujah não é rock, mas eu não resisto a essa versão do rockeiro Jeff Buckley. Procurem pelas letras.

1) Sympathy for the Devil- Rolling Stones 



2) Get Over It - The Eagles (contra vitimismo)



3) Revolution - Beatles 



4) Bodies - Sex Pistols (contra aborto)



5) Stay Together for the Kids - Blink 182 - contra divórcio. 




6) Would not be Nice - Beach Boys - sobre sexo só após casamento 



7) Saving Grace - Bod Dylan



8) Tente Outra Vez - Raul Seixas



9) Hallelujah - Jeff Buckley



15 comentários:

Anônimo disse...

Olá amigo!
Eu sou um ignorante no assunto, mas o texto de Orlando Fedeli "Rock, revolução e satanismo" me marcou profundamente quando o li há muitos anos.
Um abraço e bom fds.
Gustavo.

Pedro Erik disse...

Ok, meu caro Gustavo.

Grande abraço,
Pedro Erik

Anônimo disse...

Caro Pedro,
Creio que o senhor muito se equivoca nesse post. Primeiro ao afirmar que música sacra (citou a Gregoriana) não ensina doutrina. O Papa Pio XII escreveu uma encíclica sobre isso e deixa muito claro que os versos ensinam sim pois penetram no coração, e as verdades de fé são gravadas profundamente desde a tenra idade. Sugiro que leia com atenção a MUSICAE SACRAE DISCIPLINA.

Também se equivoca no conceito trazido em posts anteriores ao discutir sobre hipocrisia, sendo que podemos nos alimentar com conteúdos produzidos mesmo pelos piores pecadores. Não basta Elton John, nesse post você indica uma série de "artistas" que em suas letras exaltam o mundo, seus prazeres e em suas vidas pessoais muitos inclusive blasfemam diretamente contra Deus, ou então blasfemam ao afirmarem que Deus sequer existe.

Você consegue imaginar um grande Santo se emocionando com essas músicas? Se não, por que indicar? Nossa vida deve refletir por completo nossas crenças. Pois se um católico acha que domingo pela manhã pode escutar Nirvana e a tarde ir à Missa é no mínimo um liberal achando que pode ter vida dupla.

Sim, já ouvi em minha juventude Pink Floyd, já me emocionei com a Comfortably Numb. Mas ganhando maturidade de idade e maturidade de fé aprendi que não devemos ter contato com obras que nos seduzam de maneira sensível com conteúdos que sejam contrários a fé católica. Pink Floyd é pura gnose, é puro ateísmo. Essa sensibilidade não é divina.

Jamais devemos indicar esse tipo de conteúdo pois católicos incautos podem passar a apreciar aquilo que vai contra Deus, e temo que o senhor ao indicar possa estar cometendo o pecado de escândalo colocando os outros em situação de pecado. É necessário o mínimo de responsabilidade.

Reflita sobre as cartas de São João que nos ensinam a não ter parte com quem vai contra Deus, ou de São Tiago a não mantermos amizade com o mundo pois o mundo é contra Deus, assim como toda a origem rebelde e anti-católica do Rock. Não podemos ser liberais, não podemos servir a dois senhores.

Ademais, aprofunde-se no canto gregoriano e conhecerás a beleza da qual a Igreja glorifica à Deus por séculos. Por último, o direcionamento de um bom Padre fiel às verdades católicas te trará mais clareza sobre esses assuntos.

Anônimo disse...

A afirmação:

"Sympathy for the Devil " tem letra e música fantásticas.

... É algo deplorável de se ler Pedro. Sinceramente não sei de que águas tem bebido, ou se a afirmação reside no fato de "fantástico ver até onde chega a decadência humana". Quero estar profundamente errado porque minha interpretação foi muito diferente. Confesso que estou atônito em ler algo assim maquiado com interpretação seja lá de quem for quando os próprios autores falam as reais origens e inspirações dessa música.

Ao falar algo assim menosprezas aquilo que dezenas de exorcistas já disseram.

Infelizmente o blog embora com muitas qualidades se tornou um grande sinal de perigo para fé ao tecer elogios àquilo que é tão frontalmente obsceno.

Pedro, falo-te com caridade. Tantas coisas boas terias para escrever, mas esse post foi uma gigantesca decepção.

Quantas vezes Nosso Senhor Jesus Cristo nos alertou sobre a audácia satânica, quantos santos já ensinaram para não nós atermos a prazeres sensíveis, e em plena quaresma quando essas batalhas são mais árduas esse post com tal conteúdo.

Quando dias atrás vi a indicação de uma música do ateu Eddie Vedder já estranhei. Quaresma é momento de recolhimento, e nesse deserto levar conosco somente aquilo que é divino. Porém pelo contrário tem trazido aquilo que atenta contra a fé.

Perdoe-me Pedro. Porém repito a decepção que foi ler esse post. Que você possa abrir os olhos o quanto antes e sair desse relativismo liberal e maldito.

Antonio M disse...

Boa noite.

Ótima matéria, complementando a anterior, que me lembra também sobre escrúpulos, o católico não pode entender tudo como pecado e saber separar joio do trigo!

E ser fá da música de fato não é corroborar com atitudes pessoais mas concordo com o já citado Chico Buarque, se tornou intragável.


