Esta semana, Trump chamou um deputado de "pencil-neck" (ao pé da letra seria "pescoço de lápis). Fiquei curioso com esse termo, e descobri que pencil-neck é uma pessoa fraca, vacilante. Na minha terra, a gente diz que a pessoa costuma "bater fofo".
Agora, temos a confusão que Bento XVI aprontou para um livro sobre celibato. O cardeal Sarah mostrou que entrou em contato com Bento XVI falou do tema, Bento XVI disse que estava trabalhando com o assunto que tinha um texto em alemão que ia traduzir para o italiano, mandou o texto para Sarah, disse que Sarah "fizesse o que ele quisesse" com o texto. Sarah disse para ele o texto cabia em um livro, que iria preparar o livro. Depois apresentou todo o livro pronto para Bento XVI, com introdução, conclusão, texto de Bento XVI e texto de Sarah. Bento XVI aprovou.
O livro foi divulgado, os adoradores de Francisco reagiram, pois pretendem acabar com o celibato "comendo pelas beiradas" a começar pela Amazônia, dizendo que Bento XVI não teria escrito o livro.
Sarah apresentou a carta de Bento XVI e fez um comunicado.
Daí, o que fez Bento XVI?
Bento XVI sabe que deu à Igreja Católica a situação de ter dois papas, uma desgraça, na acepção da palavra, falta de graça. Bento XVI nos legou um infortúnio na Igreja. Como resolver isso diante da crise imensa que Francisco jogou a Igreja, sendo atacada em todos os dogmas pelos novos donos do poder? Pensa Bento XVI: eu reajo ou não?
Depois das controvérsias pediu para retirar o nome dele da capa do livro e pediu para tirar o nome dele da introdução e da conclusão do livro. Mas disse que escreveu sim parte do livro.
Sarah, por obrigação, vai cumprir o pedido. Eu, no lugar dele, teria cancelado o livro.
Eu já escrevi livros, também já escrevi parte de livros e já foi organizador de livro. Um autor que escreve parte de um livro é co-autor, deve estar com seu nome na capa! O organizador do livro é quem geralmente faz a introdução e conclusão de um livro de vários autores. Um autor de um livro de vários autores só reclama da introdução e da conclusão quando estas não condizem com o que ele escreveu.
Em suma, Bento XVI foi um pencil-neck. Renunciou de novo, como disse um amigo, em momento de guerra aberta.
Para salvar ele, alguns dizem que a ideia de pedir para tirar no nome da capa, introdução e da conclusão foram do seu assessor, o arcebispo Ganswein (na foto acima com Francisco e Bento XVI).
Hummm...pode ser pressão do Vaticano? Pode. Mas eu continuo dizendo que no lugar de Sarah, cancelaria o livro e abria ainda mais o jogo.
Faltam homens na cúria mesmo. A imensa maioria "bate fofo", uma enorme quantidade de "pencil-necks".
Aqui vai a tradução do comunicado de Sarah, que mostra a sequência dos acontecimentos.
Declaração do Cardeal Robert SARAH
14 de janeiro de 2020
Em 5 de setembro, após uma visita ao mosteiro da Mater Ecclesiae, onde mora Bento XVI, escrevi ao papa emérito para perguntar se era possível compor um texto sobre o sacerdócio católico, com especial atenção ao celibato. Expliquei a ele que eu próprio havia começado a refletir em oração. Acrescentei: “Imagino que ele ache que suas reflexões podem não ser oportunas devido às controvérsias que eles possam causar nos jornais, mas estou convencido de que toda a Igreja precisa desse presente, que poderá ser publicado no Natal ou no início do 2020 ".
Em 20 de setembro, o Papa Emérito me agradeceu escrevendo que ele também, por sua vez, antes mesmo de receber minha carta, havia começado a escrever um texto sobre esse assunto, mas que sua força não lhe permitia mais escrever um texto teológico. No entanto, minha carta o encorajou a retomar esse longo trabalho. Ele acrescentou que me enviaria assim que a tradução para o italiano estivesse concluída.
Em 12 de outubro, durante o Sínodo dos Bispos na Amazônia, o Papa Emérito me deu um longo texto coberto, resultado de seu trabalho nos últimos meses. Quando vi o escopo deste artigo, tanto em substância quanto em forma, imediatamente considerei que não seria possível oferecê-lo a um jornal ou revista, dado seu volume e qualidade. Assim, propus imediatamente ao papa emérito a publicação de um livro que seria um bem imenso para a Igreja, integrando seu texto e o meu. Após as várias trocas para a preparação do livro, em 19 de novembro finalmente enviei ao papa emérito um manuscrito completo, incluindo, como havíamos acordado de comum acordo, a capa, uma introdução e conclusão comum, o texto de Bento XVI e o meu texto. Em 25 de novembro, o Papa Emérito expressou grande satisfação com os textos escritos em comum e acrescentou: "Pela minha parte, concordo que o texto será publicado da forma que você planejou".
Em 3 de dezembro, fui ao mosteiro de Mater Ecclesiae para agradecer mais uma vez ao Papa Emérito por ter depositado tanta confiança em mim. Expliquei a ele que nosso livro seria impresso durante as férias de Natal, que apareceria na quarta-feira, 15 de janeiro e que, portanto, eu o levaria para ele no início de janeiro, ao retornar de uma viagem à minha cidade natal.
A controvérsia que por várias horas visa sujar, insinuando que Bento XVI não foi informado da publicação do livro, é profundamente abjeta. Sinceramente, perdoo todos aqueles que me caluniam ou que querem se opor ao papa Francisco. Meu apego a Bento XVI permanece intacto e minha obediência filial ao absoluto do Papa Francisco.
PIAZZA DELLA CITTÀ LEONINA, 9
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