E sou fã de Eric Clapton que de fato não tem uma vida exemplar mas, sem justificar, também teve uma infância muito difícil porém já mostrou que tem capacidade de arrependimento e mantém uma instituição para reabilitação de alcoólatras (ele inclusive afirma que foi seu pior vício) mantida com ajuda de shows que promove, o Crossroads Guitar Festival; fez música contra o lockdown junto com Van Morison e jura que a música 'Cocaine' sempre foi contra a droga, que é de composição de JJ Cale, e tem adicionado a frase "the dirty cocaine" em shows ao vivo.

E se me permite, uma das minhas preferidas é 'My Father's Eyes', ao vivo em 2001, que faz trilogia com 'Tears in Heaven" e 'Circus" que falam de paterniidade com a perda de seu filho e de seu pai que nunca conheceu.


Obrigado por tocar no tema com tanta propriedade.


Fique com Deus.


Antonio Morales.

Isac disse...

A MÚSICA É UM DOS MELHORES MEIOS DE SUBVERTER UM POVO - Lênin.
Ele tem razão: notem-se que os festivais das bandas, praticamente todas satanistas, Iron Maiden e idem cantores e os componentes com varias tatuagens de cobras, lagartos escorpiões etc., indicando-o, são apoiados e financiados por esquerdistas para se incentivarem orgias, o relativismo e louvores a Satã, como num salão muito doidão de funk - e a meta é o esquecimento de Deus!
Nas igrejas, já reclamei com vários padres de diversas paróquias após a celebração, na sacristia e cortaram 90% do bate-palmas e e remelexos durante os ex cânticos!
Discordamos, mas que o Canto Gregoriano é anti dissipante e enlevante do espírito, sim, enquanto os de guitarras e violões estridentes, bumbos e acordeons são adequados a shows de auditórios - o órgão tocado sonoramente é o adequado às celebrações!

Pedro Erik disse...

Sim, meu caro.

Mas meu tema não é músicas adequadas para celebração dos sacramentos (para mim, no máximo música Gregoriana)

O tema são os pouquíssimos rocks que trazem em suas letras algum indicio de doutrina católica.

O tema se restringe às letras.

Abraço

Luiz Flávio Arreguy Maia disse...

Concordo em quase tudo com este comentário, mas preciso adicionar: o rock foi e é instrumento da Revolução secular contra a civilização cristã. Como ninguém gosta do mal EM SI, o demônio SEMPRE MISTURA ALGO BOM p que a vítima incauta absorva sua COSMOVISÃO. E é aí q coloco minha principal crítica fraternal ao queridíssimo Pedro. Por fim, há sim um equívoco no comentário de S. Agostinho. Ele escreveu suas retratações no fim da vida, é um tratado sobre a música no início. Espero ter colaborado nesse enriquecedor debate e rogo luzes de Nossa Senhora do Bom Conselho para todos.

Pedro Erik disse...

Caríssimos, há problema de correta interpretação de texto nas análises de vocês.

Mas não vou ficar debatendo assunto bobo.

Só vou corrigir um detalhe factual.

Luiz Flávio, Agostinho finalizou Confissões em 401. Ele morreu 29 anos depois, em 430, não foi no fim da vida dele.

Agostinho se converteu com 32 anos em 386, 11 anos depois começou a escrever sua Confissões (397).

Abraços

Luiz Flávio Arreguy Maia disse...

Não estamos debatendo nenhum assunto bobo. A Revolução USOU o rock como usa tudo q pode p manipular as mentes e os corações. Veja Plínio Corrêa de Oliveira em Revolução e Contra Revolução capítulo sobre a revolução nas tendências! Colocam misturadas algumas coisas boas p confundir incautos. O feito resultante , considerado num balanço, mostra claramente q o resultado é favorável à dessacralização da sociedade! Reavalie por favor...Queremos uma sociedade sacral, hierárquica e organicamente voltada para, no plano civil, complementar a ação religiosa da Santa Igreja via estruturação da sociedade civil pró civilização cristã. São as duas chaves, a de ouro da sociedade IGREJA, de origem e natureza divina, e a de Prata, q é o ESTADO q reconhece sua função complementar e subsidiária na construção da sociedade alinhada com a Santa IGREJA, até q haja, como instruiu Nosso Senhor antes de subir ao céu, "um só rebanho e um só pastor "
Grande e fraternal abraço

Pedro Erik disse...

Meu caro, repito, o tema do post são letras de músicas de rock.

Claro que conheço o livro de Plinio Correa. Mas eu não creio nessa ideia de que um ritmo é revolucionário ou contra revolucionário, simplesmente pelo ritmo em si, isso me parece da ideia de "ser contra o sistema".

Depende do que o ser humano faz com o ritmo. No caso do rock, como digo logo no primeiro parágrafo, pouquíssimas músicas escapam à besteiras. Mas há sim músicas e letras boas e até fantásticas.

Grande abraço

Unknown disse...

" Simple Man", Lynyrd Skynyrd

Pedro Erik disse...

Deixe seu nome paea concorrer ao livro.
Acho que esta música está citada pelo NYT mas não tenho certeza.

Abraço

paulo disse...

Hallowed be Thy name - Iron Maiden.

Fala sobre a conversão de um prisioneiro condenado a morte, suas últimas reflexões... pelo mens é como eu entendo a letra.

Pedro Erik disse...

Ok, Paulo, interessante. Não conhecia.
Obrigado. Está no páreo do sorteio.
Abraço